domingo, 31 de agosto de 2014

Doce brasileiro que todo mundo gosta

Qual é o doce que todo brasileiro gosta, não pode faltar nas festas de aniversário, batizado e casamento e supre aquela vontadezinha que surge de doce no meio dia como nenhum outro?

Não é dificil a resposta: brigadeiro, oras!

O docinho é tão aclamado que quase todo mundo sabe fazer. Ele é o preferido das meninas-moças que, quando se juntam na casa de uma das amigas da turma quase sempre é comido de colher. Quem é que quer esperar esfriar e enrolar para comer depois afinal? Isso já ocorria quando eu era menina e aconteceu com todas as minhas sobrinhas. É líquido e certo. 

Nos últimos tempos, em que tudo é gourmet, brigadeiro também se tornou requintado.  Deixou de ser feito com nescau ou toddy e margarina e as receitas agora são com chocolate do padre e manteiga. O resultado não é o mesmo, evidente. A qualidade do ingrediente reflete diretamente no resultado do produto, quanto a isso não há dúvida. 

Tenho tanta história de brigadeiro pra contar que precisaria de um livro se me arriscasse a dizer detalhes. Então queria propor uma brincadeira, do tipo concurso. Quem tiver uma história boa sobre brigadeiro pra contar, manda e eu publico. Quem sabe a gente não consegue tantas que vira um livro? rsrs

Só de memória breve, me lembro de um aniversário da Giovana que a Cris, minha irmã e mãe dela, fez brigadeiros que ficaram tão duros, tão duros, que só puderam ser chupados como porque viraram balas daquelas mais que puxa-puxa ou quebra-dente. O sabor sempre é bom. Como diria o cunhado de uma grande amiga minha, o Carlinhos,  com todo aquele jeito interiorano e amável que ele tem, "também como é que não vai ficar bom? Tem leite condensado, tem chocolate, tem manteiga... "

É isso mesmo, como é  que não vai ficar bom? 

No sul do Brasil, o brigadeiro é chamado de negrinho. Diz a lenda, segundo pesquisa, que o nome brigadeiro surgiu nos anos 40, em tempos de campanha eleitoral, em homenagem ao então candidato o Brigadeiro Eduardo Gomes, um militar que queria ser presidente da república. Um grupo de fãs do candidato em São Paulo criou um doce feito de leite, açúcar, ovos, manteiga e chocolate, o negrinho, que era vendido a fim de ajudar a arrecadar fundos para a campanha. Dá para imaginar quantos doces teriam que ser vendidos para arrecadar dinheiro para as propagandas eleitorais atuais? As doceiras teriam trabalho em fim! 

Para concluir a história do batismo do negrinho como brigadeiro, isso aconteceu porque os demais candidatos começaram a fazer graça com o concorrente e dizer que as pessoas iam comer o "docinho do brigadeiro". Embora o militar não tenha vencido a eleição, o doce ganhou o nome de brigadeiro. Alta patente merecida na hierarquia das guloseimas, vale dizer. 

Doce bem brasileiro, o brigadeiro tem hoje uma família grande. São seus parentes os beijinhos de coco, os cajuzinhos de amendoim, um tanto fora de moda atualmente, o bicho-de-pé (que é cor de rosa, feito com gelatina) e toda sorte de sabores como café, capuccino, paçoquinha, milho, chá verde, capim santo, pistache, queijo e dá-lhe mais de 70 invenções. Como requer um preparo simples, a criatividade comanda a variedade existente e sempre tem alguém inventando uma nova combinação e conseguindo um sabor diferente. 

Além disso, o brigadeiro também tem as variações quanto à textura e ao ponto de cozimento. Há quem prefira mais macio, outros que o doce esteja enrugado, ou seja, com mais com "pelotinhos". Assim como, tem os que gostam mais molinho para comer de colher e os que preferem enrolados mesmo. O doce também é usado em cobertura de bolos e tortas ou como recheio em diversas sobremesas. Não tem muito erro. 

O modo de fazer não difere muito quando se trata de levá-lo pra panela, mas a receita já foi super bem adaptada para o microondas. 

Como qualquer preparo, o brigadeiro, embora fácil, tem lá seus segredinhos. Conforme a gente vai fazendo, repetindo a receita, ganhando experiência, descobre o ponto certinho, o tipo de panela mais adequado, quando aumenta ou diminue o fogo e se já pode interromper o cozimento ou não. Ainda tem aquelas coisas que nem dá pra ensinar, porque a gente sente e só. O cheiro do ponto, por exemplo. É algo parecido com o cheiro da comida com sal ou insossa. Há quem saiba se já foi posto sal na comida, sem olhar pra ela e sem experimentar também, só pelo odor. 

Muito bem. Como hoje é domingo, a chuva deu o ar da graça lá fora, graças a Deus (espero que chova a semana inteira sem parar e na cabeceira da represa), vou parar por aqui, deixando o convite para que você me mande a sua história de brigadeiro. Pode ter foto também, se quiser.  Prometo que vou olhar tudo com carinho e publicar bem bonitinho. 

Outras muitas delicadezas para transformar o brigadeiro em um doce gourmet poderiam ser contadas aqui. Mas eu só faço isso, se receber, no mínimo 10 histórias. Combinado? 

Por enquanto, divido só a receita que faço desde criança. 







Receita básica de brigadeiro

Ingredientes
1 lata de leite condensado
1 colher de sopa de manteiga ou margarina
4 colheres de chocolate em pó ou achocolatado

Modo de fazer
Leve todos os ingredientes para o fogo, mexa sempre até desprender do fundo da panela. Despeje o conteúdo em prato untado com manteiga ou margarina. Deixe esfriar e enrole em formato de bolinhas. Passe pelo chocolate granulado e ponha em forminhas para servir. 


Que a nossa semana seja doce e alegre! 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Eu achei o MoDi

A alegre surpresa de uma visita anunciada alguns dias antes da Maria, amiga querida  carioca, em São Paulo, tornou-se ainda mais agradável porque decidimos, ela e eu, ir ao restaurante MoDi, na rua Alagoas, ao lado do Parque Buenos Aires, em Higienópolis. 

A sugestão foi minha porque já há alguns meses eu planejava ir ao restaurante, desde quando o descobri num domingo de manhã passeando pelas imediações do parque. Só que na ocasião, havíamos acabado de sair de um super breakfast em casa. A fome só viria, portanto, horas depois. Mas mesmo naquele dia, eu já achava que tinha feito um achado!

De uns tempos pra cá - não sei se foi o meu bolso que ficou mais vazio - ir a restaurantes em São Paulo ficou muito caro. Você pisa no lugar, especialmente se for uma dessas casas do tipo boteco, pede um chopp, divide uma porção das mais baratas, e deixa no lugar, brincando, R$ 40.  Fora o estacionamento ou o guardador de carros. Então, quando você descobre um lugar, que é bonito, bem localizado, que tem um astral descontraído e um cardápio enxuto e honesto, é um achado, sim! 

Dá até medo de contar pra muita gente porque assim que o lugar cai nas graças do público, a casa vai ficar lotada, a fila vai aumentar e, obviamente, os preços vão subir, subir, e aí o céu é o limite. Você, então, perdeu o que tinha achado. 

