quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Virô Brasil!



Na culinária do Brasil cabe tudo!  

Somos um povo mestiço de alma e coração, de forno e fogão. 



--- tags: comida brasileiracozinha internacionalculinária do Brasil, curso de gastronomia, TCC gastronomia


Não dá pra falar de comida brasileira sem pensar na mestiçagem do sabor e na alquimia de elementos que vem de diversas partes do mundo porque o Brasil é um país plural feito, no início, mas só no início mesmo, de índios, portugueses e negros.  Prova disso é que já se vão 400 anos que os holandeses aportaram por aqui e no nosso Nordeste de Recife e Olinda deixaram não só olhos azuis, mas um pedaço do seu jeito de comer. Comida é cultura afinal. 

Só que a coisa não para por aí. A história conta, ainda que em tom de romance, que com a Corte Real vêm os costumes culinários mais refinados. Só que comer, a gente sempre comeu. Então, tudo é questão de mistura e aprendizado mesmo.  


Que seja só para dar ares de conhecedores da história, lá pelo XIX chega a família real e, mais uns anos, a independência e a libertação dos escravos. Nem por isso quem está aqui resolve ir embora, porque da América à África há um Atlântico a percorrer.  Mas a ideia é branquear o povo do Brasil e assim se abrem as fronteiras para a vinda das peles claras. Com elas vêm também a boca e o estômago de italianos, espanhóis e alemães a quem logo se juntam outras bocas e novos hábitos de japoneses, sírios e libaneses.  Isso é o início dos 1900. E foi nesse século, o de número vinte e das grandes guerras, que vieram judeus de diversas nacionalidades, vieram árabes, armênios, russos, romenos, poloneses, húngaros, chineses, coreanos... Foram vindo... E têm vindo... Já no 21, somos agora haitianos, sírios, argentinos, chilenos, bolivianos, somos muitas nacionalidades... Quem não tem um amigo de cada lugar e se diz brasileiro não tem amigos, não se abre e perde o melhor.  Essa é, pois, a nossa grande graça. 

Aqui, entre trancos e barrancos, vivemos lado a lado. Nem sempre cordatos, nem sempre cordiais, já nos avisava há tempos Gilberto Freire. Triste é que, ainda hoje dá pra separar a casa grande da senzala sem qualquer dificuldade, o que não dá pra separar é o arroz do feijão. O que aqui se põe no prato é igual com diferença.  

No Brasil, o melhor peixe é do pescador, a melhor fruta é a do quintal. O melhor doce é o daquela senhorinha mineira que mora virando a esquina e naquele “conventinho” de freiras enclausuradas tem a melhor bala de café do mundo. O queijo fresco da dona Maria custa só um real e, psiu!, não conte pra ninguém! 

E não é que, para além disso tudo, ainda por essas bandas tem cozinha internacional? 

É que ali pelos 70, quando a bossa era nova, chegam por esses lados, uns chefs de nome afrancesado. Vêm cá para nos dizer como é que se cozinha com toque refinado. Vêm de manteiga e nouvelle cuisine pra ensinar o que se come em padrão de quem anda de avião, porque país que se preza tem Hilton, Ritz e Copacabana Palace.  

Não é desfeita nem aporrinhação é que no Brasil cabe tudo. A nossa panela é um caldeirão! 

Brasileiro é conservador em tanta coisa, mas no prato, pelo menos na formação, não. A coisa é mais ou menos assim, se vem novidade e é gostoso, bota aí que a gente come com feijão. Ou põe leite condensado, que tudo sempre fica bom.  Ah! Como se come açúcar nessa terra de cana! 

Muito se fala de quem vem e fica, mas a gente viaja também.  Não nascemos passarinhos, mas foi Dumont quem inventou o avião. E ele não era brasileiro?  

Quando a gente manda o filho de intercâmbio ele não aprende só inglês ou alemão. Vai que volta com manias e predileções que por aqui não aprendeu. Quanta vez não traz além do chapéu do Mickey e do novo celular, uma garrafa de uísque ou um potinho de caviar? Um queijo da Serra da Estrela, um chocolate ao leite de vaca holandesa.

