segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Acar - picles de legumes e verdura

Comida oriental


Se você é uma das pessoas que foi Lá em casa pra jantar na última sexta já sabe que sabor tem esse prato. Do contrário, tem que experimentar porque é um sabor bem diferente, crocante, salgadinho e meio doce ao mesmo tempo, com algo picante ou ardido, mas nada agressivo.

Trata-se de uma comida oriental chamada acar, um tipo de conserva como são os picles para nós brasileiros. No entanto, é diferente daquilo que compramos no balcão dos frios do supermercado. É muito mais saboroso e, arrisco dizer que, bem mais saudável.

Na Malásia, Indonésia e em Singapura é uma comida relativamente comum vendida em vidros de conserva. Na Alemanha, há um prato parecido com esse que é chamado de atjar. 

No jantar da sexta passada, quando as pessoas chegaram havia um antepasto sobre a mesa para que os primeiros convidados pudessem aguardar a chegada dos demais até que se iniciasse o primeiro serviço da noite que foi uma sopa de beterraba muito conhecida: a sopa borscht. 


Em seguida foi servida ou servido (eu não sei se é masculino ou feminino) acar pois já que o preparo leva legumes e verduras funciona muito bem como uma opção de salada.

Vamos à receita e seus segredinhos.


Acar

Ingredientes (6 porções)

3 cenouras médias cortadas em bastonetes de 3,5 cm de comprimento
10 vagens cortadas na mesma medida da cenoura
250 gramas de couve flor partida em pedaços pequenos (raminhos separados)
1 pepino sem sementes cortado em bastonetes de 3,5 de compimento
250 gramas de repolho cortado em chiffonade
45 gramas de amendoim torrado e partido
Água para cozimento

Como fazer: Numa panela alta e grande, coloque água para ferver. Quando levantar fervura, coloque as cenouras, vagens e a couve flor pra cozinhar por 3 ou 4 minutos. Em seguida, acrescente o pepino e o repolho e cozinhe tudo em panela destampada por mais dois minutos. Retire do fogo e da panela. Imediatamente passe em água fria para interromper o cozimento e reserve.

Molho

30 gramas de macadâmias (nozes, castanha do Pará, castanha de caju, amêndoa, pignole)

4 cm de gengibre picado
2 dentes de alho
2 pimentas dedo de moça
1 1/2 colher (chá) de açafrão da terra
60 ml de óleo de canola
2 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (chá) de sal
1/2 xícara (chá) de vinagre de arroz

Como fazer: No multiprocessador leve os cinco primeiros ingredientes do molho (nozes, gengibre, alho, pimenta e açafrão). Processe tudo até que fique uma pasta homogênea.  Numa panela, aqueça o óleo e leve a pasta para refogar. Refogue por 5 minutos no mínimo ou até que comece a soltar o forte aroma do açafrão. Em seguida, junte o açúcar e o sal. Deixe suar e logo depois acrescente o vinagre de arroz. Mexa tudo e deixe cozinhar por cerca de 3 minutos. Coe em peneira grossa. Descarte a parte sólida ou use como tempero para outros preparos.

Finalização do prato
Use o líquido para temperar os legumes que devem ser plenamente envolvidos.
Leve todo o conteúdo em uma vasilha de vidro tampada para a geladeira por pelo menos 24 horas antes de servir.
Sirva com os amendoins por cima. Se for preciso, acerte do sal.

Dicas


  • Esse preparo pode ser servido como salada ou com ingrediente acompanhante de uma salada de folhas, por exemplo. 
  • Bem acondicionado dura até 7 dias na geladeira. 
  • Também pode acompanhar pratos com batata e salsichas.  Fica delicioso! 
  • Serve como ótima guarnição se for servido quente acompanhando pratos que levem arroz ou cuscuz marroquino mas cuja base seja uma carne de porco ou frango. 
É saudável, tem ingredientes fáceis e uma bela saída para aqueles períodos que estamos cansados de comer o mesmo tipo de salada, ou seja, as convencionais feitas de alface, tomate, cebola e cenoura. 

Além de tudo é bonito e muito cheiroso!

Para quem está curioso sobre como foi  o evento de sexta, postei fotos na página do grupo do Facebook.  Por lá também tem registros das outras três edições. 

Hoje é o último dia do mês de novembro.  Você deve ter percebido que não houve um resumo do mês de outubro e também não houve hoje. Desde o mês passado, resolvi fazer o resumo do trimestre. Em dezembro, haverá um resumão, portanto, de outubro, novembro e dezembro. 

Boa semana a todos! 

Leia também:

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Um jeito de encontrar pessoas

Lá em casa pra jantar


O mundo muda. O planeta se transforma fisicamente. A sociedade evolui e, às vezes, involui, depende de que lado estamos...

A ideia de receber pessoas para jantar em casa não é nova, mas tem certo ar de novidade porque agora vem com uma cara de negócio, que exige um novo comportamento das pessoas....  Isso porque a gente se esquece que as pensões das nossas avós eram as avós do Eatwith, Dineer, Gnammo e tantos outros. 