O MoDi fica no piso térreo do Edifício Paquita, o que já um charme. Nesse momento em que os prédios que são construídos estão cada vez mais dentro de altos muros fechados, mas que tem um plano diretor rolando na cidade para que essa realidade mude e haja integração entre comércio de rua e moradores, encontrar uma proposta tão simpática quanto um restaurante que fica em frente à praça e embaixo de um edifício de gente bacana, é sensacional! 




Vale fazer algumas considerações sobre o local: 

Reserva - Eu liguei à tarde para fazer reserva, mas eles não trabalham com reservas. Fui avisada que normalmente às quartas não é muito cheio, mas que no almoço daquele dia a procura tinha sido acima da média. 

Estacionamento - Não tem.

Atendimento - Minha amiga e eu nos encontramos às nove da noite porque eu demorei um pouco para conseguir estacionar (depois de duas voltas, bem em frente ao restaurante, que sorte!). Ela estava com uma mala e já havia pedido uma mesa para duas pessoas para o Leandro. Ele informou que várias mesas haviam chegado por volta de 19h30, de modo que logo vagariam lugares. Enquanto isso, tentou nos ajudar com a mala, embora o lugar não tenha uma chapelaria (nem é a proposta). 

Pedimos para ver o cardápio de drinks e decidimos deixar a mala no carro, ao voltarmos, coisa de dois minutos, a nossa mesa estava pronta. 

Fomos atendidos pelo Rafael, um garoto bom de papo, novinho e descontraído, com quem eu puxei conversa sobre gastronomia. Ele disse que já está na área há sete anos. Soube explicar bem os pratos e na sugestão de vinhos, deu umas escorregadas, mas arriscou bem. Ele, como eu, está treinando, só que um como cliente-critico e outro como pretenso futuro sommelier. 

Dois pontos negativos sobre o atendimento - O rapaz era descontraído e me deixou bem à vontade, mas ele não me levou a sério quando degustei o vinho. Talvez tenha pensado que era jogo de cena sentir o aroma, rodar o copo e provar duas vezes seguidas. Porque uma casa oferece meia garrafa com um preço razoável e o cliente opta por isso, o garçom pode achar que o cliente não sabe o que está pedindo? Eu senti que ele não me levou a sério, mas tudo bem.

Outro ponto foi no momento que chegaram os pratos e um outro garçom veio trazer à mesa. Ele não sabia de quem eram os pedidos e, simplesmente os colocou de qualquer jeito. Não foi legal isso. 

Comida
Couvert - Baratinho, apenas R$ 5 por pessoa, vem com um vasinho de pãozinho caseiro e uma tigelinha de caponata difícil de ser servida naquele tipo de pão. Simpático, mas sem muito gosto. 

Pratos - Ambas pedimos informação sobre o varenique, mas eu não me animei e pedi o tortelli de cordeiro. A Maria foi pela explicação e ficou com varenique sbagliato. 

As massas vieram no ponto e os molhos sem muito detalhes não deixaram a desejar. Ela amou o prato, disse que estava perfeito, em temperatura, textura e no paladar. Eu já não fiquei tão contente. O recheio do meu tortelli era pastoso e o prato não foi servido na temperatura que eu gosto, mais pra quente que pra frio. 
A apresentação era bonita, com mini legumes decorando a massa, que estavam com uma textura muito apropriada. O molho não era nada tão especial. 
Tortelli de cordeiro


Varenique Sbagliato


Mise en place - sem toalhas nas mesas, o restaurante tem uma proposta lúdica com jogo americano em papel craft no qual está desenhado o mapa da Itália e há informações sobre as comidas de cada região. Eu até trouxe pra casa. Bem interessante.  Os guardanapos eram descartáveis de papel branco e os talheres de qualidade boa, os copos da mesma forma.  

Decoração e ambiente - Embora não seja um espaço muito grande e tenha um mesanino, portanto o pé direito é alto, o barulho não é exagerado. O salão estava animado com muita gente falando já que estava cheio, mas nada que comprometesse. 
Na entrada, um bar bem estiloso com banquetas no balcão, lembrando ambientação dos bares das novelas que víamos nos anos 70.  
Para a espera, mesinhas e cadeiras baixas num estilo art noveau, leves, bonitinhas e coloridas, misturadas com outras mais anos 70 também baixinhas. Divertidas peças garimpadas por alguém de bom gosto ousado. 
As cadeiras e mesas de madeira, algumas com opção em frente à parede com sofá. 
O pé direito alto dá muito charme ao local, assim como a grande pilastra revestida de pastilhas com brilho, um toque do passado. 
Ficamos na parte de baixo, numa mesinha com sofá. O casal ao nosso lado estava realmente bem perto, mas nada que pudesse comprometer a nossa proposta de um jantar descolado entre amigas. 


Preço - Como disse no ínicio, bem honesto. Independentemente do meu prato não ter sido incrível, o menu oferece outras opções com preços muito razoáveis. Eu diria, inclusive, baratos para tudo o que envolve um cardápio dessa envergadura. A massa empratada vai de R$ 25 a 44.  

Nosso tempo de permanência foi de 1h30, já com o café. Inclusive o descafeinado eles têm. Não comemos sobremesa porque eu tinha brigadeiros gourmet feitos por mim nos aguardando em casa. A Maria era minha hóspede naquele dia. 


Brigadeiros tradicionais, de café e beijinho


Fomos bem acolhidas, não houve espera, o preço é bom, o atendimento jovem e o local descontraído. Tudo bom. 

Soube enquanto pesquisava sobre o MoDi, que eles oferecem cestas de piquenique como o Kit Comidinhas, que eu criei. Boa ideia! 

Espero que meu achado continue e melhore nos itens que pode melhorar para que eu vá e leve muitos amigos, como fazia em tempos que morava ao lado da Vila Madalena e tinha cadeira cativa em bares da região, porque eram achados. Agora estão perdidos, como é o caso do Genésio, do Filial e do Genial. 

Bom fim de semana. O MoDi pode ser uma boa sugestão para o almoço do sábado, por exemplo. 

Serviço

MoDi 

Rua Alagoas, 475 - Higienópolis - São Paulo 
Telefone: 11 3564-7031 


Kit Comidinhas
Encomende brigadeiros  e alugue cestas de piquenique

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Pérolas

Pode-se dizer que é uma joia rara a atual exposição do Museu de Arte Brasileira da Faap. Com alegria recebi a notícia de que a mostra está prorrogada até 12 de outubro, o que me faz acreditar que as visitas espontâneas têm sido muitas. Não sem motivo porque quem foi deve ter se encantado. 

No domingo, rapidamente, passei pela exposição Pérolas, uma realização da Faap e do Qatar Museums, mas quero voltar e ver mais.  Antes de tudo porque é uma linda exposição, com o capricho e a sofisticação já há muito tempo conhecidos das mostras feitas na Fundação Armando Alvares Penteado. 

O MAB - FAAP existe desde 1961 e, por incrível que possa parecer, há paulistanos que moram bem perto dali e não sabem de sua existência. Não sabem o que perdem! Das muitas exposições que visitei no local, algumas são absolutamente memoráveis como a de Napoleão Bonaparte e também a arte no Egito dos Faraós. 

A exposição Pérolas está inserida no Ano da Cultura Qatar- Brasil 2014. Trata-se de um programa de intercâmbio cultural que visa ampliar as relações bilaterais entre os dois países (Brasil e Qatar) por meio de realizações culturais, comunitárias e esportivas. 

