sexta-feira, 30 de maio de 2014

Comida Saudável

Hoje um artigo da primeira dama dos Estados Unidos sobre o projeto de melhorar a alimentação de crianças foi publicado no The New York Times e merece ser lido.

Aqui reproduzo o link publicado pelo Uol.  Ameaça no projeto de alimentação saudável.

Muito mais do que pelo caráter político, o artigo pode ser uma oportunidade para refletir sobre como, todos os dias, temos tratado a nós mesmos a partir do que colocamos boca adentro.

O assunto tem me perseguido nos últimos dias.  

Fui à quarta edição do Comida de Blog no Sesc Consolação da última quarta-feira, 28/05, cujos convidados eram os blogueiros Isabela Saldanha, gastrônoma, e Felipe Luz, fotógrafo, ambos do Fotografando à Mesa e o instagramer (eu nem sabia que existia esse termo!) Fabio Moon. Conversa vai, conversa vem, o assunto derivou e foi parar em como comemos o que comemos e como é tratado o alimento que chega às nossas casas, mesas, bocas e estômagos. 

Lendo os Gurus da Gastronomia, do Stephen Vines, editado no Brasil pela Prumo em 2013, inevitavelmente, o que me chama mais atenção pelo profundo antagonismo de ideias são os capítulos que tratam de Carlo Petrini (ver pág 223-234), do movimento Slow Food, e o de Ray Kroc (pág. 169-179), do McDonalds. 

Na disciplina de História da Gastronomia do professor Rodrigo Stolf, uma proposta de análise sobre o ato de nutrir-se a partir do que se busca com o movimento Slow Food e sua características interdisciplinares envolvendo antropologia, sociologia, agricultura, tecnologia, economia, medicina, além do saber e do prazer que nos é dado em casa no que se refere a alimentação. 

Agora o artigo da primeira dama americana...  

Possivelmente isso tem a ver com uma busca muito minha de encontrar uma forma de me alimentar, trabalhar rentavelmente com comida e falar dela a partir dos prazeres que oferece nos restaurantes e nos preparos de receitas que, convenhamos se tiver manteiga vai ser mais saboroso, sem aviltar o que saudável. Meu olhar está dedicado a isso, afinal. 

Tenho pensado em cardápios que sejam nutritivos e saudáveis e ao mesmo tempo prazerosos. Lá na casa da minha mãe, em certo período, eu fui nomeada "fazedora das saladas" e ouvia as meninas dizendo vez ou outra "ah! deixa a tia Clau fazer a salada". Isso porque as saladas que eu produzia eram bonitas de apresentação, quase sempre coloridas ou com um degradê de verdes ou vermelhos, dependendo dos ingredientes, mas sempre prezavam muito por serem saborosas. 

Eu amo sal, preciso confessar. Só que entendo o seu papel e já cheguei a pensar que eu era viciada nesse sabor. Hoje como menos, mas ainda poderia diminuir a dose. Nessa época das saladas nos almoços de família, eu tive um cuidado especial de pesquisar temperos e molhos diferentes, que não ficassem só nos deliciosos  sal, azeite e vinagre ou limão. Descobri o toque do mel, o iogurte e muito do que ele proporciona, o tahine, as variações que proporcionam algumas frutas como o maracujá e a romã, fora as especiariais, que são um capítulo a mais a ser escrito. 

Ninguém deixava de comer salada, com folhas diversas, legumes, castanhas, às vezes proteínas como frango ou bacalhau desfiado, frutas da estação e dá-lhe imaginação e criatividade para juntar e não estragar por excesso de "saladice". Importante era oferecer textura, cor, formato, bons ingredientes (os mais puros quanto fosse possível, às vezes realmente não é) e paladar. Tudo isso preparado com dedicação e cuidado. Mais ainda, tudo era feito para ter equilíbrio, mesmo que isso viesse só pelo instinto. 

Proponho que, como eu, a partir de hoje e sem culpa, você também faça uma reflexão no seu cardápio diário. Veja o que está comendo e se precisa daquilo. Escolha melhor o que vai comer e tente não fazer isso só pra matar a fome, mas para se nutrir de maneira adequada. 
Diminua o sal, coma mais lentamente, mastigue e sinta o gosto do alimento. Prove sabores novos, dê chance para si mesmo de conhecer algo mais, saindo do conforto. Nem sempre custa muito caro provar novos ingredientes gostosos. Seu cerébro vai pode querer  se manter no mesmo lugar e pode enganá-lo insinuando que você não gosta daquilo, mas tente. Seu corpo pode gostar, 

Outra dica é cheirar os alimentos que vai comer, dá um prazer... tanto quando for comprar uma fruta, verdura, hortaliça, quanto quando estiver em frente ao prato pronto. 


O que você escolhe para comer num buffet?
Meu plano inicial era fazer uma crítica a um restaurante que fui na semana passada, mas não resisti ao assunto que pulsava na minha frente. 

Espero que a reflexão seja válida. 

Bom findi!

PS: Um beijo pro André que hoje é aniversário dele. Amo você, amigo! 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Preparando uma viagem de férias - passaporte

Uma das coisas mais divertidas da vida é a preparação de uma viagem. O que não signfiica que não seja cansativo também, mais ainda se você é do tipo que viaja como o Silas e eu, que não somos muito adeptos de ficar presos em pacotes e excursões.  

Este ano, bem no meio dos jogos da Copa do Mundo no Brasil, vamos visitar a Euzi na Alemanha. Só que não é uma simples visita à casa dessa amiga tão querida. Se fosse assim, seria fácil demais e não teria tanta graça. 

Para começar a preparação da viagem é preciso decidir para onde ir, em que tempo, por quanto tempo e como se vai. 

Parece óbvio, mas não é. São tantas as possibilidades e os interesses que fica cada mais estressante o momento da decisão porque vem aquela sensação de que a gente vai deixar de fazer o que é ainda mais legal do que o que a gente vai fazer.  Exemplo disso é a decisão de fazer uma viagem internacional enquanto os olhos dos torcedores do mundo todo estarão voltados para cá.  Mas depois da decisão tomada, essa é a melhor escolha (é assim que eu penso). 