Só que agora a gente vive em apartamento e tem que dar satisfação no condomínio sobre quem entra e sai do prédio por uma questão de segurança já que há muita ousadia em querer fazer da sua casa um lugar humano e acolhedor para um visitante estrangeiro, um amigo do amigo ou, simplesmente, uma pessoa de mente aberta que queira fazer algo diferente. 

Paro e penso que São Paulo me enganou. Saí de um cidade pequena do interior para viver aqui porque São Paulo é uma cidade grande, de gente pra frente, cheia de ideias novas, sem grandes preconceitos. Mentira. São Paulo pode ser muito fechada e hostil. E o Brasil é mesmo um país conservador, escravagista, segregacionista e muito preconceituoso. Mas deixemos isso pra lá.  

É fato que existe risco. Mas viver exige risco. E quem não se arrisca deixa a vida passar com as horas, os dias, semanas, meses e anos se esvaindo sem emoções. 

Eu busco um outro jeito, sei lá, sou assim. 

O projeto Lá em casa pra jantar veio alçando voo. 




Devagar, com carinho e cuidado, a gente sente que vem acolhendo amigos. Alguns que, há tempos não víamos, viram uma oportunidade de nos reencontrar para um bom papo à mesa, degustando uma comidinha feita com afeto e uma chance de conhecer o nosso lar. Tenho amigos que não conheciam o Silas, outros, dele, nunca tinham me visto. 


Algumas vezes, antigos colegas de trabalho ou de cursos aparecem e é uma grande alegria porque trazem novidades que vão desde empregos novos até filhos já bem crescidos que nem sabíamos que existiam. Temos a chance de rever quem compartilhou um tempo da vida da gente ainda que à distância, mesmo que por efêmeras duas ou três horas enquanto o jantar acontece. 


Preparar a casa para receber pessoas é um exercício que tento praticar da forma mais elegante possível. Com as minhas melhores louças, copos, talheres, toalhas, ou seja, com o enxoval completo, que a minha geração já não teve vinda de um baú de família com bordados feitos à mão. Por isso, vou garimpando, juntando, ganhando... 




A comida é um bom pretexto porque não há nada tão agregador quanto o sabor partilhado à mesa. A refeição que não é só alimento para o corpo, mas também para o coração, é aquela que tem alguém ao lado, contando um causo, rindo com você de alguma coisa, comentando fatos cotidianos ou o capítulo da novela. 



Amanhã, receberemos mais 10 pessoas Lá em casa pra jantar. A nossa equipe é formada por três pessoas: a Bruna, o Silas e eu. Na edição passada, a Bruna foi substituída pela Cristina. Somos uma família. Talvez não nos moldes mais tradicionais, mas isso não nos desonera em nada. 

A casa está sendo preparada, daqui a pouco vou à feira, já tem pré-preparo de várias comidinhas deixando tudo muito perfumado e humano e a bebida já está gelando. 

Se no ano que vem tem mais, não sei ainda. Sei que o prazer da experiência tem sido recompensador, mais emocional que economicamente. Não é por acaso que se chama Lá EM CASA pra jantar. 

Por hoje é isso! 

Um grande abraço a todos os meus leitores. Tenho muito trabalho agora. 


>>> Mais informações, envie e-mail para laemcasaprajantar@gmail.com ou acesse a página do Facebook. Há também um grupo 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Mendoza: vá preparado

Se você pretende ir para a Argentina e não quer se restringir à capital Buenos Aires, vá a Mendoza! Mas, vá preparado porque são muitas as opções, os preços não são os mais convidativos e se refletir e planejar não vai assustar com nada e poderá escolher o que quer fazer. Será maravilhoso!

Vou contar um pouco das minhas impressões sendo que fiquei lá somente uma semana. Não voltaria amanhã porque ando um pouco cansada já que viajar dá um certo trabalho e eu acabei de voltar. Mas voltarei um dia porque há muito para desfrutar naquele lugar.








A cidade é bonita, fica aos pés do que eles, lá, chamam de Pré-Cordilheira (dos Andes). O clima é bom, apesar de seco. Faz frio no inverno (e nas Altas Montanhas, mesmo que seja primavera) e calor no verão.  Há uma boa infraestrutura para o turista, o atendimento é caloroso e quase sempre bastante solícito. Além disso, em nada aparenta ser um lugar inseguro. Ao contrário, apesar do agito dos bares, restaurantes e lojas, parece um lugar de tranquilidade, com muitas pessoas nas ruas, incluindo muitas crianças, tanto em carrinhos de bebês como correndo pelas praças e andando nos ônibus ao saírem das escolas, nem sempre acompanhadas de adultos.






A infraestrutura a que me referi para o turismo diz respeito a itens como aeroporto, rede hoteleira para todo tipo de poder aquisitivo, agências de viagem que oferecem passeios padrão e também personalizados para conhecer os principais atrativos da região (tanto as vinícolas quanto as montanhas), locadoras de veículos, bus tour que passa pelos principais pontos turísticos da cidade no sistema hop on hop off, rua de comércio de suvenires e outros que agora não me ocorrem.

