segunda-feira, 27 de abril de 2015

Sardinhas assadas, ratatouille e inhame no forno

Post número 200


No sábado, fui à feira da Rua Morato Coelho em Pinheiros. É a minha feira de São Paulo, ainda que eu não more mais por aquelas bandas. Morei naquele bairro por mais de 16 anos. Pra mim, não existe lugar melhor pra viver em São Paulo. Eu morro de saudades!

Então, de vez em quando, lá vou eu dar uma olhada no que está acontecendo na Vila Madalena e arredores. Uma boa desculpa para andar nas ruas durante o dia é inventar de ir à feira.

Gosto tanto da barraca do japonês que vende shimeji, shitake e cogumelos, que me nego a comprar esses itens em outro lugar. Toda vez que quero fazer uma receita que precise de um desses fungos me desabalo de Higienópolis para Pinheiros para comprar.

No entanto, no sábado, quando cheguei já não tinha mais os que gosto. Nem por isso perdi a viagem. A feira já estava no seu último quarto, mas tinha coisas ótimas para comprar, com preços muito bons. Foi o que me fez, apesar do peso que tive que carregar, comprar pimentões verdes, amarelos e vermelhos, abobrinhas, berinjelas e dois pacotes de inhame. Tudo isso por apenas R$ 5,00. Sim! Só cinco reais. E não foi só. Quando já estava quase indo embora passei pelo peixeiro e decidi comprar sardinhas. Hummmm que delícia! Adivinhe quanto paguei meio quilo de sardinhas limpas? R$ 5,00. 

Total do que gastei na feira no sábado: dez reais. 

Há muitos dias, desde antes da Páscoa,  eu estava querendo fazer sardinhas assadas. Só que nunca tinha feito anteriormente. Mas, sabe aquela intuição de que vai ficar incrível que bate de vez em quando? Pois é, eu estava com ela. E não deu outra!

Saindo da feira fui visitar um casal de amigos queridos no meu antigo prédio na Cônego. Dei só uma passada para pegar umas correspondências que ainda são enviadas pra lá e acabei entrando para ver a Pris e o Alex. Fiquei quase duas horas por lá, no maior papo. Também, fazia tanto tempo que a gente não se via que duas horas deram só para começar a conversa. Que gostoso ter amigos assim tão afáveis. Gente que está na sua vida sem cobrar nada e você na deles do mesmo jeito. É só amizade, um prazer enorme de se ver e sempre torcer para que o outro esteja bem e feliz. Prezo muito isso! Não tem muita coisa maior que isso nessa vida. Amor. Seja lá de que forma venha: família, amigos, filhos, bichos de estimação, livros...

Quando já tinha rolado papo a beça meu telefone tocou. Era o Silas que já estava voltando da pedalada (ou do "pedal" como ele diz). Aí resolvi ir pra casa para fazer uma comidinha pra gente. 

Eu já tinha todos os ingredientes na sacola. Era só chegar em casa e executar e foi o que fiz. 


Ratatouille 





Prato rústico típico da região de Provença na França, desde quando surgiu no século 18. Versátil e fácil de fazer, pode ser servido quente ou frio, como prato principal ou acompanhamento.  Na versão original leva tomate obrigatoriamente. 






Ingredientes

1 cebola cortada em folhas finas
1 pimentão amarelo grande
2 pimentões vermelhos médios
4 pimentões verdes pequenos
2 berinjelas pequenas 
2 abobrinhas médias
1/2 xícara (chá) de azeitonas verdes recheadas
1/2 xícara (chá) de azeite de oliva extravirgem ou o  quanto baste

Para temperar: sal, tomilho, orégano, salsinha, pimenta do reino e pimenta calabresa

Modo de fazer

Corte em cubos similares os pimentões, a abobrinha e a berinjela. 
Por ordem, refogue primeiro o pimentão verde com a cebola em duas colheres de azeite, depois acrescente os demais pimentões. Quando já estiverem exalando seu odor característico, acrescente as abobrinhas e as berinjelas. Refogue tudo até que fiquem com textura al dente. Tempere com os ingredientes sugeridos e ao final acrescente as azeitonas. Desligue o fogo, regue com o restante do azeite e tampe por pelo menos cinco minutos.  Fica melhor se for servido frio. 

