domingo, 31 de agosto de 2014

Doce brasileiro que todo mundo gosta

Qual é o doce que todo brasileiro gosta, não pode faltar nas festas de aniversário, batizado e casamento e supre aquela vontadezinha que surge de doce no meio dia como nenhum outro?

Não é dificil a resposta: brigadeiro, oras!

O docinho é tão aclamado que quase todo mundo sabe fazer. Ele é o preferido das meninas-moças que, quando se juntam na casa de uma das amigas da turma quase sempre é comido de colher. Quem é que quer esperar esfriar e enrolar para comer depois afinal? Isso já ocorria quando eu era menina e aconteceu com todas as minhas sobrinhas. É líquido e certo. 

Nos últimos tempos, em que tudo é gourmet, brigadeiro também se tornou requintado.  Deixou de ser feito com nescau ou toddy e margarina e as receitas agora são com chocolate do padre e manteiga. O resultado não é o mesmo, evidente. A qualidade do ingrediente reflete diretamente no resultado do produto, quanto a isso não há dúvida. 

Tenho tanta história de brigadeiro pra contar que precisaria de um livro se me arriscasse a dizer detalhes. Então queria propor uma brincadeira, do tipo concurso. Quem tiver uma história boa sobre brigadeiro pra contar, manda e eu publico. Quem sabe a gente não consegue tantas que vira um livro? rsrs

Só de memória breve, me lembro de um aniversário da Giovana que a Cris, minha irmã e mãe dela, fez brigadeiros que ficaram tão duros, tão duros, que só puderam ser chupados como porque viraram balas daquelas mais que puxa-puxa ou quebra-dente. O sabor sempre é bom. Como diria o cunhado de uma grande amiga minha, o Carlinhos,  com todo aquele jeito interiorano e amável que ele tem, "também como é que não vai ficar bom? Tem leite condensado, tem chocolate, tem manteiga... "

É isso mesmo, como é  que não vai ficar bom? 

No sul do Brasil, o brigadeiro é chamado de negrinho. Diz a lenda, segundo pesquisa, que o nome brigadeiro surgiu nos anos 40, em tempos de campanha eleitoral, em homenagem ao então candidato o Brigadeiro Eduardo Gomes, um militar que queria ser presidente da república. Um grupo de fãs do candidato em São Paulo criou um doce feito de leite, açúcar, ovos, manteiga e chocolate, o negrinho, que era vendido a fim de ajudar a arrecadar fundos para a campanha. Dá para imaginar quantos doces teriam que ser vendidos para arrecadar dinheiro para as propagandas eleitorais atuais? As doceiras teriam trabalho em fim! 

Para concluir a história do batismo do negrinho como brigadeiro, isso aconteceu porque os demais candidatos começaram a fazer graça com o concorrente e dizer que as pessoas iam comer o "docinho do brigadeiro". Embora o militar não tenha vencido a eleição, o doce ganhou o nome de brigadeiro. Alta patente merecida na hierarquia das guloseimas, vale dizer. 

Doce bem brasileiro, o brigadeiro tem hoje uma família grande. São seus parentes os beijinhos de coco, os cajuzinhos de amendoim, um tanto fora de moda atualmente, o bicho-de-pé (que é cor de rosa, feito com gelatina) e toda sorte de sabores como café, capuccino, paçoquinha, milho, chá verde, capim santo, pistache, queijo e dá-lhe mais de 70 invenções. Como requer um preparo simples, a criatividade comanda a variedade existente e sempre tem alguém inventando uma nova combinação e conseguindo um sabor diferente. 

Além disso, o brigadeiro também tem as variações quanto à textura e ao ponto de cozimento. Há quem prefira mais macio, outros que o doce esteja enrugado, ou seja, com mais com "pelotinhos". Assim como, tem os que gostam mais molinho para comer de colher e os que preferem enrolados mesmo. O doce também é usado em cobertura de bolos e tortas ou como recheio em diversas sobremesas. Não tem muito erro. 

O modo de fazer não difere muito quando se trata de levá-lo pra panela, mas a receita já foi super bem adaptada para o microondas. 

Como qualquer preparo, o brigadeiro, embora fácil, tem lá seus segredinhos. Conforme a gente vai fazendo, repetindo a receita, ganhando experiência, descobre o ponto certinho, o tipo de panela mais adequado, quando aumenta ou diminue o fogo e se já pode interromper o cozimento ou não. Ainda tem aquelas coisas que nem dá pra ensinar, porque a gente sente e só. O cheiro do ponto, por exemplo. É algo parecido com o cheiro da comida com sal ou insossa. Há quem saiba se já foi posto sal na comida, sem olhar pra ela e sem experimentar também, só pelo odor. 

Muito bem. Como hoje é domingo, a chuva deu o ar da graça lá fora, graças a Deus (espero que chova a semana inteira sem parar e na cabeceira da represa), vou parar por aqui, deixando o convite para que você me mande a sua história de brigadeiro. Pode ter foto também, se quiser.  Prometo que vou olhar tudo com carinho e publicar bem bonitinho. 

Outras muitas delicadezas para transformar o brigadeiro em um doce gourmet poderiam ser contadas aqui. Mas eu só faço isso, se receber, no mínimo 10 histórias. Combinado? 

Por enquanto, divido só a receita que faço desde criança. 







Receita básica de brigadeiro

Ingredientes
1 lata de leite condensado
1 colher de sopa de manteiga ou margarina
4 colheres de chocolate em pó ou achocolatado

Modo de fazer
Leve todos os ingredientes para o fogo, mexa sempre até desprender do fundo da panela. Despeje o conteúdo em prato untado com manteiga ou margarina. Deixe esfriar e enrole em formato de bolinhas. Passe pelo chocolate granulado e ponha em forminhas para servir. 


Que a nossa semana seja doce e alegre! 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Eu achei o MoDi

A alegre surpresa de uma visita anunciada alguns dias antes da Maria, amiga querida  carioca, em São Paulo, tornou-se ainda mais agradável porque decidimos, ela e eu, ir ao restaurante MoDi, na rua Alagoas, ao lado do Parque Buenos Aires, em Higienópolis. 

A sugestão foi minha porque já há alguns meses eu planejava ir ao restaurante, desde quando o descobri num domingo de manhã passeando pelas imediações do parque. Só que na ocasião, havíamos acabado de sair de um super breakfast em casa. A fome só viria, portanto, horas depois. Mas mesmo naquele dia, eu já achava que tinha feito um achado!

De uns tempos pra cá - não sei se foi o meu bolso que ficou mais vazio - ir a restaurantes em São Paulo ficou muito caro. Você pisa no lugar, especialmente se for uma dessas casas do tipo boteco, pede um chopp, divide uma porção das mais baratas, e deixa no lugar, brincando, R$ 40.  Fora o estacionamento ou o guardador de carros. Então, quando você descobre um lugar, que é bonito, bem localizado, que tem um astral descontraído e um cardápio enxuto e honesto, é um achado, sim! 

Dá até medo de contar pra muita gente porque assim que o lugar cai nas graças do público, a casa vai ficar lotada, a fila vai aumentar e, obviamente, os preços vão subir, subir, e aí o céu é o limite. Você, então, perdeu o que tinha achado. 

