domingo, 29 de março de 2015

Batatas rústicas


PRATO CORINGA: esse é um típico coringa da culinária. Sempre dá jogo! 

É difícil encontrar quem não goste de batatas. Acho que nunca conheci alguém. Além do que elas são comumente encontradas nos supermercados, quitandas, mercearias e feiras, não só no Brasil como nos mais diversos países. 

A batata é um carboidrato. Ela é um tubérculo (caule arrendondado de uma planta verde) comestível, rico em amido. 

Para muitos países, a batata é a base da alimentação, assim como para nós, brasileiros, são o arroz e o feijão. Mais de 1 bilhão de pessoas consomem batata no mundo, por isso, 125 países em escala, o que faz dela a quarta principal cultura agrícola em ordem de importância. 

experimentosnacozinha.blogspot
Existem mais de 5 mil tipos diferentes de batatas. Só na América Latina são cerca de 3 mil, dos quais 400 tipos são de uso culinário. Entre as mais conhecidas: batata bintje, inglesa, holandesa, doce, roxa, monalisa, baraka e asterix. 

Curioso é que elas são originárias da região da Cordilheira dos Andes e as primeiras foram levadas à Europa no século XVI. Hoje são amplamente consumidas pelos europeus, sem exceção. E nos Estados Unidos estão entre os grandes consumidores mundiais, embora a maior produção esteja concentrada nos países asiáticos. 



As variações desse ingrediente podem ser tantas e as mais inusitadas: batatas fritas, cozidas, assadas, com casca ou sem, recheadas, como base para massas e pães, frias, quentes, com molhos, em ensopados e tantos outros usos que renderiam listas intermináveis.  

foto: enirvana
Como acompanhamento ou guarnição é excelente, funciona muito bem com carnes, aves e peixes. É uma boa opção para os que não podem comer glúten.

Com tantos pontos positivos, o preparo desse prato é só mais um para engordar a lista. Fácil, rápido, barato e gostoso. Aproveite. 



Batatas rústicas



Ingredientes

·         600 gramas de batatas médias (do tipo holandesa)
·         Sal grosso
·         3 ramos de alecrim
·         2 colheres  (chá) de azeite de oliva extravirgem

Modo de fazer

Lave bem as batatas com uma escovinha de cozinha e retire imperfeições evidentes na casca com a faca de legumes. Corte-as ao meio e, depois, cada parte em três  partes, o que  fará com que cada batata renda seis pedaços. 



        



Leve ao forno em forma untada ou sobre um silpat (tapetinho de silicone culinário) não são antes polvilhar sal grosso e o alecrim retirado dos ramos e um fio de azeite. 

O tempo de forno será de 30 minutos. A cada 10 minutos, abra o forno e mova as batatas para que assem por igual. 

Dica: Se cortar em gomos ou se descascar já terá duas variações interessantes para o mesmo prato. 

Sirva como aperitivo ou como guarnição. Sucesso garantido! 

sábado, 28 de março de 2015

Holy Burger - uma opção no "baixo-Mackenzie"



Na crista da onda das hamburguerias em São Paulo e na mudança gradativa do point mais cobiçado da cidade da Vila Madalena para a Vila Buarque (nem Consoloção, nem Higienópolis), o Holy Burger é um espacinho charmoso, bem no estilo east-village novaiorquino. 

Bem montado, mas com muita coisa parecendo inacabada, o que dá ainda mais um astral de Nova York, o lugar é cheio de gente bonita, os descolados do tipo "sô bonito e nem tô". 

Esse parece ser o público mais interessante para quem abre uma casa como essa num reduto de botecos meio feiosos de parede de azulejo numa área que eu chamaria de "baixo -mackenzie" (já que é a rua de cima a que fica bem em frente à faculdade), porque tende a atrair mais gente com grana no médio prazo. O que pode ser o catalizador para uma mudança de perfil do território. 
Foto: glamurama




A casa tem lá suas fraquezas, mas não deixa muita dívida diante do que se pretende. Se a ideia é servir hambúrguer, ok, lá tem. 