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Sardinhas assadas


Lave as sardinhas com água, retire algum excesso de espinhas e pingue o suco de meio limão. Revista uma assadeira com papel alumínio, arrume todos os peixinhos lado a lado, por cima polvilhe sal grosso e um fio de azeite. Direto para o forno a 230 graus, Asse até que estejam crocantes ou no ponto que preferir.  
Retire-as das assadeira uma a uma, batendo levemente para que saia o excesso de sal. Sirva imediatamente. 



Sobre a sardinha - Está aqui um alimento de excelente qualidade: rica em ômega 3, tem mais cálcio que o leite e mais proteínas que a carne bovina.  É fonte de vitaminas D, que ajuda na absorção de cálcio e de fósforo, e B12 que protege o cerébro. 


Inhame no forno 




Retire a casca do inhame, lave bem e corte em pedaços do tamanho de um bocado. Leve-os ao forno temperados com sal grosso, um fio de azeite e tomilho fresco por 30 minutos contados no relógio. A cada 10 minutos, abra o forno e movimente os pedaços para que todos assem e dourem igualmente. 





Sobre o inhame - Importante para o sangue já que é rico em vitamina B6, tem potássio que equilibra a hidratação do corpo, vitaminas C e E, prevenindo doenças de garganta, estômago e até o câncer, é um anti-inflamatório natural, rico em fibras e em carboidratos complexos (ajuda no emagrecimento e na redução dos açúcares no sangue). 


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Enquanto cozinhávamos, ouvimos Edu Lobo e beliscamos umas lascas de queijo parmesão, tomando um vinho encorpado tinto, um cabernet sauvignon. 

Sentamos à mesa quando escurecia... Foi um banquete e tanto. E, como já contei antes, tudo muito barato.  Fora que a receita rendeu tanto ratatouille que, no dia seguinte, levamos para o antepasto do almoço na casa da minha sogra. Esse é um preparo que pode ficar vários dias na geladeira. O sabor vai melhorando. No dia seguinte é mais saboroso do que quando é feito e servido logo. 

É maravilhosa a experiência de poder compartilhar esses momentos tão mágicos que a cozinha proporciona. Em função dela, fui à feira, fiz um passeio entre cheiros, sabores, cores, texturas. Acabei encontrando amigos queridos e meus velhos conhecidos feirantes da Morato Coelho... Depois, ficamos Silas e eu cozinhando juntos, reinando na cozinha, inventando moda, arrumando a mesa, discutindo o filme que veríamos depois, curtindo o som do Edu Lobo, contando como havia sido o dia de cada um enquanto estávamos longe... Não é bom? É ótimo!  Tente também. Se está sem companhia, vá na sua lista de contatos do facebook e encontre alguém que, como você, também está. Juntem-se e vivam a experiência. Se não achar ninguém, faça consigo mesmo! Eu cozinhei só pra mim muitos anos e sempre fui muito feliz. 

Até mais! 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Sopa de legumes e verduras, com milho verde

De vez em quando o Silas vai pra cozinha e ele tem algumas especialidades imbatíveis. Uma delas é a sopa de legumes e verduras.

Ontem dei a maior sorte. Fui ao curso da Sonia Hirsch no Sesc Consolação, Meditando na Cozinha (cheguei até a divulgar na coluna Fast Food, não sei se viram) e quando cheguei em casa, lá estava a panela de pressão sobre o fogão e aquele cheiro gostoso na cozinha. Ele tinha feito a sopa!

Aparentemente não tem segredo, mas ele faz com tanto carinho e busca ingredientes tão específicos que é a sopa do Silas. Muito saborosa e saudável.

Sopa de legumes e verduras do Silas




Ingredientes

Caldo
1/2 cebola média picada
1 dente de alho amassado
1 fio de azeite extravirgem
1 peito de frango médio
1 tomate sem pele e sem sementes
2 litros de água fervendo
sal e pimenta do reino a gosto

Legumes e verduras
1 espiga de milho verde
2 batatas picadas em cubos
1 cenoura picada em cubos
50 gramas de vagem picada
1 mandioquinha grande picada em cubos
folhas de 1/3 de maço de espinafre

Modo de fazer
Na panela de pressão, coloque o azeite  e refogue cebola, alho,  o frango e o tomate. Tempere com sal e pimenta. Deixe dourar bem. Cubra com a água fervendo, feche a panela e cozinhe após pegar pressão por 20 minutos.
Abra a panela, retire o frango, desosse e desfie a carne. Descarte os ossos. Junte o frango desfiado com o líquido da panela e acrescente todos os demais ingredientes. Feche a panela novamente e volte ao fogo baixo. Quando a panela der pressão conte 15 minutos e desligue. Deixe que a pressão saia completamente sem forçar, abra a panela e sirva imediatamente.

