terça-feira, 30 de junho de 2015

Resumo do mês - Junho 2015

Como escreveu o poeta Carlos Canhameiro no Facebook:

obama cala a boca da globonews
marieta severo dá um chega pra lá no faustão
paraguai salva a seleção de mais um vexame
eduardo cunha psdb e DEMais perdem a batalha pela redução da maioridade penal
boechat manda o MALAfaia procurar uma rola enquanto o facebook vira um arco-íris e a paulista anda de bike
julho vai ter que se esforçar bastante!

Esse é o resumo do mês, mas aqui no blog, quem perdeu alguma publicação, pode rever agora só acessando os links a seguir. 

Só pra facilitar, os posts estão organizados abaixo por temas e similaridades:

Viagem

O mês  começou com uma linda viagem para Minas Gerais, mais especificamente para as Cidades Históricas de Minas Gerais. Bela paisagem, muito aprendizado, arte barroca por todos os cantos... Um pouco do Brasil Colônia de volta aos nossos dias! 



Gastronomia e culinária 

Foi o forte do mês de junho no blog. 



Especiais 


Em junho, comentei o documentário feito sobre o fotógrafo Sebastião Salgado escrevendo a crítica É melhor ser alegre que ser triste

A proibição do foie gras em São Paulo


Lançamento do projeto Lá em casa pra jantar em primeira mão para os leitores do Blog da Gavioli. Que alegria poder compartilhar isso com vocês! 


Julho começa hoje,  quarta-feira, com alguma chuvinha fria em São Paulo. Na segunda passada foi meu aniversário e nos últimos dias, eu estava em plena comemoração. Um grande alegria poder comemorar mais um ano de vida com saúde e cheia de amigos, projetos novos e coisas muito boas acontecendo. 

Quero contagiar o mundo com entusiasmo, boas palavras e otimismo! Chega desse negócio de reclamar. É feio, chato e fora de moda total!

Se quiser ler e compartilhar das minhas experiências, acesse o blog. Se gostar, recomende para os amigos,  compartilhe os posts no linkedin, facebook,  twitter e no Pinterest. As fotos, no Instagram. 

Beijos a todos! Bom início de julho, boas férias para quem as têm nesse período! 


Clau Gavioli

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A proibição do foie gras em São Paulo


E a gente anda pra trás... 

É isso que eu sinto. 


foto: www.isthmus.com.br/


São Paulo é uma cidade importante, mas, às vezes, muito pseudointelectual. Ativista do que não conhece. Adepta aos modismos e pouco reflexiva. 

Apesar dos pesares que não são poucos (mas prefiro falar sempre de coisas boas) eu amo viver aqui. Especialmente, porque nessa cidade, como tem muita gente, não dá muito para as pessoas se meterem demais na sua vida.  Parece que não dá tempo. 

Só que tem hora que acaba tendo gente demais arbitrando sobre aquilo que não conhece direito....

O caso da proibição do foie gras é uma dessas sandices com cara de ambientalismo, de proteção ao bem estar dos animais, mas no fundo é só fachada. 

Tenho a impressão de que o nosso corpo de vereadores paulistanos não é assim, digamos, formado por pessoas que muito devotadas ao entendimento da criação de gansos e patos para produção da iguaria, ainda mais, quando se trata de aves que não são criadas em grande quantidade em São Paulo. 

Pensei numa coisa... num breve exemplo.... Por que não se sanciona uma lei proibindo o consumo de carne vinda da criação em confinamento das vaquinhas e de seus bezerros (que elas muitas vezes nem chegam a conhecer), das galinhas e dos seus pintinhos, que crescem e se tornam frangos mediante iluminação forçada que não os deixa dormir para que cresçam mais rápido? 

Será que isso mexeria no business de grandes empresários brasileiros e da sua fabulosa e lucrativa produção? 

O foie gras (fígado de ganso ou de pato) não está na mesa do paulistano comum. O patê feito do fígado custa caro, bem caro mesmo e nunca frequentou algumas mesas. O que me faz lamentar porque todos deveriam poder provar o que quisessem e ter dinheiro pra isso. Mas o que quero dizer é que a proibição em São Paulo não muda a vida do paulistano em nada, absolutamente, em nada mesmo! Tem gente que não tem nem sequer ideia do que seja essa comida. 

Mas numa lógica meio sem noção, a cidade de São Paulo não pode mais consumir fígado de ganso em restaurantes! Deve ser porque na Califórnia isso já foi feito, em Nova York muito se discute a respeito. Mas que o me parece uma coisa absurda é a câmara de vereadores da maior e da que deveria ser a mais cosmopolita cidade do país legislar sobre um ingrediente francês que, certamente, como diria Zeca Pagodinho, nunca viu, nem comeu, só ouviu falar... 

Antes da minha crucificação pública, quero confessar que sou plenamente a favor do bem estar animal. Só não entendo porque temos que andar pra trás em São Paulo em termos gastronômicos. 

São Paulo é o lugar onde há espaço para experimentar de tudo. Aqui tem tudo! Ontem, estive na rua 25 de março com a Bruna e a ouvi diversas vezes dizer: "nossa, aqui tem de tudo, que loucura!", tão surpresa estava com o universo de itens que ali se comercializa. É um mundo e meio. 

Mas agora, São Paulo que tem de tudo, não tem mais foie gras. 

Por que será que não pensaram em exigir um selo de garantia de produção sustentável em vez de proibir apenas? 

Diante de tanta insanidade, me veio uma ideia na mesma linha. Apesar do preço, uma sugestão rebelde aos donos de restaurante que usam a iguaria. Como é proibido comercializar em São Paulo, pode-se comprar fora daqui (em Santana do Parnaíba, por exemplo, é quase pra rir!) e franquear aos clientes que aceitem pagar mais por outros pratos, só para que possam degustar "de graça" o foie gras.. Que ideia tola, meu Deus! 