Provavelmente vou escrever sobre a viagem muitas vezes, mas o assunto de hoje, tendo decidido por viajar para outro país, é o passaporte

No Brasil, não se sabe muito bem ao certo o motivo, temos tido dificuldade para agendar uma data próxima para fazer um passaporte.  Se der sorte de entrar no site da Receita Federal para agendar e houver um dia até o fim da próxima semana é quase como ganhar na loteria. Sabendo que eu viajaria em julho e meu passaporte vencia no inicio de maio, em meados de abril entrei no site para agendar. Consegui a data mais próxima no início de junho, na Lapa. Não havia disponibilidade em nenhum dos outros núcleos de atendimento como o Eldorado ou o Shopping Luz. 

Para não ter dor de cabeça na hora de embarcar, é preciso estar com o passaporte válido. Basicamente, os passos a serem seguidos são: agendar a data no site da Receita Federal, imprimir e efetuar o pagamento do boleto (R$ 150 e poucos) e comparecer na data e hora marcadas no endereço correto. Leve os documentos solicitados originais, nada de cópia. São eles: documento de identidade (pode ser RG, CNH, carteira de trabalho, certidão de casamento e certidão de nascimento para os menores de 12 anos), título de eleitor, certidão de cumprimento de obrigações militares (para os homens), certidão de naturalização (se for o caso), guia do recolhimento da taxa sobre a qual já falei antes, passaporte anterior e CPF. 

Vá bonitinho porque chegando lá vai ser feita uma foto que é a que vai impressa no passaporte. Aí, depois de carimbados os dedinhos, revisados os dados do preenchimento da ficha que você fez no agendamento pelo site e assinados os devidos formulários, o seu passaporte deverá ficar pronto em alguns dias.  E você, pessoalmente, deve ir retirá-lo. Caso não possa, é preciso procuração com moldes bem específicos. Não se iluda, esse documento é coisa muito séria e não se deve achar que pode ser dado um jeitinho. Isso não existe!

Bom, assim que meu passaporte novo estiver pronta terei mais um pedaço da prepação da minha viagem resolvido. Falta muuuuuito ainda! 

Agora preciso ir porque tenho horário agendado na minha médica querida, Dra. Lilian. 

Prometo falar mais da viagem. Só pra adiantar uns highlights: vamos pedalar em campos de tulipas e degustar cervejas de primeira qualidade. 




Pretendo contar pra vocês um pouquinho do nosso jeito de viajar. Combina com o nosso jeito de viver ou, se preferir, nosso lifestyle!

Beijos, 


Serviço

Polícia Federalhttp://www.dpf.gov.br/

terça-feira, 27 de maio de 2014

Coquetéis, que delícia!

Para uma noite fria de segunda-feira como a de ontem, nada pode ser mais animado que uma aula de Coquetelaria! Ainda mais depois quase ter perdido a van porque o trem da estação Pinheiros sentido Osasco vem lotado e, de cada dois, só em um os passageiros podem entrar devido à administração logística da CPTM (eles sabem o que fazem, assim espero!) 

Deixemos o trem pra lá e sigamos viagem naquilo que nos faz feliz! 

Coquetel é a tradução da palavra cocktail (cock = galo, tail = rabo), portanto rabo de galo que nada tem a ver necessariamente com aquela mistura de pinga com vermute, ambos baratos. Muito embora, isso não deixe de ser também um coquetel já que sua melhor definição é o drink no qual se misturam duas ou mais bebidas. 

Logo, se você pedir um whisky com gelo tomará um drink, se decidir por um dry martini poderá chamar o seu drink de coquetel. 

Segundo o professor Gerson Bonilha Jr., da cadeira de Serviços de Sala e Bar, da Universidade Paulista, os coquetéis tem uma classificação quanto a sua categoria (short, long ou hot drinks), modalidade (batidos, mexidos ou montados) e finalidade (estimulantes, do apetite e físicos, digestivos, refrescantes e nutritivos). Para quem estuda Gastronomia, a finalidade é que mais interessa, uma vez que a harmonização e adequação do coquetel pode valorizar uma produção, se bem feita, ou comprometê-la negativamente, em caso contrário.

Já para quem aprecia uma bebidinha entre amigos ou apenas quer saber um pouco a respeito das combinações universais imortalizadas por astros do cinema e da TV e que parece coisa que só gente do jet set internacional tem acesso, uma boa aula de coquetelaria desmistifica tudo. Ou quase tudo. O suficiente.

"Shaken not stirred", diria James Bond sobre seu martini. Cosmopolitan é bebida preferida de Carrie Bradshaw, no seriado Sex and the City, sobre quatro mulheres independentes que vivem em Manhatann, que não por acaso dá nome ao drink que é o orgulho americano reverenciado por Marilyn Monroe, em Quanto Mais Quente Melhor (1959).

Para guardar da melhor forma o vasto patrimônio criado por bartenders de todo planeta, em 1951, foi criada a Intenational Bartenders Association (IBA). A coisa é tão séria que 59 países são membros e desde a fundação contribuem para que a arte da coquetelaria seja preservada e aprimorada. 

No Brasil, a Associação Brasileira de Bartenders (ABB), com sede em São Paulo, cumpre em território nacional as atribuições da IBA, com informações oficiais desse metiê, oferecendo palestras, cursos e outras atividades para seus membros. 

Quando se fala de preservar o patrimônio criado por bartenders, a ideia das associações é manter uma padronização internacional para os coquetéis mais conhecidos. Deste modo, caso você viaje para o Cambodja de férias, poderá tomar, sem medo, uma caipirinha tipicamente brasileira com limão, açúcar, cachaça de cana e gelo. Sem segredos e variações esdrúxulas. 

No ano de 2013, os 10 drinks mais tomados no mundo foram pela ordem: 



Fora o orgulho da brasileiríssima caipirinha, que nem todo mundo sabe fazer, mas não falta nas festas porque sempre tem alguém que sabe, a lista mostra é um exemplo de como os coquetéis permanecem no tempo. Em tempos de releituras em que tudo o que é retrô é bacana, vale aprender alguns dos imortais como foram feitos originalmente. 

