terça-feira, 31 de março de 2015

Resumo do mês - Março de 2015

Todos os posts


Março veio cheio de novidades e agora se despede com o resumo de tudo o que foi postado durante o mês. 
Apesar das demais conquistas do blog, o grande destaque do mês é a viagem para Cuba, com  textos e reflexões sobre comida, hospitalidade e o turismo no país revolução socialista, suas semelhanças e diferenças em relação ao capitalismo.

Viagem - Cuba 







Convidados especiais: cerveja e livros 



O amigo e professor Sérgio Leite, chef de cozinha, dá a receita de Cerveja, cerveja, cerveja! Cerveja.


Anthony Bourdain e Tom Standage: que tal ler?  - Guilherme Hungria, nosso convidado da segunda quinzena de março critica duas obras imperdíveis para os que curtem gastronomia: Cozinha Confidencial, de Anthony Bourdain e História do Mundo em 6 Copos, de Tom Standage.

 

Mais livros na Coluna Fast Food


Fast Food, a coluna está de volta! - Depois de quase três meses, a coluna fast food voltou em março com ótimas dicas de intervenções, entretenimento cultural, livros e sites. Vale reler, quem sabe dá tempo...







Gastronomia (receitas de confort food) 








Crítica gastronômica - Holy Burger - uma opção no "baixo-Mackenzie"



Especiais


Em março, estreei a coluna Gastronomia e Hospitalidade, na revista Bem Mulher. Uma grande conquista e um sonho realizado com direito a receita e sugestão de vinhos para harmonizar. 






Na parceria do blog com o Clube dos Vinhos, uma publicação diferenciada sobre Vinhos Orgânicos, um sopro de novidade


E vem abril, vem outono, amo! Amo a Páscoa e toda sua representação. Um tempo de renovar, crescer, expandir. Estou cheia de vida e quero dividir com você. 

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Um abraço cheio de sol! 

Clau Gavioli

segunda-feira, 30 de março de 2015

Coluna Fast Food


Notícia Super fast - Começa hoje, 30/março, oficialmente, a 16a. edição da Restaurant Week em São Paulo, com a participação de 202 estabelecimentos.  Os preços cobrados pelo menu especial desta edição é de R$ 38,90 para o almoço e R$ 50,90 para o jantar.  
Entre os restaurantes, tem um que eu gosto muito, o Antonietta, do chef Milton Freitas


Foto de divulgação do Antonietta no SPRW, de Fabio Ribeiro


Com mais R$ 1, o cliente pode contribuir para Fundação Cafu que tem projetos sociais voltados a crianças e adolescentes. 
Até 19/4. Programe-se. Faça reserva. É uma boa chance de conhecer casas excelentes na cidade por preços que cabem no bolso. 




domingo, 29 de março de 2015

Batatas rústicas


PRATO CORINGA: esse é um típico coringa da culinária. Sempre dá jogo! 

É difícil encontrar quem não goste de batatas. Acho que nunca conheci alguém. Além do que elas são comumente encontradas nos supermercados, quitandas, mercearias e feiras, não só no Brasil como nos mais diversos países. 

A batata é um carboidrato. Ela é um tubérculo (caule arrendondado de uma planta verde) comestível, rico em amido. 

Para muitos países, a batata é a base da alimentação, assim como para nós, brasileiros, são o arroz e o feijão. Mais de 1 bilhão de pessoas consomem batata no mundo, por isso, 125 países em escala, o que faz dela a quarta principal cultura agrícola em ordem de importância. 

experimentosnacozinha.blogspot
Existem mais de 5 mil tipos diferentes de batatas. Só na América Latina são cerca de 3 mil, dos quais 400 tipos são de uso culinário. Entre as mais conhecidas: batata bintje, inglesa, holandesa, doce, roxa, monalisa, baraka e asterix. 

Curioso é que elas são originárias da região da Cordilheira dos Andes e as primeiras foram levadas à Europa no século XVI. Hoje são amplamente consumidas pelos europeus, sem exceção. E nos Estados Unidos estão entre os grandes consumidores mundiais, embora a maior produção esteja concentrada nos países asiáticos. 