"O Qatar-Brasil 2014 é realizado sob o patrocínio da presidente de Qatar Museums QM, Sua Excelência a Xeique Al-Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al-Thani em parceria com o Ministério da Cultura, Artes e Patrimônio Histórico do Qatar."

Para você que deve estar se perguntando onde fica esse tal de Qatar, é um país do Oriente Médio, considerado um dos emirados, portanto, um estado árabe. Ele faz fronteira com a Arábia Saudita ao sul e o restante do país é banhado pelo Golfo Pérsico, ou seja, seu outro vizinho de fronteira é o Bahreim (sim, aquele onde tem uma etapa do Mundial de Fórmula 1).  O Qatar é um país pequeno, tem menos de 2 milhões de habitantes, e é cheio de petróleo. Mas, antes que o ouro negro tivesse sido descoberto por lá, a população era pobre e vivia da pesca e das pérolas.  Só como curiosidade o Qatar é um estado absolutista,  comandado hereditariamente pela família Thani. Eles são um forte aliado dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. Lá a população não paga impostos. Dá pra acreditar? 

Eu ouvi falar sobre o Qatar pela primeira vez quando estudei diplomacia econômica. Nas aulas, a gente tratava o tempo todo da Rodada de Doha, que é a capital do país. Foi nessa chamada "rodada de negócios"  da Organização Mundial do Comércio, com foco principalmente voltado ao livre comércio entre países em desenvolvimento, que se fortaleceu o G20, que a gente tanto ouviu falar nos notíciários por causa da participação do Brasil.  O G20 é formado por presidentes dos bancos centrais de 19 países mais a União Europeia, que juntos tentam estabelecer regras para o comércio entre os participantes. 

Eu, como sempre, não me preservo de fazer derivações dos assuntos. Comecei falando das pérolas na Faap, da parceria entre o Museu de Arte Brasileira da Faap com a Qatar Museums e cheguei até a Rodada de Doha e o G20.  Mas é que blog não tem limitação no tamanho do texto, então aproveito para fazer as "ligações neurais" (rsrs).

De volta à exposição de Pérolas, a Bruna, minha sobrinha amada que mora conosco parte da semana, está trabalhando como educadora durante o período de visitações públicas. Embora tenhamos ficado muito pouco tempo na exposição no domingo, ela nos deu uma super aula do que está disponível para o público e como tudo isso foi pensado. 

Para quem visita a mostra Pérolas, caso queira, existem educadores preparados para dar explicações didáticas sobre tudo o que tem lá, até mesmo os cofres onde as peças ficam guardadas.

Além das pérolas que estão em joias históricas, como a coroa usada pela princesa Diana em seu casamento do o principe de Gales e os brincos Bulgari pertecentes a Elizabeth Taylor, entre outras, há também toda a representação fisica da formação das perólas, bem como os aspectos biológicos e químicos que as originam. 

Coroa Spencer

Videira, colar de pérolas negras


É muito interessante aprender que é um mito acreditar que existem conchas específicas e especiais para produzir pérolas, uma vez que toda concha pode produzir. Outro mito é que a pérola se forma de um grão de areia. Isso não é verdade. Ela surge da invasão de um parasita na concha, que pode ser até mesmo um peixe, mas nunca é um grão de areia. 

A pérola é a única gema que não precisa ser lapidada, ela é uma joia naturalmente pronta. Talvez por isso, as pérolas sejam associadas à simbologia da pureza, da virgindade. Quem não viu o filme A moça do brinco de pérolas, inspirado no quadro de mesmo nome do pintor holandês Johannes Vermeer, depois dessa exposição, tem um bom motivo para assistir. No filme, essa questão simbólica é bem retratada. 

O filme

Entre outros aprendizados, soubemos que há um sujeito tão rico, tão rico, tão rico no mundo, que ele é dono de cerca de 70% das pérolas produzidas no planeta. Atualmente, as pérolas são cultivadas e não mais extraídas simplesmente da natureza. 

Há pérolas que são raras e com muito valor, outras, nem tanto. As negras são comuns no Taiti. A China é grande produtora de pérolas, mas muitas bem num padrão de alta produção chinesa como o que a gente conhece para outros produtos, ou seja, com menor valor comercial. 

Para se encantar ainda mais, é preciso ficar na exposição por mais tempo. Na correria, aprendemos menos do que gostaríamos, mas já foi super instigante. 

Acho que vale muito a pena visitar e conhecer algo bem diferente já que conhecimento não ocupa espaço, né? Eu adorei! 


Eu, como a "Moça com brinco de perólas", em Haia


Serviço


Uma exposição FAAP e Qatar Museums 
Local : MAB - FAAP - Rua Alagoas, 903 - prédio 1 - Higienópolis - São Paulo 
Tel. 11 3662-7198 
Visitação gratuita.

É possível agendar visitas para grupos

De 20/julho a 28 de setembro de 2014 (prorrogada até 12 de outubro de 2014)

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Carbone, muito atendimento é exagero e sufoca

Desde que abriu em maio deste ano o Silas vinha me falando que devíamos ir ao restaurante Carbone. Ele já conhecia o empreendimento porque um dos colegas dele de pedal, o Leandro (Leandro Tavares, do buffet Planet Kids), é um dos sócios no negócio.  

Fadado ao sucesso, o restaurante reúne elementos básicos que qualquer marqueteiro sugeriria facilmente a fim de garantir um resultado, no mínimo, satisfatório. 

Antes de tudo, o restaurante está diretamente vinculado ao nome do chef Carlos Bertolazzi, que entre tantas mídias que frequenta tem a graça e o mérito de pertencer aos Homens Gourmet, do canal Fox Life. O programa é uma dessas boas ideias para televisão que junta a graça de ter rapazes bonitos na cozinha, preparando comidas gostosas de um jeito prático, que qualquer um se sente apto a fazer o mesmo.  Mas Bertolazzi nem de longe é só essa figura. Ele teve várias outras sacadas que o fizeram ser um sujeito conhecido na mídia, fruto de muita criatividade, empenho e envolvimento na gastronomia. Foi ele quem resolveu vender coxinhas numa feira de comida no Brooklin, em Nova York. Nada mais brasileiro. Só que em vez de frango, ele usou um ingrediente mais sofisticados, o pato, e ganhou notoriedade. Na Virada Cultural deste ano, na feira de comida, para conseguir comer uma dessas coxinhas era preciso enfrentar um fila bem desanimadora, tamanho é o sucesso do produto Carlos Bertolazzi. Ele, por si só, nesse momento, faz vender. Não deixemos  escapar o fato de que o chef tem seu nome atrelado a dois outros restaurantes de sucesso em São Paulo: o PerPaolo e o Zena Caffé. 

Outro elemento é o outro sócio, Paulo Baroni. Experiente no ramo, ele já foi sócio de Sérgio Arno, no La Pasta Gialla. Os restaurantes Per Paolo são frutos vindos de sementes plantadas durante essa sociedade. 

Se tudo o que foi dito nos dois parágrafos anteriores pudesse ser deixado de lado, ainda valeria como diferencial do Carbone, a tecnologia que foi importada para o preparo especial das carnes. O Josper, um equipamento que combina carvão vegetal e grelha. Não entendo muito da tecnologia, mas, segundo pesquisei, é um "forno" que grelha, doura, defuma, sela, assa, enfim, faz tudo. E rapidinho. Nem bem terminamos de fazer o pedido, quando começávamos a comer o couvert, já chegaram as carnes prontas. Por sinal, antes que chegassem as bebidas. 

