segunda-feira, 30 de junho de 2014

Sobremesa de família - 2

Cheguei a ficar com saudade de escrever. Nos últimos três dias, por mais que eu tenha me esforçado, não tive como me sentar em frente ao computador e escrever para o blog. 

Primeiro porque estou providenciando tudo pra a viagem, como contei no texto Malas Prontas. Depois, eu inventei de, no sábado, juntar o jogo do Brasil contra o Chile com uma comemoração antecipada de aniversário aqui em casa. Foi uma delícia, mas, para receber pessoas é preciso providenciar coisas. No domingo, fui levar a Nina, minha gata, pra casa da minha mãe em Itu. Ela vai ficar lá durante a minha viagem, com a vovó (rsrs). Lá, dia 29 de junho, meu aniversário, com meus irmãos e sobrinhos, comemoramos com uma maravilhosa feijoada feita pela D. Neuza. Minha mãe não existe, é inventada, porque ela cozinha melhor que  a tia Anastácia do Sitio do Pica-pau Amarelo. 

Desta vez, a sobremesa foi o bolo de aniversário que ganhei da Bruna, minha amada sobrinha e afilhada. Não teve a dupla caçarola italiana e manjar branco. Mas como prometi na semana passada, hoje eu vou publicar a receita do manjar com calda de vinho tinto e ameixas. 

Particularmente, eu gosto mais de raspar a panela do manjar quando ele termina de sair do fogo, do que da sobremesa pronta. Coisa de disputa infantil entre irmãos. Desde que quem fazia o manjar era minha avó e depois a minha mãe, sempre houve uma concorrência para saber quem ficava com a panela ainda quente e as sobras deliciosas daquele mingau incrível. 


E a cena, invariavelmente, conta, até hoje, com a frase orgulhosa da minha mãe cozinheira, diminuindo o poder da alquimia que ela faz quando prepara a receita:

- Que bobagem brigar para raspar a panela,  é só um mingau de maisena!

Mas não é.

O manjar varia de tamanho conforme o número de pessoas que vai comer, mas nunca é pequeno porque tem que sobrar para aquele momento gula da tarde e, de preferência, para um dia ou dois depois quando o branco do doce já tem uma cor de rosa, já que ficou embebido um tempo na calda adocicada do vinho tinto. Fica ainda mais gostoso e, em geral, está bem gelado. Mais que no dia que é feito e servido.

Como falei de um casal de sobremesas - manjar e pudim - uma dica interessante para conhecer o paladar desses doces de uma maneira inusitada é colocá-los no mesmo prato e deixar que se mesclem ou se complementem. Neste caso não é heresia, só gordice familiar. Dá super certo. A calda do manjar enobrece o sabor do pudim, deixando-o mais leve já que a caçarola não é um doce com calda rala, mesmo sendo feita em assadeira caramelizada com açúcar derretido. O caramelo fica bem escurinho e denso. Não tem nada a ver com o pudim de leite condensado, só o formato.

De criança eu só comia o miolo do pudim, ou melhor, da caçarola italiana. A parte mais doce e molinha. Depois arrisquei comer as bordas mais escuras e durinhas que são a parte onde  o caramelo se une com a massa. Tempos depois, as ameixas no vinho me conduziram até o manjar. Hoje entendo o expressão "manjar dos deuses", porque como ambos. Muitas vezes, juntos. 

Na casa da minha avó havia um lugar, um quartinho de passagem da cozinha para a porta de dentro do banheiro, onde havia uma prateleira debaixo da janela na qual se guardavam as panelas. Quando a caçarola italiana saía do fogo, até que chegasse a hora de servir, o que podia acontecer no dia seguinte ao que tinha sido feita, ficava guardada ali. Aquele doce exalava um cheiro tão incrível que justificaria uma das crianças atacá-lo antes da hora. Não me lembro de ter acontecido nenhuma vez. Essa é a prova de que era uma casa com mais meninas que meninos, porque, quase sempre, os moleques são mais gulosos e endiabrados. Nós éramos quatro netos, mas só um menino. No fundo, a verdade é que fomos crianças bem comportadas e sempre soubemos ouvir "nãos".

A família continuou com mais mulheres que homens. Meus sobrinhos são cinco, mas só um rapaz. Dá até pra imaginar o quanto ele tem chance de abrir a boca, não? O mulherio fala que não para. Quando o Gabriel era pequeno, uma vez, atordoado com tanta falação, ordenou em alto e bom som um "cheeeeeeeega" e levou as mãozinhas às orelhas tentando não ouvir mais nada. Por um segundo houve silêncio. Não mais que um segundo, eu garanto!

Na cozinha da minha mãe, a gente fala muito. Conta causos, reflete sobre política, conta o enredo da novela ou divide o capítulo que a outra não assistiu. São longas e intermináveis conversas. Eu tenho esse enorme privilégio porque sempre fui a assistente mais frequente da minha mãe na cozinha.

Por isso, sei, graças a Deus, como ela faz o manjar. 


Manjar Branco

Ingredientes 

Massa do manjar
1 1/2 litro de leite
1 vidro de leite de coco
2 xícaras (chá) de açúcar
6 colheres (sopa) de amido de milho - bem cheias

Calda
1 1/2 xícara de vinho tinto
4 colheres (chá) de açúcar
água
ameixas pretas com caroço

Modo de fazer: 

Ponha o leite para ferver, acrescente o açúcar e o leite de coco. Quando levantar fervura, acrescente o amido de milho dissolvido numa pequena reserva do leite. Mexa sem parar. Quando começar a engrossar, continue mexendo para que não grude demais no fundo da panela. Serão cerca de 5 minutos para o cozimento da maisena. Desligue o forno e despeja numa forma de buraco molhada com ameixas distribuídas no fundo.  Deixe endurecer por cerca de 2 horas ou até esfriar. Desenforme no recipiente em que vai servir. Deve ser fundo o suficiente para que a calda que será colocada por cim não derrame. 
Para fazer a calda, junte todos os ingredientes numa leiteira e leve ao fogo, até dar ponto de calda. Depois de fria, derrame sobre o manjar. 

Dica: De preferência, deixe na geladeira e sirva no dia seguinte. 

Na sua casa deve ter uma comida que se repete por que é preferência geral, não tem? Eu gostaria de conhecer a receita e, até mais que isso, o segredo da tradição.  Por que você não me manda? Eu adoro as histórias de comida, em especial porque elas têm emoções contidas que as fazem ser muito mais que saborosas. São mágicas, têm o poder de abraçar a alma da gente e enternecer nossos corações. Para mim, são manifestações de amor puro, genuíno.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Malas prontas

Na semana que vem, quarta-feira, embarcamos de férias para a Holanda e Alemanha. 