O cardápio na pretensão de ser também descolado é meio difícil de ler, mas como não traz muitas opções, passa.  Os sabores dos sanduíches não variam muito, a coisa é enxuta, mas para quem está começando isso é uma grande vantagem, especialmente, se cair no gosto dos frequentadores. 

Eu, por exemplo, detesto ter que escolher entre 20 opções de lanches, cinco ou seis são mais que suficientes para me deixar com água na boca. Também não sou nada adepta de ter que montar meu sanduíche. Isso eu já faço em casa. Quero opções de combinações perfeitas e, de preferência, inovadoras. Sendo assim, bastam um carro chefe - que é o Holy burger - e mais umas duas opções entre os que é tradicional, um vegetario e um bem diferente. 

Em hamburgueria se espera que a carne seja boa e que se respeite o ponto exato do hambúrguer na chapa. Nisso, a casa não faz feio. 

Holy Burger - foto facebook/holyburger


Tem que ter também cerveja, refrigerante e batata frita. Tem também. 

O pão poderia ser melhor. Estava meio esfarelento, parecendo um pouco velho. Quem sabe trocar o fornecedor seja uma boa para o pessoal do Holy. 

Ponto positivo é o atendimento que, apesar de informal, é muito solícito e simpático. 
O ambiente, embora pequeno, é divertido e aconchegante. A luz não incomoda, tem música de tipo e volume razoáveis, nada ofensiva para quem vai comer e não dançar ou caçar companhia. Não é esse o propósito. 

Os preços são de hamburgueria e não de lanchonete, o que acompanha a onda também. É mais caro porque é "gourmet", mesmo sem usar essa gasta expressão. O Holy Burger custa R$ 25 e a cerveja Heineken, long neck, R$ 7. As opções de cervejas não são muitas, mas não ficam só na Skol e Brahma, como nos botecos vizinhos. No Holy há aquela preocupação em oferecer uma artesanal, uma IPA.

Não provamos as sobremesas, mesmo sabendo que tinha "um bolo de chocolate delicioso", segundo a nossa garçonete. Muito fofa para atender, bonita e com cara de menina inteligente. Padrão nova iorque! 

Não espere o melhor hambúrguer que você já comeu ou comerá em toda a sua vida nesse lugar. Mas, para uma noite com fome, no meio de semana, pode ser uma boa dica de onde comer, ser bem atendido e ver gente. Quando chegamos tinha espera, quando saímos, também! 

Serviço: 

Holy Burger - Rua Dr. Cesário Mota Jr., 527, Consolação - São Paulo

terça-feira, 17 de março de 2015

Sabor e Conversa Entre Amigos



Revista Bem Mulher, edição número 04


Sonho antigo, desde menina, era ser colunista de uma revista. De preferência, escrever numa revista feminina. Não é que os sonhos se realizam? 

A partir da edição deste mês da revista Bem Mulher, eu assino a coluna de Gastronomia & Hospitalidade. 

Na estreia, escrevo sobre como preparar algo bem gostoso para receber aquela pessoa tão querida em casa para uma conversa a dois. Ah! E tem também duas sugestões de vinhos rosados para harmonizar e tornar tudo uma delícia! Para isso, contei com a ajuda da Vinitude - Clube dos Vinhos

Para os leitores do blog, em primeira mão, o texto da matéria está disponível  a seguir. Mas, corra lá na banca e compre a revista ou acesse o site http://www.revistabemmulher.com.br/ porque além dessa, há outras matérias muito interessantes. 


Sabor e Conversa Entre Amigos


Sem perder a sofisticação e a graça, é importante que tudo seja fácil de fazer para que se desfrute plenamente o tempo com os amigos.
A boa hospitalidade preza pelas boas vindas, o entretenimento e a despedida dos visitantes. Quanto mais natural puder ser a relação entre as pessoas, ou seja, quanto mais à vontade todos se sentirem, mais vontade terão de voltar logo. 

