sábado, 28 de fevereiro de 2015

Resumo do mês - Fevereiro 2015

A partir de fevereiro, ao final de cada mês, o Blog da Gavioli traz um resumo de tudo o que foi publicado ao longo do mês. Assim, para aqueles que não conseguem acessar os posts com frequência,  haverá highlights sobre os posts de todo o mês. 

Para quem se interessar em acessar os posts, os links estarão listados como os títulos das matérias. 

Importante: As matérias não estarão em ordem cronológica, mas serão agregadas por afinidade dos conteúdos. 

Espero que gostem, acessem os conteúdos, façam comentários e recomendem aos amigos. 

Resumo das postagens

O mês mais curto do ano, em função do Carnaval, teve boas recomendações e critícas de: 

Viagem

Itu, uma viagem







Livros

Em Defesa da Comida - De Michael Pollan, escrito em 2006. Uma reflexão sobre comida e nutrientes.
Livros para o Carnaval - várias sugestões e comentários. 




Filmes


A 100 passos de um sonho - Um chef de cozinha indiano e sua trajetória na Gastronomia.
Chef, um filme - Mudança de rumos na vida de um chef o leva a abrir um food truck.








Não faltaram preparos saudáveis e saborosos nesse mês: 

Sabor mediterrâneo - Salada deliciosa de folhas e presunto cru.
Suco verde - Sugestões detox.
Trio de Sabor para dar de presente: tapenade, sardela e pesto. 
Quibe de assadeira recheado





Especiais

Fevereiro foi um mês muito especial porque o Blog da Gavioli participou do Blog Aqui se fala português da amiga Cris Pacino. O texto publicado foi sobre A Feira na hora da xepa










Tivemos duas Convidadas para lá de Especiais.


     
Patricia P. de Oliveira

No post Sobre Comida e Música,  Patrícia Poslednik de Oliveira,  musicoterapeuta, deu uma receita deliciosa de piernic e falou sobre a relação da música com a comida e a cura das pessoas.  









        
Silene Bastos

Já a jornalista Silene Bastos, uma chef em formação, fez os leitores salivarem com a receita de Ambrosia.












Além disso, um texto muito interessante sobre O que faz um Cardápio ser um sucesso, do chef Marcelo Santos foi reproduzido do site Forno, Fogão e Cia Consultoria Gastronômica. 









Na Série - Puxando a Sardinha, três textos fazem uma reflexão sobre como a Gastronomia e as Mídias Digitais estão envolvidas. 

Puxando a Sardinha - Parte 1
Puxando a Sardinha - Parte 2
Puxando a Sardinha - Parte 3 Final 


Já preparando o próximo mês, graças a parceria do blog com o Clube dos Vinhos, virá uma publicação diferenciada sobre Vinhos Orgânicos

Para quem não teve chance de ler os posts de fevereiro, essa é uma oportunidade. Março vem com muita coisa boa. Acompanhe! Compartilhe no facebook, no twitter, no Pinterest, no Google+. Cadastre-se para seguir o blog. Assim, você não perde nenhuma edição. 

Um grande abraço! 

Clau Gavioli





Quibe de assadeira recheado

Uma das especialidades culinárias que mais gosto é a árabe. 

Gosto de tudo, mas quibe, para mim, é a melhor das comidas. No meu caso, pode ser frito ou assado. Eu não gosto de quibe cru. Tenho uma certa resistência com carne crua. Dificilmente como carpaccio. Mas, quibe cru e steak tartare, esses não como nunca. 

Dias atrás, eu receberia uma amiga queridíssima em casa, a Maria, e resolvi preparar uma jantinha com os preparos árabes mais comuns. Fiz homus (pasta de grão de bico), tabule (típica salada árabe feita com trigo de quibe), iogurte natural (o Silas e eu já havíamos preparado no dia anterior e estava pronto), eu tinha antepasto de berinjela já feito de manhã, e me aventurei no quibe assado. 

Não foi bem uma aventura porque não era a minha primeira vez fazendo quibe. Embora minha família seja descendente de italianos, sempre teve quibe na nossa casa. Meu tio Aldemir temperava quibe divinamente. Saudades! Sempre sinto saudades dele e das comidas que ele fazia. 

Quando eu morava em Bauru pra fazer faculdade, costumava comprar quibe cru já temperado no supermercado por quilo. Não sei se ainda vendem a massa pronta do quibe caseiro assim lá na cidade. Também não sei direito porque em Bauru sempre teve tanta comida árabe. Só hoje parei pra pensar nisso.  Deve ter tido muitas pessoas que migraram do Oriente Médio e se fixaram naquela região no Brasil. Árabes, sírios, armênios. libaneses, turcos. Quando a gente é estudante na faculdade e mora numa cidade só pra estudar, normalmente em repúblicas ou pensionatos, não convive muito com as famílias do local,  porque é um momento diferente da vida.  