Toda e qualquer viagem exigem planejamento, mesmo que seja uma preparação mental, interna. De você para você. É preciso abrir o coração para o que virá de novo, porque não há viagem sem novidade, sem situações diferentes às do dia-a-dia.  

O Silas e eu somos completamente viciados em viajar, mas nem assim deixamos de nos surpreender em cada nova empreitada que inventamos, seja num bate e volta para uma cidade próxima a São Paulo, uma aventura de fim de semana ou durante férias longas, como as que teremos agora em julho. 

Minha colega Lilian Liang, quando trabalhávamos juntas na revista Update da Amcham, lá no início do século, em 2001 e 2012, dizia que esse vício é o vírus inoculado por um bichinho chamado travel bug, ou o inseto da viagem. Se ele picar, bye, bye, você estará infectado para sempre! 

Até hoje na minha vida, conheci poucas pessoas que não gostam de viajar. Preferem o conforto do que é conhecido e amam a rotina. Meu pai era uma dessas pessoas. No entanto, numa certa ocasião, meu tio precisava buscar uma camionete que ele havia mandado colocar cabine dupla no sul do Brasil e chamou meu pai para acompanhá-lo. Eles ficaram viajando cerca de cinco dias, eu acho. Foi suficiente para meu pai nunca mais deixar de falar daquele acontecimento da vida dele. E os olhos brilhavam quando lembrava das estradas, das lindas gaúchas que ele viu num hotel em que ficaram e estavam hospedadas candidatas do concurso de miss Rio Grande do Sul. O travel bug não o picou. Meu pai não se tornou um viajante, mas ele foi definitivamente modificado por aquela experiência. Era como um sonho real ao qual ele podia recorrer sempre que queria se sentir feliz. 

Quando trabalhei na Sabesp em 2009, conheci um amigo queridíssimo, o Rodolfo. Ele é muito especial, uma das pessoas mais inteligentes que conheço, devo a ele muito do que sei sobre saneamento, sistemas de produção de água e tal. O Rodolfo odeia viajar.  Como o conheço e o amo, é um amigo e tanto, entendo e aceito os argumentos dele, mas, sinceramente, pra mim, é surpreendente que alguém não goste de ver e experimentar in loco culturas diferentes. É o jeito de cada um. Respeito. 

Como o assunto hoje é a preparação, especialmente para uma viagem de férias em outro país, há muito em que pensar e providenciar. Alguns dias atrás, falei do passaporte. Neste caso, um item indispensável. Mas longe de ser o único, como ele  muitas outras providências devem ser tomadas para que a viagem seja melhor aproveitada. A seguir, listo algumas providências que, caso você não tome, vai, no mínimo, ter prejuízos, pagar multas e se sentir  culpado em algum momento. 




- Documentos: vistos e  passaportes válidos
- Dinheiro: providencie o câmbio de moeda e cartões de crédito ou saques internacionais
- Passagens
- Seguro viagem
- Malas ou mochilas - devem ser adequadas ao tipo de viagem e à sua capacidade de carregar, bem como ao peso permitido pela companhia aérea
- Roupas adequadas aos programas que fará e ao clima do local
- Sapatos, idem às roupas
- Protetor solar!!!
- Necessárie (sabonete, shampoo, cremes, escova e creme dental)
- Primeiros socorros -  inclua comprimidos para dor de cabeça e para enjoo, nem sempre é possível comprar remédios como no Brasil, depende do seu país de destino
- Guias e informações sobre os lugares que vai visitar. Caso esteja numa excursão, você estará assistido nesse quesito. Do contrário, estudar o que fazer com antecedência poupa um tempo precioso da viagem 
- Roteiro - é bom para quem viaja e pode ser deixado com alguém da sua confiança, caso imprevistos ocorram e você precise ser acessado
- Máquina fotográfica
- Telefone celular - roaming internacional, ligue na operadora e pergunte tintim por tintim o que você tem que fazer, quanto vai pagar e aprenda como proceder antes de embarcar
- Operadora do cartão de crédito - informe a viagem para evitar que a operadora não libere alguma compra devido a mudança do perfil de compra. O seu cartão de crédito, muitas vezes, sabe mais do seu comportamento de compra do que você imagina!
- Reservas de hospedagens (ao menos no dia da chegada, se não fizer, vá preparado para ter algum stress)
- Se você tem  um bicho de estimação,  com quem ele vai ficar? Ou você vai levar? Que regras devem ser seguidas para que o animal possa ser transportado? 
- Suas contas mensais estão todas em débito automático? Caso não, como fará para pagar?
- Se é mulher, marcou depilação, manicure, cabeleireiro ou vai viajar de qualquer jeito e cuidar de fazer isso onde estiver? Os dias correm e as unhas e pelos crescem.
- Durante os dias da viagem, a sua casa vai ficar fechada? Quem vai cuidar das plantas? 
- Vai a casa de amigos? É delicado pensar em levar regalos para os seus anfitriões. 
- Pretende alugar carro ou bicicleta? É bom dar uma olhada na internet para conhecer as opções existentes e quanto custam
- Transporte para o aeroporto: taxi, carro (providencie estacionamento para o veículo, caso não tenha motorista), metrô e ônibus

Já tem muito o que providenciar só com esses itens, não?  Outras providências dependem, claro, de cada um. De qual é o seu trabalho e quantos dias tem de férias, por exemplo. 

Ah! Esqueci de sugerir: leve um livro para ler durante a viagem. Depois me conte o que aconteceu. 

Uma coisa que parece meio absurda e que ninguém gosta de pensar é que viagens têm risco, inclusive de morte. Deixar cópias de documentos, números e senhas em local que possam ser encontrados por alguém de confiança em casos extremos é uma decisão consciente. 

Enquanto escrevo o fim desse texto, já voltei várias vezes para acrescentar mais itens na lista. É melhor parar por aqui. 




A partir da semana que vem, devo escrever o blog com assuntos da viagem. Pode ser que em alguns dias não seja possível escrever. Mas vou me esforçar, já que, pra mim, isso aqui é mesmo uma grande viagem!!!

Um beijo, mande um cartão postal quando viajar! ihhhh que fora de moda! rsrs

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Ora, ora... que humor disfarçado de mau gosto e preconceito

Nunca gostei muito dos Simpsons, essa é a verdade que tentei não declarar para não parecer um extraterrestre.  

Ontem, meio sem querer, vi o episódio Blame It on Lisa, traduzido aqui como O Feitiço de Lisa, produzido em 2002, quando a família de Homer vem ao Brasil à procura do menino Ronaldo, um apadrinhado à distância pela menina inteligente e de bom coração do seriado. 

