sábado, 31 de maio de 2014

Restaurante Steiner, Bar do Alemão em Itu

Graças à falta d'água em Itu, que gera um transtorno considerável para quem tem que lavar a louça logo depois do almoço, e ao fato de que o Silas não é ituano e nunca tinha ido ao Bar do Alemão, essa foi a nossa opção de restaurante de hoje. 

Eu não ia ao Bar do Alemão há cerca de 20 anos, talvez pouco menos, mas sem dúvida há tempo suficiente para que a minha própria memória já pudesse me enganar reconstruindo o espaço como eu mesma o quisesse. Para minha surpresa, nada me foi estranho. Minha memória não me trapaceara. 



Ambiente - A mesma suntuosa mobília escura logo na entrada do amplo hall onde ficam mesinhas redondas para a espera de mesas ou o aperitivo e o grande balcão onde estão as chopeiras dá, ao mesmo tempo, a impressão de aconchego e a sensação de se ter entrado num ambiente internacionalizado.  O pé direito alto do hall em harmonioso contraste com o amplo salão intermediário no qual o teto é mais baixo oferecem a ideia de que há algo mais a ser visto. 




Estivemos no Bar do Alemão em Brasília no ano passado que, exceto pelos itens do cardápio, em nada lembra o tradicional restaurante Steiner de Itu.  Lá, à beira do Lago Paranoá, as mesas mais disputadas são as da grande varanda que acompanha uma parede de vidro atrás da qual está o balcão. A mobília é mais leve e arrojada. 

Em Itu, no salão principal, mesas redondas, quadradas e retangulares de madeira, se distribuem cobertas por toalhas e cobre-manchas brancos, onde o mise en place básico de louça também branca e talheres de boa qualidade aguarda pelos clientes cheios de apetite.  

Com cerca de 70% da casa tomada (somente no salão principal do piso que dá pra rua), o barulho de vozes enchia o ambiente familiar, lembrando um restaurante em que toda a família se junta para comer muito e permanecer por bastante tempo, enquanto as crianças fugidas dos cadeirões correm de um lado para outro, pretensamente incomodando os demais visitantes. Eu, pessoalmente, acho até divertido. Os garçons, já não sei se concordam comigo.

Atendimento -  Tão logo chegamos, o maitre nos questionou sobre o número de pessoas e nos conduziu a uma mesa ao fundo do salão principal onde os antigos vitrais são transpassados pela luz natural dando um breve colorido ao local. Eles evitam que se perceba claramente que o local é fechado e climatizado com ar condicionado. 

Assim que nos sentamos, dois cardápios à mão, ficamos à vontade para escolher o que comer. Na primeira página, um pouco da história do bar.

História - O Bar do Alemão começou em 1902, quando Max Steiner abriu uma padaria na rua Paula Souza. Bom comerciante e figura generosa, ele ampliava a clientela tratando os que frequentavam o lugar para comer os salgadinhos feitos pela D. Rosalina, sua mulher, como amigos.  Foram eles os responsáveis pela primeira ampliação do local. 

A meu ver, o jeito no trato dos clientes foi passado de geração em geração. Digo isso, porque me lembro do amplo sorriso com que Herbert, um dos netos, recebia as pessoas lá nos idos dos anos 80 ou 90. 

Comida/bebida e serviço - Como já previa, não pude apresentar ao Silas o chopp da Antártica geladíssimo por muitos metros de serpentina que tantas vezes brindamos entre amigos ituanos. 
A carta de bebidas servidas no Alemão traz como carro-chefe agora (e já faz bastante tempo) a referência mais conhecida entre as marcas fabricadas em Itu. É Schin,  que, de Itu, tem a procedência e a história, uma vez que operação agora é toda Brasil Kirin, empresa que compõe o portfólio da globalizada Kirin Holdings Company. 

Escolhi um chopp de trigo da Eisenbahn (weisenbier) e meu marido um Baden Baden de cevada mesmo. Minha mãe optou pela não alcoólica coca zero. 



No cardápio, pratos alemães, mas, para de fato mostrar a prata da casa ao ilustre visitante que se casou com uma ituana  legítima, o famoso filé à parmegiana do Alemão não poderia faltar. 

A qualidade permanece e o tamanho também. Talvez o que não permaneça seja a franqueza do garçom quanto a quantidade de comida que seria servida. Ao ser perguntado sobre o tamanho do prato, ele respondeu que o mini serviria duas pessoas. Comemos em três  e saímos além de satisfeitos. 

Aqui vai a minha crítica sobre a importância de se confiar no atendimento de um lugar. Um garçom precisa ser absolutamente honesto com seu cliente. Com a ração e o bolso alheios não se deve abusar. Por dois motivos básicos e simples: comida não se joga fora, ainda mais a de boa qualidade, e a dinheiro não se faz desaforo. Rasgar dinheiro é uma escolha do dono. 

Dito isso, a comida veio boa. O filé fininho e bem macio, forrado à milanesa crocante e coberto com molho de tomate e queijo espesso e apurado na medida. Nem pra mais, nem pra menos. Acompanha o arroz, que não fala mal de ninguém, mas não tem absolutamente nada a ser dito sobre ele. 
  
Pra mim, o melhor são as batatas. Fritas gordinhas crocantes por fora, tenras por dentro e irregulares no tamanho e no corte. Deliciosas. 

Uma boa experiência para quem estava conhecendo como o Silas. 

O serviço à inglesa indireto foi cumprido sem grande graça, embora na saída o Cosme, garcom que nos atendeu, tenha falado um pouco sobre a nossa primeira vez na casa, digo, a de um de nós. Ele foi simpático e cortês, mas não se esforçou muito para que a receita do restaurante aumentasse. Não nos pôs água na boca quanto às bebidas, sobremesas ou café. 

