segunda-feira, 30 de junho de 2014

Sobremesa de família - 2

Cheguei a ficar com saudade de escrever. Nos últimos três dias, por mais que eu tenha me esforçado, não tive como me sentar em frente ao computador e escrever para o blog. 

Primeiro porque estou providenciando tudo pra a viagem, como contei no texto Malas Prontas. Depois, eu inventei de, no sábado, juntar o jogo do Brasil contra o Chile com uma comemoração antecipada de aniversário aqui em casa. Foi uma delícia, mas, para receber pessoas é preciso providenciar coisas. No domingo, fui levar a Nina, minha gata, pra casa da minha mãe em Itu. Ela vai ficar lá durante a minha viagem, com a vovó (rsrs). Lá, dia 29 de junho, meu aniversário, com meus irmãos e sobrinhos, comemoramos com uma maravilhosa feijoada feita pela D. Neuza. Minha mãe não existe, é inventada, porque ela cozinha melhor que  a tia Anastácia do Sitio do Pica-pau Amarelo. 

Desta vez, a sobremesa foi o bolo de aniversário que ganhei da Bruna, minha amada sobrinha e afilhada. Não teve a dupla caçarola italiana e manjar branco. Mas como prometi na semana passada, hoje eu vou publicar a receita do manjar com calda de vinho tinto e ameixas. 

Particularmente, eu gosto mais de raspar a panela do manjar quando ele termina de sair do fogo, do que da sobremesa pronta. Coisa de disputa infantil entre irmãos. Desde que quem fazia o manjar era minha avó e depois a minha mãe, sempre houve uma concorrência para saber quem ficava com a panela ainda quente e as sobras deliciosas daquele mingau incrível. 


E a cena, invariavelmente, conta, até hoje, com a frase orgulhosa da minha mãe cozinheira, diminuindo o poder da alquimia que ela faz quando prepara a receita:

- Que bobagem brigar para raspar a panela,  é só um mingau de maisena!

Mas não é.

O manjar varia de tamanho conforme o número de pessoas que vai comer, mas nunca é pequeno porque tem que sobrar para aquele momento gula da tarde e, de preferência, para um dia ou dois depois quando o branco do doce já tem uma cor de rosa, já que ficou embebido um tempo na calda adocicada do vinho tinto. Fica ainda mais gostoso e, em geral, está bem gelado. Mais que no dia que é feito e servido.

Como falei de um casal de sobremesas - manjar e pudim - uma dica interessante para conhecer o paladar desses doces de uma maneira inusitada é colocá-los no mesmo prato e deixar que se mesclem ou se complementem. Neste caso não é heresia, só gordice familiar. Dá super certo. A calda do manjar enobrece o sabor do pudim, deixando-o mais leve já que a caçarola não é um doce com calda rala, mesmo sendo feita em assadeira caramelizada com açúcar derretido. O caramelo fica bem escurinho e denso. Não tem nada a ver com o pudim de leite condensado, só o formato.

De criança eu só comia o miolo do pudim, ou melhor, da caçarola italiana. A parte mais doce e molinha. Depois arrisquei comer as bordas mais escuras e durinhas que são a parte onde  o caramelo se une com a massa. Tempos depois, as ameixas no vinho me conduziram até o manjar. Hoje entendo o expressão "manjar dos deuses", porque como ambos. Muitas vezes, juntos. 

Na casa da minha avó havia um lugar, um quartinho de passagem da cozinha para a porta de dentro do banheiro, onde havia uma prateleira debaixo da janela na qual se guardavam as panelas. Quando a caçarola italiana saía do fogo, até que chegasse a hora de servir, o que podia acontecer no dia seguinte ao que tinha sido feita, ficava guardada ali. Aquele doce exalava um cheiro tão incrível que justificaria uma das crianças atacá-lo antes da hora. Não me lembro de ter acontecido nenhuma vez. Essa é a prova de que era uma casa com mais meninas que meninos, porque, quase sempre, os moleques são mais gulosos e endiabrados. Nós éramos quatro netos, mas só um menino. No fundo, a verdade é que fomos crianças bem comportadas e sempre soubemos ouvir "nãos".

A família continuou com mais mulheres que homens. Meus sobrinhos são cinco, mas só um rapaz. Dá até pra imaginar o quanto ele tem chance de abrir a boca, não? O mulherio fala que não para. Quando o Gabriel era pequeno, uma vez, atordoado com tanta falação, ordenou em alto e bom som um "cheeeeeeeega" e levou as mãozinhas às orelhas tentando não ouvir mais nada. Por um segundo houve silêncio. Não mais que um segundo, eu garanto!

Na cozinha da minha mãe, a gente fala muito. Conta causos, reflete sobre política, conta o enredo da novela ou divide o capítulo que a outra não assistiu. São longas e intermináveis conversas. Eu tenho esse enorme privilégio porque sempre fui a assistente mais frequente da minha mãe na cozinha.

Por isso, sei, graças a Deus, como ela faz o manjar. 


Manjar Branco

Ingredientes 

Massa do manjar
1 1/2 litro de leite
1 vidro de leite de coco
2 xícaras (chá) de açúcar
6 colheres (sopa) de amido de milho - bem cheias

Calda
1 1/2 xícara de vinho tinto
4 colheres (chá) de açúcar
água
ameixas pretas com caroço

Modo de fazer: 

Ponha o leite para ferver, acrescente o açúcar e o leite de coco. Quando levantar fervura, acrescente o amido de milho dissolvido numa pequena reserva do leite. Mexa sem parar. Quando começar a engrossar, continue mexendo para que não grude demais no fundo da panela. Serão cerca de 5 minutos para o cozimento da maisena. Desligue o forno e despeja numa forma de buraco molhada com ameixas distribuídas no fundo.  Deixe endurecer por cerca de 2 horas ou até esfriar. Desenforme no recipiente em que vai servir. Deve ser fundo o suficiente para que a calda que será colocada por cim não derrame. 
Para fazer a calda, junte todos os ingredientes numa leiteira e leve ao fogo, até dar ponto de calda. Depois de fria, derrame sobre o manjar. 

Dica: De preferência, deixe na geladeira e sirva no dia seguinte. 

Na sua casa deve ter uma comida que se repete por que é preferência geral, não tem? Eu gostaria de conhecer a receita e, até mais que isso, o segredo da tradição.  Por que você não me manda? Eu adoro as histórias de comida, em especial porque elas têm emoções contidas que as fazem ser muito mais que saborosas. São mágicas, têm o poder de abraçar a alma da gente e enternecer nossos corações. Para mim, são manifestações de amor puro, genuíno.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Malas prontas

Na semana que vem, quarta-feira, embarcamos de férias para a Holanda e Alemanha. 

Toda e qualquer viagem exigem planejamento, mesmo que seja uma preparação mental, interna. De você para você. É preciso abrir o coração para o que virá de novo, porque não há viagem sem novidade, sem situações diferentes às do dia-a-dia.  

O Silas e eu somos completamente viciados em viajar, mas nem assim deixamos de nos surpreender em cada nova empreitada que inventamos, seja num bate e volta para uma cidade próxima a São Paulo, uma aventura de fim de semana ou durante férias longas, como as que teremos agora em julho. 

Minha colega Lilian Liang, quando trabalhávamos juntas na revista Update da Amcham, lá no início do século, em 2001 e 2012, dizia que esse vício é o vírus inoculado por um bichinho chamado travel bug, ou o inseto da viagem. Se ele picar, bye, bye, você estará infectado para sempre! 