As variações desse ingrediente podem ser tantas e as mais inusitadas: batatas fritas, cozidas, assadas, com casca ou sem, recheadas, como base para massas e pães, frias, quentes, com molhos, em ensopados e tantos outros usos que renderiam listas intermináveis.  

foto: enirvana
Como acompanhamento ou guarnição é excelente, funciona muito bem com carnes, aves e peixes. É uma boa opção para os que não podem comer glúten.

Com tantos pontos positivos, o preparo desse prato é só mais um para engordar a lista. Fácil, rápido, barato e gostoso. Aproveite. 



Batatas rústicas



Ingredientes

·         600 gramas de batatas médias (do tipo holandesa)
·         Sal grosso
·         3 ramos de alecrim
·         2 colheres  (chá) de azeite de oliva extravirgem

Modo de fazer

Lave bem as batatas com uma escovinha de cozinha e retire imperfeições evidentes na casca com a faca de legumes. Corte-as ao meio e, depois, cada parte em três  partes, o que  fará com que cada batata renda seis pedaços. 



        



Leve ao forno em forma untada ou sobre um silpat (tapetinho de silicone culinário) não são antes polvilhar sal grosso e o alecrim retirado dos ramos e um fio de azeite. 

O tempo de forno será de 30 minutos. A cada 10 minutos, abra o forno e mova as batatas para que assem por igual. 

Dica: Se cortar em gomos ou se descascar já terá duas variações interessantes para o mesmo prato. 

Sirva como aperitivo ou como guarnição. Sucesso garantido! 

sábado, 28 de março de 2015

Holy Burger - uma opção no "baixo-Mackenzie"



Na crista da onda das hamburguerias em São Paulo e na mudança gradativa do point mais cobiçado da cidade da Vila Madalena para a Vila Buarque (nem Consoloção, nem Higienópolis), o Holy Burger é um espacinho charmoso, bem no estilo east-village novaiorquino. 

Bem montado, mas com muita coisa parecendo inacabada, o que dá ainda mais um astral de Nova York, o lugar é cheio de gente bonita, os descolados do tipo "sô bonito e nem tô". 

Esse parece ser o público mais interessante para quem abre uma casa como essa num reduto de botecos meio feiosos de parede de azulejo numa área que eu chamaria de "baixo -mackenzie" (já que é a rua de cima a que fica bem em frente à faculdade), porque tende a atrair mais gente com grana no médio prazo. O que pode ser o catalizador para uma mudança de perfil do território. 
Foto: glamurama




A casa tem lá suas fraquezas, mas não deixa muita dívida diante do que se pretende. Se a ideia é servir hambúrguer, ok, lá tem. 

O cardápio na pretensão de ser também descolado é meio difícil de ler, mas como não traz muitas opções, passa.  Os sabores dos sanduíches não variam muito, a coisa é enxuta, mas para quem está começando isso é uma grande vantagem, especialmente, se cair no gosto dos frequentadores. 

Eu, por exemplo, detesto ter que escolher entre 20 opções de lanches, cinco ou seis são mais que suficientes para me deixar com água na boca. Também não sou nada adepta de ter que montar meu sanduíche. Isso eu já faço em casa. Quero opções de combinações perfeitas e, de preferência, inovadoras. Sendo assim, bastam um carro chefe - que é o Holy burger - e mais umas duas opções entre os que é tradicional, um vegetario e um bem diferente. 

Em hamburgueria se espera que a carne seja boa e que se respeite o ponto exato do hambúrguer na chapa. Nisso, a casa não faz feio. 

Holy Burger - foto facebook/holyburger


Tem que ter também cerveja, refrigerante e batata frita. Tem também. 

O pão poderia ser melhor. Estava meio esfarelento, parecendo um pouco velho. Quem sabe trocar o fornecedor seja uma boa para o pessoal do Holy. 

Ponto positivo é o atendimento que, apesar de informal, é muito solícito e simpático. 
O ambiente, embora pequeno, é divertido e aconchegante. A luz não incomoda, tem música de tipo e volume razoáveis, nada ofensiva para quem vai comer e não dançar ou caçar companhia. Não é esse o propósito. 

Os preços são de hamburgueria e não de lanchonete, o que acompanha a onda também. É mais caro porque é "gourmet", mesmo sem usar essa gasta expressão. O Holy Burger custa R$ 25 e a cerveja Heineken, long neck, R$ 7. As opções de cervejas não são muitas, mas não ficam só na Skol e Brahma, como nos botecos vizinhos. No Holy há aquela preocupação em oferecer uma artesanal, uma IPA.