Tudo começa com grana

Como disse, vá preparado. A questão do valor do dinheiro pode assustar, especialmente se você viajar para Argentina, achando que lá  não teve inflação nos últimos anos e, mais ainda, se não estiver atento ao que ocorreu com o câmbio brasileiro em 2015. Logo, a dica é: vá preparado para não se chocar com os preços.

No momento, a nossa moeda está muito desvalorizada e, como diz o Silas, acabou a farra do consumo exagerado da classe média brasileira que aprendeu nos últimos anos a viajar para o exterior com moeda super valorizada, ou seja, valendo quase o mesmo que o dólar que é moeda de país forte economicamente.

Quem converte não se diverte - Esse é um ditado recorrente, mas é só um dito popular que pode levar muita gente a se endividar à toa. Dá, sim, pra se divertir e será ainda melhor se você for prático e rápido o bastante para calcular o quanto vale cada coisa que vai fazer ou comprar. Claro que ninguém viaja para ficar olhando o frango girando na televisão de cachorro em frente à padaria. O que não significa que tudo o que vir pela frente deve ser comprado.

Na Argentina, ainda funciona a pleno vapor o câmbio negro de moeda estrangeira, em especial, dólares, euros e também reais, devido à proximidade do Brasil e a quantidade de turistas brasileiros por lá.  Cambiar moeda no paralelo, ou seja, no câmbio não oficial tem riscos, mas é uma prática comum nas regiões turísticas argentinas.

A cotação oficial para câmbio é de $ 9,53 (pesos argentinos) para cada US$ 1 (dólar) e $ 2,50 para cada real.  Assim, quando cobrarem por uma coca light no restaurante o valor de 37 pesos, você estará pagando oficialmente R$ 14,80 por uma garrafinha de refrigerante de 290 ml.

Deu pra entender que é preciso escolher o que se quer consumir, certo? Há mil formas de lidar com isso. Eu, pessoalmente, não vou me endividar bebendo coca light!

Deixando um pouco de lado a questão financeira, as atrações são muitas em Mendoza.

Vinícolas

Há três regiões vitivinicultoras definidas em Mendoza que são: Maipu, Valle del Uco e Luján del Cuyo. Em todas elas há vinícolas de vários portes, oferecendo um visual memorável dos parreirais e dos vinhedos, do sopé da montanha ao céu azul limpo sem uma só nuvem porque o clima é seco, com bodegas, visitas e degustações, guias super preparados para explicar como e quanto se produz, além de restaurantes, passeios de bicicleta, chás da tarde etc.

Chama mesmo a atenção a quantidade de vinícolas da região. São 1200, segundo o motorista do sistema remis que usamos assim que chegamos para ir do aeroporto até o hostel onde nos hospedamos no centro da cidade, bem ao lado da avenida Las Heras (a principal do comércio das lembrancinhas).


Minha xará Cláudia era quem alugava as bikes, ela nos fotografou!
Nós, Silas e eu, junto com outros amigos, alugamos bicicletas e rodamos por algumas vinícolas. No entanto, embora a região seja plana e fácil para pedalar e o visual estonteantemente lindo, o sol castiga muito e depois da segunda degustação de vários vinhos, a gente já está um pouco "borracho" para dirigir qualquer veículo.  Mas é só alegria, só risada e descontração.




Vinícola Mevi, em Maipu


Noutro dia, fomos de ônibus e depois caminhando até o Museu do Vinho. Esse vale um post exclusivo.

Altas Montanhas

Fizemos um passeio inesquecível à Cordilheira dos Andes. Partindo de Mendoza, fomos primeiro a Potrerillos, em seguida a Uspallata, depois visitamos a Torre del Incas e subimos, subimos e subimos, até ficarmos cara a cara com o maior pico da América Latina: o Monte Aconcágua. Lembrei-me da dona Sandra, minha primeira professora de Geografia. Foi com ela que aprendi que o ponto mais alto do Brasil é o Pico da Bandeira e o maior da América do Sul é o Aconcágua: simplesmente magnífico. São 6.962 metros de altura acima do nível do mar.


De todas as viagens que faço tenho memórias de lugares esplêndidos. Só por brincadeira comigo mesma, eu costumo ter um ranking das primeiras colocações por ordem do quanto fiquei impressionada com um determinado visual, lugar ou mesmo um prédio, uma obra de arte, enfim, algo que dê conta da emoção.

Quando vou a uma nova localidade, nem sempre penso em mudar meu ranqueamento. Os Top Five são sempre os mesmos, eu diria. Agora foi diferente. Diante do Serro Santa Helena, no meio da Cordilheira dos Andes, que antes eu só tinha visto do avião e em fotos, eu pensei em desbancar as Cataratas de Foz do Iguaçu - que, sem dúvida, até então, era o lugar mais lindo que eu já tinha visto.
Mas para mudar o ranking preciso analisar se essa imagem permanecerá em mim. Aí, quem sabe, mudo a ordem dos primeiros lugares. Ainda é cedo pra dizer porque estou anestesiada pelo impacto de tamanha beleza diante dos meus olhos.