Até hoje na minha vida, conheci poucas pessoas que não gostam de viajar. Preferem o conforto do que é conhecido e amam a rotina. Meu pai era uma dessas pessoas. No entanto, numa certa ocasião, meu tio precisava buscar uma camionete que ele havia mandado colocar cabine dupla no sul do Brasil e chamou meu pai para acompanhá-lo. Eles ficaram viajando cerca de cinco dias, eu acho. Foi suficiente para meu pai nunca mais deixar de falar daquele acontecimento da vida dele. E os olhos brilhavam quando lembrava das estradas, das lindas gaúchas que ele viu num hotel em que ficaram e estavam hospedadas candidatas do concurso de miss Rio Grande do Sul. O travel bug não o picou. Meu pai não se tornou um viajante, mas ele foi definitivamente modificado por aquela experiência. Era como um sonho real ao qual ele podia recorrer sempre que queria se sentir feliz. 

Quando trabalhei na Sabesp em 2009, conheci um amigo queridíssimo, o Rodolfo. Ele é muito especial, uma das pessoas mais inteligentes que conheço, devo a ele muito do que sei sobre saneamento, sistemas de produção de água e tal. O Rodolfo odeia viajar.  Como o conheço e o amo, é um amigo e tanto, entendo e aceito os argumentos dele, mas, sinceramente, pra mim, é surpreendente que alguém não goste de ver e experimentar in loco culturas diferentes. É o jeito de cada um. Respeito. 

Como o assunto hoje é a preparação, especialmente para uma viagem de férias em outro país, há muito em que pensar e providenciar. Alguns dias atrás, falei do passaporte. Neste caso, um item indispensável. Mas longe de ser o único, como ele  muitas outras providências devem ser tomadas para que a viagem seja melhor aproveitada. A seguir, listo algumas providências que, caso você não tome, vai, no mínimo, ter prejuízos, pagar multas e se sentir  culpado em algum momento. 




- Documentos: vistos e  passaportes válidos
- Dinheiro: providencie o câmbio de moeda e cartões de crédito ou saques internacionais
- Passagens
- Seguro viagem
- Malas ou mochilas - devem ser adequadas ao tipo de viagem e à sua capacidade de carregar, bem como ao peso permitido pela companhia aérea
- Roupas adequadas aos programas que fará e ao clima do local
- Sapatos, idem às roupas
- Protetor solar!!!
- Necessárie (sabonete, shampoo, cremes, escova e creme dental)
- Primeiros socorros -  inclua comprimidos para dor de cabeça e para enjoo, nem sempre é possível comprar remédios como no Brasil, depende do seu país de destino
- Guias e informações sobre os lugares que vai visitar. Caso esteja numa excursão, você estará assistido nesse quesito. Do contrário, estudar o que fazer com antecedência poupa um tempo precioso da viagem 
- Roteiro - é bom para quem viaja e pode ser deixado com alguém da sua confiança, caso imprevistos ocorram e você precise ser acessado
- Máquina fotográfica
- Telefone celular - roaming internacional, ligue na operadora e pergunte tintim por tintim o que você tem que fazer, quanto vai pagar e aprenda como proceder antes de embarcar
- Operadora do cartão de crédito - informe a viagem para evitar que a operadora não libere alguma compra devido a mudança do perfil de compra. O seu cartão de crédito, muitas vezes, sabe mais do seu comportamento de compra do que você imagina!
- Reservas de hospedagens (ao menos no dia da chegada, se não fizer, vá preparado para ter algum stress)
- Se você tem  um bicho de estimação,  com quem ele vai ficar? Ou você vai levar? Que regras devem ser seguidas para que o animal possa ser transportado? 
- Suas contas mensais estão todas em débito automático? Caso não, como fará para pagar?
- Se é mulher, marcou depilação, manicure, cabeleireiro ou vai viajar de qualquer jeito e cuidar de fazer isso onde estiver? Os dias correm e as unhas e pelos crescem.
- Durante os dias da viagem, a sua casa vai ficar fechada? Quem vai cuidar das plantas? 
- Vai a casa de amigos? É delicado pensar em levar regalos para os seus anfitriões. 
- Pretende alugar carro ou bicicleta? É bom dar uma olhada na internet para conhecer as opções existentes e quanto custam
- Transporte para o aeroporto: taxi, carro (providencie estacionamento para o veículo, caso não tenha motorista), metrô e ônibus

Já tem muito o que providenciar só com esses itens, não?  Outras providências dependem, claro, de cada um. De qual é o seu trabalho e quantos dias tem de férias, por exemplo. 

Ah! Esqueci de sugerir: leve um livro para ler durante a viagem. Depois me conte o que aconteceu. 

Uma coisa que parece meio absurda e que ninguém gosta de pensar é que viagens têm risco, inclusive de morte. Deixar cópias de documentos, números e senhas em local que possam ser encontrados por alguém de confiança em casos extremos é uma decisão consciente. 

Enquanto escrevo o fim desse texto, já voltei várias vezes para acrescentar mais itens na lista. É melhor parar por aqui. 




A partir da semana que vem, devo escrever o blog com assuntos da viagem. Pode ser que em alguns dias não seja possível escrever. Mas vou me esforçar, já que, pra mim, isso aqui é mesmo uma grande viagem!!!

Um beijo, mande um cartão postal quando viajar! ihhhh que fora de moda! rsrs

sábado, 21 de junho de 2014

Sobremesa de família 1

Tem um casal que nunca falta nas festas lá de casa em Itu. Há quem chame os que nunca faltam de "arroz de festa",  mais ou menos como éramos a Pollyana e eu na época da faculdade. Toda festa, podia contar, que a presença das duas era garantida.

Arroz de festa não é o caso desta vez. Aqui, o casal é de doces de festa e eles se chamam caçarola italiana manjar branco. Este último com calda de vinho tinto e ameixas pretas.

Não me lembro de uma só comemoração de Natal, Páscoa, Dia das Mães  ou de aniversários festejados com almoços de família que não contasse com a dupla, manjar e pudim, para os mais íntimos.  A caçarola italiana é muito parecida com aquele conhecido pudim de padaria. Só que é mais apresentável.

Minha avó Angelina, mãe da minha mãe, fazia sempre.  Agora quem faz é a filha dela, a dona Neuza, e assim a tradição permanece. Cá entre nós, minha mãe faz questão de manter o legado. Mesmo que faça outras sobremesas, lá estão também ambos, os clássicos doces de mesa do clã (como se escreveria na revista Caras) Scalet-Gavioli.  Às vezes, ela diz com muito apelo dramático que enquanto ela for viva, as sobremesas da avó Angelina serão feitas, "depois, acabou!", diz ela.  Ninguém sabe, mãe. De minha parte, espero não ter que fazer tão cedo, que minha mãe viva ainda muito tempo. Pra mim, as mães deveriam ser imortais.

São mesmo doces gostosos e isso  já é motivo bastante para que não faltem na mesa. Mais que isso, eles têm sabor de memória. Tecnicamente, são sobremesas bonitas de apresentar, fáceis de fazer e que custam pouco. Os ingredientes não são difíceis na cozinha de ninguém, nem caros e a preparação requer mais amor que técnica apurada. A dificuldade é que, como todo doce feito por prática, não tem receita definida, não tem ponto, não tem tempo certo de cozimento. O que tem é uma pitada disso, um tanto daquilo e o ponto da calda e o período que leva pra assar são puramente intuitivos.

Deve ter lá seus segredos,  mas para quem faz há tanto tempo, não parece nada secreto. Mas é sagrado! Entre outras coisas, sagradas são as panelas que são usadas desde que o mundo é mundo pra fazer os tais doces. Minha mãe tem uma assadeira de caçarola italiana especifica, ela se tornou isso com o tempo, já que é uma assadeira de banho-maria com furo para assar pudins. Ela só acerta o doce quando faz na sagrada panela.