Nosso tempo de permanência no local não excedeu uma hora e pouco, embora as cadeiras fossem confortáveis e a temperatura agradável.  

Preço - O bife à parmegiana mais as bebidas que mencionei custaram juntamente com as batatas, que são cobradas à parte, cerca de R$ 170. 

Estacionamento - Não usamos o serviço do manobrista, que por sua vez tampouco foi simpático quando nos encontramos em frente à praça da igreja do Bom Jesus. 

O dilema do crescimento e das parcerias - Quando eu ia ao Bar do Alemão há 25 anos, os garçons e o maitre conheciam todos os ituanos que o frequentavam. Hoje o restaurante tem unidades em vários outros locais como Campinas, Brasilia e São Paulo. Com isso, o restaurante não parece mais apenas dos Steiner. Ele tem também a cara dos parceiros e, certamente, um tanto da ideia deles. Deve ter sido isso que fez com que os garçons estivessem vestidos com uma fantasia de alemães como se faz em Blumenau. Por mim, seria mantida a seriedade do restaurante tradicional, mas a vida muda e o turista gosta da indumentária. 

Saímos satisfeitos com o que comemos, sem estar necessariamente encantados. Um olhar mais detido às vitrines das prateleiras que cobriam algumas das paredes, vimos que souveniers estilizados como alemãezinhos estão à venda. Bonitinhos, mas meio nada a ver. Coisa também pra turista, mesmo que este esteja em Itu e não na Alemanha. 
















Um brinde aos amigos queridos de Itu à moda antiga, com chopp e provolone à milanesa no Bar do Alemão (coisa que, diga-se por curiosidade, só comíamos quando a mesada ficava corrigida acima da inflação). Bons tempos aqueles. E esses de hoje também. 




Serviço

Bar do Alemão de Itu - Bar do Alemão

Rua Paula Souza, 575 - Itu - São Paulo - tel. 11 4011-4284 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Comida Saudável

Hoje um artigo da primeira dama dos Estados Unidos sobre o projeto de melhorar a alimentação de crianças foi publicado no The New York Times e merece ser lido.

Aqui reproduzo o link publicado pelo Uol.  Ameaça no projeto de alimentação saudável.

Muito mais do que pelo caráter político, o artigo pode ser uma oportunidade para refletir sobre como, todos os dias, temos tratado a nós mesmos a partir do que colocamos boca adentro.

O assunto tem me perseguido nos últimos dias.  

Fui à quarta edição do Comida de Blog no Sesc Consolação da última quarta-feira, 28/05, cujos convidados eram os blogueiros Isabela Saldanha, gastrônoma, e Felipe Luz, fotógrafo, ambos do Fotografando à Mesa e o instagramer (eu nem sabia que existia esse termo!) Fabio Moon. Conversa vai, conversa vem, o assunto derivou e foi parar em como comemos o que comemos e como é tratado o alimento que chega às nossas casas, mesas, bocas e estômagos. 

Lendo os Gurus da Gastronomia, do Stephen Vines, editado no Brasil pela Prumo em 2013, inevitavelmente, o que me chama mais atenção pelo profundo antagonismo de ideias são os capítulos que tratam de Carlo Petrini (ver pág 223-234), do movimento Slow Food, e o de Ray Kroc (pág. 169-179), do McDonalds. 

Na disciplina de História da Gastronomia do professor Rodrigo Stolf, uma proposta de análise sobre o ato de nutrir-se a partir do que se busca com o movimento Slow Food e sua características interdisciplinares envolvendo antropologia, sociologia, agricultura, tecnologia, economia, medicina, além do saber e do prazer que nos é dado em casa no que se refere a alimentação. 

Agora o artigo da primeira dama americana...  

Possivelmente isso tem a ver com uma busca muito minha de encontrar uma forma de me alimentar, trabalhar rentavelmente com comida e falar dela a partir dos prazeres que oferece nos restaurantes e nos preparos de receitas que, convenhamos se tiver manteiga vai ser mais saboroso, sem aviltar o que saudável. Meu olhar está dedicado a isso, afinal. 

Tenho pensado em cardápios que sejam nutritivos e saudáveis e ao mesmo tempo prazerosos. Lá na casa da minha mãe, em certo período, eu fui nomeada "fazedora das saladas" e ouvia as meninas dizendo vez ou outra "ah! deixa a tia Clau fazer a salada". Isso porque as saladas que eu produzia eram bonitas de apresentação, quase sempre coloridas ou com um degradê de verdes ou vermelhos, dependendo dos ingredientes, mas sempre prezavam muito por serem saborosas. 

Eu amo sal, preciso confessar. Só que entendo o seu papel e já cheguei a pensar que eu era viciada nesse sabor. Hoje como menos, mas ainda poderia diminuir a dose. Nessa época das saladas nos almoços de família, eu tive um cuidado especial de pesquisar temperos e molhos diferentes, que não ficassem só nos deliciosos  sal, azeite e vinagre ou limão. Descobri o toque do mel, o iogurte e muito do que ele proporciona, o tahine, as variações que proporcionam algumas frutas como o maracujá e a romã, fora as especiariais, que são um capítulo a mais a ser escrito. 

Ninguém deixava de comer salada, com folhas diversas, legumes, castanhas, às vezes proteínas como frango ou bacalhau desfiado, frutas da estação e dá-lhe imaginação e criatividade para juntar e não estragar por excesso de "saladice". Importante era oferecer textura, cor, formato, bons ingredientes (os mais puros quanto fosse possível, às vezes realmente não é) e paladar. Tudo isso preparado com dedicação e cuidado. Mais ainda, tudo era feito para ter equilíbrio, mesmo que isso viesse só pelo instinto. 