Quem puder ir um dia, vá! Vá preparado porque a emoção é enorme.









Como se fosse pouco, a descida das Altas Montanhas foi pelos "carocoles", a estrada antiga que levava os mendocinos ao Chile. São 365 curvas do tipo cotovelo com uma vista espetacular. É tão lindo que a gente ri à toa.


Na descida, por primeiro arbustos enfeitados com neve
Caracoles - Caminho de Vila Vicenzio



Um "zorro" nos fez companhia na estrada


E várias famílias de guanacos podem ser vistas por ali



Restaurantes 

Mendoza tem muitos restaurantes. Para muitos gostos e todos os bolsos. Estivemos em alguns que terão posts específicos. No primeiro dia da viagem fomos ao 1884, o restaurante do chef Francis Malmann. No último dia, almoçamos no recomendado e surpreendentemente bom La Melesca, em Maipu. De ambos, tenho observações a fazer com mais detalhes em outra ocasião.





Uma cidade com praças -   O uso do espaço urbano pelos cidadãos argentinos é reconhecido internacionalmente. Buenos Aires é uma cidade linda, com parques onde as pessoas vão para passar o dia inteiro. Lá se divertem com amigos, comem, descansam, leem, jogam bola, cantam, dançam... Embora tenhamos um pouco disso no Brasil, nem de longe usamos o espaço como nossos hermanos portenhos.



Plaza San Martin
Em Mendoza é igual a Buenos Aires. Tanto que a cidade nova é recheada de praças. Aqui é preciso um parêntese para explicar a cidade nova. Em 1861, Mendoza foi totalmente destruída por um terremoto. Sobraram ruínas. A reconstrução da cidade após esse abalo sísmico resultou na chamada cidade nova.


A Plaza Independência fica no centro da cidade e em cada uma de suas quatro extremidades há outras praças que são: San Martin, España, Chile e Itália.  Isso é muito marcante na cidade. Todas as praças são lindas, muito arborizadas, com decoração e paisagismo próprios. Sempre muito bem ocupadas por pessoas de idades e interesses diferentes: bebês com mamães, homens conversando, namorados se encontrando, skatistas, pintores, artistas, artesãos, expositores de artesanias, turistas... de tudo.
Silas desfrutando de um charuto em Peatonal Sarmiento

Ah! Diferente no entanto de Buenos Aires é que em Mendoza é clara a miscigenação da Argentina, principalmente indígenas e europeus. Mas há também negros, que são mais raros na capital.

Há muito mais para contar. Por hoje, chega. Quem sabe escrevo depois outros capítulos, como fiz com Cuba. Então, fique preparado!

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Portal Top Vitrine abre espaço para o Blog da Gavioli

Olá, pessoal! 

Estou cheia de novidades para contar, mas o tempo é curto. Estou em Mendoza, el capital internacional del vino. 

Atividades por aqui não faltam. Faltam dias para ver tudo, curtir tudo, comer um pouco de tudo e falar com todos... Mas a minha filosofia é que as cidades continuam no mesmo lugar e podemos retornar um dia para fazer o que não fizemos, então o lance é mesmo curtir o que é possível sem ansiedades. 

O tempinho que encontrei para escrever foi pra contar que ontem, com muita honra, estreou a minha nova coluna no Portal Top Vitrine, cujo editor é o colega Paulo Renato Coelho Netto. 

Eis o link da coluna: Gastronomia & Hospitalidade. Que tal acessar e depois dar uma navegada no portal para conhecer? Eu recomendo! 


Top Vitrine: Blogs & Colunas


Homepage TOP VITRINE



Enquanto isso, vou juntando experiências por aqui por Mendoza para poder compartilhar nos próximos dias. Só pra adiantar digo que um lugar onde se produz vinho de qualidade e que tem como pano de fundo as montanhas da Cordilheira dos Andes só pode ser incrível. Nada menos! Basta ter olhos para ver, mente aberta para assimilar e coração terno para amar. Em apenas dois dias já posso falar que gosto ainda mais da Argentina. 

Aguarde: passeio pelas vinícolas by bike e 1884, o restaurante mendoncino de Francis Malmann. 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Pain au levain (pão de fermento natural)



Estou que não me contenho, que alegria! Há pouco até liguei pra minha mãe pra contar. Fiz meu primeiro pain au levain, isto é, pão com fermento natural que eu mesma cultivei. 

Há alguns dias falei aqui sobre o livro Pão Nosso, de Luiz Américo Camargo.  Eu disse que tinha me empolgado com o que li e que tentaria fazer o fermento e em seguida o pão. 