Lembrei-me que na ocasião, o desenho não foi bem visto pelas autoridades brasileiras que chegaram a pensar em processar a Fox por tamanha aberração. Na época me pareceu um tanto exagerada a preocupação de membros do Governo do Brasil com o episódio e sua repercursão em relação à imagem e ao entendimento do telespectadores de todo o mundo sobre o que é esse país. Agora, eu já não vejo assim. Talvez porque eu esteja embuída da verve da Copa do Mundo no Brasil. Será? No fundo, apesar de tudo, eu tenho mesmo orgulho de ser brasileira e o que vi retratado como Brasil no desenho é tão repugnante pra mim que resolvi não me abster de escrever o que penso. 

Primeiro, eu me manifestei no facebook e acabei tendo, no meu post, alguns comentários de pessoas cujas opiniões eu respeito muito que sentiram o mesmo que eu ao assistir o tal desenho animado. 




Então resolvi fazer uma pesquisa na internet sobre os Simpsons no Brasil e acabei descobrindo, uma vez que nunca fui muito ligada nisso, que agora em 2014, eles novamente criaram um episódio que se passa em terras tupiniquins e durante a Copa do Mundo, na qual o exemplo de hombridade e retidão de caráter Homer Simpson é um juiz de futebol. Assisti e posso declarar que é bem menos ofensivo que o de 12 anos atrás. 

O que vi ontem é de tamanha barbaridade que não dá pra deixar pra lá.  Há uma passagem em que a mãe de alguns garotos trombadinhas distrai Homer para que a sua renca de filhos possa assaltá-lo, depená-lo. Lamento, mas não consigo abstrair e ver algum tipo de humor nisso. Em outro momento, o professor de dança de uma Samba School insinua que menina Lisa já tem idade para gostar de uma dança pra lá de sensual e há uma chocante insinuação sobre prostituição infantil que, convenhamos, é tudo que é preciso combater em qualquer instância. 

Isso é humor? É criativo? Ninguém precisa me dizer que senso de humor a gente tem ou não tem, mas nesse caso, não se trata de ironia, exacerbação de uma realidade, a mim me parece mesmo preconceito e irresponsabilidade.  

E a próxima pergunta é: a troco de quê? A troco de muitos milhões de expectadores, muita curiosidade diante da bizarrice e de muito dinheiro, realmente muito patrocínio nos intervalos. 

Li que o episódio foi visto por 11 milhões de pessoas somente na exibição original. Dá pra imaginar depois... e o que nem dá pra imaginar o que isso significa em dólares rendidos. O roteirista Bob Bendetson por pouco não foi premiado devido a sua "criativa ironia" quanto ao Brasil.  Além disso, esse episódio dos Simpsons virou tema de debates acadêmicos tanto aqui quanto nos Estados Unidos. 

Segundo os estudiosos, há muita erudição nesse capítulo da série, com referências cinematográficas geniais e trocadilhos muito inteligentes. Além de uma vasta semiologia que, caso o episódio fosse exibido em TV aberta no Brasil, geraria uma discussão filosófica que somente poderia agregar ao povo brasileiro. Ora, como nos tomam por idiotas. É como se todos fôssemos Homers. 

Quando me referi aos muitos patrocinadores dos intervalos, só pra ter uma ideia, apenas no episódio de 2014, na internet há 4 interrupções para que entre a propaganda da Decolar.com. É bom lembrar que na internet, caso você queira, pode pular o comercial, o que não ocorre na TV, muito menos nos canais abertos. 

A minha indignação tardia, é verdade, se deve ao profundo preconceito maquiado que um desenho como esse, que ninguém se sente no direito de dizer que não gosta, como eu disse no começo, para não parecer um pária inculto e rabugento, isso se não for acusado de ser um "direitona" sem humor, leva ao mundo todo. Afinal é tão bacana e legal gostar de um anti-herói como Homer.  É tão cool! Ora, vai se catar! 

Esse blog me dá a chance de confessar o meu fracasso em compreender essa lógica dos engraçados e enturmados. Confesso: não sou capaz de ver graça. Para mim, é melhor ser mesmo bonzinho. Eu acho mais bonito. Eu gosto dos heróis e sonho com um mundo melhor, menos injusto, menos preconceituoso, mais amoroso. Tô fora desse tipo de subterfúgio pseudodivertido. 

Detestei os episódios dos Simpsons no Brasil. Eles poderiam nunca mais vir nos visitar já que somos mesmo macacos! 

Pra mim, a única personagem que serve no seriado é a tola Lisa.  Ela estuda, se dedica e acredita em grandes ações. Seja bem-vinda Lisa Simpson! 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Raspas e restos...

Acabo de almoçar uma sobra muito saborosa de comida: risoto de bacalhau. 

Nesses dias de festa de Copa do Mundo e feriado prolongado é quase uma regra: a comilança é generalizada. Como as refeições meio que emendam umas nas outras, isso quando não atravessadas por belisquetes e aperitivos, é mais difícil calcular as quantidades certas. O resultado é sobra, que muitas vezes pode ser muito bem aproveitada, transformada ou, simplesmente, vira comida francesa: reston dontê ou jatevi (respectivamente, "resto de ontem" e "já te vi", em outra refeição). 

Por sorte e para minha alegria hoje encontrei na geladeira uma tigelinha devidamente fechada com pouco mais de uma porção do risoto de bacalhau que fizemos no fim de semana. Aquecido no microondas, foi um almoço perfeito já que estou sozinha em casa, esperando pelo jogo entre Itália e Uruguai - ui! eletrizante, que jogo vai ser esse!

Por falar em jogo, ontem ganhei novamente o bolão do jogo do Brasil. Reunimos os amigos aqui em casa e foi uma grande diversão. No intervalo entre os dois tempos do jogo, todos os palpites masculinos já estavam desclassificados do bolão. Só as mulheres poderiam ganhar. E eu fui quem apostou no melhor resultado para o Brasil. Deu certo. 




Voltando ao risoto, a receita é muito simples, mas fazer risoto exige cuidado e nem sempre a gente acerta nas primeiras vezes. Entre as características do bom preparo do risoto eu diria que ele precisa ficar cremoso e ao mesmo tempo al dente, os ingredientes devem ser muito bem pensados e combinados entre si sem que um sabor se sobreponha demais ao outro, o uso do vinho requer boa qualidade para não desandar a receita e o caldo é de extrema importância para dar sabor e atingir a textura perfeita.  Apesar de tudo isso, essa é uma produção que vale a pena, porque faz bonito acompanhada de uma carne ou peixe, servida sozinha somente com um vinho, depois de uma entrada ou de um simples aperitivo ou uma salada. 