Não provamos as sobremesas, mesmo sabendo que tinha "um bolo de chocolate delicioso", segundo a nossa garçonete. Muito fofa para atender, bonita e com cara de menina inteligente. Padrão nova iorque! 

Não espere o melhor hambúrguer que você já comeu ou comerá em toda a sua vida nesse lugar. Mas, para uma noite com fome, no meio de semana, pode ser uma boa dica de onde comer, ser bem atendido e ver gente. Quando chegamos tinha espera, quando saímos, também! 

Serviço: 

Holy Burger - Rua Dr. Cesário Mota Jr., 527, Consolação - São Paulo

sexta-feira, 27 de março de 2015

A Cuba de Fidel Castro


Para alguém como eu, andar por Havana é pensar o tempo todo na revolução. Não tem como não observar, comparar, refletir e até mesmo julgar, ainda que isso não seja a melhor atitude. 

Há momentos em que a gente é só ser humano e não consegue abstrair nem contextualizar a revolução. Mas, nessas horas, é preciso cuidado porque podemos estar sendo tomados por tudo o que nos foi, durante a vida toda, bombardeado em termos de ideologia contrária ao comunismo e ao socialismo. 




Por isso, a cada passo dado numa calçada quebrada e suja, antes de achar que isso é um descuido, um desleixo ou falta de vontade de consertar, acabava discutindo internamente o significado e os resultados da revolução, assim como as duras penas de sua implantação e da manutenção  de um ideal socialista, numa distância tão curta dos Estados Unidos, nação tão forte e sumariamente contrária a isso tudo.




Isso já é motivo suficiente para não julgar. Qualquer olhar maniqueísta sobre Cuba incorrerá em erros de avaliação. Além disso, por que é preciso definir vilões e mocinhos? Isso é coisa de cinema. Na vida real, não há quem seja só do bem ou só do mal.


Fidel Castro e a presença de sua revolução nas ruas de Havana

Por sinal, vamos falar de Fidel Castro. Ele está em toda parte. Há retratos dele pendurados nas paredes das casas das pessoas (já que lá é verão o ano todo, é possível dar uma espiada quase sem querer, só por curiosidade, dentro das casas que, comumente, ficam com as portas e janelas abertas), nos bares e restaurantes, nas repartições públicas, em outdoors, na fachada de edifícios, nos lobbies dos hotéis e deve haver em outros que não vi. Ele é uma presença constante, assim como Che Guevara cuja imagem é usada até hoje para dar força ao ideal da revolução socialista.

Para quem não sabe, Che Guevara morreu em 1967 e é argentino de nascimento. Foi ele, no entanto, um médico de formação, quem, junto com Fidel Castro e Camilo Cienfuegos, liderou a estratégia de guerrilha para conseguir adeptos e obter êxito na revolução de Cuba, derrubando o então presidente ditador, Fulgencio Batista, em 1959. 






Depois de ficarmos num hotel péssimo, pertencente ao Estado, de nome Bruzon, por três noites, nos mudamos para a casa de uma família cubana, onde ficamos as duas noites seguintes.  Essa casa fica em Havana Vieja, na rua Montesserrate, bem próxima ao Museu da Revolução.  Ali, fomos hospedados numa acomodação credenciada pela Secretaria de Turismo, ou seja, autorizada devidamente para essa finalidade. Há muitas pessoas que se hospedam assim em Havana. É um jeito interessante de ver como funciona o cotidiano na vida do cidadão comum e também pagar menos que se pagaria num hotel turístico de melhor qualidade. 


Lateral e fundo do Museu da Revolução (vista da janela)


Na residência que ficamos não havia fotos de Fidel, nem de Che Guevara, nem de Camilo Cienfuegos, o terceiro membro do trio. Nossa anfitriã, uma agente de turismo qualificada, no entanto, fala, além de espanhol, inglês, italiano, francês e um pouco de russo. Ela nasceu em 1971 e foi criada sob o regime socialista. Seus filhos vão à escola gratuita e têm um bom sistema de saúde público que os assiste, assim como ela, o marido e todos os cubanos. Como trabalha com turismo, ela viaja bastante para outros estados fora de Havana, mas dentro da ilha. Para outros países, é mais difícil. 