Quem pede a receita pensa que é pouco caso ou que tem segredo de verdade, mas o fato é que não há mesmo medida certa de quase nada. Se precisar aumentar o tamanho, põe um ovo a mais, se faltar um ingrediente como o queijo ralado, faz sem. Tá tudo na cabeça, com algum improviso se for preciso, e é um aprendizado de mãe pra filha. Os homens nunca se meteram em fazer, diferentemente de outros preparos que meus tios aprenderam e faziam super bem.

Hoje vou compartilhar apenas uma das receitas, porque acho que vale a pena disseminar essa cultura alimentar. Eu já vi esse doce ser feito mais de uma centena de vezes por certo. Na semana que vem, publico a outra. 

Caçarola italiana (pudim)

Ingredientes 

Importante: todas as medidas são caseiras. 

- 5 ovos inteiros
- 1/2 kg de açúcar refinado
- 1 garrafa (medida de garrafa de cerveja) de leite
- 5 colheres (sopa) de queijo mineiro ralado (não pode ser de pacotinho, tem que ser ralado na hora)
- 5 colheres (sopa) de farinha de trigo - bem cheias

Modo de fazer
Bata os ovos com o açúcar, acrescente o leite, o trigo e o queijo ralado. Asse em banho-maria em forma caramelizada com açúcar bem queimadinho por cerca de 70 minutos. 

Esse pudim pode ser desenformado ainda quente.  Depois deixe-o esfriar e, de preferência, sirva no dia seguinte. 



Esse doce fez parte de toda a minha vida. A combinação dele com o manjar branco parece completamente inusitada, mas dá certo. Na semana que vem, eu digo como. 

Bom sábado! Friozinho em Sampa. Tudo de bom. 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Vá de bike, mas tenha paciência!

Tem horas que a gente se sente um pouco tolo, como que passado pra trás e sem ter a quem recorrer. No passado, quem sabe,  eu pudesse me queixar ao bispo, mas em tempos de tecnologia, é melhor acessar o Fale Conosco e rezar para ter uma resposta. 

Ontem, domingo, fim de tarde, mais uma vez, entusiasta que sou das bikes como meio de transporte aqui e em qualquer lugar, fui tentar usar uma bicicleta no sistema Bike Sampa. A intenção era pegar uma magrela daquelas do Itaú na estação Mackenzie e ir pedalando até a Vila Madalena para lá assistir ao jogo da Argentina contra a Bósnia e curtir um pouco da muvuca festiva da Copa em São Paulo.  

Mas houve um impasse! Mais um. Digo isso, porque essa é pelo menos a quinta vez que minha tentativa de usar a estação Mackenzie não foi bem sucedida. Muito frustrante!

Quando nos mudamos para Higienópolis, há quase um ano, eu tive uma ponta de tristeza de deixar a minha antiga morada em Pinheiros, porque bem em frente ao prédio em que eu morei por 12 anos na Cônego Eugênio Leite, estava sendo instalada uma estação do projeto mobilicidade.  Dias depois, eu descobri que bem perto da minha nova casa, também estava sendo instalada uma estação. Fiquei muito contente porque era a chance de poder usar a bicicleta para ir trabalhar ou ao menos para voltar do trabalho. Uma enorme facilidade! 

Como disse, já faz quase um ano que estamos em novo endereço. Demorou mais de seis meses desde que nos mudamos para que a estação Mackenzie parecesse funcionar. Só que durante esse tempo, havia bicicletas estacionadas ali, tomando sol, chuva, sereno, ocupando a via, enfim, se deteriorando. 

Antes de continuar, eu quero dividir o meu entusiasmo quanto ao sistema de empréstimo de bicicletas que foi criado há dois anos. A ideia é ótima e se funcionar direitinho, e para isso é preciso empenho, recursos, dedicação e principalmente usuários conscientes, é um grande projeto de mobilidade. Parece pouco,  mas não é. É mais um grande passo rumo à mobilidade e ao melhor uso do espaço urbano. 

Funciona assim: você entra no site www.mobilicidade.com.br, faz um cadastro no qual você coloca o número do seu cartão de crédito e, quando eu me cadastrei era necessário pagar uma taxa de R$ 10,00, pelo que pesquisei agora é gratuito. Aí, é só baixar o aplicativo no celular e quando for pegar a bicicleta, acessa o aplicativo, preenche o número da estação, informa em seguida o número da posição da bike que quer pegar e pronto. Se não tiver o aplicativo pode ligar no número informado na própria estação e pegar a bicicleta pelo telefone. Existe ainda a opção pelo bilhete único, que também deve estar atrelado ao cadastro feito como no caso do celular e do aplicativo. 

Por uma hora é possível usar a bicicleta sem pagar nada. Se ultrapassar esse tempo, paga R$ 5 (cinco reais) por meia hora. Se quiser usar o dia todo, pode, sem pagar. Mas é preciso fazer intervalos de 15 minutos entre pegar uma vez e outra, isso depois dos 60 minutos iniciais.  É muito bacana! Vale a pena, se funcionar. 

Ontem, ao chegar à estação havia 11 bicicletas estacionadas. Nenhuma em condições de uso.  Pior que isso, não existe a possibilidade de conseguir uma informação a respeito do que ocorre através do aplicativo no celular.  Ele só serve se tudo estiver em plenas condições. Outra coisa é o atendimento telefônico que também é eletrônico. Portanto, não há uma cabeça pensante na central telefônica, só uma gravação. E o atendimento ao cliente só dava ocupado. Fácil, né? 

Você vai com aquela super empolgação, conta para os amigos, divulga a ideia e, não funciona direito.  Dá chances e chances, primeiro porque está começando, depois porque foi só essa vez. Outra vez pensa que você é que deu azar, mas não, no Brasil parece que tudo vai sendo feito mais ou menos...  Parece que o planejamento não foi bem feito, que a tecnologia é ruim, que as pessoas cuidam mal do bem que está à disposição delas... Isso desanima. 

A estação Mackenzie parece ter sido feita para não funcionar. Acho que os moradores esnobes de Higienópolis, assim como não queriam o metrô por ali, devem ter posto urucubaca na estação de bicicletas. Brincadeira...

Não conseguimos pegar uma bike de primeira. Fiquei irritada, xinguei e quase soltei uma daquelas frases derrotistas de quem não acredita que tudo pode mudar para melhor. Porque no geral eu acredito que pode, mas tem hora... 

Fomos conseguir duas bicicletas, estávamos eu e o Silas, na estação da esquina da rua Piauí com a avenida Angélica, ao lado da Drogasil.  A minha bike estava um pouco avariada, sem o manete direito. O Silas ficou com ela. Descobri que a dele que ficou comigo estava sem a primeira marcha. Ainda assim cumprimos nosso trajeto rumo a Vila Madalena. 

Apenas para justificar tão grande frustração, essa não foi a única vez que tentei pegar um bicicleta e não consegui. Nem que fui até uma estação a partir do mapa e ela não existia. Tampouco desisti de usar quando não tive atendimento por telefone com informações mínimas. Eu quero que esse negócio funcione! Quero que dê certo. 



Devolvemos as bicicletas na estação da rua Mateus Grou, como de uma ou duas outras vezes já havíamos feito.  

Fomos pra Vila, vimos a movimentação nas ruas, conhecemos a arena interativa criada pela Carrera na rua Girassol (lugar ótimo para ver o jogo num super telão de cinema, mas totalmente impessoal e desagradável, o ambiente era tão aconchegante quanto um hospital vermelho, com mobiliário feito de paletes de madeira, urgh!), paramos no bom e velho Bar das Empanadas para comer uma e tomar uma). De lá, continuamos buscando um lugar para sentar e ver o segundo tempo do jogo. 

Na onda do selfie, nós, no Empanadas
Só conseguimos uma mesa com TV e cerveja gelada no Galinheiro Grill. O Messi ficou me devendo um espetáculo. Até agora, pra mim, faltou emoção e garra na performance dele. Mas ainda tem muita Copa pela frente. 