Cuidadosa com a possibilidade de fracasso iniciante, eu me contive todos esses dias, desde o dia 4/11 estou trabalhando no fermento, para não falar antes da hora  e estragar tudo. Ansiedade não funciona quando o assunto é pão.   Fui atenta ao recado dado pelo próprio autor sobre o pain au levai: 
(...) aplaca minha ansiedade, me restaura dos surtos de onipotência. Não há como ligar no modo "velocidade máxima" uma fermentação que precisa de todo um ciclo. Não há como tirar do forno em meia hora um pão que deve ser assado em 45 minutos. Não há como obter, num estalar de dedos, enfim, aquilo que é produto de um complexo processo que envolve clima, microorganismos, técnicas...

Devo dizer: tive que me conter muito, mas agora já dá pra contar minha experiência.  

Só que pra começar... eu fui um pouco desobediente. Não sem causa e nem tresloucadamente. Como já havia lido e feito curso on-line de pães sabia que o elemento-chave sugerido por Américo para começar a fermentação, o abacaxi, poderia ser substituído por outra fruta.  Usei maracujá. Simplesmente porque não tinha como sair para comprar abacaxi naquele momento e queria começar logo.


Produção do fermento (levain)


  • 04/novembro, às 13 horas  - 1o. dia - 1o. passo

Ingredientes

4 colheres (sopa) ou 60 ml de suco de maracujá
1/3 xícara (chá) ou 50 g de farinha de trigo integral. 

Como proceder: Misture os ingredientes, respeitando rigidamente as medidas, formando uma massa. Guarde num pote, vidro ou vasilha de inox, num lugar seguro, de preferência escuro e coberto (enrolado mesmo) com um pano limpinho.  Depois de 48 horas mais ou menos, a massa formou algumas bolhas.

Obs: Eu tirei a polpa do maracujá e bati no "pulsar" do liquidificador. Coei retirando completamente as sementes. 


Anotações do fermento


  • 06/novembro, às 20 horas  - 3o. dia  - 2o. passo. 


Ingredientes

1 1/2 colher (sopa) ou 20 ml de suco de maracujá
3 colheres (sopa) ou 30 g de farinha de trigo integral. 

Como proceder: Misture os novos ingredientes àquela mistura com as bolhas, o nosso levain. Novamente, guarde naquele lugar seguro, escuro, e enrolado com o pano limpo. Deve-se mexer umas 3 vezes por dia (eu só mexi uma). Mais 48 horas, a massa formou mais bolhas


  • 08/novembro, às 19h35 horas  - 5o. dia  - 3o. passo. 


Ingredientes

1/3 de xícara (chá) ou 50 g de farinha de trigo integral 
2 colheres (sopa) ou 30 ml de água 

Como proceder: Misture tudo e espere mais 24 horas. Cubra com o pano. 

  • 10/novembro, às 9h30 - 7o. dia - 4o. passo


Ingredientes

1/2 xícara (chá) ou 75 g de farinha de trigo integral 
2 colheres (sopa) ou 30 ml de água

Como proceder: Deve-se  jogar metade do que foi cultivado fora e ficar com apenas metade do levain. Juntam-se a água e a farinha de trigo. Mistura-se tudo.  Cubra com o pano. Mais 24 horas de espera.  

Nesse ponto eu me confundi. Primeiro acrescentei a água e a farinha e só depois notei que deveria ter jogado metade da fermentação fora. Consertei como pude. Reparti metade  e tentei por feeling alimentar a massa novamente. A insegurança bateu forte. Achei que ia perder tudo. Mas insisti. 

Notei agora, em retrospectiva, que no livro Pão Nosso, há duas informações diferentes quanto ao tempo de espera nesse ponto. Se seguisse o resumo esperaria 48 horas, mas segui o passo a passo. Então, aguardei apenas um dia.  


  • 11/novembro, às 9h15 - 8o. dia - 5o. passo


Ingredientes

Aqui encontrei mais uma diferença entre o resumo do livro e o passo a passo.  Desta vez em relação às medidas. Vou escrever aqui como eu fiz. 

1/2 xicara (chá) ou 100 g da massa em fermentação 
1 3/4  xícara (chá) + 2 colheres (sopa) ou 300 g de farinha de trigo integral 
1 xícara (chá) ou 240 ml de água

Como proceder: Deve-se separar somente 100 gramas do material que está em fermentação (levain) e o resto é dispensado. Juntam-se a água e a farinha de trigo. Mistura-se tudo.  Agora serão somente 4 (ou até 8 horas) de espera para a massa dobrar de tamanho. É bom trocar de recipiente agora, ir para um maior. 

IMPORTANTE:  Note que a proporção é sempre 1 medida de levain, 2 medidas de água e 3 medidas de farinha de trigo integral.


  • Ainda no 8o. dia, às 16h. - 6o. passo


Repete-se exatamente a mesma operação do 5o. passo. Mesmas medidas e parte do levain descartado. O mesmo tempo para que cresça novamente. 