Nós a vimos trabalhando ao telefone e no computador até bem tarde, mais de meia-noite. Não a vimos reclamando de nada e, quando conversou conosco, estava muito bem informada sobre o que estava acontecendo no Brasil naqueles dias. Sobre Cuba, ela acha que pode vir a abertura do bloqueio americano que vem sendo ventilada e os jornais tanto noticiaram, mas não discorre a respeito. 

Um taxista com quem conversamos nos contou que Fidel Castro mora na zona zero e que ele quase não é visto. 
O garçom com quem briguei no restaurante em Havana Vieja acusou meu país de ser muito pior que o dele. 
A vendedora de charutos do hotel de Varadero garantiu-me que o segundo melhor café do mundo é o cubano, e o primeiro, é da Colômbia. 
Nossa guia na visita à fábrica de charutos nos perguntou se costumávamos fumar "puros" alertando-nos que os charutos da Guatemala e os dominicanos não fazem bem à saúde, só os cubanos. 




A mim, me parece que, em comum,  todos têm um sentimento patriótico. Esse pode ser o grande legado castrista. Ou não. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Anthony Bourdain e Tom Standage: que tal ler?


Convidado Especial: Guilherme Aleixo Hungria



Quinta-feira é dia de convidado. Amanhã, continua a série sobre Cuba.

Escrever sobre livros requer alguma ousadia. Não bastam opiniões, é preciso ter boa compreensão daquilo que foi lido.  

No mês passado, publiquei um texto sobre o livro de Michael Pollan, Em Defesa da Comida e, em janeiro, outro sobre meu presente de início de ano, o livro 400 g - Técnicas de Cozinha. Foi quando o Guilherme me sugeriu que lesse também outros dois, um do Antonio Bourdain e outro sobre uma visão da história da humanidade a partir das bebidas. 

Foi mágico! Por que não pedir que ele próprio escrevesse sobre os livros, já que escreve tão fácil e leve e sabe apreciar com critério tanto livros quanto comida? Pedi e ele aceitou. Que alegria! 

Apresento então o convidado especial de hoje: Guilherme Hungria. 

Meu colega durante alguns anos que estive na Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos, dividimos a sala e algumas tarefas para atender as demandas da imprensa e do Palácio dos Bandeirantes na área de comunicação da Secretaria. Certa vez, ouvi dele que poderia ser crítico gastronômico porque tem bom paladar e sabe o que é bom e o que é ruim. Concordo. 

Por isso, sob o critério do nosso convidado especial, recomendações de leitura. Apreciem. 

Obs.  A marcação do parágrafo e texto justificado são características marcantes do Guilherme. Dá pra notar?


Dois livros sobre gastronomia


        Com o aumento do interesse pela culinária, naturalmente, tudo o que envolve o assunto, cresce igualmente. E o mercado editorial, sem dúvida, também se beneficia. Publicando livros recheados de fotos espetaculares, de receitas nem tão deslumbrantes assim, ou mesmo os títulos dos chefes pop stars. Enfim, hoje temos acesso à gastronomia de todas as partes do mundo, ao alcance de uns reais, de uma virada de página. Entretanto alguns títulos fogem do lugar comum das receitas.

         Um deles é “Cozinha Confidencial”, do Anthony Bourdain. Pra quem não conhece, o autor é um chefe de cozinha novaiorquino, apresentador de televisão e lutador de jiu-jitsu nas horas vagas. Em seus programas Bourdain viaja pelo mundo provando os pratos e as culturas locais, inclusive do Brasil. Já no livro, seu primeiro, ele mostra com humor e sinceridade, que o mundo maravilhoso de Ofélia, não é bem assim.  Sabe tudo o que você quis saber sobre o que acontece nas cozinhas, mas talvez não o fizesse por medo do que irá saber? Pois então, as respostas estão lá. Nele, o autor, além de despejar histórias pessoais, onde não faltam drogas, excessos e picaretagens, faz o papel de Mister M dos restaurantes, desvendando os segredos mais bem guardados, e nem tão dignos, dos estabelecimentos em que trabalhou. O triste é que, segundo ele, esse é o modus operandi em qualquer lugar do mundo, ou pelo menos era quando foi lançado em 2000. Infelizmente, também, “Cozinha Confidencial” está fora de catálogo no Brasil (alô, Companhia das Letras!), mas é possível encontrar para baixar em PDF.      Outra alternativa, pra quem entende um pouco de inglês, é o artigo que deu origem ao livro, publicado na New Yorker Magazine e disponível no site da revista (http://www.newyorker.com/magazine/1999/04/19/dont-eat-before-reading-this).