Não acaba aí. A localização do restaurante na Avenida Cerro Corá é muito convidativa. Fácil de chegar, a casa fica numa esquina cuja travessa é bem simpática, tem uma escola, dá pra arriscar parar o carro ali, sem que venham guardadores cercando imediatamente. 

Outro coisa interessante é o espaço do restaurante. Amplo, mas aconchegante e não muito barulhento. É uma churrascaria, mas não tem astral de churrascaria. Inclusive porque o rodízio é invertido. Não são rodiziadas as carnes e sim os acompanhamentos. Então, talvez seja melhor chamá-lo de um restaurante de carnes. 

E por falar delas, muito bem servidas. Embora os pedidos sejam individuais, é inegável  que os cortes são mais que suficientes para duas pessoas.  Estávamos em quatro pessoas, dois casais, e decidimos por pedir somente duas opções de carnes, um T-bone e um fraldinha, uma vez que eu não tinha mesmo intenção de exagerar mais do que o que era oferecido como acompanhamento e a Raquel não come muita carne. 

É a partir desse ponto que quero fazer algumas considerações sobre o restaurante como um todo. 

Reserva - É possível reservar por telefone ou fazer a reserva on-line. Havíamos feito reserva por telefone e nos foi informado que deveríamos chegar cedo para evitar perdê-la. Por isso, atrasados que estávamos, ficamos muito preocupados e ansiosos, mas para nossa surpresa, a casa tinha muitos lugares disponíveis.  

Serviço - Embora muito atencioso, o serviço do Carbone não é bom. Quando chegamos, a casa não estava cheia.  Ao contrário, eram apenas quatro ou cinco mesas ocupadas e o restante, vazio. Pudemos escolher entre uma ou outra mesa do salão de entrada, ou entre várias no segundo salão, onde se pode ver o imenso forno do lugar. 

Como se não houvesse amanhã, várias pessoas vieram nos atender ao mesmo tempo. Sem que pudéssemos sequer observar o restaurante e onde ficaríamos nos sugeriam esta e também aquela mesa, num frenesi afoito de fazer os clientes se sentarem e logo comerem e, logo irem embora.  

Era domingo, estávamos em família, o filho do Silas nos visitando em São Paulo, tínhamos acabado de nos encontrar.  Era nossa intenção fazer as coisas num ritmo mais lento, mais devagar. Mas ali, não seria possível. 

Eu apontei a mesa que preferia e me dirigi ao toalete para lavar as mãos. Quando voltei à mesa, já tinha um couvert servido e duas pessoas anotando os pedidos e falando sem parar conosco. Eu não consegui olhar o cardápio. Não deu tempo. Eu me senti tão pressionada que sequer vi o que havia para beber. Logo, pedi uma coca-cola light. E ouvi, coca zero! Não, eu não gosto de coca zero, gosto de coca light. Zero, senhora, zero. Pedimos duas cocas Zero, veio uma! Pedimos duas águas com gás, vieram duas sem gás. 

Enquanto isso, o Silas e o Ian escolhiam a carne. E o garçom pressionando! Aí, decidimos, Raquel e eu, só pelos acompanhamentos que já começaram a ser servidos. Eu não pude nem iniciar a degustação do couvert que, inclusive achei que fazia parte dos acompanhamentos, só soube depois que foi pago à parte, e as comidas estavam sendo servidas. Nem bem começaram a vir as comidas, o garçom quis retirar o couvert. Oras... 

A brigada deve ter sido planejada para casa cheia. Como estava vazia, não havia um segundo de sossego. Os meninos, muito inseguros, diga-se de passagem, por falta treinamento para servir, nos entuchavam comida sem trégua.  Assim que começou a ser servida a comida, chegou também a carne.  Antes que tivesse sido escolhida a cerveja ou o vinho.

E o momento escolha das cervejas? Meu Deus! Que confusão. Ninguém as conhecia. Não entendiam nada de cervejas; se pilsen, se stout, se clara ou se escura. Um samba. Vieram três pessoas para tentar responder sobre um assunto que todos deveriam saber de cor e salteado, como se dizia na minha terra quando eu era criança.  Com tantos rótulos no cardápio, só não perderam vendas porque os homens da mesa estavam mesmo muito a fim de tomar cerveja e eles se viraram para escolher.  Meio na vale-tudo, sabe? 

Pra resumir, a comida pode ser boa, mas o serviço é confuso e atrapalhado e isso mela o meio de campo. Fomos atendidos prioritariamente por um garçom com forte sotaque português. Ele foi muito atencioso, mais do que devia. 

Quando achávamos que teríamos um respiro, lá chegava novamente um acompanhamento.  E tudo servido junto e misturado no prato. Difícil! Bem complicado mesmo. 

Estacionamento - Não usamos, mas há serviço de manobrista pago na porta. (R$ 15)

Comida e bebida

Carnes - Não há o que dizer quanto à qualidade. Realmente muito boa. A maminha, por ser um corte bem alto, veio sangrando demais no meio. Pedimos para assar mais um pouco e fomos prontamente atendidos. 

Acompanhamentos - Saladas -  Eu esperava que viesse salada, uma vez que carne combina com salada. Só uma nos foi servida. Não era maravilhosa e o garçom tinha medo de derrubar, então foi econômico... Só veio uma vez à mesa. 

Massas e guarnições  - O risoto de camarão estava gostoso, mas foi servido imediatamente  junto com o nhoque, o que definitivamente não orna! Na sequência, veio o ravioli com amendoas. Divino! Tenro, delicado, a massa estava no ponto exato, o recheio era certeiro em quantidade e sabor. A manteiga e as amendoas em perfeita harmonia.  
Os legumes estavam passados demais, bem moles e o garçom não os conhecia. Então, você pedia que ele lhe servisse sem abobrinha e ele não sabia o que fazer. Coitado!  Para salvar a situação, dois tipos de batatas. Eu só comi uma delas, a que não era gratinada.  O corte lascado dava o nome ao prato: selvagem. Gostosa, mas servida na ordem errada.  
Ponto alto para a mandioca frita. Sequinha por fora, bem cozidinha por dentro. Repeti e tive que pedir para o garçom ser mais generoso. 

Bebida - O restaurante conta com um cardápio de cervejas artesanais bem diversificado. Há opções claras, escuras e vermelhas. É preciso mais treinamento e menos pressa para que o cliente possa harmonizar adequadamente essa bebida com o que pretende comer.  A carta de vinhos é enxuta, mas com  opções que como disse o Ian: "as baratas não são muito boas e boas são muito caras para o que são". 

Sobremesas -  Nos foi sugerido o petit gateau de doce de leite, mas reservamos o espaço na barriga para o pudim de leite da Dona Dora e os brigadeiros que eu tinha feito para o aniversário da Raquel. Declinamos, portanto. Na insistência, também nos foi sugerido o petit gateau de chocolate. Pelo mesmo motivo, foi não. 

Café - Ainda estavam bebendo cerveja quando foi sugerido o café. Nem sei porque dissemos que precisávamos de algum tempo. Depois só pedimos a conta, pagamos e fomos embora, sem tomar café. 