Mas, voltando ao quibe, eu comprava por quilo no supermercado e aí era só decidir se queria fritar ou assar. Sempre prefiro assar. Não sou muito dada a frituras. Se posso evitar, evito. 

Muito bem. Agora que penso que aprendi a cozinhar, eu mesma faço a massa do quibe e invento o recheio que quero usar também. 

Fiz uma experiência  ao preparar o quibe assado desta vez. Usei o multiprocessador para misturar a massa, em vez de fazer à mão. O Silas não gostou da textura, porque o triguilho (o trigo de quibe) fica mais homogeneizado na massa. Ele gosta que o triguilho apareça. De qualquer forma, é uma opção. 

Receita de quibe assado recheado

Tava tão empolgada, que cortei antes de fazer a foto


Ingredientes

2 xícaras de triguilho (farinha de quibe) lavada, demolhada por 2 horas e escorrida
500 gramas de carne moída
2 dentes de alho amassados
1 cebola média picada em brunoise 
1/2 xícara de folhas de hortelã picadas
2 colheres (sopa) de manteiga ou margarina (opcional)
Sal e pimenta do reino a gosto
1 fio de azeite


Recheio

Queijo muçarela fatiado
Creme de ricota

Modo de fazer

Misture todos os ingredientes até obter uma massa homogênea. Unte uma forma retangular com azeite, distribua 1/2 da massa em toda extensão da assadeira pressionando com os dedos para compactar um pouco. Sem exageros. 
Coloque uma camada generosa de creme de ricota e por cima o queijo muçarela fatiado. Cubra com o restante da massa de quibe.  Risque horizontalmente o quibe ainda cru para ficar bonito. Pincele um pouco de azeite e leve ao forno. 
Asse por cerca de 30 minutos em temperatura média. Não é necessário pré-aquecer o forno. 
Sirva logo em seguida para aproveitar o queijo derretido. 

Opções de recheio: Misturar nozes trituradas à massa é uma boa opção, assim como fazer uma camada delas como foi feito com o queijo. Também fica delicioso, rechear com verduras. 

O quibe assado é uma comida saudável, embora, claro, tenha calorias que se ingeridas em excesso, engordam.  Mas é uma ótima opção para levar a uma festa ou a um piquenique. 

Uma boa vantagem do quibe é que pode ser congelado. Só que, de preferência, sem o queijo. Para descongelar é só retirar no freezer, colocar numa assadeira e levar ao forno convencional. No microondas não dá certo. 

Se quiser, eu posso fazer porções para você levar e congelar. Basta encomendar. 

Homus

Tabule

Antepasto de berinjela (caponata)


No nosso jantar teve ainda uma cervejinha especial, boas conversas sobre a viagem da Maria à Índia e ao Butão e sobre a nossa expectativa do que vamos ver em Cuba. Em breve, viajaremos para a terra de Fidel Castro. Não vejo a hora! 

Beijinhos. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Ambrosia


Convidada especial: Silene Bastos


Nessas guinadas da vida, a gente encontra gente nova, graças a Deus! Gente com garra, vontade e sabedoria, não importa a idade. A Silene é um desses novos achados da minha vida. Jovem e cheia de qualidades, ela é estudiosa, dedicada e ama cozinhar. Por isso, eu tenho a honra de apresentá-la como convidada especial do blog nesta quinta-feira. É dela o texto de hoje. Apreciem! 



O doce dos deuses pelas mãos da mamãe


Aguardo ansiosamente por cada visita da minha mãe ao nordeste, Bahia ou Pernambuco! Mais especificamente por um motivo que, para mim, é único e retrata o sabor doce da minha infância: a ambrosia da dona Lita. 

Nessa última viagem não foi diferente, fiz questão de buscá-la no aeroporto para já ter certeza de que o doce acompanhava a bagagem que ela trazia.

O doce à base de leite, açúcar e ovos possui uma textura fofa e ao mesmo tempo arenosa ao céu da boca. Segundo a mitologia grega, o doce era conhecido como “Manjar dos Deuses” e dono de um sabor divinal. A iguaria era tão poderosa que se um mortal a comesse ganharia a imortalidade e ao experimentá-la sentiria a sensação de extrema felicidade.

Como sabiamente os deuses diziam, o sabor é sublime! 