Dry Martini
6 cl.* gin
1 cl. de vermouth seco
Preparar no mixing-glass (um dos instrumentos do barman) e servir em copo cocktail (taça com pezinho) com um zest (um pedacinho da casca espremido para dar aroma, que fica fora do drink) e uma azeitona com caroço no palito

Cosmopolitan
4 cl. vodca
1 cl. licor de laranja (cointreau) 
3 cl. xarope de cranberry
1 cl de limão
Os ingredientes são batidos na coqueteleira e a bebida servida no mesmo copo do martini.




Depois de mais 10 coquetéis preparados e degustados na aula de ontem, veio o meu preferido para fechar com chave de ouro: 

Kir Royal
10 cl. champagne gelado 
2 cl. licor de cassis
Montar em taça flute. 



As fotos são da adorável Simone Exposito.

Humm... deu vontade de repetir.  

Beba com moderação! 


Curiosidade sobre o Rabo de Galo - Cocktail - Nos Estados Unidos dos anos 40 e 50, eram comuns as brigas de galo, principalmente, no Mississipi.  Conta-se que ao dono do galo vencedor de uma luta eram dadas as penas do rabo do galo perdedor para que com ela fosse mexida sua bebida. Uma forma de humilhar o perdedor. 

Outra lenda diz que uma mistura de bebidos do tipo farmacinha, em que vão diversas bebidas fortes com o intuito de embebedar rapidamente, era dada aos galos antes das batalhas. Eles então ficavam valentões e erguiam as caudas. 

Parece que é de uma dessas estórias que vem o nome da mistura de bebidas. 

SERVIÇO

IBA - International Bartenders Association www.iba-world.com/

ABB - Associação Brasileira de Bartenders www.assbb.org.br/
Avenida Senador Queirós, 605, São Paulo - SP, 01026-001
(11) 3227-6293  

*1 cl.(centilitro)= Unidade de medida de volume equivalente a centésima parte de um litro

domingo, 25 de maio de 2014

Viajar é a melhor coisa do mundo. Sabe qual é a pior?

Viajar é a melhor coisa do mundo. Sabe qual é a pior? Cancelar a viagem. Especialmente se você já tinha comprado uma passagem aérea pela e-Destinos. 

Foi o que aconteceu comigo. Eu marquei uma viagem para o período do Carnaval para Miami. Os planos eram que eu encontraria a Renata por lá de onde sairíamos rumo a Orlando para ir aos parques como Universal, Disney e outros.  Seria uma viagem de amigas que se amam muito, para rir e se divertir. 

A ideia de nos encontrarmos nesse lugar surgiu porque a Renata estava a trabalho nos Estados Unidos por um mês e quando chegasse o período do Carnaval a turnê do grupo que ela acompanhava teria terminado.  Como a Rê tem uma ex-cunhada que mora em Miami, que eu conheço e gosto muito, a Sula, e o Silas não é muito afins de ir pra Disney, a oportunidade era perfeita. 

Além disso, eu tinha dias a serem compensados no trabalho  devido a vários finais de semana que tinha feito eventos com o Secretário em cidades no interior de São Paulo. Tava sopa no mel!! 

Comprei passagem meio em cima da hora, com menos de 20 dias para a viagem acontecer e como era para o período do Carnaval, os preços estavam bem altos. Nada de promoção, de milhas ou coisas assim. 

Só que os planos não deram certo. A Renata teve que vir embora antes do que prevíamos e eu tive que cancelar a passagem.  E no mesmo perído, eu fui avisada que não trabalharia mais na Secretaria porque havia um novo contrato da Sabesp com a CDN que não previra uma pessoa para comunicação na Secretaria, no caso eu. 

Prato feito, prato desmontado. 

Eu pedi o cancelamento da viagem para a e-Destinos, que naquele momento só atendia por chat e não disponibilizava sequer um telefone para contato, no fim do mês de fevereiro. 
Fui informada que teria que pagar uma multa de US $ 200 (duzentos dólares) e que seria reembolsada pelo restantes em até 60 dias. 

Só que eu paguei a vista a passagem! 

Fazer o quê? Tudo bem, se não há outra alternativa...

Em abril, veio um valor no meu cartão de crédito de R$ 698 (reais!!!). 

Comecei a peregrinação ao telefone (agora a empresa tem um atendimento por callcenter). Documentos enviados, esperas intermináveis, conversas desagradáveis depois...  Na última segunda-feira, 19/05, um rapaz chamado Diego me informou que o restante do que me devia a e-Destinos seria pago em conta corrente em até 72 horas. 

Não foi, claro! 

Hoje, agora há pouco, falei com uma moça chamada Ana, na e-Destinos, depois de esperar 16 minutos para ser atendida. Ela me disse que eu DEVO esperar 15 dias úteis para receber o valor de R$ 1853 (reais). 

Será que vão pagar? Eu sinceramente não sei. Talvez, não.  Podem me dar outra data quando eu ligar de novo daqui a 15 dias úteis que com a Copa do Mundo será no início de julho se eu tiver sorte! 

Mas o triste é que esse tipo de situação deixa mesmo a gente chateada. Mistura frustração pela não viagem diante dos fatos chatos que me levaram ao cancelamento da passagem e a impotência por ser mal atendido, mal informado, enganado. 

Eu sei que todo mundo passa um dia por isso. Mas é chato pra todo mundo, eu posso garantir. 

Desabafo feito, desejo a todos um ótimo domingo. E recomendo que evitem comprar na e-Destinos. Porque se você precisar cancelar sua viagem pode ser tratado como eu fui e venho sendo. 

Beijinhos!!! 

sábado, 24 de maio de 2014

Sábado entre amigos chefs

O som de duas vozes infantis ecoam alegremente pela casa: são Valentine (5), e Lorenzo (19 meses), filhos do colega Reynaldo, dono de uma impecável cozinha caseira para chef algum botar defeito. 

