sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Minha semana do vinho


"O grau de civilização de um povo é proporcional à qualidade 

e à quantidade dos vinhos que consome"


Essa foi uma semana incrível, de muitos novos aprendizados, de experimentações. Degustações.  

Começou na segunda-feira com o post sobre a pontuação dos vinhos publicado na parceria do Blog da Gavioli com o Clube dos Vinhos Vinitude. 

Em seguida, veio o Seminário Vinho Verde na Livraria Cultura - um passeio imaginário pela região mais verde de Portugal. Morri de saudade da terrinha. Amo aquele lugar. 

Graças ao seminário, veio parar nas minhas mãos uma edição especial da revista Adega que está completando 10 anos. 

Como não podia deixar de ser, a comemoração de aniversário foi muito planejada e trouxe, entre outras boas matérias, uma que sugere 10 viagens imperdíveis por regiões vitivinícolas do mundo todo. Um sonho! Conheço algumas delas e quero ir para todas as outras. A propósito, senti falta de uma 11a. região que a mim, me parece, deveria ter sido incluída.  O Chile, com seus vinhedos é um lugar imperdível para quem ama vinhos. Poderia ter sido escolhido o Vale do Maipu, por exemplo, ou o do Colchagua. Seriam duas páginas a mais de alegria e desejo de viajar. 

Isso tudo talvez tenha me levado a retomar textos há tempos selecionados e parados sobre a escrivaninha, livros que estavam por perto mas eu, preguiçosa, não me entregava à leitura. Revistas também. Tudo sobre vinho, harmonização, terroirs, viagens, vitivinícolas, castas etc.  Retomei. Que bom! 

Aí, fui pra faculdade, entrei na biblioteca, que é o meu hábito semanal, e lá achei duas pérolas para ler: "Um cientista na cozinha" de Hervé This, e Os Segredos do Vinho - Para iniciantes e iniciados, do autor José Osvaldo Albano do Amarante. Estou devorando os dois. Cada um num momento mais adequado que outro. Gosto de ler sobre vinhos antes de dormir porque minha imaginação vai longe e chego a sonhar com o que leio. Um deleite. 

Não bastasse, ontem foi, pra mim,  dia de Mesa SP. Desde terça, 27, até 29/10, na ETEC Santa Ifigênia, em São Paulo, o evento reuniu muitos profissionais e estudantes para trocar experiências em ambiente bem descontraído (e até um tanto confuso - parecia ter mais staff e convidados do que participantes) que se encontraram em palestras sobre gastronomia e degustações, bem como nos estandes e nas cozinhas-laboratórios. 




Eu que estive na Semana Mesa SP nesta quinta-feira, já lá pelo fim das atividades, tive ainda chance de escolher duas degustações de vinhos aqui da América do Sul. A primeira era sobre Vinhos do Novo Mundo e a outra sobre A descoberta do carmenère no Chile. 

Devo confessar que tive a chance de provar um vinho 91 pontos da vinícola Carmem, um assemblage 95% cabernet sauvignon e 5% carmenère. 

Foi "absolutamente i-nes-que-cí-vel!". 

Vou descrever essa degustação numa outra hora. Estou trabalhando nesse texto ainda. 

Sempre vinha me perguntando o quanto seria diferente um vinho comparado a outro por pontuação de sommeliers e enófilos. Fiquei extasiada com o que provei. Muito diferente, muito especial. Sensacional. 

De repente, é isso, vem uma semana assim tão especial. Cheia de sabores, paladares, aromas, memórias gustativas... Algo que só mesmo o líquido produzido para ver Deus poderia proporcionar: o vinho! 

De uma das leituras da semana, uma frase a mim muito chamou atenção e por isso a reproduzo: "o grau de civilização de um povo é proporcional à qualidade e à quantidade dos vinhos que consome",  do poeta Babrius. 

Ao que isso indica, parece que nós brasileiros somos bem pouco civilizados. O consumo per capita de vinho no Brasil  é de 2 litros/ano.  No Chile, são cerca de 12 litros/ano e na Argentina, 24 litros/ano per capita. 

Culpa minha não é porque faço a minha parte, pode acreditar. Você tem feito a sua? rsrs  

Como sempre diz meu sogro querido, Sr. Raphael, e eu acho muita graça: "la acqua fa male, il vino fa cantare". Eu vos convoco, conterrâneos: "entoemos, diariamente, um hino ao deus Bacco!" Por que não? 

Mas a semana ainda não acabou.... 
Busto di Bacco, de Michelângelo


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Ricota, sua linda!

Ricota é aquele curingão que sempre tenho na geladeira. Na falta de qualquer outra proteína, lá vai ela para a salada, por exemplo, e é uma grande estrela porque pode brilhar sem matar a alma de nenhum dos outros ingredientes. 


Em geral, ricota é aquele queijo que não tem gosto de nada, que não agride nenhum prato, mas que serve para dar volume, aumentando a receita e dando corpo e estrutura para diversas preparações. Além disso é fácil de achar porque está presente nas áreas frias de qualquer mercadinho e também dos grandes mercados. Ah, e custa barato. 

