segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Resumo do Mês - Agosto de 2015

Último dia do mês e primeiro dia útil da semana, para quem não trabalha no domingo, é claro...
Assim vem o resumo dos posts e aquela chance de ver ou rever aquilo que foi publicado durante o mês todo. Um pequeno agrado aos que não tiveram tempo ou mesmo para quem teve aquela preguicinha de ler.  
Ainda dá tempo de saber tudo o que rolou sem ter que ficar fazendo busca e mais busca e mais busca, porque os links estão todos aí reunidos por assunto, tema ou semelhança. 

Agosto é sempre um período produtivo do ano. Mês longo, de volta de férias. A gente vem com vontade de trabalhar e dar um gás para chegar até o fim do ano plenamente. 


Hospitalidade

A grande novidade do mês foi o Lá em Casa pra jantar, um projeto de hospitalidade e gastronomia que deu conteúdo para vários posts como: 









e alguns específicos de Gastronomia e culinária:  

  • Salada de radiccio e queijo de cabra
  • Pão de ló de amêndoas

  • Sobre comida, neste mês, não faltaram dicas e receitas: 




    Salada foi até título da crônica de um dos Convidados Especiais de agosto:  

    Mário Sérgio Baggio

    Mário Sérgio Baggio nos presentou com A Salada Caesar, que foi ilustrada com a sua história e também a receita.  Já o jornalista Fernando Evangelista escreveu a crônica Um homem bom, publicada no Dias dos Pais.

    Houve receita e dica também na coluna sobre Hospitalidade & Gastronomia da revista Bem Mulher, com o artigo Cozinha sem preconceito. 




    Uma nova série para colecionar


    Inaugurando a série Cozinha em pílulas de conhecimento algumas curiosidades e informações sobre o eterno chef Carême, e posts que podem ser colecionados até que se forme um pequeno guia de informações técnicas sobre esse universo tão interessante que é a gastronomia. Foram publicados ainda: Roux Os nomes das frigideiras



    Chefs

    Na coluna Fast Food,   algumas dicas excepcionais. Entre elas, uma em especial sobre o livro Sabores de Inverno que nos levou ao chef entrevistado do mês Luciano Nardelli, do restaurante Carlos Pizzas

    Outra dica incrível foi o Frango de Cabo a Rabo, da chef Ana Franco.


    Já em sua fase final, o Masterchef foi assunto de um post exclusivo: Hoje é noite de Masterchef Brasil.

    Leia e compartilhe experiências neste e deste blog. Recomende para os amigos, compartilhe os posts no Linkedin, Facebook,  Twitter e no Pinterest. As fotos, no Instagram. 

    "Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos... " A primavera está chegando!



    Clau Gavioli

    sexta-feira, 28 de agosto de 2015

    Chef Luciano Nardelli e seus Sabores de Inverno

    Entrevista com chef


    Eu nunca o vi  pessoalmente, mas já provei do seu cardápio. 


    Ele foi uma descoberta que fiz quando buscava louças e peças bonitas para serem fotografadas quando faço os meus preparos. Tanto para o blog quanto para a revista. Por mais equipada que seja uma casa e uma cozinha, ninguém tem a cozinha do Panelinha. Só o Panelinha, que é um estúdio e tem uma equipe de produção buscando os melhores elementos para sair nas fotos. 

    Acessei o e-commerce Westwing, home and living, que tinha acabado de criar um e-book, o Sabores de Inverno pra quem gosta de receber os amigos e a família em casa. Além das dicas de decoração com propostas simples e absolutamente lindas para compor a mesa, havia receitas exclusivas criadas pelo chef Luciano Nardelli.  

    Pronto, me encantei! Pedi a entrevista e ele aceitou. 

    O chef Luciano Nardelli  cozinha desde garoto, segundo ele mesmo, desde os 16. É argentino, de Córdoba. Do seu país de origem, o Oviedo, famoso por seus peixes e frutos do mar, é um dos restaurantes que traz no currículo. Na Europa, bebeu de fontes italianas e espanholas. No Brasil, no grupo de Alex Atala esteve no D.O.M e assumiu tocar a reinauguração do Riviera Bar, na avenida Paulista. 

    Há pouquíssimo tempo, trocou de endereço. Foi pra Vila Madalena onde abriu junto com Carlos Verna, a Carlos Pizza.  

    Como no e-book, seguindo a filosofia de “poucos ingredientes e muito sabor”, ele foi sucinto nas respostas da entrevista, mas é uma honra publicá-lo no blog. 


    Entrevista com Luciano Nardelli




    O que indispensável ao se pensar um cardápio? Quais elementos não podem faltar? 
    Na hora de pensar no cardápio acho indispensável ter em conta o conceito do lugar.  Não pode faltar diversidade, tem que ter proteínas, vegetais de estação, frutas, etc. 