O ambiente é propício para o preparo de qualquer comida. Tem de tudo! Os mais finos ingredientes e os mais funcionais utensílios estão ali à disposição, bem ao alcance das mãos. Trabalhando nas preparações-teste dos pratos que serão servidos numa atividade do curso de gastronomia, além do dono da casa, Andrea e eu. 


Mel (no canto inferior à esquerda), Vag, eu, Reynaldo e Andréa. Rodrigo fez a foto. 


Foi um sábado e tanto. O Reynaldo se encarregou do cordeiro que já vinha marinando há 3 dias numa alquimia que só  quem é chef por missão sabe fazer.  Eu comecei o pão ázimo, que foi finalizado pelo Reinaldo, fiz o homus e ajudei a Andrea no preparo do babaganuche.  

--- tags: chefs, homus, receita fácil de homus

Enquanto preparávamos os pratos, descascando alho, selando a carne, arrumando as vasilhas, temperando as delícias todas, falávamos de nós, das nossas vidas, de casamento, filhos, sobrinhos, ideias para o futuro. Assunto não faltou nas seis horas em que ficamos juntos. 

Até ia esquecendo das maçãs carameladas recheadas com castanhas ou "oleaginosas", né, Andrea?

Eu voltei de trem, numa viagem de quase uma hora até a minha casa. No caminho pensava quais são as atividades que não estando relacionadas a comida proporcionam tamanha integração entre as pessoas. Achei algumas como as atividades esportivas, os dias de sol na praia, as longas cirurgias, encontros religiosos... deve haver muitas. Mas, será que alguma dessas nos daria tanta satisfação e cumplicidade?

Quando a gente cozinha acaba ficando nu. Mostra quem é e pronto. Basta ter olhos pra ver. E se não os tiver, o cheiro e o gosto da comida denunciarão o cozinheiro. Recebi um trecho de um texto do Mia Couto da minha amiga Cris Pacino, que dizia que cozinhar é um ato de amor. 

Só porque tanto quanto de cozinhar gosto de escrever, deixo a receita do homus que preparamos hoje. Aproveite. Faça com a família ou os amigos ou ambos por perto, dividindo as tarefas é ainda mais agradável: 

Receita de Homus

Passe no processador de alimentos:

300 gramas de grão de bico cozido em água e sal por 40 minutos na pressão
4 colheres de sopa de tahine ou pasta de gergelim
2 dentes de alho amassados
azeite o suficiente
1 limão espremido
sal e pimenta do reino a gosto



Rende muito! 

Para arrematar essa delícia, um pouco de páprica picante e um molhinho feito com zatar e azeite. Fica bom no pão ázimo, na torrada, na bolachinha, junto com a carne de cordeiro, com pão sírio... hummm.... combina bem demais porque é gostoso para caramba!

Eu adorei o sábado!  Outros virão. 

Beijos aos queridos anfitriões, os mirins, os donos da casa, Vag e Reynaldo, e a fofa Mel, a labradora que ganhou esse nome porque é doce e da cor do mel das abelhas. 


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Uma casa portuguesa com certeza, em São Paulo

Nada mais charmoso e aconchegante para um almoço na sexta-feira, ainda mais um dia como hoje, um pouco nublado, outonal, com o sol tentando dar as caras atrás das nuvens, do que um bom bacalhau e um copo de vinho. 

É o que oferece a Casa Portuguesa, numa casinha de esquina na Rua Cunha Gago, aqui em São Paulo.  

Conheço o lugar há muito tempo. Ele me foi apresentado pela queridíssima amiga Paula Baez, que sabe encontrar lugares gracinha e de boa comida. Mas de quando conheci para agora, houve muita mudança. O lugar cresceu, assim como as opções do cardápio e da carta de vinhos. 

Apesar das mudanças, não acho que "enfrescurou" (rsrs). 

Ambiente e decoração - O ambiente continua muito agradável com cara de casinha em Portugal, porque o salão não é um ambiente único, você pode conseguir uma mesa na sala da frente com janela pra rua ou no corredor de passagem ou ainda no "puxadinho" ou melhor na ampliação que foi feita no fundo. Além disso tem também os quartos, que ficam na parte de cima da casa. 

A decoração não é nada pesada. As paredes onde não há prateleiras de vinhos são brancas com quadros de gravuras de tras dos montes e alto douro em Portugal. Outros elementos como o galinho de Barcelos ou pratos decorados remetem em função das cores à bandeira da terrinha e dos nossos colonizadores. 




Enxoval e tipo de serviço -  As mesas são cobertas por toalhas tradicionalmente brancas e há uma espécie de papel vegetal como cobre-manchas. Talheres de inox simples, mas de boa qualidade. Louça branca. Copos de vidro. A montagem é de mise en place básica, já que o serviço à inglesa indireto é o usado para quem pede um só prato para dois ou para a família, e, caso você peça um prato individual é empratado ou prato pronto. 

Cardápio/ Vinho - Aliás, eu considero isso uma vantagem da Casa Portuguesa O cardápio traz opções para quem quer comer sozinho ou para quem quer dividir. Em qualquer dos casos, são bem servidos. Não sobra e não falta. A quantidade é bem calculada e o garçom não mente para você, só para vender mais. 

Da mesma forma, existe a opção do vinho em taça que pode ser branco, tinto ou verde. Na última vez que estive lá, tomei um velho conhecido que frequentou muito a minha casa desde que o Silas e eu nos casamos, o vinho Gatão. Vinho verde muito delicado, que não fala mal de ninguém, custa o razoável e atende bem para acompanhar postas de bacalhau, um bacalhau ao Brás, ao forno  ou até mesmo com natas.  

Preços - Os preços na Casa são honestos. Chego a dizer que são baratos, uma vez que o que se come lá é bacalhau e não peixe tipo bacalhau. O valor de um prato individual está na faixa de R$ 26. Some-se aí a tacinha de vinho português (R$ 9,50), o bolinho de bacalhau de entrada (R$ 3 por unidade), uma água e um docinho de gemas ou pastel de Belém (R$ 5,50), sua conta vai ficar perto de R$ 50 para almoçar bem! 