A ricota é um derivado do leite, ou melhor, do soro do leite. Tem massa mole e baixo teor de gordura. Em média, na versão integral para cada 100 gramas, 13 são de gordura e 3 gramas de carboidratos. Embora seja um queijo magro, existe também em versão light. 

Normalmente eu prefiro comprar a versão sem sal para evitar que o controle total do sódio que vamos consumir aqui em casa seja do produtor. Mas também porque há inúmeros preparos cujo sal é totalmente dispensável, por exemplo, para receitas de cheese cake

Eu uso ricota na salada, no preparo de terrines, de bolos salgados e doces e, indiscutivelmente, ela entra em muitas, muitas das minhas receitas de patês e antepastos. 


Ontem, eu queria algo diferente pra comer à noite acompanhando um caldo de feijão branco que havia feito com uma sobra de uma receita do dia anterior em que o feijão já estava temperado e antes tinha sido descongelado. Não poderia, portanto, ir novamente ao congelador.  Foi então que olhei para aquela ricotinha e pensei em algo saboroso  mas bem leve para por no pão. 

Não deu outra. Virou um belo patê de alcaparras que a receita compartilho agora. 



Patê de alcaparras


Ingredientes 

100 gramas de ricota fresca
2 colheres de salsa picada 
1 colher (sopa) de alcaparras em conserva
2 colheres (sopa) de azeite extravirgem
sal e pimenta do reino a gosto


Modo de fazer

Numa tigela, esfarele a ricota sem amassar e acrescente a salsa picadinha.  Na tábua de corte, pique as alcaparras bem muidinhas e depois macere-as até que fiquem praticamente uma pasta, Junte à ricota e a salsinha na tigela. Tempere com o azeite, sal e pimenta. Misture bem, de preferência com as pontas dos dedos para não juntar demais os ingredientes. 
Deixe descansar por 5 minutos. 
Sirva em seguida para passar no pão ou na torrada. 


Dicas: 

Como a ricota não tem sal, a alcaparra em conserva funciona bem. No entanto, misturar a ricota a qualquer tipo de ervas pode render um bom patê. Tudo vai depender do tempero usado. Experimente misturar tomilho, manjericão ou orégano à ricota, mais sal e azeite. Fica ótimo!

Se gostar de um massa mais consistente e adensada, uma pequena colher de maionese ou creme de leite darão liga perfeitamente à ricota. 

Azeitonas maceradas, tomate seco, cenoura ou beterraba cozinhas e amassadas, tudo isso combina bem com ricota.  O lance é criar. 

Se quiser algo com toque adocicado, damascos secos picadinhos, uvas passas e várias berries farão presença junto da ricota. Além do que ela fica ótima com mel e tahine. Já experimentou? 

Para fazer patê de gorgonzola ou outro queijo azul, a ricota é uma grande aliada. Se quiser misturar vários queijos forte e processar juntamente com a ricota fica um ótimo recheio. 

Não deixe de comprar ricota na próxima vez que fizer compras. E usar, claro! Na geladeira, bem guardada dura até mais de um mês. É tudo de bom! 

Ainda virão outras receitas com ricota por aí. 

Amanhã é sexta e vem fim de semana prolongado por aí. Boa!!! Até amanhã! 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Pontuação de vinhos: saiba o que é e como funciona


Participação Especial - Parceria do Clube dos Vinhos 



Com diferentes produções de vinho em todo o mundo e os diferentes tipos de vinho, pode ser difícil identificar quais são os melhores e quais devem ser evitados. Pensando nisso foi criada a  pontuação de vinhos, que é um sistema bastante eficiente.


O que é a pontuação de vinhos?


A pontuação de vinhos é um sistema que ajuda a identificar a qualidade de um rótulo mediante a avaliação de características técnicas. Os pontos são dados por degustadores que avaliam características como gosto, sabor e aparência e que preenchem uma ficha de acordo com diferentes características técnicas. 
Quanto mais alta for a pontuação de um vinho, significa que maior é a sua qualidade e melhor é a sua procedência.


Por que a pontuação de vinhos foi criada?


Com a globalização, vinhos de diferentes rótulos e cortes passaram a ser produzidos em todo o mundo, inclusive fora de suas regiões de origem. Sem o sistema de pontuação de vinhos seria impossível – ou bem mais difícil – saber se um vinho possui ou não qualidade.


Pontuação de vinhos é um sistema global


Uma das grandes vantagens da pontuação de vinhos é que ele é um sistema global e que é feito de maneira idêntica em todo o mundo. Como existe um padrão, há a garantia de que todos os vinhos pontuados passaram pela mesma avaliação e que foram avaliados sob o mesmo critério.
Isso garante uma confiabilidade muito maior para os resultados porque um vinho pontuado no Chile certamente passou pelo mesmo processo que um vinho pontuado na França. Sem a necessidade de conversões ou dúvidas fica muito mais fácil conhecer a qualidade de um vinho onde que você esteja ou de onde quer que ele venha.


