segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Para receber os amigos

Nada pode ser mais alegre do que reunir amigos numa data especial. Para isso eu penso que é preciso preparar comidinhas e arrumar a casa, deixar tudo bem bonitinho. A regra é a seguinte: se os seus convidados se encantarem com o ambiente mas acharem que tudo está ali meio que por acaso, ainda que você tenha tido muito trabalho pra fazer, valeu a pena. Nunca deixe a casa arrumada de um jeito que as pessoas tenham medo de tocar. Isso é o oposto do aconchego.

Ontem, foi o aniversário do Silas (e por consequência do Eneas, já que eles são gêmeos) e ficou por minha conta organizar uma happy hour para receber os amigos.

Foi uma delicia! Mas como o Silas só decidiu que queria comemorar desse jeito na quinta-feira, eu comecei os preparativos na sexta.

Primeiro discutimos o que seria servido e como eu ando encasquetada com comida mediterrânea, sugeri que fizéssemos antepastos mediterrâneos. Pesquisei um tanto e vi que não seriam itens muito diferentes dos que já estou acostumada a servir: pães, azeites, queijos, tomates, berinjelas, homus, azeitonas enfim, comidas que são típicas dos países que circundam o mar Mediterrâneo.

Só um parêntese. Nessa minha busca por informações encontrei um blog super interessante da Rosely Archela, chamado Agenda da Casa. Uma sugestão interessante para quem, como eu, quer saber mais sobre Cozinha Mediterrânea.

Fiz uma organização mental sobre o que teria que preparar e pus a mão na massa.

Na sexta de manhã, comecei os brigadeiros: fiz quatro receitas, o tradicional, beijinho, de café (que é o preferido de quem já provou) e de chocolate branco com damasco.  Ficou para o sábado, fazer o bolo de chocolate com recheio de beijinho e cobertura de prestígio. Tradicionalmente, aniversário precisa de bolo para cantar parabéns!

À tarde na sexta, fui para a Zona Cerealista com a lista na mão: azeitonas, alcaparras, queijos, chancliche, farinhas de trigo branca e integral, aliche, alguns vinhos (caso encontrasse bons rótulos),  pão sueco, castanhas e amendoins, damascos, ameixas, e por aí vai...

Foi rápido e prático. Nem parecia sexta-feira. O Silas foi comigo. Entre chegar, estacionar, comprar e voltar, gastamos uma hora e meia. É bom ver que a qualidade do atendimento daquela região vem melhorando muito. Vi novas lojas, mais limpas e bem cuidadas e, como já comentei em outro post melhorou a qualidade das calçadas (embora agora seja zona azul) e os estabelecimentos estão mais preocupados com o conforto dos consumidores. Só espero que isso não torne o lugar super caro perdendo toda a graça e aspecto pitoresco que teve até agora.

Como aproveitamos para compra muitas mais coisas além das que seriam usadas para a happy hour, a higienização e o armazenamento de tudo o que compramos é que demorou mais. Mas sempre vale a pena ficar com a dispensa cheia. Eu adoro. Sinto como se estivesse protegida, sei lá porquê.

No sábado, dentro da minha organização, eu precisaria fazer os pães, o homus e as mousses de azeitona e gorgonzola. Foram três pães diferentes: de ervas, de azeitona e de tomate seco.

Enquanto o Silas saiu para pedalar e depois foi para a casa dos pais dele, eu toquei esses itens todos. Tive lá meus erros e adaptações, mas, no fim, deu tudo certo.

Para o domingo, logo que acordei, dei aquela super limpeza na casa. Varri, passei pano, tirei o pó, limpei os banheiros, pus o vaso de orquídeas na sala para enfeitar, mudamos os móveis de lugar para ajeitar a melhor o ambiente e fazê-lo aconchegante. Depois, supermercado.  Planejava comprar as berinjelas,  abobrinhas, limões e tomates na feira para serem mais frescos, mas não deu tempo. Assim, fomos ao Futurama da Avenida Angélica e compramos tudo o que faltava, o que significa que as cervejas, águas e refrigerantes também vieram junto com os hortifruti.

Fiz babaganush com as berinjelas e um antepasto de abobrinhas que leva alcaparras, azeitonas e aliche. Minha mãe é especialista nessa abobrinha, mas a minha não ficou lá essas coisas, tenho que confessar.