Quando minha mãe esteve em São Paulo no ínicio deste mês, fomos comer nesse simpático restaurante. Nossa opção foi por postas de bacalhau com grão de bico. Estava perfeito na cocção e na apresentação. Entretanto, havia espinhas demais em uma das postas, uma falha que perdoo por todas as outras vezes que não houve esse problema. 

Esse é um lugar que me traz boas memórias. Estive lá com a Euzi e a Fabíola certa vez e nós tomamos em três, três garrafas de vinho num sábado à tarde. Se me lembro bem, foi um rosé Casal Garcia, talvez. Não, foi um verde Calamares. Ou ambos. Sei lá, o teor etílico causa amnésia. 

Também estive lá com colegas da Sabesp várias vezes, já que o fica bem perto da Sabesp da Costa Carvalho onde prestei serviço por um tempo. Fui lá com a Cláudia Fernandes e sua linda família. Saudades de todos, do Ademir, dela e do João. 

Mais que uma crítica, eu recomendo o lugar. Como disse o Silas agora há pouco, "eu gosto de lá". 

Como comecei falando de dia com cara de que vem chuva...  graças a Deus e a São Pedro, tem tido alguma chuva nessa cidade. Espero que chova um pouco também na cabeceira da represa e que isso ajude o sistema Cantareira nesse momento em que míngua... 

Hoje é sexta. Bom fim de semana com uma dica do chef que encontrei no site do restaurante: 

Receitas - Bacalhau a Brás

Ingredientes

750 g de bacalhau demolhado, 1 kg de batata, 3 cebolas, 1 dente de alho, 100 ml de azeite, 8 ovos, 1 ramo de salsa. azeitonas, óleo, sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
1 Desfie o bacalhau e elimine as peles e as espinhas
Corte as batatas em palha e frite em óleo
corte as cebolas em rodelas
pique o alho e refogue no azeite
2 Junte o bacalhau e cozinhe, em fogo baixo, mexendo sempre. Acrescente as batatas, reservando algumas para a decoração, e o ovos batidos. Mexa, até os ovos cozinharem bem. Tempere com sal e pimenta
3 Coloque numa travessa e polvilhe com salsa picada. Decore com as azeitonas e as batatas reservadas.



Serviço
Casa Portuguesa
Rua Cunha Gago, 656 - Pinheiros
Tel. 11 3819 1987 www.casaportuguesa.com.br


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Mise en place para o risoto de funghi

Quando se estuda comunicação ou alguma língua, seja ela qual for, na classificação das palavras os substantivos são determinantes para que a linguagem entre as pessoas ocorra. 

Substantivos são os nomes que têm os objetos, pessoas, lugares, sentimentos e grupos. 

Segundo a Gramática Metódica da Língua Portuguesa, cujo autor é Napoleão Mendes de Almeida, da Editora Saraiva: 
Classificam-se os substantivos em comuns e próprios, concretos e abstratos, primitivos e derivados, simples e compostos. 
Nota - Entre os comuns mencionam-se, especialmente, os coletivos. 
Tudo isso para dizer que mise en plase (pronuncia-se como em francês miz on plas) é o nome dado ao trabalho que se tem para "por em ordem" uma preparação na cozinha ou a mesa onde será servida a refeição num restaurante, num evento ou até mesmo na casa da gente. 

Sabe aquele cuidado e carinho com que a gente dispõe os pratos, talheres, copos e guardanapos sobre a mesa para esperar a hora do almoço quanto tem visita? É isso!


--- tags: mise en place, risoto, risoto de funghi, substantivos, nomes


A noite de ontem foi cheia de alegria na nossa casa porque recebemos o Pablo, filho do Silas, e a Júlia, namorada dele, que acabam de chegar da Nova Zelândia, com fotos maravilhosas e uma experiência fantástica na bagagem, e a Rô, minha amada amiga de tantos anos, para jantar. A Bruna, nossa sobrinha que mora conosco alguns dias por semana, também chegaria em tempo para comer conosco, então, fiz a mise en place da  mesa para seis pessoas. 

Como todos são de casa e não haveria entradas à mesa, nem salada, usei uma toalha básica sem desenhos na cor cru, pratos rasos iguais, talheres dispostos ao lado de cada prato (facas à direita, garfos à esquerda), copos de água na direção da faca e guardanapos de papel branco dobrados sobre os pratos.  Os copos de vinho e cerveja, conforme as pessoas chegavam, foram diretamente para às mãos dos convidados para aproveitarem os petiscos que antecederam a refeição. 

Havia azeitonas pretas e verdes, castanhas e amendoas, damascos e pão sueco para acompanhar o patê de tomates secos e o chancliche apimentado. 

Fizemos um risoto de funghi para o jantar. Prato único que o Silas executou e para o qual eu fiz a mise en place. 

Deixe tudo prontinho só para ele fazer a receita, parecia programa de televisão. 

Ingredientes do risoto: 

1/2 cebola grande picada
1 dente de alho amassado
2 colheres de manteiga (uma para refogar e outra para misturar ao risoto no fim da preparação)
400 gramas de arroz arbório 
100 gramas de funghi sechi hidratado e picado em pedaços pequenos 
1 cálice de vinho (usamos vinho tinto ontem)
Sal a gosto
3 1/2 xícaras de caldo de carne misturado à água que hidratou o funghi
100 gramas de queijo parmesão ralado

Modo de preparo

Refogam-se o alho e a cebola na manteiga, despeja-se o arroz arbório e o funghi. Mexe-se deixando fritar um pouco e desprender o aroma. Junta-se o vinho. Depois de um breve período para evaporar o álcool, acrescenta-se uma ou duas conchas do caldo. O restante deve ser colocado aos poucos até o fim do preparo quando chega o ponto do arroz para risoto, ou seja,  está entre aldente e cozido. 
Desliga-se o fogo, misturam-se o restante da manteiga para dar brilho e liga e o parmesão ralado. Deve-se então tampar a panela para que descanse por cerca de 3 minutos. 

Pronto para servir! Risadas aqui e ali que levaram a engasgos ainda muito mais engraçados (Glauce Graieb, eu e a Rô adoramos você!), comemos muito bem e tivemos uma noite amorosa. 