Difícil é pensar que quem se junta por mais tempo que um quilo de sal não leve e nem deixe um pouco de si, e é na comida que, apesar da resistência, vem a experiência. 

Depois de uma pincelada de história, já é hora de dizer que a gastronomia virou febre por aqui. É tanto curso, programa de televisão, tanta revista, tanto site, blog e gravação que no youtube tudo se acha, mas o comer de todo dia, o que faz o nosso ganha-pão, é na marmita ou no quilão.   

Ingredientes não nos faltam. Também não nos falta imaginação. A questão é por no prato o que alimenta, sacia e faz feliz já que comer é o prazer que nos resta e nos restaura. 

Estudar num só período cozinha regional brasileira e cozinha internacional é ter a oportunidade de enxergar nuances antes improcedentes. Não havia dúvidas, só a certeza ignorante de que tudo sempre tinha sido assim, de um certo jeito, e estava ali desde quando nem se pensava. Então o que parecia sempre ter sido passa a ter origem, motivo, razão, lugar, influência, sabe-se lá o que mais. Tudo passa a ser reflexão. E o ato de comer nunca mais será o mesmo. O de cozinhar também não.  

Entre semelhanças e diferenças, um novo mundo de oportunidades se tece numa rede inesgotável de paladares, texturas, aromas, cores e, principalmente, histórias, influências e tendências que fazem da culinária e da gastronomia uma coisa só, tão rica e generosa que só um Brasil inteiro pra caber não é o bastante. 

Não é preciso vasculhar baús, nem remexer toda a história para perceber o que está na cara. A gente come tudo junto e misturado, mas o nosso paladar está ainda em formação porque somos um povo que ainda não está pronto, graças a Deus! Brasileiro é assim e é assim que tem que ser, mas como é que é mesmo? A gente é mulato, branco, preto, japonês mesmo que coreano ou chinês. A gente é índio mesmo sendo boliviano e é gringo e pronto se vier com sotaque. 

Brasileiro come feijão, arroz, mandioca, abóbora, amendoim, milho, banana, manga e goiaba e tem um monte de fruta de nome esquisito que a gente também apreciaria se encontrasse por aí, tanto nacional quanto importada. Come peixe, carne até morrer e quase todo dia, come macarrão mais que na Itália, come sushi até de morango e pizza de brigadeiro. A gente ainda come esfirra, quibe e coxinha e todos parecem da mesma família, só que não! 

A mixórdia daqui é só pura confusão, nada tem de comida malfeita como quer o dicionário, ali por sua terceira ou quarta interpretação. O que tem de Brasil nesses brasis que o prato difere enquanto iguala, é o que comemos nós que somos preto, índio, branco e quem mais veio depois, numa farta e pra lá de promíscua miscigenação.  Mas, se acaba a ideia para a próxima refeição, a gente faz um virado com o que tem na mão.  Bota farinha, um temperinho e tudo fica bom. 


Esse texto  é uma adaptação (com outro final) do que escrevi para o Projeto Integrado Multidisciplinar - PIM que encerrou as atividades do quarto e último semestre do curso de Gastronomia da Unip - Universidade Paulista, na última segunda-feira, 5/dez/2016.  Depois de todo esse palavrório, vinha um menu com harmonização, fichas técnicas e justificativas para o trabalho, que aqui não cabem ser publicados. 

Dedico essa publicação, em especial, aos meus colegas de grupo Cauê, Nathália, Santília e Elaine, aos demais colegas da classe atual e das demais classes que participei na UNIP (foram 3 diferentes, pelo menos);  aos nossos professores e a todos os profissionais que vivem de fazer comida no Brasil. 

sábado, 26 de novembro de 2016

Cuba e o mundo se despedem de Fidel

Primeira notícia que li assim que acordei neste sábado foi a morte do líder cubano Fidel Castro. 

Inevitável. 