    O que dá àgua na boca? 
    Água na boca dá uma pizza na hora  que sai do forno!


    Em gastronomia, quando menos é mais? E vice-versa? 
    Em gastronomia e na vida, menos e mais e tudo com muita qualidade. 



    O que torna uma comida cara? 
    Produto difícil de achar e muito manipulado, às vezes, isso torna ele caro. 


    Por que você se tornou um cozinheiro? 
    Me tornei cozinheiro com 16 anos, sempre gostei de receber as pessoas em casa e cuidar delas. Aprendi com minha mãe e com programas de chefs na TV na época. Depois, morei na Europa procurando aprender mais. Para se tornar cozinheiro precisa de muita dedicação e paciência. É uma longa carreira. 

    ---

    Receita do e-book Sabores de Inverno do chef Luciano Nardelli. 

    Sopa de abóbora com mascarpone


    Serve 2 pessoas / Tempo médio 40min

    INGREDIENTES

    1 cebola cortada em cubos
    Foto: Lucas Fonseca e Nina Jacobi, www.flarefotografia.com.br
    200g de abóbora sem casca em cubos
    50g de manteiga
    1 copo de vinho branco
    3 copos de caldo de legumes
    2 colheres de mascarpone

    COMO PREPARAR

    Em uma panela dourar a cebola com a manteiga. Acrescentar a abóbora e cozinhar por 5 minutos. Juntar o vinho branco até evaporar. Juntar o caldo de legumes. Cozinhar por 30 minutos. Triturar com mixer. Servir em pratos fundos e acrescentar uma colherada de mascarpone para cada um.

    quinta-feira, 27 de agosto de 2015

    Franguinho com curry e gengibre (à indiana)

    Receita de Frango à Indiana 


    Ingredientes

    120 gramas de peito de frango sem pele e desossado em cubos
    1 colher (sopa) de óleo de milho
    1 colher (sopa) cebola picada em brunoise*
    1 dente de alho amassado
    1 colher de gengibre picado em brunoise
    3 colheres (sopa) de iogurte natural 
    1 colher (café) de curry
    sal a gosto.

    Modo de fazer

    Refogue o frango com o óleo, a cebola, o alho e o gengibre. Deixe dourar. Isso vai demorar uns 8 minutos, no mínimo. Misture o iogurte com o curry e despeje no frango. Salgue a gosto. Baixe o fogo e deixe reduzir por alguns minutos. Sirva em seguida. 

    -- 

    Para acompanhar esse franguinho uma boa combinação de grão de bico cozido temperado com hortelã e azeite e um cuscuz marroquino com castanhas e frutas secas picadas. Combina muito bem! 

    Preparei essa refeição pra mim agora há pouco. Entre começar e terminar o preparo, comer e lavar a louça (contando que o grão de bico estava previamente cozido e o frango descongelado) demorei uma hora e quinze minutos. Ah! Nesse tempo eu ainda fiz as fotos.  Não é tão difícil comer bem, é? 

    Ando pesquisando muita coisa sobre comida, por prazer e por dever do ofício. A cada dia, tenho mais certeza de que cozinhar é uma disposição, muito mais do que um conhecimento. É um ato experimental, empírico com o qual chegamos a resultados muitas vezes surpreendentes que mudam para sempre o nosso jeito de ver os alimentos. 

    Também provo a  cada dia que comer é mesmo cultural. Na nossa cultura temos a chance de ousar com ingredientes diversos. é a nossa miscigenação natural, somos um pouco italianos, portugueses, franceses, indianos, japoneses, árabes. Essa é a grande graça.

    Experimente essa ousadia. Só uma vez... depois me conte. 

    Um beijão, até amanhã com uma entrevista especial.  Entrevista de chef! 

    *brunoise - cubos de 3x3mm

    >> Conhece o Lá em casa pra jantar ?


    Leia também: 

    quarta-feira, 26 de agosto de 2015

    Mesa posta para a pessoa mais importante de todas


    - Ah! Eu não tenho tempo pra essas coisas... - você vai dizer. 


    Quanto tempo demora pra fazer um macarrão? Sim, aquele de massa Barilla, Galo, Renata, Massarini, desses industrializados? Pouco tempo. Entre 7 e 10 minutos para cozinhar a massa depois da fervura da água. 

    Mas, macarrão não é só massa. É molho também. Claro. Sem dúvida essa é uma parte importante do preparo. Só que quando a gente está sozinho em casa e resolve fazer "um cata" do que tem à disposição na geladeira ou na despensa, o que conta mais é a criatividade, até porque um macarrão puxado na manteiga é um macarrão temperado com molho de manteiga, assim como um alho e óleo. Em ambos, o tempo gasto para o preparo é menor do que o da cocção do massa seca em água fervente. 