Voltamos pra casa de ônibus. Diga-se de passagem, um veículo novinho em folha, lindo e confortável. Acredita? Pode acreditar mesmo. Existe. Podiam ser todos assim. 

Vou continuar insistindo no projeto de mobilidade urbana que inclui bikes e ônibus de boa qualidade, mas confesso que, muitas vezes, me sinto mesmo tola. 

Boa semana! Hoje tem estreia da Alemanha jogando com Portugal à uma da tarde. Você vai torcer pra quem? Eu, pra Alemanha! E por falar nisso, Michael Schumacher saiu do coma e voltou pra casa hoje. Que bom. Espero que se recupere bem. Torci muito pela recuperação dele. 

Serviço


sábado, 14 de junho de 2014

Comida da Holanda

Acabo de ver na televisão a reprise dos gols da Holanda sobre a Espanha no jogo de ontem, 13/06. Uma goleada histórica e de fazer os espanhóis perderem o rumo. Se não todos pelo menos o goleiro, esse sim perdeu o rumo, apesar de duas grandes defesas. Cinco gols para uma seleção campeã numa abertura de Copa do Mundo é de doer, ainda mais porque a Holanda parece que veio mesmo pra revidar e fazer esquecer o jogo da final da Copa de 2010, mas não perdeu a graça e a leveza em campo. 

Maria Salgado, minha amada amiga carioca, esteve em casa na última segunda-feira e comentou que o time da Holanda estava se divertindo na praia de Copacabana. Segundo ela, "os holandeses já estão no papo, eles estão adorando a praia no Rio, esses sabem o que é bom". O que ela queria dizer, brincando é bem verdade, é que o astral de praia e férias do Rio nesse momento devia desconcentrar os holandeses. Ao que parece, os ares da cidade maravilhosa inspiraram "maravilhosamente" os jogadores da Laranja Mecânica. 

Eu, que não tinha visto o jogo ontem porque enquanto a bola rolava estava preparando a apresentação do trabalho final do semestre de Gastronomia, estava ansiosa para entender o que aconteceu com a Espanha frente ao esmagador resultado de 5 a 1. Jogadores cabisbaixos, técnico surpreso com uma derrota realmente surpreendente até para os mais desavisados e, na Espanha, a torcida de todo país pedindo a renovação do time. Não acho que é pra tanto, mas é melhor que isso seja assim lá do que aqui. 

Em homenagem à Holanda e sua bem-aventurada estreia no Brasil, resolvi procurar uma receita holandesa, coisa que não é muito comum na minha cozinha. Não costumo cozinhar batatas com muita frequência, não faço creme holandês e a torta chamada holandesa que, de vez em quando, como na casa da minha mãe, não tem muito de Holanda, só a homenagem da sua criadora, uma campineira que viveu na Europa por um tempo. Essa também nunca fiz. 

Minha curiosidade do dia era com os pratos típicos do país e com o que comemos no Brasil que veio de lá. Não dá pra esquecer que o Brasil não é só São Paulo e Rio de Janeiro. Tem muito mais que isso. A região Nordeste do Brasil foi ocupada por holandeses na primeira metade do século XVII (em 1621 tentaram invadir a Bahia, sem sucesso, e, em 1630, ocuparam Pernambuco de onde foram expulsos só em 1654). Mas as influências ficaram.

Isso vai me levar a uma pesquisa mais profunda, mas por agora, encontrei a receita do molho holandês no site Panelinha, da Rita Lobo, que, por sinal, gosto muito.  É do Panelinha que vou copiar a receita e depois de testar comento se é mesmo bom. 


Creme holandês

Ingredientes

1 colher (sopa) de vinagre de maçã
1/2 colher (chá) de pimenta-do-reino em grãos
2 colheres (sopa) de água
2 gemas
200 g de manteiga
suco de limão e molho de pimenta a gosto
sal a gosto

Modo de Preparo


1. Com a ajuda de um martelo de carne, quebre os grãos de pimenta. Em seguida, coloque em uma panela, adicione o vinagre e leve ao fogo médio. Quando ferver, desligue o fogo.

2. Passe o vinagre por uma peneira. Reserve o líquido em uma tigela refratária e despreze as pimentas.

3. Numa panelinha, derreta a manteiga em fogo baixo. Quando ela estiver totalmente derretida, desligue o fogo e reserve.

4. Adicione as gemas e a água à tigela com o vinagre e bata com um fouet (batedor de arame) por 3 minutos ou até obter uma mistura espumante.

5. Prepare o banho-maria. Para fazer o banho-maria, leve uma panela com um pouco de água ao fogo baixo. Quando estiver quente, desligue o fogo e encaixe a tigela com a mistura de gemas e vinagre sobre a panela com a água. A água quente não deve encostar no fundo da tigela com o creme de gemas, pois o calor do vapor é suficiente para o cozimento. Tome cuidado para não deixar a água ferver.

6. Com o fouet em uma das mãos, continue batendo vigorosamente a mistura de gemas. Enquanto isso, com a outra mão, vá adicionando (em forma de fio contínuo) a manteiga derretida ao creme de gemas.

7. Continue batendo até que a mistura comece a encorpar. Verifique sempre a temperatura da água do banho-maria e da mistura da tigela. Ela não deverá ultrapassar os 60º C. Para verificar a temperatura, coloque o dedo dentro do molho, próximo ao fundo da tigela. A sensação deverá ser de quente, mas totalmente suportável. Se a mistura começar a esfriar demais, ligue o fogo baixo novamente por alguns instantes até obter a temperatura ideal. Este cuidado evita que o molho talhe.

8. Quando o molho estiver encorpado, retire do banho-maria. Tempere com suco de limão, pimenta-do-reino, sal e molho de pimenta a gosto. Sirva a seguir.

Pelo que pesquisei esse molho fica ótimo com camarão (também o que não fica bom com camarão?), com batatas que é o ingrediente mais habitual da comida holandesa atualmente, com carnes e peixes. O meu palpite é que deve temperar bem uma linda salada, de preferência cheia de ingredientes verdes, mas aí teria que ser servido frio, quase gelado. Como disse, vou testar e depois eu conto.

Bom fim de semana a todos. 

Espero que eu precise pesquisar comida inglesa amanhã. Nada me faz torcer pela Azzurra, nem meu nome! 

Foto do site www.eugosto.de

quarta-feira, 11 de junho de 2014

520 opções - O Melhor de São Paulo e um olhar meio contrariado

No domingo, quando cheguei à casa da minha sogra para buscá-la para almoçar em casa, alegremente ela me deu alguns presentes. Entre eles, a edição bilíngue de O melhor de São Paulo - Restaurantes e Bares - 2014, da Folha de São Paulo.

Ela me deu e disse que havia separado a revista pra mim porque a partir dela eu poderia "tirar bastante ideias dos restaurantes da cidade". Sem dúvida, ela tinha razão.

Mas não tardou a minha decepção com o que tinha em mãos.

Do meu ponto de vista, esse tipo de guia tem que ser fácil de ver, de ler, de folhear, de encontrar as informações e, mas que tudo, merece imparcialidade máxima, por isso, não combina muito com grandes anunciantes que estejam sendo "premiados" ou entre os eleitos, para não ser injusta.

O que se deu comigo foi mais ou menos o seguinte: peguei a publicação e abri numa página aleatória. Tentei fixar atenção em alguma informação que estivesse ali, mas não consegui tamanha era a poluição de ícones com significados confusos em cada página. Insisti mudando para outra página também qualquer e, de novo, não entendi aquele monte de informação que encontrei. Pensei que o problema fosse eu já que naquele momento eu não estava dedicada exclusivamente à leitura do guia.