Caçoaram muito de mim por causa da mise en place. O Silas diz que agora ele tem que saber os nomes em francês, não pode errar mais o lado de servir à mesa e nem o jeito de abrir a garrafa de vinho.  Já que aprendeu, por que não usar? 

Viva! Beijos! 


Silas, eu, a Rô e Júlia. Pablo fotógrafo, no celular da Rô!

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Já comeu jacaré?

Fazer um curso de gastronomia é uma delícia!  Principalmente porque o mundo é vasto e todo mundo come, inclusive, coisas que a gente nem imagina. Só que o grande barato é que aquela comidinha tão familiar pra uns, é muito nova e diferente para outros. 

Eu não resisto às novidades, fico super entusiasmada com o que vem e tento aproveitar tudo.  Ontem, foi a noite do jacaré!




À parte qualquer preconceito com aquele monstro pré-histórico que está na terra há 250 milhões de anos, convém lembrar que o couro do bicho está nas bolsas mais caras das mais luxuosas grifes, como Louis Vuitton, Burberry e Victor Hugo, e em botas e sapatos que enlouquecem mulheres de todo o planeta. 

Bom, já que o alligator mora no guarda-roupa de tanta gente, por que não convidá-los para passar uns dias nas geladeiras e depois ir às mesas de cada vez mais pessoas? 

Eu fui convencida de que essa é uma opção muito interessante e possível. 

Um grupo formado pelos alunos (Lu Giondo, José Reinaldo, Henrique Camargo, Alberto Antonio e Lucilena Orlando) do 3o. semestre da Gastronomia da Unip, promoveu, ontem, 20/05, uma palestra aberta na sala de A&B (alimentos & bebidas) com o Dr. Glenn Collard, veterinário responsável técnico do criadouro de jacarés de papo-amarelo, do projeto Arurá. 
Dr. Glenn Collard, veterinário e eu, na sala de A&B da Unip

É uma experiência e tanto no Brasil. Como acho que vale super a pena conhecer o projeto, sugiro dar um google nas expressões criadouro de jacaré  e Arurá e ver a seriedade da coisa. A ESALQ, conhecida escola de Piracicaba, e uma equipe multidisciplinar de veterinários e biólogos começaram os estudos com esses bichos. O resultado nos foi contado na apresentação do Dr. Glenn ontem. Eu separei alguns itens que considerei mais relevantes e agora conto pra vocês.

O jacaré-de-papo-amarelo é uma das 5 espécies que existem na fauna brasileira que são: jacaré negro ou jacaretinga (do pantanal); jacaré-aruará, jacaré- açu ou jacaré-gigante;  jacaré-de-papo-amarelo, jacaré-do-focinho-largo ou ururau (que é o nosso deste texto aqui); jacaré-coroa ou paguá e jacaré-coroa ou caimão-de-cara-lisa.

No projeto Arurá , o jacaré-do-papo-amarelo  se alimenta de cadáveres de frangos que seriam descartados como lixo por produtores granjeiros. Numa parceria as granjas fornecem os frangos mortos diariamente (que não são doentes, mas que não resistem ao ambiente estressado das granjas) e o criadouro dos jacarés usa como comida. A vantagem é que ele fica responsável por dar fim nesse resíduo que, em geral, é um problema para as granjas. Como os frangos são alimentados com rações muito proteicas, o alimento dos jacarés é de boa qualidade. 

Por isso e pela própria característica do animal, a carne do jacaré é um alimento rico em proteína e com baixo colesterol.

A carne é macia, tenra e bem saborosa e embora tenha boa aceitação em diversos lugares, não é tão comum. Há quem tenha muito preconceito com esse tipo de alimento. No Brasil, onde o jacaré é visto como carne de caça predatória, e foi assim (acho que ainda é em alguns lugares) até bem pouco tempo, a população média ainda não costuma comprar em mercados com selo de origem e registro.   

Um criadouro como o do projeto Arurá tem uma produção aproximada de 200 kg/mês, o que não é suficiente para exportação, já que o mercado internacional absorve bem o produto. Os valores variam de R$ 20 a 60 por quilo embalado e congelado e o canal de vendas diretas é o usado, sendo os compradores bares, restaurantes e butiques de carnes especiais.

O principal produto da criação dos crocodilos e também dos jacarés é o couro. Ele é que vale mais já que a indústria da moda busca muito esse tipo de insumo. Os preços são bem altos nesse mercado. Mas, segundo o Dr. Glenn Collard, as vendas de carne de jacaré da sua criação já ultrapassam os valores recebidos pelo couro.

Para a culinária, os cortes encontrados desse parente do crocodilo são: jacaré inteiro, costela, filé da cauda, coxa e sobrecoxa e isca (que é a parte mais proteica).  

Nós pudemos degustar a carne do jacaré de papo amarelo durante a palestra. Só com alho, cebola, azeite e sal, estava muito saborosa. Com uma textura entre o peixe e frango, ela vem sendo usada com os mais diversos temperos e para fazer pratos muito comuns como moqueca, estrogonofe e  sashimis. Mas há receitas bem mais sofisticadas dependendo de quem são os chefs que as preparam.

Há muito mais para saber sobre esse assunto. Eu gostei bastante do que vi, ouvi e degustei.

Dicas culinárias para fazer um bom jacaré:
- não vá caçar, compre uma carne garantida e de boa procedência
- tempere com antecedência de 4 horas as peças menores e as maiores na véspera
- cozinhe em fogo baixo e para as churrasqueiras grelhas altas.

Experimente!

Para saber mais: 


Serviço:

Projeto Arurá – rodovia SP 107, km 39,5 – Artur Nogueira – SP
Agendamento de visitas pelo telefone: 19-3802-1154


Recortei umas informações técnicas sobre o nosso personagem para quem tiver interesse: 


JACARÉ-DE-PAPO-AMARELO 

Espécie de jacaré que já esteve na lista de animais ameaçados de extinção. Vive com freqüência nas florestas úmidas da Mata Atlântica e em terrenos de baixada pantanosas no Cerrado brasileiro. 