              Se o livro de Bourdain, com suas indiscrições reveladoras, não é o mais indicado para ser o tema de uma conversa à mesa de um restaurante, “História do Mundo em 6 Copos” (Editora Zahar), tem tudo a ver....tá bom, vá lá: harmoniza muito bem com o papo em qualquer jantar com amigos. Escrito pelo inglês Tom Standage, editor da revista Economist, aborda a história do mundo sobre a influência de seis bebidas. Da cerveja, na Mesopotânia e antigo Egito à Coca-Cola na América do Norte, passando pelo vinho, destilados, café e chá.

                Muito do que somos e vivemos hoje, acredita Standage, é resultado da influência destes líquidos. Por exemplo, a cerveja ajudou no desenvolvimento da escrita, para ajudar os egípcios a ter o controle dos estoques. O vinho teria desempenhado papel importante na disseminação da cultura grega por outras partes do mundo. Entre os destilados, temos o rum, cuja origem está na cana-de-açúcar brasileira, usado como moeda na compra de escravos e posteriormente como remédio contra o escorbuto, comum entre os marinheiros da época. A Rebelião do Uísque, no recém independente Estados Unidos da América, foi fundamental para afirmação das leis federais no país. O comércio do chá, além da influência na expansão do Império Britânico, foi o que fez com que os chineses criassem o papel moeda. O café, tomado em espaços públicos na Europa, fomentou debates que mudaram o mundo. Em relação à Coca- Cola, Standage faz uma comparação com o papel do chá na história do Império Britânico, para ele a ascensão dos Estados Unidos à superioridade global tem seu paralelo na história do refrigerante.

             Aqui estão apenas dois exemplos da literatura gastronômica a serviço do ócio, relaxamento e do conhecimento. É claro que temos outras opções de leitura, tão boas quanto. Como este blog.


Sobre o autor
  




Guilherme A. Hungria é jornalista e trabalha atualmente como assessor de imprensa na Alesp - Assembleia Legislativa de São Paulo. 

quarta-feira, 25 de março de 2015

Cuba - A Plaza Vieja de Havana e os pontos obrigatórios

Certa noite, saímos para caminhar e encontramos quase sem querer a Plaza Vieja, que já fora Plaza Nueva, um lugar lindo, que me lembrou muito uma pracinha em Berlim que o Silas e eu elegemos como o lugar mais bonito da cidade.  

A parte de Havana Vieja onde está essa praça já foi restaurada e não tem sujeira, nem fios de eletricidade soltos, nem demasiado cheiro de óleo diesel porque os carros não entram nessa área, só os caminhantes e alguns veículos autorizados para levar suprimentos e conduzir hóspedes dos hostals mais bonitos que se pode ter.  Luxuosos! A média da diária para um casal por uma noite é de 200 CUCs. 

Numa das pontas da Plaza Vieja há um café sensacional, não só pelo ambiente como pelo gosto do café que é servido.  Um expresso feito de grãos de boa qualidade, moídos na hora, e muito bem tirado, na pressão correta que tanto dá cremosidade quanto exige a temperatura certa. 







Ali também aconteceu um fato meio desconfortável porque os garçons em Cuba sempre esperam “propina”, gorjeta em espanhol.  Eu parei ali, tomei um café com leite, li algumas páginas do meu livro e ao pedir a conta, vi que tinha moedas trocadas, de modo que não teria dinheiro para deixar gorjeta naquele momento. Algumas horas depois, andei pela cidade e resolvi voltar ao local. Fiquei mais de 30 minutos ignorada para que alguém então depois que eu pedisse me trouxesse um cardápio. Feito o pedido, mais de uma hora para que chegasse à mesa. Comi rapidamente porque já estava cansada de estar ali e saí logo deixando então a gorjeta esperada. Recebi um sorriso sem graça do garçom que fez questão de me ignorar. Feio, né?