Sandices... 

Em tempo e sobre outro assunto: A partir de domingo, teremos ciclovia na avenida Paulista, graças a Deus!, o prefeito bateu o pé e se manteve firme em aumentar o espaço para as bicicletas transitarem na capital. Isso sim é andar pra frente, prefeito Haddad!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Lá em casa pra jantar


Em primeiríssima mão para os leitores do Blog da Gavioli!



Apresentação do projeto Lá em casa pra jantar


Aqui em casa sempre tem gente!

Seja para jantar, almoçar, dormir ou só de passagem, eu adoro receber e hospedar. Cozinhar também eu amo.

Como estou sempre inventando moda, criando eventos, é normal que busque novidades. O tempo todo!

Nos últimos tempos, fizemos vários eventos, com diversos formatos e com a participação da família, dos amigos, dos amigos dos amigos... Uns mais formais, outros super relax, mas cada qual feito com carinho, cuidado e, todos com uma coisa em comum, boa comida e boa bebida!

Foi isso que me fez pensar em convidar mais pessoas para ir Lá em casa pra jantar. 

A ideia surgiu porque eu queria fazer parte como anfitriã do Eatwith, mas não fui aceita (e ninguém me explicou porquê).  Foi quando eu pensei que podia fazer isso por mim mesma. já que gosto de cozinhar, ando me aventurando já há um bom tempo pelo mundo da gastronomia (quem não conhece o Blog da Gavioli?) e tenho tantos amigos espalhados pelo mundo afora, todo mundo super cabeça aberta e ligado em novidades boas.

Quando comecei a desenvolver o projeto, pensei no nome Lá em casa. A primeira coisa que fiz foi dar uma busca na internet e, pasmem! encontrei um casal em Brasília, o Esdras e a Mariana, que já faz isso há algum tempo. O astral é sensacional. Eles tiveram a ideia antes de mim e criaram o Comalaemcasa.com.br, então pude me inspirar ainda mais na experiência deles porque os dois já são mais profissas!

O Silas, meu marido, e eu adoramos viajar, conhecer coisas novas e comer bem, seja em restaurantes ou em casa. Cozinhar juntos, ouvindo música e dançando, descobrir sabores novos, harmonizar os preparos com um vinho ou uma cerveja, a gente gosta disso pra caramba!

Na nossa casa, em toda refeição que fazemos juntos, a mesa é arrumada bonitinha, com cuidado, combinando a louça, os guardanapos, os copos... Não tem frescura, mas é um jeito de fazer a vida mais feliz, mais alegre e transformar cada oportunidade em um momento bom e, se for ótimo, será inesquecível!

A nossa casa sempre esteve aberta para quem vai e quem fica. Além disso, comer bem em casa é uma prática.

Por isso, convidamos você para ir Lá em casa pra jantar

Como funciona


A ideia é muito simples: a gente cria um menu (entradas, salada, prato principal e sobremesa) e marca uma data. Você e seus amigos fazem as reservas e nós providenciamos a comida e a bebida.

O preço é barato, só pra cobrir os custos e não dar prejú! Precisamos de experiência e adoramos um bom papo entre amigos!

A bebida pode ser incluída ou não. Se você preferir trazer o seu vinho, a gente sugere o que harmoniza bem com os pratos e não cobramos rolha, já que ir Lá em casa pra jantar, não é ir a um restaurante, é ter uma experiência diferente!

As vagas são limitadas e só garantem o atendimento das reservas feitas pelo e-mail laemcasaprajantar@gmail.com e que estiverem confirmadas.  Para confirmar a reserva é preciso fazer o depósito em conta (todos os detalhes necessários a gente envia junto com o local). 

A primeira edição será em agosto. Para os que enviarem e-mail dizendo que têm interesse a gente vai dar um desconto de 20% quando a reserva for confirmada. 

Em breve divulgaremos a data e o menu! 

A gente já tem até página no Facebook e logo teremos contas no twitter e no instagram. Se quiser informações em primeira mão, é só seguir. 

https://www.facebook.com/laemcasaprajantar


sexta-feira, 19 de junho de 2015

Papelote de cação e legumes


Cheia de ocupações e novos projetos, além de matéria para escrever e dois eventos para organizar, minha decisão de hoje era não escrever. Mas como não compartilhar a minha melhor experiência gastronômica dos últimos dias? 

Como já disse aqui outras vezes, tem horas que eu simplesmente encasqueto com um determinado preparo e enquanto não o executo não tenho sossego. 

A fixação recente era com peixe assado em papelote com legumes. 

No ano passado, eu comi uma versão desse prato no restaurante Le vin, da praça Vilaboim, em São Paulo. Mas, devo confessar que foi uma grande decepção. O peixe estava fora do ponto, os legumes moles demais e não havia tempero. Um prato péssimo. Escolha infeliz, melhor dizendo.  E o pior foi que no dia seguinte eu passei mal, fiquei cheia de enjoos. Consequência disso, fiquei de bode com o tal prato. 

Nada como o tempo... 

Pois bem, o tempo passou e eu voltei a ficar com vontade daquele prato, só que definitivamente não iria ao Le vin para comê-lo. Por motivos quase óbvios, eu queria fazer em casa. Testar a receita e ver se funcionava porque, numa preparação como essa, o resultado esperado está diretamente ligado à textura dos ingredientes depois da cocção.  

Para evitar erros no preparo, eu resolvi pesquisar nos meus livros de receita e também em alguns blogs de comida. Eu sigo vários, mas, às vezes, em nenhum tem o que eu preciso. Então dá-lhe google! Acabo encontrando tantas outras coisas e aprendendo um montão. 

