quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Pensar a alimentação, impressões

Em tempos de transição na vida, quando a gente dá um tempo para pensar em que quer fazer daqui pra frente e de que jeito pretende fazer, se ficar parado, nada rola, mas se der uma breve olhada em volta, acaba se envolvendo com assuntos diversos, arejando a cabeça e abrindo espaço para milhões de ideias. 

Por conta dessa minha fase, ontem e anteontem, estive no Seminário Alimentação Hoje - Entre Carências e Excessos, no Sesc Belenzinho. Para quem acompanha o blog, na terça, já compartilhei algumas informações a que tive acesso durante o evento. Entretanto, o que mais me interessa compartilhar no momento são impressões, muito mais do que meramente informações. 

Entre as minhas impressões, me pareceu que, no Brasil, o lado nutricional do  imenso universo da comida, diferentemente da Gastronomia que tem ares de moda passageira para alguns (não pra mim), está consolidado. Há articulação e planejamento entre os profissionais dessa área que estão bastante envolvidos inclusive com as políticas públicas que se referem à segurança alimentar e nutricional. 

Também me impressionou que venha sendo observada uma evolução positiva na administração dos principais problemas elencados por esse setor que não são poucos. Para dar uma ideia, questões relativas à fome endêmica, a desnutrição ou o aumento da obesidade, a  rotulagem de produtos, as legislações que permitem o abusivo uso de açúcar e sódio nos refrigerantes e sucos de caixinha, a publicidade sedutora de "besteiras" para comer, a alimentação nas escolas, a produção de transgênicos e outros tantos exemplificam as preocupações e ocupações desses profissionais. Mas, pelo que vi, há encaminhamentos para que esses assuntos sejam solucionados. Parece mesmo que há otimismo e atitude nas pessoas que lidam com esses entraves. Muito bacana de ver. 

Outro ponto de destaque é o preparo e a articulação dos participantes convidados para os paineis dos dois dias em que participei do seminário. Sem exceção, não houve gente mal preparada nas mesas. Ponto muito positivo para os que desenharam o encadeamento e a ementa do evento. Eu que fiz isso durante anos, me vejo bastante tranquila para julgar esse quesito. Foi tudo feito com muito profissionalismo. 

Entre as apresentações de ontem, o meu maior interesse estava focado na questão da identidade cultural da comida no Brasil, o último painel do dia. Pois não deixou a desejar. A participação do crítico da Folha de São Paulo, Josimar Melo, como mediador funcionou bem, mas numa mesa como aquela em que falaram Joana Pellerano e Mara Salles, respectivamente, jornalista professora de Gastronomia e História do Senac e cozinheira dona do restaurante Tordesilhas, nada tinha mesmo como dar errado. O debate foi de altíssimo nível. Nessa mesa, também estava Bela Gil, que tem feito um bom trabalho ao ensinar a cozinhar na GNT.

Joana é estudiosa, sabe conceituar e explicar a comida como cultura de maneira didática tornando compreensíveis os aspectos simbólicos das refeições, indo muito além do nutricional. Já Mara Salles é cozinheira e chef de cozinha envolvida em projetos de educação para pessoas que cozinham no dia a dia, ela transita habilmente nos ambientes gastronômico e da pesquisa alimentar, já que tem um restaurante reconhecidamente de qualidade nos Jardins em São Paulo e nem por isso deixa de pesquisar Brasil adentro a realidade da comida do país.  

Não deixando passar a oportunidade de mencionar outros excelentes momentos entre os muito bons que tive durante o seminário, perguntei ao palestrante Enrique Jacoby, representante da Organização Panamericana de Saúde em Washington, sobre o papel do gastrônomo no cenário da alimentação da América Latina. Ele respondeu que a contribuição desses profissionais é importantíssima para que a qualidade do alimento seja valorizada, uma vez que os chefs não admitem trabalhar com produtos abaixo de um determinado padrão. E, segundo ele, isso nada tem a ver com alimentos bonitos e uniformes produzidos em larga escala, mas, principalmente, com diversidade, valorização regional dos ingredientes e prevalência de sabor. Para exemplificar, mencionou que no Peru, a Associação de Gastronomia foi diretamente responsável por uma moratória de dez anos para a entrada de alimentos transgênicos no mercado consumidor.  

Em resumo, depois de ouvir Jacoby, minha avaliação é que temos ainda mais uma frente como profissionais da gastronomia que vai ainda além da preservação da comida como patrimônio em nosso país, que é a busca pela melhor qualidade alimentar em todos os níveis e isso se dá pelo nosso envolvimento nas questões de produção, mercado e consumo. Ou seja, fui ao seminário certo. 

Há ainda que se falar do Sesc Belenzinho. Um desses oásis que a gente descobre nesse deserto urbano em que vivemos. É bem público que sou fã do Sesc, mas o espaço ali é, de verdade, encantador. Amplo, funcional, leve. Um modelo de espaço bem criado e desenvolvido para a convivência plena de pessoas. Não sei quantas pessoas atende por dia ou por mês, mas com tantos recursos disponíveis acredito não sejam poucos os paulistanos e visitantes que se beneficiam da estrutura todos os dias. Sensacional mesmo. 

Só pra fechar o texto sobre as impressões que tive, a primeira foi a emoção que senti logo que cheguei. Os organizadores do evento prepararam uma recepção amável aos participantes. Havia no terceiro andar, no hall de entrada do salão, um casal, ele tocando violino e ela distribuindo breves excertos de textos da doceira Cora Coralina. Cada pessoa podia se aproximar e sortear um, como fazemos com aquele periquitinho que lê a sorte. O meu foi o seguinte: 
Sou mais cozinheira do que escritora, sendo a culinária a mais nobre de todas as Artes: objetiva, concreta, jamais abstrata a que está ligada à vida e à saúde humana






Chorei. 

Até amanhã.  

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Alimentação Hoje - Entre carências e excessos

Cá estou eu no Sesc Belenzinho entre encantada e apaixonada pelo espaço, que é tudo de bom, quem não conhece deveria conhecer (eu que nunca venho para esses lados de São Paulo, estou amando!), no Seminário Internacional ALIMENTAÇÃO HOJE - Entre carências e excessos, que vai de hoje até quinta-feira. Três dias inteiros para tratar de um assunto que diz respeito a todo mundo. Todo mundo mesmo porque afinal todos comem.

Sem me estender demasiadamente só queria registrar algumas informações que anotei e sobre as quais, pertinentemente nesse período, é válido refletir. Não são informações do Governo Federal, é bom dizer. São da FAO, que é o organismo internacional da ONU para agricultura e alimentação (ou comida).


Segundo o palestrante Alan Bojanic, da FAO, "o mundo está olhando para a redução da fome no Brasil". De acordo com o Relatório Mundial sobre Insegurança Alimentar (a sigla é SOFI), nós aqui das terras tupiniquins saimos do mapa da fome em 2014, o que significa que agora temos menos de 5% de famintos no Brasil. Para a organização, os países que chegam a um índice abaixo de 5% deixaram de ter um problema endêmico, entretanto, o desafio é manter esse número e erradicar definitivamente a fome. Há 10 anos, éramos 13% de brasileiros sem acesso à alimentação adequada, ou seja, com fome!

Em 2050, seremos 9,1 bilhões de pessoas no planeta e é estimado um crescimento 70% urbano. Dá pra pensar nisso? Se não dava, é bom achar que agora dá. Porque é gente pra caramba!