Obrigatoriedades da pontuação de vinhos




Como é um sistema global, consagrado e confiável, a pontuação de vinhos possui algumas obrigatoriedades para a sua realização. A realização criteriosa da avaliação permite que o sistema seja confiável e, com isso, as principais obrigatoriedades são:


Avaliadores precisam ter credibilidade


O ponto fundamental é que os avaliadores tenham credibilidade para avaliar os vinhos de maneira idônea, técnica e precisa. Assim, os avaliadores não podem estar a serviço de produtores ou lojistas, mas também não podem ser amadores na arte de degustação de vinhos.


Avaliação é feita às cegas

Outra necessidade para que a avaliação seja confiável é que ela precisa ser feita às cegas, ou seja, os avaliadores não podem saber de qual vinho se trata. Isso permite que os avaliadores levem em consideração apenas as características importantes de cada vinho, sem se deixar influenciar pelo peso do nome do produtor, por exemplo.


As fichas devem ser padronizadas

As fichas de avaliação técnica dos vinhos devem ser padronizadas e ser utilizadas concomitantemente à avaliação. Isso permite que se tenha uma metodologia unificada na avaliação de vinhos, garantindo a equivalência entre as notas.

A pontuação de vinhos serve para qualificar diferentes vinhos e lançar uma luz sobre sua qualidade. Com isso, a pontuação pode fazer com que vinhos se tornem mis conhecidos e que ganhem prestígio, além de permitir ao consumidor saber a qualidade do que está ingerindo.

Quer saber mais detalhes? Veja o post Pontuação do Vinho: por que e pra que? Do Clube dos Vinhos!

Sobre a autoria do texto: 
Clube dos Vinhos -  Você se associa e tem vantagens especiais. Uma delas é receber todos os meses uma seleção de garrafas de vinhos escolhidos por quem entende do assunto. Para quem é apaixonado por vinho, a cada mês uma boa surpresa. Para quem está aprendendo, uma grande oportunidade de fazê-lo a partir da melhor degustação. 

Serviço: 
Vinitude - Clube dos Vinhos - www.clubedosvinhos.com.br
Telefones: em São Paulo, 11 3522-8085 / no Rio de Janeiro,  21 2235 3968.


>>> Leia também posts relacionados: 

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Dia especial

Ontem foi um dia muito especial. 

Antes de tudo porque é a data do nascimento da minha mãe. Só isso já bastaria. Tê-la por perto com saúde, realizando coisas (ela agora está reformando a casa), estudando, participando da comunidade, enfim, com olhar para a vida, é a maior benção que alguém pode ter na vida. Minha mãe, a dona Neuza,  foi registrada no dia 26. Então ela comemora o aniversário no dia 26, mas nasceu no dia 20.  Minha avó a presenteava no dia 20! 



Outro motivo é que já era noite e eu estava na aula, soube pela querida Socorro Pereira, uma pessoa super especial que sempre cuidou de mim me deixando mais bonita, que era o Dia do Chef de Cozinha Internacional. Ela me mandou os parabéns, pode? Eu não sou chef internacional, mas me senti... Obrigada, Socorrinha! 








To mais que enrolando pra contar o que muita gente já sabe e já leu. Ontem, 20/10, na edição número 695 da revista Malu  saiu uma página inteira com fotos e tudo sobre o Lá em casa para jantar. Que satisfação! Fiquei muito contente mesmo. Obrigada, à Gisele Peralta, editora da Malu. Adorei! 




Mas erra quem pensa que acabou.  

No meio da tarde, fomos Patricia Rodrigues Souza, a chef de cozinha e especialista em gastronomia que escreveu o livro A religião vai à mesa, e eu, gravar o programa Abrace uma carreira, recém-estreado e  apresentado pela Miriam Ramos, na Rádio USP FM. 

O Abrace uma carreira estreou na semana passada no dia do professor, 15 de outubro, tratando dessa carreira, a de ensinar, de se dedicar ao outro por meio da educação. Na estreia, o atual reitor da USP, Marco Antonio Zago falou sobre a sua carreira como professor e a importância desse profissional para todas as demais profissões. O programa vai ao ar às quintas-feiras, às 13 horas, pela rádio USP. Com reprise no domingo à tarde. 

O nosso programa gravado ontem é sobre a carreira de chef de cozinha. Estávamos a Patricia, eu e, por telefone, Janaína Rueda, do restaurante Dona Onça e agora também da Casa do Porco,  falando dos desafios, alegrias e expectativas dessa profissão. Está previsto para ir  ao ar no dia 17 de dezembro. 

Não bastasse tudo isso, foi um dia especial porque continuamos vivos. Prontos para prosseguir em busca do que acreditamos como bom, justo e necessário. Sejamos felizes, ora, poissss! 

Grande abraço. Até amanhã. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Sobre ser feliz ou não


Há quem diga que é ousadia, coragem, valentia, mas, às vezes, é só falta de opção mesmo. Você tem que seguir aquele caminho e pronto. É o instinto que guia seus passos para uma direção que é a de tentar ser mais feliz. 