O MoDi fica no piso térreo do Edifício Paquita, o que já um charme. Nesse momento em que os prédios que são construídos estão cada vez mais dentro de altos muros fechados, mas que tem um plano diretor rolando na cidade para que essa realidade mude e haja integração entre comércio de rua e moradores, encontrar uma proposta tão simpática quanto um restaurante que fica em frente à praça e embaixo de um edifício de gente bacana, é sensacional! 




Vale fazer algumas considerações sobre o local: 

Reserva - Eu liguei à tarde para fazer reserva, mas eles não trabalham com reservas. Fui avisada que normalmente às quartas não é muito cheio, mas que no almoço daquele dia a procura tinha sido acima da média. 

Estacionamento - Não tem.

Atendimento - Minha amiga e eu nos encontramos às nove da noite porque eu demorei um pouco para conseguir estacionar (depois de duas voltas, bem em frente ao restaurante, que sorte!). Ela estava com uma mala e já havia pedido uma mesa para duas pessoas para o Leandro. Ele informou que várias mesas haviam chegado por volta de 19h30, de modo que logo vagariam lugares. Enquanto isso, tentou nos ajudar com a mala, embora o lugar não tenha uma chapelaria (nem é a proposta). 

Pedimos para ver o cardápio de drinks e decidimos deixar a mala no carro, ao voltarmos, coisa de dois minutos, a nossa mesa estava pronta. 

Fomos atendidos pelo Rafael, um garoto bom de papo, novinho e descontraído, com quem eu puxei conversa sobre gastronomia. Ele disse que já está na área há sete anos. Soube explicar bem os pratos e na sugestão de vinhos, deu umas escorregadas, mas arriscou bem. Ele, como eu, está treinando, só que um como cliente-critico e outro como pretenso futuro sommelier. 

Dois pontos negativos sobre o atendimento - O rapaz era descontraído e me deixou bem à vontade, mas ele não me levou a sério quando degustei o vinho. Talvez tenha pensado que era jogo de cena sentir o aroma, rodar o copo e provar duas vezes seguidas. Porque uma casa oferece meia garrafa com um preço razoável e o cliente opta por isso, o garçom pode achar que o cliente não sabe o que está pedindo? Eu senti que ele não me levou a sério, mas tudo bem.

Outro ponto foi no momento que chegaram os pratos e um outro garçom veio trazer à mesa. Ele não sabia de quem eram os pedidos e, simplesmente os colocou de qualquer jeito. Não foi legal isso. 

Comida
Couvert - Baratinho, apenas R$ 5 por pessoa, vem com um vasinho de pãozinho caseiro e uma tigelinha de caponata difícil de ser servida naquele tipo de pão. Simpático, mas sem muito gosto. 

Pratos - Ambas pedimos informação sobre o varenique, mas eu não me animei e pedi o tortelli de cordeiro. A Maria foi pela explicação e ficou com varenique sbagliato. 

As massas vieram no ponto e os molhos sem muito detalhes não deixaram a desejar. Ela amou o prato, disse que estava perfeito, em temperatura, textura e no paladar. Eu já não fiquei tão contente. O recheio do meu tortelli era pastoso e o prato não foi servido na temperatura que eu gosto, mais pra quente que pra frio. 
A apresentação era bonita, com mini legumes decorando a massa, que estavam com uma textura muito apropriada. O molho não era nada tão especial. 
Tortelli de cordeiro


Varenique Sbagliato


Mise en place - sem toalhas nas mesas, o restaurante tem uma proposta lúdica com jogo americano em papel craft no qual está desenhado o mapa da Itália e há informações sobre as comidas de cada região. Eu até trouxe pra casa. Bem interessante.  Os guardanapos eram descartáveis de papel branco e os talheres de qualidade boa, os copos da mesma forma.  

Decoração e ambiente - Embora não seja um espaço muito grande e tenha um mesanino, portanto o pé direito é alto, o barulho não é exagerado. O salão estava animado com muita gente falando já que estava cheio, mas nada que comprometesse. 
Na entrada, um bar bem estiloso com banquetas no balcão, lembrando ambientação dos bares das novelas que víamos nos anos 70.  
Para a espera, mesinhas e cadeiras baixas num estilo art noveau, leves, bonitinhas e coloridas, misturadas com outras mais anos 70 também baixinhas. Divertidas peças garimpadas por alguém de bom gosto ousado. 
As cadeiras e mesas de madeira, algumas com opção em frente à parede com sofá. 
O pé direito alto dá muito charme ao local, assim como a grande pilastra revestida de pastilhas com brilho, um toque do passado. 
Ficamos na parte de baixo, numa mesinha com sofá. O casal ao nosso lado estava realmente bem perto, mas nada que pudesse comprometer a nossa proposta de um jantar descolado entre amigas. 


Preço - Como disse no ínicio, bem honesto. Independentemente do meu prato não ter sido incrível, o menu oferece outras opções com preços muito razoáveis. Eu diria, inclusive, baratos para tudo o que envolve um cardápio dessa envergadura. A massa empratada vai de R$ 25 a 44.  

Nosso tempo de permanência foi de 1h30, já com o café. Inclusive o descafeinado eles têm. Não comemos sobremesa porque eu tinha brigadeiros gourmet feitos por mim nos aguardando em casa. A Maria era minha hóspede naquele dia. 


Brigadeiros tradicionais, de café e beijinho


Fomos bem acolhidas, não houve espera, o preço é bom, o atendimento jovem e o local descontraído. Tudo bom. 

Soube enquanto pesquisava sobre o MoDi, que eles oferecem cestas de piquenique como o Kit Comidinhas, que eu criei. Boa ideia! 

Espero que meu achado continue e melhore nos itens que pode melhorar para que eu vá e leve muitos amigos, como fazia em tempos que morava ao lado da Vila Madalena e tinha cadeira cativa em bares da região, porque eram achados. Agora estão perdidos, como é o caso do Genésio, do Filial e do Genial. 

Bom fim de semana. O MoDi pode ser uma boa sugestão para o almoço do sábado, por exemplo. 

Serviço

MoDi 

Rua Alagoas, 475 - Higienópolis - São Paulo 
Telefone: 11 3564-7031 


Kit Comidinhas
Encomende brigadeiros  e alugue cestas de piquenique

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Carbone, muito atendimento é exagero e sufoca

Desde que abriu em maio deste ano o Silas vinha me falando que devíamos ir ao restaurante Carbone. Ele já conhecia o empreendimento porque um dos colegas dele de pedal, o Leandro (Leandro Tavares, do buffet Planet Kids), é um dos sócios no negócio.  

Fadado ao sucesso, o restaurante reúne elementos básicos que qualquer marqueteiro sugeriria facilmente a fim de garantir um resultado, no mínimo, satisfatório. 