Nessa mesma praça tem um museu de baralhos. Muito legal. Não fiquei muito tempo lá dentro porque logo que comecei a olhar veio uma senhora, encostou-se em mim e começou o assédio. Saí rapidamente, mas os baralhos são demais: tem tarô, baralho cigano, baralhos que não têm 54 cartas, outros sem naipes, coisas muito diferentes e novas pra mim.

Noutra ponta da praça, tem uma choperia onde se vende chopp por litro na mesa. Eu já tinha visto o sistema em outros lugares (em Genebra na Suíça foi o primeiro lugar há mais de 10 anos), mas em Havana me pareceu inusitado. É o lugar mais caro da praça, já posso avisar. Ali, um mojito custa 6 pesos cubanos (CUC) e em todos os demais lugares nunca mais do que 3 pesos. Só no famoso bar La Floridita é tão caro, o que deve ser devido à sua grande fama nos guias turísticos e nas matérias de todo o mundo sobre Havana e seus drinks.




Só pra concluir as impressões da Plaza Vieja, esse é o lugar onde todo turista vai e, portanto, tem músicos cubanos fazendo os sons mais gostosos e divertidos, muito dançantes. Ainda numa outra noite que fomos passear nessa praça paramos num bar chamado La Vitrola, bem na esquina às costas da choperia, com mesinhas e cadeiras no meio da rua. Lá, um grupo de mulheres cantou e dançou lindamente. Depois, claro, passou o chapeuzinho para o couvert artístico. There is no free lunch anywhere...


Tá no guia, mas não vale a pena

Como citei La Floridita, junto ao tema La Bodeguita del Médio: ambos bares que ampliaram sua fama usando o nome do escritor Ernest Hemingway que, embora norte-americano, escolheu viver em Havana, por 23 anos.  

Segundo a divulgação dos dois bares, Hemingway dizia que o melhor daiquiri era o de La  Floridita e, para o melhor mojito, La Bodeguita. 

Estivemos em ambos porque aparecem como parada obrigatória para quem vai a Cuba. No entanto, se nunca ninguém teve coragem de dizer antes, talvez eu seja a primeira: ambos são péssimos. Abarrotados de turistas,  apertados e sem charme. Nada justifica a enorme fama. Muito pelo contrário. Eu não recomendo nem de longe. Parada obrigatória, pra quem?





















Como o escritor de O velho e o mar morreu em 1961 dá para imaginar que, à época que ele os frequentava, os bares deviam ser mesmo incríveis. Assim como deve ter sido o antigo Bar Veloso, rebatizado Garota de Ipanema, frequentado por Vinicius de Moraes, no Rio de Janeiro. Hoje não são mais o que foram. Vira atração turística, perde a alma boêmia. Torna-se obrigação.  Mas, como é que se populariza o turismo sem que isso aconteça? Eu não sei responder.



De toda forma, há no La Floridita, uma estátua de bronze de Ernest Hemingway, no seu melhor estilo timoneiro, e, logo atrás, uma foto dele com o revolucionário Fidel Castro. Todo turista tira foto ao lado do escritor (mesmo sem ter qualquer ideia de quem ele tenha sido), claro. Do mesmo jeito que todo turista tira foto com a mão no peito da Julieta do Romeu, em Verona, na Itália.






Ainda há muitas impressões sobre Cuba do "companheiro Fidel". Aguarde. 

Amanhã é quinta. Dia de convidado especial. Até lá! 

terça-feira, 24 de março de 2015

come-se: Capim Santo da Discórdia. Por que é tão difícil fa...

come-se: Capim Santo da Discórdia. Por que é tão difícil fa...: Empenho coletivo para o bem comum - nem sempre bem aceito Quando comecei com vizinhos da rua a cuidar do espaço a que demos o nome de ...

Cuba: adoce seu paladar em Havana


O que comem os cubanos? 


Depois de ter ido a Cuba, não sei muito mais do que aquilo que li na internet ou nos poucos livros que encontrei sobre culinária cubana, a de comida crioula. Turistas com cara de alemães, franceses ou italianos como o Silas e eu, comem comida de turista. Os cardápios e os restaurantes são voltados para esse fim.  Então fica dúvida sobre o que será que eles comem no dia a dia.  