Nos últimos dias, tenho recebido críticas elogiosas sobre o Lá em casa pra jantar, que é um projeto de gastronomia e hospitalidade que criei este ano e já está caminhando para a quarta edição. 

No sábado, uma das participantes, a Patricia, que conheci em tempos já de não-Secretaria, mas de Secretaria, sei lá, em determinada hora, à mesa, me perguntou: 

- Saudades do velho emprego, você não tem nenhuma, né?  

Ao que respondi prontamente: Do salário. 

Esse breve trecho de conversa ficou na minha cabeça e, talvez, devido também aos comentários que venho lendo sobre as postagens de fotos do Lá em casa nos últimos dois dias, eu tenha querido tocar nesse assunto: a busca da felicidade. 

Em julho deste ano, tive o prazer de conhecer um casalzinho muito descolado o Fred e a Karin, ambos jovens jornalistas em busca de um apartamento para alugar. Nosso contato foi efêmero porque acabou não dando certo eles irem morar no meu apartamento,  mas foi suficiente para que eu pesquisasse um pouco sobre aquelas duas pessoas tão interessantes que bateram à minha porta naquele dia.  

Acabei descobrindo que o Fred Di Giacomo é um cara conhecido na mídia porque ele e a Karin investigam o que é felicidade. No Glück Project, o blog do Fred, dá para entender um pouco mais sobre como eles fazem isso. Foco, desfoco, reflexões, viagens, enfim, jeitos diferentes do meu de pesquisar a tal felicidade. 

Durante muitos anos e ainda até a agora, vira e mexe, eu me vejo buscando ser feliz dentro do modelo que a sociedade da minha geração tinha e que, ao que parece, vem mudando ou já mudou por força das circunstâncias há algum tempo. 

Funciona assim, mais ou menos. Se você pôde estudar, teve essa chance e seus pais muito se esforçaram para que você tivesse formação universitária, é seu papel acordar cedo, se vestir com roupas elegantes, perfumar-se e sair para o trabalho numa firma, repartição pública, agência, redação ou escritório onde, quase sempre, ficará sentado numa cadeira em frente ao computador resolvendo problemas que não deveriam ser seus, mas que são o motor da empregabilidade no país. É sua obrigação social ter um emprego que lhe dê um salário, do contrário, você é um pária social.  

Mesmo que não o tratem assim, é assim que você se sente. Em especial porque o "culto à crise" está tão disseminado que não ter remuneração fixa é achar que você vai passar fome já no dia seguinte. Como se a crise não fosse muito mais de consumo do que de fome. Afinal, ninguém morre de fome caso não compre um celular novo a cada modelo lançado. 

Aí, você para para refletir e traçar uma linha entre o passado e o futuro, sendo que no presente você não tem mais a condição exposta acima (de ter trabalho fixo e blablablá) e nota que não foi assim com toda a geração dos seus pais, nem com a do seus avós e não está sendo com a dos seus filhos (o Fred e a Karin são a geração dos meus filhos, mesmo que eu não os tenha). 

De repente você saca que aquilo que sufoca e desanima nalguns dias é a mera comparação que você faz de si com os outros e nada tem a ver com ser feliz. Pelo simples fato de que a felicidade é de cada um e não é um emprego, um salário ou até mesmo o seu estado de saúde que te fazem feliz. Tem gente doente, muito doente, que é feliz, apesar da dor e, muitas vezes, da falta de perspectiva. 

A ideia de começar a receber pessoas para jantar na minha casa de um jeito mais profissional, preparando o ambiente, estudando cardápios e menus, harmonizando bebidas, organizando tudo com antecedência e cuidando de cada detalhe do que será feito tem a ver com o meu processo de encontrar um lugar, de encontrar felicidade no trabalho. 

Eu amo escrever, tenho orgulho, de verdade, de lidar com as palavras, conseguir me expressar com veemência, me alegro com o meu vocabulário, com o jogo das expressões, com a criação de imagens por meio de palavras. Eu gosto de descrever sentimentos, de contar causos. Só que dei muito murro em ponta de faca e lutei mais que o necessário para ter um lugar no meio dos jornalistas. Um dia descobri que podia ser diferente. E tenho tentado isso com afinco. 

De vez em quando rola uma tristeza porque não faço parte, ou penso que não faço. Mas e daí? O que isso significa afinal? 

Tenho tido grandes prazeres cozinhando, escrevendo, organizando e recebendo gente. Dá um trabalho dos diabos, pode acreditar. Mas é de Deus a recompensa.  Sou capaz de ficar horas e horas pesquisando um vinho, por exemplo, e nem ver o tempo passar, mesmo que eu não vá comprá-lo porque não tenho mais aquele salário...  

Comecei o texto de hoje com a intenção de contar como foi no sábado Lá em casa pra jantar. Derivei. Que bom! Posso fugir da pauta se eu quiser. Posso publicar também, sem crise existencial. Nem sempre foi assim, acho que nem preciso explicar porquê. 