É possível encontrar o doce em vidros como as compotas nos mercadões e em alguns supermercados da cidade, porém lhes digo que o caseiro, ou melhor dizendo, a ambrosia da minha mãe, não se compara a nenhuma industrializada.  Pode parecer, mas não é papo de filha coruja e orgulhosa da mamãe (não que eu não seja uma dessas), mas já apresentei e ofereci o doce para vários amigos e conhecidos e sempre ouço a mesma reação: uma sequência longa de huuuuuummmmm seguido da afirmação “é a melhor que já experimentei até hoje”.

Há para todos os gostos, a ambrosia mais clara traz um sabor mais leve e não possui tantas “pelotas”. A de cor média (minha favorita) é o doce que leva um pouco mais de tempo no fogo, sendo assim ele fica mais denso, mas ainda não perde a leveza do ponto anterior. Por fim, a ambrosia escura, que possui um sabor mais marcante e pelotas mais firmes, muito saborosa, entretanto é um pouco mais enjoativa quando em grades quantidades - digamos que este ponto seria para aquele doce do qual se come apenas algumas colheradas, mas diversas vezes no dia.

Como sou fã de ambrosia, sempre que encontro em algum lugar, vou logo experimentando. Confesso que nenhuma é igual a outra, até porque a origem dele aqui no Brasil ainda é bem dividida. Há quem diga que é mineiro, gaúcho, goiano e baiano, como afirma, com toda certeza, minha mãe.

Essa é uma discussão que pouco importa. O fato é que esse doce de ingredientes simples, para quem aprecia uma ambrosia bem feita e, portanto, sabe exatamente do que estou falando, é mesmo dos deuses!

Para quem ficou com vontade e quiser se arriscar numa delícia de doce, aí vai a receita que consegui arrancar da dona Lita:

Ambrosia
Ingredientes

  • 1 litro de leite puro
  • 1 quilo de açúcar
  • 6 ovos
  • Canela em pau a gosto
  • Cravo da índia a gosto


          Modo de preparo:
  • Em uma panela grande, coloque o leite, a canela, o cravo e o açúcar. Leve ao fogo médio até começar a levantar fervura. O leite irá talhar.
  • Bata as claras em neve e depois acrescente a gemas, reserve.
  • Depois que o leite talhar, faça corte com uma faca como se estivesse fatiando um bolo, em seguida acrescente as claras reservadas e, com cuidado, mexa até que tudo se misture. Durante o processo de apuração do doce, repita o processo de cortes no leite para que o doce forme os gomos.
  • Deixe apurar em fogo baixo até obter a cor desejada da ambrosia. Sirva frio.
       
Espero que gostem tanto quanto eu!

Até a próxima.


Sobre a convidada: 





Silene Bastos - é uma jovem jornalista paulista de 23 anos apaixonada por comida brasileira. Estudante de gastronomia, adora produzir doces. Segundo ela, escrever, ler e cozinhar são suas terapias e, quando consegue unir tudo, a felicidade está completa. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Puxando a sardinha .. (parte 3 - final)

Reflexões sobre o mundo digital e a Gastronomia



Nossa sardinha já está quase totalmente assada...  


Na semana passada, falávamos de marketing de conteúdo e a proposta de hoje é colocá-lo em prática! Ao final desse texto, uma breve conclusão sobre: 



Mídias digitais, marketing de conteúdo e Gastrô...



Pensando bem, que itens podem favorecer a nossa empresa de catering em relação à sua acirrada concorrência a partir do conceito de marketing de conteúdo? 
A resposta é que a nossa empresa lide e esteja mais presente em ambientes confiáveis como blogs, artigos em revistas, programas de TV, recomendações de críticos e, principalmente de usuários, do que as suas concorrentes.
Assim, não será preciso oferecer o produto ao cliente caso ele tenha sido mencionado de forma positiva por um blogueiro influente num post que atinge em cheio o seu público alvo. O produto ou serviço citado será procurado no médio prazo. É quase uma consequência natural obter resultado positivo e aumentar a clientela.