É fato que o problema da fome é o maior de todos os problemas solucionáveis do mundo. O que é produzido seria suficiente para todos os cidadãos. Entretanto, os grandes desafios em relação à alimentação são: como dar acesso para todas as pessoas aos alimentos produzidos; como melhorar a distribuição e como garantir o direito humano à alimentação.

Eu mencionei acima que o mundo está de olho no Brasil em função da redução da fome por aqui. Esse olhar está direcionado ao que chamamos de fatores de sucesso que levaram o país a essa nova condição. O primeiro em destaque diz respeito ao compromisso político com a erradicação da fome e da miséria numa bandeira controversa chamada Fome Zero levantada pelo presidente do país à época, Luiz Inácio Lula da Silva. Lula conseguiu colocar a questão da fome em termos políticos, tema que era tratado como técnico até então. Foi ele também o responsável pelo aumento real do salário minímo e pelo programa de "1 milhão de cisternas", para tentar resolver a seca do semi-árido nordestino.

Além disso, houve, claramente, no Brasil, o envolvimento de diversos atores:  Governos, sociedade civil, setor privado e o meio acadêmico para que fossem articulados movimentos para reduzir a fome.

Em termos políticos, houve avanços e uma grande predisposição: além do Bolsa Família, 19 ministérios formam um comitê interministerial para combater a fome no Brasil. Ou seja, as decisões de cada ministério, bem ou mal, estão articuladas entre si e levam em conta a questão da fome no Brasil.  Além disso, a alimentação nas escolas é fundamental em todo o processo.

Dado que o modelo de produção de alimentos no mundo, incluindo o nosso do Brasil,  não é sustentável, como fazer para aumentar a produtividade para garantir o atendimento das demandas do futuro? A resposta é o crescimento vertical da produçao sustentavelmente.

Em resumo, parece simples. Para alimentar o mundo, há recursos, mas é preciso mais tecnologia adequada e menos nociva ao meio ambiente, mobilização política e vontade cidadã.  Fácil? Nenhum um pouco.

Agora à tarde tem mais. Até amanhã!

Em tempo: o seminário faz parte da comemoração dos 20 anos do programa Mesa Brasil - Sesc São Paulo, uma iniciativa vencedora. Vale um capítulo exclusivo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Massimo Ferrari e Domenico "Mimmopizza"

De caráter gastronômico e viajante, o Blog da Gavioli é um exercício prazeroso (sem perder a seriedade) praticamente diário de observar, pesquisar, se envolver e então escrever sobre assuntos que pipocam na vida da gente. Vamos então falar de eleições?

Não.  Dado que o voto é secreto e as mídias sociais deram espaço a todos para publicarem suas escolhas, racismos e preconceitos, hoje aproveito para mudar de assunto, já que tenho um episódio alegre e de muito aprendizado para compartilhar.

Na sexta passada, na Unip, tivemos a grata oportunidade de receber no laboratório de Alimentos e Bebidas, o alegre e sorridente Massimo Ferrari, que trouxe consigo o chef pizzaiolo Domenico, ou Mimmo, como o chamam, um profissional nota 10 diretamente de Milão.

Com o perdão da licença poética, pizza é comida internacional. Quem não conhece no mundo? Quem não gosta?  Se houver exceção é só mesmo pra confirmar a regra. No Brasil, mais ainda em São Paulo, pizza é uma paixão nacional.

Quando vim do interior para morar em São Paulo, em 1993, aprendi que paulistano tem loucura por pizza e que no domingo à noite sair para ir à pizzaria já foi um entretenimento obrigatório de muitas famílias.

A visita foi programada pelo coordenador do curso de Gastronomia, o professor Rodrigo Stolf e o modelo pretendido era o de palestra com degustação. Como palestrante, o chef Mimmo, e para traduzir da língua italiana, Massimo Ferrari. Depois, o chef com a ajuda de alguns dos nossos colegas de turmas mais avançadas nos serviu o resultado de sua longa experiência no mundo das pizzas!

Mimmo deu uma aula, ainda que breve porque todo público estava ansioso pelos preparos, sobre água, sal, fermento e farinha de trigo, os ingredientes indispensáveis para a massa da pizza. Surpreendente para muitos que uma comida que parece tão trivial em todos os bairros de São Paulo tenha tanta  sabedoria embutida para que seja realmente de boa qualidade e excelente paladar.

Domenico Mimmopizza Todisco, na Unip


Para o chef, que também participou na semana passada da 3a Semana Regional de Comida Italiana em São Paulo, de 18 a 25 de outubro (conforme eu divulguei na coluna Fast Food ainda em setembro), além dos bons ingredientes e do conhecimento necessário para combiná-los de acordo com a temperatura do ambiente, a boa pizza deve manter o equilíbrio perfeito entre massa e cobertura. Não se privilegia um ou outro jamais sob pena de estragar o produto final e o paladar.

A noite foi encantadora também porque Massimo Ferrari é um desses homens moldados para a delicadeza de bem receber. Um senhor a quem os suspensórios caem bem porque completam o estereótipo que temos do mafioso buona gente que vemos nos filmes da little italy de Nova York. Ele, pessoalmente, é dessas pessoas a quem não falta elegância,  simpatia e generosidade. Além do que é um italiano em essência, muito passional diante de uma plateia jovem a quem ele se dedicou em atender com palavras de estímulo e esperança na profissão. Uma graça!

No Brasil, quando prevemos um engodo, a gente tem o hábito de dizer que "tudo acaba em pizza". A noite de sexta é a prova de quem nem sempre isso é ruim. Neste caso, eu sou só elogios!

Nossos agradecimentos, portanto, ao Massimo Ferrari, ao chef Domenico e ao professor Rodrigo Stolf pela oportunidade.  E às queridas amigas Simone Exposito e Gabriela Kanashiro pelas fotos. As aqui publicadas são da Simone!
Massimo Ferrari, eu e chef Mimmo 

Obs: Para quem tem preguiça de pesquisar, Massimo Ferrari é o mesmo do lendário restaurante Massimo da Alameda Santos nos Jardins em São Paulo que fechou no ano passado. Ele atualmente é dono do restaurante Felice e Maria, no bairro do Itaim, ou, se preferir, aquele da Pizza do Faustão. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Economia criativa

Não é segredo que eu sou louca por comidinhas do tipo finger food. Sou adepta de receber em casa e que costumo, seja qual for o evento, inserir em parte dele o estilo coquetel informal. 

Ontem, estive no estúdio da eduK em São Paulo, no curso Cardápio para Buffet Infantil com a chef patissier Janaína Suconic

A experiência foi ótima porque além de rever estúdios de televisão que me fizeram lembrar e até sentir saudades do tempo em que fui coordenadora de produção na antiga rede Mulher, bem no início da minha vida profissional, tive a chance de ver de perto a atuação e a criatividade da professora Janaína. 

Que não estranhem a minha colocação os que sabem que sou aluna dela no curso de Gastronomia, mas em sala de aula, digo na cozinha laboratório, são os alunos os que cozinham sob a supervisão e o acompanhamento dos professores. Lá na Eduk, a Janaína executou todos os pratos, com habilidade e destreza invejáveis. 

Foram 16 preparos feitos em quatro horas. Não é pouco! 

Composição da mesa com os preparos

Águas saborizadas e drinks sem álcool



Embora o tema tenha sido o cardápio para buffet infantil, muitas das receitas e combinações são perfeitas para adultos. A maior parte delas é simples de fazer, mas tem um toque de sofisticação, o que eu chamaria de uma delicadeza essencial para quando se vai receber em casa.  

Acho que a Janaína acerta porque consegue alinhar criativamente a simplicidade de um preparo com o charme de uma boa apresentação e isso faz muita diferença. 