Hoje li o seguinte comentário escrito pela Elaine Pimenta, uma colega queridíssima dos tempos de Amcham: "Claudia, que delícia (as comidas..rs...) e estes momentos de realização que você tem vivido. Cozinhar com alegria, receber as pessoas com sabores e boas energias e empreender. Que você colha muitos frutos (saborosos)."

Que passem os anjos e digam "Amém", Elaine. 


Cris e eu no balanço em Atibaia. 

Bom dia a todos!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Lá em casa pra jantar: 3a. edição - Registros em fotos

Até amanhã, conto tudo como foi sábado. Beijão.



Lá em casa pra jantar: 3a. edição - Registros em fotos: 17/10 - Lá em casa  Que tudo de bom!  Fora as batatas que precisaram ser refeitas em cima da hora, tudo deu certo!  Que alegria recebe...

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Salada com tomates secos e nozes


Prévia Especial: Lá em casa para jantar  - 3a. edição


Logo que a gente inventa uma atividade nova, um montão de ideias incríveis vão surgindo. Ainda mais se com o que se está envolvido é comida.  

Eu amo saladas.  Entre todas, prefiro as que levam folhas verdes. Como completamente sem culpa. Erra quem pensa que salada não tem gosto, ao contrário. Para se ter prazer comendo uma salada é preciso cuidar detalhadamente das combinações de sabores. 

Essa de hoje, eu criei para a edição de amanhã (17/10) do Lá em casa pra jantar. Será servida juntamente com um terrine de abobrinhas, ricota e queijo parmesão. Ambos os alimentos são leves, a terrine e a salada, mas o gosto é muito marcante. 

Para harmonizar, elegi um vinho pinot noir, já que pode, de repente, baixar a temperatura. Eu sempre penso que haverá uma trégua no calor, porque nesse inferno que estamos é de desanimar.  Mas, deixando a temperatura de lado, a bebida escolhida é um pinot noir porque entre as uvas tintas, essa é uma mais delicada e dá um vinho menos denso que um merlot, malbec, carménere ou um cabernet. Da família das viti viniferas, europeias, mais precisamente francesas da região da Borgonha, as uvas pinot são elegantes e há que as chame de "a rainha das uvas". O Silas adora. O pinot noir é o vinho preferido dele. 

Para essa combinação de pratos (salada + terrine) também poderia ser servido um vinho branco ou mesmo um rosado. Como falei da preferência do Silas, falo também da minha. Eu gosto muito de vinho rosé. Quase sempre são refrescantes, charmosos e, se de boa qualidade, nos alegram já na primeira taça. Eu acho que eles levantam o astral.

Agora, vamos à receita dessa salada deliciosa. 


Salada de folhas verdes com tomates secos, azeitonas, nozes e queijo parmesão


Ingredientes da salada


100 gramas de rúcula (daquelas de folha grande e bem verde, de preferência orgânica)
50 gramas de alface americana 
30 gramas de nozes picadas 
5 tomates secos picados em até 5 partes cada
5 azeitonas Azapa graúdas 
20 gramas de queijo parmesão em lascas 

Ingredientes do molho 

1 colher (chá) de molho de mostarda Dijon
1 colher (café) de mel 
2 colheres de azeite extravirgem
2 colheres de aceto balsâmico
sal e pimenta do reino o quanto baste


Modo de preparar

Higienize e seque bem as folhas verdes. Corte os cabinhos da rúcula, neste caso ele é muito amargo. 
Pique as nozes e o tomate seco. Tire o caroço das azeitonas e corte em pedaços grandes (cada azeitona dá até 5 pedaços).  
Arrume numa travessa ou diretamente no prato em que será servida, pela ordem: uma caminha de folhas verdes, nozes picadas, tomates secos e azeitonas. 
Para preparar o molho, emulsione todos os ingredientes. 
Despeje sobre a salada fazendo riscos verticais. O molho ficará bem espesso e deve ser misturado de acordo com o gosto de quem vai comer já na mesa. 
Por cima, solte as lascas de parmesão. 



Dica: Para melhor emulsionar o tempero da salada, ponha todos os ingredientes num vidrinho com tampa e chacoalhe bem. Fica perfeito! 

Se quiser transformar essa salada em algo mais fresco, mude as folhas verdes da rúcula por mini rúcula, o tomate seco por fresco, tomate cereja ou sweet tomato. Troque as nozes por lascas de amêndoas levemente torradinhas e o queijo parmesão por queijo brie, que é bem mais delicado no sabor. 

Vai ficar outra salada, mas tenho certeza de que ficará bem bom também! 

A terrine de abobrinha é para um outro momento. Guardo a receita a sete chaves porque é ma-ra-vi-lho-sa!  Quem resiste? 

Esses dois preparos serão servidos como entradas. 

Por que você não vai um dia Lá em casa pra jantar


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Uma sexta paulistana, só pra constar

Na sexta, véspera de feriado, o Silas e eu resolvemos fazer algo bem paulistano.  Fomos ao teatro e depois saímos pra comer. 

A primeira escolha se deveu à formatura da minha querida Miriam Ramos, como atriz. Num desses encontros fortuitos da vida, a conheci quando trabalhava na Secretaria de Saneamento do Estado. A Miriam e eu nunca tivemos um contato diário, mas desde que nos falamos por telefone a primeira vez  eu já gostei dela.  