Como quero fazer o peixe no papelote para o Silas esta noite, minha intuição me mandou testar porque minhas dúvidas não foram esclarecidas só com o que encontrei pesquisando. Por exemplo: os tempos de cocção dos vegetais, dependendo de suas texturas, são variáveis, será que eu poderia cozinhar todos juntos sem que um ficasse mole demais e outro ainda al dente? E o peixe, que tem ainda outra textura, poderia ser posto junto com os demais ingredientes na mesma hora?  Quanto tempo teria que assar cada item até poder juntá-los? E os temperos: o peixe deve ficar marinando antes do cozimento? 

Ontem fui às compras e encontrei umas postas de cação interessantes, embora congeladas. O que de bate-pronto, me trouxe ainda mais uma dúvida: posso usar o peixe congelado diretamente no preparo do papelote?  

Eu encontrei receitas com batata, cenoura, azeitona, tomate, pimentão e cebola. Mas eu queria com batata doce, abóbora kabocha, brócolis e cogumelos. Ah! E eu queria temperar com alcaparras. Só experimentando para ter certeza do que aconteceria. 

O resultado foi surpreendentemente bom. Muito melhor que a encomenda e muito melhor ainda do que o do restaurante Le vin.


Papelote de cação e legumes 

(porção para uma pessoa)




Ingredientes

1 posta de cação de 120 gramas
2 tomates cereja partidos ao meio
15 gramas de abobrinha em cubos (parte sem sementes)
15 gramas de batata doce em cubos 
15 gramas de cenoura em cubos
15 gramas de abóbora (do tipo kabocha) em pedaços com casca
6 cubos de pimentão vermelho
1 flor pequena de brócolis picada
3 alcaparras picadas
1 quarto de cebola com a casca
sal
pimenta do reino moída na hora
mix de ervas finas
azeite extravirgem o quanto baste

Utensílios necessários: assadeira ou forma refratária e papel alumínio ou papel manteiga

Modo de fazer

Pré-aqueça o forno em 180 graus. 
Se o peixe estiver congelado, lave-o brevemente em água corrente, seque-o com papel toalha e tempere com sal e pimenta. Reserve. 




Estique o papel alumínio ou o papel manteiga sobre a assadeira, levando em consideração que sobre ele serão colocados os ingredientes da receita que, em seguida, serão fechados como num envelope para ir ao forno. É importante deixar sobra de papel dos dois lados uma vez que os ingredientes serão dispostos no centro. 
Pincele o meio do alumínio com um fio de azeite para untar e coloque os cortes de batata e abóbora. Por cima, ponha o peixe temperado com sal e pimenta. 
Numa tigela, misture todos os ingredientes picados, exceto a cebola, com a alcaparra quase macerada, ponha sal e pimenta  e regue com um pouco de azeite. Distribua todos os itens picados sobre e ao lado do peixe, por último ponha a cebola com a casca para cima. Polvilhe um pouco das ervas finas antes de fechar o papelote. 
Legumes e um fio de azeite
Em seguida, junte os lados do papel e amasse bem as laterais para deixá-lo bem fechado e não deixar sair o vapor. 


Versão no papel manteiga
Versão no papel alumínio














Leve ao forno pré-aquecido por 20 minutos. Retire do forno e aguarde cerca de cinco minutos antes de abrir o papelote  por cinco minutos. 
Sirva diretamente no próprio papel alumínio.

***



Tenha cuidado ao abrir a embalagem saída do forno porque vai soltar vapor e, se o rosto ou as mãos estiverem muito próximos podem queimar. 

Ao servir regue com mas um fio de azeite e, se preciso, acerte o sal.

Eu fiquei muito entusiasmada com o resultado desse prato leve, saudável, fácil, colorido e muito fino para servir em qualquer ocasião. 

Para refiná-lo ainda mais, use cogumelos fatiados, sal ou azeite trufados, camarões, vieiras. Hummm... é bom demais. 

Eu testei e hoje à noite vou repetir porque farei para o Silas. Já até comprei um espumante para acompanhar. Vai ser tudo!!!

Quanto às minhas dúvidas, eu solucionei algumas. 

- As texturas são diferentes entre os alimentos e isso dá graça a esse prato. No entanto, é fundamental que os cortes dos legumes estejam do mesmo tamanho ou bem aproximados; 

- O peixe não precisa ficar marinando antes de ir para o forno, isso fará com que ele fique mais amolecido e solte água demais durante o preparo; 

- O tempo de forno não poderá nunca exceder 30 minutos para esse preparo porque o peixe vai desmanchar; 

- Cação é um bom peixe para o preparo porque a posta é alta. Mas outros podem ser usados como o robalo, o pescada amarela e outros. Peixes sem espinhas. 

Uma graça desse prato é a cebola que, por estar com a casca (que não será comida), mantem-se com as folhas tenras. A textura da cebola é fantástica nesse preparo. 

Uma dica: se perceber que ficou muito líquido no papelote antes de servir, abra um pouquinho uma lateral e deixe escorrer. Mas cada pessoa tem o direito de abrir o seu papelote e SURPRESA!!! Que cheirinho bom, que sabor gostoso. 

Espero que tenham gostado desse meu rompante de compartilhamento de experiência culinária. Eu adorei fazer e comer. E compartilhar também! 

Como eu só fiz um teste, não cheguei a servir num prato lindo e nem levei à mesa arrumada. A foto de hoje está bem fraquinha. À noite, quando eu repetir a receita, acrescento fotos mais bonitas com tudo o que é de direito. 

Um beijo enorme. Bom fim de semana! 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Bebida de Festa Junina - Vinho quente branco!?


Hoje tive uma tarde de reinações na cozinha, no computador, nas pesquisas, na criação de novas coisas. As ideias andam pulsantes e minha cabeça tem hora que parece que vai ferver. Gosto disso, a mim, me parece saudável. Quando estou sem ideias fico preocupada comigo. 