  • Marketing de conteúdo digital
Uma vez que existem ferramentas disponíveis como as já mencionadas anteriormente, criar um blog de gastronomia também não é uma tarefa difícil.  Concebê-lo para se tornar uma ferramenta influenciadora de decisões de determinado público, isso sim, é bem mais complicado.
Os blogs surgiram como diários virtuais de uma geração de pessoas que têm com os computadores uma relação semelhante a que tinham as pessoas da gerações passadas com os livros e cadernos feitos de celulose e papel. No entanto, como os blogs são ambientes dinâmicos, que podem ser alterados e acessados por muitas pessoas, dependendo de sua abrangência, logo se tornaram vitrines para personalidades (pessoas e também empresas) na divulgação de conteúdos de interesse público. 
Com essa evolução, a versão daquele diário do passado, antes trancado a sete-chaves, para o qual não existiam exigências de diagramação, linguagem, constância de publicação e nem  apelos visuais , tornou-se uma importante ferramenta para divulgação de conteúdos relevantes para empresas e negócios. Em se tratando da área de gastronomia não foi diferente.
Para escrever sobre comida não é preciso muito, basta ter opinião sobre ela. Além do que quase todo mundo sabe e pode reproduzir receitas de bolo. A coisa fica mais séria quando se trata de angariar a confiança de leitores cativos e influenciadores de outros leitores para garantir relevância suficiente como blogueiro. Esse não é um trabalho tão simples como poderia parecer.
Vale mencionar que os blogs não são, contudo, a única maneira de se fazer marketing digital. Talvez sejam apenas exemplos mais palpáveis porque muitas pessoas hoje em dia publicam suas façanhas em blogs.  Muitas empresas, associações e instituições, especialmente as mais “antenadas”, também têm dado significativa atenção para essa ferramenta, tanto criando seus próprios blogs como buscando divulgação em citações de  conteúdos publicados por blogueiros influentes junto a seus leitores.

  • Redes Sociais
Como já foi escrito acima, o Facebook é hoje uma importante mídia digital para qualquer negócio. Mas não é a única rede e, não é difícil prever que, como o Orkut (que se viralizou de forma instantânea e vertiginosa há alguns anos, atingindo todas as classes sociais e os mais distintos públicos) deixe espaço em breve para outra rede que se torne mais relevante e atraente.
Existem outras redes como o Facebook, mas com características peculiares. Há o Instagram para fotos, o Linkedin que é mais voltado aos conteúdos formais e executivos, o Google plus, o Youtube para videopublicações, o Twitter para comunicação suscinta e ainda outros novos conceitos como o do Pinterest, abrangente e focado ao mesmo tempo.  Um profissional de comunicação tem obrigação de conhecer todas para que possa desenvolver um bom plano de mídia para uma empresa de gastronomia ou um chef.
A adequação da linguagem e dos formatos é indispensável e, se feita de forma leviana, pode destruir uma carreira promissora ou a imagem institucional de uma boa empresa. 


 Recomendações para uma boa campanha digital
A Gastronomia traz consigo elementos que se bem usados facilitam muito o uso das mídias digitais. Imagens de comidas são em geral coloridas e atrativas, chefs de cozinha são profissionais glamourizados  no imaginário coletivo, o paladar é um dos sentidos mais facilmente estimulados no ser humano porque em algum momento todas pessoas sentem fome (mesmo as que não ligam muito para comida), falar de comida é um passatempo agradável, muito mais do que falar mal da vida alheia. 
Enfim, são muitos pontos favoráveis para que tenha havido tanto crescimento do assunto nas redes sociais e nas mídias em geral.
Entretanto, algumas recomendações podem favorecer e até perenizar na preferência do público alguns serviços, empresas, personalidades e celebridades gastronômicas a partir do ambiente virtual. São elas:
  • website atualizado, dinâmico e com medição de audiência;
  • ferramentas de disparo de emails para envio de newsletters, eventos e fatos relevantes; 
  • presença em mídias digitais com conteúdos bem cuidados, atualizados e contextualizados;
  • conteúdos em blogs confiáveis;
  • diversificação de canais (youtube, instagram, twitter etc.) com adequação de linguagem;
  • estratégias para webinar e SEO, a fim de ter boa classificação em sites de busca
E outras que podem favorecer o negócio como um todo.
Conclusão
Como nesse trabalho a proposta é analisar a comunicação empresarial para a gastronomia tendo como foco os ambientes digitais, não houve a preocupação de se estender o texto com os demais conceitos citados para um plano de comunicação.
O equilíbrio entre o virtual e o real é que pode garantir o desenvolvimento pleno e crescente de qualquer negócio, seja para a Gastronomia ou qualquer outro ramo de atividade. 
É crucial, portanto, reconhecer a importância da comunicação empresarial para a formação do profissional da Gastronomia. Se faltar esse elemento, esse conhecimento quase básico, um chef de cozinha pode ser o responsável pelo mais brilhante, inovador e saboroso preparo entre todos os já produzidos, mesmo assim, ele nunca terá o reconhecimento que lhe é devido em termos pessoais, emocionais e financeiros.
Comunicar é essencial. 
 É isso aí! 