Para acompanhamento
Pão italiano com manteiga  e fatias de queijo branco

Variações possíveis e agradáveis: 
1. Use outro tipo de verdura que não o espinafre, como escarola ou couve fica igualmente saboroso
2. Opções interessantes são a batata doce, o inhame ou o cará picados juntamente com os legumes
3. Nunca deixe de por o milho verde, dá um toque muito especial. Mas que tal usar também ervilha?
4. Soltar ovos e cozinhá-los no caldo é um requinte nesse prato.
5. Se gostar de queijo ralado na sopa, polvilhe na hora de servir.



Por que é saudável? 
Nos ingredientes dessa sopa temos: nos legumes, vitaminas A, B e C, carboidratos, betacaroteno, potássio e cálcio; no espinafre, vitaminas e ferro; no frango, proteína animal; nos temperos e no azeite, antioxidantes e ômega 3 e no milho, vitaminas, magnésio e carotenoide.
No modo de fazer: afeto.
Tudo isso, quentinho e cozido com calma (apesar da panela de pressão) faz um bem danado pra gente. Mata a fome, regula o funcionamento dos intestinos, ajuda no combate a doenças e previne outras.

Quando temos essa sopinha para jantar em casa é uma alegria e um enorme conforto. Ela enternece e, também por isso, é muito boa para a saúde. Afinal, a gente não come só para alimentar o corpo, mas também a alma e o coração.

Nossa mesa de jantar, seja qual for o dia, não é preciso ser data especial, é sempre bem arrumadinha. Brinco com os joguinhos americanos, com as louças, os cestinhos de pão... e tudo fica tão amoroso quando nos reunimos que sempre me parece um banquete ou que estou brincando de casinha.

Essa é a ideia. Adoro quando o Silas vai pra cozinha. Ele só faz coisa boa!

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Em tempo, um esclarecimento: Quinzenalmente, às quintas, temos convidados especiais no Blog da Gavioli. Excepcionalmente hoje, devido a uma falha com o meu computador, não pude publicar o texto da minha convidada Catharina Vale, a quem chamo de "madrinha do blog". Ela tem o Blog Utensílios, a minha grande inspiração.

Quem sabe consigo publicar até o fim do dia ou amanhã. Peço desculpas aos leitores pela troca e à Cath, que mandou o texto em tempo direitinho conforme havíamos combinado.

Até mais!

domingo, 12 de abril de 2015

Ça-va, não vá!

Pensei muito se deveria começar esse texto recomendando às pessoas que não frequentem um determinado lugar. Ainda mais porque só fui lá uma vez. Foi ontem e a casa estava servindo só dois menus, especialmente pensados para a São Paulo Restaurant Week. 

Só que eu não consegui encontrar outro título que não fosse: não vá! 

A experiência foi péssima. A noite só não foi ruim de verdade porque tínhamos a companhia de pessoas tão queridas e agradáveis, a Helda e o Edin, que qualquer coisa que fizéssemos juntos já valeria a pena. Mas confesso que, como fui eu quem dei a ideia do programa, num dado momento, me senti envergonhada de ter proposto uma roubada tão grande. 

É público que eu adoro ir a restaurantes e também que sou uma entusiasta de todas as formas que possam dar às pessoas a oportunidade de provar novos sabores e frequentar ambientes diferentes e hospitaleiros. A mim, sempre me pareceu, que a ideia da Restaurant Week era essa: dar chance às pessoas de conhecerem a boa gastronomia que preza, essencialmente, pela hospitalidade, já que andam juntas: boa comida servida de forma adequada. 


Fachada do Ça-Va, foto do site 


Só que na 16a. edição da Restaurant Week, e no restaurante Ça-Va ontem esse princípio se perdeu, frente à ideia de encher o estabelecimento, simplesmente visando ganhar dinheiro com um cliente temporário que não é tratado como cliente. Porque se a casa trata seus clientes desse jeito e oferece essa comida... a coisa tá feia mesmo! 