Tem hora que bate um cansaço, mas fazer tudo isso é tão legal, tão prazeroso que eu fico ligada no 220. Não paro até que tudo esteja do jeito (ou bem próximo do jeito) que planejei.



Forrar a mesa com uma bela toalha, dispor as comidinhas preparadas com tanto amor nos recipientes mais bonitos que temos em casa, arrumar as cestas com pães e os queijos nas tábuas, distribuir os doces nas bandejas, separar os copos, as bebidas, providenciar saca-rolhas, guardanapos, porta-copos, pratinhos para servir, garfinhos ou palitos para os petiscos, tudo isso faz parte. Na minha cabeça, há uma sequência de ações que às vezes são feitas simultaneamente. Quem me vê trabalhando pensa que estou brava, mas não. Eu ficou muito concentrada. É um tal de sobe e desce escadinha pegando coisas nos armários e ajeitando tudo nos devidos lugares que só para quando a festa começa.

O som fica sempre por conta do Silas. Ele é muito melhor que eu nisso.

Receber os amigos em casa é uma satisfação, ainda mais para comemorar o aniversário do meu companheiro de todos os dias.  Eu queria ver o Silas feliz com a festa, ainda que pequena e totalmente feita em casa. A ele dedico todo o meu amor e aos nossos amigos, o melhor da nossa casa. Venham sempre!

Com tantas comidinhas mencionadas, vou dar a receita do bolo de chocolate mais fácil do mundo de fazer. Cada um recheia como quiser, já que a massa é sensacional!


Bolo Nega Maluca 

Ingredientes

3 ovos inteiros
1 1/2 xícaras (chá) de açúcar
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de óleo
1 xícara (chá) de chocolate em pó (não pode ser achocolatado!)
1 xícara (chá) de água fervendo
1 colher (sopa) de fermento em pó

Modo de fazer: 
Numa tigela, misture com o fouet (batedor de claras) todos os ingredientes, exceto o fermento. Só mistura, não é preciso bater. Faça isso na mão, não na batedeira ou no liquidificador. Depois de bem misturado, acrescente o fermento e leve para assar em forma untada e polvilhada. Temperatura do forno, 180 graus. Ficará pronto em 45 minutos.



sábado, 20 de setembro de 2014

Rocambole recheado com brigadeiro de damasco

Atendendo aos pedidos recebidos depois de ter publicado a foto do rocambole com recheio de brigadeiro de damasco ontem no facebook, publico a seguir a receita.

Rocambole com recheado com brigadeiro de damasco




Ingredientes

Pão de ló


2 ovos
1 xícara (chá) de açúcar
1 xícara (chá) de farinha de trigo
1/2 xícara (chá) água fervendo
1/2 colher (sopa) de fermento em pó

Brigadeiro de damasco

1 lata de leite condensado
1 colher de mantegia
3 colheres de geleia de damasco

Modo de preparo

Na batedeira: bata as claras em ponto de neve bem firme. Acrescente as gemas uma a uma e continue batendo na potência máxima. Junte o açúcar e bata até que a mistura se torne bem clara, quase branca. Acrescente a farinha de trigo e a água fervendo e continue batendo. Por último, ponha o fermento e leve ao forno em assadeira baixa untada e polvilhada. O forno deve estar pré-aquecido em 180 graus. O pão de ló leva apenas de 12 a 15 minutos para ficar pronto.

Geleia:  leve ao fogo 5 colheres de açúcar, 150 gramas de damascos secos e 1/2 xícara de água. Quando começar o ponto de calda, retire do fogo e passe pelo multiprocessador.

Brigadeiro: leve todos os ingredientes ao fogo, mexa até ferver. Conte 30 segundos e retire do fogo.

Montagem

Ainda quente vire o bolo sobre um pano de prato molhado. Deite o brigadeiro de damascos sobre a massa e enrole na horizontal com o pano úmido até formar o rocambole.

Importante: enrole bem firme o bolo e passe açúcar refinado em volta para evitar ressecar.

Só uma curiosidade: eu não planejei fazer um rocambole ontem. Tudo acabou acontecendo porque errei o ponto do brigadeiro de damascos. Aí, como estava muito mole a massa da brigadeiro, decidi usar como  recheio de algum outro doce. Só que eu não tinha muitos ingredientes em casa. Olhei na geladeira e tinha só dois ovos. A receita original do pão de ló leva quatro ovos. Eu adaptei e deu certo. Fiquei orgulhosa do resultado e da minha criatividade. Rsrs

É muito fácil de fazer, mas nem sempre o primeiro rocambole fica lindo. Agora, gostoso, eu posso garantir que vai ficar!