A primeira vez que comi um risoto foi na Itália, em Veneza, na casa de um casal de amigos, Edu e Marguerita. Eu já tinha 27 anos e, embora eu seja descendente de italianos dos dois lados, o que chamávamos de risoto na minha casa era o arroz de forno, aquele feito com frango, sardinha ou carne moída, em molho de tomate e no qual é polvilhado ovo cozido picadinho. Uma delícia, mas não é risoto. 

Esse de bacalhau que faço é bem fácil e funciona bem mesmo que seja feito com aquele peixe tipo bacalhau que custa mais barato e, portanto, dá pra ser usado em dias normais. Vamos ao preparo. 

Risoto de Bacalhau 

Rende 4 porções

Ingredientes
600 gramas de bacalhau dessalgado 
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
1 cebola média picada
1 dente de alho amassado
1 xicara de azeitonas verdes e pretas picadas 
1 1/2 xícara (chá) de arroz arbóreo
1 cálice de vinho branco
água para cozinhar o bacalhau
1 colher (sopa) de manteiga sem sal
100 gramas de queijo parmesão ralado

Modo de fazer
Cozinhe o bacalhau em água fervente por 5 minutos. Separe o bacalhau e reserve a água que será usada como caldo para o preparo do risoto. Refogue o bacalhau com a cebola e o alho no azeite, acrescente as azeitonas e o arroz arbóreo. Deixe que o arroz estale um pouco antes de despejar o vinho na panela. Sinta o cheirinho... ai como é bom!  Quando secar, acrescente a água do bacalhau aos poucos até que cozinhe por completo e atinja o ponto al dente. Quando estiver prestes a secar a última água colocada no preparo, acrescente a manteiga, mexa até que derreta, junte o queijo ralado e tampe a panela por pelo menos 3 minutos antes de servir. 

O risoto é um arroz que deve ser mexido durante o preparo. Isso deve ser feito com cuidado para não danificar os grãos e nem quebrar demais o recheio. Eu sugiro fazer assim: ponha o caldo no centro da panela, bem no meio do arroz, e vá trazendo os ingredientes que estão nas laterais da panela para o centro de modo a se hidratarem também. 

Esse preparo leva mais ou menos 25 a 30 minutos para ficar pronto. Isso sem contar o tempo para dessalgar o bacalhau. 

Se o risoto passar a ser um preparo frequente entre as suas receitas, pense em comprar uma panela wok, caso não tenha. É ótima para esse fim. 

Nosso risoto deste fim de semana foi servido com vinho tinto Cabernet Sauvignon. 

Como contei no começo, hoje comi o que restou do risoto. Esquentei no microondas com uma colher de água porque estava na geladeira e a água ajuda no aquecimento. 

É preciso ter cuidado com as comidas que são guardadas depois de prontas. Para armazenagem é preciso levar em conta o tempo em que ficará exposta a comida antes de ser guardada, a temperatura e o recipiente em que será colocada. Há alimentos que não servem para ser congelados. Mesmo na geladeira os alimentos se deterioram. Confie no seu olfato antes de comer. Se o cheiro não estiver como o da comida fresca, descarte. Intoxicação alimentar é algo muito perigoso e pode até matar. 

Apesar da comida italiana, torço para o Uruguai no jogo de hoje. Quem será que vai passar para as oitavas?? 



segunda-feira, 23 de junho de 2014

Doação de sangue

Quem nunca doou sangue não sabe a satisfação  que esse ato causa no doador. 

Há  cerca de 10 dias,  recebi um telefonema da Fundação Pró-Sangue me pedindo para comparecer mais uma vez para doação. Segundo o rapaz que me ligou, os estoques estão muito baixos e nesses períodos festivos como o que estamos vivendo com a Copa do Mundo no Brasil, é  mais difícil conseguir doadores e a necessidade de sangue não baixa, ao contrário, tende a aumentar. 

Não sei precisar ao certo quando foi a primeira vez que doei sangue, deve fazer mais ou menos uns 10, talvez 12 anos.  Mas como não sou regular nas doações, meu histórico de doadora deve, juntando Hospital das Clínicas e Einstein, constar umas 15 ou 16 contribuições. 

Houve um tempo em que mantive a regularidade que, para mulheres prevê um intervalo mínimo de 90 dias, ou seja, nos últimos 12 meses só é possível ter doado três vezes. Para homens, o intervalo é de 60 dias, sendo autorizado, no entanto, 4 doações por ano. Homens doam maior quantidade, em volume de sangue, que mulheres. Isso porque mulheres normais perdem sangue mensalmente. De modo que a reposição não é igual à do organismo masculino. 

Desde que me ligaram da Fundação, todos os dias, em algum momento, eu pensava que tinha que ir doar. Especialmente, ontem, pensei muito nisso.  Como agora faltam menos de 10 dias para minha viagem de férias, eu decidi que devia fazer isso o mais breve possível. 

Acordei de manhã e fui à aula de ioga já muito disposta a na sequência ir para o hemocentro do HC. Foi o que fiz. No caminho eu ia pensando que hoje, dia de jogo do Brasil, segunda-feira, estaria vazio. Na minha cabeça seria eu e o pessoal da coleta. Que nada! 

Ao chegar, fiz a primeira triagem, fui para o teste de anemia e a medição de pressão e peso. Minha senha era número 62. Ao olhar no painel, vi que estava no número 54. Ou seja, havia pelo menos, embora a chamada não seja pela ordem, oito pessoas na minha frente.  Não demorou mais de 15 minutos, fui chamada e passei pela entrevista que conheço há muito tempo. 

Essa entrevista, para muitas pessoas, é bem constrangedora. Há gente que se constrange porque as perguntas que são dirigidas ao doador trata de coisas como o número de parceiros sexuais que você tem, se transa só com o seu marido ou esposa, se você usa drogas injetáveis, se esteve em áreas de risco de malária, se teve hepatite, sífilis, e se pensa que está com Aids, por exemplo. Isso porque há pessoas que querem fazer exame de HIV e usam o sistema de doação para não pagar pelos testes.  

Posso garantir que isso é um grande equívoco. A doação precisa ser segura e a segurança do sangue começa com o comportamento e, principalmente, a honestidade do doador. Pra mim, é um ato de amor e de muita responsabilidade. Alguém que está doente ou acidentado e precisa usar o banco de sangue não está em condições de correr mais riscos. Isso depende da qualidade do sangue, desde a saúde do doador até como esse produto é manipulado, reservado e de seu devido uso, claro.

Nos dias em que faço a doação eu me sinto útil. Sei que uma bolsa (490 ml) de sangue pode ser decisiva frente a uma situação crítica de um paciente. 