    Somados os tempos encavalados porque uma parte se faz enquanto outra se está fazendo, para um belo prato de macarrão se tornar a sua refeição quando bate aquela fome, não serão necessários muitos mais do que 15 minutos. Tudo dependerá da sua destreza em organizar a atividade e, também, do que estiver disponível para cozinhar, digo, os ingredientes. 

    Mas a conversa de hoje tem a ver com a mesa posta. A mesa que arrumamos para a pessoa mais importante de todas: você! 

    Há quem devido ao fato de viver só nunca arrume a mesa com toalha, pratos e talheres bonitos, guardanapo, copo adequado para o que vai beber. Isso é loucura, gente! É preciso viver! E há um prazer tão grande em sentar calmamente diante da refeição para degustá-la com tranquilidade, sentido o sabor, a textura, o aroma, a harmonia dos elementos do preparo e sua combinação com a bebida que acompanha que não dá pra acreditar que tenha quem não se dê (ou não se tenha dado) esse regalo nunca! "Pode uma coisa dessas, Arnaldo?", já diria o tal Galvão Bueno.

    Eu não me furto desse prazer, porque ele é tão grande, que pra que comer uma comida requentada no microondas com o prato na mão na frente da TV, engolindo os bocados sem prestar atenção em nada? Ah! E ainda de sobra engordar por isso já que a mastigação faz parte da boa digestão que tem tudo a ver com os quilinhos a mais que adquirimos pela vida afora. 

    É bastante comum que não dê tempo de fazer nem isso em vários dias, eu concordo, mas nunca é muito tempo! 

    Então vamos começar por hoje. 

    Resolvi escrever sobre isso porque acabo de fazer uma refeição gloriosa cujo início se deu com um preguiça imensa de cozinhar o que quer que fosse. Então, macarrão é a solução. 

    Fui à despensa, que na minha casa nada mais é do que um armário na cozinha, encontrei a lata em que guardo macarrão quando o pacote já foi aberto e sobrou um tanto. Vi que tinha parafuso (fusilli). Tempo de cozimento previsto: sete minutos.  Não vacilei. 

    Pus a água para esquentar, logo em seguida um punhadinho de sal e assim que levantou fervura três punhados do meu de massa na água. Baixei o fogo para não transbordar a panela e sujar o fogão (a Maria veio ontem e deixou minha cozinha um brinco!). 

    Emquanto isso, cacei na geladeira uma calabresa acebolada que fiz pra Bruna, mas ela não comeu anteontem à noite. Estava em boas condições, refrigerada logo depois do preparo. Encontrei também um resto de caponata. Olhei para ambos e pensei que poderiam se juntar e virar o recheio (molho) do meu macarrão. 

    Acendi o fogo, pus uma panela para aquecer, despejei ali as linguiças calabresas em rodelas e as cebolas e quando já havia soltado um pouco da gordura concentrada, pus um gole de água e em seguida a caponata. Retemperei tudo com sal, pimenta, um pouco de mostarda. Tudo bem aquecido, olhei para  macarrão já estava quase no ponto, Assim que chegou no ideal, escorri a água e misturei o recheio. Ficou 10! 

    Ai, claro, pus a mesa pra mim! Jogo americano, talheres que eu gosto, bom guardanapo de papel branco (não daqueles que escorregam, deus-me-livre), uma taça de vinho de dia-a-dia. Abri um vinhozinho barato que estava na geladeira, mas que não faz feio para uma quarta-feira meio corrida... 





    Hummmm... Que mais? Não precisa mais. É bom demais! 

    Dificilmente faço pratos que levem linguiça calabresa, bacon, toucinho ou barriga. Não é porque eu não goste. Eu até curto o sabor e acho que alguns preparos ficam muito melhores com esses ingredientes. No entanto, quase sempre, requerem quantidade para o preparo minímo maior do que eu conseguiria consumir sozinha e o Silas não come nada disso. Ele não gosta. 

    Uma vez que são alimentos muito calóricos, também tento evitar, devo confessar. Mas, às vezes, eu tento agradar quem vai comer comigo. Neste caso, achei que a Bruna viria jantar, mas quando ela chegou já havia comido na rua. 