Proponho que, como eu, a partir de hoje e sem culpa, você também faça uma reflexão no seu cardápio diário. Veja o que está comendo e se precisa daquilo. Escolha melhor o que vai comer e tente não fazer isso só pra matar a fome, mas para se nutrir de maneira adequada. 
Diminua o sal, coma mais lentamente, mastigue e sinta o gosto do alimento. Prove sabores novos, dê chance para si mesmo de conhecer algo mais, saindo do conforto. Nem sempre custa muito caro provar novos ingredientes gostosos. Seu cerébro vai pode querer  se manter no mesmo lugar e pode enganá-lo insinuando que você não gosta daquilo, mas tente. Seu corpo pode gostar, 

Outra dica é cheirar os alimentos que vai comer, dá um prazer... tanto quando for comprar uma fruta, verdura, hortaliça, quanto quando estiver em frente ao prato pronto. 


O que você escolhe para comer num buffet?
Meu plano inicial era fazer uma crítica a um restaurante que fui na semana passada, mas não resisti ao assunto que pulsava na minha frente. 

Espero que a reflexão seja válida. 

Bom findi!

PS: Um beijo pro André que hoje é aniversário dele. Amo você, amigo! 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Preparando uma viagem de férias - passaporte

Uma das coisas mais divertidas da vida é a preparação de uma viagem. O que não signfiica que não seja cansativo também, mais ainda se você é do tipo que viaja como o Silas e eu, que não somos muito adeptos de ficar presos em pacotes e excursões.  

Este ano, bem no meio dos jogos da Copa do Mundo no Brasil, vamos visitar a Euzi na Alemanha. Só que não é uma simples visita à casa dessa amiga tão querida. Se fosse assim, seria fácil demais e não teria tanta graça. 

Para começar a preparação da viagem é preciso decidir para onde ir, em que tempo, por quanto tempo e como se vai. 

Parece óbvio, mas não é. São tantas as possibilidades e os interesses que fica cada mais estressante o momento da decisão porque vem aquela sensação de que a gente vai deixar de fazer o que é ainda mais legal do que o que a gente vai fazer.  Exemplo disso é a decisão de fazer uma viagem internacional enquanto os olhos dos torcedores do mundo todo estarão voltados para cá.  Mas depois da decisão tomada, essa é a melhor escolha (é assim que eu penso). 

Provavelmente vou escrever sobre a viagem muitas vezes, mas o assunto de hoje, tendo decidido por viajar para outro país, é o passaporte

No Brasil, não se sabe muito bem ao certo o motivo, temos tido dificuldade para agendar uma data próxima para fazer um passaporte.  Se der sorte de entrar no site da Receita Federal para agendar e houver um dia até o fim da próxima semana é quase como ganhar na loteria. Sabendo que eu viajaria em julho e meu passaporte vencia no inicio de maio, em meados de abril entrei no site para agendar. Consegui a data mais próxima no início de junho, na Lapa. Não havia disponibilidade em nenhum dos outros núcleos de atendimento como o Eldorado ou o Shopping Luz. 

Para não ter dor de cabeça na hora de embarcar, é preciso estar com o passaporte válido. Basicamente, os passos a serem seguidos são: agendar a data no site da Receita Federal, imprimir e efetuar o pagamento do boleto (R$ 150 e poucos) e comparecer na data e hora marcadas no endereço correto. Leve os documentos solicitados originais, nada de cópia. São eles: documento de identidade (pode ser RG, CNH, carteira de trabalho, certidão de casamento e certidão de nascimento para os menores de 12 anos), título de eleitor, certidão de cumprimento de obrigações militares (para os homens), certidão de naturalização (se for o caso), guia do recolhimento da taxa sobre a qual já falei antes, passaporte anterior e CPF. 

Vá bonitinho porque chegando lá vai ser feita uma foto que é a que vai impressa no passaporte. Aí, depois de carimbados os dedinhos, revisados os dados do preenchimento da ficha que você fez no agendamento pelo site e assinados os devidos formulários, o seu passaporte deverá ficar pronto em alguns dias.  E você, pessoalmente, deve ir retirá-lo. Caso não possa, é preciso procuração com moldes bem específicos. Não se iluda, esse documento é coisa muito séria e não se deve achar que pode ser dado um jeitinho. Isso não existe!

Bom, assim que meu passaporte novo estiver pronta terei mais um pedaço da prepação da minha viagem resolvido. Falta muuuuuito ainda! 

Agora preciso ir porque tenho horário agendado na minha médica querida, Dra. Lilian. 

Prometo falar mais da viagem. Só pra adiantar uns highlights: vamos pedalar em campos de tulipas e degustar cervejas de primeira qualidade. 




Pretendo contar pra vocês um pouquinho do nosso jeito de viajar. Combina com o nosso jeito de viver ou, se preferir, nosso lifestyle!

Beijos, 


Serviço

Polícia Federalhttp://www.dpf.gov.br/

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Open mind, hoje é dia de desafio!

Esta manhã, acordei preguiçosa, o quarto quentinho, uma pequena fresta ao fim da janela não deixava saber se o dia estava ensolarado ou nublado. Chovendo a gente sabia que não estava porque nesta terra não chove nunca mais... rsrs... é bom lembrar de economizar água, portanto. 

Depois de ficar fazendo uma preguicinha longa na cama, decidimos nos levantar e encarar a vida lá fora. Para os cabelos no estilo mais Jimmy Neutron matinal só um banho resolve, do contrário não dá pra sair de casa. Sem mais enrolação, banho e café da manhã tomados, meu destino era a aula de ioga do Sesc Consolação, com a professora Silvinha. 


