quinta-feira, 8 de maio de 2014

Visita da minha sogra (ah! e uma receita que dá certo)

Domingo, 23/abril/2014.


Meu marido, o Silas, ama carne de panela desfiada. Aquela que cozinha tanto que fica tão molinha que dá pra escorregar do garfo e desfia sozinha praticamente.

Quando nos casamos eu já fazia essa carne, era um prato típico da minha casa, como diria minha querida amiga Euzi (saudades dela que tá na Alemanha). Só que eu costumava fazer a carne num pedaço grande, podia ser um acém ou músculo, que temperado com muita cebola, alho, ervas, pimentas, molho inglês e vinho, ficava uma delicia depois de uma hora e pouco na panela de pressão. Depois de cozida eu levava a carne para o forno para dar uma secada e ficar derretendo na hora de servir. Costumava até por um pouco de manteiga em cima para dar aquele brilho intenso na carne de forno. Sempre servi com arroz branco e com alguma guarnição como batata sauté. 


--- tags: comida caseira, nhoquecarne de panela, receita de ragu


Até que um dia o Silas descobriu a maravilha que era a carne cozida na panela de pressão e notou que é mais fácil de fazer do que ele pensava. Agora ele é fã de carteirinha e toda vez que eu falo que vou fazer ele diz que quem vai fazer é ele. E faz mesmo, com variações mais sofisticadas que incrementam o sabor.  Isso até já aconteceu sem que eu estivesse por perto. Ele agora usa cerveja preta na carne, o que aumenta o molho e fica bem gostoso.

Tudo isso pra dizer que no almoço do domingo passado, os amados pais do Silas viriam almoçar em casa e eu sugeri que fizéssemos nhoque de massa de batata com mandioquinha.  Para não cair no tradicional molho à bolonhesa achei que ficaria bom fazer um ragu, com carne desfiada.

No sábado de manhã, baixei do congelador um grande corte de acém, que, descongelado, à noite foi pra panela. Feito na versão mencionada com cerveja e bem temperado com cheiro verde, cebola, alho e molho inglês, ficou cerca de 50 minutos na panela de pressão depois de bem refogado. Na manhã de domingo, estava perfeito para ser desfiado e nele acrescentado molho de tomates italianos frescos. Ficou muito gostoso. 

Ah! Teve um segredinho, quando eu já estava com o molho bem apurado, pus uma colher de requeijão para quebrar a acidez e deixar o molho mais alegre, mais clarinho, sabe? Não gosto muito de molho com tomates escuro demais.

Para o nhoque compramos batatas pequenas que foram cozidas com a casca, que foi retirada ainda quente. A batata passada no espremedor juntamente com uns 20% de sua medida de mandioquinha cozida na água e bem escorrida para não enrijecer a massa foi misturada a um ovo inteiro, um fio de óleo de milho e uma pitada de sal. Depois dei liga com farinha de trigo.  Fiz as bolinhas de massa e delas rolinhos que meu marido se encarregou de cortar. 
Ele deu uma melhorada nas tiras que não estavam muito firmes para o corte.

Meu medo, como eu havia posto pouca farinha de trigo para o nhoque não ficar muito duro, era que quando fosse para a água fervente desandasse tudo. Mas, graças a Deus, e à rezinha que eu faço pra minha avó Angelina e pra tia Dionísia, isso não aconteceu. Cozinhou bem e misturado ao molho ao ragu ficou delicioso. Foi o que todos disseram, espero que não tenham mentido.

O nhoque de batata e mandioquinha com molho Al ragu tem então a seguinte receita:

Ingredientes:

Massa
1 ½ kg de batatas médias ou pequenas e lisinhas
300 gramas de mandioquinha cozida
1 ovo
1 fio de óleo de milho
1 pitada de sal
500 gramas de farinha de trigo

Molho al ragu
1 kg e 300 gramas de acém
3 cebolas
½ cabeça de alho
Azeite suficiente para refogar
½ lata de cerveja preta (usamos a Petra)
3 colheres de molho inglês
Sal e pimenta a gosto
2 ou 3 folhas de louro
1 kg de tomate italiano batido no liquidificador e peneirado
100 gramas de queijo parmesão ou pecorino ralado
Água fervente o quanto necessário para cobrir a carne

Modo de preparo

Massa
Cozinhe as batatas com as cascas e retire-as tão logo estejam cozidas e tenras. Cozinhe a mandioquinha sem casca e escorra a água. Junte batata e mandioquinha e esprema-as ou amasse enquanto ainda estiverem quentes. Junte um ovo, um fio de óleo e uma pitada de sal generosa, já que tudo foi cozido na água sem tempero. Misture tudo. Numa superfície polvilhada de farinha de trigo deite a massa e vá acrescentando farinha até que dê liga suficiente para enrolar longos rolinhos que serão cortados no tamanho de uma garfada pequena. Para que possam ser pegos no prato  um a um ou até de dois por vez.  Cozinhe os pedacinhos em água fervente com um fio de óleo e um pouco de sal.



Molho
Na panela de pressão aberta, refogue os temperos, a cebola e o alho. Quando estiverem exalando aquele odor delicioso junte a carne e refogue bem. Depois de bem refogada, as cebolas já bem tenras, junte a cerveja e deixe um tempo a panela aberta para evaporar o álcool. Depois inclua um pouco de água fervente suficiente para poder fechar a panela de pressão e pensar num cozimento de cerca de 40 minutos.  Abra a panela, verifique se é necessário cozinha mais um pouco, corrija o sal se for preciso e deixe secar um pouco o molho com a panela semitampada.
Reserve de um dia para outro quando a carne será devidamente desfiada e nela acrescido os tomates batidos e peneirados.  Cozinhe por cerca de 40 minutos. Ao fim da cocção, acrescente uma colher de requeijão cremoso no molho.

Montagem do prato
Numa forma refratária regue um pouco de óleo de cozinha. Assim que forem escorridos os primeiros nhoques da água quente, coloque em camadas a massa e o molho. Entremeie com queijo ralado. Leve ao forno por cerca de 10 minutos para terminar de derreter o queijo entre a massa e o molho.
Sirva em seguida de uma salada de alface, tomates, cenoura ralada e queijo pecorino em lascas, temperada com azeite, limão e sal.

Nada mais brasileiro, à moda italiana.



Da direita pra esquerda: Sr. Rafael e D. Dora (sogro e sogra), Pablo e Arthur (filhos do Silas) e eu. (O marido tava tirando a foto!)

(republicado do blog Mcgavioli, postagem de 05/05/2014)

2 comentários:

  1. Claudia,

    Adorei seu Blog!!!! Escreve de um jeito gostoso de ler!!!

    Meu nhoque é muito parecido com o seu, só que quando fico meio insegura quanto a textura da massa, acrescento uma colher de maizena, nunca mais desandou meu nhoque.

    Bjks

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  2. Zeza, que dica boa! Não vou me esquecer da próxima vez.
    Obrigada pelo elogio ao blog! Estou lisonjeada! Bjs pra vc.

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