    Tudo se resume no entanto em cozinhar pra si, arrumar a mesa para si, desfrutar da vida por si. Isso é fundamental, ao menos pra mim. Não nascemos grudados em ninguém, nem somos ou deveríamos ser, por natureza, dependentes uns dos outros. Viver socialmente é uma delícia, um aprendizado constante, um exercício diário. Mas é preciso gostar de si mesmo antes de qualquer outra coisa. Para cuidar do outro é preciso estar equilibrado tanto para não se tornar dependente dessa condição como uma muleta ou um esconderijo para não se reconhecer com indivíduo pleno quanto para não interferir indevidamente na vida alheia com cobranças e julgamentos. Quem não conhece alguém que se dá por completo mas cobra do outro um preço tão alto que é impossível sanar a dívida? Isso não é cuidar, é carência, é solidão. 

    A mesa posta é um ato de carinho, de cuidado e de afeto. Por que não tê-lo consigo mesmo? Só os outros merecem? Pense. 

    Um brinde a você e ao tempo que dedica a si mesmo!

    Beijos, bom macarrão!

    terça-feira, 25 de agosto de 2015

    Pós-evento

    O pós-evento - Nos bastidores do Lá em casa pra jantar


    Como prometido, hoje vou direto ao pós-evento porque essa é uma etapa que, normalmente, os participantes e, muitas vezes até, os organizadores esquecem que existe, mas que é super importante. Para quem quer saber sobre como foi evento, ontem, contei um pouco e até publiquei a receita da salada. 

    Para quem acha que depois de servido o cafezinho num evento é só dar tchau e tudo acabou, não é bem assim que a coisa rola, não. Aos da organização, ainda há muito o que fazer, em especial se a sua intenção é ter continuidade no mesmo tipo de ação dali a um tempo. 

    Fora a louça a ser guardada, toalhas a serem lavadas e as mesas desmontadas, numa atividade como um jantar do Lá em casa, a observação atenta de cada item que compôs a trajetória do evento é relevante. 


    A memória da organização de um evento é importante porque por meio dela é possível prever o que será necessário numa próxima vez. Me lembro com carinho das meninas da área de logística de eventos da Amcham que, tão logo o evento terminava para o público, faziam uma pasta para arquivo contendo desde o briefing, modelo do crachá, notas fiscais, ordens de serviço até a avaliação do evento já fechada. Com isso, cada vez que um novo briefing chegava, caso houvesse similaridade, aquela pasta serviria para auxiliar e encurtar caminhos com fornecedores, modelos etc. 



    No Lá em casa pra jantar, eu não tenho tanta organização assim, nem é preciso. Mas, sabe aquela cena de novela, que no dia seguinte de uma estreia ou de uma festa de alguma socialite, logo de manhã, as personagens tomam café lendo o jornal e comentando o que repercutiu? Pois é, em tempos de mídias digitais é isso que ocorre também num evento pequeno e intimista como o de sábado. Só que é preciso trabalhar para haver divulgação porque não é novela! 

    Durante o evento, a Fabíola postou fotos no Facebook que já deram uma ideia para as pessoas que não estavam presentes de como foi. No entanto, no domingo, eu fiz uma seleção de fotos e postei no site, no blog, no Instagram, no Face...  

    Outros pontos importantes são os agradecimentos e os depoimentos de quem participou, o fechamento das contas e, claro, a rapa das sobras... o que é uma delícia: terrine de castanhas, bolo de amêndoa, queijos, ai... é tudo! 

    Tem também uma coisa que ninguém fala, mas é a ressaca do evento. Não a ressaca da bebedeira, mas a da intensa preparação de tantos dias que, tão logo o jogo ocorre, acaba! O que fazer com o vazio?  

    Quando se tem alguma experiência no assunto, já se sabe que tudo logo começa de novo. Além disso, ainda tem textos pra escrever, fotos para melhorar, ideias de parcerias para implementar, receitas desenvolvidas para registrar, e, principalmente,  anotações de melhorias para fazer, guardar e usar da próxima vez. 

    Quem me conhece sabe que eu, apesar de jornalista blogueira metida a cozinheira, sou "eventeira". Escrevo sobre o assunto porque acho apaixonante e para não perder a mão e organizar as ideias. Dia desses hei de publicar tudo isso de um jeito bem organizado, com direito a orelha, nota de rodapé e prefácio. Então é por isso que aproveito para ir treinando tudo isso por aqui. 

    Beijos carinhosos aos meus amados leitores, gostaria de vê-los um dia Lá em casa pra jantar. 

    Até mais!

    segunda-feira, 24 de agosto de 2015

    Salada (quente) de radiccio com queijo de cabra

    Como foi a estreia - Lá em casa pra jantar


    Fora a ansiedade imensa pouco antes da chegada dos participantes, aquele friozinho na barriga que nos acomete em todo evento, o sábado foi um dia muito produtivo e estimulante. 