Talvez por conta do meu olhar, penso que tudo o que vi ontem, pode ser plenamente adaptado para comida de boteco, coquetel, brunch, aperitivo ou entrada e até mesmo para uma cesta de piquenique (exceto os fritos). Vou por em prática logo, logo. 

Quando cheguei no estúdio fiquei perplexa com a quantidade de material e ingredientes que estavam ali pré-organizados pelas profissionais que trabalham com a chef para que tudo transcorresse como um reloginho sincronizado. E foi isso exatamente o que aconteceu durante as quatro horas em que estive acompanhando na bancada de convidados o espetáculo criado para o público online e ao vivo. Embora a diretora do programa parecesse estressada (o que é recorrente nesses profissionais, sempre aturdidos e demonstrado excesso de seriedade) em alguns momentos a atuação da chef Suconic e de suas ajudantes mais parecia um balé sincronizado em que todo o corpo de baile sabe perfeitamente a marcação e a hora de entrar em cena. Se algo deu errado, não ficou evidente. Até porque uma das coisas que mais me agrada nos cursos da eduK é que os professores, mesmo sendo profissionais renomados e reconhecidos em suas atividades, não parecem celebridades, parecem gente falando com gente. De maneira que cabem na tela e no programa os pequenos desacertos que podem ocorrer na cozinha de qualquer um. Não que isso tenha ocorrido ontem, como já disse antes. 




Hoje tem mais. Serão apresentados os preparos de massas, saladas e doces para o cardápio de um buffet infantil. Isso porque a proposta é oferecer diferenciais para quem trabalha nessa área. 

Prometo publicar uma receita de doce e uma de salgado que eu tenha testado, mas pra isso preciso de alguns dias, já que os próximos estão lotados de atividades. Fica a promessa de que serão os preparos que eu mais tiver gostado. 

Não quero encerrar sem mencionar o quanto acho criativo e importante o que a eduK oferece. Sem dúvida isso é educação para o trabalho. Tem muita gente no Brasil inteiro acessando gratuitamente conteúdos online que, se postos em prática com as devidas adaptações para a realidade de cada um, podem mudar para melhor a vida das pessoas tanto financeiramente como em termos de autoestima e realização. Isso tudo compõe o que eu chamo de economia criativa. 

Bom fim de semana!  No domingo, vote consciente. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Por que Ferran Adriá matou Bernard Loiseau?


Participação especial da chef Ana Franco




Como escrevi em outros posts, quinta-feira foi o dia escolhido para publicar textos de amigos queridos que estão diretamente envolvidos com o mundo das panelas.  Observando a lista de convidados para nos brindar com experiências que fiz notei que cada uma ao seu jeito tem um quê de brincadeira, ironia, perspicácia. São pessoas que olham a vida com humor e apreciam dela os sabores, mesmo os mais amargos e azedos com leveza porque sabem que faz parte.

Hoje, minha convidada especial é a Ana Paula Franco Ferreira, uma amiga querida de muitos anos, que é especialmente inteligente e tem o que chamo de "tirocínio" implacável porque não deixa a bola quicar na área. Ela chuta pro gol e balança a rede!

A Ana é chef de cozinha. Só pra ter ideia do quanto essa mulher é arrojada, veja que história curiosa. Certo dia, estou eu mudando os canais da televisão junto com meu pai e ele me diz para por no Silvio Santos pra gente ver o Show do Milhão. Ele adorava esse programa e eu também. Eis que quem está na tela respondendo as perguntas iniciais do apresentador é a Ana Paula. Na hora eu pensei, ela vai levar o milhão porque é muito esperta. Naquele momento ela explicava para o Silvio Santos que com o dinheiro que ganhasse iria para Austrália estudar Gastronomia. Ganhou um bom dinheiro e foi.

Quanto à trajetória como chef, recomendo conhecer o Cozinha de Ideias, um projeto dela que tem um pouco de tudo do mundo da Gastronomia, com charme, elegância. Porque a Ana é cosmopolita (não sei se ela vai curtir esse adjetivo) e multicultural. 

O texto foi uma escolha minha entre os muitos do Cozinha de Ideias, claro que autorizado por ela, que anda mega ocupada e não quis me deixar na mão. Então sugeriu que eu me servisse no seu maravilhoso menu de ideias. Adorei!






POR QUE FERRAN ADRIÁ MATOU BERNARD LOISEAU?

Ou: "A vitória do tecnoemocional da cozinha espanhola sobre o clássico da cozinha francesa"


Em 24 de fevereiro de 2003 o mundo gastronômico entrou em estado de catatonia: Bernard Loiseau, chef 3 estrelas no Guide Michelin, tirou a própria vida com um tiro do seu rifle de caça, no quarto de sua casa, após um dia normal de trabalho.

Aos 52 anos, esse filho de um caixeiro viajante e de uma dona de casa nascido em Auvergne na região da Borgonha tinha atingido o ápice da carreira de um cozinheiro: cotação máxima no mais cultuado guia do planeta e 19/20 pontos no Gault-Millau (o maior e mais prestigiado concorrente do Guide Michelin). Seu estabelecimento, o La Côte d'Or, após anos de intermináveis e minuciosas reformas estava exatamente como ele imaginara. Tinha três filhos e seu casamento ia muito bem, obrigado. O que teria levado então esse homem carismático, queridinho da mídia e amado por seus pares e empregados, à atitude tão drástica?

Na época discutiu-se muito sobre a crueldade dos guias em erguer e destruir profissionais com a mesma facilidade com que se escolhe comer um hambúrguer hoje e uma pizza amanhã. Falou-se também da falta de clareza nos critérios de avaliação e na nuvem de mistério propositalmente criada para envolver os inspetores Michelin. Mas a maioria dos dedos foram apontados para François Simon, renomado crítico de restaurantes do periódico francês Le Figaro. Simon especulara em um artigo publicado em janeiro daquele ano que o La Côte d'Or perderia pontos no Gault-Millau e seria também rebaixado no Michelin. De fato Loiseau perdeu dois pontos na sua cotação, indo de 19 para 17/20 (o mesmo ocorreu com Paul Bocuse), mas as estrelas Michelin seriam mantidas, assegurou-lhe o diretor da entidade. Em 7 de fevereiro Simon dá mais uma estocada: a manutenção das estrelas era temporária; Bernard iria fatalmente perdê-las pois sua cozinha não era mais relevante.

A pergunta que ninguém conseguia responder era: que ser humano normal se abate tanto com uma crítica a ponto de tirar a própria vida?

A resposta pode ser encontrada no ótimo livro "O Perfeccionista", do jornalista e escritor Rudolph Chelminski. Como o título sugere, Bernard era um perfeccionista. Mas não só isso. Era um perfeccionista bipolar e desde muito cedo mostrava traços megalômanos em sua personalidade.


O que matou Bernard Loiseau não foi a possibilidade de perder suas tão amadas estrelas, foi a incapacidade de reinventar-se, de acompanhar as mudanças que aconteciam nas mesas do mundo. A nouvelle cuisine há muito já não era nouvelle. Bastiões da gastronomia francesa já começavam a curvar-se diante de novas técnicas (como as japonesas) e do uso de ingredientes exóticos. Os espanhóis já faziam algum barulho com sua cozinha tecnoemocional (Adriá repudia o termo "cozinha molecular"), anunciando a próxima onda gourmet. E Bernard, que havia pulado muitos degraus na escada que leva ao topo, não sabia como reagir, como adaptar-se aos tempos modernos.