Meu cabelo acorda assim!


No caminho, vi um grupo de crianças acompanhado de professores subindo a rua Veridiana. Um garotinho de braço dado com a professora me chamou atenção porque ia mais devagar que os colegas e andava na ponta dos pés. Num breve lapso, enquanto eu os ultrapassava, ouvi parte da conversa. Ele dizia: 
- ... tenho mais uma cirurgia.
E ela: 
- Mais uma? 
O menino balbuciou algo que eu não ouvi e ela devolveu incisiva: 
-  Claro que você vai andar como os outros, já está andando, não vê?

Que lindo! Senti o carinho e o estímulo dela com a criança e me senti feliz, de uma felicidade simples.

Cheguei ao meu destino e a surpresa só não foi gigante porque eu estava no Sesc. O hall de entrada totalmente modificado, os empregados vestidos de verde e amarelo, o elevador que não vinha nunca e a aula de ioga que já devia ter começado. 

Na sala de aula do sétimo andar, a montagem também era diferente de todo dia e além da professora Silvia, um professor convidado chamado Duda. A aula será de ashtanga yoga, porque hoje é dia de Desafio. 



Criado no Canadá, nos anos 80, o Dia do Desafio tem a proposta de despertar o interesse pela prática de esportes e atividades físicas, por meio de uma competição amigável entre cidades. 
A iniciativa é da Tafisa - The Association For International Sport for All e aqui em São Paulo conta com a coordenação do Sesc. Em 2014, São Paulo desafia Curitiba. É a 20a.edição do evento. 

A graça toda está no fato de oferecer uma oportunidade para fazer algo que não estava no script. Como a aula de ashtanga. 

Nossa turma de ioga, tão acostumada com posturas atingidas com calma, vagarosamente, dando um tempo para o corpo se acostumar, foi tomada pela novidade, a ioga com energia total. O professor lançou uma proposta de associar movimento e respiração e nos fez suar. Foi muito mais difícil!  Mas bem gostoso. 

Ao fim da aula as expressões eram diversas, alguns felizes, outros naquela vibração de "ah! isso não é pra mim". Não importa. O que vale é a cabeça aberta para aproveitar a oportunidade de conhecer algo novo e fazer o corpo se movimentar. 

Quando desci para ir embora, o hall estava tomado pelas crianças que encontrei na rua. O garotinho estava lá sendo desafiado como todos os outros. Num momento especial da vida e Igual a todos os outros. 

No caminho de volta, outros grupos barulhentos de pequenos estudantes seguiam acompanhados por professores. Não tive a mesma sorte da vinda. Seria demais ouvir novamente um estímulo tão bonito, quase sagrado, de um ser humano pra outro. Voltei de bem com vida para tocar o dia que agora já não está nada preguiçoso. 

Serviço

Dia do Desafio - Você se mexe e o mundo mexe junto  www.diadodesafio.org.br

Para participar escolha a atividade que mais lhe agrada. Basta encontrar na programação. Vale praticar corrida, exercícios em empresas, gincanas, ciclismo, caminhada, natação e muitos outros. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Coquetéis, que delícia!

Para uma noite fria de segunda-feira como a de ontem, nada pode ser mais animado que uma aula de Coquetelaria! Ainda mais depois quase ter perdido a van porque o trem da estação Pinheiros sentido Osasco vem lotado e, de cada dois, só em um os passageiros podem entrar devido à administração logística da CPTM (eles sabem o que fazem, assim espero!) 

Deixemos o trem pra lá e sigamos viagem naquilo que nos faz feliz! 

Coquetel é a tradução da palavra cocktail (cock = galo, tail = rabo), portanto rabo de galo que nada tem a ver necessariamente com aquela mistura de pinga com vermute, ambos baratos. Muito embora, isso não deixe de ser também um coquetel já que sua melhor definição é o drink no qual se misturam duas ou mais bebidas. 

Logo, se você pedir um whisky com gelo tomará um drink, se decidir por um dry martini poderá chamar o seu drink de coquetel. 

Segundo o professor Gerson Bonilha Jr., da cadeira de Serviços de Sala e Bar, da Universidade Paulista, os coquetéis tem uma classificação quanto a sua categoria (short, long ou hot drinks), modalidade (batidos, mexidos ou montados) e finalidade (estimulantes, do apetite e físicos, digestivos, refrescantes e nutritivos). Para quem estuda Gastronomia, a finalidade é que mais interessa, uma vez que a harmonização e adequação do coquetel pode valorizar uma produção, se bem feita, ou comprometê-la negativamente, em caso contrário.

Já para quem aprecia uma bebidinha entre amigos ou apenas quer saber um pouco a respeito das combinações universais imortalizadas por astros do cinema e da TV e que parece coisa que só gente do jet set internacional tem acesso, uma boa aula de coquetelaria desmistifica tudo. Ou quase tudo. O suficiente.

"Shaken not stirred", diria James Bond sobre seu martini. Cosmopolitan é bebida preferida de Carrie Bradshaw, no seriado Sex and the City, sobre quatro mulheres independentes que vivem em Manhatann, que não por acaso dá nome ao drink que é o orgulho americano reverenciado por Marilyn Monroe, em Quanto Mais Quente Melhor (1959).

Para guardar da melhor forma o vasto patrimônio criado por bartenders de todo planeta, em 1951, foi criada a Intenational Bartenders Association (IBA). A coisa é tão séria que 59 países são membros e desde a fundação contribuem para que a arte da coquetelaria seja preservada e aprimorada. 

No Brasil, a Associação Brasileira de Bartenders (ABB), com sede em São Paulo, cumpre em território nacional as atribuições da IBA, com informações oficiais desse metiê, oferecendo palestras, cursos e outras atividades para seus membros. 