Nessas reinações, bem à moda Narizinho no Sitio do Pica-pau Amarelo,  peço a benção ao mestre Monteiro Lobato! - digam lá o que quiserem contra mim os professores de educação étnico-racial autores da ação contra ele por ofensas à humanidade pela criação da negra tia Nastácia e do negro tio Barnabé e tantas outras 'ofensas' ao que é politicamente correto. 

Resolvi testar uma receita de bebida de festa junina, só que com uma variação importante. Fiquei me perguntando se daria certo fazer vinho quente com vinho branco. Pra quê? Também não sei, mas tentei. A seguir apresento a receita original de vinho quente e, logo abaixo, a varição com vinho branco.


Vinho quente







Ingredientes


1 xícara (chá) de açúcar
1/2 xícara (chá) de água
2 paus de canela
12 cravos da índia
1 litro de vinho tinto seco
raspas de casca de laranja (opcional)
1/2 maçã verde ou vermelha sem casca e cortada em cubinhos


Modo de preparo


Leve o açúcar ao fogo. Quando começar a derreter, acrescente a água, a canela e os cravos. Deixe que fervam até o ponto de calda, quase chegando a caramelizar. Acrescente o vinho e mexa até que toda a calda se torne líquida novamente. Junte as raspas e a maçã, tampe a panela, abaixe o fogo e deixe mais cinco minutos fervendo. Desligue e mantenha a panela fechada descansando por cerca de 10 minutos. Sirva em seguida. 






Variação com vinho branco




Uma sugestão: teste com apenas 1/2 garrafa de vinho branco porque o sabor final fica bem diferente, o que pode não ser do agrado dos seus convidados. Para isso, reduza toda a receita à metade. 

Sempre use um bom vinho (mas não um muito caro) mesmo que vá cometer o "pecado" de adoçá-lo. Para vinho quente há perdão e absolvição porque fica delicioso e é o que basta. 

Além do cravo e da canela, ponha também uma florzinha de anis estrelado o que vai dar um cheiro muito especial.

O modo de fazer é o mesmo, mas, neste caso, acho que é preciso colocar não só as raspas de laranja, mas, quem sabe, pedaços de laranja. 

Pensei... pensei... bom, fiquei mesmo pensando porque o vinho branco não é usado nas festas juninas para fazer vinho quente. A única conclusão a que cheguei foi que, como o resultado final será uma bebida clara, quase na mesma cor do quentão, não deve ter vingado, digo, feito sucesso. Não sabia se alguém já tinha tentado. Procurei aqui nos meus livros de receitas e não encontrei. Dei um google e, claaaaaro que alguém já fez. E há quem goste muito. 

Tente também! Se gostar do resultado, conte pra gente. Escreva nos comentários o que achou. 

Já bebi quase tudo. Quando a Bruna e o Silas chegarem não vai ter mais! 

Beijos e até amanhã. 

terça-feira, 16 de junho de 2015

É melhor ser alegre que ser triste


A falta de alegria pode destruir um país. 

Que me acusem de ser petista, algo que nunca fui. Que me acusem de ser direitona, como fui acusada por quase toda a vida e também nunca fui. Em cima do muro, nunca! Não importa o rótulo que me deem, sou independente no pensamento, sou livre e ciente das consequências que posso suportar. Escolho as que suportarei e prefiro o caminho do meio. 

Quando presidentes, Lula e FHC tinham algo muito importante em comum, que a mídia e os eleitores pouco se atentavam porque era natural e o que é comum nem sempre é para ser noticiado. Eles são pessoas alegres, um tanto irônicas e muito espertas no trato social. Políticos de alma, de trejeitos e de coração. Já a presidenta Dilma não é assim. 

Talvez pelo país machista que ela comanda (e foi eleita para tal sempre é bom lembrar e reforçar), ela não tem sido capaz de abandonar uma postura masculina que é a adotada na maioria das vezes por mulheres que assumem cargos muito altos em empresas, no Governo e na sociedade. 

Nesse país machista e racista disfarçado e um tanto reacionário (digo um tanto porque não somos todos reacionários, graças a Deus!), é dada ao elemento masculino a benesse da seriedade temperada com algum humor e, caso o indivíduo tenha uma "alma um pouco feminina" ele será valorizado e mais portas se poderão abrir para sua carreira. Evidentemente isso ocorrerá se ele souber manter-se masculino nas atitudes empresariais e de comando. Às mulheres não se concede o mesmo benefício social. Não lhes parece permitido o bom humor. 

Há alguns anos, em 2008, organizei e realizei no Brasil, aqui em São Paulo, o primeiro Encontro de Mulheres Líderes, com o objetivo de reunir pessoas, homens e mulheres, para falar sobre o papel feminino em postos de liderança. Estudei com afinco o comportamento adotado pelas mulheres quando assumem posições de chefia, especialmente, as mais altas, quando cabem a elas a primeira e a última palavras dentro das organizações. 

Tristemente, observei que as mulheres em posição de liderança são infringidas a adotar uma postura masculinizada e deixam de lado  seu maior trunfo,  o que mais lhes daria vantagens na administração de uma organização: o equilíbrio entre a ternura, a determinação e a alegria. Tornam-se homens de saias tão logo assumem essas posições. O que é lamentável, a meu ver.

Não cabe aqui discutir quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha, da mesma forma, portanto, se o machismo é causa ou consequência. É, no entanto, fato consumado. 

Para mim, Dilma, o ser humano, errou ao se decidir, envaidecida, candidata a presidente da república para um segundo mandato. Errou porque não teve limites, talvez porque isso seja mesmo, como conta a história, de sua própria personalidade. Guerrilheira, coração valente.  