Fechei a revista, pus debaixo do braço e fomos para o carro, onde me sentei no banco de trás, junto da dona Dora. Como o caminho era longo e tinha trânsito logo eu abri novamente o guia e, dei de cara com uma página em que estava a foto do Walter Mancini. Voltei-me para a minha sogra e comentei mostrando a foto: 
- Olhe, é o dono da Familia Mancini. 
Isso porque lá é um lugar que estivemos juntos há não muito tempo. 
E ela me respondeu que havia outras fotos do Mancini por todo o guia. 

São cinco páginas com fotos dele em anúncios de seus empreendimentos e uma devido a eleição pelo Datafolha da Cantina Família Mancini como o melhor restaurante italiano de São Paulo. O eleito pelo júri foi o Attimo. 

A partir daí comecei a olhar o guia com olhos um pouco mais críticos. Por que são considerados restaurantes brasileiro, italiano, árabe, japonês, português e francês? Não temos em São Paulo comida indiana, libanesa, tailandesa? 

O fato de o guia estar em português e inglês, que é muito positivo, fez com que os textos sobre os restauranes, em geral, não trouxessem informações relevantes sobre eles. Dois ou três parágrafos que quase não dizem nada, porque em uma só página é preciso ter texto em dois idiomas, título e subtítulo, foto, algumas vezes do local e do chef (não entendi o critério para os que tem e os que não), espaço em branco, estrelas, serviço e os ícones que representam as legendas. 

Para entender a legenda é preciso folhear e procurar com dedicação o que o pequeno desenho significa. Não é uma tarefa das mais fáceis. É quase hercúlea! 

Só ao começar escrever hoje é que consegui entender que estão misturadas as premiações. Falha minha, talvez eu não esteja mesmo acostumada a esse tipo de diagramação e conteúdo... 

No mais, há muito anúncio, um editorial de apenas três breves parágrafos, que parecem ter sido feitos com preguiça, uma grande poluição de dados, um indice complicado de entender e a parte dos bares é uma reprodução do guia da folha do domingo com mais itens. Nada demais, é pobre.  Isso sem falar na capa. Será ela uma versão aprimorada da chamada do Hells Kitchen?

Uma pena que a edição tenha sido feita assim já que deveria ter a função de um guia para consulta que durasse mais que uma semana. Quem sabe tudo isso não seja devido às intenção de levar o leitor para as novas tecnologias. Afinal, há uma página indicando como usar o aplicativo do Melhor de São Paulo. Eu não testei, confesso. 




A Folha de São Paulo pode mais e já fez melhor. Poderia ter nos presenteado com uma revista mais útil, menos patrocinada e mais informativa. Bastaria um pouco de criatividade,  boa vontade e visita a museus. Sempre digo que visitar museus nos ajuda a diagramar melhor as páginas das revistas, de modo que as informações fiquem harmoniosas aos olhos. 

Tomara que a próxima edição, a 5a., seja melhor. Que as 520 indicações sejam mais cuidadas para o bem do leitor. 

De qualquer forma, eu "tirei mesmo umas ideias", como disse a minha sogra. 

Aquele abraço! Amanhã tem Copa do Mundo no Brasil. Chegou a hora! 

domingo, 8 de junho de 2014

Encontro gastronômico

No ano passado, o Silas chegou com uma novidade em casa. Tínhamos sido convidados para uma noite entre amigos na casa da Érica e do Fernando Londoño cujo objetivo seria degustar menus gastronômicos produzidos pelos convidados. Formamos um grupo de 12 pessoas, cinco casais e duas mulheres.  

A ideia não podia ter sido mais feliz. A noite foi super agradável. Todos muito animados diante da chance de confraternizar e, mais que tudo, querendo mostrar aos amigos o melhor preparo saído de seus cadernos de receitas. Foi uma delícia e ficou a promessa de repetirmos com certa frequência o dose, já que o modelo do evento foi tão bem aceito por todos. 

Fernando e Érica são excelentes anfitriöes e nos deixaram absolutamente à vontade na casa deles. Ontem, foi a nossa vez. Cabia então a mim e ao Silas retribuir tamanha gentileza e tentar proporcionar na nossa casa também uma noite de diversão gastronômica para esses amigos de quem gostamos tanto. 

A arrumação começou logo cedo, arrumando louças, talheres, copos, toalhas, cadeiras, enfim, deixando a casa bonita e em com espaço livre para que todos pudessem finalizar seus pratos quando chegassem, sem que houvesse trombadas na cozinha. 

Depois parti para a preparação do meu primeiro prato. Na noite anterior, listinha em punho, já tínhamos comprado quase tudo o que precisávamos para a salada de grãos que eu servi em porções individuais, enfeitadas com um raminho de salsa e gergelim torrado. Segue a receita, ficou booooa...

Salada de grãos

Ingredientes

1 e 1/2 xícara (chá) de arroz sete grãos cozido 
1 xícara (chá) de lentilhas cozidas 
1 xícara (chá) de grão de bico cozido 
1 cebola roxa grande picada
2 tomates com pele e sem sementes picados
1 talo de salsão picado
1/3 de pimentão verde, 1/3 pimentão vermelho e 1/3 pimentão amarelo, todos picados
25 gr de aliche picado
1 colher (sopa) de gengibre picado
1 dente de alho amassado
3 colheres (sopa) de cheiro verde picado
1 pimenta dedo de moça sem sementes picada
1/2 xícara de nozes picadas
1/2 xícara de amêndoas laminadas e torradas
2 colheres (sopa) molho de mostarda de Dijon
1/4 xícara de vinagre branco
1/2 xícara de azeite
Sal a gosto
Gergelim torrado para decorar





Modo de preparo: 

Em água com sal, cozinhe separadamente o arroz sete grãos, o grão de bico e a lentilha (porque cada um tem um tempo de cozimento diferente) até que fiquem com consistência al dente. Espere esfriar e junte-os a todos os demais ingredientes pela ordem. Junte os temperos, a mostarda, o vinagre branco, o azeite e corrija o sal.  Leve à geladeira por cerca de duas horas antes de servir. 

Importante: Para deixar a sua salada mais bonita e apetitosa, tome o cuidado de deixar os cortes com tamanhos parecidos, de preferência bem pequenos. 

Salada preparada, ainda faltva o preparo da sobremesa que seria um bolo de manjericão com chocolate amargo coberto de creme de aceto balsâmico. 

Antes disso, uma visitinha à Camicado para comprar uns talheres novos. Apesar de tantas festas com comida aqui em casa, não tínhamos garfos, facas e colheres suficientes (e decentes) para todos os nossos convidados. Comprei peças avulsas de muito boa qualidade, grandes e pesadas. Fiquei bem contente com a nova aquisição.  E, aproveitando a ocasião, também adquirimos uma jarra de vidro nova. Nela fizemos uma sangria bem inovadora.

Lá pelas 20h30, horário marcado para a festa começar, foram chegando os primeiros convidados. Desta vez, fomos 13. Como não podia deixar de ser, primeiro chegaram a Patricia e a Sula com seu marido Antonio, as duas da área de gastronomia, que cozinham divinamente. Elas são professoras do curso de Gastronomia da FMU e estudam na PUC-SP, temas relacionados a Comida e Religião. De lá é que os professores colegas do Silas que estiveram em casa ontem as conhecem. Depois chegaram o Helda e Edin, Fernando e Érica, Frank e Renata e Zeca e Pereira.  Cada um trazendo pratos deliciosos e cheios de história, como toda boa comida. Isso sem nem mencionar as sobremesas... um arraso! Ah, e os vinhos. Coisa de gourmets!

Alguns dos pratos, eu pretendo pesquisar, pedir as receitas para poder publicar e, claro, repetir em outras ocasiões porque valem super a pena. A receita da sangria eu vou publicar também, mas pra isso preciso consultar o barman da festa, o marido!