Aprendi que o sangue doado é completamente usado, dele nada se perde. São feitas separações do soro, plaquetas, hemácias, enfim, dos compomentes desse líquido que corre nas veias de todas as pessoas. 

Muita gente não sabe que em aproximadamente sete dias todo o sangue doado, na medida permitida para retirada, é completamente reposto no organismo e não causa nenhum dano à saúde do doador. Exceto se ele já estiver debilitado antes da doação, por isso é preciso ser absolutamente sincero na entrevista, para a sua própria segurança como doador. 

Quem fez a coleta do meu sangue hoje de manhã foi um rapaz chamado Diego. Ele foi, como são todos os profissionais que coletam sangue na Fundação Pro-Sangue, muito educado, eficiente e gentil comigo. 

Conversando com ele, comentei que havia muita gente doando. Todas as posições de doação (as poltronas reclináveis onde nos sentamos/deitamos durante o processo) estavam tomadas. Eu disse a ele que havia recebido um chamado por telefone para doar. Fiquei muito surpresa quando ele me falou que era porque hoje é dia de jogo. Pensei, uau! Que bacana! As pessoas têm consciência de que os estoques precisam aumentar para atender pessoas necessitadas. Ele então riu de mim e explicou que há tanta gente doando em dias de jogos devido ao atestado médico que as pessoas recebem que as isenta de trabalhar. 

Cara! Fiquei perplexa. Como sou ingênua.  Há quem doe sangue para poder faltar do trabalho sem ser descontado. E eu que estava lá voluntária de coração, feliz pela minha decisão de doar, me senti tão bobinha. Eu jamais teria pensado nisso. Mas assim é a vida. 

O que importa de toda forma é que os estoques subam. Porque vai ter gente precisando. Sempre tem. 

Perde quem não faz por amor. Porque amar só faz bem pra saúde. Eu sou muito feliz por ser doadora. 

Então, como diria a Fundação Pró-Sangue, obrigada por sua doação. 






Serviço

Requisitos básicos para doação

  •  Estar em boas condições de saúde.
  • Ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos (menores de 18 anos, clique para ver
  • Pesar no mínimo 50kg.
  • Estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas).
  • Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação).
  • Apresentar documento original com foto emitido por órgão oficial (Carteira de Identidade, Cartão de Identidade de 
  • Profissional Liberal, Carteira de Trabalho e Previdência Social).
Bull Impedimentos temporários
  • Resfriado: aguardar 7 dias após desaparecimento dos sintomas.
  • Gravidez
  • 90 dias após parto normal e 180 dias após cesariana.
  • Amamentação (se o parto ocorreu há menos de 12 meses).
  • Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação.
  • Tatuagem nos últimos 12 meses.
  • Situações nas quais há maior risco de adquirir doenças sexualmente transmissíveis: aguardar 12 meses.
  • » Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Tocantins são estados onde há alta prevalência de malária. Quem esteve nesses estados deve aguardar 12 meses.
Bull Impedimentos definitivos
  • » Hepatite após os 11 anos de idade. *
  • » Evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue: Hepatites B e C, 
  • AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas.
  • » Uso de drogas ilícitas injetáveis.
  • » Malária.
  • * Hepatite após o 11º aniversário: Recusa Definitiva; Hepatite B ou C após ou antes dos 10 anos: Recusa definitiva; 
  • Hepatite por Medicamento: apto após a cura e avaliado clinicamente; Hepatite viral (A): após os 11 anos de idade, 
  • se trouxer o exame do diagnóstico da doença, será avaliado pelo médico da triagem.
 Respeitar os intervalos para doação
  • » Homens - 60 dias (máximo de 04 doações nos últimos 12 meses).
  • » Mulheres - 90 dias (máximo de 03 doações nos últimos 12 meses).
Alô Pró-Sangue: 0800 55 300

sábado, 21 de junho de 2014

Sobremesa de família 1

Tem um casal que nunca falta nas festas lá de casa em Itu. Há quem chame os que nunca faltam de "arroz de festa",  mais ou menos como éramos a Pollyana e eu na época da faculdade. Toda festa, podia contar, que a presença das duas era garantida.

Arroz de festa não é o caso desta vez. Aqui, o casal é de doces de festa e eles se chamam caçarola italiana manjar branco. Este último com calda de vinho tinto e ameixas pretas.

Não me lembro de uma só comemoração de Natal, Páscoa, Dia das Mães  ou de aniversários festejados com almoços de família que não contasse com a dupla, manjar e pudim, para os mais íntimos.  A caçarola italiana é muito parecida com aquele conhecido pudim de padaria. Só que é mais apresentável.

Minha avó Angelina, mãe da minha mãe, fazia sempre.  Agora quem faz é a filha dela, a dona Neuza, e assim a tradição permanece. Cá entre nós, minha mãe faz questão de manter o legado. Mesmo que faça outras sobremesas, lá estão também ambos, os clássicos doces de mesa do clã (como se escreveria na revista Caras) Scalet-Gavioli.  Às vezes, ela diz com muito apelo dramático que enquanto ela for viva, as sobremesas da avó Angelina serão feitas, "depois, acabou!", diz ela.  Ninguém sabe, mãe. De minha parte, espero não ter que fazer tão cedo, que minha mãe viva ainda muito tempo. Pra mim, as mães deveriam ser imortais.

São mesmo doces gostosos e isso  já é motivo bastante para que não faltem na mesa. Mais que isso, eles têm sabor de memória. Tecnicamente, são sobremesas bonitas de apresentar, fáceis de fazer e que custam pouco. Os ingredientes não são difíceis na cozinha de ninguém, nem caros e a preparação requer mais amor que técnica apurada. A dificuldade é que, como todo doce feito por prática, não tem receita definida, não tem ponto, não tem tempo certo de cozimento. O que tem é uma pitada disso, um tanto daquilo e o ponto da calda e o período que leva pra assar são puramente intuitivos.

Deve ter lá seus segredos,  mas para quem faz há tanto tempo, não parece nada secreto. Mas é sagrado! Entre outras coisas, sagradas são as panelas que são usadas desde que o mundo é mundo pra fazer os tais doces. Minha mãe tem uma assadeira de caçarola italiana especifica, ela se tornou isso com o tempo, já que é uma assadeira de banho-maria com furo para assar pudins. Ela só acerta o doce quando faz na sagrada panela.

Quem pede a receita pensa que é pouco caso ou que tem segredo de verdade, mas o fato é que não há mesmo medida certa de quase nada. Se precisar aumentar o tamanho, põe um ovo a mais, se faltar um ingrediente como o queijo ralado, faz sem. Tá tudo na cabeça, com algum improviso se for preciso, e é um aprendizado de mãe pra filha. Os homens nunca se meteram em fazer, diferentemente de outros preparos que meus tios aprenderam e faziam super bem.