Voz conhecida e reconhecida da Rádio Usp, a Miriam é uma dessas pessoas que a gente simplesmente gosta porque soa simples, soa igual a gente. Apesar de ela ser bem diferente e especial!

Ela tinha me avisado que sua formatura como atriz seria na sexta no Senac lá na Lapa, com a peça do dramaturgo italiano Luigi Pirandello Assim é se lhe parece. Uma comédia refinada, com texto pra lá de reflexivo, nada raso, ao contrário, cheio de notas filosóficas. Considerando que Pirandello morreu em 1936, o texto é mais que atual. 

Ver a Miriam atuando como duas personagens, ora a garota Dina, ora Dona Frola, foi uma delícia. Ela é extremamente compenetrada na ação que executa. Não perde o ritmo. 

Eu gosto de gente que se reinventa. Por isso, quando um amigo me diz que está mudando de ares ou fazendo algo a mais, sempre acho que vai dar certo. Se posso, prestigio, especialmente, porque acho que uma forcinha, um incentivo, um aplauso, podem fazer a diferença para quem está em busca de algo novo. 

Meus parabéns à Miriam! 

Depois, fomos a uma hamburgueria, lá próxima ao Senac da rua Scipião. Chama-se Fitti Burguer, em homenagem ao eterno piloto, o campeão de Fórmula 1, Emerson Fittipaldi. 

No cardápio, os nomes de vários autódromos mundiais dão nome aos hambúrgueres. Nada extremamente criativo, mas valeu a pena ter ido àquele lugar por um motivo em especial. 

Na parede do salão onde estão as mesas da lanchonete, há uma foto enorme de Emerson Fittipaldi, acompanhado de sua então esposa Maria Helena. Do outro lado, uma foto também gigante de Airton Senna, levantando a taça da vitória no autódromo de Interlagos. Dois registros célebres de momentos memoráveis do automobilismo internacional com seus representantes campeões brasileiros.  Faz tempo que a gente não vê mais isso ao vivo. Só está na memória agora. 

Olha os nossos campeões na foto: 




As fotos fizeram o Silas que é ainda mais apaixonado por Fórmula 1 que eu, começar a me contar histórias desse esporte. Eu sempre gostei, mas nunca estudei ou corri numa pista. Não é o caso do Silas, ele sabe tudo, lembra de detalhes, não perde uma corrida. E já correu. Faz diferença. 

Foi pouco... Eu viajei nas histórias. Adorável. 

Só pra constar numa sexta paulistanas à noite, véspera de feriado,  sem trânsito pra nós, foi tudo muito bom. Apenas o hambúrguer não foi nem de longe o melhor que eu já comi. Mas também não foi o mais caro... Valeu pelo ambiente. Gostei. 

Até amanhã. 


Serviço

Fitti Burguer - Rua Coriolano, 1278 - Lapa - São Paulo - SP
Tel. 11 3205 - 4570 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Fast Food de outubro


Não perca as melhores dicas de cultura,  entretenimento e inovação deste mês. 



Literatura


Destaque para o lançamento e noite de autógrafos do livro:  A religião vai à mesa - Uma degustação de religiões e sua práticas alimentares,  de Patricia Rodrigues de Souza*. 
Hoje, 7/10, às 20 horas, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping - Rua Turiassu, 2100. 
Eu já li mais da metade e é imperdível!  Um prato delicioso para quem quer saber mais sobre história da comida e sua relação com religião.  A obra é fruto da dissertação de mestrado da autora, mas tem até receitas e indicações de locais onde comer ou comprar produtos para fazer comida de acordo com várias religiões. 



Curso


Dentro do projeto Comer é mais do Sesc neste mês da alimentação, uma oficina ministrada pela artista plástica Silvia Lopes ensina a arte de fazer Panelas de Barro em Técnicas Ancestrais. 
Dias 20 e 21 de outubro, no Sesc Belenzinho. Horário: das 19h30 às 21h30.  As inscrições têm que ser feitas pessoalmente. Mais informações, acesse o link



Lá em casa pra jantar




A próxima edição será no sábado, 17/10. O projeto de hospitalidade e gastronomia ocorre uma vez por mês (mais ou menos) e tem como ideia principal comer bem rodeado por gente interessante. Para reservar o lugar, envie email laemcasaprajantar@gmail.com  As vagas são limitadas. 
Para conhecer o menu do mês e mais sobre como funciona, acesse laemcasaprajantar.blogspot.com






Giro in Sampa


Durante a primavera os passeios "free walking" por São Paulo ocorrem nos domingos das emendas de feriados. 
O primeiro será no próximo dia 11/10 e sairá do Pateo do Colégio no Centro.  Programe-se. Se você vive em São Paulo vai descobrir que tem muita coisa que você não sabe sobre essa cidade. Se você não mora aqui, vai se encantar pela história dessa cidade fascinante! 
Para mais informações, a querida amiga Shirley Damy é uma das principais envolvidas. Ligue para 11 99109-2208. 