Antes de tudo, o restaurante está diretamente vinculado ao nome do chef Carlos Bertolazzi, que entre tantas mídias que frequenta tem a graça e o mérito de pertencer aos Homens Gourmet, do canal Fox Life. O programa é uma dessas boas ideias para televisão que junta a graça de ter rapazes bonitos na cozinha, preparando comidas gostosas de um jeito prático, que qualquer um se sente apto a fazer o mesmo.  Mas Bertolazzi nem de longe é só essa figura. Ele teve várias outras sacadas que o fizeram ser um sujeito conhecido na mídia, fruto de muita criatividade, empenho e envolvimento na gastronomia. Foi ele quem resolveu vender coxinhas numa feira de comida no Brooklin, em Nova York. Nada mais brasileiro. Só que em vez de frango, ele usou um ingrediente mais sofisticados, o pato, e ganhou notoriedade. Na Virada Cultural deste ano, na feira de comida, para conseguir comer uma dessas coxinhas era preciso enfrentar um fila bem desanimadora, tamanho é o sucesso do produto Carlos Bertolazzi. Ele, por si só, nesse momento, faz vender. Não deixemos  escapar o fato de que o chef tem seu nome atrelado a dois outros restaurantes de sucesso em São Paulo: o PerPaolo e o Zena Caffé. 

Outro elemento é o outro sócio, Paulo Baroni. Experiente no ramo, ele já foi sócio de Sérgio Arno, no La Pasta Gialla. Os restaurantes Per Paolo são frutos vindos de sementes plantadas durante essa sociedade. 

Se tudo o que foi dito nos dois parágrafos anteriores pudesse ser deixado de lado, ainda valeria como diferencial do Carbone, a tecnologia que foi importada para o preparo especial das carnes. O Josper, um equipamento que combina carvão vegetal e grelha. Não entendo muito da tecnologia, mas, segundo pesquisei, é um "forno" que grelha, doura, defuma, sela, assa, enfim, faz tudo. E rapidinho. Nem bem terminamos de fazer o pedido, quando começávamos a comer o couvert, já chegaram as carnes prontas. Por sinal, antes que chegassem as bebidas. 

Não acaba aí. A localização do restaurante na Avenida Cerro Corá é muito convidativa. Fácil de chegar, a casa fica numa esquina cuja travessa é bem simpática, tem uma escola, dá pra arriscar parar o carro ali, sem que venham guardadores cercando imediatamente. 

Outro coisa interessante é o espaço do restaurante. Amplo, mas aconchegante e não muito barulhento. É uma churrascaria, mas não tem astral de churrascaria. Inclusive porque o rodízio é invertido. Não são rodiziadas as carnes e sim os acompanhamentos. Então, talvez seja melhor chamá-lo de um restaurante de carnes. 

E por falar delas, muito bem servidas. Embora os pedidos sejam individuais, é inegável  que os cortes são mais que suficientes para duas pessoas.  Estávamos em quatro pessoas, dois casais, e decidimos por pedir somente duas opções de carnes, um T-bone e um fraldinha, uma vez que eu não tinha mesmo intenção de exagerar mais do que o que era oferecido como acompanhamento e a Raquel não come muita carne. 

É a partir desse ponto que quero fazer algumas considerações sobre o restaurante como um todo. 

Reserva - É possível reservar por telefone ou fazer a reserva on-line. Havíamos feito reserva por telefone e nos foi informado que deveríamos chegar cedo para evitar perdê-la. Por isso, atrasados que estávamos, ficamos muito preocupados e ansiosos, mas para nossa surpresa, a casa tinha muitos lugares disponíveis.  

Serviço - Embora muito atencioso, o serviço do Carbone não é bom. Quando chegamos, a casa não estava cheia.  Ao contrário, eram apenas quatro ou cinco mesas ocupadas e o restante, vazio. Pudemos escolher entre uma ou outra mesa do salão de entrada, ou entre várias no segundo salão, onde se pode ver o imenso forno do lugar. 

Como se não houvesse amanhã, várias pessoas vieram nos atender ao mesmo tempo. Sem que pudéssemos sequer observar o restaurante e onde ficaríamos nos sugeriam esta e também aquela mesa, num frenesi afoito de fazer os clientes se sentarem e logo comerem e, logo irem embora.  

Era domingo, estávamos em família, o filho do Silas nos visitando em São Paulo, tínhamos acabado de nos encontrar.  Era nossa intenção fazer as coisas num ritmo mais lento, mais devagar. Mas ali, não seria possível. 

Eu apontei a mesa que preferia e me dirigi ao toalete para lavar as mãos. Quando voltei à mesa, já tinha um couvert servido e duas pessoas anotando os pedidos e falando sem parar conosco. Eu não consegui olhar o cardápio. Não deu tempo. Eu me senti tão pressionada que sequer vi o que havia para beber. Logo, pedi uma coca-cola light. E ouvi, coca zero! Não, eu não gosto de coca zero, gosto de coca light. Zero, senhora, zero. Pedimos duas cocas Zero, veio uma! Pedimos duas águas com gás, vieram duas sem gás. 

Enquanto isso, o Silas e o Ian escolhiam a carne. E o garçom pressionando! Aí, decidimos, Raquel e eu, só pelos acompanhamentos que já começaram a ser servidos. Eu não pude nem iniciar a degustação do couvert que, inclusive achei que fazia parte dos acompanhamentos, só soube depois que foi pago à parte, e as comidas estavam sendo servidas. Nem bem começaram a vir as comidas, o garçom quis retirar o couvert. Oras... 

A brigada deve ter sido planejada para casa cheia. Como estava vazia, não havia um segundo de sossego. Os meninos, muito inseguros, diga-se de passagem, por falta treinamento para servir, nos entuchavam comida sem trégua.  Assim que começou a ser servida a comida, chegou também a carne.  Antes que tivesse sido escolhida a cerveja ou o vinho.

E o momento escolha das cervejas? Meu Deus! Que confusão. Ninguém as conhecia. Não entendiam nada de cervejas; se pilsen, se stout, se clara ou se escura. Um samba. Vieram três pessoas para tentar responder sobre um assunto que todos deveriam saber de cor e salteado, como se dizia na minha terra quando eu era criança.  Com tantos rótulos no cardápio, só não perderam vendas porque os homens da mesa estavam mesmo muito a fim de tomar cerveja e eles se viraram para escolher.  Meio na vale-tudo, sabe? 

Pra resumir, a comida pode ser boa, mas o serviço é confuso e atrapalhado e isso mela o meio de campo. Fomos atendidos prioritariamente por um garçom com forte sotaque português. Ele foi muito atencioso, mais do que devia. 

Quando achávamos que teríamos um respiro, lá chegava novamente um acompanhamento.  E tudo servido junto e misturado no prato. Difícil! Bem complicado mesmo. 

Estacionamento - Não usamos, mas há serviço de manobrista pago na porta. (R$ 15)

Comida e bebida

Carnes - Não há o que dizer quanto à qualidade. Realmente muito boa. A maminha, por ser um corte bem alto, veio sangrando demais no meio. Pedimos para assar mais um pouco e fomos prontamente atendidos. 

Acompanhamentos - Saladas -  Eu esperava que viesse salada, uma vez que carne combina com salada. Só uma nos foi servida. Não era maravilhosa e o garçom tinha medo de derrubar, então foi econômico... Só veio uma vez à mesa. 