To na maior correria esses dias. Acho que é porque a primavera está chegando!

Bom domingo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A Clau fez bacalhau

Na quinta da semana passada, dia do aniversário da minha irmã, a Cris, ela não estava comigo, mas a minha casa estava cheia. A Bruna estava em casa de manhã e só sairia para o trabalho à tarde, a Maria tinha vindo trabalhar, o Arthur estava por aqui resolvendo coisas da viagem (aliás, ele embarcou ontem pra Alemanha e vamos ficar por aqui cheios de saudade) e o Silas voltaria para almoçar. Caberia a mim, preparar uma boa comidinha para nós todos. 

Fui à geladeira e não encontrei nada mais apetitoso do que um bacalhau que, embora estivesse ainda salgado, poderia ser trabalhado se eu fosse ágil o bastante para pré-preparar, ou seja, dessalgar e desfiar. 

Certo dia, meses atrás, a Paula, minha amada amiga viajante, veio me visitar e eu criei uma receita de bacalhau que deu super certo. Claro que não anotei naquele momento porque na minha cabeça, já que quem tinha criado a receita tinha sido eu, era óbvio que eu não a esqueceria. Ledo engano! De toda forma, tentei reproduzir e acho que ficou bem semelhante, embora a surpresa da primeira vez tenha feito meus comensais ficarem mais entusiasmados. 

O bacalhau é um peixe de fácil manuseio, mas assusta muita gente que pretende fazer porque, ao menos nos nossos supermercados, empórios e mercearias, até bem pouco tempo, ele só era vendido salgado, assim como as carnes e peças de porco usadas para preparos como as feijoadas. Muitos cozinheiros bem experientes não sabem dessalgar. Mas não é difícil. 

Como dessalgar o bacalhau: 

Antes de tudo, lave o peixe para retirar o excesso de sal. Depois mergulhe-o em água limpa e gelada. Tampe o recipiente e leve à geladeira por cerca de três horas. Escorra a água, lave o recipiente e repita a operação, ou seja, outra vez, cubra o bacalhau com água gelada e leve por mais três horas à geladeira. Caso não tenha água gelada, ponha água em temperatura ambiente e cubos de gelo. Repita mais uma vez a operação, se achar necessário.  Para saber se já está dessalgado é preciso provar um naco. 

Uma dica importante: não deixe que o bacalhau fique totalmente dessalgado. Isso vai diminuir o sabor. Se isso ocorrer, terá que ser feita uma breve correção no sal durante o preparo da receita. 


Bacalhau da Paula Baes (foi como batizei o prato)


Ingredientes

1 quilo de bacalhau (pode ser postas ou lascas) salgado 
4 batatas médias cortadas em rodelas finas
4 cebolas grandes
1 dente de alho
1 cálice de vinho branco de boa qualidade
200 gramas de azeitonas verdes sem caroço picadas
1/2 xícara (chá) de azeite de oliva
salsa e cebolinha a gosto
pimenta do reino a gosto
sal (o quanto baste)
3 colheres (sopa) de creme de leite
3 ovos grandes
300 gramas de mix de queijos parmesão e minas curado
manteiga para untar a forma 
farinha de rosca para polvilhar

Modo de preparo

Dessalgue o bacalhau e leve-o ao fogo com um pouco de água fervente por três minutos. Escorra em seguida, separando a água numa vasilha em que serão depositadas as batatas fatiadas em rodelas finais (espessura entre meio e um centímetro).  Como a água está bem quente e as batatas estão finamente cortadas, elas terão uma breve cocção. 
Refogue o bacalhau com azeite, alho e cebola picada em folhas. Acrescente o vinho branco, deixe soltar o vapor. Tempere com sal e pimenta do reino (se quiser, acrescente também um pouco de noz moscada ralada). Acrescente a azeitona picada e em seguida a salsa e a cebolinha. Regue com mais azeite. Reserve. 
Bata as claras em ponto de neve e em seguida acrescente as gemas levemente batidas e o mix de queijos, misturando com cuidado. O ponto é de suflê. 
Monte numa assadeira ou forma refratária untada com manteiga as batatas embaixo, em seguida o bacalhau refogado (no qual deve ser misturado o creme de leite pouco antes da montagem) e, por último, a mistura de ovos e queijos. Polvilhe farinha de rosca e leve ao forno por 75 minutos, a 180 graus. 