Segundo o Fernando, ontem era dia de banquete e em dias assim temos que aproveitar. O papo rolou até as duas da manhã quando o primeiro casal decidiu chamar um taxi para ir embora. Assim, lá pelas 2h30 de hoje, que pena!, todos já tinham ido. E nós ficamos com aquela alegria de quem teve momentos ótimos de comida, bebida e afeto, que é o mais importante nisso tudo. 


Sula Santana,  chef de cozinha, na minha cozinha! 
Hora das sobremesas, ninguém nem olha pro fotógrafo. 
Patricia Rodrigues de Souza, chef de cozinha, na minha cozinha também! 


Hoje, "re-degustamos" tudo porque o enterro dos ossos que sempre rola no dia seguinte das festas é mesmo sensacional. O Silas redescobriu as entradinhas feitas de torradas com bacalhau cobertas por uma tapenade de azeitonas pretas que a Dona Maria José trouxe. Enebriou-se! E eu também, não duvide. Minha sogra e meu sogro estiveram aqui conosco hoje e também puderam apreciar as comidinhas. 

Em tempo, ontem, o blog completou um mês. A primeira publicação foi em 7/maio. Foram mais de 2 mil visualizações nesse período. Estou extasiada por isso e muito agradecida. Nesses primeiros dias, já aprendi muita coisa sobre a ferramenta, o comportamento dos leitores, os assuntos que as pessoas gostam mais, os dias da semana que as pessoas mais lêem, mas mais que tudo, eu tenho me emocionado muito. Eu nem podia imaginar que escrever livremente todos os dias me faria tão realizada. Valeu, pessoal!! Obrigada. 

Beijos e boa semana a todos. Dia 12 começa a Copa e é dia dos namorados. Já pensou o que vai fazer?

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Quantas copas a gente já passou juntos?

- É, amor, já estamos pela segunda Copa do Mundo juntos! 

Uma pergunta que me vêm à cabeça em tempos simbólicos como o que estamos vivendo agora é essa: quantas Copas do Mundo já passamos juntos? 

As lembranças vêm na hora! 

Não acredito que algum brasileiro mediano como eu, cuja família e os amigos são pessoas relativamente normais (já que de perto ninguém é normal), não tenha a mente invadida por um turbilhão de imagens de outras Copas do Mundo. Não importa em que ordem as lembranças chegam, nem tampouco saber exatamente que ano era aquele. A conta a gente faz voltando de quatro em quatro, confunde às vezes com as Olimpíadas, mas, mesmo sem o auxílio do google, a maior parte das pessoas vai ter alguém por perto que lembra o país sede de cada um dos anos e os momentos mais marcantes para si daquele campeonato. 

- tags: pipoca doce, copa do mundo em casa, reunião de amigos

Nem é pelo campeonato, é pela vibração. 

Sem qualquer respeito às datas, eu me lembro da casa da Alê e do Fauzer e dos birinaites que a gente tomava ouvindo o Dr. Fernando gritar: "Ronaldiiiiiiiiiiiiiiinho, vai gordo!" E da Débora que foi pro México e veio com um sombrero imenso, teve até ônibus de Itu pra receber a famíia dela no aeroporto em São Paulo na volta, a gente estudava no Berreta.  Outra memória é da casa da Ana e do Zé Paulo,  jogo final, Brasil e França, e aquele vexame da seleção que entrou em campo com um time abalado deixando o país do futebol perplexo.  Chorei nesse dia.... 
Outra memória é da casa da avó da Teca, a turma do Inho reunida em frente à TV e depois a gente ia para as ruas de Itu lotadas de gente comemorando os jogos ganhos por aquela seleção inesquecível que tinha Zico, Sócrates, Falcão....  E aquele ano que a Euzi, a Fabiola e eu fomos ver um jogo entre Brasil e Inglaterra no Finnegun's e teve um gol sensacional do Ronaldinho Gaúcho batendo uma falta. Nosso amigo Andrew em Londres, ficou furioso, mas teve que por o rabinho entre as pernas porque foi lindo.  

No primeiro mundial que o Silas e eu vimos juntos, ele comprou uma televisão nova com high definition, enorme. Só que havia um delay (atraso na transmissão) de áudio e vídeo para quem assistia em HD e a gente ouvia primeiro o vizinho comemorando e só depois o gol em alta definição. Frustrante!

Como meu aniversário é em junho, a Copa sempre acaba interferindo nas minhas festas a cada quatro anos. Quando eu fiz 32, reuni os amigos no Velvet, um bar que ficava na Alameda Lorena e a temática, claro, era verde e amarela. Nem sei se foi esse lugar que deu origem ao Blue Velvet da rua Bela Cintra. Nessa época eu trabalhava na Amcham, com a Salete, a Lilian e a Solange. Elas estavam lá  e estão nas fotos!

Tem também as copas do mundo da infância. Teve um ano que o tio Divaldo comprou uma super panela de pipoqueiro para poder ter um resultado fascinante nas pipocas que comíamos durante os jogos, acho que foi naquele ano de 78, da Argentina. 




Na de 82, ainda da seleção canarinho, "dá-lhe, dá-lhe bola, meu canarinho vai deixar a gaiola, vai pra Espanha de mala e viola, vai dar olé à espanhola..." só o que me importava era a pipoca doce do tio Durvalino. De tudo o que mais me lembro daquele ano era a gente, inclusive meu pai, indo para a casa da minha avó Leonor à tarde, e o marido da tia Neide estourando o milho na panela. Que jogos eram eu não sei, até poderia pesquisar, mas da receita da pipoca caramelada, ah! essa eu lembro bem. A medida era um copinho de cada coisa: um de óleo, um de milho, um de açúcar e um de água. Demorava um pouco mais para estourar que a pipoca normal salgada e nós, as crianças, não devíamos ficar perto do fogão porque podia espirrar. 

Acho que hoje eu não arriscaria comer essa pipoca doce porque o sabor não seria o mesmo, as panelas nem são amassadas, nem tem tampas que não encaixam e a gente come pipoca de microondas que tem um cheiro in-su-por-tá-vel! argh!

E agora a Copa é no Brasil. Tem tanta gente infeliz querendo mais ser infeliz nesses dias. Que desperdício! Não me acusem de alienação porque não é nada disso. Eu também tenho muitas críticas sobre como tudo foi conduzido para gente chegar a uma semana do mundial do jeito que estamos. 

Mas, sinceramente, eu acho que vai ser demais! Eu quero muito que seja um espetáculo inesquecível. Que a gente se junte, pinte a cara de verde e amarelo, vista a camisa da seleção, toque vuvuzela até ensurdecer o chato que não gosta de futebol. Agora, eu quero ver a bola rolar, a rede balançar e o abraço pra torcida.  Quero ver a gente ser chamado de novo de Brasil, o país do futebol. Do resto a gente fala depois.  

Receita da pipoca caramelada

Ingredientes

1 medida de milho de pipoca
1 medida de açúcar
1 medida de água
1 medida de óleo (pode ser uma colher de manteiga)

Modo de fazer

Leve ao fogo alto com a panela tampada. Espere estourar e sirva com alegria. As pipocas vão ficar bem grudadas umas nas outras, por isso é que legal. Tem que compartilhar, dividir. 

Em tempo: sejam bem-vindos os jogadores de todas as seleções ao Brasil! 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Chavões sobre o Manual de Boas Práticas

Existe (ou deveria existir) na cozinha de todo restaurante que se preza um Manual de Boas Práticas de Higiene e Manipulação.  Trata-se de uma compilação de informações sobre como tudo deve ser feito naquele ambiente. 