Pensei no tempo de cada um e nos papeis que temos na história, alguns pequenos quase sem importância, outros grandes como os do comandante que manteve a ilha de Cuba, a Pérola do Caribe, resistente contra o domínio do Imperialismo americano. 


Home Uol 26-nov-2016


Estive em Cuba no ano passado (2015), ainda em tempos de não abertura, enquanto o país ainda respirava a revolução, mesmo depois de 56 anos. 

Fui buscar meus textos sobre as impressões de Cuba. Uma boa lembrança. 

Que na morte descanse em paz Fidel Castro. Sua história é imortal. 

Viagem - Cuba 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Fast Food da quinzena

Dicas de diversão, cultura e entretenimento


Tem dica de evento que já está rolando e outras pra você ter tempo de se programar e se inscrever. Só não dá pra perder e dizer que não sabia... 


A Religião vai à mesa com Patricia Rodrigues  


Uma degustação de religiões em 6 atos comestíveis. É como se define o janteatro (jantar com teatro) que ocorre na Academia Gourmet, no Tatuapé, no sábado, 3/dez, apresentado pela chef de cozinha e mestre em Ciência da Religião, Patricia Rodrigues de Souza, autora do livro A Religião vai à mesa. 

Serviço: Preço do jantar: R$ 120. Academia Gourmet - Rua Antonio de Barros, 2302 - Tatuapé Mais informações e reservas: 11 2194-0010


Cinema Consciência Negra - Homenagem à atriz Ruth de Souza



De 16 a 28 de novembro, o CCBB-SP (Centro Cultura do Banco do Brasil), homenageia a atriz Ruth de Souza com a mostra de cinema Pérola Negra

Estão na programação filmes e programas de TV que mostram a trajetória dessa mulher negra de 95 anos, que completou 70 anos de carreira em 2015. Com sua representatividade artística, ela se tornou referência para toda uma geração de atores negros que a sucederam.



Acesse a programação da mostra
Serviço: Ingressos a R$ 10 e R$ 5 (meia entrada).  CCBB São Paulo -  Rua Álvares Penteado, 112 - Centro  - De quarta a segunda, das 9h às 21h. Outras informações: (11) 3113-3651. 




Chef'sTable - França

A Netflix produziu uma série somente com chefs de cozinha franceses. Com o mesmo rigor de direção e fotografia das duas temporadas do Chef's Table que apresentam cozinheiros de vários lugares do mundo, os quatro episódios falam de personalidades prá lá de instigantes no mundo da gastronomia: Alain Passard, Michel Troisgros, Adeline Grattard e Alexandre Couillon. Imperdível! Para ver sem fome porque é um delírio. Ah!  Dá vontade de viajar. 





Prato Firmeza 


Na segunda-feira, 5/dez, Amanda Rahra, Guilherme de Souza e Yuri Ferreira Nogueira, palestram no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, sobre o Prato Firmeza, o guia gastronômico da periferia de São Paulo. Produzido pelos alunos da Escola de Jornalismo da Énois, o guia teve sua primeira versão em 2013 e traz dicas de comida boa com valores médios de R$ 20 em bairros afastados do centro de São Paulo. Ideias como essa precisam ser valorizadas. Participe. 
Mais informações sobre as inscrições que começam essa semana (dia 25, sexta) no CPF do Sesc.




Gostou do conteúdo? Compartilhe! Navegue pelo blog, tem muita coisa boa publicada. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Tabule adaptado

Comer bem não depende do mundo, 
mas da vontade da gente

Depois de alguns meses, como eu mesma digo, que dei uma degringolada total na minha alimentação, essa semana recomecei do zero. Estou a fim de ficar mais saudável, ter mais disposição e viver melhor e, mais que qualquer coisa, sei que a comida do dia a dia faz toda diferença na vida da gente. 