Massas e guarnições  - O risoto de camarão estava gostoso, mas foi servido imediatamente  junto com o nhoque, o que definitivamente não orna! Na sequência, veio o ravioli com amendoas. Divino! Tenro, delicado, a massa estava no ponto exato, o recheio era certeiro em quantidade e sabor. A manteiga e as amendoas em perfeita harmonia.  
Os legumes estavam passados demais, bem moles e o garçom não os conhecia. Então, você pedia que ele lhe servisse sem abobrinha e ele não sabia o que fazer. Coitado!  Para salvar a situação, dois tipos de batatas. Eu só comi uma delas, a que não era gratinada.  O corte lascado dava o nome ao prato: selvagem. Gostosa, mas servida na ordem errada.  
Ponto alto para a mandioca frita. Sequinha por fora, bem cozidinha por dentro. Repeti e tive que pedir para o garçom ser mais generoso. 

Bebida - O restaurante conta com um cardápio de cervejas artesanais bem diversificado. Há opções claras, escuras e vermelhas. É preciso mais treinamento e menos pressa para que o cliente possa harmonizar adequadamente essa bebida com o que pretende comer.  A carta de vinhos é enxuta, mas com  opções que como disse o Ian: "as baratas não são muito boas e boas são muito caras para o que são". 

Sobremesas -  Nos foi sugerido o petit gateau de doce de leite, mas reservamos o espaço na barriga para o pudim de leite da Dona Dora e os brigadeiros que eu tinha feito para o aniversário da Raquel. Declinamos, portanto. Na insistência, também nos foi sugerido o petit gateau de chocolate. Pelo mesmo motivo, foi não. 

Café - Ainda estavam bebendo cerveja quando foi sugerido o café. Nem sei porque dissemos que precisávamos de algum tempo. Depois só pedimos a conta, pagamos e fomos embora, sem tomar café. 

Preço - Nossa conta resultou num preço médio de R$ 85. Não é caro para o padrão-São Paulo. Mas não é barato considerando que não comemos sobremesa, só duas pessoas pediram carne e somente duas beberam alcoolicos. 

Mise en place - A mesa era pequena para tudo o que foi posto em cima dela. Quando chegamos havia uma disposição básica dos elementos que compõem a mise en place básica. 

Decoração e ambiente - Embora bem aconchegante a decoração é meio confusa, assim como é confuso o ambiente. Pense: você vai a um restaurante de carnes, com antepastos mediterrâneos, tem prioritariamente massas como acompanhamento, quase não te oferecem salada, para beber você tem cervejas artesanais e não é priorizado o chopp tradicional, é servido por garçons que falam português de Portugal e nas paredes têm Elvis Presley, Marilin Monroe, no piso ladrilho hidráulico com cara de casa antiga e toque retrô, além de outros tantos elementos que fazem uma confusão danada. É muito diversificado.   

Para não ser injusta, a casa merece uma segunda visita, mas pode melhorar bastante. Especialmente se levar em conta a experiência dos que a conduzem.  

Ao combinar tantas variáveis é difícil acertar tudo imediatamente, mas o caminho é promissor. Cortar excessos, rever alguns preços, deixar o cliente a vontade, treinar a brigada e tudo vai bem. A comida é feita com o coração. 

E se você estiver se perguntando: "se eles queriam conversar por que foram num rodízio?", eu vou responder que não fomos num rodízio fomos a um restaurante de carnes nobres. Não fosse para comer carne, o Silas não teria ido lá. Entendeu o que é um diferencial competitivo? 





Serviço

Carbone Carnes Nobres 
Rua Cerro Corá, 1556 - Alto da Lapa - São Paulo
Tel. 11 2935 0266 

Obs: Não encontrei site do local. Só Restorando, Vejasp, Foursquare etc

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Uma viagem entre utensílios por lojas que prezam a qualidade

Em setembro do ano passado, aproveitando umas milhas que eu tinha acumulado por alguns anos de contas pagas no cartão de crédito, fomos para Nova Iorque, o Silas e eu. Conseguimos, acertando agendas, remanejando compromissos e descontando vários finais de semana de trabalho em viagens pelo interior do estado de São Paulo, ficar dez dias por lá. 

Como já contei antes, nossas viagens são,  comumente, preparadas por nós mesmos. Pesquisamos o local e as opções que existem diante do que gostamos de fazer e criamos o nosso próprio roteiro. Muitas vezes temos algumas dicas de amigos que já viajaram para o mesmo lugar, outras vezes, só depende de nós mesmos o que faremos. Isso porque nosso jeito é esse. Gostamos de planejar nós mesmos. O que em geral dá muito trabalho e pode surpreender nem sempre positivamente. Para quem prefere contar com a ajuda de um profissional da área de turismo, talvez seja mais fácil. Quanto às surpresas, elas tendem, no mínimo, a ser menos inesperadas. Uma hora dessas vou escrever sobre algumas situações bem inusitadas que já enfrentamos nas nossas andanças pelo mundo afora. 

Quando decidimos ir para NY pela segunda vez, já que em 2011 já havíamos estado lá na nossa lua de mel, eu tinha alguns objetivos bem claros sobre o que queria fazer naquela cidade.  À parte os museus, uma noite de jazz ou blues, os passeios de bicicleta (eu comprei uma bike ma-ra-vi-lho-sa em NY) pelo parque e pelo Brooklin, eu sabia que parte da viagem seria dedicada às lojas de casa, especialmente, as de utensílios de cozinha e, por que não, de equipamentos também. 

Na ocasião, eu ainda não era uma dedicada estudante de gastronomia, mas já tinha profundo interesse por tudo o que se refere ao assunto. Portanto era meu interesse de viagem ir a essas lojas que juntam instrumentos para confeitaria, panificação, forno e fogão. Eu  queria ver mais de perto esse amplo universo de tecnologias para a culinária que a cada dia gosto mais e mais. 

Mesmo que eu não comprasse nada, queria visitar as incríveis lojas de coisas de cozinha, que são muitas em toda a cidade. Eu adoro ir as esses estabelecimentos por vários motivos. Primeiro porque me enchem os olhos. Esse tipo de loja tem objetos de casa e também de cozinha profissional que eu categorizo como "cobiçáveis", não dá para não gostar, são lindos! Isso se deve muito ao fato de que são super bem dispostos em montagens de mesas e arrumações de bancadas que nos inspiram mesmo que tenhamos cozinhas e casas muito simples. 

Outro motivo que muito me agrada é a qualidade dos objetos à venda. Nas lojas que eu fui, não encontrei nada de péssima qualidade. Há muito cuidado e valorização do design, da ergonomia e da segurança com relação aos objetos. 

É importante mencionar que muitos desses bens, como os que encontramos no Brasil, são produzidos principalmente na China, outros tantos na India, no Vietnã, em Cambodja, na Malásia. Entretanto, a qualidade exigida pelas lojas que os revendem  nos Estados Unidos, e também nos países da Europa, para o consumidor final está num nível muito mais alto do que a que aceitamos por aqui. 

O que quero dizer é que não é porque o produto é chinês que ele, necessariamente,  é ruim ou de baixa qualidade. Quem estabelece o nível mínimo exigido para a compra de determinados produtos é o comprador. Ninguém é obrigado a comprar um produto de baixa qualidade. Essa é uma cadeia estudada pelos profissionais de marketing chamada comportamento de compra. Vamos pensar juntos: se o cliente final absorve e consome o produto de baixa qualidade, priorizando exclusivamente o preço, por que a loja exigiria alta qualidade do seu fornecedor? Uma atitude fomenta a outra e assim permanece a angustiante questão sobre quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha.