Preço - Nossa conta resultou num preço médio de R$ 85. Não é caro para o padrão-São Paulo. Mas não é barato considerando que não comemos sobremesa, só duas pessoas pediram carne e somente duas beberam alcoolicos. 

Mise en place - A mesa era pequena para tudo o que foi posto em cima dela. Quando chegamos havia uma disposição básica dos elementos que compõem a mise en place básica. 

Decoração e ambiente - Embora bem aconchegante a decoração é meio confusa, assim como é confuso o ambiente. Pense: você vai a um restaurante de carnes, com antepastos mediterrâneos, tem prioritariamente massas como acompanhamento, quase não te oferecem salada, para beber você tem cervejas artesanais e não é priorizado o chopp tradicional, é servido por garçons que falam português de Portugal e nas paredes têm Elvis Presley, Marilin Monroe, no piso ladrilho hidráulico com cara de casa antiga e toque retrô, além de outros tantos elementos que fazem uma confusão danada. É muito diversificado.   

Para não ser injusta, a casa merece uma segunda visita, mas pode melhorar bastante. Especialmente se levar em conta a experiência dos que a conduzem.  

Ao combinar tantas variáveis é difícil acertar tudo imediatamente, mas o caminho é promissor. Cortar excessos, rever alguns preços, deixar o cliente a vontade, treinar a brigada e tudo vai bem. A comida é feita com o coração. 

E se você estiver se perguntando: "se eles queriam conversar por que foram num rodízio?", eu vou responder que não fomos num rodízio fomos a um restaurante de carnes nobres. Não fosse para comer carne, o Silas não teria ido lá. Entendeu o que é um diferencial competitivo? 





Serviço

Carbone Carnes Nobres 
Rua Cerro Corá, 1556 - Alto da Lapa - São Paulo
Tel. 11 2935 0266 

Obs: Não encontrei site do local. Só Restorando, Vejasp, Foursquare etc

Múltiplos Olhares: OFICINAS DE ROTEIRO PARA CINEMA E SÉRIES DE TV

Pessoal,



Para quem pretende escrever para cinema e TV essa é uma grande oportunidade. Eu já fiz curso com o Di Moretti e ele é excelente.



Recomendo.





Múltiplos Olhares: OFICINAS DE ROTEIRO PARA CINEMA E SÉRIES DE TV: Di Moretti ,  Marcos Lazarini  e  Thiago Dottori  resolvem aliar suas experiências de roteiristas de cinema/tv e consultores de projetos ...

O uso do espaço público e o comportamento cidadão

Sou uma pessoa que gosta de andar na rua. Gosto de ver as lojas, as fachadas das casas e dos prédios. Ver pessoas caminhando, bicicletas, motos, carros, caminhões e ônibus circulando,  em São Paulo, que pena!, muitas vezes quase não conseguindo sair do lugar. Mas eu gosto de observar tudo isso.  Eu gosto também das placas, da sinalização do trânsito, da precisão de alguns semáforos.

Nunca tinha parado pra pensar, mas talvez pelo fato de ser eu uma amante do espaço público, tenha sido vítima dele. Graças a um enorme escorregão que sofri num dia de calçada molhada, bem sobre uma dessas tampas retangulares de ferro que dão acesso às empresas de telecomunicações, seja TV a cabo ou telefonia, eu tenho uma hérnia de disco na coluna. Cheguei a conclusão que, como num amor bandido, a dor que essa lesão me causa é fruto da minha insistente relação com as ruas dessa cidade.  Eu sempre acho que vai melhorar...

Como eu, outros tantos cidadãos devem gostar de sair de casa, andar, deixar o carro na garagem e viver a cidade. Não por força da obrigação, mas pelo deleite de se sentir parte do espaço urbano.

Moro em São Paulo desde 1993, por opção,  o que me faz me sentir basicamente como uma paulistana, só que de coração. E é porque aqui eu escolhi viver é que trato essa cidade com tanto carinho, embora nem se sempre ela merecesse esse meu apreço tão sincero.

Esta manhã, no caminho para o Sesc Consolação, me vi triste com essa cidade. Que sujeira, que descuido, que falta de cidadania vivemos nessa terra de todos e de ninguém.

Primeiro, logo que saí no portão, vi do outro lado da calçada escorrendo abaixo do meio-fio uma quantidade de água limpa como que jorrando em corredeira. Perplexa, logo perguntei a dois rapazes que estavam próximos de onde vinha aquela água sendo disperdiçada a céu aberto em pleno bairro de Higienópolis, se sabiam o motivo, a origem. É uma obra da esquina que desde às seis da manhã está soltando essa água aí de um poço que eles precisam esvaziar para dar continuidade à construção de mais um prédio de muitos andares, ou seja, novo polo de geração de trânsito no centro da cidade. Será que ninguém planejou chamar um carro pipa e usar aquela água para regar jardins ou limpar fachadas ou calçadas? Eu não sei que qualidade tinha a água, mas se estivesse contaminada não poderia estar sendo dispensada na rua. Isso só me faz pensar no descaso e na falta de consciência de quem constroi nessa cidade visando ainda exclusivamente lucro financeiro.

Depois fui andando muito indignada e vi, como todas as manhãs, várias pessoas dormindo na rua. Pelos menos três, num caminho de 4 quarteirões. Eu já conheço de vista mais de 10 que moram no meu entorno. Os motivos que levam as pessoas a viver pelas ruas são diversos. Nem sempre é só falta de moradia, família e emprego. Nem sempre é devido ao uso de drogas ou por alcoolismo. Às vezes, é uma decisão de largar tudo e se deixar a esmo. Depressão, solidão, falta de perspectiva, de acolhimento social, de pertencimento a uma comunidade ou grupo. Não importa a razão. É fato que se trata de uma questão de saúde pública. A quem cabe fazer alguma coisa a respeito? Essas pessoas fazem uso do espaço urbano, que é de todos, mas deveria ser mais preservado. 
Foto: blogdoaitalo

Aqui perto de casa, tem uma praça chamada Rotary, é bem onde fica a biblioteca infantil Monteiro Lobato. A praça é um espaço de convivência interessante. Nela tem alguns dias por semana, aulas de tai-chi-chuan logo de manhã, jogos de futebol society às tardes e noites, pessoas que levam crianças para brincar, cachorros para correr e outros tantos usos que já vi por ali devido à disponibilidade pública para o uso. No lado da praça em que a rua é Dr. Vila Nova, a rua do Sesc Consolação, do Senac, há sempre ambulâncias e vans estacionadas aguardando pessoas de todo o estado que vieram para se tratar na Santa Casa de São Paulo. Nesse mesmo lugar, há alguns meses moram quatro ou cinco pessoas. Só uma mulher jovem e negra. Os homens parecem mais velhos, talvez pelo tempo em que estejam nas ruas. Esses cidadãos vivem ali, cozinham ali, têm colchões, cobertores. De tempos em tempos, fazem a barba, cortam os cabelos como se estivessem num salão. Uns fazem pelos outros. Arrisco dizer que, na vizinhança, há quem se utilize dessas competências que essas pessoas "à margem" têm, porque o preço deve ser bem baixinho.
Nesse lugar, tem dia que a sujeira transborda a rua. É um cheiro fétido, mistura de roupas sujas, ingredientes  crus e cozidos que os alimentam jogados no chão, papeis, garrafas plásticas e de vidro, folhas das árvores, urina, falta de banho...  A cena varia. Tem dia que é interessante observar o mecanismo que adotam para conviverem. Outros, eles brigam, discutem, disputam o colchão, a comida ou o último gole de cachaça. Todos passam e ninguém os vê.