Os exercícios físicos regulares também são fundamentais, mas, confesso que não sou muito fã de fazer ginástica e ainda muito menos de academia. Há anos faço ioga, o que me ajuda muito em ter alongamento e flexibilidade, mas meu condicionamento cardiovascular não é dos melhores. Se eu tiver que correr um quarteirão, logo estou ofegante. Mas isso também vai mudar. Aliás, já está mudando! 

Voltando ao assunto que é comer bem, voltei às saladas. Ah! Os vegetais combinados com algumas proteínas e oleaginosas, temperados com molhos prazerosos feitos com azeites, cítricos, iogurtes e ervas, mas um toque de sementes, são um deleite. 

tags: comer bem, comida saudável, salada, tabule, comida mediterrânea

Curioso é que quando estamos em situação de "ladeira a baixo", seja lá por que for, se por tristeza, solidão, correria, doença ou até mesmo naqueles períodos românticos que a gente "só se quer amar, se quer amar", não são as saladas que abrem o nosso apetite. Pra mim pelo menos, quando busco aconchego para comer, ou seja, se quero algo bem confortável, penso num arroz grudadinho no fundo da panela com aquela gordurinha do cozimento do frango. Logo me vem também a imagem de um doce bem calórico à cabeça como um bolo de aniversário recheado com doce leite, coco e abacaxi ou ameixa.  Mas, eu sinto imenso prazer quando me alimento de saladas, sucos, carnes sem gordura e, principalmente, quando diminuo a quantidade de pães e massas. 

Constatado isso, não sei dizer ao certo porque a comida mediterrânea faz tanto a minha cabeça. Eu simplesmente a-do-ro! Quando se trata de pratos com características árabes, turcas ou libanesas, então, nossa!, me entrego totalmente. 

Ontem, portanto, foi dia de fazer uma salada com elementos dessa culinária. Fiz tabule, uma típica salada libanesa. Só que um pouco adaptado. Deu super certo! 


Tabule 

Ingredientes

1 xícara (chá) de farinha de quibe ou triguilho 
1 cebola pequena picada em brunoise
1 pepino médio com parte da casca 
1 tomate grande bem vermelho e firme 
alface americana picada
10 tomates cereja 
5 folhas de espinafre
1 fatia de queijo feta 
1 fatia de queijo minas curado picado

Para temperar: 

- azeite extravirgem, sal, pimenta do reino, limão siciliano e tahine

Modo de fazer

Demolhe a farinha de quibe por pelo menos uma hora, escorra a àgua e aperte bem para tirar todo o líquido. Corte o pepino, o tomate e os queijos em cubos regulares e similares. O tomate cereja pode ser partido ao meio. Pique a alface e o espinafre em chifonade (o corte da couve, bem fininho). Misture todos os ingredientes e tempere com os itens sugeridos. 

Ficou uma salada sensacional. Não tinha vontade de parar de comer. Leve, suculenta, com ingredientes bem combinados entre si, tudo de bom! 

O que faltou para ser um tabule convencional?  Hortelã, salsa e cebolinha. Eu fiz à noite, não tinha esses ingredientes em casa e não queria esperar até o dia seguinte pra comprar. A adaptação ficou ótima. 

Essa salada combina muito bem com homus, babaganuche, coalhada fresca, pão sírio, kafta. quibe. Hummm, isso já seria um banquete. 




foto: Tudo Gostoso
E é assim que a vida vai voltando ao normal. Ando fazendo muitas saladas, testando texturas e combinações e uma hora qualquer consigo publicar tudo por aqui, Em especial, as que acho que mais valem a pena. 

Comer bem é uma escolha. Assim como viver bem. Não depende do mundo, depende da vontade da gente. Pense. 



Leia também nesse blog: 


terça-feira, 15 de novembro de 2016

Comfort Food: Risoto


Clube das Comadres


Parece sofisticado, SQN! 

Risoto não precisa de ocasião especial para ser servido. É comfort food, ou seja, "aquele prato que nos remete às boas lembranças, seja ela da infância ou de uma época boa das nossas vidas", numa definição de Mauricio Barufaldi na sua publicação no Diário de Marília, em setembro de 2014.