Habitat: Brejos, mangues, lagoas, riachos e rios. Hábitos alimentares: Carnívoro. Reprodução: Desova entre 17 e 50 ovos por postura, que eclodem após 70 a 80 dias de incubação. Período de vida: Aproximadamente 50 anos. 

Quando estão com a boca fechada os dentes do maxilar superior são visíveis. O quarto dente do maxilar inferior encaixa-se em uma depressão existente no maxilar superior, permanecendo invisível quando o jacaré está com a boca fechada. 

Normalmente possuem ornamentos cônicos nucais deparados dos escudos dorsais. Toda a parte superior do animal é de coloração marrom escuro e parte inferior creme. 

Pernas curtas; patas providas de grandes unhas. Aquático, permanecendo horas parado tomando banhos de sol. Ocorrem em rios e lagoas de água doce e salobra. São mais ativos durante a noite, alimentado-se principalmente de peixes. Ocorre sempre em grupos. Habita os domínios da Mata Atlântica. 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Comida de blog? Blog de comida - Comida saudável

É uma inspiração ler o blog da Neide Rigo, chama-se come-se para quem não conhece. 

Há pouco eu li sobre a maria-pretinha, uma fruta que eu nunca tinha ouvido falar e que, graças às pesquisas da Neide, agora sei que não é muito bem vista quando nasce perto de plantações de café ou feijão, mas que pode ser usada para geléias, na massa da panqueca e para recheios, fora o que você tiver na imaginação. É nossa blueberry, ou melhor, black mary ou maria-pretinha. 

Eu estive no evento do Sesc Consolação em abril em que a Neide Rigo e a Marina Person foram as convidadas para falar de comida de blog ou blog de comida juntas, eu já até tinha comentado isso por aqui. 


Eu com eles.

Eu sou leitora dos cadernos Paladar (do Estadão) e Comida (Folha), e a Neide Rigo tem uma coluna, a Nhac!, no Paladar. Já há muito tempo eu lia o que ela escrevia. Só que na hora que vi o nome dela no evento do Sesc não fiz uma associação direta com a coluna do jornal. 

Admito que, embora eu seja jornalista e marqueteira e saiba bem a importância dos articulistas e suas reputações, bem como de conhecer pessoas e ter relacionamento próximo com a mídia (afinal o trabalho de assessoria de imprensa tem tudo a ver com isso), sempre me importa mais o conteúdo que o figurão. Uma vez que um assunto me interesse e eu passe a ler sobre aquilo começo relacionar autores e tal. Mas não é o meu primeiro olhar. Uma falha que devo consertar, até comecei a cuidar disso... tsc.

Já sobre a Marina Person não me faltavam informações: eu a conhecia da MTV, do Metrópolis, na TV Cultura, do Cine Drops da rádio Eldorado e do Marinando, o canal dela no youtube. 

Eu fui cheia de expectativa para esse evento que reuniu as duas e foi mediado pelo JB, do Boteco do JB (botecodojb.blogspot.com). Demorou um pouco pra engatar a conversa, mas depois o bate-papo foi ótimo, principalmente, porque se falou muito mais de comida do que de blog.  

Só pra conhecer, caso você não tenha chance de ir em nenhum dos que ainda estão programados, o modelo do evento é o seguinte: tem um palco montado onde os convidados ficam em cima, um tablado não muito grande. Tem uma projeção do blog ou do  vlog na parede do fundo da sala e uma mesa com as comidas que serão servidas ou feitas logo ao lado, à direita ou à esquerda dos convidados, depende do dia.  Ao que me parece, essas convidados ilustres são convidados também para cozinhar para o público, o que no caso da Neide e da Marina aconteceu, mas nos demais, não deu. Quem tocou mesmo a comida foram as meninas da cozinha do Sesc.  As pessoas ficam na plateia, que nas primeiras edições tinha a simpática montagem de mesinhas de bar. 

O tema da noite da quarta, 30/04, era comida de gente saudável. A  minha impressão foi que, fora o preconceito dos mais radicais, comer de um jeito saudável é o que eu já faço. Vou tentar explicar, elencando alguns itens como: 
- ingredientes saudáveis, 
- pouca gordura e fritura,
- comida saborosa,
- prazer em comer,
- comer devagar,
- aproveitar frutas, legumes e verduras da época, de preferência uns que você ganha do vizinho que tem um sítio, pega no seu vasinho de hortaliças ou no quintal da sua mãe,
- evitar excessos repetidos ou frequentes e 
- outros aí que você lembra e dá valor. 

Sempre que posso, eu cozinho. Taí uma coisa para qual difcilmente eu tenho preguiça. Também cuido de comprar o melhor que posso, escolho os alimentos mais saudáveis, bonitos, se possível compro orgânicos,  embora eu ache os preços abusivos e não tenha nada contra o que a indústria produz, acho até que ela tem um papel fundamental para melhorar a alimentação da população em geral. Além disso, como com prazer, quase sempre numa mesa arrumada com carinho e na qual tem alegria, cheiro bom e criatividade nos pratos que são servidos. 

O bate-papo do Sesc com a Marina Person e a Neide Rigo foi profícuo. Para mim, teve menos blog que eu queria (porque ando antenada nessa coisa), mas teve experiência de comida e de paladar, bom senso e delicadeza, inclusive do JB, a quem chamei carinhosamente de "ogro" outro dia. 

Ah! Ainda ganhei uma banana orgânica do sítio da Neide e todos comemos um cuscuz de farinha de milho (ou será que foi mandioca?) com banana que estava uma delícia. 


Neide Rigo, do Nhac! e do come-se

Marina Person (que também come banana, como todos nós!) e JB




sexta-feira, 16 de maio de 2014

Um paraíso para quem gosta de comer

O lugar em que eu mais gosto de comprar em São Paulo é a Zona Cerealista. Não há shopping ou supermercado que me encante mais do que lá. As feiras, às vezes, me deixam tão feliz quanto quando vou ali na Rua Santa Rosa, mas, nem sempre. Gosto mais de lá mesmo. 