Se quiser ler os três textos da série Puxando a Sardinha  (partes 1 e 2), acesse: 




domingo, 22 de fevereiro de 2015

Itu, uma viagem

Já faz tempo que não falo de viagens, não porque não goste de falar, mas é que nesse mês de fevereiro a ideia era mesmo ficar aqui por São Paulo, sem o stress do período do Carnaval nas estradas. 

Nem por isso escapamos de ficar algumas horas entre São Paulo e Itu. É que ir pra Itu, pra mim, não é viagem. É ir pra casa da mãe. No domingo passado, no entanto, estivemos por lá. 

Soa um pouco estranho fazer um relato de viagem de um lugar que pra mim é completamente comum. Mas Itu é uma cidade turística, embora seus moradores e governantes não prezem muito por essa sua característica. 

Para a prefeitura de um município, tornar-se uma estância turística significa que receberá incentivos (aporte financeiro) do Governo Estadual. No entanto, para que se torne estância turística é preciso preencher alguns requisitos como condições de lazer, recreação, recursos naturais e culturais específicos. Além de dispor de infraestrutura turística. 

No Estado de São Paulo, há 32 estâncias turísticas, 15 balneárias, 11 hidrominerais e 12 climáticas. A cidade de Itu está na primeira categoria, principalmente em função de seu caráter histórico, suas igrejas e casarões e, também, da pedreira de varvito. 

Fundada em 1610, pelos bandeirantes  Domingos Fernandes e Cristóvão Diniz, a cidade já teve grande importância histórica no Brasil. Nos primeiros anos, logo após sua fundação com a construção da igreja da Candelária (onde hoje é o Bom Jesus), serviu como  entreposto comercial na rota de mineração vinda de Goiás e Mato Grosso em direção ao litoral. Depois se tornou importante devido à cana-de-açúcar e, mais tarde, pelo cultivo do café. Até 1935, muitos barões do café tinham propriedades na região. 

Politicamente, em 1822, Itu fui declarada por D. Pedro I como "A Fidelíssima", por apoiar o movimento da Independência do Brasil. Ainda no século 19, foi lá que ocorreu a primeira "Convenção Republicana", que levou à proclamação da República em 1889.  Era um ituano o primeiro presidente civil do Brasil, Prudente de Morais. 

Essas lembranças, quase passam desapercebidas de quem nasce e cresce na cidade, exceto pelo fato de que, na escola, quando se inicia o aprendizado de geografia e história dos municípios, as crianças tenham acesso a essas informações. Como isso ocorre numa tenra idade na infância, nem sempre se atribui a importância devida ao que fica na memória. Talvez esse seja o motivo de os cidadãos ituanos não terem muito apego ao seu passado histórico. Destruir prédios e desfazer fachadas centenárias da cidade é só uma questão de oportunidade para seus proprietários, salvo exceções bem definidas. 

A ideia de progresso fez com que a cidade sofresse um retrocesso na manutenção de seu patrimônio cultural, o que não é um privilégio somente de Itu no estado de São Paulo, mas lá, isso fica mesmo muito evidente. Em menos de 40 anos, a cidade destruiu seus casarões e casas de taipa de pilão para erguer prédios comerciais sem qualquer charme, apenas com a funcionalidade de render aluguéis aos proprietários cujos imóveis estão habitados por instituições como Itaú, Bradesco, Lojas Pepê, Casas Bahia e outros. 

Na contramão dos fatos, a legislação ituana não prevê a retirada de outdoors e nem medidas padrão razoáveis para placas de identificação e propaganda nas fachadas. Isso torna ruas e avenidas, entre elas as centenárias Floriano Peixoto e Santa Rita, uma espécie de bazar a céu aberto de extremo mau gosto, depondo muito contra a beleza da cidade. Como diria Caetano: "a força da grana que ergue e destroi coisas belas". 

Anos de descaso político fizeram com que no ano de 2014, a cidade sofresse um trauma irreparável com a falta d'água. Para dar alguma dimensão das cenas desoladoras que a população enfrentou é preciso recorrer ao cinema. Mad Max, filme cuja trama se desenvolve num futuro em que a população guerreia por itens básicos de sobrevivência como a água, é um comparativo do que ocorreu em Itu no ano passado. A iminência dessa catástrofe voltar a ocorrer é um fantasma rondando os moradores uma vez que as obras de infraestrutura previstas para evitar que o problema recorra não estão andando. 

Como não conheço o prefeito, imagino que não seja ituano. Sinto que sua relação com a cidade é pautada no cargo que ocupa e não numa alma cidadã que faz com que nós, ituanos,  mesmo à distância, tenhamos orgulho inclusive do nosso sotaque arrastado e caipirão porque é isso que somos. 