Fizemos reserva para as 22 horas. Chegamos pouco antes e em frente ao restaurante havia mais uma dez pessoas que como nós tinham feito reserva. Por desistência de um grupo, fomos conduzidos a uma mesa no horário marcado. No entanto, ficamos ali, num ambiente barulhento solenemente ignorados por mais de quinze minutos.  

Mesmo depois de chamarmos o garçom e pedir água porque estávamos com sede, demorou para que chegasse a água na mesa, em garrafas, e veio sem copos. Isso mesmo! As garrafas foram dispostas na nossa frente, aumentando a sede, sem que um copo fosse colocado na mesa.  

Pedimos o cardápio da casa e soubemos que só poderíamos escolher uma das duas opções do menu da SPRW. Lamentável desde aí. 

Fizemos o pedido da comida e pedimos para saber o que havia para beber. O garçom olhou fixamente para a Helda e disse: 

- Beber? Bebida alcoólica? 

Ela respondeu que sim e ele disse que havia vinho. E ficou parado. Então pedi que nos trouxesse a carta de vinhos. 
Ele trouxe alguns minutos depois e pedi uma sugestão. O rapaz não sabia falar a respeito, apontou nomes da carta sem saber do que se tratava, oferecendo vinho tinto na descrição de vinhos brancos e rosados. Não tinha a mais vaga ideia do que estava fazendo. Só queria eliminar a tarefa e, de preferência, dizer tchau! Cliente, você é otário!

A entrada veio depois de uns 20 minutos e, apesar da pouca novidade, estava boa. As saladas bem temperadas e a ínfima fatia da quiche lorraine estava crocante e na temperatura ideal.  Nada surpreendente, mas cheguei a comentar que estava muito gostosa. 

Entre a entrada e o prato principal demorou mais de meia hora. 

Quando os pratos chegaram, que decepção! Eu teria vergonha de servir aqueles pratos sozinha para mim mesma num almoço do tipo "mate a fome com pressa" quando a gente pega na geladeira qualquer coisa que tenha sobrado dos últimos três ou quatro dias. Comida vexaminosa! 

Um dos pratos era boeuf bourguignon, arroz de ervas e cenoura, e o outro, linguado ao molho siciliano com arroz de espinafre com tomate provençal. A carne bovina em nada se parecia com um bouef bourguignon (só pela textura não foi cozida por muito tempo em fogo baixo) e o peixe foi apresentado em duas lascas (que mais pareciam ser de filé de pescada) empanadas encharcadas de óleo, com uma pequena colher de molho sem qualquer sabor por cima. O arroz estava seco, requentado, duro e insosso. O tomate frio. 

Aguardemos a sobremesa: outra vez, uma tristeza. A começar pela torta de maçã que veio com uma bola de sorvete sem graça e sem gosto.  As temperaturas do sorvete e da massa não chegavam a fazer contraste uma com outra porque a torta parecia velha e fria, saída da geladeira e mal aquecida antes de ser montada.  A mousse de fromage blanc com calda de cassis tem um nome pomposo, mas o sabor era de creme de leite com geleia. Nada mais. 

Sequer tive coragem de fotografar para publicar, tão ruim e pouco apetitosos foram os pratos do menu do jantar. 

O serviço foi no todo sofrível. Apesar da irreverência e simpatia de um garçom ou chefe de fila, já que tinha um uniforme diferente dos outros garçons, o atendimento foi péssimo. Esse rapaz nos disse que o "Seu Antonio" não estava na casa porque teve uma festa de família e por isso as coisas estavam tumultuadas na noite de sábado. 

Realmente, o restaurante parecia um barco à deriva. Sem timoneiro, a coisa vai mal. Bem mal! 

O vinho foi mal servido. Não se respeitou a ordem da degustação e quase o garçom bateu no nariz do Silas para servir vinho no copo do Edin. Os pratos foram servidos primeiro para os homens, retirados antes que todos tivessem acabado a refeição e, entre o prato principal e a sobremesa, não houve um segundo para que a Helda pensasse que havia terminado. O prato vazio foi retirado depois que a sobremesa já estava servida.  

Ninguém se dirigiu a nós para perguntar se queríamos um café, nem se o vinho prestava. 