Acho que é uma questão básica: eu adoro comprar comida! Especialmente aquelas saborosíssimas e que dá pra experimentar no local do tipo armazém ou empório de quando eu era criança. E, de preferência, gosto de pagar o que é justo pelo que compro. 

Então, juntando lé com cré, gosto de comprar na Zona Cerealista porque lá é bem barato em relação aos supermercados, principalmente devido a boa qualidade dos produtos, a variedade é imensa e tem de tudo! Tudo o que eu amo comer. 

Quando descobri esse lugar (a Alessandra e o Fauzer, meus amigos queridos é que me disseram que existia esse paraíso), eu não sabia ainda que gostava tanto de comprar esses tais ingredientes: são delícias para comer imediatamente como amendoins, damascos, figos secos, uvas passas, azeitonas, tremoços,  alcaparras, picles...  São alimentos lindos, cheirosos, apetitosos, suculentos ... ai!  Quando penso só me vem à cabeça plagiar a letra do rei Roberto Carlos:  "tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda..." rsrs

Só que a minha relação com esse lugar foi acontecendo aos poucos, até a dependência quase total que tenho agora. Eu não me tornei imediatamente viciada, digo, frequentadora da região, embora quisesse muito. 

A história foi mais ou menos assim: primeiro, fomos conhecer o lugar. O Silas e eu, claro! Foi meio difícil de achar da primeira vez, entramos pela rua da Cantareira, pedimos informação para um e outro e ninguém sabia muito bem como fazia para chegar na tal rua, mas, chegando lá, me senti num verdadeiro parque de diversões (outra coisa que simplesmente adoro!). 

A segunda vez estivemos lá porque era fim de ano e teríamos festas de família em Itu e em Atibaia e queríamos agradar levando os petiscos e as entradas.  Depois veio o nosso casamento: uau! Comprei tudo o que podia e mais um pouco! Fiz uma grande farra nos queijos, nas azeitonas, nossa!  Aí eu já era fã. Não dava mais para viver sem esse vício delicioso e permitido. 

Na festa de 70 anos da minha mãe, providenciei quase tudo o que eu precisa para as entradas nas lojas Camanducaia e Comercial Louro. Nesse segundo estabelecimento, tem uns meninos que cortam os queijos pra gente enquanto algumas lascas nos são servidas. Eles entendem o que a gente busca, se é algo mais caro, beleza, mas se você quer algo mais em conta, a solicitude é a mesma. Eles são prestativos e atenciosos da mesma forma. 

Na emenda do feriado do 1o. de Maio, dia do trabalhador, minha mãe, que também não resiste à tentação de comprar comidas, e mais que isso, de fazer estoque de coisas gostosas na casa dela, veio pra São Paulo e lá fomos nós duas para a mais pura diversão. 

E ela sempre sai com as sacolas repletas de guloseimas e com a seguinte frase se justifica: 
- Eu não comprei muito, só o necessário! 

Ou quando ela está escolhendo para comprar diz: 

- Ai, meu neto Gabriel adora queijo gorgonzola! 

Ou ainda: 

- Sabe, moço, esse tipo de queijo aqui, a Bruna e o Rafael, quando vão lá em casa, sempre procuram para comer. Então eu não posso deixar de ter na geladeira. 

Compreensível, coisas de avó. 

Nesta última ida à região, me surpreendi com as mudanças no local. Há mais sinalização, em alguns lugares as calçadas foram reformadas, há mais estacionamentos e, por causa da zona azul, os flanelinhas estão mais organizados, embora eu não tenha sido aviltada por um. Antes era tudo mais precário. 

Confesso que tenho até um pouco de medo que melhore muito porque isso vai estragar. Começam a frequentar pessoas que não curtem as comidas, os cheiros, os sabores, as texturas e as carinhosas relações humanas que existem quando o vendedor lhe oferece a concha cheia de azeitonas para você experimentar uma. E pode ser uma de cada galão de azeitonas.  

Meu receio é que passe a ser um shopping center (com padrões de shopping center) a céu aberto, em que quem venha a frequentar sejam pessoas que gostam muito do padrão de shopping center de praça de alimentação, sabe? Aí, estraga porque descaracteriza. O medo é do progresso no moldes que a gente já cansou de ver. 

Agora, pasmem! Só hoje quando comecei a escrever é que descobri que existe Zona Cerealista online. Pois é. Dê só uma olhada: www.zonacerealista.com.br Não é tudo de bom (porque não tem cheiro, nem conversa), mas é tudo de bom! 

Só pra não perder a oportunidade, segue uma receitinha que fiz ontem com produtos que comprei na ZC: 

Cuzcuz marroquino com uvas passas e castanhas

Ingredientes
2 e 1/2 xícaras de cuscuz marroquino
2 xícaras de água fervente 
1 colher de manteiga
20 gramas de castanhas de caju picadinhas 
20 gramas de nozes picadas
20 gramas de lascas de castanhas do pará
2 colheres de uvas passas brancas sem sementes
2 colheres de uvas passas pretas sem sementes
Sal e pimenta do reino a gosto

Modo de preparo

Hidrate o cuscuz marroquino com a água quente e misture a manteiga. Deixe descansar por alguns minutos numa vasilha tampada. Solte os possíveis grumos formados no cuscuz com um garfo e misture os demais ingredientes pela ordem. 

Sugestão: sirva como acompanhamento de carne de panela tipo goulash, peixe assado, de frango com curry ou como eu fiz ontem, com ratatouille de berinjela, abobrinhas, pimentões, azeitonas e alcaparras. Eu ainda servi cebolinhas caramelizadas. Meu convidado de ontem era vegano! 


Quem é o Silas e quem é o Enéas, meu convidado vegano? 
E já que o fim de semana tá começando, que tal uns petiscos (comprados na rua Santa Rosa ou no Empório Santa Maria), um bom vinho branco ou uma cervejinha especial e um pouco de relax? Todo mundo merece! Por que não você? 

Beijos, bom findi. Amanhã tem Virada Cultural em Sampa. 

Serviço: Zona Cerealista - Rua Santa Rosa, no Brás (pertinho do Museu Catavento)