Outro item que é de dar vergonha é a situação das calçadas na cidade. Que coisa nojenta! No sábado à noite, andando pela rua Augusta, eu comentava sobre como é vergonhoso saber que num dos locais mais pisados desta cidade temos aquela condição de calçadas. Estão quebradas, sujas, desniveladas, ocupadas por postes, ambulantes e todos tipo de resto do uso humano do espaço. Não há lixeiras, nem espaço decente para caminhar. As pessoas se atropelam, trombam umas nas outras, num balé esquisitíssimo que desenvolvemos para subsistir diante de uma condição tão precária.

A calçada é por lei uma responsabilidade do dono do imóvel em frente ao qual ela está. Mas como podem os donos dos imóveis restaurarem com tanta frequência as desmandadas intervenções das empresas de gás, saneamento, eletricidade e telefonia nas calçadas. Eu diria o seguinte, você conserta hoje, amanhã vem uma empresa e precisa fazer um buraco. Ok, faz. Mas conserta depois? Sim. Faz um remendo de qualquer sujeito. Sem padrão, sem cuidado, sem responsabilidade com quem é dono daquele lugar e principalmente sem cuidado com quem transita por ali.

Mas não basta consertar as calçadas. As pessoas precisam ser mais educadas quanto ao uso do espaço. Não só carregando seu próprio lixo, como respeitando os demais usuários do espaço público.
Você já parou para observar como se comporta ao caminhar pela rua? Não há retrovisor no olhar humano, mas por respeito ao outro cidadão, as pessoas poderiam usar suas visões laterais para não atrapalharem umas às outras. E a fumaça dos cigarros que são baforadas sem que se perceba que há outras pessoas respirando logo atrás de você, fumante! E as paradas repentinas? E quando você sai de uma loja, de um restaurante e entra na frente de alguém que já estava caminhando em determinado ritmo e interrompe o trajeto do seu concidadão? O seu comportamento na rua demonstra que nível de educação você tem. Se não dá espaço para um carrinho de bebê, um ancião ou alguém que pode ser atropelado passar, você é um mau cidadão.

Será que precisaremos falar dos postes da cidade? Não é possível que nenhuma subprefeitura possa intervir na questão dos cabos de TV que acabam com o visual da cidade, tornam a vida das pessoas mais pobre, suja e feia.




Não deve ser nada fácil manter em ordem as placas de sinalização de São Paulo. Mas nós pagamos impostos e precisamos que eles se revertam em indicações precisas quanto aos nomes e números nas ruas, bem com as direções do trânsito. E por falar nele, o seu carro respeita a faixa de pedestres? E ao abrir o semáforo, você espera que as pessoas terminem de atravessar ou em caso de virar a esquina que o pedestre tenha prioridade em relação ao seu veículo?

Outra coisa, o seu carro tem um som bem bacana? E você que anda de ônibus, trem e a pé, tem um super som no seu celular? Eu não gosto do que vocês ouvem. Poderiam diminuir o volume respeitando as demais pessoas?

Quando você anda na rua, fala muito alto com seus colegas ou no celular? Não é nada agradável para quem passa do seu lado. Pode acreditar!

O uso do espaço público é um direito de cada cidadão desde o momento em que nasce. Como usamos é que faz toda a coisa ficar tão triste, suja, desagradável.

Eu não mencionei os guardadores de carros. Tenho medo deles. Odeio quando se aproximam. Pago para olharem meu carro por medo e prudência, porque me sinto coagida, violentada. Tudo isso me causa imenso constrangimento.

E você que é ativista do uso das bicicletas, tem feito sua parte? Na semana passada, eu vinha de carro pela avenida Sumaré e bem próxima, a menos de 3 metros de um ciclista, eu o vi. Ele estava à noite de tênis, calça e blusa pretos. Sua bike não tinha nenhum refletor, nem luzinha. Ele andava por uma área bem escura, sendo que a Sumaré tem ciclovia. Por que ele estava ali? Roleta russa? Ah! Ele estava sem capacete! 

Apesar dessa postura, graças a Deus, parece que a guerra entre motoristas e ciclistas teve uma trégua. Espero que seja por ter melhorado a consciência de cada parte envolvida.

A prefeitura deveria cuidar disso? Sim, deveria fiscalizar porque leis existem. Mas o comportamento individual independe da prefeitura.

Para um dia, acho que as reflexões são suficientes. Há muito mais por falar ainda!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Bistrô Romantique no Caixa Belas Artes

Sábado fim de tarde e vem aquela vontade de ir ao cinema. De preferência, fazer isso com calma, sem atropelos, sem correria. Em busca de entretenimento e prazer.  A ideia é ver um filme bem feito, se possível em cinema de rua, que não exija entrar no shopping, pegar filas quilométricas para comprar o ingresso e ter que sentir aquele desagradável (ao menos pra mim) cheiro de manteiga de pipoca do Cinemark. 

Nada contra o Cinemark. Acho que tem salas excelentes, com ótimo som, cadeiras confortáveis e projeção de boa qualidade. Quanto aos filmes em cartaz, nem sempre oferece as melhores opções, a menos que você busque um blockbuster. Contudo, só porque estão nos shoppings, esses cinemas têm preços mais altos e pra mim não têm charme. Eu gosto mesmo é de cinema com aquele jeito de interior, como os que a gente ia quando era criança para ver filme dos Trapalhões ou as produções dos estúdios Disney. 

Eu tinha um cinema a meio quarteirão da minha casa e me lembro do primeiro filme que fui assistir: Se minha cama voasse! Uma mistura de filme com animação que, acabo de saber (enquanto pesquisava), rendeu um Oscar aos estúdios Disney no ano de 1971. Eu assisti muitos anos depois, mas nem tantos assim, porque quando vi eu ainda não sabia ler, gostava só da parte dos desenhos e quase caí no vão da cadeira com assento retrátil. Minha mãe tinha que ficar me acordando toda hora e me contando o que dizia a legenda, mas insistiu que ficássemos até que estória acabasse.  


Cartaz do filme Se minha cama voasse (1971)
Estou certa de que esse episódio despertou em mim um amor intenso e eterno pelo cinema. Até hoje sonho com o baleiro do Cine Boni, na Vila Nova, em Itu. Como muitos outros de cidades pequenas, com o tempo decaiu, se transformou em cinema pornô e depois foi aterrado e virou igreja evangélica. Como em Cinema Paradiso, sempre penso em resgatá-lo... mas por ora é causa perdida. 
Alfredo e Totó em Cinema Paradiso (1988)


Esse era o meu grande temor quando acompanhei todo o processo pelo qual passou o Belas Artes, em São Paulo. Trabalhando ali perto vi o dia que o cinema fechou as portas e no seguinte não abriu mais. Com meu coração apertado,  assistia a cada dia uma pixação a mais na sua fachada, uma pessoa a mais dormindo debaixo de sua marquise, e deixei de ver os pipoqueiros que, por força da situação, já não paravam mais na sua entrada na rua da Consolação. 