Na minha visão, ela assumia algo que não mais lhe cabia porque ela já tinha feito sua parte. Que se digladiassem dali em diante os fétidos lutadores de uma política doente e clientelista que ela não pôde combater. Ela não fora capaz de subverter a ordem das coisas apenas pelo fato de que o sistema ali infraestruturado era bem maior do que ela. 

Os homens com quem ela convive a detestam porque ela tem o poder instituído e legalizado no voto de lhes impor formas diferentes de fazer o que sempre fizeram. Por isso, tramam contra ela e a querem ver no tatame, nocauteada. 

Por sua vez, as mulheres não se veem representadas porque ela decidiu ser um homem no comando, deixando de lado a tal ternura e a alegria das quais falei parágrafos atrás.  E, meu Deus! Como podem ser impiedosas as mulheres umas com as outras... 

No bojo dessa atitude presidencial, que não é muito mais do que o espelho ou a representação personificada do que vive hoje a população brasileira, é quase fácil dizer que o que nos está faltando é alegria, riso, descontração, bom humor. 

Lembrei agora do quanto é importante o circo além do pão. Oh! Quanto mal nos causou uma derrota de 7 a 1 na pelada que jogamos no nosso próprio quintal? Perdemos a graça! Não temos mais confiança em nós mesmos. Mas, de verdade, isso é só ilusão, porque nada mudou. Não há flagelo. A vida segue e pode ser festiva de novo. 

Ontem, assisti ao documentário O Sal da Terra, sobre o fotógrafo Sebastião Salgado. Nada me chamou mais atenção do que uma foto tirada por ele no meio de um campo de refugiados na África onde quase não se via nada além de fome, miséria, corpos mortos e esqueletos humanos cobertos apenas por pele. 


foto: Sebastião Salgado, livro Êxodos, retirada do portal-cinema.com
Mas ali, naquela foto, havia uma mulher com um bebê pequeno no colo e seu olhar alegre e confiante garantia ao pequeno em seus braços que havia esperança. Coisa de mãe, de amiga, de companheira. Coisa de mulher!  Pensem o que quiserem e acusem as generalizações, mas isso é nosso e ninguém nos tira porque a gente vem assim pro mundo. Só nós mulheres sabemos o que é o sentido da maternidade, da palavra e do palpite entre amigas, da força e do incentivo que damos às nossas companheiras e aos nossos companheiros. Cada um, na sua diferença, mulher e homem, felizmente somos diferentes, tem um papel e uma dádiva. Não se trata de um juízo de valor. 

Quem não se lembrará na vida de alguma vez ter perdido o chão porque, mesmo por um só instante, se viu em situação de morte ou de dor profunda? Passado o impacto, enfrentada a situação, retomamos o nosso propósito maior enquanto estamos vivos. Precisamos da alegria. 

Por que não resgatamos essa alegria então?  O que nos falta? 

Eu tenho uma receita de bolo, que parece fácil, mas é preciso persistência para que dê certo. 

Todos os dias, decida viver em paz: com o seu corpo, com a sua casa, com as pessoas que o cercam e, principalmente, com as palavras. Atenção redobrada ao que se vai dizer em qualquer situação.  Então, escolha boas palavras para a sua vida. Reclame menos. 

Observe o que é bom e ajude a consertar o que não é. 

Fotografe. Essa é a onda. Faça selfies e publique a alegria de viver! Mas fotografe também a flor do seu jardim ou do jardim do vizinho, não importa. É uma flor e ela deixa a vida mais bonita. Ninguém vai te impedir. Se você a fotografar, no mínimo, a terá visto. Já é um bom começo! 

Mude seus hábitos sedentários, mexa seu corpo, faça ginástica. Caminhe. 

Cozinhe de vez em quando. Ou, se não tem vocação, elogie quem cozinhou pra você e agradeça a comida.  Em especial, agradeça de forma consciente todo o ciclo que trouxe a comida até o seu prato, porque isso não é pouco. 

Viva com menos dinheiro e mais contentamento. Fique feliz porque comprou figurinhas na banca de revista, porque pintou um desenho, porque ouviu uma música que gosta ou assistiu algo que o agradou. 

Evite esbravejar, ser ofensivo ou falar palavrão o tempo todo. É feio! Só de vez em quando, se permita um pqp - só quando for realmente necessário para passar a dor do dedinho que você bateu na quina da cama. De outro modo, basta evitar.  

Estamos precisando de alegria, de boas palavras, de vontade, de otimismo. É uma questão de atitude, sim! Contamine positivamente seu ambiente. 

Parafraseando Vinicius de Moraes, que a tristeza tenha sempre uma esperança de um dia não ser mais triste, não. Sem alegria, pode-se destruir um país! 



segunda-feira, 15 de junho de 2015

Farofa de Ovos e Bacon

Hummmm... Só de pensar em farofa, eu fico com vontade!

Sábado foi a comemoração do aniversário do André e, como eu já contei noutro post, ele me pediu uma ajudinha com as comidas que acompanhariam o churrasco.

Um dos pratos que decidimos fazer foi uma farofinha muito prática e que fica mega saborosa. Pode ser feita com farinha de mandioca ou com farinha de milho amarela ou branca. Eu prefiro, especialmente para acompanhar carne de churras, que seja feita com farinha de mandioca torrada. É fácil de encontrar, custa barato e ainda ajuda aos que não podem comer glúten, já que mandioca "pode"!

Primeiro passarei a receita, depois dicas de variações e usos.