Nesse ponto eu fiz duas mudas de fermento. Foi quando acabou a minha farinha de trigo integral. Então, uma das mudas é de farinha branca e a outra integral. 

Transcorrido o tempo previsto, o fermento estava pronto para uso ou para ser guardado em geladeira. 


***

Receita do Pão Branco Clássico com Casca Grossa




Ingredientes


3/4 xícara (chá) ou 200 g de levain ou fermento natural
1 2/3 xícara (chá) ou 400 ml de água filtrada ou mineral
4 1/4 xícaras (chá) ou 600 g de farinha de trigo branca
2 colheres (chá) ou 12 gramas de sal 

Modo de fazer

Dissolva o fermento na água e acrescente aos poucos a farinha de trigo. Mexa com uma colher de pau para misturar bem. Em seguida, segure a vasilha com uma mão e com a outra sove a massa. (A minha foi grudenta o tempo todo, não sei se isso é o certo. Quando tiver mais experiência vou saber). Apesar de grudenta, tente não colocar mais farinha porque isso tornaria o pão mais duro. 
Sove a massa por 10 minutos, esticando-a conforme vai acrescentando toda a medida do sal de forma homogênea. 
Deixe a massa descansar de 4 a 8 horas. 
Após esse tempo, em superfície lisa e limpa, estique a massa apertando-a com os dedos para que libere os gases da fermentação. Modele o pão. 
Deixo-o descansar em forma untada com farinha de trigo por cerca de uma hora e meia ou duas, coberto com um pano limpo. 
Pré-aqueça o forno a 220 graus, por 30 minutos no mínimo. 
Leve o pão ao forno não sem antes borrifar água fria sobre ele. Isso formará a casca. 
Asse por 45 minutos ou até que fique dourado. 
Tire do forno e da assadeira e deixe o pão esfriar sobre uma grade (pode ser uma das grades do forno).



Sobre a experiência

Comecei esse texto contente por ter conseguido cumprir todas as etapas e, como prêmio, hoje, pude provar do pão cujo fermento eu mesma criei, no sentido de quem cultiva, claro. Afinal, as leveduras é que agem, não somos nós. Nosso papel é apenas alimentar os bichinhos para que floresçam. 

Tive muitas dúvidas no decorrer do caminho, mas tratei de respeitar as instruções do livro Pão Nosso. Tratei meu fermento com muito respeito, carinho e boas energias. 

Senti falta da minha mãe por perto para me dizer o que fazer com a massa grudenta. Eu modelei o pão de madrugada e por isso não dava pra telefonar e fazer consultoria com a dona Neuza, como é comum na minha vida de cozinheira. 

Lembrei-me com afeto das inúmeras vezes que a vi modelando pães na minha casa. Era tanto, tanto amor e uma enorme habilidade, fruto de muita experiência e inúmeras repetições. Minha mãe não faz pão com levain, mas parte do fermento que eu consegui cultivar vou levar pra ela. 

Tão logo cortei o pão, vi que ele estava sadio, aerado, robusto. Claro que liguei pra ela pra contar. Eu estava e ainda estou um tanto extasiada. Ah! As emoções da cozinha, há quem as tenha pra valer!

Pretendo repetir a experiência usando farinha integral. Não será preciso fazer novo fermento porque, caso eu tenha habilidade para cultivá-lo, poderei usar o que já fiz, apenas alimentando-o sempre. Contudo, esse será um novo processo. 

Entre a escolha dos ingredientes, a atenção e o cuidado no manuseio, a observação do tempo, a noção vinda dos odores diversos provenientes de reações químicas e físicas, as tais percepções organolépticas, tudo está ali presente no pão.  
Tão simples, tão corriqueiro, em qualquer lugar do planeta lá está ele no prato e nas mãos das pessoas, alimentando a fome de cada um.  

O pão é do homem, não é do bicho. A inteligência humana nos levou ao pão e olha que a história já remonta muitos séculos desde que se tem notícia da primeira vez que ele foi assado em forno de barro (cerca de 7 mil ano a.C.).

Cheio de simbologia, significa a partilha e a união. Foi escolhido para ser consagrado como o corpo de Cristo para que, em comunhão, os homens partissem e partilhassem e, com ele, bebessem o vinho. 

O meu pão - Um pouco queimado embaixo, não muito corado, nem muito alto. Com formato meio achatado e com um gostinho de azedo do fermento. O meu pão! 

Eu só posso me sentir realizada hoje. Nada mais. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Lá em casa pra jantar: Frango Thai - 4a. edição, 27/11

Novo visual do site do Lä em casa pra jantar




Lá em casa pra jantar: Frango Thai - 4a. edição, 27/11: Hoje comecei a testar os pratos do menu do próximo Lá em casa pra jantar.  Quando estou testando, tento usar acompanhamentos diferentes e...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Mendoza vem aí: preparação


Com seus vinhos e cânions, a Argentina promete


Eu amo a Argentina. Acho um país e tanto, exceto no futebol, claro! Apesar de que agora já nem ligo mais pra isso. Aquele 7 a 1 matou minha alma torcedora como eu nunca imaginei que pudesse acontecer. 