Pedimos dois cafés e a conta. Vieram rapidamente. Por cada café foi cobrado R$ 6,50, talvez por isso estivesse bom. A única coisa realmente boa que foi servida, diga-se de passagem. 

Se a ideia da Restaurant Week é, por um lado, dar chance a mais pessoas que frequentem restaurantes de bom nível, neste caso, o nível ficou muito a desejar. Se, por outro lado, é que o estabelecimento tenha a oportunidade de se abrir para que um novo público passe a frequentá-lo, também não deu certo. Eu não voltaria a esse restaurante em nenhuma outra oportunidade. Por quê? Não gosto de comer mal, não gosto de ser ignorada como cliente, nem de sugerir a amigos lugares que vendem gato por lebre. 

Para essa oportunidade vale o ditado: "Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento". 

Como clientes, perdemos todos. O dono do restaurante ganhou pouco mais de R$ 330 com a nossa refeição, mas perdeu em todos os demais sentidos, especialmente, nesta breve crítica e na oportunidade de encantar o cliente. 

Ça-Va, não vá! 

Ah! Em tempo, uma recomendação ou dica aos que organizam a Restaurant Week: criem níveis mínimos de serviço e prezem pela qualidade. Do contrário, essa ideia tão bacana, divertida e criativa que já dura 16 edições em São Paulo, tende a acabar. Não ultrapassará a marca do que oferecem os sites de desconto como groupon, peixe urbano e outros. Sabem a que me refiro, não? 

Bom domingo, boa semana! 

Serviço
Ca-vá  - Rua Carlos Comenale, 277 (atrás do Masp) - São Paulo 
O São Paulo Restaurant Week, em parceria com os restaurantes, possibilita ao cliente degustar excelentes menus completos a um preço final mais baixo: R$ 37,90 no almoço e R$ 49,90 no jantar (inclui entrada, prato principal e sobremesa).
Horário de funcionamento no SPRW:
Almoço – seg à sex e dom: das 12h às 15h30
Jantar – ter a sáb: das 19h às 23h30


segunda-feira, 6 de abril de 2015

Rosca ou Pão Doce de Mandioquinha

Do principal caderno de receitas da dona Neuza

(receita original da Terezinha do CAD)





1 lata de leite condensado
4 ovos 
1/2 xícara de óleo (chá)
3 tabletes de fermento Fleschmann (50 g)
1 pitada de sal
1 colher (sopa) de açúcar
300 g de mandioquinha
+ ou - 1 kg de trigo

Cozinhar a mandioquinha, esfriar
Bater no liquidificador todos os ingredientes menos o trigo
Despejar numa tigela sobre o trigo
Amassar muito bem
Fazer a trança, deixar crescer e assar
Pincelar gema ou fazer um doce de coco assim: manteiga, açúcar, sococo, leite e gema e passar por cima. Deixar secar. 




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Algumas observações

Esse não é o formato que costumo publicar as receitas no blog. Mas como escrevi ontem, a receita do pão de mandioquinha viria exatamente como está escrita no caderno culinário da minha mãe.  Os segredinhos não são contados, estão nas entrelinhas da sabedoria da cozinheira. 

Esse preparo já foi adaptado de diversas formas. Por exemplo: frutas cristalizadas, uva passa e até goiabada em pedacinhos já foram recheio desse pão. Por cima, já houve cobertura só de ovos pincelados, com chocolate, com chocolate e canela, com coco sem as gemas... É só se meter a fazer e ir adaptando. 

foto:cliqueagosto.com
Se quiser usar a mesma massa e fazer pãezinhos pequenos também dá certo. 

Com essa medida é possível fazer duas tranças ou roscas grandes. Ou de 25 a 30 pãezinhos. 

Espero que goste. Se gostar, compartilhe a página do blog no facebook ou por e-mail. É só clicar no ícone correspondente abaixo e enviar!


Até mais, um beijão! 

domingo, 5 de abril de 2015

Cadernos de receita, tesouros de família

Minha mãe tem tantos cadernos de receitas, que já perdi a conta. Alguns deles ou quase todos, começaram organizadinhos com divisão para doces e salgados, com título em caneta vermelha e separação entre os ingredientes e o modo de preparo. Depois de algum tempo começam a se identificar com o jeito dela de escrever as receitas: letra corrida, informações um pouco desordenadas, sem separação de linhas e tudo numa só cor de caneta, se começa azul, assim também termina. 