Farofa de ovos e bacon
(rendimento: 25 porções)



Ingredientes

10 ml ou um fio de azeite extravirgem
300 gramas de bacon cortado em cubos ou retângulos pequenos (não mais de 15 mm de lado)
2 cebolas médias cortadas em brunoise*
5 ovos
500 gramas de farinha de mandioca torrada
1 xícara (chá) de cheiro verde picadinho (salsa e cebolinha)
sal e pimenta do reino o quanto baste







Modo de fazer



Leve ao fogo numa panela alta o azeite e o bacon. Frite até que o bacon solte quase toda a gordura. Tire do fogo, escorra o bacon com uma escumadeira e reserve. Na gordura quente que restar do bacon que foi retirado, coloque a cebola e leve ao forno até dourar. Solte então os ovos, um a um sobre a cebola. Quando as claras estiverem coagulando, mexa com um garfo para que o ovo se espalhe e cozinhe por inteiro. Acrescente então a farinha e o bacon. Tempere com sal e pimenta e deixe mais alguns segundos no fogo, mexendo para não grudar na panela, mas para que a farinha fique mais torradinha e pegue o sabor dos demais ingredientes. Desligue o fogo e acrescente o cheiro verde.
Deixe esfriar um pouco antes de servir.

Essa farofa acompanha muito bem carnes grelhadas e assadas. Se for servida numa composição com banana da terra cozida ou em purê, fica uma delícia.

Menus que levam farofa devem ter o cuidado de serem compostos também com algo menos seco, por exemplo: feijão (com caldo) e arroz, ensopados bem encorpados do tipo goulash, carnes de panela com molho de cebola,  purês, especialmente de abóbora,  creme de milho... enfim, há uma infinidade de possibilidades. Experimente criar a sua composição de menu. É um exercício interessante para o cérebro.

Caso entre seus convidados haja vegetarianos, essa mesma receita pode ser adaptada usando, por exemplo, abobrinha ou chuchu em lugar do bacon. Tomate sem pele e sem sementes também funciona bem, mas com ele, muita atenção, porque, se ficar muito tempo no fogo, vira molho e o que se quer aqui são os pedacinhos úmidos do tomate (que também deve estar firme, para isso, pode-se usar tomates verdes fritos).  No entanto, em qualquer dessas substituições, se deve aumentar o azeite porque o bacon é responsável por dar umidade ao preparo. Farofa muita seca não é fácil de ser comida, é prudente lembrar!

Farofa é tudo de bom. Por isso, ainda pretendo falar delas por aqui. Farofa de miúdos de peru, por exemplo, é uma das minhas preferidas. Minha mãe é expert nesse assunto. Fica pra outro dia.

Apesar de ser um prato muito saboroso, essa farofa é bem calórica porque leva gordura tanto dos ovos quanto do bacon. De modo que o consumo deve ser parcimonioso, ou seja, sem excessos! Comer, sim, envenenar-se por exagero, não!

Boa semana!

No jardim de casa em pleno outono

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Cogumelos apimentados


Ontem, prometi que hoje publicaria mais comidinhas de festa junina, mas vou pedir licença e escrever sobre um prato muito especial que estou preparando para comemorar o Dia dos Namorados: cogumelos apimentados.

Esse é um prato diferente, não parece comida do dia a dia. Além do que é afrodisíaco! rsrs Nada mais adequado para um encontro romântico para festejar uma data especial.

A palavra afrodisíaco é uma derivação de Afrodite, a deusa grega do amor. Diz-se que é afrodisíaco o que excita e dá energia sexual.

São vários os alimentos considerados afrodisíacos, entre eles, as ostras, o chocolate, o amendoim, o gengibre, o manjericão e as pimentas.

No caso da pimenta, que é um ingrediente  da receita sugerida para hoje, ela é um alimento termogênico, ou seja, acelera o metabolismo (também ajuda no emagrecimento) e dá aquela sensação de aquecimento no corpo. Talvez seja por isso a pimenta seja considerada afrodisíaca.

Pra mim, o cuidado, o carinho e o amor ao cozinhar são elementos efetivamente afrodisíacos, muito mais do que os ingredientes que vão nas comidas. Mas em caldeirão de bruxa, uma pimenta é sempre bem-vinda! Para quem cozinha, os temperos são elementos importantíssimos para dar o sabor do amor que sentimos pelas pessoas.

Não sei cozinhar sem pimenta. Inclusive, quando cozinho junto com a minha mãe ou com o Silas, pergunto sempre: mão de Cláudia na pimenta?  Aqui em casa, ela é recorrente, seja a do reino, a calabresa, a síria, a branca, a camari, a malagueta, a rosa, a preta ou a dedo de moça, a grande vedete do prato de cogumelos pensado para esta noite.

Mas é preciso equilíbrio na hora de servir. Se o uso da pimenta for exagerado, tudo desanda. Não fica agradável. Então é preciso compensar o prato. A seguir a receita do cogumelo e algumas dicas sobre como melhor servi-lo.

Cogumelos com pimentas em redução de vinho branco
(para duas pessoas)

Ingredientes


foto: blog confraria dos chefs

400 gramas de cogumelos de sua preferência (shimeji, shitake, cogumelo paris, portobelo)
2 colheres (sopa) de manteiga sem sal
100 ml de vinho branco (sugestão Chardonnay)
1/2 litro de caldo de boa qualidade (frango, legumes ou carne)
4 colheres (sopa) de salsa picada
sal, pimenta do reino e pimenta calabresa a gosto
1 pimenta dedo de moça picada sem as sementes




Modo de fazer

Limpe bem os cogumelos com uma escovinha de cozinha. Não se deve lavar os cogumelos, apenas limpá-los. Corte-os em fatias. Se for usar o shimeji basta "desfolhar" os ramos.
Numa panela que possa ir ao forno, leve ao fogo na boca do fogão uma colher de manteiga.  Logo após derreter a manteiga, retire a espuma que se forma. Isso fará com que ela se torne "ghee" (pronuncia-se gui) ou manteiga clarificada.
Acrescente os cogumelos limpos e cortados e deixe-os refogar por alguns minutos. Acrescente o vinho branco, a salsinha e as pimentas. Quando sentir que o álcool do vinho já se evaporou, acrescente o caldo, abaixe o fogo e deixe reduzir por cerca de 10 minutos.
Acrescente a outra colher de manteiga e leve a panela ao forno. Deixe reduzir por completo o caldo, o que vai demorar cerca de meia hora.