Nem mesmo uma população devastada pela crise hídrica e com anseios de progresso, pode tirar o charme da "cidadezinha das pracinhas", como dizia uma antiga chefe que eu tive. Itu é cheia delas. É possível dizer que para cada igreja católica, há uma pracinha, ou quase. Como são muitas igrejas, já que Itu também tem o título de "Roma Brasileira", o número é mesmo significativo. 

Para quem não conhece e só ouviu falar de Itu como a "cidade das coisas grandes" pode pensar que o grande atrativo do turismo é só baseado nos objetos de tamanho gigante como o orelhão, o semáforo, os sorvetes e as peças de souveniers pelas quais as crianças ficam encantadas.  Mas, não. 



Devotos e andor de Santa Rita
Em Itu tem procissão de tudo que é santo: Santa Rita (a que mais atrai devotos), Santo Antonio, São Judas, São Benedito, Corpus Christi (essa com tapete nas ruas), Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora Aparecida, além das procissões do período da Páscoa: procissão de Ramos, do enterro de Cristo e, também do Encontro de Nossa Senhora com o Cristo Redentor. Só isso, além de religioso já é bem turístico, pode acreditar, porque depois das rezas tem também barraquinhas e quermesse. Os andores são enfeitados de um jeito bem tradicional e há comissões de religiosos que cuidam de tudo. Muito interessante, para dizer o mínimo. 

Também foi lá na cidade, na rua Barão do Itaim, que foi feita a primeira carta de intenção para que o Brasil deixasse de ser império e passasse a república. Por isso, tem um Museu Republicano, que é da USP, como o Museu Paulista (do Ipiranga), na casa que foi do barão. Um pedaço do passado do país está ali, naquelas mesas, cadeiras e paredes. 
Matriz da Candelária, à esquerda o semáforo de Itu
Teto da Matriz de Itu

Nas igrejas tem um patrimônio de arte sacra comparável ao patrimônio das igrejas de Ouro Preto. Só que é o melhor do barroco paulista em lugar do barroco mineiro. Só na Matriz da Candelária, além da arquitetura e das esculturas barrocas, tem ainda as pinturas de Jesuíno do Monte Carmelo e também quadros de Almeida Jr.  




Pra mim, as igrejas do Carmo, do Bom Jesus, São Benedito e Nossa Senhora do Patrocinio, são daqueles lugares históricos e culturais que mereceriam a mesma preservação da Capela Sistina. Exagero? Ora, por que não merecem? Só porque somos brasileiros? 
Teto da Igreja do Carmo, de Jesuíno do Monte Carmelo

Na minha adolescência, em frente à minha casa, abrindo a janela, havia uma pracinha: a Almeida Júnior. É controversa a sua existência para mim. Tem dias que a vejo como um privilégio da juventude. Em outros, nela se refletem o descaso e a ignorância da minha gente lá de Itu. A praça é morada de mendigos, inclusive com barraca armada e uma velha brasília na garagem em frente à porta. 

Mas há compensações: o Museu do Quartel está bem preservado, a fachada da Casa Imperial também e agora temos um museu da música, salvo me engane, onde morava o Luiz Roberto, do Coral Vozes de Itu. 
Casa Imperial


De todos os meus lugares preferidos em Itu dois são intocáveis: o colégio Patrocínio, onde antes podíamos entrar pra visitar o túmulo de Madre Maria Teodora, e a Biblioteca Pública, na esquina do becão com a rua Paula Souza, antigo colégio Cesário Mota. Eu me referi a esses lugares como intocáveis porque temo tocá-los e saber que não existem mais como são na minha memória. 

Ainda na lista dos intocáveis: a Associação Atlética Ituana, o Convenção, o Regente e a igreja Redentorista. 



Pedreira do Varvito, foto Itu.com.br

Ainda falta falar da Pedreira do Varvito, que agora é Parque Ecológico; da Fábrica São Luiz (a primeira tecelagem do Brasil), dos campings e pesqueiros e das fazendas como a Capuava e a do Limoeiro da Concórdia, da amiga Débora Nunes e do Seu Clemente. 






Itu tem também bons restaurantes (todo mundo conhece o Bar do Alemão), numa das fazendas vende chocolates, pó de café gourmet e doces de frutas como goiabada, bananada e figada.  Na Praça Padre Miguel (a da Matriz) tem uma doceria chamada Senzala, onde paquerei e fui paquerada pela primeira vez e o prédio do Ituano Clube. 

Mas por lá como em São Paulo, tem Extra, Pão de Açúcar, Carrefour, Tenda, Dia, Walmart e Plaza Shopping. É o consumo que a consome, pobre cidade de minha infância.