Imagem do livro
O livro de Chelminski não se prende apenas à biografia de Loiseau (de quem era bastante próximo): faz também uma reconstrução precisa da genealogia da cozinha francesa, desvenda um pouco do mistério por trás dos guias e ensina aos não-franceses o real significado e importância de ser chef de cozinha no país berço da Alta Gastronomia.

Recomendo enfaticamente sua leitura que além de deliciosa, propõe vários debates. Entre os que mais martelam na minha cabeça, fica a questão da importância da crítica gastronômica especializada num tempo em que o anonimato da profissão parece irrelevante - qualquer dono de boteco reconhece de longe a careca do Josimar Melo - e que todo  blogueiro é um crítico por natureza.



Quando quer jantar num bom restaurante você procura na Vejinha? No Guia 4 Rodas? Ou telefona para aquele seu amigo que entende tudo de gastronomia?



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Ana Paula Franco Ferreira é chef de cozinha e dona do Cozinha de Ideias. 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Ponderação...

Demorou para que eu quisesse ou tivesse coragem para falar qualquer coisa sobre eleições por aqui. O propósito do blog não é esse, afinal. No entanto, ontem, li o texto mais ponderado de todo esse período, que me tocou profundamente. Não me surpreendeu que fosse da queridíssima Ju Nolasco.  Além da argumentação inteligente e propositiva, a Juliana me emocionou com suas palavras por uma questão pura de identificação. 

Como ela, eu também aguardei ansiosa o meu primeiro voto. Em tempos diferentes, é bem certo, porque entre ela e eu há uma breve diferença de idade. Eu votei pela primeira vez em 1989, naquela primeira vez das eleições diretas, em que foi eleito o presidente Fernando Collor de Mello.  Fui cara pintada no Fora Collor, portanto! 

Pedi  autorização para reproduzir o texto a seguir porque vale a pena ler: 


Eu amo política desde pequena. Me lembro do dia em que fiz 16 anos meu pai me deu flores com um bilhete: muita gente lutou para que hoje você pudesse votar. Isso, levei pra vida. A perspectiva histórica, o cuidado, o carinho com o debate, o acolhimento da diversidade na participação e no engajamento, a responsabilidade que isso representa. A busca por informações sempre. A conversa a todo momento. E procurei encontrar na diferença de opiniões o amadurecimento, não a desqualificação. Mas quando a agressividade sombreia o debate, quando a ideologia se esconde atrás do estereótipo, eu sinto vergonha, eu sinto uma tristeza profunda. Porque sei que eleição é disputa, é escolha e essas escolhas devem ser programáticas, escolhas de agenda, de modelo político e de modelo de desenvolvimento. São escolhas que teremos que lidar por anos (e teremos que lidar, todos os brasileiros). São escolhas que pessoas fazem, mas que devem vocalizar o que a gente espera para toda uma nação. Então, quando o debate entra no nível da ofensa pessoal, ele vira bobagem. E quando vira bobagem, não tem espaço para imaginação, para inspiração, para o engajamento, para a construção de um país. Não vou retirar o post que gerou polêmica na minha timeline. Realmente acho que em um cenário de polarização profunda, faz parte. Mas se eu puder pedir algo, por favor, vamos construir outra conversa, de outro jeito. Porque depois de domingo, a gente terá um resultado. E porque democracia é construção. Se você está tão irritado nessas eleições, por favor, participe ativamente da vida política do seu país todo dia depois de domingo. Que você o faça, pensando no Brasil amplamente. Dá trabalho. Mas vale muito a pena também.

Trabalhei com essa menina na Amcham, foi um período rico, frutífero e criativo da minha vida. Conheci pessoas brilhantes como ela, Fabio Rua, Luciano Menezes, Raphael Eckmam, Alessandra Carvalho, Adriana Machado e tantos outros jovens profissionais por lá. Talvez pra mim tenha sido o melhor tempo que trabalhei na vida porque pude conviver com gente cheia de ideias, de imaginação. Gente que teve oportunidade, como todos os brasileiros deveriam ter, mas que aproveitaram suas chances para por em prática de forma criativa mudanças positivas para a sociedade. 

Como a Juliana, eu aprendi a valorizar o voto em casa. Tia Dionizia, sábia em sua simplicidade, leitora ávida e defensora da igualdade de direitos representado no voto, preparava seu melhor vestido, combinação ou saiote, meia de seda e sapato de sair, para o dia da eleição.  Ela dizia que era um momento muito importante e, como viveu em tempos em que mulheres não votavam, valorizava sobremaneira o ato de comparecer às urnas e manifestar sua vontade. Não há uma só eleição que eu não me lembre dela, que não me ensinou só isso, mas teve parte fundamental da minha formação ideológica e, pensando bem, influenciou indiretamente o meu modo de cozinhar. 
Ilustração: batra.org.br


Vote em paz no domingo, faça sua parte promovendo a cidadania com respeito e sem exaltações. Eduque com exemplos os que você vê como intolerantes. Evite o cabo de guerra. Depois... ajude a transformar o país todos os dias. 


Até amanhã, com sabores, cultura, críticas... 



Foto do facebook da Ju
Juliana Nolasco Ferreira é diretora executiva do Instituto de Tecnologia & Sociedade do Rio de Janeiro. 





terça-feira, 21 de outubro de 2014

Temporada de Saladas

Este ano de 2014 tem sido muito atípico. Janeiro começou quente e sem chuva ao contrário do que sempre acontece aqui pela região sudeste.  Assim permaneceu o tempo durante todos os demais meses com alguma variação, claro. Mas puxando aqui os dias pela memória, no período da Copa do Mundo estava bem quente também. Nada de casacos pesados e cobertores muito quentes. Tudo mais ou menos para meia estação. 

Entretanto a primavera chega em setembro e com ela aquela vontade de ser verão. As árvores florescem, deixando tudo mais colorido nas cidades. O sol passa a  nascer mais cedo e se vai mais tarde, por isso já é regra que na noite do terceiro sábado para domingo do mês de outubro aumentamos uma hora no relógio. Começa o horário de verão que vai até o terceiro fim de semana de fevereiro do ano seguinte. 

Junto com isso, vem aquela disposição de comer de um jeito mais saudável. Aquela permissividade que a gente tem no inverno de ingerir mais calorias para ficar quentinho dá espaço para uma vontade de alimentos crus e refrescantes. Essa é a hora das saladas, entradinhas leves com terrines, patês e dos grelhados para os que nunca dispensam carnes ou peixes. 

Já faz muito tempo que as saladas se tornaram queridinhas das pessoas, principalmente, porque quase todo mundo quer ficar magrinho e bonito como nos impõem os padrões de beleza que nos são bombardeados todos os dias nas mais diversas mídias e publicidades. Independentemente disso, já vai longe o tempo que as saladas eram sinômimo de comidas sem gosto ou difíceis de comer. 

Eu sou uma comilona declarada, mas adoro salada. Por isso, desenvolvi várias combinações juntando algumas informações importantes que aprendi com o tempo e a reeducação alimentar que fiz com uma profissional maravilhosa lá de Itu, a dra. Roberta Cassani, há cerca de 10 anos. 

Um prato saudável não significa que terá elementos sem sabor, muito ao contrário. 

A partir de hoje e em algumas edições do blog vou me dedicar às saladas. Minha proposta é que, conforme forem sendo apresentadas as receitas e as combinações, alguns conceitos sobre como funcionam determinados alimentos no nosso organismo serão também mencionados. Espero que gostem.  