Sirva com arroz branco ou uma mistura de sete grãos.  Harmonize com vinho branco.  Eu prefiro um Chardonnay. 

Mais uma dica: use a água na qual esteve a batata e foi cozido o bacalhau para fazer o arroz. Isso fará com que o gosto do bacalhau dê graça ao cereal. 

Quando o Silas chegou, nem bem abriu a porta, logo foi perguntando: 

- Clau, você fez bacalhau? 




Ainda no forno, o cheiro é que tinha me entregado! 
Segundo a Bruna, nesta segunda vez que preparei essa receita, a melhor parte do prato foi o ovo batido porque fica bem crocante em função do tempo de forno. Eu penso que tudo junto dá um resultado incrível. Especialmente se for regado com mais azeite no prato. 

O nosso almoço de quinta-feira passada foi uma delícia, tanto pelo bacalhau quanto pela família reunida na mesa. Eu amo quando isso acontece e dá aquela tristeza se temos que logo nos levantar para continuar o trabalho. Vontade dá de ficar ali batendo papo. 

E bebendo vinho, claro! Ah! Antes que me esqueça, um brinde à Cris pelo aniversário. Para ela dedico todo o meu amor. 

Beijos. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Restaurant Week, reflexões marqueteiras

Começou ontem, segunda-feira, 15/09, e vai até o dia 28, a 15a. edição do Restaurant Week em São Paulo. 

Cheia de prós e contras, a semana de "gastronomia a preços populares" ainda é uma boa opção para os que não tem grana e gostariam de conhecer estabelecimentos cujos preços praticados não são nada convidativos. 

Há anos eu vou em algum restaurante novo no período da São Paulo Restaurant Week. Entendo, portanto, que há uma diferença bastante significativa no trabalho dos restaurantes que decidem fazer parte desse festival quando comparado com os dias normais.




Para quem não conhece, Restaurant Week é um festival gastronômico que tem como objetivo oferecer menus especiais a preços baixos ou "democráticos", como os próprios organizadores da RW definem. Nessa 15a. edição na capital paulista, os preços para almoço são de R$ 37,90 e para o jantar R$ 49,90, considerando um menu com entrada, prato principal e sobremesa. 

Uma vez que estou estudando elaboração de cardápios e já estive em vários restaurantes aproveitando a opção mais barata do menu durante o período RW, pensei em elaborar um pouco em palavras o que minha percepção me sugere quanto à decisão de um restaurante em participar do festival. Especialmente os mais caros e, também, os mais interessantes para o consumidor diante dessa oportunidade. 

Antes de tudo, acredito na RW como uma excelente campanha de marketing para os restaurantes, uma vez que alguns se tornam  mais conhecidos do público em geral ao participarem já que entram numa lista a ser pesquisada no site oficial do festival.  

Nem sempre um restaurante, por mais que seus donos saibam da importância da comunicação e da propaganda em diversos níveis para seus estabelecimentos, conta com um orçamento para contratar uma empresa ou profissional especializado para fazer da sua porta aberta uma casa conhecida por muitos potenciais clientes.  Claro que existem restaurantes que não tiveram que se preocupar muito com isso no passado e se tornaram grandes referências no mercado, entretanto, isso é cada vez mais difícil. Sem ajuda especializada, o que significa ter que por a mão no bolso para contratar alguém com conhecimento específico sobre comunicação e marketing para dar uma ajuda a fim de que o restaurante se torne visível, é menos provável que muita gente saiba que o tal restaurante existe. Há os que optam por deixar a coisa acontecer sem divulgação miníma, mas o resultado, se rolar, vai demorar mais. 

Sem continuar numa extensa explicação sobre as possíveis ações de marketing que contribuem para o sucesso de um restaurante, voltemos à RW.   

Como disse antes, o menu da RW é especial. Aqui, vale destacar que menu não é cardápio. Cardápio é o que se oferece no restaurante como um todo, menu é o que se oferece para uma refeição. Ou seja, ao convidar amigos para jantar na sua casa, você vai definir um menu e não um cardápio.