Sugestão: enquanto o preparo ficar no forno, aproveite para fazer um pesto de rúcula e dois ovos pochê.

Sirva num prato fundo da seguinte maneira: cogumelos embaixo, ovo pochê e, por cima, o pesto de rúcula. Ao lado do prato, ajeite pão cortado, de preferência, rodelas largas de uma baguete com gergelim. (Amanhã eu insiro a foto do prato montado).


Para o dia dos namorados, um espumante branco pode ser servido para abrir o apetite. Junto com o prato, um vinho branco, que pode ser também um Chardonnay, com já foi sugerido para o preparo do prato, ou um tinto leve, como um Pinot noir vão harmonizar direitinho.


Não esqueça de uma arrumação delicada na mesa, com flores e velas, se gostar. Use a louça mais bonita, seja ela a divertida ou uma mais elegante Guardanapos postos com algum detalhe, do tipo um lacinho de fita dão um ar cuidadoso. Talheres bem limpos e sem marcas de dedos são um detalhe relevante, mesmo que sejam simples.

Todo casal tem uma música. Que tal por pra tocar?

Divirta-se com seu amor no Dia dos Namorados! Beije muito, demonstre o seu melhor sentimento. Tenha atenção com quem ama. Isso, sim, é afrodisíaco...

Ah! Uma dica -  Se não tiver namorado ou namorada,  nem pense em lamentações. 12 de junho é também o Dia dos Solteiros. Saia com os amigos, vá pra balada ou faça em casa a noite dos solteiros. A mais divertida que puder. Amar a si mesmo é o primeiro grande passo que se dá para poder ser amar e ser amado por alguém.

Eis o prato montado, como prometi!


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Caponata




Esse é um prato típico italiano, da região da Calábria ou da Sicília, feito com berinjela, pimentão, azeite e cebolas. Há muitas variações sobre a forma de executá-lo e também quanto aos ingredientes usados. Por exemplo, ao fazer há quem frite a berinjela em imersão de óleo antes de juntar os demais ingredientes, há os que fazem no forno, tem também quem não cozinha a berinjela, deixando que ele fique curtida em vinagre e ainda outras formas, como desidratá-la em sal refinado. 

Em relação aos ingredientes, o tomate entra em algumas receitas, alcaparras em outras, azeitonas variam entre pretas ou verdes, quanto aos pimentões, as cores são à escolha do freguês: verdes, vermelhos, amarelos, laranja e até roxos. As uvas passas, às vezes, aparecem nos preparos, o que lhes dá um toque especial. 

Os cortes também variam: cubos, fatias largas, retângulos, lascas, e até ralados os ingredientes podem ser usados. Tudo isso com berinjelas descascadas ou com casca. 

No próximo sábado, dia de Santo Antonio, o André vai comemorar seu aniversário e me pediu para fazer uma caponata para o antepasto, já que o menu do almoço será churrasco. Muita carne como gostam os brasileiros... Assim, uma opção sem carne para a entrada é muito bem-vinda. 

A caponata pode ser servida como antepasto com pão ou torrada e como guarnição  vai bem ao lado de uma farofa e de uma carne assada ou grelhada. Normalmente, é servida fria porque depois de pronta, com alguns dias de refrigeração, incorpora muito mais o sabor. Mas, se tiver pressa, pode degustá-la quente mesmo. 

Com frequência tenho esse antepasto de berinjela na geladeira. Ele me salva nos lanches da noite, nas entradas de alguns eventos inesperados aqui em casa e fica ótima para acompanhar um rápido cuscuz marroquino temperado apenas com castanhas e frutas secas. 

Não é difícil de fazer. No entanto, o sabor, neste caso, é mais do tempero de cada pessoa do que da execução do prato. 

Eu faço caponata há anos e já tentei todas as variações mencionadas acima, tudo depende da minha inspiração e, mais que isso, do meu público. Dependendo de para quem será servida, exige alguma adaptação. 


Caponata di melanzane (antepasto de berinjela)



Ingredientes

1 dente de alho
100 ml de azeite extravirgem

Obs.: os próximos cinco ingredientes devem ser cortados em julienne*

2 cebolas médias cortadas 
1/3 de pimentão vermelho  
1/3 de pimentão amarelo 
1/3 de pimentão verde
2 berinjelas

3 colheres de alcaparras
1/2 xícaras de azeitonas verdes picadas em brunoise**
30 gramas de uvas passas escuras e brancas

Temperos:  sal, pimenta do reino, pimenta calabresa, orégano, salsa e cebolinha



Modo de preparar: 

Refogue o alho e a cebola em metade do azeite. Quando a cebola já estiver caramelizada, acrescente os pimentões e refogue por cerca de três minutos. Junte as berinjelas e deixe no fogo, mexendo de vez em quando, até que fiquem al dentes. Tempere com sal, pimentas, orégano, salsa e cebolinha, Depois acrescente as alcaparras, mexa e em seguida desligue o fogo. Acrescente as azeitonas e as uvas passas. Regue com o restante do azeite e feche a panela. Deixe descansar por no mínimo cinco minutos. 
Depois de esfriar, leve à geladeira em recipiente de vidro tampado. 

Sirva no dia seguinte. 

* julienne - tiras de 4 a 5 cm de cumprimento 
** brunoise - cubos de 3 x 3 mm



Esse preparo, em geladeira, dura até dez dias. Mas, sempre observe se não há algum sinal de fungo antes de servir porque não é um preparo no qual se coloca qualquer ingrediente conservante. 