Para desmistificar o mundo maravilhoso da comida saudável com sabor, começaremos com vegetais que normalmente são muito facilmente encontrados nos supermercados, sacolões e em quitandas. Assim não tem desculpa para não tentar. O resultado pode ser supreendentemente bom.   

Para os que são veementemente contrários às folhas verdes, aos legumes crus e às oleaginosas sugiro tentar, quem sabe dá certo? 

Salada para iniciar

Importante: A porção de salada sugerida serve como uma refeição completa prescindindo de outros acompanhamentos. As medidas são caseiras para facilitar. 

Ingredientes
- 1 pires de rúcula
- 1 pires de alface crespa
- 1 colher (chá) cenoura ralada 
- 1/2 tomate fatiado em meias rodelas ou gomos
- 1 castanha do pará picada em lascas
- 1/2 pires de manga fatiada em julienne
- 1 colher de ricota temperada ou chancliche 
- 1 colher de azeite extravirgem
- 1 colher de aceto balsâmico ou suco de meio limão
- sal e pimenta do reino

Montagem
Faça uma caminha com as folhas verdes, por cima distribua a cenoura ralada. Monte os tomates e os pedaços de manga nas laterais. Polvilhe a castanha do pará e a ricota temperada. Tempere com azeite, aceto, sal e pimenta do reino. 


Nessa salada estão presentes fibras (folhas verdes), vitaminas (manga, tomate, cenoura), proteína (ricota) e selênio (castanha). O azeite extravirgem ajuda a reduzir o colesterol ruim (LDL) do organismo. Os elementos combinados dão saciedade suficiente para que a próxima refeição seja feita em 2 horas e meia ou 3 horas, ou seja, junto com a salada iniciante, iniciam-se também as refeições frugais a cada 3 horas. Isso é saúde!

Outras dicas e sugestões

Monte a salada em porções individuais. Se possível, use uma louça bonita, de preferência a mais elegante que tiver. Caso não tenha, use o que tem, mas monte a mesa completa, mesmo que seja só pra você. Faça da mesma forma com os talheres, copos e guardanapos. Por quê? Porque o momento de fazer uma refeição deve ser agradável. A gente não come só com a boca e para encher o estômago. Comer é um ritual que pode ser maravilhosamente bem aproveitado. Afinal, quem é mais importante que você para merecer uma mesa arrumadinha e uma refeição bem preparada? Costumamos dar mais valor às visitas do que a nós mesmos. Manter itens especiais para dias especiais é bem legal, mas já pensou que hoje pode ser um dia muito especial porque você está com você? 

Pense também na possíbilidade de comprar um ou dois pratos diferentes, talvez coloridos com alguma estampa mais arrojada, um xadrez, um folhagem, se lá! O que você gostar. Eu tenho todo um jogo de pratos rasos, fundos e de sobremesa comprados separadamente, um trio de cada vez. Até juntá-los, fiz assim: a cada mês eu comprava um de cada da mesma estampa, no mês seguinte mudava para outra padronagem. De modo que não pesou no orçamento conforme fui comprando. Quando recebo vários amigos e não tenho louça igual para todos, lanço mão dessa estratégia: sirvo em pratos totalmente desparceirados. Eles são bonitos individualmente e cada convidado fica com um diferente. É até lúdico. 



Eu penso que mudar a louça ou usar um jogo americano diferente à mesa, muda também o astral da refeição. Dá mais sabor, alegra a mesa e a vida. Tudo de bom!



sábado, 18 de outubro de 2014

Um desjejum à francesa: croque monsier

Depois de uma sexta-feira de muito calor e despedidas de pessoas muito queridas como Ian, Pablo e Julia, cada um seguindo seu caminho, seja voltando de férias para casa ou indo para mais uma etapa delas, fui para a faculdade e assunto é que não faltava entre os colegas.

Entre os hot topics, estava o episódio que vivemos juntos, Talita, Fernandes, Sandro e eu, na quinta-feira ao sair da aula de Técnicas de Cozinha. Estávamos no carro, eles de carona comigo, e em plena Marginal Pinheiros o meu veículo foi perdendo potência e parou de funcionar: pane seca!  Foi uma loucura. Acho que poucas vezes na vida estive diante de uma situação tão estressante. 

Ficamos mais de meia hora em pé em cima da muretinha ao lado do muro da raia da USP, aguardando o Silas chegar com um galão de gasolina. Isso porque nessas horas ficar dentro do carro é ainda muito mais perigoso porque pode vir um veículo em alta velocidade e atropelar o carro parado. 

Enquanto estivemos ali, a polícia parou. Desceram dois policiais com armas bem assustadoras em punho e vieram na nossa direção. Não para ajudar, mas para tirar satisfação. Especialmente porque não parece ser responsabilidade da polícia a segurança pública nessa cidade e nesse estado. Lamentável! A atitude dos policiais foi preconceituosa, uma vez que nosso colega Fernandes é negro. É melhor eu nem me deter nesse episódio para não sentir ainda mais raiva diante da "proteção" que temos com nossos policiais numa situação crítica como essa. Mas tudo pode piorar. Quando eu disse ao policial que estava com medo de ficar ali e que precisava de ajuda, ele me disse: 
- A senhora tem seguro do veículo? Ligue para o seu seguro para vir guinchar o seu carro. 
Ao que eu respondi: 
- Sim, posso ligar, mas os senhores me dão proteção até que o seguro chegue. 
Ele respondeu: 
- Nós estamos com um preso na viatura e não temos como ajudar. Isso é ainda mais perigoso do que ficar aqui esperando o resgate. É melhor saír do carro e chamar o seguro.
E foram embora!

Logo que o carro parou e identificamos que por falha do marcador o nosso problema era falta de combustível, o Sandro heroicamente saiu cominhando pela Marginal para buscar gasolina. Isso fez dele, diga-se de passagem com muita justiça, um dos protagonistas da história que vivemos juntos. 

Contar para os colegas de forma engraçada no dia seguinte, faz com que a gente entenda que ultrapassou a barreira do coleguismo com algumas pessoas e que agora nos transformamos em amigos. Como disse o Sandro, essa é uma história que vamos levar para sempre da nossa trajetória juntos na faculdade. Agradeço muito aos três: Tali, Fernandes e Sandro, vocês foram demais, obrigada!

Outro assunto era a prova da Higiene, cuja melhor nota da sala foi do Fernandes, que recebeu aplausos de todos os colegas de sala. Parabéns, querido! 

Aula reservada para revisão de prova significa chegar cedo em casa e isso me deu a ideia de preparar um croque monseir para lancharmos, Silas e eu.  Eu fiz adaptações na receita, usando ingredientes que tinha em casa, mas o resultado deu certo. 

Croque Monsier é um nome francês dado ao sanduíche de queijo e presunto quentes cujo pão "estala nos dentes" (faz croc! quando é mordido). A tradução de monsier é senhor. Assim... é o senhor sanduíche de presunto e queijo crocante.  Também existe o croque madame, mas esse fica para outra ocasião, mas só pra não haver confusão, o madame leva ovo frito com a gema mole. Outra delícia dos franceses, ah! como sabem fazer comida... 

Vou dividir a receita. 