Como o menu da RW é diferente, os chefs têm que, obrigatoriamente, definir quais serão os pratos que irão compor a sequência do que será oferecido no festival que dura entre uma e duas semanas, com valores, muitas vezes, bem menores do que os praticados no cardápio. Eu disse "muitas vezes bem menores" porque nem sempre é isso o que ocorre. Contudo, se a lógica do festival é oferecer a qualidade gastronômica a preços democráticos, isso é o que se espera encontrar. Partindo desse princípio, o chef terá que pensar muito bem para que a sua decisão sobre o que oferecer no menu da RW não tenha um custo que não valha o esforço de prepará-lo uma vez que durante do festival mais pessoas pedirão aquela sequência pré-definida. 


Foto do Medalhão, restaurante All Seasons, na RW


Isso tudo faz com que, via de regra, os pratos que levam ingredientes mais baratos sejam os mais trabalhados pelos chefs na Restaurant Week. Por uma simples questão de bem gerenciar os  negócios, o que também é função do chef, não podemos esquecer. 

Assim, o exercício de elaboração do menu é fundamental para que o cliente tenha a melhor impressão de um determinado restaurante, mesmo não tendo experimentado o prato mais caro do cardápio. O que me faz pensar que toda a brigada terá que ser envolvida para que a excelência do serviço seja o que vai impressionar os clientes e os fará voltar fora do festival. Aí sim, a estratégia de participar da RW faz realmente sentido para o dono do estabelecimento.

Fora isso, ainda que o ticket médio ou couvert médio (que é como se costuma chamar o quanto cada pessoa gasta em média num restaurante) seja mais baixo, uma campanha de uma ou duas semanas com preços baixos, tende a atrair mais clientes que, em tempos de preços normais, não frequentariam a casa. É preciso então fazer uma conta para garantir que a participação no festival seja positiva, já que o custo de um restaurante vai muito além do que é gasto para se fazer comida. Se o estabelecimento tiver que, por exemplo, contratar mais gente para trabalhar durante a RW pode não ser muito lucrativo participar do festival. Como sabemos, os salários, o aluguel do ponto e o custo do estoque, só para dizer o mínimo, são custos que impactam diretamente no resultado dos negócios. Tem muito restaurante, só pra dar ideia do que estou tratando, que, com a especulação imobiliária de São Paulo, que elevou vertiginosamente os preços do aluguel em algumas regiões, não  aguentou e teve que ser fechado porque as contas não fechavam, ainda que os pratos por si só fossem bastante lucrativos. Isso sem falar no que se paga de impostos e taxas para se vender comida.

De toda forma, está aí uma breve reflexão sobre alguns itens a serem levados em conta quanto a gestão do negócio de restaurantes. Essa reflexão é de alguém que, apesar de amar gastronomia, é mais business woman, que chef: eu. Meus anos de experiência profissional são bem mais voltados a cuidar de custos e de negócios, ganhando dinheiro, claro, para gastar em restaurantes, que, antes, eram só entretenimento e prazer na minha vida.  

Eu poderia escrever ainda muitas outras reflexões a partir da ideia da RW, mas os textos muito longos não são lidos, isso já aprendi também! 

No fim, acho que é bom poder juntar conhecimentos. Isso talvez se chame sabedoria. 

Mesmo que seja só pra reclamar, como fazem muitas pessoas,  por que você não tenta desfrutar da 15a. edição da São Paulo Restaurant Week?  

Até amanhã! 

Serviço:

Restaurant Week

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Feira de confeitaria e competição de cupcakes

Começa amanhã, quarta, 10/09, a Artesanal Confeitaria e Festa, no Centro de Eventos São Luis, bem pertinho da Avenida Paulista, na capital.

A feira é voltada ao consumidor final e aos inúmeros pequenos empresários, formais ou informais, que vivem da arte culinária, em especial, da confeitaria e dos doces de festa.

Como já existem outras feiras que tratam dos negócios entre os fabricantes de produtos e os grandes consumidores, como restaurantes, confeitarias e supermercados, a Artesanal Confeitaria e Festa tem como objetivo por em contato as principais empresas fornecedoras de produtos de confeitaria e decoração de festas e gente que lida com o produto em casa ou em seus pequenos e promissores negócios no mundo dos doces e das festas.