Já na coluna de Hospitalidade e Gastronomia do Clube das Comadres , você verá como é simples sem deixar de ser delicado o preparo de um risoto de peras com queijo 
gorgonzola.

--- tags: risoto, pera com gorgonzola, receita de risoto,  #clubedascomadres

Saiba como o desafio de cozinhar com os ingredientes que têm à mão pode ser vencido triunfalmente!! No Clube das Comadres/ Colunistas/Hospitalidade e Gastronomia ou acesse diretamente o link. 





Leia também neste blog: 


sábado, 15 de outubro de 2016

Fazer pão é como brincar de Deus

Clube das Comadres


Fazer pão é uma alegria para a alma. Dá trabalho, mas o resultado dá uma sensação de plenitude que só quem já fez, sabe. Posso garantir: vale a pena! Tente. 





Comece pela focaccia,  uma receita fácil que ilustra a minha coluna quinzenal do Clube das Comadres.

--- tags: focaccia, pão, pão caseiro, pão rústico,  #clubedascomadres

Aproveite, leia as dicas sobre como fazer uma bela focaccia, um tipo rústico de pão fofinho no Clube das Comadres/ Colunistas/Hospitalidade e Gastronomia ou acesse diretamente o link. 





terça-feira, 11 de outubro de 2016

Prioridade, escolha e decisão

Tem tempo que não me sento pra escrever. Muito mais tempo do que eu gostaria, aliás. 

O que me alivia é ter certeza de que o meu tempo foi bem usado. É até simples dizer: uma questão de prioridade. Como quase tudo na vida, fiz uma escolha diante de fatos incontroláveis.  Sou responsável por ela e me sinto tranquila e em paz porque escolhi. Sim, a escolha foi minha. 

Para os que sentiram a ausência de novos textos, da continuação das histórias da viagem de férias em julho passado e, para além disso, das receitas, dicas, entrevistas com convidados, colunas e o que mais haja, e, principalmente, da nossa convivência, penso mesmo que lhes devo uma explicação.

Em agosto, minha mãe sentiu-se mal repetidas vezes, procurou seu médico de anos e fez uns exames. Soube que estava com o coração combalido, precisando de uma restauração de algumas veias com certa urgência. Deve ter sido coisa de amor que naquele coração está cheio...  Poesia à parte, ela esteve (e ainda está) hospitalizada durante grande parte do tempo que estive ausente.  

Nesse período, já dá pra imaginar o que rolou; médicos, exames, clínicas, consultórios, hospitais, esperas intermináveis, erros e acertos,  dores e preocupações, unidades de terapia intensiva. Mais que isso, houve  uma grande cirurgia de revascularização com quatro pontes. Depois, outros longos e intermináveis dias de UTI, reabilitação e recuperação em casa, hospital de novo, outro procedimento cirúrgico e agora ela se recupera bem novamente. É bom dizer que nesse percurso sempre caminhamos para a cura. Tudo ocorreu com as bençãos de Deus e de Nossa Senhora da forma mais leve possível.  Tivemos ajuda e proteção, muitas orações e palavras de fé, incentivo, conforto e coragem, itens inestimáveis que nenhum dinheiro no mundo pode pagar numa trajetória como essa. 


Hoje, paro por aqui, porque a ideia era só contar o motivo do sumiço. Talvez até eu ainda fique escondida por um tempo. Falta ainda um pedaço do caminho até que minha mãe esteja em casa, com autonomia e segurança para cuidar da própria vida e fazer suas escolhas.  Quem sabe, não demore, já que agora as coisas tendem a retomar suas prateleiras, cada xícara, cada ferramenta voltando ao seu lugar ou indo morar em outro. No entanto, fato é que ninguém sai igual de uma experiência como essa.  A gente descobre logo o que é prioridade e quais são as escolhas inegociáveis da vida. Mais que isso, dá pra sacar o quanto Deus ajuda a gente depois que qualquer decisão foi tomada por mais que não dê pra entender "direito direito" na hora.   