    Logo de manhã, antes das sete (em dias de festa eu acordo antes das galinhas), eu já estava de pé na cozinha, organizando a sequência das ações planejadas para o dia. Tudo tinha que ser perfeito (ou quase) para que a estreia fosse, no mínimo, uma noite muito agradável para todos nós. 

    Numa situação como essa, tudo o que é possível prever e adiantar, é melhor que seja anotado e adiantado. No entanto, há coisas que não podem ser feitas antes. Por isso, eu precisava fazer os bolos de amêndoas que deveriam estar frescos e fofinhos à noite, por exemplo. 

    Feitas as fornadas do bolo, os embrulhei em papel alumínio para não ressecarem porque o dia estava muito, muito seco no sábado passado em São Paulo. 

    Aí foi a vez de ir comprar o pão italiano fresco para os crostinis e o radiccio da salada. Isso também não poderia ter sido feito antes sob pena de não estarem no ponto ideal para serem trabalhados e servidos. 

    Depois preparei o parmesão que seria usado na salada quente e assim que terminei, montei a mesa. A toalha, os guardanapos, louças e talheres já haviam sido decididos anteriormente.  

    Aí vieram as folhas da salada para serem higienizadas, a mise en place* de cada preparo e a preparação psicológica da equipe (rsrsrs). 

    Como andei escrevendo por aqui e no site do Lá em casa pra jantar, essa seria uma nova experiência pra mim e também, claro, para minha adorável (e "estabilizadora") equipe, formada pelo Silas (meu incrível companheiro) e a Bruna (a minha mais fiel escudeira), nessa primeira edição. 

    Uma vez que eu tinha pensado em tudo muitas vezes, na minha cabeça havia clareza do que deveria ser feito, mas não havia na deles. Por isso a comunicação é tão importante nessas horas. Uma equipe que se entende só no olhar é algo que se conquista com o tempo, mas ainda essa precisa de boas conversas para que tudo fique esclarecido e não haja confusões e atitudes contraditórias na hora H. 

    Como tudo era novo, eles tiveram que ter bastante paciência comigo porque muitas das perguntas que me fizeram (já que era eu quem estava movimentando o timão) não tinham resposta, apenas suposições. Por exemplo: e se todo mundo quiser repetir o prato?  Considerando que num restaurante para que a gente repita o prato é preciso pedir e aguardar e pagar por isso, eu poderia responder que isso é o que seria feito. No entanto, Lá em casa pra jantar não é restaurante.  Mas, o risoto (que estava previsto no menu) é servido assim que fica pronto, tendo a chance de ter o seu sabor e textura completamente modificados se ficar parado esfriando na panela.  Só que em casa, se a gente tem vontade de comer mais, isso não é tão relevante. Esse é só um exemplo das dúvidas que tínhamos antes da festa começar. 

    Outra delas era o vinho. Quanto se serve de vinho? E se as pessoas quiserem mais vinho? É possível que haja pessoas que queiram  beber muito e até ficar bêbadas. O que faríamos diante disso? Como não somos restaurante e nem adega, teríamos que resolver essa questão, embora eu tivesse comigo a certeza de que os que viriam aqui aproveitariam o tom e a medida do que lhes fosse servido.  

    Talvez isso se deva aos anos de experiência fazendo eventos. Talvez seja só feeling ou intuição mesmo... 

    Há uma mágica na organização e condução de um evento. O ritmo que é dado a ele tem muito a ver com como foi pensado e estruturado. Tudo tem solução sempre. Para isso valem os princípios da educação, gentileza, honestidade e firmeza para delimitar as possíveis "folgas" de alguns pra cima da gente. 

    Mas a experiência de sábado passado foi sensacional. Deu tudo certo!  

    As pessoas respeitaram o horário do serviço, houve um linda integração do grupo e todos conversaram animadamente, nossa equipe funcionou super bem, eu consegui até sair da cozinha e ir conversar com os "comensais" durante a refeição para sentir como tudo estava indo.  

    Depois de todo o serviço feito, quando já estávamos todos relaxados com as barriguinhas cheias, notei que havia me esquecido de uma das sobremesas. 

    Os queijos que eu havia programado no menu não foram servidos. Com toda honestidade, disse às pessoas que me perdoassem e fui providenciar. Então, mais uma rodada de boa conversa ocorreu. Na minha avaliação, foi até legal. Confesso que isso não me estressou. 

    Tudo foi feito com tanto amor, tanta dedicação que o erro, a meu ver, ficou perdoado. 

    A sequência dos serviços foi a seguinte: em pratos de sobremesa, foram servidos individualmente três crostinis para cada pessoa. Depois veio a salada quente de radiccio (que dá título a esse post e tem receita pra quem quiser fazer em casa). Terminada a salada, o menu previa três risotos, um de hortelã com brie, um de peras com queijo de cabra e castanhas e  um bem brasileiro, de carne seca com abóbora. Todos foram servidos no mesmo prato para que pudessem ser comparados. 