Leia a matéria na íntegra

terça-feira, 10 de março de 2015

Canjica (munguzá) - comida carinhosa

Canjica também é comida confortável, digo, de acalanto, aconchego, com cara de comida de mãe ou de vó. No Nordeste, tem o nome de munguzá, mas aqui por São Paulo é canjica mesmo. 

Na sabedoria popular, esse alimento é muito lembrado quando as mulheres ganham nenê. Dizem que aumenta o leite materno. Não sei o quanto é verdade, mas me lembro de várias vezes em que havia canjica em casa ter alguém perguntando se tinha uma mulher amamentando. E também de ter canjica na casa da Euzi logo que o Rafa nasceu.

Tem gente que só come no frio, em época de festas juninas. Eu gosto o ano inteiro. Só não como mais porque a cada vez que faço, rende tanto, que chego a ficar enjoada de tanto comer.  Posso até gostar o ano inteiro, mas canjica não é arroz e feijão, tem hora que chega! 

Semana passada, me deu vontade de comer sagu. Só que fui olhar no armário e não tinha sagu em casa. Foi quando encontrei o milho de canjica. Ele olhou pra mim, eu olhei pra ele... e foi assim. Decidi fazer. 

Como é preciso deixar o milho de molho na água de um dia para o outro, quase que a minha vontade de comer passou. Mas quando ficou pronta... Aí não tem jeito, é comer e se deliciar. 

A canjica, como tradicionalmente a gente vê (aquela que era servida na merenda escolar) pode ser feita somente com água ou leite e açúcar. A minha foi mais incrementada e ficou muito boa, com leite condensado, canela em pau, leite de coco e uvas passas. 

Vou levar um pouco para minha sogra. Ela gosta muito dessas comidas carinhosas. 

Aqui em casa, o Silas até experimenta, mas não é lá do agrado dele esse doce brasileiro. Como ele, muitas pessoas não ligam para canjica. Tenho cá uma teoria para o fato. É que o milho cozido na água ainda sem os temperos, o açúcar e as especiarias,  tem um pouco de gosto de nada. Só quando está bem curtida no leite adoçado, muitas vezes temperada com paçoquinha de amendoim, com coco, com frutas secas, é que fica mesmo muito gostosa. Leite condensado é um aliado sem igual para a canjica. Hummmm... 

Vamos à receita. 


Canjica à minha moda


Ingredientes

500 gramas de milho de canjica demolhado de um dia para o outro em 3 litros d'água
1 lata de leite condensado
1 vidro de leite de coco
1 pau de canela
1/2 xícara de leite 
1/2 xícara de uvas passas pretas

Modo de preparo

Na panela de pressão, cozinhe a canjica na água em que foi demolhada por cerca de 45 minutos. Solte a pressão da panela, abra e verifique se está no ponto. Caso não esteja, cozinhe até o milho ficar mole, mas não derretendo. 
Despeje a canjica ainda quente numa tigela, acrescente o leite condensado, o leite de coco, a canela e o leite de vaca.  Por último, acrescente as uvas passas. Misture bem. Deixe esfriar e leve à geladeira por três horas. Sirva em taças individuais polvilhada com canela em pó. 




Se preferir servir quente, é só aquecer um pouco no microondas ou mesmo na panela, como um mingau. Só que tenha cuidado para não grudar na panela. 

Observação: Quando for temperar a canjica, use apenas metade do que foi cozido. Já vai render muito. A outra metade coloque em saquinho de congelamento e leve ao freezer para congelar. Quando quiser, já vai ter canjica cozida só para temperar ao seu gosto, sem ter que aguardar um dia para que o milho amoleça. 





Variações: 
O munguzá (ou canjica) também é feito salgado. Há inúmeras preparações que levam o milho de canjica que têm o mesmo princípio da feijoada, ou seja, levam carnes, frango e temperos diversos. Não é muito comum comer canjica salgada em São Paulo, mas tudo é uma questão de se abrir para novas possibilidades. 


Um grande abraço e até mais!