A caponata do André já está pronta para ir à geladeira. Se for preciso, até o momento de servir, pode ser feita alguma correção no sabor. Espero que tenha fica gostosa e que ele fique feliz. 

No mais, é só amor! 

Até amanhã, quando volto com mais uma receita de festa junina. 

Aquele abraço carinhoso.  

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Comida de festa junina (1) - Arroz Doce

foto: infohoje.com.br


No ano passado, como teve Copa do Mundo no Brasil, quase vi festa junina. Parecia que todo mundo estava no ritmo dos jogos de futebol e, com isso, ninguém muito preocupado em se reunir para uma boa festa de São João, Santo Antonio ou São Pedro.  Afinal, a reunião dos amigos já estava rolando juntamente com a bola nos gramados. 

Este ano está bem propício para uma boa festa junina. Os dias de junho têm sido quentes e ensolarados e as noites um pouco mais frias, dando aquela vontade de aconchego em casa de amigos ou na da gente mesmo. 

Eu adoro as comidas e as arrumações típicas  desse período. Tudo muito colorido, carinhos como na casa da avó da gente e cheio de sabor. Um charme mesmo. 

Por isso, pensei em trocar uma ideias por aqui sobre as comidinhas deliciosas das festas juninas: milho verde, pamonha, curau, bolo de milho, canja de galinha, arroz doce, amendoim, pipoca, cuscuz, cachorro quente, doce de batata doce, de batata roxa, de abóbora, paçoca, pinhão, maçã do amor, quentão, vinho quente, sagu, pé de moleque, canjica, quindim, bolo de mandioca... ai... e tantas outras coisas que a gente inventa... 


Quermesse Igreja do Calvário - foto guiadafolha
Aqui em São Paulo, quando eu morava em Pinheiros, todos os anos esperava pela festa junina da Igreja do Calvário. É uma festa grande que envolve muita gente na preparação das comidas, da administração das barracas, na contratação das atrações como quadrilha e shows de música típica. Lá também é feito um bingo beneficente para arrecadar recursos para a igreja e as comunitárias.  Nos últimos anos, essa festa cresceu tanto que virou uma grande muvuca. Logo, logo, vai disputar em número de pessoas com a festa de Nossa Senhora de Achiropita, no Bexiga. Só que essa acontece em agosto. 

Lá em Itu, sempre houve festas juninas muito boas. Nos clubes de campo, nas casas de algumas pessoas e, principalmente, nas escolas.  Eu tenho na memória dias muito felizes que vivi tanto durante as festas quanto na organização delas. Coisas que quando estamos entre amigos ainda rimos muito juntos. 

Hoje, só para começar, vou dar a receita do arroz doce, muito embora não seja meu o melhor preparo de arroz doce que eu como nas festas da família. A Cris, minha irmã, faz um arroz doce fantástico e a Cris da Amélia herdou da mãe dela a melhor mão de arroz doce que eu já comi. 


Arroz doce

Foto: receitadecomida.com.br


Ingredientes

1 xícara (chá) de arroz branco lavado e escorrido
2 xícaras (chá) de água 
2 xícaras (chá) de leite 
1 xícara de açúcar 
1 gema 
2 pauzinhos de canela
canela em pó para polvilhar

Modo de fazer

Leve ao fogo numa panela de fundo grosso o arroz cru e as duas xícaras de água. Deixe cozinhar até secar a água e então acrescente o leite misturado ao açúcar e os pauzinhos de canela para dar cheiro. Deixe cozinhar até que arroz esteja molinho, mexendo de vez em quando para não grudar no fundo. Quando estiver quase pronto, misture a gema mexendo sem parar para que ela se envolva na massa do arroz doce sem coagular.  Tire do fogo e distribua em copinhos ou taças individuais. Se preferir, coloque num refratário. Polvilhe canela em pó. 

Deixe esfriar  para servir porque o doce ficará mais encorpado. Se preferir servir quente, será uma sobremesa mais líquida. 


foto: casadacaubi.com.br
Há quem goste muito de arroz de cortar. Para conseguir fazer um doce de corte, deixe mais tempo no fogo, mas não descuide para que não queime o fundo da panela. 

O arroz doce é uma sobremesa que herdamos dos nossos colonizadores portugueses, que por sua vez devem tê-la herdado da culinária árabe. Lá em Portugal, é um doce muito comum nas casas e também nas padarias e quase sempre é feito com raspas de limão, água de flor de laranjeira e cravo da índia. 

Arroz doce da Turquia - foto wikipedia
O arroz que é originário da Ásia, mas já está incorporado em muitas culturas da Europa, da África e das Américas, na versão doce é uma sobremesa barata e muito versátil. Na Turquia, contou-me a Cristina, uma amiga que agora tem rodinhas nos pés e asas de avião e resolveu viajar mundo afora, o arroz doce é enriquecido com tâmaras, amêndoas, pistache e damascos. Por lá, eu pesquisei, eles usam algumas outras especiarias, além da canela. Com isso, o sabor deve mudar bastante. 

Já faz um tempo que eu costumo dar um upgrade no arroz doce juntando a ele frutas secas e castanhas e, para dar leveza, costumo acrescentar uma colher de creme de leite no doce pronto. Eu nem sabia que os turcos usavam as amêndoas também, mas é que combina mesmo. Fica sofisticado demais.

Aqui no Brasil, a gente adora leite condensado. Então há quem faça o arroz cozido no leite e em seguida acrescente o leite condensado. O que fica muito, muito bom! Mas bem doce, mais que o necessário, eu diria. 

Para iniciar o período das comidas juninas, essa é uma boa pedida. Assim como é a canjica e o bolo de fubá. 

Nos próximos dias, falamos mais disso. Se tiver uma receita bem boa de comida de festa junina, escreva nos comentários. Acho que a troca é uma grande oportunidade de aprendermos coisas novas. 

Até mais!