    Na sobremesa, os queijos! e uma terrine de chocolate com castanhas e tâmaras e um bolo de amêndoas com coulis de morangos. 

    Os vinhos só foram trocados da refeição para a sobremesa, quando o chardonnay australiano foi substituído por um vinho de colheita tardia chileno, para acompanhar e contrastar com os queijos e o doce. 

    Para fechar, café e os comentários dos participantes. Uhuuu! 

    Foi tudo de bom. Amanhã, quero falar sobre o pós-evento, uma etapa pra lá de importante pra quem é do ramo. 

    Espero ter conseguido agradar a quem veio porque a minha intenção era encantar. 

    Da próxima, conto com você. Que tal vir com um amigo que faz tempo que você não vê e quer conversar animadamente? Eu vou amar conhecer gente nova. 

    Ah! A salada de radiccio...

    Salada quente de radiccio

    Ingredientes

    Para cada porção, considere: 
    1 folha grande ou 2 pequenas de radiccio
    20 gramas de queijo parmesão ralado (grelhado até ficar em ponto de bolacha)
    1/3 de colher (sopa) de queijo de cabra curado ralado 
    1/3 de colher (sopa) de ricota fresca sem sal
    1/3 de colher (sopa) de queijo meia cura mineiro
    azeite quente
    sal e pimenta do reino

    Modo de fazer

    Na saladeira individual, coloque no fundo a folha do radiccio e o queijo parmesão quebrado em pedaços. Em outra vasilha, misture e tempere ao seu gosto os demais ingredientes (exceto o azeite). Distribua essa "farofa" sobre as folhas de radiccio. Aqueça o óleo até antes de soltar fumaça e despeje sobre a salada. Sirva imediatamente. 



    Fica uma delícia, ninguém acredita que é tão simples! 

    Beijos e até amanhã. 


    *mise en place - Leia posts relacionados: 





    quarta-feira, 19 de agosto de 2015

    Pão de ló de amêndoas

    Nos bastidores do Lá em casa pra jantar  - parte 2 ou 3... 4 sei lá! 


    O período que antecede um evento é sempre uma correria, por mais organizada que seja a pessoa ou a equipe que o executa. Além da expectativa e da ansiedade que precisam ser domadas, mesmo que o evento seja pequeno, há muitos detalhes a serem executados. Para quem gosta dessa arte, é uma delícia lidar com tudo isso. 

    Nessas de inventar um jeito de chamar pessoas para ir Lá em casa pra jantar, muitas tarefas precisam ser cumpridas. Uma delas são os testes das preparações. 

    Ontem foi o dia de testar a massa do pão de ló de amêndoas. Deu certo, embora a massa seja um pouco seca para o meu paladar. Mas, certamente, como diz a minha amiga Meire Capobianco, um bolo seco bom é um bom bolo. "Se você não gosta de bolo seco é porque não comeu o bolo que foi feito para ser seco", diz ela. E eu admito, tenho que concordar. 

    O que me encantou nesse pão de ló foi o modo de fazer, que é diferente do que estou acostumada. Vamos a ele. 

    Pão de ló de amêndoas


    Ingredientes

    3 ovos 
    90 gramas de açúcar
    90 gramas de farinha de trigo
    30 gramas de farinha de amêndoas









    Modo de fazer

    Numa panela pequena, coloque os ovos e o açúcar. Leve ao fogo, mexendo sempre para misturar bem os ingredientes até que atinja uma temperatura de cerca de 35 a 40 graus (a que é suportável por o dedo sem queimar). 
    Retire do fogo e despeje esse conteúdo numa tigela, que pode ser a da batedeira. Com o batedor da batedeira em rotação média para alta bata até que essa massa atinja ponto de letra (quando a mistura ficou bem clara e é praticamente possível escrever nela com o batedor sujo de massa). 
    Aos poucos junte as farinhas, ambas peneiradas. Faça isso em três etapas e apenas misture a massa fazendo movimentos do fundo da vasilha para a superfície, com o objetivo de aerá-la. É importante não bater, só misturar. 
    Leve ao forno pré-aquecido a 170 graus em forma de fundo ou lateral removível untada com manteiga por exatos 25 minutos. 

    Esse bolo não leva fermento, O que faz a massa crescer é o processo de executá-la, isto é, ao bater o açúcar levemente aquecido com os ovos ocorre a aeração necessária para o bolo ficar fofinho. Outro ponto importante é a farinha ser peneirada, o que também a torna mais aerada. 