No entanto, há informações que nunca faltam. O nome da receita no alto e de onde ou de quem ela veio, na maior parte das vezes entre parênteses. Não tem data. Se tiver, é fato raro. 




Conforme os cadernos vão sendo usados, eles ganhando alguma farinha, uns respingos de óleo, chocolate em pó e aquele amassadinho na orelha inferior onde a gente puxa a página para virar. 

Como disse, minha mãe tem muitos cadernos de receita, muitos mesmo! Mais de 10, de 15, de 20, talvez. Não são livros, são cadernos que contém manuscritos feitos por ela e, às vezes por outra pessoa que escreveu uma receita especial. Também tem recortes soltos de receitas de jornais ou revistas e outros colados. Quase não há figuras. Curioso e bonito é que esses cadernos têm tanta história que conforme a gente vira as páginas pode encontrar um rabisco feito por um dos filhos (eu, meu irmão Júnior ou minha irmã Cristina), ou netos (minha mãe tem quatro meninas e um menino) que conta mais ou menos a idade que criança tinha e, portanto, contextualiza a receita de alguma forma. 

Tem um dos cadernos que o mais usado. É um caderno pequeno, mas grosso, acho que 150 folhas, de capa dura e encapado com tecido estampadinho que já foi trocado pelo menos umas três vezes, pelo que me lembro. Recordo-me bem de quando ele foi começado, mas, na verdade, não sei se ele não era originalmente da Cris. Fato é que ela é que foi incumbida de passar a limpo as receitas de outros dois cadernos mais antigos. 

Isso me lembrou ainda uma outra história engraçada que aconteceu com os cadernos de receita da dona Neuza. Certa vez, tendo meu irmão começado o curso de datilografia na dona Emília, minha mãe mandou que ele escrevesse à máquina todas as receitas de dois cadernos. Passado algum tempo, ela notou que o menino ia ticando cada página já copiada com um risco de cima abaixo. Feliz da vida foi verificar o trabalho já concluído. Surpresa foi que ele só tinha copiado os ingredientes das receitas, não se importando com as demais informações, nem sobre o preparo, nem quanto a origem, nem nada. Ou seja, ele tinha matado totalmente a tarefa, sem entender porque precisava de mais que os itens dos ingredientes. Minha mãe ficou furiosa! Porque, além de tudo, ele tinha rabiscado os cadernos originais.  

Só mais uma prova de quanto esses cadernos fazem parte da família... 

Anteontem à noite, estava em Itu, na casa da mamãe, e fui preparar uma pizza de arroz. A receita começava com as duas xícaras de arroz. Bate-pronto peguei o ingrediente e pus no liquidificador. Dona Neuza veio brava e disse: - Não! Primeiro os ingredientes líquidos. Só que a receita começava com o arroz... Pra mim, na lógica que aprendi na gastronomia, os ingredientes são apresentados na receita na ordem em que vão sendo colocados no preparo. Do primeiro ao último.  Mas não é assim em cadernos de cozinheiras! É a prática, o jeito de cada um o que prevalece. 

No caso da minha mãe, oras, como seria diferente? Ela sabe tudo de cabeça, de cor.  Quer a receita? Pode copiar. Quer aprender a fazer, converse com ela, acompanhe a execução, fique por perto, sinta o cheiro, verifique o modo como mexe a panela ou amassa o pão... Não se ensina, mas se aprende.

Soube pela Cristina Damélia, que os cadernos de receita da mãe dela foram postos no lixo durante uma mudança. Doeu meu coração quando soube. Fiquei triste, de uma tristeza saudosa da Amélia. Algumas das receitas, eu já tenho e ofereci pra Cristina copiar. O jeito de fazer, ela deve saber bem melhor que eu. Porque os cadernos de culinária são tesouros de família! 

Comecei esse texto pelo título. Era pra ser: Pão doce de mandioquinha - Feliz Páscoa. 

Coisa boa de escrever conforme a criatividade vem, é isso. Você pode derivar, viajar pelas lembranças e falar de outros assuntos. O pão de mandioquinha, prometo que publico amanhã. Igualzinha a sequencia do caderno  O restante do título pretendido, desejo já: Feliz Páscoa! Essa é a festa religiosa que eu mais gosto.  


Boa semana!