Se você exige qualidade, seu fornecedor lhe trará a sua exigência, mas se consome qualquer coisa, continuará sendo atendido de acordo com o sua exigência. Isso vale para tudo o que compramos sem nota, que muitas vezes são produtos falsificados ("réplicas", como os chamamos) e não passam por qualquer controle de qualidade.  

Depois dessa breve reflexão sobre comportamento de compra e qualidade de produtos, as lojas novaiorquinas são templos de bom gosto, cuja ambientação é sofisticadamente simples. Eu admiro profundamente esses arquitetos que trabalham lindamente para criar espaços que são aconchegantes e instigantes ao mesmo tempo. 

A seguir, só para o caso de você também gostar desses ambientes, cito algumas das lojas que pesquisei para visitar em Nova Iorque.  Não é uma relação de todas as casas que visitei porque, infelizmente, não fui organizada o bastante para anotar tudo. Das próximas vezes, pretendo ser mais eficiente.  Mas para quem gosta do assunto tem boas opções: 


Art of Cooking
555 Hudson Street (entre 11th e Perry St)
Utensílios e louças para casa

Bowery Kitchen Supplies
75 Ninth Avenue, Chelsea, New York


Williams-Sonoma
10 Columbus Circus



Chef central 
45 south Central Avenue Hartsdale NY

Broadway Panhandler
65 East 8th St (entre Broadway e University)


NY Cake and Bake distributors
56 W 22 nd ST (perto da 6th com Av. de las Americas)

JB Prince
36 E 31st Street – 11° andar

Macy´s (Cellar) 
34th St entre a 6th e a 7th Ave - 

Crate and Barrel
650 Madison Avenue (com a 60th – perto de Central Park)

Bed Bath and Beyond
1932 Broadway at 65th Street (Lincoln Square)

Kerekes
6103 15th Avenue, Brooklyn


Como Nova Iorque é o cenário, recomendo a quem vai  para lá que visite o Chelsea Market. É um lugar descolado, divertido, cheio de coisas lindas (inclusive há lojas de temperos, azeites, decoração e também de roupas), com restaurantes bem charmosos e que, considerando que é um dos pontos mais caros de NY, não são acintosamente caros. 

Em São Paulo, em outra escala, há uma área muito interessante para quem gosta desse tipo de loja com equipamentos para cozinha e restaurantes. Dia desses, falo sobre a região da Rua Paula Souza. 

Em tempo, quando comecei a escrever hoje, pensei em falar de macarrão caseiro feito na máquina que comprei em NY. Derivei, hein? Nem passei perto do assunto inicial, mas confesso que eu gosto disso. Produzir um texto tem desses prazeres.



Bom final de semana a todos! Aquele abraço carinhoso...

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Mais um viés da Gastronomia

Depois da tarde fria, com um chuvisco paulistano mais que bem-vindo nesse tempo seco que estamos vivendo, no início da noite de ontem tive o privilégio e o prazer de poder assistir a arguição da dissertação de mestrado da chef de cozinha Patricia Rodrigues de Souza, na Puc-SP.  O trabalho foi desenvolvido no programa de Ciências da Religião e teve como orientador o professor Dr. Frank Usarski.

Para uma iniciante nos estudos da gastronomia como eu, foi uma experiência enriquecedora, uma vez que o tema escolhido como objeto de estudo foi Religião e Comida - Como as práticas alimentares no contexto religioso auxiliam na construção do homem.  

Patricia é professora de gastronomia da FMU em São Paulo. Eu a conheci na casa de amigos em comum no fim do ano passado quando, pela primeira vez, reunimos um grupo para confraternizar tendo como tema central a comida. A ideia partiu do Fernando que, além de oferecer a casa, sugeriu que cada casal fizesse uma preparação com uma história para ser contada. Tudo foi harmonizado com vinho que ele muito gentilmente ofereceu. Esse modelo foi depois repetido na minha casa e, na ocasião, até escrevi a respeito e publiquei fotos. Estamos agora na entressafra até que ocorra a próxima noite de "orgia gastronômica".  

Naquela ocasião, a Patricia fez um cozido a base de carne de tradição judaica. De sabor muito apurado, o preparo leva mais de sete horas para ficar pronto. Segundo explicações da chef, é uma preparação comumente servida no Shabat devido às suas características. É uma preparação que pode ser feita com antecedência e mantida em aquecimento, desde que respeitadas as regras estabelecidas pela religião. Para os judeus, no Shabat não é permitido cozinhar, nem aquecer os alimentos, o que não significa que serão comidos frios porque existem maneiras adequadas para mantê-los quentes. 

Conversando com a Patricia entendi que sua atenção era muito voltada às questões que envolvem a comida e religião. Não só a comida e religião judaica, mas também os alimentos nas demais como o hinduísmo, islamismo, catolicismo e candomblé. 

Durante a apresentação da dissertação essa paixão dela  ficou evidente.  O trabalho (estou com uma cópia em mãos, que ainda não consegui ler completamente porque tem 181 páginas e peguei com o Silas, que fez parte da banca da Patricia, ontem à noite), muito antes de todo aprofundamento teórico que é obrigatório para um bom mestrado, denota a ânsia infinda de uma pessoa encantada com a cultura alimentar de diversas tribos humanas. As religiões foram o viés escolhido para observar como esses diferentes grupos sociais se relacionam com a comida e compará-los, sem juízo de valor. 

Muito instigante pra mim foi a matriz criada pela estudante na qual ela elenca sete grandes religiões (adventismo, budismo, candomblé, catoliciscmo, hinduísmo, islamismo e judaísmo) e compara, em cada uma dessas, o que ocorre diante do que ela chama de categorias alimentares na religião:  jejum, dietas regulares, interdições alimentares, alimentos como símbolo específico, banquetes, oferendas de alimentos e sacrificio animal, regras na obtenção ou preparo e, por último, dietética associada à religião.  

No mínimo é um assunto instigante que merece um olhar mais detido quando se estuda gastronomia, independentemente do seu objetivo ser abrir um restaurante, prestar serviço como banqueteiro ou, simplesmente, trabalhar na área. As diferentes formas com que cada cidadão (religioso praticante ou não) se relaciona com o alimento, a partir do momento que você vai atuar na área da comida, passa a ser um dos objetos da sua atenção também. 




Uma das questões que a mestranda Patrícia se propôs a responder foi por que as religiões se utilizam de práticas alimentares. A resposta, apesar de todo o aprofundamento teórico, é difícil de ser dada "uma vez que os usos das comidas variam segundo as religiões, tempo e espaço". Mas uma coisa é certa, há muitas funções para a comida quando ela está atrelada ao ambiente ou às práticas religiosas. Entre essas funções estão a partilha, hospitalidade,  comensalidade e a sazonalidade.  Para mim, entretanto, a mais relevante de todas as funções é a de garantir a identidade existente pessoas que pertencem ao mesmo grupo. Em resumo: "quem não come as mesmas coisas é certamente considerado diferente e, neste sentido, as práticas alimentares exercem a função de construir e representar identidades". 