Hoje vou compartilhar apenas uma das receitas, porque acho que vale a pena disseminar essa cultura alimentar. Eu já vi esse doce ser feito mais de uma centena de vezes por certo. Na semana que vem, publico a outra. 

Caçarola italiana (pudim)

Ingredientes 

Importante: todas as medidas são caseiras. 

- 5 ovos inteiros
- 1/2 kg de açúcar refinado
- 1 garrafa (medida de garrafa de cerveja) de leite
- 5 colheres (sopa) de queijo mineiro ralado (não pode ser de pacotinho, tem que ser ralado na hora)
- 5 colheres (sopa) de farinha de trigo - bem cheias

Modo de fazer
Bata os ovos com o açúcar, acrescente o leite, o trigo e o queijo ralado. Asse em banho-maria em forma caramelizada com açúcar bem queimadinho por cerca de 70 minutos. 

Esse pudim pode ser desenformado ainda quente.  Depois deixe-o esfriar e, de preferência, sirva no dia seguinte. 



Esse doce fez parte de toda a minha vida. A combinação dele com o manjar branco parece completamente inusitada, mas dá certo. Na semana que vem, eu digo como. 

Bom sábado! Friozinho em Sampa. Tudo de bom. 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Pão: bom, bonito, barato e rápido

Tem um pão que eu sempre faço, desde que descobri a receita no ano passado, que é um sucesso porque preenche super bem os quesitos mais preocupantes de uma receita: é fácil, barato, saboroso e bonito. 

O documentarista Ricardo Dias, atualmente meu professor de cinema, ensinou-nos um princípio que, segundo ele, vem da Economia (embora eu nunca tivesse ouvido falar com essa simplicidade antes em nenhum dos cursos desta área que fiz) e trata do seguinte: não é possível atingir numa equação um resultado satisfatório tendo que juntar tempo escasso, baixo custo e boa qualidade.  O que ele explicou é que, em cinema ou em Economia, não é possível produzir com baixo custo e boa qualidade em pouco tempo. Se você quiser executar rapidamente um filme terá que dispor de mais dinheiro para conseguir atingir um bom resultado.  E assim vai. É só trocar a variável e entender a lógica. Pode ser interessante refletir sobre isso para quase tudo.

Na cozinha, eu venho considerando quatro variáveis: dificuldade para executar, custo, paladar e apresentação. Sei que há uma certa ousadia em dar uma definição assim tão fechada, mas acho que uma comida para ser realmente interessante, isso para o dia-a-dia, claro, não estou falando de produções mais elaboradas, tem que ter alta pontuação em todas essas quatro modalidades. 

Posso garantir que esse pão atinge boa pontuação em todos os critérios. Por isso, vou escrever a receita já com a adaptação que eu fiz. Pode testar. 

Pão caseiro de assadeira



Ingredientes: 

2 ovos médios em temperatura ambiente
2 1/4 xícara (chá) de leite morno
1/2 xícara (chá) de óleo 
1 envelope de fermento biológico seco
1 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo integral
1 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo branco
1/4 xícara (chá) de açúcar refinado
1 colher (chá) de sal refinado
1 pitada de orégano para decorar

Modo de fazer

Bata os três primeiros ingredientes no liquidificador. 
Numa tigela à parte, misture os itens secos, exceto o orégano. Junte o líquido obtido do liquidificador aos ingredientes secos e misture bem. Bata um pouco até formar bolhas na massa. Deixa-a então descansar por 20 minutos exatos. 
Despeje a massa em forma untada e enfarinhada e polvilhe o orégano por cima. Asse em forno pré-aquecido (180 graus) por 30 minutos.  

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Quero dividir algumas observações sobre esse pão. Dependendo da temperatura do dia, a massa vai ficar mais parecida com a de um bolo do que de pão. Não estranhe. Se estiver mais frio, ficará mais dura, mas não é um pão cuja massa precisa ser sovada.  

Se você quiser usar algum recheio na massa como azeitonas, tomate seco ou castanhas vai ficar muito bom e dar um toque especial. Caso, como eu, queira fazer o pão para o café da manhã ou o lanche da tarde, somente use ervas ou sal grosso por cima. Fica ótimo. 

Eu já fiz essa massa e assei em forma de cupcake. Os pãezinhos ficam lindos e muito delicados para levar à casa de amigos juntamente com um bom antepasto. 

A receita original sugere farinha branca, mas eu tenho uma certa fixação pela integral. Fui testando o quanto de cada uma eu poderia usar sem comprometer o resultado e cheguei à medida que escrevi na receita. Não tem erro.



Também testei fazer esse pão com azeite de oliva em vez de óleo. Fica um charme e muito cheiroso, mas a massa ganha peso, o que nem sempre é o objetivo pretendido. Entretanto, se for cortar em pequenos pedaços como os usados para canapés terá excelente resultado, assim como se for servir como entrada ou para acompanhar o couvert de uma festa. 

Simplesmente fácil e mais rápido para fazer do que ir até a padaria e comprar o pão pronto. Muito barato, uma vez que a receita toda não atinge R$ 5, mesmo se feita com azeite que é mais caro que o óleo. Totalmente aprovado em termos de sabor e com uma bela apresentação. Não há quem olhe pra ele e não cobice. Além disso, caso use ervas finas ou mesmo o orégano deixa um cheiro de casa de mãe, ou se preferir, de boulangerie no ambiente.  É chique!


Para uma sexta-feira no meio do feriado, essa pode ser uma boa ideia. Eu fiz ontem à tarde. Dividi a massa em duas formas pequenas de pão. Deu dois pães de bom tamanho. Levei um para a casa da minha sogra e outro comemos no jantar, com sardela, presunto cru, queijo prato, tahine e vinho. Como pode ser ruim? 

Bom fim de semana! 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

19 de junho, dia do Cinema Brasileiro

Coincidências acontecem. Há quem acredite que nada é por acaso, mas essa é uma discussão que cabe mais ao exercício da fé do que da simples observação, que é o que faço. 

Fato é que desde ontem um assunto não me saía da cabeça devido a um filme que vimos durante a aula de direção de documentário. Eu realmente tinha a intenção de escrever sobre o que vi.  Agora pela manhã, coincidentemente, descobri ao abrir uma página do facebook de um colega jornalista que na data de hoje, 19 de junho, se comemora o Dia do Cinema Brasileiro.  Então, ficou decidido que o assunto hoje é cinema. 

O filme O Triunfo da Vontade, da cineasta alemã Leni Reifenstahl, foi exibido pela primeira vez em 28 de março de 1935 e documenta apoteoticamente o 6o. Congresso do Partido Nazista, que ocorreu em Nuremberg, local onde anos depois foram julgados os crimes contra a humanidade cometidos por Hitler e sua patota. 