Ainda esta semana embarcaremos rumo a Mendoza, a prometida região dos melhores vinhos produzidos ao sul da América do Sul. A cidade é a capital da província de mesmo nome e fica na parte oeste da Argentina,  aos pés da Cordilheira do Andes, divisa com o Chile. 

Só um aparte: quem nunca viu essa Cordilheira de perto, de cima ou de lado, deveria fazer um esforço pra ver. Ninguém deveria morrer sem ver porque é um espetáculo. Assim como todos deveriam ter a chance de ver o mar pelo menos uma vez na vida. Ponto e basta!


Preparação, planejamento e mente aberta


Já preparando a viagem, há cerca de seis meses compramos as passagens que, no nosso caso, tem uma parada estratégica, na volta, para uma tarde de domingo em Buenos Aires. Também já reservamos um hostel, nada muito caro, mas numa área central e estratégica para que possamos nos deslocar com facilidade. 

O motivo que nos leva a Mendoza é a participação do Silas num congresso e, aproveitando o embalo e a oportunidade, minha pesquisa sobre vinhos e comida porque a cada viagem aprendo e gosto mais desse novo rumo da minha vida. 

Para aproveitar bem uma viagem, fora deixar-se surpreender a cada novo ambiente com seus cheiros, cores, sons e percepções, uma das coisas que considero realmente importantes é procurar se informar sobre o local de destino. 

Se a gente sabe o que existe, fica mais fácil escolher. O tempo de uma viagem quase sempre é mais escasso do que gostaríamos. Eleger os pontos que são imperdíveis é essencial. Do contrário, podemos estar ao lado, bem perto mesmo, de algo que muito nos interessaria sem ir até ele e gastando nosso tempo e dinheiro em algo que não nos agrada tanto.

Como viajo com frequência e de um jeito não muito convencional (o que chamo de convencional é a viagem feita num pacote comprado numa agência de viagens, com reservas feitas pelo agente para  hospedagem, comida, deslocamento e atrações turísticas), muita gente que eu conheço me elege para responder dúvidas de viagem que, muitas vezes, as pessoas sentem vergonha de perguntar para a agência. 

Por exemplo: tem gente que nunca fez câmbio de moeda estrangeira e tem vergonha disso, se sente constrangido.  Isso é besteira. É bem comum a gente se sentir inseguro diante dessas situações e se tem alguém pra ajudar, por que não perguntar? 

Ando pensando em criar um cursinho com dicas para quem não é habituado a viajar mas tem vontade. Principalmente porque, às vezes, não entendemos muito bem o que lemos. Talvez até porque nem sempre quem escreve se preocupa de fato em passar as informações de um jeito fácil. 

Foto:Clube dos Vinhos


Para a viagem da próxima semana, já identificamos os pontos que mais nos atraem na região como Uspallata, Puente del Inca, Parque Nacional de Aconcágua, vinícolas como a Achaval-Ferrer e a Catena Zapata e banhos termais etc. 

Montamos um roteiro prévio (nada muito elaborado) que então inclui: vinícolas, city tour em Mendoza, restaurantes imperdíveis pra mim, cânions e montanhas. 


Foto: ancoradourooperadora.com.br
Nosso roteiro pode ser mudado se oportunidades interessantes acontecerem, para isso é preciso abrir-se para o que rolar e ser flexível. No entanto, se não surgirem fatos novos, já temos mais ou menos desenhado o que queremos fazer. 

De acordo como nosso planejamento, teremos que alugar um carro ou contratar um motorista que nos leve para as distâncias mais longas. Estaremos em Mendoza com alguns amigos e já tratamos de combinar interesses comuns para que possamos agregar ainda mais tanto à viagem quanto à amizade que nos une. 

A excitação pré-viagem é uma delícia. Tem efeito sobre a nossa capacidade de imaginar coisas. Quando a imaginação corre solta, se estamos bem,  ficamos mais alegres e os dias são mais agradáveis. Dá vontade de compartilhar.  

Viajar não é só ir e voltar. É levar consigo expectativas e trazer de volta experiências. 

Mendoza vem aí. Depois eu conto tudo. 


Francis Mallman, Chef's Table

Ah! Só aproveitando a chance. Já escrevi antes sobre uma série de documentários produzida pela Netflix chamada Chef's Table. Um dos episódios é sobre Francis Mallman, um argentino cujo restaurante em Mendoza é muito recomendado. A chef  Paola Carossella, do Arthurito e do Masterchef trabalhou com esse chef premiado. Fica a dica! 