O manual é composto de procedimentos operacionais padrão, mais conhecidos como POPs. Cada POP trata de uma ação específica. Por exemplo a ficha técnica de um determinado preparo é um POP, assim como o passo a passo para a higienização do piso, paredes, janelas e cortinas. Do mesmo jeito, é preciso ter um procedimento padrão para o recebimento de mercadorias ou o armazenamento de alimentos. 




Ainda cabem dentro desse manual, que mais parece uma bíblia criada com dados específicos da cozinha, os documentos de controle da saúde ocupacional dos funcionários, as informações sobre fornecedores de mercadorias e serviços, bem como os regras a serem seguidas para reciclagem de materiais e o cuidado com o lixo. 

Erra quem pensa que o manual é um instrumento meramente burocrático. Ao contrário, ele é muito mais operacional, o que eu também poderia chamar de prático, do que um jeito de se livrar de uma autuação sanitária. 

Suponha que, em determinado dia como hoje em que o metrô e a CET entraram em greve, o seu pequeno bistrô de apenas quatro empregados (incluindo você) dependa da dona Maria, a cozinheira, para executar o prato de melhor aceitação entre seus clientes. Só ela sabe como cortar as batatas, como temperá-las e como assá-las numa temperatura que só a dona Maria conhece. Ela também tem um segredo quanto ao jeito de montar o prato. Mas.... a dona Maria não tem um vizinho com carro  para pegar carona e chegar ao trabalho. Ela mora muito longe e os quatro ônibus  que ela terá que pegar vão fazer, com sorte, que ela chegue ao meio-dia no trabalho.  O seu bistrô diariamente abre às 11h30 já com fregueses de caderneta, como se dizia no interior, aguardando para comer. 

Com o manual de boas práticas e os procedimentos padrão, alguém pode salvar a reputação do seu restaurante de um arranhão. Isso porque no POP do preparo do prato prata da casa estarão descritos todos os passinhos a serem dados desde o descascar das batatas que foram recebidas de um fornecedor específico, até como elas devem ser cortadas, assadas e servidas. 

Não é fácil. Assim como viver também não é fácil. 

Só pra ter ideia de como o assunto é sério, todas as esferas de governo têm regras para boas práticas. A CVS 5, de 9 de abril de 2013, é uma portaria do Estado de São Paulo sobre Boas Práticas e Procedimentos Operacionais Padronizados para estabelecimentos comerciais.  A RDC 216, de 15 de setembro de 2004, da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, dispõe sobre Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação, e é válida em âmbito federal e a Portaria 2619, de  de dezembro de 2011, da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de São Paulo, também trata do mesmo assunto. 

O Manual de Boas Práticas é um instrumento que facilita o  trabalho cotidiano. Há períodos em que fazemos tantas vezes e de forma repetida uma tal coisa, que parece que tudo é óbvio. Mas, não é tão obvio assim para outra pessoa que não faz aquilo todos os dias.  

Para criar o manual de um restaurante é preciso ter o auxilio de um profissional técnico, que pode ser um nutricionista ou um veterinário. 

Apesar de todos os chavões: o manual é aquilo que parece (desnecessário e burocrático), mas não é. Assim como a dona Maria, ninguém é insubstituível e o show tem que continuar.  Prevenir é melhor que remediar

terça-feira, 3 de junho de 2014

Uma casa com luz natural e amor

Você já parou para se perguntar o que faz um lugar, como uma casa, ser aconchegante? Por que será que há lugares onde a gente entra e o santo não bate, mas tem outros que tem tudo a ver?

Eu que não sou arquiteta, mas sou a mais animada decoradora-amadora, tenho fissura por revistas e sites com fotos de interiores. Acho os editoriais de decoração fantásticos. Sou capaz de ficar horas observando cada detalhe de uma foto que tenha uma estante, um armarinho de cozinha ou uma moldura num espelho, só imaginando um lugar em que aquilo poderia servir na minha casa ou na de alguém que eu conheço. Outra coisa que eu adoro são aqueles programas de TV que fazem modificações nos ambientes transformando-os em espaços lindos e com um tanto da personalidade do dono. Uma arte a meu ver. 

As fotos falam muito, não há dúvida. Os profissionais que trabalham nessas transformações são verdadeiros magos. Eles entendem mesmo de cor, iluminação, proporção, contraste, e tudo o mais que é técnica para atingir bons resultados na busca do aconchego.

Mas uma casa aconchegante, arrisco dizer, é aquela que tem vida. Pra mim, a vida se manifesta em cheiro de café logo de manhã, antes mesmo de abrir as janelas, no barulho do trinco girando na porta quando alguém que a gente espera está chegando, no piano repetindo uma sequência de notas quase insuportável ao ouvido que chega a parecer tortura, mas é música quando amamos quem toca, em fogão sujo de comida que acabou de ser feita porque os filhos apareceram de repente... 

A entrada de luz natural numa casa muda a qualidade de vida das pessoas para melhor. O mesmo ela faria com os deprimidos dos escritórios que não veem a cor do sol durante todo o dia,  às vezes sequer sabem se está chovendo ou nublado porque não saem nem para almoçar. 

Sempre gostei de trabalhar onde eu podia ver a luz. Agora, trabalho várias horas do dia na cozinha e outras várias no home office, que foi planejado para o Silas, mas eu fiquei com um espaço bem perto da janela, portanto tenho luz natural sempre. 

Esta manhã enquanto preparámos o café, a Bruna, o Silas, a Nina (a gata preta) e eu na cozinha, falávamos do método para alunos iniciantes de piano. A Bruna, que estuda música, dizia que isso era a coisa mais chata de se ouvir repetidas vezes. E é mesmo. Mas creio que pode irritar ou não, tudo vai depender de como você sente aquilo. Eu até disse a ela que ouvia música quando o Silas estuda piano.  Virou uma gargalhada só... 

O lance é que uma casa para ser feliz e harmoniosa precisa ter, além de luz natural, amor. 

Então, segue aqui uma receita da minha avó Angelina de um bolo branco que é só amor. 

Bolo Flor de Maio

Ingredientes

3 ovos (claras e gemas separadas)
2 xícaras (chá) de açúcar
2 colheres (sopa) de manteiga bem cheias 
3 xícaras (chá) de farinha de trigo
2 xícaras (chá) de leite
1 pitada de sal
2 colheres (sopa) de fermento 

Modo de fazer
Bata as claras em neve e reserve. Numa tigela grande bata as gemas com o açúcar e a manteiga. Depois de bem batidos esses ingredientes, tendo uma massa bem clara, alterne a farinha de trigo e o leite. Cololque a pitada de sal. Acrescente as claras batidas em neve e as duas colheres de fermento. Leve  para assar em forma retangular no forno pré-aquecido por cerca de 40 a 45 minutos, temperatura de 200 graus.  

Esse bolo, minha avó fazia todo sábado à noite, logo depois da novela das oito. Ele era batido na mão porque na casa dela não tinha batedeira. Quando nós estávamos lá, minha irmã Cristina batia a massa e eu, como era menor, as claras em neve. 


Em pé, Cris, e ao fundo,  Júnior, meus irmãos; minha avó Angelina comigo e com a Dadá no colo, e a Rose, minha prima com a flor na boca
A casa de minha avó era muito simples, de gente pobre, daquelas antigas com tijolos no chão, sem forro e com frestras por onde o frio entrava que eram tapadas com cortinas feitas por ela mesma ou cobertores enrolados no auge do inverno. Esse é o lugar mais aconchegante que eu já estive em toda a minha vida. Nenhum arquiteto ou decorador poderia reproduzir. 