Graças a gente mais corajosa que eu, embora eu também tenha "abaixo-assinado", uma grande mobilização se deu em razão do fechamento do Belas Artes. Patrimônio cultural da cidade, o cinema não podia ficar à mercê da especulação imobiliária. Três anos depois, ele foi reaberto em julho passado, bem nos dias em que eu estava viajando de férias. Mas, que alegria! O Belas Artes está de volta desde o dia 19 de julho de 2014, mas só ontem pude ir até lá e ver como voltou. 

O mesmo charme, gente bonita e antenada, bons filmes em cartaz. Tudo o que buscávamos para um tranquilo sábado à noite.

Escolhemos assistir Bistrô Romantique.  Chegamos em cima da hora e acabamos comprando ingresso para a sessão das 21h. Enquanto esperávamos, encontramos antigos amigos do Silas, conversamos até que eles entrassem na sessão de outro filme. Depois, passeamos pela avenida Paulista, conhecemos a nova loja da Riachuelo e fomos comer um pedaço de pizza na rua Augusta.  Um café e um sonho de valsa na cafeteria do cinema, o reconhecimento do espaço e vamos lá. 




A sala 1 - Villa Lobos - no andar superior, tem capacidade para 300 lugares, mas não tinha não estava nem metade preenchida. As cadeiras são numeradas, a poltrona não reclina, mas é confortável o suficiente para degustar um bom filme, que era o que buscávamos. Sem excessos. Um cinema. Boa projeção, bom som, boa localização, pipoqueiro na porta (cheiro de pipoca e não de manteiga!). 

Bistrô Romantique é uma dessas apostas certeiras do cinema alternativo em uma fórmula já bem explorada por outros cineastas, mas indiscutivelmente por Ettore Scola com La cena (O jantar) de 1998 e anteriormente, em 1982, em Le Bal (O Baile). Tudo acontece numa única noite, entre o tempo de abrir e fechar de um restaurante. É dia dos namorados e apesar do tempo está chuvoso,  as reservas para o jantar não foram desmarcadas. 


O Jantar (1998)

A bela e um pouco triste Pascaline protagoniza o filme como a dona da Brasserie Romantique, cujo chef é seu irmão alcoólatra.  Uma sobrinha, dois ajudantes de cozinha e um garçom compõem a brigada. Entre os comensais, um homem do passado, um casal em crise no casamento, uma mulher abandonada, um esquisofrênico em busca do amor e casais normais. O menu especial para o dia dos namorados dá o tom, o sabor e marca a passagem do tempo. 

Para quem gosta de gastronomia, Bistrô Romantique é uma aula de tudo o que pode e o que não pode acontecer numa cozinha e num restaurante. Da cuidadosa mise en place feita por Pascaline ao cardápio especial da noite cujo aperitivo une champagne e licor de rosas, da delicadeza do bem servir ao frenético inevitável trabalho entre as panelas, da sofisticada e perfeita finalização dos pratos ao incansável trabalho de por tudo em ordem quando os últimos clientes se vão, tudo é retrato do mundo apaixonado dos que vivem para cozinhar e servir. Dá veracidade ao enredo, o fato de o bistrô ter um "chapéu de chef" ou algo equivalente ao que conhecemos como estrelas do Michelin. 

O filme que parece despretensioso, tem toques de drama sentimental sem escorregar na pieguice de transformar a protagonista em heroína. Trata de assuntos delicados como a esquisofrenia, depressão, solidão e abandono, sem deixar de por alguma de graça no comportamento das personagens que vivem esses problemas. Causa riso, mas não faz chacota. 



Cenas de Bistrô Romantique (2012)


Bistrô Romantique lembra outros filmes que você já viu. É um pouco Woody Allen, com seus neuróticos, obcecados e inseguros personagens. Lembra O Filho da Noiva, no qual Ricardo Darín herda o restaurante de seu pai e vê sua vida passando sem que ele possa construir sua própria história. Parece com O Jantar, de Ettore Scola, já que todo a trama transcorre da entrada à sobremesa. Tem um pouco de Simplesmente Martha ou Sem Reservas porque é na cozinha que se questiona a relação de responsabilidade e amor entre tia e sobrinha. Também por isso, lembra Chocolate. Dá água na boca como fez Babette, em seu banquete memorável. Com toda falta de originalidade, é gostoso de ver. Tem boa fotografia, a luz é adequada para cada tomada, a montagem é bem feita em sua trajetória linear, a música não surpreende, mas agrada, o enredo não escorrega em dramas intermináveis embora previsíveis. É apenas um retrato de uma noite em que se comemora o dia dos namorados e a vida que segue num restaurante belga. 



Simplesmente Martha (2001)
O Filho da Noiva (2001)


Melhor que ir ao cinema do shopping, procurar vaga para estacionar, pagar caro do ingresso e do estacionamento e assistir a um blockbuster, é ir ao Caixa Belas Artes e ver Bistrô Romantique no sábado à noite. Programa simples e honesto. 


Saí de lá com imagens pregadas na minha retina, imagens que me agradam como cozinha, pratos, panelas, champagne no gelo, borbulhas no copo... Mais que isso, fiquei com vontade de ver outro filme. E quando se trata de cinema, isso é um ótimo começo. 

Desde ontem, voltei formalmente a ser frequentadora do Belas Artes. Que bom que ele voltou! 

Em tempo: o Cine Bela Artes agora se chama Caixa Belas Artes, devido a questões relativas ao direito de nome e em razão de como foi feita engenharia financeira para que fosse reaberto. Não houve, entretanto, grandes alterações no interior do cinema. Tudo parece com o que era antes de fechar. Claro que está novo, uma vez que foi reformado, mas para quem já frequentava os banheiros estão nos mesmos lugares,  as salas também, assim como o café, a bilheteria e a livraria. Ele ainda fica na rua da Consolação e tem uma fila não muito longa. Agora dá pra pagar com cartão e tem um jeito de ficar sócio ou ter cadeira cativa. Dê uma procurada para saber. Pode valer a pena para garantir que esse patrimônio cultural continue onde está por muito, muito tempo. 

Boa semana!! 

Serviço

Cine Caixa Belas Artes
Rua da Consolação, 2423 
Tel. 11 2894 5781

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Em fase de mudança

Querido leitor,

O projeto do Blog da Gavioli começou com uma super vontade de dividir experiências e fazer comentários sobre vários assuntos. Em especial os voltados ao mundo maravilhoso da gastronomia e culinária, às viagens, cultura, literatura e artes.

Comecei escrevendo todos os dias, porque assunto é que não falta, mas às vezes, falta tempo suficiente para aprofundar a informação o quanto o leitor merece, afinal, como jornalista eu me sinto obrigada a apurar a notícia antes de publicar, ainda que sejam opiniões pessoais.

Na semana passada, criei uma fan page no Facebook, chamada também Blog da Gavioli. Fiquei muito contente porque em apenas algumas horas mais de 100 pessoas curtiram a página.

O Blog da Gavioli é um projeto pessoal, mas a ele foi dado desde o primeiro texto um caráter informativo muito cuidadoso.

Pensando em melhorar sempre, farei modificações graduais no blog. Ele continuará tendo assuntos diversos, mas sempre relacionados ao que se propôs desde o início. Então, a primeira mudança é quanto a periodicidade do blog.