Interessante é notar os recursos quase ilimitados para a época em que foi produzido o documentário de forma a dar veracidade às imagens e perfeita plástica a seus atores, todos personagens reais do período da Segunda Guerra.  Não é à toa que esse cinema alemão serviu como um dos principais instrumentos de propaganda usados pelo nazismo durante os anos mais nocivos de que tenho informação na História recente. 

Premiado com medalha de ouro na Feira Mundial de Paris de 1937 e condecorado nos Estados Unidos e na Suécia,  esse filme de 114 minutos é, por excelência, uma forte propaganda do Partido Nazista, que serve de modelo até hoje para o que se faz no Brasil em tempos de eleições por publicitários reconhecidos por seu talento, criatividade e, mais que tudo, resultados nas urnas. 

Da euforia à depressão, o documentário dirigido por Leni Reifenstahl na década de 30 está hoje banido da Alemanha, como não podia deixar de ser. 

Eu que nos últimos anos trabalhei no Governo de São Paulo e vi de perto o fanatismo de alguns cidadãos comuns por determinados homens públicos, sem nenhum juízo quanto às atitudes políticas dos que estão nos palanques, acredito na veracidade documental das cenas em que Hitler é adorado por cerca de 30 mil alemães presentes no tal congresso nazista. Mas, o que me assusta no filme são os elementos da comunicação usados para fazer o mundo acreditar numa falácia criminosa como foi o nazismo.  

A cineasta atinge de forma inconstestável seu objetivo de promover aquele sistema político como única saída para a "reconstrução da Alemanha" naquele período. Para isso,  lança mão da perfeita  manipulação das imagens, de recortes às falas das personagens, de som ambiente e música produzidos especialmente para emocionar e dar ares de triunfo absoluto ao nazismo que, como sabemos, se espalhou como pólvora pelo resto do mundo e resultou na eterna vergonha do passado alemão frente à humanidade. 

Por que então são usados os mesmos recursos até hoje para promover políticos nos intermináveis programas do horário obrigatório de propaganda eleitoral no Brasil? Para ter alguns míseros 90 segundos a mais no horário eleitoral de TV são feitos acordos impensáveis entre candidatos que deveriam, por princípio ideológico, estar em polos distintos. Além dos apertos de mãos para as fotos e a ideologia posta no lixo, partidos políticos gastam milhões para editar propagandas  cujo caráter midiático é a função em si, como no filme sobre Hitler.  Isso é muito perigoso, para dizer o mínimo. 

O documentário como gênero cinematográfico se diferencia da reportagem porque, tanto quanto é possível, a reportagem deve prezar pela imparcialidade, buscando apenas os fatos, sem emitir opinião. Já o documentário não se limita a documentar, mas traz a visão do diretor, o que eu chamaria de "o olhar do artista". O documentário é o filho, é a obra de alguém. 

A ideia de refletir sobre o filme O Triunfo da Vontade é que Leni Reifenstahl, conhecida como a cineasta do nazismo, uma vez que ela fez também para o Partido Nacional Socialista Alemão: Vitória da Fé (1933), Dia da Liberdade. Nosso Exército (1935) e Olympia (1936), sempre se safou da responsabilidade de ter promovido o nazismo, usando como justificativa a sua obra como arte cinematográfica na qual ela, profissional, foi inocentemente enganada pela esquisofrenia de Hitler. 

Não cairá nada bem aos nossos publicitários vitoriosos usar a mesma justificativa quando questionados sobre seus métodos para manipular as massas nas próximas eleições. Já passou da hora de mudar o discurso e trabalhar com dados mais reais, menos montados para transformar a realidade efetiva em conto de fadas. 

Ainda que não entendamos profundamente de semiótica em comunicação, nós populares estamos mais atentos à reconstrução dos fatos, dos números e  nas coligações nocivas do que pensam os nossos publicitários quando montam seus estratégicos programas eleitorais para televisão com o intuito engana-trouxas. 

Esses são a reflexão e o recado aos colegas de comunicação que atuam diretamente nas campanhas eleitorais, já que esse é um ano de eleições. 

O resto a gente faz nas urnas. 

Em tempo: A data escolhida para ser o Dia do Cinema Brasileiro se  deve ao dia em que o cineasta italiano Affonso Segretto, em 1898, chegou ao Brasil e filmou a Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro. 

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Direito à felicidade e ao lazer

Meu amigo Luiz França Reis, homem de bom senso e bom gosto, me desculpe a franqueza, mas não posso concordar com seus argumentos sobre os dias de jogos da Copa. 

É preciso fazer a conta, sem dúvida, mas de que vale a vida se não for feita por momentos mágicos e acalorados junto dos amigos e das pessoas que amamos? 

Quantas vezes deixamos de estar com a família e os amigos mais queridos para trabalhar, produzir, gerar recursos? E pra quê? Qual é o nosso grande objetivo se não, volto a dizer, curtir emoções com as pessoas que mais queremos bem? Por que o trabalho é tão mais importante que todo o resto? 

Eu poderia elencar números de vendas de viagens, empregados renumerados só no envolvimento direto das ações da  Copa (sem contar os indiretos), televisores, celulares e serviços de internet,  além de camisetas, bandeiras, vuvuzelas, cervejas, amendoins e muitos outros, mas tudo seria pouco frente às obras que ficam paradas em dias de jogos, às indústrias que não produzem em dias de jogos, ao trânsito que não anda em dias de jogos... Que bobagem comparar! 

Como lembrou Juca Kfouri, na segunda da semana passada, 9/06, no Roda Viva, é sim dever do Estado promover a felicidade e uma das alegrias é o futebol. O congraçamento entre os cidadãos alcançado por uma Copa do Mundo não tem preço, mesmo que ela seja da Fifa! 
“São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. 

O trecho acima faz parte da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) protocolada pelo senador Cristovam Buarque em 07 de julho de 2010 para tornar a busca da felicidade um direito previsto na Constituição Brasileira. 

Basta um olhar um pouco atento e alguma condescendência consigo mesmo para dar valor e compreender o significado do "lazer" necessário a todas as pessoas, ainda que a "elite branca e racista" acredite que isso é só um direito dela e de mais ninguém!   Eu prometi a mim mesma não entrar nessa seara e por aqui interrompo esse tipo de comentário. Foi um deslize, me desculpem.