* leia também: 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

No mês da criança, nossas melhores lembranças

Nós éramos crianças felizes. Na rua da casa da minha avó Angelina moravam a Heloísa, o Celso, irmão dela, o Luíz, a Fernanda e tinha uma enorme população flutuante, de netos de gente muito querida, que vivia de portas e janelas abertas com quintais grandes cheios de árvores com frutas ou canteiros de flores, galinheiros e outras tralhas que viravam casinhas, oficinas, mundos mágicos para pequenos grandes cidadãos como nos pretendíamos um dia. 

População flutuante era o caso dos netos da dona Mariquinha Vieira, filhos da Deolinda e do Espirro: Walace, Fernanda, Adriane e Gisele e os primos deles, filhos da Maria, os gêmeos Júnior (Walter) e Dimas.

Havia também nós: meus irmãos e eu. Tínhamos uma diferença de idade de 3 anos de um para o outro. O Júnior, mais velho, depois a Cristina e eu, a caçula. Embora a diferença de idade não seja enorme, eu era menor e, quase sempre, café com leite nas brincadeiras que eles criavam.  Temos também uma prima, a Rose, filha do meu tio Divaldo, que de vez em quando também brincava conosco lá pelas bandas da casa da minha avó. 

Outros com netos, eram a Dona Carmela e Seu Osvaldo, avó e avô da Ana Isa, do Luiz Fernando e da Ana Lúcia

Na rua, tinha também a casa da dona Gina, que tinha uma neta, a Áurea, filha do Juvenal e da Esmeralda. Fui muitas vezes brincar com ela no balanço, mas a mãe dela a superprotegia e ela não se misturava com as outras crianças na rua. 

Nesse quarteirão da rua do Patrocínio em Itu, a casa da Helô e do Celso era um polo atrativo para as crianças. Como moravam ao lado da casa da avó deles e tinham muitos primos, em dias de festa como Natal,  Páscoa, dia das mães e dos pais, ou aniversário de casamento do seu Bepe e da dona Madalena (que fizeram mais de 60 anos de casados), era lá na casa deles que todas as crianças se juntavam. Os adultos ficavam cozinhando, conversando, jogando dominó, contando piadas e as crianças livres numa casa grande com um quintal que tinha um rancho próprio para todo mundo se divertir.

Eram muitos primos e hoje já não sei todos os nomes. Só consigo lembrar dos que tinham idades próximas das nossas : Isal nasceu no mesmo ano que o Júnior, tinha o Vinicius em seguida, a Renata da idade do Celso e da minha irmã e o Ricardo, um ano mais novo que eu. Eram filhos de um tio. Elza, Estela e Eliana, de outro. Elas também tinham uma diferença entre si de 3 anos, mais ou menos. Mas tinha outros mais velhos, alguns até já  com filhos, esses mais novos que nós, mas que em algum momento também brincamos juntos.

Na casa da minha avó também, de vez em quando, juntava muita gente, muita criança. Apesar de sermos somente quatro netos, tínhamos muitos primos, os netos da tia Matilde, irmã da minha avó eram o Alan, a Raquel e o Renato, filhos do Roberto e da Arlene; a Fernanda, a Paula e a Maria Alice, filhas da Regina e do Zé, e tinha ainda os filhos da Zezé e do Bastião, mas esses eram mais velhos e eu já os achava adultos. A tia Alzira que era irmã do meu avô e mulher do tio Eglio, irmão da minha avó, tinha também duas netas Patrícia e Andreia. E a Alaíde, que é prima da minha mãe tinha uma filha postiça, a Rosana. 

Essa gente toda também ia na casa da Helô e do Celso. Não sempre, como eu, mas chegaram a ir alguma vez. 

Na casa deles também iam a Débora e a Raquel, amigas de escola da Heloísa; o Marcelinho e a Cláudia Bolognesi que moravam na esquina de baixo, mas quase não se misturavam com a gente e o Luiz Antonio, filho da tia Noemi, irmã da dona Géssia, bem como os que eram filhos dos amigos da reunião de equipe dela e do Seu Gildo, como o Mário Lucídio e a Maria Alice, filhos do Sr. José Navarro e da dona Terezinha. 

Basta parar um instante e vem mais alguém na memória. O Marcelo Valente, que era primo dos primos do Celso também baixava por lá pra brincar. Mais tarde, já quase na adolescência, a Luciana, que também morava na rua, mas no quarteirão adiante, também frequentou aquela casa.  

Foi ali que descobrimos inúmeras coisas da vida. Plantamos sonhos, construímos nossas personalidades, disputando e dividindo atenção e espaço. Criamos laços eternos de fraternidade que são indissolúveis porque estão dentro da gente e nada pode mudar. Aprendemos a respeitar os adultos, a comer o que nos fosse oferecido com educação, a não falar de boca cheia, a não brigar sem fazer as pazes, a cair, se machucar, mas levantar logo porque senão a gente perdia a brincadeira seguinte. 