Uma atração que pretende se destacar no evento é uma competição que envolve estudantes de gastronomia no Desafio Artesanal dos Cupcakes. Com objetivo de levar os alunos de faculdades para o mundo real das competições gastronômicas, a iniciativa visa "incentivar a criatividade de todos de forma dinâmica e desafiadora, mostrando o que cada equipe faz de melhor, utlizando os produtos da feira, fornecendo ideias de manipulação e manuseio para o público em geral".

São quatro as universidades participantes do desafio: Ceunsp, Unip, Unicsul e Metodista. Dos quatro dias da feira, nos três primeiros, quatro equipes em cada dia fazem três tipos de cupcakes cada. No total, 12 preparos diferentes por dia. Há um júri especializado para dar notas e o público da feira também vota. Ao final dos três dias, três equipes estarão classificadas para a grande final que será no sábado, quando cada equipe fará então duas receitas diferentes das já apresentadas anteriormente.

Amanhã estarei lá para conhecer o evento e também para prestigiar meus colegas participantes do desafio. Não vejo a hora de provar os cupcakes porque sei o quanto todos estão super envolvidos, criando deliciosas receitas que, certamente, serão muito bem decoradas.



A cidade de São Paulo, ao meu ver, é um grande polo de eventos de todas as naturezas. Aqui tem de Fórmula 1 a competição de cupcakes. Esse tipo de evento, além de trazer novidades e gerar negócios, movimenta muito a Economia do país. Participar é ampliar os horizontes porque aumenta a rede de relacionamentos, fomenta ideias e é uma delícia.  Essa frase sendo escrita por mim parece lugar comum, mas tem gente que não vai, acha chato, não se dá a chance... Eu sou fã!

Depois conto como foi e ponho fotos.

Até mais.

Serviço

Feira: Artesanal Confeitaria e Festa


Data: 10 a 13 de setembro
Local: Centro de Eventos São Luís
Endereço: Rua Luís Coelho, 323. São Paulo - SP
Horário: das 13h às 21h nos dias 10,11 e 12 e  das 13hàs 19h, no dia 13.009.
Ingresso: R$ 14,00 inteira e R$ 7,00 meia.
Proibida a entrada de menores de 12 anos
Organização: WR São Paulo Feiras e Congressos

domingo, 7 de setembro de 2014

Um baú de relíquias

Sem querer, em busca de uma caixa com copos ou utensílios herdados que deixei na casa da minha mãe, encontrei um tesouro. Uma caixa de madeira antiga que veio junto com uma máquina de costura da Vigorelli estava guardada num armário no quartinho do quintal. Eu já tinha visto essa caixa muitas vezes, mas por algum motivo, somente hoje resolvi dar uma espiada no que ela continha. 

Que surpresa feliz! 

Assim que abri emcontrei vários papeis amarelados pelo tempo, dobrados, meio amassados, nos quais eu conseguia ver uma ou várias caligrafias, algumas mais rebuscadas e cuidadosas, outras nem tanto, feitas um pouco na correria, além de recortes de jornais e revistas já um tanto corroídos pelo tempo e pelo arquivamento sem o devido cuidado: uma caixa de receitas! 



Coincidência ou sincronia - Ainda ontem à noite, enquanto jantávamos na casa da minha mãe, ela, a Cris, a Giovana, o Silas e eu, comentávamos sobre a receita do Bolo Flor de Maio. Lembrávamos "de cabeça" o que ia no preparo do bolo, cada uma de nós (minha irmã Cris, minha mãe e eu, que tivemos contato direto com o bolo por anos) com uma versão diferente. Eu tenho uma receita e, para cada uma delas, a versão era um pouco diferente, com manteiga, com óleo, com os dois juntos, enfim, aquilo que já sabemos sobre a culinária de família. Sempre cheia de variações e vida própria. 

Não é que o primeiro papelzinho que eu desdobrei esta manhã tinha a receita do bolo Flor de Maio? E o que é mais interessante, sem margarina, sem óleo, mas feito com manteiga e banha! E o fermento tem outra medida, são três colherinhas de fermento royal ou 1 colherinha de bicarbonato. 


Eu não podia ficar mais entusiasmada com o que encontrei porque é um verdadeiro tesouro. Não importa o que contenham as receitas, elas são a história pura e verdadeira da minha família, uma família de muitas mulheres, mais do que homens, que, pelo que consigo julgar de imediato e guardo na memória, sempre gostaram de cozinhar. 