Até mais. 


domingo, 8 de novembro de 2015

Primeiro assédio - Eu, como muitas outras

#agoraéquesãoelas

 #primeiro assédio


Dá uma profunda tristeza constatar que a gente não se choca com  o fato de haver tantas declarações de assédio sexual de mulheres no Brasil. Especialmente porque a gente não se choca porque sabe que isso é uma realidade horrível, mas que já aconteceu com a gente, com as nossas irmãs, amigas, mães (por mais que elas neguem e escondam), com as nossas vizinhas de perto e de longe. Pior que isso, vai acontecer com as nossas filhas, sobrinhas e com aquela menininha que de vez em quando a gente vê na rua, na TV, numa fila qualquer. 

É uma prática do machismo brasileiro. 

Quem me conhece sabe o quanto é uma bandeira minha o papel da mulher na sociedade, a busca pelo respeito, pelo salário justo e igual ao dos homens, pela não discriminação de gênero. 

Em 2008, foi uma criação minha o primeiro evento de Mulheres Líderes do Brasil. Sem grana, sem estrutura, só com a cara e a coragem, montei um evento e juntei mulheres sensacionais em suas lideranças para falar de suas vidas, suas experiências profissionais, seus papeis nas empresas brasileiras e internacionais. Com esse modelo, não havia tido nenhum até então.  

Por diversos motivos, fui para outros caminhos, mas jamais abandonei a atitude. 

Casei com quase 40 anos com um homem que não é machista. Gosto de ser mulher. Gosto de ser a companheira dele porque ele é meu companheiro. Nós nos amamos e nos divertimos muito juntos. Nosso acordo é que sempre seremos namorados um do outro. Eu não me casaria com um machista jamais.  

O Silas nunca me perguntou sobre os assédios que sofri, nem sobre a minha vida pregressa. Embora eu saiba que ele, como qualquer ser humano, deve ter curiosidade sobre isso. Mas faz parte do respeito que ele tem por mim como mulher e como pessoa não ser dono da minha história, do meu passado e do meu presente. Somos indivíduos. Somos corpos independentes, cabeças independentes, pensamentos livres. 

Eu, como muitas outras,  vivi vários assédios. Mas eu,  como muitas outras, tive vergonha e sentia culpa pela maldade que eu mesma sofria. Eu, como muitas outras, me mantive calada. 

Nessas última semanas, venho acompanhando esse movimento de mulheres se manifestando sobre suas histórias de assédio. Mais uma vez, como muitas outras mulheres, eu recuei diante das minhas próprias barreiras que são fruto de tudo isso que já sabemos: criação, repressão, desigualdade, violência, ameaça, tudo CONTRA, nós, mulheres. 

Meu primeiro assédio eu tinha 8 ou 9 anos, indo para a aula de catecismo. 

O assédio que mais me marcou foi o que sofri no meio profissional. Eu era jovenzinha, tinha 22. Fui trabalhar como estagiária numa das TVs mais conhecidas em São Paulo. Depois de um tempo que já tinha acabado meu estágio, me chamaram para uma vaga num canal fechado dessa TV, chamava-se Canal 50. Nesse canal, tinha um chefão. Foi ele quem, no dia em que fui agradecê-lo pelos meses que trabalhei lá, foram uns oito meses, eu acho, mandou a secretária sair, fechou a porta e me agarrou. Enfiou a língua na minha boca, me cercou, me puxou sexualmente pra ele, disse que sempre se sentiu atraído por mim e riu de mim quando eu disse a ele que aquilo era assédio. Ele me ameaçou dizendo que se eu dissesse qualquer coisa, jamais arrumaria outro emprego: "você tá começando, acha que pode falar algo a meu respeito? Nunca mais vai arranjar outro trabalho em televisão". 

Depois disso, saiu com o braço nos meus ombros e foi comigo até a ilha de edição que ficava noutro prédio. Eu estava pálida, muda e tremendo. Encontrei um colega de trabalho e ele notou que havia algo errado. Algo grave. 

Tempos depois, me acusaram de alguma coisa e me tornei persona non grata por lá por um tempo. 

O mesmo tempo que passa. O crime desse sujeito já prescreveu (mas ele ainda tem um grande cargo no mesmo grupo). Seriam 20 anos para que eu reclamasse na Justiça. Mas eu não teria como provar porque ninguém viu e eu podia nunca mais arrumar um emprego na área. Soube depois que era um modus operandi dele. 

Meu pai morreu sem saber que isso aconteceu porque não sabia que reação ele poderia ter. Da minha boca, ele nunca soube. 

Foi horrível. 

Eu havia escrito o nome desse homem, mas resolvi apagar porque ainda tenho medo do que pode me acontecer. 

A situação das mulheres é tão frágil diante disso... Só quem vive sabe. Eu, como muitas outras, vivi. Eu, como muitas outras, não falei. Eu, como muitas outras, tinha um segredo. Eu, como muitas outras, fomos "cúmplices" desses canalhas que nos fizeram isso porque não falamos. 

Esse blog tem outro objetivo, quem o acompanha sabe bem.  No entanto, se muitos homens que tem voz e espaço na mídia nos deram lugar para falar, por que não abrir o Blog da Gavioli (que fala do que é bom na vida) para tratar de um assunto tão sério? 

Mulheres, temos que ter coragem!