sexta-feira, 20 de março de 2015

Cuba e os meios de transporte

O que vi em Cuba quanto aos meios transporte é um capítulo à parte e merece algumas considerações especiais.  

Para o turista, qualquer cubano (ou cubana) recomenda que se vá de taxi. 

No interior de um táxi coletivo



Não importa a distância, aonde queira ir, nem qual é a sua pretensão, vá de taxi. Vale tanto o taxi que é carro - pagando uma corrida individual ou coletiva -, o que é bicicleta ou até mesmo um cocotaxi. Eles só não recomendam ir de “guagua”, ou seja, ônibus. Por que será?

Uma curiosidade: quando ouvíamos como os habaneros* se referem ao "busão" por lá, achávamos que eles falavam "aun-aun". Pode? Nada parecido com guagua!

Por que será que eles não recomendam nunca ir de ônibus? 

Quando perguntamos, nos responderam: 

- Por que é melhor.  Mais rápido ir de táxi! Mais conforto. 

No entanto, os ônibus não são tão desconfortáveis. Ficam cheios, claro. Mas têm até música e, às vezes, pela distância, são boa opção.

Pensando bem, acho que recomendam o táxi porque querem mesmo que os turistas paguem mais caro. A passagem do ônibus é o equivalente a 50 centavos de CUC, ou o peso cubano para o estrangeiro, que equivale a um euro. Ou seja, se um euro é quase 4 reais, pagaríamos para usar o ônibus cerca de 2 reais. Já para pagar um táxi, que não fosse coletivo, dependendo da distância e da cara do freguês, cada um de nós pagava até 5 CUC, ou seja, 20 reais. Para dois, 40 reais. Mais vantajoso e uma oportunidade de ganho, para eles! 

O transporte é para todos. Não importa quem seja, vai ter como chegar ao destino. No entanto, há sempre um leilão sobre quanto se vai pagar para ir de um ponto a outro da cidade. Se você já conhece um pouco o lugar, acaba não aceitando qualquer preço, mas se não se localiza bem, está lascado! Vai sempre pagar bem mais do que vale a corrida.  É assim também para os traslados turísticos. Tem que negociar bastante. 

Fomos informados oficialmente no hotel que não havia outra forma de transporte de Varadero a Havana que não fosse de táxi, ao preço de 100 CUC, cerca de 400 reais. Depois conseguimos um que cobraria 80 de Varadero até o aeroporto de Havana - distância maior, preço menor. Em seguida, descobrimos que havia traslado turístico feito por vans, o que custou 25 por cabeça.  

Ainda que se justifique a pobreza do país, por lá, turista é sinônimo de pessoa a ser extorquida. Mais ou menos o mesmo que fizeram os nossos conterrâneos brasileiros no ano passado quando teve Copa do Mundo por aqui. Mais uma semelhança entre nosotros. Assim como no voleibol, Cuba ou Brasil, primeiro ou segundo, não importa a ordem, todos jogam bem. E pesado! 

Mas tudo pode ser bem divertido. Você já andou de coco? Pois eu já. Cocotaxi. A condutora foi uma moça muito simpática e bonita, que, para nos atender, deixou seu sorvete derretendo e ainda justificou que gostava mais de helado derretido. Lindinha!



Há também os bicitáxis - uma espécie de riquixá indiano, só que puxado por uma bicicleta. Também nesses veículos muito se negocia o quanto se vai pagar, porque dependendo da distância e, imagino eu, do peso de quem será carregado, o motorista vai ficar bem mais cansado. Vimos alguns carregando pessoas cheias de sacolas. Esse transporte não é só pra turista, os locais usam muito também. 




Os carros que são táxis estão por toda parte. É uma frota de veículos antigos, tipo anos 50, que tão bem caracterizam Cuba no imaginário da gente. Mas isso é real, existe mesmo! 

Interessante mesmo é que para ser levado num desses carrões, basta ser conhecedor dos códigos feitos de acenos diversos com as mãos, que devem apontar para direção certa de um certo jeito (eu não fui capaz de aprender). Aí o carro pára e, caso esteja indo para aquela direção, o passageiro paga o equivalente à passagem do ônibus pela viagem. No caminho, outros passageiros subirão e descerão no mesmo esquema. Confuso, mas bem legal! 





Imagino que se você é um trabalhador comum e consegue comprar um carro desses antigos conversíveis lá em Havana, em condições razoáveis de uso, pode mudar de vida. Vimos muitos turistas nos hoteis mais caros da cidade, deslumbrados, adorando o passeio nesses carrões, com os  cabelos ao vento, as echarpes voando... 



Já há carros mais novos transitando em Havana, mas devido ao embargo econômico contra Cuba, a frota existente no país é formada principalmente por veículos velhos, que queimam muito óleo e poluem demais o ambiente. Isso sem dizer que muitos param no meio do caminho com problemas mecânicos e são consertados com os recursos disponíveis (que não são muitos) e criatividade.  Lata velha recauchutada não falta por lá. 



Tem também motocicletas com sidecars, motonetas, charretes, carroças, carruagens puxadas por cavalos... para todos os gostos. 










Fora isso, Havana é uma cidade plana. Embora extensa, permite caminhadas longas sem enorme esforço. Caminhamos muito por lá. Foi ótimo! 

Ainda tem muito assunto em Cuba. Faltam a comida, a bebida, os charutos... 



*havaneiros

Nenhum comentário:

Postar um comentário