Entre as delicadas folhas manuscritas, encontro letras feitas certamente pela tia Dionisia, pela tia Matilde, algumas assinadas, outras possivelmente feitas por algumas das crianças da época que ainda guardam como registro a tentativa de ostentar uma caligrafia que não fosse infantil. Isso é lindo! Eu fiquei e ainda estou muito emocionada. 

Segundo minha mãe ao ver parte de um caderninho com vários preparos anotados de forma muito cuidadosa, mudando inclusive as cores da caneta, deve ter sido Matilde quem escreveu e enviou para minha avó Angelina no sítio. Minha avó não sabia escrever, mas conseguia ler algumas coisas e eu sei que ela gostava muito de receitas. 

Algumas dessas receitas estão datadas o que me faz ter certeza que foram escritas na década de 30 do século passado. As "chícaras" ainda não se grafavam com x e açúcar era assucar, escrito  com ss. Nessas folhinhas rabiscadas, algumas receitas exclusivas transmitidas entre irmãs outras copiadas de algum livro de receitas da época. Algumas páginas trazem 4 ou 5 preparos de bolos e há também as que, possivelmente, foram anotadas num programa de rádio e depois de televisão. 

Desde que me conheço por gente, na minha casa sempre vimos programas de culinária e as mulheres corriam para anotar os ingredientes e o modo de fazer enquanto a Xênia, a Maria Tereza ou outra apresentadora que não me lembro acompanhavam cozinheiras como Ofélia e Etti Frazer dando espetáculo nos programas femininos. Fora isso, havia um encarte semanal do Estadão, o Suplemento Feminino, que era colecionado por causa, principalmente, das receitas que vinham com fotos ou ilustrações passo a passo sobre como fazer. 

Outra incrível constatação do meu achado foram algumas páginas retiradas da revista Cruzeiro em 1950. As receitas eram publicadas na penúltima página e a última trazia Rachel de Queiroz respondendo cartas de leitores ou escrevendo sobre turismo. 

Para meu deleite, essa página traz o expediente da revista. A presidente era Amélia Withaker Gondim de Oliveira e o diretor secretário ninguém menos que Austregésilo de Athayde, que em 1952, ganhou um prêmio da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, por sua destacada atividade jornalística

Diante dessa cápsula do tempo, em alguns meros segundos eu pude supor e imaginar histórias, relembrar rostos, vozes e cheiros da minha infância ou do que eu penso que ela pode ter sido, uma vez que a gente reconstroi memórias de muitas formas, consegui ainda visualizar redações de jornais no passado, imaginar gente nas casas recebendo a revista Cruzeiro ou escrevendo cartas para a colunista dona Rachel de Queiroz, que na época não tinha mais do que a minha idade atual. 

Vendo uma página da revista Cruzeiro, definitivamente, vejo que é muita pretensão se achar original nos dias de hoje. Tudo já foi inventado. A gente podia era copiar de um jeito bem feito, mas, muitas vezes, nem isso faz. A revista era muito bem feita! 

Só por curiosidade, tem uma folha arrancada da revista de 28 de junho de 1958. Na página da frente, vem o início de uma receita de bolo de leite de coco que continua na página seguinte, mas é intercalado por uma publicidade de aspirador de pó da Walita e o texto do anúncio é Leve como uma vassoura! Bom, não? 




Muitas ideias estão agora passando pela minha cabeça sobre como tratar todo esse material tão rico, tão simpático e cheio de emoções contidas em receitas. Sem dúvida, ganhei o dia! 

Bom dia da Independência. Hoje é 7 de setembro de 2014. 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Salmão com gergelim do restaurante Athenas

Eu trabalhei nos últimos quatro anos num prédio na esquina das ruas Bela Cintra e Antonio Carlos, no Edificio Cidade III. Era lá que ficava a Secretaria de Saneamento do Estado de São Paulo, que, primeiro era também de Energia e depois deixou de ser e passou a cuidar de Recursos Hídricos. 

Para mim, essa é uma localização muito privilegiada na cidade de São Paulo porque está na região da Paulista, no quadrilátero entre a Rua Augusta e a Rua da Consolação. Fácil para chegar de metrô, de ônibus e, no meu caso, também de bicicleta ou a pé. Tem uma estação dessas do Bike Sampa, Itaú, bem perto dali. Nos últimos dias em que trabalhei já fazia uso das bicicletas, especialmente, para voltar pra casa. Confesso que acho um luxo poder contar com esse tipo de serviço agora em São Paulo. Sou fã! 