Croque Monsier

Ingredientes

1 ovo inteiro
2 colheres de creme de ricota
noz moscada
sal e pimenta do reino
6 fatias de pão de forma integral ou de grãos
3 fatias de presunto 
3 fatias de muçarela 
50 gramas de queijo gruyere ralado
2 colheres de ricota defumada picante ralada 

Modo de fazer

Bata o ovo inteiro com o creme de ricota. Tempere com sal, pimenta do reino e noz moscada.  
Numa assadeira de bolo inglês untada com manteiga, coloque três fatias de pão e regue-as com a mistura recém-preparada do ovo e do creme de ricota. Coloque as fatias de presunto e muçarela uma sobre cada fatia de pão. Por cima ponha o queijo gruyere (eu pus também tomates cereja - só uma adaptaçãozinha básica). Cubra com as demais fatias de pão e regue o restante do creme, de modo a umidecê-las também. Cubra com a ricota ralada e leve ao forno pré-aquecido até que os queijos se derretam completamente e o pão fique crocante. 

Uma observação importante a ser feita é que a ricota e o tomate não existem na receita original. E eu usei queijo gouda e um pouco de gorgonzola, no lugar do gruyere, mas deu certo. Ficou bom. 

Hoje pela manhã, o que sobrou virou meu breakfast, bem no estilo francês. Gostoso demais! 



Desejo um ótimo fim de semana a todos e aproveito para dizer que tenham muito cuidado com o abastecimento de combustível em seus veículos. Pode ser muito arriscado parar na via pública por falta de gasolina. E além de tudo, isso é passível de multa prevista na legislação de trânsito. 

Em tempo: reduza racionalmente  o quanto puder o consumo de água, ela está acabando. 



terça-feira, 14 de outubro de 2014

Fast Food

Notícias de caráter internacional

World Gourmet Group agora em São Paulo


Desde a semana passada, eu me tornei membro do World Gourmet Group de São Paulo, que faz parte da World Gourmet Society, um clube de amantes de comida e vinho. Desde 2011, existe em vários lugares do mundo como Barcelona, Nova York, Londres e Paris e dele participam pessoas que valorizam a atividade dos bons restaurantes, as novidades da gastronomia e da enologia.
No site, há informações sobre como participar e também é possível acessar artigos de interesse. Em alguns dias, você vai encontrar artigos da Clau Gavioli por lá. Vale conhecer.

Guia Michelin no Brasil


Capa do Michelin de 1929
Está prevista para o primeiro trimestre do ano que vem uma edição do guia para São Paulo e Rio de Janeiro, a 25a. edição em uma linha de guias internacionais de culinária do Michelin.  Para quem não sabe do que se trata, o Guia Michelin existe desde 1900 e seleciona restaurantes e hotéis no mundo todo. Para qualquer restaurante ser elencado no guia já é um grande feito, receber estrelas, então, nem se fala. É o sonho de qualquer chef de excelência!  A publicação no Brasil foi anunciada em maio deste ano, o que deve ter deixado muito restaurater brasileiro de "orelha em pé", uma vez que os avaliadores do guia são clientes anômimos e internacionalmente reconhecidos pela sua incorruptibilidade. Para mim essa é grande oportunidade de alguns restaurantes excelentes começarem a aparecer, uma vez que os guias no Brasil não têm se mostrado muito sérios, estrelando casas que são também patrocinadoras de suas edições. No mínimo, uma prática que deixa dúvidas no ar.


Ambiente virtual



Dicas de blogs interessantes

Para aprender coisas diferentes, pesquisas diferentes. Eu amei um blog que descobri há uns dias. Espero que gostem: Forno, fogão, cia & receitas, do chef Marcelo Santos. Outro que eu acompanho há tempos é come-se da Neide Rigo, que também escreve a coluna nhac do caderno Paladar do Estadão. Além desses, um que eu citei ontem, o blog utensílios, da Catharina, que vive em Brasília e é super antenada. Outro bem interessante que encontrei nas minhas pesquisas diárias foi o Leitura Gastronômicas, com breves resenhas de livros do mundo das panelas, de diversas vertentes. Uma sugestão para os que curtem leituras mais densas, o blog e-bocalivre, foi uma recomendação que me foi feita pela chef Patricia Souza. Eu gosto! 


Curso de Pão Italiano


Foto do Site Eduk
Está rolando um curso na Eduk desde ontem, sobre Pães Artesanais Italianos, com Marcio Kimura e Sauro Scarabotta. Uma base indispensável para quem quer entender um pouco de fermentação e iniciar nesse incrível mundo da panificação, a partir de técnicas e conceitos elementares.  Para quem perdeu, dá pra comprar o curso. Se não puder comprar, fique de olho nos próximos cursos. Eu sou fã do Eduk.


Em breve

Estou preparando o curso Estratégias e Ações  de Comunicação para Gastronomia. Uma oportunidade interessante para comunicadores, assessores e profissionais da área da gastronomia como restauraters e chefs, a fim de otimizar o uso dos veículos de comunicação e as mídias sociais, além de aumentar o relacionamento com blogueiros, críticos e o público em geral.  Aguarde. 


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Bolo de bolo, oras!

No sábado, diante do plano de passarmos o fim de semana em Atibaia, logo que acordei decidi que faria um bolo. Minha intenção era fazer um bolo de limão, mas... não tinha limão em casa.  A decisão então foi procurar algum elemento entre os ingredientes que eu tinha em casa que pudesse dar sabor ao bolo que eu pretendia fazer.

Como já mencionei aqui outras vezes, ao começar a cozinhar é importante primeiro saber o que se tem disponível na cozinha, desde os ingredientes até os utensílios e também a disponiblidade do fogão. Já aconteceu comigo e algumas vezes na casa da minha mãe de no meio do assado acabar o gás. No lugar onde eu moro agora temos fornecimento de gás de rua, mas lá em Itu, na casa da minha mãe, ainda é o de butijão. Dá um certo desespero quando o gás acaba e o bolo está no forno.

No preparo do bolo de sábado, eu vi que tinha em casa ovos, farinha de trigo, açúcar, leite, fermento e achei que tinha óleo, mas não tinha. Minha culpa, minha tão grande culpa! Tive que corrigir, graças a Deus, em tempo, com o que foi possível, com margarina culinária.  Além disso, tinha uma bandeja de iogurte grego da Activia,  a nova versão de baunilha.

Da ideia inicial de um bolo de limão, virou um bolo de bolo, oras! Mas com alguns ingredientes que o fizeram especial.  Segue a receita.

Bolo de bolo

Ingredientes

Massa

4 ovos inteiros
2 xícaras (chá) de açúcar refinado
1 e 2/3 de xícara (chá) de farinha de trigo
2 colheres da amido de milho
1 copinho de iogurte grego de baunilha
A medida do copinho de iogurte de leite
2 colheres de margarina
1 1/2 colher de fermento

Cobertura
1/2 lata de leite condensado
raspas de baunilha
1 colher de aceto balsâmico

Modo de fazer: 

Bata todos os ingredientes da massa no liquidificador, exceto o fermento, até que apareçam bolhas. Misture o fermento à massa e faça o liquidificador pulsar duas ou três vezes.  Leve ao forno pré-aquecido a 180 graus em forma untada e polvilhada com farinha de trigo.

Para a cobertura, misture bem os ingredientes para que o leite condensado engrosse um pouco ao ser posto em contato com o aceto balsâmico.

Cubra o bolo ainda quente.

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Enquanto o bolo assava, eu estava fazendo uma adaptação da comida que tinha pronta na geladeira para o almoço do sábado. A ideia é nunca desperdiçar os alimentos que estão bons porque foram bem acondicionados logo depois de feitos, mesmo que isso tenha ocorrido um ou dois dias antes. Eu tinha feijão, carne de panela e o um restinho de um refogado de abobrinha e cenoura raladas.  Não tive dúvidas: fervi o feijão com um pouco mais de água e corrigi o sal; desfiei a carne de panela, retemperei, acrescentando pimentões, cebola e um pouco de extrato de tomate, cozinhei um arroz integral novinho e cheiroso e transformei o refogado de abobrinha e cenoura numa deliciosa farofinha, acrescentando milho verde e farinha de mandioca amarela.  A comida ficou bem caseira e devidamente apropriada para o paladar do nosso convidado ilustre, o Marco Antônio, neto do Silas, que viria para almoçar. Ele tem nove anos e come muito bem, mas é claro que se deve sempre levar em conta que o paladar dele ainda é infantil.