Acreditando ou não em sincronia ou apenas levando em conta a associação de ideias, na última terça, 12/agosto, durante a primeira aula do semestre, o professor que apresentava o curso de Gastronomia aos novos alunos, falava sobre o quanto no Brasil os cursos dessa área são recentes. Segundo ele, a primeira graduação surgiu somente nos anos  90,o que faz com que ainda não tenhamos muitos mestres e doutores no assunto formados no país.  Ontem, tornou-se mestra a Patricia, mais um talento dedicado a "engordar" os conhecimentos acadêmicos sobre comida.  Ainda que sua dissertação se tenha dado a partir das Ciências da Religião, ela trata de cultura alimentar. 




Parabéns, Patrícia! Que sua dissertação desperte em muitos as mesmas ou outras curiosidades que em mim despertaram. Mais que recebendo um título, você está contribuindo com a área da Gastronomia. E o que é melhor com dedicação e inteligência. 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Um cassoulet adaptado, mas que deu certo

O Silas insiste em chamar de puchero, exagerando no sotaque. Eu sempre chamei de cassoulet e lá na casa da minha mãe o nome era mesmo feijoada branca. A base, como aprendi em História da Gastronomia, é a mesma. Trata-se de um cozido cuja base é feijão que mistura ingredientes diversos e fica uma delícia. 

No Brasil, a tradicional feijoada é feita com feijão preto e carnes variadas. De origem europeia carrega consigo aqui em terras tupiniquins a pecha de ter sido criada pelos escravos negros com os restos das mesas da nobre. Bobagem. A feijoada junta ingredientes que originariamente foram trazidos pelos portugueses para a colônia. A ideia de que só o que a nobreza desprezava era usado num enorme cozido feito pelos negros talvez se deva ao fato de que as escravas é que cozinhavam e levavam da casa grande à senzala e vice-versa modos, temperos e aprendizados culinários. Mas é pura lenda acreditar que a nobreza não comia orelha, pé, couro, linguiça e outros tantos ingredientes da feijuca. Nunca foram bobos os nossos colonizadores e não perderiam essas delícias. 

O puchero é o cozido da culinária espanhola, mais propriamente da região da Andaluzia. Feito com grão de bico em vez de feijão é uma outra variação do mesmo prato. Como se origina de determinado lugar tem tempero característico e suas carnes serão também as mais consumidas naquela área. 

O cassoulet tem o nariz mais empinado de todos, só porque é o francês. É o que é preparado com feijão branco. Leva toucinho, linguiça defumada, paio, carnes suína e bovina, frango e, segundo pesquisei, originalmente, confit de pato. Nas receitas mais recentes e abrasileiradas esse não é um ingrediente recorrente. 

Há inúmeras outras variações de cozidos cujas origens são atribuídas a regiões diversas, como as caldeiradas e o goulash, por exemplo. Há receitas com cevada, aveia, trigo em grãos e muitos outros. Os legumes enobrecem e colorem os cozidos, costumam dar graça e amenizar os sabores mais fortes dos grãos combinados com as carnes e embutidos. 

Ontem, Dia dos Pais, fizemos um almoço aqui em casa no qual estavam o irmão gêmeo do Silas com a família (que é toda vegetariana),  os pais deles, minha cunhada Nícia, o Arthur e nós dois. Depois de pensar muito no cardápio que seria servido, decidimos fazer um cassoulet. 

A ideia partiu de um princípio simples que era o de fazer o mesmo prato para quem come e para quem não come carne.  Assim, fizemos todo o processo como se toda a comida fosse ser feita sem qualquer proteína de origem animal. 

Vamos à receita. 




Cassoulet Adaptado 

Ingredientes

Geral
1 kg de feijão branco (grãos grandes)
água para cozinhar o feijão
1 fio de óleo de milho para cozinhar o feijão
2 colheres de óleo de soja para refogar 
4 dentes de alho esmagados
2 cebolas médias picadas
1 batata doce 
1 batata roxa
2 batatas 
2 mandioquinhas médias
4 cenouras
1 chuchu grande
2 carás
2 abobrinhas italianas sem sementes
150 gramas de abóbora kabocha
150 gramas de vagem
sal 
pimenta do reino
2 colheres de sopa de páprica picante
10 sementes de cardamomo
200 gramas de azeitonas pretas grandes
1/2 maço de cheiro verde picado

Para os não vegetarianos
1 peito de frango cozido sem pele e sem osso desfiado
2 linguiças calabreza picadas em fatias
150 gramas de carne de músculo cozida e picada em cubos

Modo de preparar
Deixe o feijão de molho em água por duas horas. Despreze a água, coloque o feijão na panela de pressão, cubra com água e um fio de óleo. Tampe a panela, assim que começar a ferver, conte 5 minutos, desligue e mantenha a panela fechada. 
Lave os legumes, retire a casca e corte todos os ingredientes em cubos de modo a ter uma certa uniformidade de tamanho entre eles. Cozinhe-os todos juntos na água com um pouco de sal, sem deixar que amoleçam. O tempo de cozimento será de menos de 3 minutos após  levantar fervura. Desligue o fogo e mantenha a panela tampada. 
Refogue o alho e a cebola no óleo, acrescente o feijão e os legumes sem desprezar a água em foram cozidos. Se necessário acrescente mais água. Deixe engrossar um pouco, prestando atenção para que não os ingredientes não fiquem demasiadamente cozidos a ponto de desmanchar. Todos os ingredientes deve manter suas texturas embora estejam cozidos.  Acerte o sal, acrescente pimenta do reino, a páprica picante e o cardamomo. Por último, ponha as azeitonas pretas e polvilhe na hora de servir com cheiro verde fresco.

A variação que inclue as carnes se dá no momento de refogar a cebola e alho, hora em que devem ser acrescentadas a linguiça e as carnes de frango e bovina. 

Esse cassoulet adaptado ao paladar da nossa casa, em que alguns são vegetarianos e outros não gostam de bacon, toucinho ou panceta, nem do forte sabor do paio e das partes do porco como pé, orelha e rabo, funcionou perfeitamente. Foi servido com um arroz de sete cereais e couve cortada fininha refogada com cebola. 

Para acompanhar bebemos um Pinot Noir da Borgonha. 

A sobremesa ficou por conta da minha sogra que trouxe um delicioso pudim de leite condensado. Nada mais brasileiro para os netos alemães. Eu também fiz brigadeiros e beijinhos que enrolamos todos juntos, Samya, Yuri, Elfie e eu, numa deliciosa integração culinária no sábado à noite. 

Com muita saudade do meu pai, eu me sentei à mesa ao lado do Sr. Raphael, o patriarca dos Guerriero. Eles, meu pai e ele, não se parecem em nada, mas eu fingi que sim. Só porque não pude ontem levar sequer uma florzinha para enfeitar o túmulo do Sr. Antonio, única homenagem que ainda posso fazer para ele, além das minhas preces e do meu amor eterno. 

Parabéns a todos os pais. 

Bom início de semana a todos! 

sábado, 9 de agosto de 2014

Risoto de abobrinha com queijo brie

Quando a gente volta de uma viagem como a que eu fiz nessas férias demora um pouco para compreender porque alguns produtos no Brasil são tão absurdamente caros.

Ontem fui ao supermercado Pão de Açúcar para comprar umas coisinhas já que teria visitas em casa nesse fim de semana de Dia dos Pais. Meu cunhado veio com a família da Alemanha de férias para cá, rumo ao Pantanal de Mato Grosso. Com escala de voo e família em São Paulo, embarcam na segunda-feira para ver as belezas naturais do nosso Cerrado e tentar apreciar a fauna pantaneira. Enquanto estão por aqui a nossa casa é também a casa deles.