    Aplicações do pão de ló de amêndoas

    Serve como base para o preparo de bem-casados, para ser recheado com geleias, doces em compota, caldas de chocolate ou café. Pode também ser servido sozinho, apenas com açúcar de confeiteiro polvilhado. Para acompanhar um chá, um café ou um capuccino. 

    Momento fotos




    Venho aprendendo com o blog que quase todo mundo gosta muito de ver fotos, mais que ler, eu diria. No entanto, eu nunca fui muito boa em técnicas fotográficas e nem tive grande interesse por essa arte além de ser uma admiradora contumaz. 

    Em tempos de novos projetos, novos aprendizados. Estou treinando para melhorar minha técnica ao fotografar comida. Ando estudando um pouco sobre o uso do equipamento e tenho treinado meu olhar e, principalmente, minha paciência para conseguir bons cliques. 

    Na era digital, testar ficou mais fácil porque não é preciso usar filme e fazer revelação em laboratório. Mas a meticulosa atenção para conseguir a foto correta ainda é o grande diferencial de um bom fotógrafo. Eu sou só amadora, nem me atrevo a outra coisa. 





    Espero que a foto do bolo dê água na boca. Se não der, só acredite em mim: ficou bom pra caramba! 

    Amanhã tem mais! Beijos e até lá. 



    terça-feira, 18 de agosto de 2015

    Frango de cabo a rabo


    De vez em quando surge alguma coisa tão legal e criativa no mundo dos mortais que é até pecado ficar sem falar sobre aquilo. Ainda mais em tempos de tanta gente desfiando o rosário da reclamação a troco de nada. 

    Eu que ando pra lá de cansada dessa conversa mole de "tira presidenta eleita porque ela é mulher e eu não gosto da cara dela", continuo a minha toada de escrever boas palavras, de preferência as estimulantes e de bom tom. 

    Claro que não vou perder a chance de contar então para vocês o que vem preparando a queridíssima chef  Ana Paula Franco, da Cozinha de Ideias. 

    Ah! Não conhece a  Cozinha de Ideias? Boa chance de conhecer... Depois me conte o que achou. 

    A Ana é tão eloquente e escreve tão bem que, como eu sei que não faria melhor, deixo que ela mesma conte a novidade. Pra quem quer aprender de verdade, eis uma boiada, digo, um frango! 


    Frango de Cabo a Rabo

    Por Ana Franco 



    Nem preciso dizer o quanto um frango orgânico é melhor pra você e para sua saúde do que um frango de granja industrial, né?
    O principal argumento das pessoas para não consumirem orgânicos é o preço, às vezes o dobro do produto convencional.
    Por isso criei essa aula. Obviamente um frango inteiro custa menos que se for comprado em partes. Mas além de economizar comprando o frango inteiro, na aula você vai aprender a usá-lo integralmente, sem desperdícios, fazendo valer ainda mais seu suado dindin ;)
    Mas não é só o vil metal que interessa aqui. Quando você compra um animal de criação orgânica e consome todas as partes dele, você está contribuindo para a sustentabilidade do Meio Ambiente, para o empoderamento do pequeno produtor e para o fomento de uma economia mais justa.

    Comer é um ato político! 
    Você também vai aprender 8 técnicas. E isso é muito mais importante e valioso do que aprender receitas porque dá liberdade para criar e substituir ingredientes.
    E tudo na minha cozinha linda (ok, sou suspeita) na companhia de gente bacana!
    Vem, gente!
    Inscrições: www.sympla.com.br/cozinhadeideias


    Serviço

    Curso: Frango de Cabo a Rabo (vagas limitadas)
    Quando: 29/agosto/2015, sábado - às 14h -  Duração: 4 horas
    Preço: R$ 195,00  
    Local: Bairro Higienópolis - São Paulo 


    >> Leia também post de Ana Franco: Por que Ferran Adriá matou Bernard Loiseau?

    >> Que tal ir  Lá em casa pra jantar?

    segunda-feira, 17 de agosto de 2015

    Roux

    Série: A cozinha em pílulas de conhecimento


    Roux (pronuncia-se rú) - é um dos agentes espessantes (para engrossar, encorpar) usados na culinária. Feito de uma combinação em proporções iguais de um amido e uma gordura, por exemplo, farinha de trigo e manteiga clarificada.  

    A mistura do roux é feita fora do fogo. No entanto, para atingir a cor desejada a mistura é aquecida. 

    O roux pode ser claro (branco e amarelo) e escuro (marrom e negro). Para conseguir as tonalidades e a variação de sabor de acordo com a cor o que muda é somente o tempo de cozimento. 