Eu daria qualquer coisa para sentir de novo aquele cheiro do bolo Flor de Maio cortado em losangos servido para a tia Matilde e minha madrinha Ana junto com o cafezinho no domingo à tarde. O mesmo bolo simples que me fez ouvir outra vez,  agora enquanto escrevo, o garfo batendo num prato branco fundo lascado, enquanto eu tentava formar neve com as claras, mas era pequena demais para conseguir. 

Se fizer (o bolo), traga um pedaço! 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Caverna Bugre, impressões

Há anos eu sei da existência da Caverna Bugre, apesar de não prestar atenção nesse lugar quando passava em frente, porque não existe nada que chame atenção na fachada. 
Morei em Pinheiros mais de 16 anos. Inevitavelmente, meu caminho para subir em direção a Avenida Paulista, quase sempre, era pela rua Teodoro Sampaio, fosse de carro, ônibus ou a pé. Do mesmo jeito a volta caminhando do trabalho pra casa. 

Só que há menos de três anos estive lá pela primeira vez. Fomos jantar, Silas e eu, para comemorar alguma coisa.  Eu gostei de ter ido naquela ocasião. 


--- tags: crítica gastronômica, visita técnica, restaurante Caverna Bugre


Agora, por conta de um trabalho de avaliação de restaurantes no curso de Gastronomia, sugeri aos meus colegas de grupo que elegêssemos o Bugre para analisar suas qualidades. Embora o grupo seja formado por meia dúzia de pessoas, resolvemos que nossa visita não seria feita em conjunto. Cada um visitaria o espaço num horário e dia da semana. O objetivo era ter impressões sobre o serviço em diversos momentos, para, inclusive, discutirmos a regularidade do atendimento e se há mudanças no tipo de serviço oferecido em horários e dias distintos. 

Localização - Já falei que fica na Teodoro Sampaio, a uma quadra e meia da entrada do metrô Clínicas. De dia é uma loucura o fluxo de pessoas na rua e à noite é um lugar que transparece o que foi de dia. Tem sujeira na rua, movimento de carro e barulho de trânsito. 

Sistema de reserva - Eu estive no restaurante na sexta-feira, 23/05, para jantar. Fui com o Silas. Chegamos perto das nove da noite, sem ter feito reserva. 

Estacionamento/segurança - Não há serviço de manobrista no local, nem lugar para parar o carro na rua até às 20 horas, porque é proibido estacionar na rua Teodoro Sampaio durante o horário comercial.  Como chegamos depois desse horário, deixamos o carro a alguns metros do restaurante, na rua mesmo. 

Ambiente, decoração e serviço - Minha primeira impressão ao entrar pela segunda vez no local foi de que faz tempo que ali ninguém vê qualquer inovação, treinamento, novidade... Três garçons estavam parados em pé próximos à entrada e, ao nosso movimento de pedir uma mesa já que parte do salão estava ocupado, não se moveram. Vendo que havia lugar, nos sentamos numa mesa embaixo da janela da rua. 

Nas paredes, nenhum quadro ou enfeite. Só uma TV de plasma bem grande posicionada num canto superior perto da porta transmitia o fim do Jornal Nacional. O som da TV quase não era ouvido.

Rapidamente, vieram os cardápios de capa de couro com uma cara meio usada, com várias páginas. O Silas estava a fim de tomar uma cerveja diferente e como o restaurante serve comida alemã (apesar de ter sido fundado por um austríaco), pediu referências para o garçom. Ele não sabia informar nada a respeito. Também não se preocupou em pedir auxílio a alguém que soubesse. 

O barulho vindo de fora era tão desagradável, com aceleração dos ônibus que sobem pela rua, que mencionamos ao garçom. Ele não nos ofereceu uma troca de mesa, nem tampouco para fechar a janela. Nós é que nos levantamos e, antes que alguém pegasse a mesa do fundo, na parede oposta a que estávamos, fomos nos mudando. Assim, outro garçom passou a nos atender.  Ali devia ser outra praça, embora o restaurante seja bem pequeno. O salão tem cerca de 14 mesas apenas. 

Enxoval - Louça branca básica, toalhas brancas com cobre-manchas bege. Mise en place também básico. Tudo limpo e asseado. 




Bebida/comida Por conta própria, sem ajuda do garçom, escolhi uma água tônica e meu marido uma cerveja Eisenbahn, pilsen, porque não havia uma pale ale que a preferida dele. 

Quanto à comida, escolhemos pratos diferentes.  Eu fui no mais tradicional da casa, o filé Alpino, que segundo o site da casa, ganhou o prêmio Prato de Ouro da revista Istoé, em 1995, e o prêmio Paladar, do Estadão, em 2008. O prato do Silas foi uma filé coberto com cebolas. Para ambos foram acompanhava arroz branco e mais nada. 

Pedimos como guarnição uma porção de aspargos. Decepcionantes aspargos em conserva passados na manteiga nos foram servidos. 

Os pratos vieram em exatos 20 minutos após o pedido. Estavam quentes e saborosos. O filé alpino tem uma grande quantidade de queijo catupiry por cima de uma fatia de copa e um molho inglês onde o filé fica nadando. Os sabores se complementam até a terceira garfada. Depois, é preciso acompanhamento porque se torna um prato bem enjoativo. 

A mesma base de molho inglês veio no outro filé, que estava tão suculento e tinha o mesmo também do alpino, só que era coberto por cebolas. 

Comemos direitinho, mas eu não premiaria nenhum desses pratos, embora o serviço à mesa tenha sido feito dentro do padrão tradicional, como manda o restaurante. Fomos servidos à inglesa indireto, inclusive na reposição dos itens. Não foi usado gueridon* porque a mesa era para quatro e estávamos em dois, de modo que havia espaço sobrando para manter a comida sobre a mesa, mas não à nossa frente. 




Preço - Dado que só comemos o prato e os aspargos, não teve entrada, sobremesa, nem café e bebemos uma única cerveja e um refrigerante, a conta deu R$ 107, com a taxa de serviço, que, vamos combinar, não foi muito bom para o  dono do restaurante. O empregado pouco treinado não ofereceu bebida a contento, não sugeriu entrada, couvert ou sobremesa. Atendeu ao que foi pedido, só.  

Visite nossa cozinha - Tinha uma plaquinha, mas apesar dela, senti um paredão que constrangeu pedir para dar uma passeada no ambiente. Não dava pra pedir, seria invasivo, dá pra entender? 

Fico aqui pensando o que faz um restaurante que tem uma história, a Caverna Bugre foi fundada em 1950, portanto 64 anos, se deixar desse jeito. Talvez os donos estejam cansados, a grana curta e não haja mais uma motivação para reconstruir no dia-a-dia esse passado de sucesso. 

Foi uma experiência um pouco frustrante pra mim, porque eu queria que meus colegas tivessem uma boa impressão do lugar que eu sugeri, mas que também, desta vez, não me causou a melhor lembrança. 

A dica então é para o dono. Algumas poucas ações pontuais poderiam elevar o padrão novamente (não sei se já foi um restaurante cuidadoso antes) e seria de bom tom dar alguma graça ao lugar. Uma reforminha, uns quadros, alguma decoração fariam bem.  A localização é ruim por um lado, mas é muito boa como ponto. Deve ter muito médico das Clínicas que frequenta o lugar.  O barulho poderia ser resolvido com pouco esforço e algum investimento, nada absurdo. O cardápio revitalizado seria uma outra solução que tenderia a um bom resultado. Ah! E o site está desatualizado, pode melhorar bastante. 

Essa foi uma visita noturna. Talvez no almoço seja diferente, quem sabe melhor ou pior. 

Por enquanto, vale a comida, de vez em quando, e nada além. 

Boa semana. 


Serviço:

Caverna Bugre - Rua Teodoro Sampaio, 334 - tel. 11 3085-6984

*gueridon (fala-se guerridom) - mesa auxiliar sobre a qual o garçom prepara o prato para servir ao cliente