Inevitavelmente comparei os preços de alguns produtos, entre eles, os dos queijos à venda nesse supermercado em relação aos que vimos e compramos durante a viagem, tanto na Holanda quanto na Alemanha. Claro que guardadas as devidas proporções, as conversões de moeda e a origem dos alimentos, aqui teríamos queijos camembert, gouda, brie, roquefort, emmental e outros tantos, com preços mais altos do que na Europa. Contudo, nada justifica o completo absurdo de se pagar R$ 99 (noventa e nove reais) por um quilo de queijo brie, preço que é praticado no Pão de Açúcar sem qualquer pudor.

Eu comprei queijo brie no interior da Alemanha por menos de 7 euros o quilo. Um disparate mesmo se sobre esse valor fossem colocados a conversão da moeda, todos os impostos e mais todo o preço do "glamour" que o brasileiro, especialmente o mediano, se digna a pagar. Ainda pior que isso é notar que a maioria dos queijos vendidos no mercado brasileiro são nacionais, ou seja, são tipo gouda, tipo camembert, tipo parmesão, enfim, não são necessariamente importados. Mesmo assim por eles são cobrados preços acintosamente  vergonhosos. 

Contudo, estudando um pouco de política agrícola internacional, coisa que fiz há muitos anos (hoje em dia sou apenas curiosa), é possível dar um desconto para o produtor nacional. A política agrícola europeia, diferentemente da nossa, valoriza a permanência do produtor rural em seu lugar de origem. Existem subsídios e vantagens para que o produtor rural europeu, não o latifundiário, mas aquele da propriedade média que nasceu no campo e tem um pasto ou uma pequena área de terra plantada com girassois ou trigo, não abandone sua atividade de família. Ao contrário,  ele é valorizado e tem todas as condições para continuar sua produção. 

A Política Agricola Comum (PAC) da Europa tem como objetivo garantir um bom nível de vida à população agrícola e o fornecimento regular com preços razoáveis para o consumidor, com isso visa estabilizar os mercados, sem deixar de se preocupar com o aumento da produtividade da agricultura, sem perder a qualidade. 




Tudo muito diferente do que é feito no Brasil. Aqui, os fazendeiros têm grandes propriedades e são altamente produtivos, mas produzem para exportação. Esses, apesar de reclamarem muito sobre o custo-Brasil, são ricos e fomentam com suas fortunas o consumo de carros caríssimos, roupas de grifes internacionais, bebidas importadas e também de queijos tão caros. Mas, se você quiser comer o queijinho produzido pela dona Maria, aquele que ela faz na sua pequena propriedade, sem escala e sem subsídio, terá que ser um amigo da familia dela para ganhar um ou, caso esse queijo chegue a uma queijaria de São Paulo, vai custar bem caro para o padrão de qualidade oferecido. Isso só para dar exemplo.  Sem contar que para a dona Maria é impossível vender num rede de supermercados, mesmo que regional. O preço que se paga no Brasil para poder ter um produto na gôndola do supermercado é desanimador. Para entrar numa grande rede é preciso suar, dar o sangue e derramar muitas lágrimas. Com o perdão da licença poética, se você tiver um produto e quiser vender no Pão de Açúcar, vão te arrancar o couro!

Diante de toda essa desproporção existente, continuamos na nossa batalha por um ambiente mais saudável nos negócios brasileiros no qual existam melhores oportunidades para os pequenos produtores. 

Sem mais derivações quanto ao assunto de hoje que é risoto de abobrinha com queijo brie, esse foi o prato escolhido para o almoço de ontem, sexta-feira.  Fiz o suficiente para sete pessoas. 

Risoto de abobrinha com queijo brie

Ingredientes
1 cebola média picada em pedaços pequenos
2 colheres de sopa de azeite de oliva extra virgem
1 dente de alho amassado
500 gramas de arroz arbório
3 abobrinhas italianas médias picadas em cubos pequenos (com casca)
1/2 xícara de azeitonas verdes sem caroço picadas
sal 
pimenta do reino
1 colher de chá de açafrão
200 ml de vinho branco seco
1 litro de caldo de legumes (carne ou frango)
200 gramas de queijo brie cortado em cubinhos
200 gramas de queijo parmesão ralado
1 colher de manteiga 

Modo de fazer
Numa panela wok, refogue a cebola e o alho no azeite de oliva, acrescente o arroz arboreo e deixe fritar por cerca de 2 minutos, mexendo sempre. Acrescente a abobrinha e as azeitonas picadas, misture. Tempere com sal,  pimenta do reino e o açafrão.  Em seguida ponha o vinho branco e deixe começar a reduzir, mexendo de vez em quando em movimento para risoto (dos lados para dentro, sem deixar grudar na panela e nem quebrar o arroz). Aos poucos vá acrescentando o caldo e mexendo para dar liga. Quando estiver al dente, caso tenha sobrado caldo, dispense.  Distribua igualmente o  queijo brie por todo o risoto e misture com movimentos delicados para não deixar que o queijo se junte. Desligue a panela, acrescente a manteiga e mexa com movimentos circulares do centro para as laterais. Polvilhe o queijo parmesão e tampe a panela por pelo menos 5 minutos antes de servir. 




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Para acompanhar esse risoto fizemos também uma escarola "abafadinha" (como diz minha mãe) na panela com alho e regada com azeite. 

Minha sugestão para harmonizar é um vinho branco. Tenho preferência pelo Chardonnay, mas um Riesling um pouco mais encorpado pode ser uma boa companhia para o prato. 

O risoto é uma solução interessante de prato único para ser servido em ocasiões diversas, inclusive num coquetel em pé. Nesse caso, pequenas porções servidas em panelinhas com um garfo pequeno do tipo de sobremesa ficará bem charmoso. 

Esse prato é sustante e delicado ao mesmo tempo. No nosso almoço de ontem, decidi por esse risoto porque ele não exige nenhum tipo de carne, já que meus convidados são vegetarianos. 

Na receita original, não é necessário acrescentar o açafrão, mas eu gosto de um pouco de cor nos pratos e também do cheiro, por isso aderi à especiaria. 

Bom fim de semana! 

Aproveitando, duas dicas: faça compras conscientes no supermercado, privilegie o produto regional e não se deixe levar pelo entusiasmo de comprar sempre os importados, muitas vezes ele são caros demais. Produtos de temporada na feira são mais baratos e tendem a ser melhores dos que os que são forçados a amadurecer. 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Autostadt - A Disneylandia da Volkswagen

Na Alemanha, terra na qual os carros são uma grande paixão, tanto quando se pensa na indústria, já que lá estão Volkswagen,  Mercedes-Benz, Porsche, Opel, BMW, Audi, quanto em razão do virtuosismo de pilotos como Michael Schumacher (heptacampeão de Fórmula 1), Sebastian Vettel (tetra) e Nico Rosberg (líder atual do campeonato 2014 de F1), isso só para citar alguns dos nomes mais contemporaneamente conhecidos. 

Não é à toa, portanto, que lá existe um parque completamente voltado a essa declarada paixão nacional, juntamente com a cerveja e o futebol (tratemos de pular essa parte!). 