Quando se fala de preservar o patrimônio criado por bartenders, a ideia das associações é manter uma padronização internacional para os coquetéis mais conhecidos. Deste modo, caso você viaje para o Cambodja de férias, poderá tomar, sem medo, uma caipirinha tipicamente brasileira com limão, açúcar, cachaça de cana e gelo. Sem segredos e variações esdrúxulas. 

No ano de 2013, os 10 drinks mais tomados no mundo foram pela ordem: 



Fora o orgulho da brasileiríssima caipirinha, que nem todo mundo sabe fazer, mas não falta nas festas porque sempre tem alguém que sabe, a lista mostra é um exemplo de como os coquetéis permanecem no tempo. Em tempos de releituras em que tudo o que é retrô é bacana, vale aprender alguns dos imortais como foram feitos originalmente. 

Dry Martini
6 cl.* gin
1 cl. de vermouth seco
Preparar no mixing-glass (um dos instrumentos do barman) e servir em copo cocktail (taça com pezinho) com um zest (um pedacinho da casca espremido para dar aroma, que fica fora do drink) e uma azeitona com caroço no palito

Cosmopolitan
4 cl. vodca
1 cl. licor de laranja (cointreau) 
3 cl. xarope de cranberry
1 cl de limão
Os ingredientes são batidos na coqueteleira e a bebida servida no mesmo copo do martini.




Depois de mais 10 coquetéis preparados e degustados na aula de ontem, veio o meu preferido para fechar com chave de ouro: 

Kir Royal
10 cl. champagne gelado 
2 cl. licor de cassis
Montar em taça flute. 



As fotos são da adorável Simone Exposito.

Humm... deu vontade de repetir.  

Beba com moderação! 


Curiosidade sobre o Rabo de Galo - Cocktail - Nos Estados Unidos dos anos 40 e 50, eram comuns as brigas de galo, principalmente, no Mississipi.  Conta-se que ao dono do galo vencedor de uma luta eram dadas as penas do rabo do galo perdedor para que com ela fosse mexida sua bebida. Uma forma de humilhar o perdedor. 

Outra lenda diz que uma mistura de bebidos do tipo farmacinha, em que vão diversas bebidas fortes com o intuito de embebedar rapidamente, era dada aos galos antes das batalhas. Eles então ficavam valentões e erguiam as caudas. 

Parece que é de uma dessas estórias que vem o nome da mistura de bebidas. 

SERVIÇO

IBA - International Bartenders Association www.iba-world.com/

ABB - Associação Brasileira de Bartenders www.assbb.org.br/
Avenida Senador Queirós, 605, São Paulo - SP, 01026-001
(11) 3227-6293  

*1 cl.(centilitro)= Unidade de medida de volume equivalente a centésima parte de um litro

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Livro de ler e de ter

Eu leio a Nina Horta há anos. As quartas-feiras são sempre esperadas porque tem texto dela no caderno de comida da Folha de São Paulo.

Outro dia fui à biblioteca da faculdade e encontrei um exemplar do livro dela Não é Sopa - Crônicas e receitas de comida, editado pela Companhia das Letras, em 1995.  Emprestei o livro e logo quis ler tudo. Embora eu tenha querido devorar cada crônica imediatamente, não foi o que aconteceu. Eu já precisei renovar três vezes o empréstimo, sendo que existe um limite para renovações de uma mesma obra na biblioteca. Isso ocorre quando outra pessoa fez reserva do livro. 



Interessante é o motivo de não ter lido de uma tacada só. Esse é um livro pra ter, para reler, para reviver histórias que não são suas, mas que parecem com a sua vida ou com a de alguém bem próximo que você gosta muito. 

Tem um capítulo, o On the road para o qual  eu já voltei 20 vezes e reli Nova Iorque com imenso prazer.  É aquele caso  que faz com que o bom leitor da boa leitura sofra um processo de "mind-transportation" para a Big Apple tão logo bata os olhos nas primeiras linhas.  

Só pra ser mais prática e não ficar aqui na maior rasgação de seda, até porque dizem que gosto não se discute, os textos da Nina Horta são bons. Explico o porquê. São leves, fluidos, muito informativos e coerentes com o que se propõem e extremamente sensoriais.  

Segundo a wikipedia: 
sistema sensorial é a parte do sistema nervoso responsável pelo processamento de informações sensoriais. O Sistema sensorial consiste nos receptores sensoriais, nos neurônios aferentes, e nas partes do cérebro envolvidas no processamento da informação. Os sentidos são os meios através dos quais os seres vivos percebem e reconhecem outros organismos e as características do meio ambiente em que se encontram -- em outras palavras, são as traduções do mundo físico para a mente. Os mais conhecidos são cinco: visão, audição, tato, paladar e olfato. .
Quando se lê: "comida de alma é aquela que consola, que escorre garganta abaixo quase sem precisar ser mastigada, na hora de dor, de depressão, de tristeza pequena", a gente sente o que é, sabe que cheiro tem isso, qual é o gosto e a textura, dá pra sentir no paladar aquele cheiro de café com leite de mãe com carinho, de vó com um copinho de geleia de mocotó líquida ou um ovinho cozido na casca.  Por isso é sensorial. 

Tem gente de quem a gente gosta porque já viu, conhece, é amigo, sabe o jeito, admira a alma, não importa muito o motivo. A gente gosta e tá bom assim. Eu me inspiro na Nina Horta (a minha gata preta é a Nina Paçoca, não tem nada a ver) sem nunca tê-la visto porque seus textos mostram um jeito simples (e por isso mesmo muito sofisticado) de contar a vida, de falar segredos, de repartir, partilhar.  