Eu que não tenho filhos, pergunto quanto custa a um pai ou uma mãe ver sua criança rindo, festejando contente porque está vestindo uma camiseta da seleção verde e amarela na qual se vê estampado o nome de Neymar ou Fred, Marcelo, David Luiz? Por que é assim tão pouco relevante estar com os amigos, ir à festinha do colégio, assistir ao time do Felipão jogar e tão importante atender a qualquer chamado de um chefe dentro de uma empresa ou fora dela? Aposto que o seu telefone celular fica à disposição mesmo que seja tarde... Eu já atendi telefonema de trabalho vindo de uma não sei quem (prefiro não lembrar o nome) no dia da minha lua de mel!!!

Não quero subverter a ordem. Isso nem combina comigo nenhum um pouco. As empresas são muito mais que necessárias somente como provedoras de bens e serviços.  Nelas também criamos relações humanas duradouras, verdadeiras, laços que são difíceis de romper quando somos postos para fora devido aos cortes de despesas e em favor do lucro. Nosso coração fica pequeno, a autoestima tem que ser recuperada muitas vezes com muita terapia e isso não tem a ver com produzir, tem a ver com se sentir cidadão pertencente a um grupo. Não é à toa que nos apresentamos como Fulana da Coca-Cola, Beltrano da Natura, Sicrano da Fedex. Isso nos faz pertencer a uma comunidade na qual somos úteis, temos papéis definidos e nos mostramos como pessoas, muito mais do que como profissionais.  

A Copa do Mundo nos dá, ao menos aqui no Brasil, estejamos empregados ou não, esse senso de pertencer. Participar da festa é uma escolha, faz quem quiser aproveitar a chance. 

Acusem-nos de alienados todos os que estão acima desse ópio. Dele, eu quero a fruta e o caroço. Quero a festa, a alegria e a decepção, se por acaso ocorrer. Mas que seja junto dos que me fazem sentir que sou parte. Enquanto a bola rola a gente consegue, agora pelo Facebook, saber o que estão sentindo os nossos amigos pela rede. Até nisso a gente encontra congraçamento.  

Luiz, meu querido, espero que você repense a sua preferência. Eu lhe diria então: que são três dias úteis tornados "inúteis" (se é que entendi bem a sua argumentação), se os boletos vão chegar de qualquer maneira??  

Trabalhar é bom e enobrece o homem, mas não é um fim em si.  Promover a felicidade é também um dever do Estado em favor do cidadão, mesmo  que seja só enquanto tem pipoca na tigela e gritos de olés nos estádios.  Que a nossa seleção de atitudes deixe um saldo melhor que zero a zero.  



Fotos do Edin Abumanssur que reuniu amigos para ver Brasil e México em sua casa

terça-feira, 17 de junho de 2014

Baião de dois do meu jeito

Tem semana que a gente começa encasquetado com um determinado ingrediente e por mais que pense em outra opção o dito cujo toma a dianteira e entra no prato do dia. 

Eu comecei invocada com o arroz.  Ontem, estava com pressa para fazer o almoço e acabei cozinhando arroz branco para acompanhar uns legumes cozidos na água e salteados na manteiga e carne moída refogada. À tarde, estava com vontade e fiz arroz doce, com uma variação de leite condensado, creme de leite fresco, uvas passas e damascos que ficou bem saboroso. Para o jantar, tranformei os legumes restantes do almoço em complementos da canja já que eu tinha um caldo de frango pronto, e dá-lhe arroz novamente! 

Hoje a ideia era que o arroz não entrasse no cardápio, mas vi um saquinho de feijão fradinho no armário e decidi fazer um baião de dois à minha moda, aproveitando os ingredientes que eu tinha em casa. Uma adaptação na qual a criatividade para a substituição tem que contar com agilidade e um tanto de bom senso, do contrário, sai uma gororoba que ninguém aguenta. 

Procurei uma receita de baião de dois, mas acabei criando mesmo, de memória, um prato que já comi algumas vezes no bar do Biu, ali em Pinheiros, na Cardeal Arcoverde, perto da praça Benedito Calixto. 

Vou contar como eu fiz porque acho que ficou bem gostoso. 

Baião de dois da Clau




Ingredientes
200 gr de feijão fradinho 
1 1/2 xícara (chá) de arroz branco 
2 gomos de linguiça suína cozida na água e esfarelada (fiz isso para tirar os grumos de gordura)
200 gr de carne seca desfiada
1 cebola grande cortada em rodelas finas
100 gramas de abóbora cabotia cortada em cubinhos com casca
100 gramas de pimentão verde cortado em cubinhos
150 gramas de manteiga sem sal (substituta da manteiga de garrafa)
salsa e cebolinha a gosto
sal a gosto
pimenta do reino a gosto
50 gr de queijo do reino ralado
150 gr de queijo branco em cubinhos

Modo de fazer:
Cozinhe separadamente o feijão fradinho em água sem tempero na panela de pressão por 20 minutos após a fervura e o arroz em água e sal até ficar al dente. 
Numa panela do tipo wok, leve ao fogo os gomos esfarelados da linguiça,  a carne seca desfiada e a cebola em rodelas. Deixe que esses ingredientes fritem na própria gordura da carne seca e da linguiça. Em seguida, despeje o feijão fradinho cozido, a abóbora e o pimentão. Quando o feijão começar a pegar o tempero do refogado, acrescente o arroz e um pouco de água quente. Acrescente então a cebolinha e a salsa, misture bem e na sequência ponha a manteiga e tampe a panela para que derreta com o vapor. Cerca de 2 minutos depois, abra a panela, misture delicadamente os ingredientes à manteiga derretida e ponha os queijos. Tampe novamente. Antes de servir, corrija o sal e polvilhe pimenta, se desejar. 

Essa receita serve quatro pessoas se todas comerem bem.  É uma refeição completa, embora não tenha verduras acompanhando. Eu serviria, caso tivesse em casa no momento, com uma couve cortada bem fininha cozida no vapor.  O tempo total de preparo foi de 50 minutos, incluindo a mesa posta, um suco de maracujá, abacaxi e maçã  e toda a louça lavada antes de sentar à mesa. Mais rápido que esperar mesa em restaurante em dia de jogo do Brasil em Copa do Mundo, como hoje. 

Como viram, o arroz branco está em todos os meus pratos dessa semana até agora. Fazia tempo que eu não comia, acho que estava com saudade. Espero não ter cometido uma grande heresia com os pratos de baião de dois tradicionais. Essa foi uma adaptação aceitável. 

Minha querida eterna vizinha favorita Prislaine pediu a receita do bolo de abobrinha. Prometi publicar hoje, mas sucumbi ao baião. Mando pra ela por email e publico outro dia. 

Bem longe de comida mexicana, espero que a brasileira feita hoje dê sorte para a seleção canarinho. Brasil versus México, hoje, às 16 horas.

Boa sorte pra nós!