O local é incrível já que a Volkswagen não poupa esforços e recursos financeiros para garantir que a melhor tecnologia de última geração seja usada para encantar o visitante, visando que sua atenção permaneça totalmente voltada a um só assunto. 









Você deve estar se perguntando: é um parque de diversão? Sim, é também um parque de diversão! Mas, mais que isso é um grande complexo de entretenimento, cultura, gastronomia e convivência, cujo foco são os carros. Tem muitas atrações que envolvem crianças,  embora o principal encantamento se dê com os adultos. São eles que compram carros, afinal.

Alex Candeira, nosso anfitrião e jovem executivo brasileiro atuando na Volkswagen da Alemanha, define o local como o cartão de visitas da empresa.  O parque fica ao lado da grande fábrica da Volks em Wolfsburg (ou Wob), local onde mais de 49 mil pessoas trabalham produzindo mais de 3 mil unidades automobilísticas ao dia. 

Quando planejamos nossa viagem para a Alemanha, nosso roteiro previa dias de visita aos nossos amigos Euzi, Alex e Rafael, em Wob.  Eu, especialmente, não via a hora de encontrá-los. Sabíamos que iríamos à cidade da Volkswagen e pretendíamos conhecer a fábrica de carros mais famosa do mundo pra mim. Eu tinha a imagem das chaminés na minha cabeça. O que não sabíamos era que a Autostadt era tão interessante e que lá passaríamos várias horas divertidas e agradáveis.  




Além de um complexo educativo sobre desenvolvimento sustentável e um museu de automóveis, o Zeithaus Museum, com modelos marcantes de todos os tempos (esse não é o museu da VW, existe um museu pequeno em Wob só da marca - também estivemos lá), há pavilhões específicos para as marcas Porsche, Skoda, Seat, Lamborghini, Volkswagen e o Premium Club House onde está a Bugatti. 




Cada um desses prédios atrai o público com mais e mais tecnologia e bom gosto. Por si só,  são espetaculares tanto em conceito como em construção. Disputam entre si em termos de arquitetura inovadora. Neles, além dos carros-conceito representantes de cada marca e seus shows e atrações sensacionais, está também a oportunidade quase única de transformar sonho em realidade. Ou seja, dá para experimentar ao menos por alguns instantes alguns dos carros. É o imaginário concretizado.  Eu, por exemplo, caí na real totalmente: eu nasci para ter um porsche! 



E não pára por aí.  Na Autostadt também tem um centro de atendimento ao cliente onde é possível comprar carros novos. Caso você compre o seu zero km lá, poderá retirá-lo numa das duas torres de vidro e aço galvanizado de 60 metros de altura que abrigam 400 carros cada. Essas torres são ligadas à fábrica por um túnel subterrâneo de 700 metros por onde os veículos acabados são enviados diretamente da linha de produção por um sistema de correias transportadoras. Quando chegam às torres são levantados por braços mecânicos que giram  a partir de uma viga central para deixar cada carro em sua baia suspensa.  Um jeito no mínimo interessante de realmente pegar um carro com o odômetro marcando zero. 




Só de ver subir e descer os carros, já é uma diversão, mas também dá para subir por um elevador com capacidade para até dez pessoas sentadas que mais parece uma nave futurista até onde está o seu carro no alto da torre. Demais, rapaz! 

Para visitar a Autostadt é preciso comprar um ingresso que custa 15 euros. Nele está incluída também uma visita à fábrica. Essa parte do entretenimento começa com um breve passeio de barco pelo rio Aller (canalizado/retificado na área da fábrica para atendê-la e - diga-se - completamente limpo). Depois os navegantes descem da embarcação e entram num ônibus especial que percorre a linha de produção. No nosso caso, visitamos a do golf. Poderia ter sido na linha de produção do Touareg. Demos sorte de conseguir agendar essa visita guiada em inglês porque só há um horário nessa língua por dia. Todas as demais são visitas guiadas em alemão. O que para mim poderia até ser russo ou grego, tanto faz já que eu não entendo mesmo. 




Na Autostadt, há 10 restaurantes, todos voltados a atender com alta qualidade qualquer das expectativas dos clientes, sejam os que os frequentam como ambientes de negócios ou lazer. Também atendem aqueles que querem apenas uma pausa para um café e os que vão para relaxar ou só para matar a fominha entre as atividades oferecidos no lugar. Para cada restaurante valeria toda uma matéria especial.  Pena que eu só conheci um deles. Entretanto, o que sei e vi é que o nível do serviço e da comida é alto. Os chefs são premiados, a decoração e o ambiente são impecáveis, o atendimento de primeira (embora nem sempre bilíngue) e as opções de comida vão do trivial (como um latte machiatto) a sofisticadas preparações gourmet. No bojo de todo sse cuidado, há lá dentro uma escola de gastronomia para eventos especiais. Para se aprofundar nesse assunto, no site da Autostadt há uma área que traz até receitas sugeridas pelos chefs. Vale a pena dar uma navegada. 

Lá dentro tem também uma padaria,  a Autostadt Bakery: das Brot. Por sinal, eu aprendi (consumindo, graças a Deus, sem culpa!) que os pães são o melhor produto feito na Alemanha. Não há nada igual. Dos que provei, todos estavam deliciosos, desde os mais comuns aos mais sofisticados, tanto os comprados nos locais mais simples como os provados em restaurantes de hotéis de padrão internacional. 

Nessa Disneylandia da Volkswagen, tem ainda uma escola de direção para crianças, uma praça cultural que serve de ponto de encontro, teatro e anfiteatro, cinema, área para shows com concha acústica e espelhos d`água onde anualmente é promovido um show de águas e um largo espaço para passear. À beira do rio tem uma praia, dentro do parque. Também é possível fazer test drives de veículos numa pista especializada. 

O estrelado hotel Ritz-Carlton Wolfsburg fica à direita da fábrica e seu acesso se dá por uma área do parque. 

Como estivemos na Autostadt no verão, algumas atrações especiais estavam rolando. Pudemos navegar pelo rio num barco-deck muito confortável no qual o Silas foi o barqueiro e curtir um bungee jump sentado (de cadeirinha) que balançava por cima do rio. Tudo graças ao sol brilhando e o entardecer da Baixa Saxônia no verão que ocorre lá pelas 21h45. Dias longos ensolarados. Pura curtição! 



Para descrever todo esse complexo empreendimento que junta diversão e negócios seriam necessárias muitas páginas, mas o grande lance é perceber como pode ser construído um belíssimo cartão de visitas. A Volkswagen na Alemanha é ousada, tecnológica, divertida. Diferente da austera unidade de São Bernardo no Brasil, tão fechada, rígida. Certa vez estive lá para uma visita de negócios e fiquei confinada numa salinha de dois por dois metros, sem janelas. Fui atendida tão rapidamente que parecia estar atrapalhando a gerente de marketing que me recebeu. Antes disso, tive que mostrar documentos, passar por um longo processo para fazer o agendamento, apresentando versões detalhadas do assunto da visita, enfim, um saco! 

A austeridade da fábrica na Alemanha está representada nas quatro colossais chaminés que, em última instância, servem como cartão postal da cidade. No mais, a impressão não poderia ter sido melhor, nem mais leve, divertida e saborosa. 


Serviço: 

Autostadt