A partir desta semana, não será mais diário. Serão duas edições semanais.

Para não perder nenhum texto, torne-se um seguidor. Entre no blog e cadastre o seu email, assim você receberá todas as publicações assim que forem feitas. O endereço do blog é mcgavioli.blogspot.com

É uma grande alegria saber que você é meu leitor. Se puder, compartilhe. Se gostar, indique para os amigos. Faça comentários, participe. Essa é uma ótima ferramenta para trocarmos informações de qualidade em busca de uma vida melhor. Mesmo que a gente só consiga em palavras, já é um bom começo para tudo melhorar.

Receba o meu mais caloroso abraço e uma flor de maracujá como a foto que fiz em Berlim há alguns dias!

Clau Gavioli





sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Uma viagem entre utensílios por lojas que prezam a qualidade

Em setembro do ano passado, aproveitando umas milhas que eu tinha acumulado por alguns anos de contas pagas no cartão de crédito, fomos para Nova Iorque, o Silas e eu. Conseguimos, acertando agendas, remanejando compromissos e descontando vários finais de semana de trabalho em viagens pelo interior do estado de São Paulo, ficar dez dias por lá. 

Como já contei antes, nossas viagens são,  comumente, preparadas por nós mesmos. Pesquisamos o local e as opções que existem diante do que gostamos de fazer e criamos o nosso próprio roteiro. Muitas vezes temos algumas dicas de amigos que já viajaram para o mesmo lugar, outras vezes, só depende de nós mesmos o que faremos. Isso porque nosso jeito é esse. Gostamos de planejar nós mesmos. O que em geral dá muito trabalho e pode surpreender nem sempre positivamente. Para quem prefere contar com a ajuda de um profissional da área de turismo, talvez seja mais fácil. Quanto às surpresas, elas tendem, no mínimo, a ser menos inesperadas. Uma hora dessas vou escrever sobre algumas situações bem inusitadas que já enfrentamos nas nossas andanças pelo mundo afora. 

Quando decidimos ir para NY pela segunda vez, já que em 2011 já havíamos estado lá na nossa lua de mel, eu tinha alguns objetivos bem claros sobre o que queria fazer naquela cidade.  À parte os museus, uma noite de jazz ou blues, os passeios de bicicleta (eu comprei uma bike ma-ra-vi-lho-sa em NY) pelo parque e pelo Brooklin, eu sabia que parte da viagem seria dedicada às lojas de casa, especialmente, as de utensílios de cozinha e, por que não, de equipamentos também. 

Na ocasião, eu ainda não era uma dedicada estudante de gastronomia, mas já tinha profundo interesse por tudo o que se refere ao assunto. Portanto era meu interesse de viagem ir a essas lojas que juntam instrumentos para confeitaria, panificação, forno e fogão. Eu  queria ver mais de perto esse amplo universo de tecnologias para a culinária que a cada dia gosto mais e mais. 

Mesmo que eu não comprasse nada, queria visitar as incríveis lojas de coisas de cozinha, que são muitas em toda a cidade. Eu adoro ir as esses estabelecimentos por vários motivos. Primeiro porque me enchem os olhos. Esse tipo de loja tem objetos de casa e também de cozinha profissional que eu categorizo como "cobiçáveis", não dá para não gostar, são lindos! Isso se deve muito ao fato de que são super bem dispostos em montagens de mesas e arrumações de bancadas que nos inspiram mesmo que tenhamos cozinhas e casas muito simples. 

Outro motivo que muito me agrada é a qualidade dos objetos à venda. Nas lojas que eu fui, não encontrei nada de péssima qualidade. Há muito cuidado e valorização do design, da ergonomia e da segurança com relação aos objetos. 

É importante mencionar que muitos desses bens, como os que encontramos no Brasil, são produzidos principalmente na China, outros tantos na India, no Vietnã, em Cambodja, na Malásia. Entretanto, a qualidade exigida pelas lojas que os revendem  nos Estados Unidos, e também nos países da Europa, para o consumidor final está num nível muito mais alto do que a que aceitamos por aqui. 

O que quero dizer é que não é porque o produto é chinês que ele, necessariamente,  é ruim ou de baixa qualidade. Quem estabelece o nível mínimo exigido para a compra de determinados produtos é o comprador. Ninguém é obrigado a comprar um produto de baixa qualidade. Essa é uma cadeia estudada pelos profissionais de marketing chamada comportamento de compra. Vamos pensar juntos: se o cliente final absorve e consome o produto de baixa qualidade, priorizando exclusivamente o preço, por que a loja exigiria alta qualidade do seu fornecedor? Uma atitude fomenta a outra e assim permanece a angustiante questão sobre quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha.

Se você exige qualidade, seu fornecedor lhe trará a sua exigência, mas se consome qualquer coisa, continuará sendo atendido de acordo com o sua exigência. Isso vale para tudo o que compramos sem nota, que muitas vezes são produtos falsificados ("réplicas", como os chamamos) e não passam por qualquer controle de qualidade.  

Depois dessa breve reflexão sobre comportamento de compra e qualidade de produtos, as lojas novaiorquinas são templos de bom gosto, cuja ambientação é sofisticadamente simples. Eu admiro profundamente esses arquitetos que trabalham lindamente para criar espaços que são aconchegantes e instigantes ao mesmo tempo. 

A seguir, só para o caso de você também gostar desses ambientes, cito algumas das lojas que pesquisei para visitar em Nova Iorque.  Não é uma relação de todas as casas que visitei porque, infelizmente, não fui organizada o bastante para anotar tudo. Das próximas vezes, pretendo ser mais eficiente.  Mas para quem gosta do assunto tem boas opções: 


Art of Cooking
555 Hudson Street (entre 11th e Perry St)
Utensílios e louças para casa

Bowery Kitchen Supplies
75 Ninth Avenue, Chelsea, New York


Williams-Sonoma
10 Columbus Circus



Chef central 
45 south Central Avenue Hartsdale NY

Broadway Panhandler
65 East 8th St (entre Broadway e University)


NY Cake and Bake distributors
56 W 22 nd ST (perto da 6th com Av. de las Americas)

JB Prince
36 E 31st Street – 11° andar

Macy´s (Cellar) 
34th St entre a 6th e a 7th Ave - 

Crate and Barrel
650 Madison Avenue (com a 60th – perto de Central Park)

Bed Bath and Beyond
1932 Broadway at 65th Street (Lincoln Square)

Kerekes
6103 15th Avenue, Brooklyn


Como Nova Iorque é o cenário, recomendo a quem vai  para lá que visite o Chelsea Market. É um lugar descolado, divertido, cheio de coisas lindas (inclusive há lojas de temperos, azeites, decoração e também de roupas), com restaurantes bem charmosos e que, considerando que é um dos pontos mais caros de NY, não são acintosamente caros. 

Em São Paulo, em outra escala, há uma área muito interessante para quem gosta desse tipo de loja com equipamentos para cozinha e restaurantes. Dia desses, falo sobre a região da Rua Paula Souza. 

Em tempo, quando comecei a escrever hoje, pensei em falar de macarrão caseiro feito na máquina que comprei em NY. Derivei, hein? Nem passei perto do assunto inicial, mas confesso que eu gosto disso. Produzir um texto tem desses prazeres.



Bom final de semana a todos! Aquele abraço carinhoso...