Sobre o patrimônio imaterial: a barraca de doces da festa de Santa Rita; o benzimento de garganta no dia primeiro de fevereiro, dia de São Brás; a música do maestro Elias Lobo, as estórias mal contadas de Simplício, a lembrança do palhaço Pimentinha, o estouro do Judas, a comida da minha mãe, a geleia da minha avó, a memória da rua do Patrocinio na casa do Seu Gildo e dona Géssia... 

Entre as novidades, algumas nem tão novas assim, o kartódromo e os grupos de bike, são os que me lembro de bate-pronto. 

No link Itu dá pra encontrar os pontos turísticos a serem visitados na cidade. Que cada pessoa, turista ou não, possa olhá-los com carinho e instinto de preservação. Que o futuro venha, sem tanta devastação e sem que se destrua o melhor do passado.  

Apesar de amar São Paulo de todo meu coração, sou ituana, oras! Em Itu, eu nunca seria turista, mas, às vezes, sou. O que faz uma cidade ser turística não é o seu título, é o que ela desperta na gente. É ter a partir dela um novo olhar. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Trio de sabor para dar de presente: tapenade, sardela e pesto



Para este ano de 2015, entre os meus melhores propósitos de mudança,  decidi que todos os presentes a serem dados aos amigos em ocasiões especiais como aniversários, visitas e comemorações serão feitos por mim. Um jeito novo de dizer que tenho tempo para eles e que me dedico a dar o meu melhor para os que amo. 

Como gosto de cozinhar, de embalar, de por laço de fita e montar coisas, é quase certo que os presentes serão vidrinhos ou saquinhos com guloseimas ou iguarias. 

Parece uma decisão meramente econômica, mas não é. Até porque tudo depende de quanto custa o seu tempo e o que você realmente pretende fazer com ele. Quando você resolve presentear alguém com algo feito à mão, tem que se preocupar com a embalagem, com os ingredientes, com o frescor e as combinação dos elementos que com vão compor o mimo. 

No sábado, foi aniversário do Plínio e a primeira oportunidade de executar o que me propus fazer. 

Ele ganhou três iguarias feitas por mim na cozinha com a ajuda do Silas: sardela, pesto e tapenade de azeitona. Espero que tenha gostado. Tudo super fácil de fazer. 

Pus cada um dos preparos num vidrinho de 150 ml com tampa branca e depois os embalei um a um, como faziam os armazéns ou mercearias no passado. Apenas envolvidos numa folha de papel de seda branca, os dois vidros de antepastos e o de molho pesto foram levados para o aniversariante numa sacola de papel craft junto com uma garrafa de vinho. Era para ter pão italiano também, mas, como estávamos indo para um almoço, o pão demoraria a ser consumido o que faria com que perdesse o frescor até quando fosse ser consumido. Por isso, o deixei de fora. 

Que tal conhecer a receita da tapenade? Quem sabe você também se inspire e entre na onda de presentear com comidinhas... É um jeito de amar. 

Tapenade um prato típico provençal composto por uma mistura de azeitona (preferencialmente preta), com alcaparra, anchova, tudo picado em pequenos pedaços ou mesmo macerado e misturados com azeite de oliva. É um prato típico do sul da França, região da Provance, normalmente servido como entrada para ser comido juntamente com pedaços de pão ou torradas, podendo também ser utilizado como tempero. Seu sabor típico fez com que rapidamente ficasse conhecido e fosse apreciado em todos os continentes

Tapenade de azeitonas pretas

Ingredientes

2 xícaras (chá) de azeitonas pretas grandes sem caroço
2 colheres (sopa) de alcaparras
1/2 xícara (chá) de azeite de oliva
2 filés de anchova
1 colher (chá) de tomilho
sal e pimenta do reino a gosto

Modo de fazer

Leve todos os ingredientes, exceto o azeite, ao processador. Processe por cerca de 1 minuto, mas não deixe que se torne uma pasta. A textura da tapenade é de pedacinhos muito miúdos, não de creme. 
Retire do processador e já na travessa ou vidro onde vai servir acrescente o azeite de oliva extravirgem. 

Rendimento: 250 gramas de antepasto

Usos: A tapenade pode ser usada como antepasto para comer com torradas ou pães, serve para finalizar receitas de pasta de bacalhau, para finalizar bruschettas, para acompanhar piadinas ou bolos salgados em entradas. 

Uma delícia! Além do que é uma iguaria das mais refinadas.Uma ótima opção de presente, não?

Noutra ocasião, falo da sardela e do molho pesto.