Se você quiser história, leia. Se quiser causo, leia também. Para fugir da solidão, ler é uma boa, para ficar só, mais ainda! De presente, no caso do Não é sopa, vem receita, cheiro, saber e sabor.

Segundona começando, mês de maio acabando... semana longa de muitas tarefas, provas e oportunidades pra ver a vida de um jeito melhor.  Que tal separar um tempinho pra ler? 

domingo, 25 de maio de 2014

Viajar é a melhor coisa do mundo. Sabe qual é a pior?

Viajar é a melhor coisa do mundo. Sabe qual é a pior? Cancelar a viagem. Especialmente se você já tinha comprado uma passagem aérea pela e-Destinos. 

Foi o que aconteceu comigo. Eu marquei uma viagem para o período do Carnaval para Miami. Os planos eram que eu encontraria a Renata por lá de onde sairíamos rumo a Orlando para ir aos parques como Universal, Disney e outros.  Seria uma viagem de amigas que se amam muito, para rir e se divertir. 

A ideia de nos encontrarmos nesse lugar surgiu porque a Renata estava a trabalho nos Estados Unidos por um mês e quando chegasse o período do Carnaval a turnê do grupo que ela acompanhava teria terminado.  Como a Rê tem uma ex-cunhada que mora em Miami, que eu conheço e gosto muito, a Sula, e o Silas não é muito afins de ir pra Disney, a oportunidade era perfeita. 

Além disso, eu tinha dias a serem compensados no trabalho  devido a vários finais de semana que tinha feito eventos com o Secretário em cidades no interior de São Paulo. Tava sopa no mel!! 

Comprei passagem meio em cima da hora, com menos de 20 dias para a viagem acontecer e como era para o período do Carnaval, os preços estavam bem altos. Nada de promoção, de milhas ou coisas assim. 

Só que os planos não deram certo. A Renata teve que vir embora antes do que prevíamos e eu tive que cancelar a passagem.  E no mesmo perído, eu fui avisada que não trabalharia mais na Secretaria porque havia um novo contrato da Sabesp com a CDN que não previra uma pessoa para comunicação na Secretaria, no caso eu. 

Prato feito, prato desmontado. 

Eu pedi o cancelamento da viagem para a e-Destinos, que naquele momento só atendia por chat e não disponibilizava sequer um telefone para contato, no fim do mês de fevereiro. 
Fui informada que teria que pagar uma multa de US $ 200 (duzentos dólares) e que seria reembolsada pelo restantes em até 60 dias. 

Só que eu paguei a vista a passagem! 

Fazer o quê? Tudo bem, se não há outra alternativa...

Em abril, veio um valor no meu cartão de crédito de R$ 698 (reais!!!). 

Comecei a peregrinação ao telefone (agora a empresa tem um atendimento por callcenter). Documentos enviados, esperas intermináveis, conversas desagradáveis depois...  Na última segunda-feira, 19/05, um rapaz chamado Diego me informou que o restante do que me devia a e-Destinos seria pago em conta corrente em até 72 horas. 

Não foi, claro! 

Hoje, agora há pouco, falei com uma moça chamada Ana, na e-Destinos, depois de esperar 16 minutos para ser atendida. Ela me disse que eu DEVO esperar 15 dias úteis para receber o valor de R$ 1853 (reais). 

Será que vão pagar? Eu sinceramente não sei. Talvez, não.  Podem me dar outra data quando eu ligar de novo daqui a 15 dias úteis que com a Copa do Mundo será no início de julho se eu tiver sorte! 

Mas o triste é que esse tipo de situação deixa mesmo a gente chateada. Mistura frustração pela não viagem diante dos fatos chatos que me levaram ao cancelamento da passagem e a impotência por ser mal atendido, mal informado, enganado. 

Eu sei que todo mundo passa um dia por isso. Mas é chato pra todo mundo, eu posso garantir. 

Desabafo feito, desejo a todos um ótimo domingo. E recomendo que evitem comprar na e-Destinos. Porque se você precisar cancelar sua viagem pode ser tratado como eu fui e venho sendo. 

Beijinhos!!! 

sábado, 24 de maio de 2014

Sábado entre amigos chefs

O som de duas vozes infantis ecoam alegremente pela casa: são Valentine (5), e Lorenzo (19 meses), filhos do colega Reynaldo, dono de uma impecável cozinha caseira para chef algum botar defeito. 

O ambiente é propício para o preparo de qualquer comida. Tem de tudo! Os mais finos ingredientes e os mais funcionais utensílios estão ali à disposição, bem ao alcance das mãos. Trabalhando nas preparações-teste dos pratos que serão servidos numa atividade do curso de gastronomia, além do dono da casa, Andrea e eu. 


Mel (no canto inferior à esquerda), Vag, eu, Reynaldo e Andréa. Rodrigo fez a foto. 


Foi um sábado e tanto. O Reynaldo se encarregou do cordeiro que já vinha marinando há 3 dias numa alquimia que só  quem é chef por missão sabe fazer.  Eu comecei o pão ázimo, que foi finalizado pelo Reinaldo, fiz o homus e ajudei a Andrea no preparo do babaganuche.  

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Enquanto preparávamos os pratos, descascando alho, selando a carne, arrumando as vasilhas, temperando as delícias todas, falávamos de nós, das nossas vidas, de casamento, filhos, sobrinhos, ideias para o futuro. Assunto não faltou nas seis horas em que ficamos juntos. 

Até ia esquecendo das maçãs carameladas recheadas com castanhas ou "oleaginosas", né, Andrea?