Depois do almoço tivemos o bolo de bolo de sobremesa. Só que para o Marco eu sugeri um pouco de leite condensado a mais que havia sobrado da cobertura do bolo. Ele adorou a ideia. Também quem não adoraria?
Marco Antonio com máscara Tikuna


Bolo de bolo é sempre uma boa opção porque serve de base para muitos preparos. Pode ser recheado, pode ser apenas coberto, pode ser embebido com um whisky, conhaque ou licor, ser servido como acompanhamento de uma compota ou uma geleia ou, simplesmente acompanhar um chá,  chocolate, café com leite ou sem. Enfim, é tudo de bom!

Bolo de bolo, feito num outro dia. O de sábado, eu não fotografei...

A ideia do aceto balsâmico deu muito bom resultado. A cobertura ficou com tom de caramelo e um gostinho agridoce bem interessantes. Além do que, usar baunilha em fava é um luxo que poucas vezes eu tive a oportunidade de ter. Não é fácil encontrar nos supermercados aqui no Brasil. Eu trouxe duas favas da Alemanha, por sugestão da Cath, do blog utensílios. Foi ela quem despertou o meu interesse pela baunilha na fava, que é bem diferente da essência líquida e artificial que em geral a gente encontra por aí.

Cobertura de leite condensado e aceto balsâmico


Depois do bolo, partimos todos para Atibaia. O fim de semana foi de sol e muita ternura unindo quatro gerações: o Silas, seu pai, o Sr. Raphael, os filhos Ian e Pablo, e o neto, Marco. Bonito de ver, apesar das peraltices dos meninos, quando estão juntos, todos têm a mesma idade, a do pequeno, claro.

As quatro gerações na mesa do jantar. Que delícia!

Sabendo que segunda-feira é o dia internacional e interplanetário do início do regime, o bolo já acabou!

Boa semana!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Edição 100

Foto do blog Vinhosbymariaripardo



É com certo orgulho e muita satisfação que publico a centésima edição do Blog da Gavioli. O que no começo parecia um simples exercício de contar fatos e compartilhar experiências se tornou nesses meses uma atividade prazerosa e de muita responsabilidade.

Sei que tenho leitores assíduos e outros nem tanto. O público não é de milhares, mas é bem qualificado e divide comigo algumas emoções que me são muito caras. Os assuntos nem sempre são do interesse geral, mas procuro pautar temas que de alguma maneira agreguem informação, alguma alegria e por que não dizer, um pouco de consciência diante dos fatos.

Como se trata de um blog de caráter pessoal, é opinativo, mas nem por isso isento de ética e técnicas de pesquisa e apuração dos dados,  fatos e da história, princípios básicos para o trabalho jornalístico de qualidade.  Procuro cultivar as boas palavras, não só aqui como na minha vida como um todo. Por isso, dificilmente o leitor vai encontrar aqui críticas exacerbadas, de caráter ofensivo ou expressões chulas, termos rudes, destempero e excessivo mau humor.

Depois de anos trabalhando com assuntos áridos, escolhi criar uma publicação para falar de comida, de viagens, de festas, de bem receber os amigos, dos livros que nos modificam docemente e de tudo o que está ao nosso redor para ser apreciado, deleitado...

Tenho planos para o blog. Pretendo que ele se torne um ambiente de pesquisa e de troca de conhecimentos dos assuntos relativos à gastronomia, viagens e cultura. Para isso, da maneira mais flexível que puder, vou traçando uma identidade própria para a publicação. Primeiro, chamei Convidados Especiais para escrever; alguns já o fizeram, outros ainda farão. Depois, criei a Coluna Fast Food, para dar informações e dicas rápidas de cursos, exposições, oportunidades e novidades, ou seja, aquilo que não preenche uma publicação inteira, mas pode ser útil e merece ser contado. Planejo ter uma área de Entrevistas, que tragam novidades sobre pessoas que, de perto, são sempre muito mais interessantes, basta um olhar sensível, um breve penetrar na alma e está lá, um ser humano com todas as suas idiossincrasias. Gostaria também de criar uma espécie de Painel do Leitor, para que aumente a nossa troca direta de informações: você e eu.

Ontem ainda, pesquisei um novo formato para apresentar o blog que o torne mais fácil e intuitivo ao ser navegado. Tive a ajuda inestimável da Tati Bueno, madrinha do blog desde o primeiro post. Só que ainda não cheguei no modelo desejado, mas em alguns dias, mudanças sutis ou marcantes estão previstas.

Sobre a edição de número 100, é emblemática só porque convencionamos que o é. Eu, de minha parte, como deixo sempre muito claro, gosto de marcos e registros, que são nada mais do que motivos para comemorar. Assim é o centésimo post, como possívelmente será o dia que o blog completar um ano de publicações ou outros marcos que me façam sentir assim. Por que não celebrar? E sempre pode haver um motivo para tanto, é só procurar.

Para você que gosta do que lê por aqui, divulgue, conte para os amigos, recomende. Se não gosta, me diga. Mas só pra mim, combinado? Assim eu posso tentar melhorar.

Eu proponho um brinde. Não ao número 100, mas o que você conseguir encontrar hoje no seu dia para torná-lo digno de uma taça de champagne. Tenho certeza que há motivos para comemorar (você está vivo!), caso não encontre, que seja então pela 100a. edição do Blog da Gavioli!

Até a próxima e obrigada pela preferência!!! rsrsrs

Aproveitei hoje para reler algumas publicações muito especiais pra mim. Eu fiz uma seleção de alguns dos meus momentos mais emocionados e inspirados nesse blog. Compartilho a seguir:

Amigos desta vida e da outra

Uma casa com luz natural e amor

Receita de comadre: quiche lorraine

Pizza de Arroz

terça-feira, 7 de outubro de 2014

O encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas


Uma questão de hospitalidade - 2 


Santarém e a primeira lei da hospitalidade


Fiquei em dúvida sobre o título desta publicação. Uma vez que em 3 de setembro dei o título Uma questão de Hospitalidade ao texto que se referia ao que considero o "bem receber em casa", ou seja, a hospitalidade no espaço doméstico, hoje, eu bem que poderia entitular esse post como Uma questão de hospitalidade 2. Assunto que rende ainda muitos capitulos. 

Preferi dar título à situação que me levou a querer refletir sobre o que é hospitalidade.  Por isso, o encontro dos rios Tapajós e Amazonas foi escolhido. 

O encontro das águas


Na segunda-feira da semana passada (29/09), estávamos em Santarém, no Pará, por ocasião de um trabalho que o Silas foi chamado para fazer na Ufopa - Universidade Federal do Oeste do Pará. 

Imbuído da mais genuína generosidade, Anselmo, o vice-reitor, nos proporcionou um dos fins de tarde mais sensíveis que um anfitrião poderia promover diante de seus recursos disponíveis - que não eram poucos, mas, como verão, não tem muito a ver somente com questões econômicas e financeiras. Outrossim, a experiência que tivemos,  tem a ver com dádiva. Por defínição do dicionário, dádiva é um substantivo feminimo para o ato ao ação de oferecer, voluntariamente, alguma coisa valiosa a alguém.  Na literatura da hospitalidade, a dádiva desencadeia o ciclo de dar-receber-retribuir, e é, portanto, a primeira das seis leis da hospitalidade. 