Ate mais, aquele abraço! 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Puxando a sardinha... (parte 2)


Reflexões sobre o mundo digital e a Gastronomia



Continuando a puxar a brasa para a minha sardinha...

Na semana passada, duas perguntas ficaram no ar quando o assunto era sobre planos de comunicação para uma empresa de catering (serviço de alimentação) do tipo buffet gastronômico e/ou um novo restaurante. 




Mídias digitais, marketing de conteúdo e Gastrô...



·         Como montar um plano de comunicação voltado ao mercado para divulgação de uma empresa dessa natureza?
·         Quais os elementos-chave a serem considerados para uma boa companha de comunicação empresarial?
Depois de uma análise criteriosa sobre o perfil da empresa  (tipo de produto e serviços prestados, características dos sócios e da equipe, idade do empreendimento, reconhecimento da marca, mercado em que atua) e seus objetivos no tempo (de acordo com a capacidade instalada e a estratégia a curto, médio e longo prazos), o responsável pela estratégia de comunicação deverá considerar um amplo espectro de opções para definir o melhor caminho a seguir. Para traçar metas adequadas que garantam atingir plenamente os objetivos da empresa, os elementos de um plano de comunicação básico são:
  • website;
  • mídias digitais (blogs e canais web) e marketing de conteúdo;
  • redes sociais (Facebook, Linkedin, Pinterest, Instagram, Google mais)
  • assessoria de comunicação (e não mais apenas de Imprensa);
  • publicidade e propaganda;
  • folheteria (panfletos, encartes, material interno);
  • participação em programas de TV, rádio e internet;
  • desenvolvimento próprio ou participação em aplicativos (Restorando, por exemplo);
  • publicação de artigos em veículos especializados e na grande  mídia (jornais, revistas, sites e portais);
  • participação em concursos e eventos da área;
  • palestras em escolas e associações;
  • parcerias estratégicas com clubes, associações, instituições, confrarias etc.
  • CRM (customer relationship management): informações e cadastro completo de preferências, dados históricos de compras, ações para manutenção do relacionamento e fidelização de clientes, que se tornam influenciadores de compras para outros clientes potenciais. 

 Não é sem motivo que os dois primeiros itens citados são website mídias digitais 

Toda empresa, ainda que incipiente, não sobreviverá e nem terá um crescimento orgânico sem investir numa plataforma que garanta aos seus potenciais clientes encontrar informações a respeito de suas atividades no ambiente web. 

Ainda que não seja um site profissional, terá que existir. Caso não haja nenhum recurso financeiro na empresa disponível para esse fim, há soluções gratuitas na web para criação de ambientes virtuais do tipo blogs cujas funcionalidades são bem parecidas com as dos websites. O que não dá é para ficar fora da mídia digital. 

É indispensável criar uma página no Facebook que, para um primeiro momento, é totalmente grátis para qualquer usuário que tenha uma conta pessoa física ou jurídica, ou seja, CPF ou CNPJ, nessa rede de relacionamentos. As ferramentas oferecidas garantem que, mesmo pequeno, o negócio de buffet ou o restaurante estejam presentes na web com seu nome, endereço e telefone.  Não há grandes dificuldades em acessar esse ambiente e se registrar. 


Marketing de conteúdo


Outro importante fator do plano de comunicação é o que contempla o marketing de conteúdo. Esse, sim, pode ser essa a grande diferença entre o sucesso e o fracasso de uma pequena empresa de catering, como a do nosso exemplo: o fato de seu dono ter conhecimento sobre marketing de conteúdo. 

Segundo a empresa Rockcontent, marketing de conteúdo é uma maneira de engajar-se com seu público-alvo e crescer sua rede de clientes e potenciais clientes através da criação de conteúdo relevante e valioso, atraindo, envolvendo e gerando valor para as pessoas de modo a criar uma percepção positiva da sua marca e assim gerar mais vendas.  

Pode parecer, mas não é nada muito complicado. No entanto, exige certo grau de sofisticação despertar o interesse de determinado público alvo para uma informação, especialmente, quando há tantos conteúdos para que esse público escolha o que melhor lhe convém. Em outras palavras, seria mais fácil se não houvesse concorrência.  

Pensando bem, que itens podem favorecer a nossa empresa de catering em relação à sua acirrada concorrência a partir do conceito de marketing de conteúdo?  

(continua...)


Na semana que vem, além de marketing de conteúdo e sua aplicação, redes digitais e recomendações para uma boa comunicação empresarial no mundo da gastronomia. Nos próximos posts, outros assuntos... Não deixe de ler e comentar.