Eu voltei de trem, numa viagem de quase uma hora até a minha casa. No caminho pensava quais são as atividades que não estando relacionadas a comida proporcionam tamanha integração entre as pessoas. Achei algumas como as atividades esportivas, os dias de sol na praia, as longas cirurgias, encontros religiosos... deve haver muitas. Mas, será que alguma dessas nos daria tanta satisfação e cumplicidade?

Quando a gente cozinha acaba ficando nu. Mostra quem é e pronto. Basta ter olhos pra ver. E se não os tiver, o cheiro e o gosto da comida denunciarão o cozinheiro. Recebi um trecho de um texto do Mia Couto da minha amiga Cris Pacino, que dizia que cozinhar é um ato de amor. 

Só porque tanto quanto de cozinhar gosto de escrever, deixo a receita do homus que preparamos hoje. Aproveite. Faça com a família ou os amigos ou ambos por perto, dividindo as tarefas é ainda mais agradável: 

Receita de Homus

Passe no processador de alimentos:

300 gramas de grão de bico cozido em água e sal por 40 minutos na pressão
4 colheres de sopa de tahine ou pasta de gergelim
2 dentes de alho amassados
azeite o suficiente
1 limão espremido
sal e pimenta do reino a gosto



Rende muito! 

Para arrematar essa delícia, um pouco de páprica picante e um molhinho feito com zatar e azeite. Fica bom no pão ázimo, na torrada, na bolachinha, junto com a carne de cordeiro, com pão sírio... hummm.... combina bem demais porque é gostoso para caramba!

Eu adorei o sábado!  Outros virão. 

Beijos aos queridos anfitriões, os mirins, os donos da casa, Vag e Reynaldo, e a fofa Mel, a labradora que ganhou esse nome porque é doce e da cor do mel das abelhas. 


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Uma casa portuguesa com certeza, em São Paulo

Nada mais charmoso e aconchegante para um almoço na sexta-feira, ainda mais um dia como hoje, um pouco nublado, outonal, com o sol tentando dar as caras atrás das nuvens, do que um bom bacalhau e um copo de vinho. 

É o que oferece a Casa Portuguesa, numa casinha de esquina na Rua Cunha Gago, aqui em São Paulo.  

Conheço o lugar há muito tempo. Ele me foi apresentado pela queridíssima amiga Paula Baez, que sabe encontrar lugares gracinha e de boa comida. Mas de quando conheci para agora, houve muita mudança. O lugar cresceu, assim como as opções do cardápio e da carta de vinhos. 

Apesar das mudanças, não acho que "enfrescurou" (rsrs). 

Ambiente e decoração - O ambiente continua muito agradável com cara de casinha em Portugal, porque o salão não é um ambiente único, você pode conseguir uma mesa na sala da frente com janela pra rua ou no corredor de passagem ou ainda no "puxadinho" ou melhor na ampliação que foi feita no fundo. Além disso tem também os quartos, que ficam na parte de cima da casa. 

A decoração não é nada pesada. As paredes onde não há prateleiras de vinhos são brancas com quadros de gravuras de tras dos montes e alto douro em Portugal. Outros elementos como o galinho de Barcelos ou pratos decorados remetem em função das cores à bandeira da terrinha e dos nossos colonizadores. 




Enxoval e tipo de serviço -  As mesas são cobertas por toalhas tradicionalmente brancas e há uma espécie de papel vegetal como cobre-manchas. Talheres de inox simples, mas de boa qualidade. Louça branca. Copos de vidro. A montagem é de mise en place básica, já que o serviço à inglesa indireto é o usado para quem pede um só prato para dois ou para a família, e, caso você peça um prato individual é empratado ou prato pronto. 

Cardápio/ Vinho - Aliás, eu considero isso uma vantagem da Casa Portuguesa O cardápio traz opções para quem quer comer sozinho ou para quem quer dividir. Em qualquer dos casos, são bem servidos. Não sobra e não falta. A quantidade é bem calculada e o garçom não mente para você, só para vender mais. 

Da mesma forma, existe a opção do vinho em taça que pode ser branco, tinto ou verde. Na última vez que estive lá, tomei um velho conhecido que frequentou muito a minha casa desde que o Silas e eu nos casamos, o vinho Gatão. Vinho verde muito delicado, que não fala mal de ninguém, custa o razoável e atende bem para acompanhar postas de bacalhau, um bacalhau ao Brás, ao forno  ou até mesmo com natas.  

Preços - Os preços na Casa são honestos. Chego a dizer que são baratos, uma vez que o que se come lá é bacalhau e não peixe tipo bacalhau. O valor de um prato individual está na faixa de R$ 26. Some-se aí a tacinha de vinho português (R$ 9,50), o bolinho de bacalhau de entrada (R$ 3 por unidade), uma água e um docinho de gemas ou pastel de Belém (R$ 5,50), sua conta vai ficar perto de R$ 50 para almoçar bem! 

Quando minha mãe esteve em São Paulo no ínicio deste mês, fomos comer nesse simpático restaurante. Nossa opção foi por postas de bacalhau com grão de bico. Estava perfeito na cocção e na apresentação. Entretanto, havia espinhas demais em uma das postas, uma falha que perdoo por todas as outras vezes que não houve esse problema. 

Esse é um lugar que me traz boas memórias. Estive lá com a Euzi e a Fabíola certa vez e nós tomamos em três, três garrafas de vinho num sábado à tarde. Se me lembro bem, foi um rosé Casal Garcia, talvez. Não, foi um verde Calamares. Ou ambos. Sei lá, o teor etílico causa amnésia. 

Também estive lá com colegas da Sabesp várias vezes, já que o fica bem perto da Sabesp da Costa Carvalho onde prestei serviço por um tempo. Fui lá com a Cláudia Fernandes e sua linda família. Saudades de todos, do Ademir, dela e do João. 