Eu vivi isso tudo intensamente. Confesso que me lembro mais da casa da Heloísa do que da minha quando o assunto é a minha infância. Na minha casa não se escalava a parede do corredor, nem se construía uma farmacinha com os vidrinhos de remédio vazios que tínhamos tomado. Não brincávamos sobre as camas, nem de "O gato mia" no escuro num quarto fechado. Meu cachorro era bravo, mas não fugia pra rua. O Lulu era manso e, de vez em quando, sumia! 

Nesses tempos de criança, a gente inventava muita moda. Só de pincelada na lembrança, sem muito esforço, teve a dança do Zé Pretinho com batucada na lata de óleo Primor; teve festa junina que a gente planejou, montou e os adultos deram a maior força e foi um sucesso total. Teve torneio de ping-pong no qual tinha adulto jogando, disputando, de verdade, com a gente. Teve acampamento no porão em que menina não entrava. Disputamos por lá muito jogo de vai-vém. Tivemos uma fábrica de bonequinhos de gesso. Assistimos muitas aventuras do Sitio de Pica-pau amarelo. Tentamos montar uma peça baseada no texto de "A gorjeta" de uma revista em quadrinhos e eu tinha que ser o tio Patinhas porque ele tinha menos falas e eu ainda não sabia ler.  Teve muita brincadeira de cabra cega que virou nariz sangrando porque eu tinha esse problema, era só encostar que jorrava sangue, ninguém nem se assustava mais. Fizemos vários campeonatos de 21 na tabela de basquete que o seu Gildo fez pro Celso e o Luiz brincarem. Teve festa dos anos 60 com muita Cely Campelo tocando na vitrola emprestada.

Há momentos históricos desses anos como a minha briga com a Helô, quando ela quis me matar com o rodo e o Celso saiu correndo pra chamar a minha avó a fim de me salvar. Houve um episódio que a Cris quebrou a cama da dona Géssia e do seu Gildo, num mergulho monumental. Uma vez também quase fui atropelada de bicicleta, mas entrei na casa da minha avó pálida e silenciosa para ninguém se dar conta. Noutra, a Fernanda quase matou a vizinha de susto abrindo uma caixinha com um dedo todo lambuzado de merthiolate no meio do algodão que escondia o furo interno por onde subia o dedo dela mesma. A mulher não enfartou porque não era hora! 

Nós brincamos de boneca, de médico, de cabeleireira, de costureira, de comadre. Fomos à reza do menino Jesus e nos esbaldamos nas balas e doces que nos davam nessa ocasião. Fizemos muita pipoca juntos, demos risada até doer o estômago e, um dia, quase sem perceber, crescemos. 

Hoje os caminhos são outros. Alguns dos nossos amigos já se foram, por acidente ou doença nos deixaram antes do planejado. Perdemos outros de vista porque a vida é assim, descuidada. Há os que casaram e tiveram filhos. Outros não se casaram, outros não tiveram filhos. Há quem já ficou viúva, há quem já é avó. Sei que uns vivem em Itu mesmo, outros, como eu, saíram da cidade para estudar e, agora só vão pra lá para visitar os pais, embora também alguns já se tenham ido. Da geração dos nossos avós, não restou ninguém, nenhum sobreviveu para se tornar centenário. Agora são vizinhos na rua do Patrocínio no céu. 

Nós, a criançada, é bem raro nos encontrarmos. Algumas vezes nos vemos de longe em ocasiões fortuitas como numa missa de Natal, ou nos despedindo de alguém, batemos um papo breve nalgum velório. 

Certo é que temos um passado em comum, com lembranças distintas reconstruídas de acordo com a saudade e o tempo de cada um. Quando acho alguém no Facebook, por exemplo, fico contente porque abro uma porta para essas boas lembranças. Hoje, vi uma foto de quando éramos pequenos que a Helô publicou. A saudade foi tanta que escrevi esse texto. 

Quem sabe um dia crio coragem e escrevo um romance sobre a sorte. Só pode ser sobre a sorte porque crianças que tiveram o que tivemos são pessoas de sorte. Disso, eu tenho plena certeza. 



Aos meus amigos: Heloísa, Celso, Luiz, Fernanda e à minha irmã Cris, com todo o meu amor. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Harmonizando Receitas para Seleção Outubro 2015

Especial para a revista Vinitude Clube dos Vinhos 





Abóbora assada com cebolas caramelizadas 

Essa receita foi criada para ser a entrada quente de uma refeição do projeto Lá em casa para jantar. Para cada pessoa é suficiente que se sirva uma rodela de abóbora, uma vez que outros pratos compõem o menu completo do jantar. É uma entrada delicada que pode também ser usada como um canapé ou num serviço de fingerfood. 

***

Ave com laranja, cuscuz marroquino e abobrinha

Esse é um preparo muito prático e versátil. Fica pronto em menos de uma hora, é uma refeição completa e muito charmosa. É possível executar as três receitas ao mesmo tempo, tendo apenas um pouco de organização. Para isso, antes de começar, separe todos os ingredientes e faça o pré-preparo. Neste caso, higienize o frango, ... (continua)