Em breve a gente retoma o ritmo do blog com novos tons, sons, sabores, aromas e experiências. Ah! Nesse período de quase dois meses, chegou a primavera e as flores estão dando show por todos os lugares em tenho andado, até mesmo dentro de casa.  Um beijo cheio de gratidão e saudade. Façamos nossos dias, a cada dia, mais alegres! 




De volta do hospital. A primeira foto!


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Doce de casa, sobremesa de família!








Caçarola italiana e manjar branco com calda de vinho e ameixa preta - A minha avó, mãe da minha mãe, fazia sempre esses doces.  Agora quem faz é a filha dela, que também é avó! E assim a tradição permanece. Cá entre nós, minha mãe faz questão de manter o legado, mesmo que faça outras sobremesas. 





--- tags:#clubedascomadres, doce de vó, manjar branco, caçarola italiana, sobremesa de família

Acesse o site do Clube das Comadres/ Colunistas/Hospitalidade e Gastronomia ou acesse diretamente o link.

No Clube, publiquei a receita da caçarola italiana, mas a do manjar está aqui! 

Manjar Branco

Ingredientes 

Massa do manjar
1 1/2 litro de leite
1 vidro de leite de coco
2 xícaras (chá) de açúcar
6 colheres (sopa) de amido de milho - bem cheias

Calda
1 1/2 xícara de vinho tinto
4 colheres (chá) de açúcar
água
ameixas pretas com caroço

Modo de fazer: 

Ponha o leite para ferver, acrescente o açúcar e o leite de coco. Quando levantar fervura, acrescente o amido de milho dissolvido numa pequena reserva do leite. Mexa sem parar. Quando começar a engrossar, continue mexendo para que não grude demais no fundo da panela. Serão cerca de 5 minutos para o cozimento da maisena. Desligue o forno e despeja numa forma de buraco molhada com ameixas distribuídas no fundo.  Deixe endurecer por cerca de 2 horas ou até esfriar. Desenforme no recipiente em que vai servir. Deve ser fundo o suficiente para que a calda que será colocada por cim não derrame. 

Para fazer a calda, junte todos os ingredientes numa leiteira e leve ao fogo, até dar ponto de calda. Depois de fria, derrame sobre o manjar. 



Leia também: 




De braços abertos


Revista Bem Mulher, edição número 9


A nova edição da revista Bem Mulher traz na coluna de Gastronomia & Hospitalidade a encantadora região de Mendoza na Argentina. Essa foi uma viagem muito regada a bons vinhos, restaurantes e, mais que tudo, o perfeito espetáculo da natureza da Cordilheira dos Andes com o memorável Pico do Aconcágua.  






(Se preferir, leia aqui matéria na íntegra) 


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Piquenique na Coluna da Clau

Clube das Comadres


Como prometido, sempre que uma nova publicação sai, informo por  aqui. 

Aproveitar os dias com alegria, esse é o ensinamento. Dias tristes, todos temos, por isso, usufruir dos tempos bons faz bem ao coração, à alma e deixa memórias maravilhosas. 


--- tags: piquenique, picnic, festa ao ar livre  #clubedascomadres

Preparei umas dicas para sua festa ser pra lá de agradável. Acesse o site do Clube das Comadres/ Colunistas/Hospitalidade e Gastronomia ou acesse diretamente o link. 





quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Berga - Na Catalunha, rumo aos Pireneus

Férias de julho 2016 - Capítulo 4

Depois de Barcelona, olhando no mapa, subimos pela Catalunha em direção aos Pireneus.  Aquela cadeia de montanhas belíssimas que separam a Espanha da França tem esse nome e, pelo que aprendi na viagem, sempre foi uma região bastante disputada já que é uma cordilheira que separa a Península Ibérica (Espanha e Portugal) do restante da Europa. 


A razão é até simples de entender. Pense numa extensa barreira natural com cerca de 430 quilômetros de comprimento. Se de um lado há interessados em conquistar o outro lados, por questões religiosas e políticas, ela terá que ser atravessada independentemente do quão difícil seja o trajeto. Isso ocorreu inúmeras vezes na história. 