    Branco - cerca de 3 minutos
    Amarelo - procedimento do roux branco mais 2 minutos
    Marrom - mais tempo de fogo  que o amarelo até que exale odor de amêndoas 
    Negro - ainda mais tempo no fogo, quase à beira de queimar (aroma acre, não deve soltar fumaça).

    Como agente espessante que é, o roux é normalmente usado numa combinação com líquidos. A técnica correta de uso é sempre baseada na temperatura: para roux frio, líquido quente. Para roux quente, líquido frio. Sempre mexendo para evitar a formação de grumos. Esse preparo deve ficar no fogo ao menos 20 minutos para que suma todo o sabor da farinha. 

      

    LÁ EM CASA PRA JANTAR - Confirme até QUARTA, 19/08...

    LÁ EM CASA PRA JANTAR - Confirme até QUARTA, 19/08...: Oi, pessoal!  Segundona cheia de atividades! Delícia demais. Coração batendo acelerado e a cabeça a milhão!  Só para ninguém correr o ri...

    sexta-feira, 14 de agosto de 2015

    Nos bastidores do Lá em casa pra jantar

    Parece conversa de comadre na cozinha, mas é assim que eu gosto.

    Eu digo: 
    - Tô com aquele frio na barriga que a gente sente diante de um novo desafio.  Isso sempre acontece comigo. 
    E a resposta é: 
    -  Pra quem me vê de fora, você pode parecer um poço de segurança. 
    - Isso é só o marketing que a gente faz de si mesmo... (rsrs... riso nervoso). Tem horas que eu travo. 
    - Não parece... e a ideia é tão legal... 
    - É isso mesmo! Mãos na massa! Vou encarar a novidade! Vai ser uma grande experiência! 



     Inventei a tal história do Lá em casa pra jantar e o evento está marcado para sábado que vem, dia 22/08.  A aceitação foi ótima! Recebi inúmeros comentários de amigos e seguidores do blog, o que é maravilhoso. Até as amigas Ale e Aline do A dica é... deram uma nota no blog delas. Um incentivo e tanto para quem começa uma nova empreitada. 

    Agora é pagar pra ver e trabalhar duro para acertar. Contar com os amigos e incentivadores é bom demais nessas horas. Estou na maior empolgação, mas morrendo de medo que a coisa não seja perfeita, que as pessoas desistam de vir na última hora...  É um misto de alegria e comedimento que sempre existe, acho até que é comum ou normal. 

    Mas só pra compartilhar, em que pé a coisa está?  

    O menu foi definido e eu ando trabalhando um bocado para que a coisa dê certo. Isso implica em diversos contatos, muitos textos para explicar o que é, muita pesquisa e um esforço para testar os pratos e providenciar a infra de panelas, louças, talheres, mesa, toalhas, flores e tudo mais. Ah! Os ingredientes, claro! 

    Durante essa próxima semana, vou tentar contar por aqui o que venho sentindo e fazendo. Quem sabe, consigo tirar umas fotos e fazer uma espécie de making off. Parece divertido? 

    Mas, por enquanto, apresento o menu previsto para sábado, 22/08.  Para os que já confirmaram, não houve mudanças, podem sossegar! 


    Lá em casa pra jantar - Menu - 22/08, sábado


    Entrada:
    • Crostinis e bruschettas
      - com patê de fígado de galinha com maçã
      - caponata
    Pratos principais:  3 Risotos 
    • hortelã e brie
    • peras com castanhas
    • abóbora com carne seca
    Opção para acompanhar: Salada quente de radicchio e queijo de cabra

    Sobremesas:
    • Bolo de amêndoa com coulis de fruta da estação
    • Terrina de chocolate e castanhas
    Para beber: Vinho e água 

    Por que risotos? Por que são deliciosos quando bem harmonizados. Oferecem uma sensação de conforto com charme e elegância.  São itens delicados da cozinha que quando bem executados dão um sabor de quero mais.


    Sobre o vinho: 

    Se você quiser trazer a sua garrafa, basta avisar por email. Faço a recomendação do que melhor combina e ofereço sugestões de onde comprar com valores mais acessíveis e a temperatura ideal para que seja servido, ou seja, como o vinho deve chegar Lá em Casa pra Jantar.

    Valor do jantar: R$ 90,00 (jantar completo) e R$ 70,00 (sem vinho). 



    Crianças pagam R$ 50,00 

    Para fazer sua reserva, envie e-mail para laemcasaprajantar@gmail.com   Enviarei os dados para depósito e as informações de como chegar.  As vagas são limitadas porque a casa é grande, mas nem tanto...  As reservas só se comfirmam mediante o depósito. 

    É isso aí, Vem ver como é! 

    Beijos e até. 

    Clau Gavioli