Entre os benefícios da localização, estão as lojinhas (tem de tudo por ali) e os restaurantes. Alguns não muito convidativos, do tipo engordurado ou pé-sujo, outros um tanto caros para o dia-a-dia, mas várias opções de bom padrão com preços pagáveis, ainda mais se você tem um vale-alimentação. 

Uma dessas boas opções é o Restaurante Athenas, no número 460 da rua Antonio Carlos. Existem outros dois Athenas, também na mesma rua, só que um na esquina da Augusta, mais badalado e com opções de empratados e lanches e outro ao lado da escola de idiomas Seven. Nesse último, eu nunca fui, mas deve seguir o exemplo dos demais e ter boa comida. 

Esse a que me refiro, fica num sobradinho muito charmoso de paredes em branco e azul clarinho em que os batentes das portas e as janelas são azuis também,  só que mais fortes. Se você abstrair um pouco, pode se sentir numa espécie de bistrô. Nem sempre dá para abstrair porque o restaurante vive cheio e o sistema é buffet em que o próprio cliente se serve e depois pesa o prato. 

O valor cobrado pelo quilo da comida é de R$ 49, o que não o faz um dos mais baratos da região, mas a comida é realmente boa. Além disso, você tem como prever o que vai comer porque não há grandes variações nos pratos que são servidos. 

O buffet de saladas tem sempre as mesmas opções, mas os ingredientes são sempre muito frescos, assim como são os molhos.  Os cortes são bem feitos e a comida fica bem refrigerada no local em que é servida. Eu costumo diferenciar os restaurantes por quilo entre os que têm palmito, champignon e kani, dos que não têm. Os primeiros são mais caros em geral, mas também mais cuidadosos na maioria das vezes. O Athenas está na primeira categoria. 

As poucas variações que ocorrem está na mesa de pratos quentes, mas é muito provável que você encontre lula, mussaká, cordeiro com batatas, salmão grelhado, kafta, berinjela recheada e bacalhau ao molho.  

No terceiro buffet, você pode se servir de grelhados diversos como linguiças, picanha, alcatra e logo ali ao lado de uma torta de espinafre deliciosa.  

Na hora de pesar o prato, você já escolhe o que vai beber. Tem vinho da casa e uma ou outra opção de taça de branco e tinto, quase sempre de preço baixo, mas que nem por isso é vinho doce de mesa. Há quase sempre uma opção de vinho chileno que para um almoço diário não ofende ninguém.  Nesse mesmo local, podem ser pedidos sucos, cujas variações são interessantes, mesclando por exemplo hortelã e gengibre com as frutas. 


Toda a descrição desse restaurante é apenas para que eu conte sobre uma delícia que eles servem: salmão em pedaços empanado em gergelim. Servido na mesa de saladas, esses tenros pedaços de alegria podem ser acompanhados de um molho escuro, que descobri se tratar de um molho teriaki. 

O salmão é empanado no gergelim branco e preto e em seguida grelhado. Fica macio por dentro  e crocante por fora, uma explosão de sabor. Quando acompanhado do teriaki, que é feito de aceto balsâmico, açúcar e mel, fica ainda mais gostoso. 

Houve dias em que fui ao Athenas exclusivamente por causa do salmão com gergelim. Coisa que não é rara no meu caso, porque quando gosto de uma comida, volto ao lugar sempre que posso para comer. Mas se levando em conta que os pequenos pedaços de salmão ficam numa pequena travessa junto das saladas,  ele podia nem ter sido notado. Do meu ponto de vista, deveria ter um altar de destaque, salvo o exagero, claro!




Anteontem, por ocasião do aniversário da Meire, estive no Athenas, em companhia dela e da Clarice. Fomos comemorar já que não pude ir à festa surpresa na noite anterior. Foi, como sempre, uma delícia, tanto a companhia quanto a comida. 

Que eu saiba, o tal salmão, não existe no Restaurante Athenas que fica na esquina da Rua Augusta, então, se quiser provar, vai ter que encarar um lugar por quilo. Esse, eu digo, vale a pena. 

Saiu a mega-sena acumulada? Eu não posso estar milionária, não joguei! Beijos aos queridos leitores. 

Serviço

Athenas Restaurante

Rua Antonio Carlos, 460 - São Paulo