Sem extremismos, claro que tivemos uma boa pincelada do que é o sabor dos pratos cubanos, especialmente, porque há os que se repetem em quase todos os restaurantes como o famoso “ropa vieja”, um prato de carne desfiada bem temperada feita na panela. Para acompanhar, arroz e feijão (mouros e cristãos) que podem ter sido cozidos juntos um com outro ou separados. Feijão preto, não mulatinho, nem carioquinha. 




Todo paladar parece ficar um tanto adocicado depois de um ou dos dias. Não há exagero no sal, mas os molhos são mais próximos do açúcar do que do sal, do amargo ou do apimentado. No entanto, não gostei dos doces servidos nas sobremesas.

Antes de viajar, fiz uma seleção de restaurantes recomendados e os reservei nos dias da semana que estaríamos em Havana. Para cada um deles, há o que ser dito sobre a comida, o atendimento, as instalações e os preços, mas esse é um capítulo que merece atenção para que não se façam críticas indevidas, nem elogios fantasiosos. 

Estivemos no Doña Eutimia, no La Guarida, no Los Nardos, Café Lamparilla, e nos obrigatórios La Bodeguita del Médio e La Floridita

Entretanto, foi o restaurante Los Amigos o que me deu impressão de melhor representar a comida do cotidiano de los habaneros.  Essa casa nos foi recomendada pela Yoslaine, uma dedicada agente de viagens que conhecemos em Cuba. Ela nos ajudou bastante lá em Havana. 

Los Amigos é um estabelecimento simples, no qual comem os trabalhadores do comércio e dos escritórios da região central de Havana. Fica bem perto do famoso hotel Habana Libre. Como é voltado para os locais, tem comida crioula de todo dia, ou seja, o que é mais comum na mesa de qualquer pessoa por lá. Inclusive a salada! 



Embora haja muitos pescados, em Cuba se come muita carne suína, feita na panela, desfiada ou assada e bem temperada. Há também as carnes empanadas, para nós, à milanesa, principalmente frango. Consequentemente, nos restaurantes há o frango a cordon bleu, que é o filé empanado recheado com queijo e presunto. 

Acompanham arroz e feijão, batatas com cebolas em puré e banana. Essa última quase tão presente quanto os dois primeiros. 












Nas saladas tem alface, repolho, tomate, cenoura, vagem, pepino, rabanete, cebola. Parecida com as nossas brasileiras, mas ainda um tanto antiquadas. Legumes cozidos demais, temperos e molhos sem novidade. 



Para beber


Em Cuba, todos tomam mojitos, daiquiris e vários outros drinks cuja base é o rum, a bebida produzida lá por excelência. 

Assim como produzem, com excelência, café. Para o meu paladar, bem, mas bem melhor, do que os que tomamos todos os dias aqui em terras tupiniquins.  

Tem também cerveja nacional, mas, de uma forma extremamente prática, há uma fraca, a cristal, e uma forte, a bucanero. Só! Basta.  Ambas são gostosas.






A hora de comer do turista (e de ser devorado)

Sempre há alguém nas ruas mais frequentadas por turistas, caçando-os para comer em determinado restaurante. São pessoas que recebem alguma propina (gorjeta) ou salário do estabelecimento para atrair pretensos otários, prontos para serem enganados, devorados. 

Tudo sem compromisso, só pra conhecer. Mas é tanta pressão que o turista faminto sucumbe. Mas tudo ainda pode piorar...

Aproveitar da ingenuidade do viajante é tão forte e presente em alguns estabelecimentos , que num dos lugares em que comemos (no qual fomos levados por um desses caça-clientes), embora a comida fosse até boa, houve até uma taxa extra sobre o valor total da conta exclusivamente criada para nos extorquir dinheiro. 

Possivelmente a coisa é feita por um garçom malandro com a conveniente ajuda do gerente e do staff do local. 

Fiz questão de esquecer o nome do restaurante, mas é um que fica em frente ao restaurante Eso no es um cafe, na calle del choro.  Nem entre, nem sente na mesinha da calçada. 

Nesse lugar, eu briguei feio com o garçom, de bater boca mesmo num tom muito exaltado. Foi uma situação bem desagradável que "azedou" meu dia.  Tudo por causa da conta que incluía, segundo ele, uma taxa do Raul (se referindo ao presidente Raul Castro).  

Situação desnecessária para o turismo cubano, mas aconteceu. Fique esperto.