terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A 100 passos de um sonho

Antes que  me acusem de parecer tolinha, encantada, abobada, já vou informando que li as críticas feitas ao filme A 100 passos de um sonho e não discordo delas. 

O que faço é tentar eleger palavras e expressões mais delicadas para me referir às minhas predileções de entretenimento.  

No cinema, eu gosto da boa fotografia, mesmo que seja previsível. Fico inebriada pelo som, ainda que a música se torne um hit parade (depois sou capaz de odiar, como é o caso da música do Titanic). E é bem difícil eu me cansar de ver rostos de gente bonita. Além do que, um mesmo enredo recontado com charme, elegância e bons atores, é melhor do que uma estória nova, com gente sem talento.

A 100 passos de um sonho tem todos esses elementos e mais alguns que me agradaram. Por isso, não vou falar mal. Ao contrário, recomendo para quem gosta de imagens bonitas, especialmente dos campos e das pequenas e acolhedoras cidades europeias (neste caso, ao sul da França), de comida, cozinhas e restaurantes e de uma trama sensual. Isso sem contar a mensagem um tanto altruísta do filme que lhe confere certa graça, uma vez que é mesmo inexoravelmente previsível. 

Vi o filme em casa, no nosso cinema particular com direito a sofá, pijama confortável, chazinho e paradinha para ir ao banheiro, se necessária. Uma noite de domingo nas férias de verão quando o Silas, a Bruna e eu, tínhamos voltado de um fim de semana cheio de emoções e despedidas em Itu.  Todos três, quando subiu o letreiro final, estávamos mais leves e cheios de boas observações a fazer. Só por isso já valeu o entretenimento.  

Helen Mirren ilustra os materiais de divulgação sempre em primeiro plano, tamanha é sua envergadura atual para a indústria do cinema. 

Para quem não se lembra dela pelo nome é A Rainha, no enredo que trata mais da vida da princesa Diana do que da rainha Elizabeth, do Reino Unido, e lhe rendeu um Oscar, um Globo de Ouro e o BAFTA de melhor atriz em 2007. 







foto: cinema.uol
No entanto, para mim, quem rouba a cena por sua atitude, destreza, carisma e teimosia é Om Puri, ator indiano de 64 anos, que interpreta Papa Kadam, pai do genial cozinheiro Hassan Kadam (Manish Dayal), em torno de quem decorre o enredo. Os marqueteiros que esqueceram de colocar a imagem do Om Puri na divulgação não deviam ter visto o filme antes de criar as peças.


A direção do filme do sueco Lasse Hallström esbarrou e, às vezes, até trombou na tendência de transformar as personagens em meros estereótipos. O roteiro de Steven Knight levava a isso, é bem provável. O que para Steven Spielberg e Oprah Winfrey, que dividem a produção com Juliet Blake, não é assim, de verdade, um problema. Eles conhecem bem o que é o gosto mais pra doce do que para insosso que o público assimila bem. No fim, todo mundo sai feliz! 

Em 2014, dediquei-me a olhar mais detidamente para o assunto gastronomia que, não só devido à minha dedicação, está por toda parte: novos negócios, cursos, escolas, livros, filmes, programas de TV, personagens de novelas, revistas, blogs, sites, instagram...   

Vez ou outra aparece uma proposta inovadora e criativa, mas isso é "beeeem" de vez em quando! Assim como essa produção da DreamWorks Pictures que é distribuída pela Disney/Buena Vista, é mais do mesmo, são também o Masterchef da Band, o Cake Boss ou o Buddy, o  Jamie Oliver, a Neka Mena Barreto e seu "Fome de quê?" , a Carla Pernambuco e o Brasil no Prato, e tantos outros. Gosto pra caramba de tudo isso e de outros tantos mais. Assisto sempre que posso e me divirto, me alegro. 


Jamie Oliver - foto:fondofwork.ru


Neka Mena Barreto - foto:metropole.rac.com.br


Buddy - foto: revistamenu.com.br
Carla Pernambuco - foto: recantoadormecido.com.br

















Quando a intenção é "papo-cabeça" esse tipo de cinema não serve. É melhor buscar Truffaut, Bergman, Kurosawa e tantas outras célebres mentes que são referências para sabermos que, apesar da leveza, entretenimento também é cinema. 

Ah! Ia me esquecendo de mencionar no A 100 passos de um sonho, a participação da linda Charlotte Le Bon, que faz a Marguerite. Além do figuro invejável, ela anda numa bicicleta com cestinha colhendo cogumelos depois da chuva... Quem não se encanta? Uma graça! 




Li que a cozinha e o restaurante de Paris que aparecem no filme quando o chef Hassan Kadam vai para lá a fim de ganhar a terceira estrela do Michelin são reais. O estabelecimento existe e fica na cobertura do Centre Georges Pompidou (ou Beauborg - pronuncia-se "bobô), na capital francesa. 

Queria ir lá, só pra ver! Você, não?

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