Mais que uma crítica, eu recomendo o lugar. Como disse o Silas agora há pouco, "eu gosto de lá". 

Como comecei falando de dia com cara de que vem chuva...  graças a Deus e a São Pedro, tem tido alguma chuva nessa cidade. Espero que chova um pouco também na cabeceira da represa e que isso ajude o sistema Cantareira nesse momento em que míngua... 

Hoje é sexta. Bom fim de semana com uma dica do chef que encontrei no site do restaurante: 

Receitas - Bacalhau a Brás

Ingredientes

750 g de bacalhau demolhado, 1 kg de batata, 3 cebolas, 1 dente de alho, 100 ml de azeite, 8 ovos, 1 ramo de salsa. azeitonas, óleo, sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
1 Desfie o bacalhau e elimine as peles e as espinhas
Corte as batatas em palha e frite em óleo
corte as cebolas em rodelas
pique o alho e refogue no azeite
2 Junte o bacalhau e cozinhe, em fogo baixo, mexendo sempre. Acrescente as batatas, reservando algumas para a decoração, e o ovos batidos. Mexa, até os ovos cozinharem bem. Tempere com sal e pimenta
3 Coloque numa travessa e polvilhe com salsa picada. Decore com as azeitonas e as batatas reservadas.



Serviço
Casa Portuguesa
Rua Cunha Gago, 656 - Pinheiros
Tel. 11 3819 1987 www.casaportuguesa.com.br


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Mise en place para o risoto de funghi

Quando se estuda comunicação ou alguma língua, seja ela qual for, na classificação das palavras os substantivos são determinantes para que a linguagem entre as pessoas ocorra. 

Substantivos são os nomes que têm os objetos, pessoas, lugares, sentimentos e grupos. 

Segundo a Gramática Metódica da Língua Portuguesa, cujo autor é Napoleão Mendes de Almeida, da Editora Saraiva: 
Classificam-se os substantivos em comuns e próprios, concretos e abstratos, primitivos e derivados, simples e compostos. 
Nota - Entre os comuns mencionam-se, especialmente, os coletivos. 
Tudo isso para dizer que mise en plase (pronuncia-se como em francês miz on plas) é o nome dado ao trabalho que se tem para "por em ordem" uma preparação na cozinha ou a mesa onde será servida a refeição num restaurante, num evento ou até mesmo na casa da gente. 

Sabe aquele cuidado e carinho com que a gente dispõe os pratos, talheres, copos e guardanapos sobre a mesa para esperar a hora do almoço quanto tem visita? É isso!


--- tags: mise en place, risoto, risoto de funghi, substantivos, nomes


A noite de ontem foi cheia de alegria na nossa casa porque recebemos o Pablo, filho do Silas, e a Júlia, namorada dele, que acabam de chegar da Nova Zelândia, com fotos maravilhosas e uma experiência fantástica na bagagem, e a Rô, minha amada amiga de tantos anos, para jantar. A Bruna, nossa sobrinha que mora conosco alguns dias por semana, também chegaria em tempo para comer conosco, então, fiz a mise en place da  mesa para seis pessoas. 

Como todos são de casa e não haveria entradas à mesa, nem salada, usei uma toalha básica sem desenhos na cor cru, pratos rasos iguais, talheres dispostos ao lado de cada prato (facas à direita, garfos à esquerda), copos de água na direção da faca e guardanapos de papel branco dobrados sobre os pratos.  Os copos de vinho e cerveja, conforme as pessoas chegavam, foram diretamente para às mãos dos convidados para aproveitarem os petiscos que antecederam a refeição. 

Havia azeitonas pretas e verdes, castanhas e amendoas, damascos e pão sueco para acompanhar o patê de tomates secos e o chancliche apimentado. 

Fizemos um risoto de funghi para o jantar. Prato único que o Silas executou e para o qual eu fiz a mise en place. 

Deixe tudo prontinho só para ele fazer a receita, parecia programa de televisão. 

Ingredientes do risoto: 

1/2 cebola grande picada
1 dente de alho amassado
2 colheres de manteiga (uma para refogar e outra para misturar ao risoto no fim da preparação)
400 gramas de arroz arbório 
100 gramas de funghi sechi hidratado e picado em pedaços pequenos 
1 cálice de vinho (usamos vinho tinto ontem)
Sal a gosto
3 1/2 xícaras de caldo de carne misturado à água que hidratou o funghi
100 gramas de queijo parmesão ralado

Modo de preparo

Refogam-se o alho e a cebola na manteiga, despeja-se o arroz arbório e o funghi. Mexe-se deixando fritar um pouco e desprender o aroma. Junta-se o vinho. Depois de um breve período para evaporar o álcool, acrescenta-se uma ou duas conchas do caldo. O restante deve ser colocado aos poucos até o fim do preparo quando chega o ponto do arroz para risoto, ou seja,  está entre aldente e cozido. 
Desliga-se o fogo, misturam-se o restante da manteiga para dar brilho e liga e o parmesão ralado. Deve-se então tampar a panela para que descanse por cerca de 3 minutos. 

Pronto para servir! Risadas aqui e ali que levaram a engasgos ainda muito mais engraçados (Glauce Graieb, eu e a Rô adoramos você!), comemos muito bem e tivemos uma noite amorosa. 

Caçoaram muito de mim por causa da mise en place. O Silas diz que agora ele tem que saber os nomes em francês, não pode errar mais o lado de servir à mesa e nem o jeito de abrir a garrafa de vinho.  Já que aprendeu, por que não usar? 

Viva! Beijos! 


Silas, eu, a Rô e Júlia. Pablo fotógrafo, no celular da Rô!