Quando me referi aos recursos disponíveis, Anselmo é dono de um catamarã - uma embarcação com dois cascos, no caso dele, com propulsão a motor, que tem considerável estabilidade e pode atingir uma velocidade razoável durante a navegação. 

Além disso, Santarém é banhada pelo rio Tapajós, de águas cristalinas e areia branca e é ainda na faixa costeira dessa cidade que esse rio se encontra com o Amazonas, de águas barrentas.  

No período de estiagem nessa região, a natureza promove entardecederes cheios de luz que refletidas nas águas oferecem um lindo espetáculo ao por do sol. 

Pois bem, os recursos não eram poucos: uma embarcação, os rios, o sol, o entardecer... Porém, sem a dádiva do Anselmo, não haveria passeio. Foi ele quem nos concedeu a oportunidade de navegar no fim da tarde para vermos de perto o encontro das águas.  Isso é hospitalidade. Olhar para o visitante, perceber que há algo de si que pode ser ofertado, organizar seu tempo e seus recursos e oferecer de coração uma grande e memorável experiência.

Certamente, o Anselmo, que nem me conhecia, não tinha a mais vaga ideia do quanto eu sonhava ver o encontro das águas. Desde que ouvi pela primeira vez numa aula de geografia a descrição da professora sobre como as águas dos dois rios se encontram e não se misturam por muitos quilômetros, percorrendo lado a lado sem que haja a fusão de suas cores, devido a suas densidades diferentes, eu sempre tive a maior curiosidade de ver isso de perto. Além do que, pra mim, o rio Amazonas é mitico. Quase uma entidade e como tal deve ser respeitado. Chegar perto, ver, por os pés em sua água, foi para mim com um ato religioso, uma benção.
Nas águas do rio Amazonas

Em resumo, foi um sonho realizado que promoveu em mim uma profunda sensação de gratidão. Fiquei muito emocionada. Pode parecer exagero, especialmente para os que consideram isso pouco. É certo que para muitas pessoas, é só mais um rio, são águas que estão ali disponíveis como tantas outras. Não pra mim. É difícil por em palavras sentimentos tão profundos que têm significação histórica ou ideológica. No meu caso, estou certa de que o símbolo foi tão bem construído que permaneceu e não foi desfeito mesmo diante da realidade, ao contrário, teve amplo significado, gerou emoções e um forte sentimento de pertencimento a essa "Pátria, mãe gentil". 

Como diria minha amiga Fabíola:  "foi incrível, incrível!" Tudo graças ao sentido inato de hospitalidade do homem santareno, indivíduo que pertence ao povo paraense. 

Já que o assunto é a hospitalidade, cabe dizer que o estado do Pará, no que se refere à dimensão pública, preenche com louvor o quesito RECEBER, uma vez que é cheio de praias de rios de livre acesso aos visitantes e moradores.  Quanto a HOSPEDAR, Santarém tem uma rede hoteleira que precisa ser melhorada, receber um banho de profissionalismo, o que atrairia muitos mais visitantes de segunda viagem. A gastronomia local é farta de peixes e opções regionais, o que garante o bem ALIMENTAR mesmo sem renomados chefs de cozinha e amplas estruturas em restaurantes sofisticados.  E entretenimento não parece faltar em Santarém, já que o espírito hospitaleiro vem do berço de sua população. 

Se tiver oportunidade, vá ver o encontro das águas do Tapajós com o Amazonas, espero que você receba a mesma dádiva que nós, Silas e eu, recebemos. Estamos desta forma prontos para retribuir o presente recebido e assim reinstaurar a dávida da hospitalidade, perpetuando o ciclo dar-receber-retribuir, que ora estudamos. 

Em tempo: estiveram conosco nesse passeio de catamarã alguns professores da Ufopa, que, como eu, não são paraenses e, tiveram nessa ocasião a oportunidade de ver também de perto todo esse esplendor. Um grande e afetuoso abraço a esses novos amigos! 

Companheiros de viagem pelo Tapajós/Amazonas

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Tarefa de casa: frango desossado e recheado

Eu e meus colegas de classe fomos incumbidos na aula de Cortes de Carnes e Aves de repetir uma lição que tivemos em sala de aula, digo, na cozinha. Era nossa tarefa para ser entregue no máximo hoje ao professor Sérgio Teixeira Leite: desossar um frango inteiro, rechear e assar.

A técnica de desossa aprendemos e executamos no laboratório da faculdade. Só que o professor estava por perto, o frango estava descongelado, parcialmente limpo e sem os miúdos dentro. Tudo isso favorecia circunstancialmente nosso trabalho. Em casa já é bem diferente. Mas acho que deu certo. Nesse momento, está no forno assando. Vou saber mais tarde se o sabor ficou bom ou não. 

Quanto ao recheio, embora em aula tenhamos recebido uma receita, podíamos ousar e criar um preparo ao nosso modo ou até mesmo buscar uma outra receita já conhecida. 

A seguir a minha receita à qual dei um nome. Claro, é uma prática ou uma mania minha dar nomear às coisas. Sendo assim, nas receitas então, eu posso! 

Teixeirinha ou frango colorido do professor Sérgio

Ingredientes

Para o frango
1 frango inteiro limpo e em temperatura ambiente
Sal 
Pimenta do reino
Suco de 1/2 limão tahiti

Para o recheio
2 colheres de manteiga sem sal
100 gramas de cebola picada 
1 dente de alho amassado ou em fatias
1 cenoura média ralada
1 abobrinha italiana média ralada (só a parte sem semente)
1 pimentão vermelho pequeno picado
100 gramas de azeitonas verdes picadas 
150 gramas de ricota fresca
sal, pimenta, orégano e cheiro verde desidratados o quanto baste
suco de limão

Modo de fazer

Desosse o frango mantendo-o inteiro. Não deixe a pele arrebentar. Tempere com sal, pimenta do reino e o suco do limão. Reserve.  
Recheio: Numa panela, refogue a cebola e o alho na manteiga. Junte a cenoura e a abobrinha raladas e em seguida o pimentão e a azeitona cortados em brunoise*. Coloque os temperos e refogue tudo por cerca de 3 minutos. Tire do fogo e acrescente a ricota esfarelada. Mexa bem e deixe esfriar um pouco. 
Em seguida, pegue o frango desossado e temperado e recheie-o com abundância. Feche as extremidades do frango com palitos, se achar necessário. Depois de recheado, ponha-o numa assadeira forrada com papel aluminio untado com um fio de azeite ou óleo. Coloque pedaços de manteiga gelada sobre o frango antes de assar. Leve ao forno em temperatura de 180 a 200 graus por cerca de 1h15. 

Algumas fotos do Teixeirinha de acordo com suas etapas de preparo: 
Recém-desossado, prestes a ser temperado
Recheio colorido do frango

Recheado e espalhado na forma



Entrando no forno


Assado


Dá pra ver a fumacinha de tão quente

Servido

No prato

Na barriga! Humm... uma delícia. Comi! 

A seguir reproduzo um vídeo sobre como desossar o frango que encontrei no youtube. Parece fácil devido a habilidade do apresentador. Eu tive mais dificuldades, confesso. E além disso, retirei também os ossos das asas e das coxas. 






*Brunoise - nome dado ao corte em formato de cubo minúsculo de 3mm x 3mm x 3 mm. Ou seja, 27 mm cúbicos.