Nessa região, brincamos que em cada topo de morro há uma igreja românica, restaurada, preservada ou em ruínas. Essa é a prova de que por ali já houve domínio mouro muçulmano e que, a partir do século X ou XI, houve uma retomada cristã católica.  


Atualmente, há algumas rotas do Caminho de Santiago de Compostela que passam por ali. Por isso, a gente vê muitos peregrinos pelas estradinhas, especialmente naquelas em que, graças a beleza estonteante,  paramos para um piquenique durante nossa trajetória feita de carro. 


Antes de chegar aos Pireneus, já no caminho, paramos numa cidade muito acolhedora: Berga (se diz Bergá). Lá se fala catalão e espanhol, as pessoas são muito gentis, há passeios de subida de morro super interessantes de serem feitos, esportes como esqui e asa delta, e, o que mais me interessa, comida boa, muito boa! 

Num domingo, nosso passeio foi ao Santuário de Queralt, onde, após termos subido um trecho alto de carro, tomamos um funicular e depois continuamos subindo a pé mais cerca de 15 minutos, tivemos uma vista esplêndida da grandiosidade do que seriam os Pireneus.  






Ao descer, percorremos as ruas do centro histórico, uma vilinha bem medieval, e depois paramos num restaurante na praça. 

Um pouco reticentes devido ao nome Frankfurt, logo fomos convencidos por uma das donas do lugar que ali poderíamos comer bem. Ela se dedicou a nos explicar de ponta a ponta todos os itens do cardápio, parando em alguns pontos para nos sugerir o que melhor se encaixaria na nossa fome, bolso e necessidade de experiência. Isso é hospitalidade, o resto é conversa. 

Foi ali que pedimos, pão com tomate e uma salada com foie gras, para o Silas, tortilla de bacalao. Para acompanhar, sangria, a típica bebida que os espanhóis fazem deliciosamente, bebem deliciosamente, dão para os filhos ainda pequenos e para os turistas se alegrarem. Depois disso, só nos restava voltar ao nosso albergue para descansar já que foi um esbaldar de sabores o que nos foi oferecido. 








Não há muito mais a dizer, só uma recomendação básica. Esqueça a ideia de que a Espanha é feita apenas de Madri, Barcelona, Córdoba, Sevilha e Granada. Essa região que é pouco falada nos guias aqui no Brasil é linda, romântica e muito saborosa. 

Em Berga fomos super bem tratados e, além disso, nessa cidade, numa noite enluarada de sábado, as pessoas dançaram (e deu a impressão de que dançam com frequência) uma espécie de ciranda na praça. Ali, há um senso de comunidade e de pertencimento invejáveis para qualquer cidadão do mundo, em especial, para quem deixou uma cidade pequena para viver numa grande em que mal os vizinhos se cumprimentam. É o meu caso. 


As fotos falam o resto. 


Boa viagem aos Pireneus da Espanha

Leia também: 

>>>  Vamos falar de viagem
>>> Barcelona, a porta de entrada
>>> Can Margarit, jantando com os locais

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Coluna da Clau


Clube das Comadres


Hoje tem publicação nova no site.

Tudo na vida tem a ver com estar disposto a experimentar. Você já foi a uma taverna rústica de verdade? 

Aniversário comemorado no Can Margarit, em Barcelona. 





--- tags: viagemvinho rosadoconill a la Jumillanadica Barcelona,  #clubedascomadres


Leia as dicas e impressões sobre o restaurante Can Margarit em Barcelona. Acesse o site do Clube das Comadres/ Colunistas/Hospitalidade e Gastronomia ou acesse diretamente o link. 






quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Fast Food - dicas incríveis

Não dá pra perder tanta coisa boa! Andei descobrindo umas coisas que me encantam nessa cidade de São Paulo, que é hostil, barulhenta, mas é o lugar que escolhi pra viver! 




Cinema ao ar livre na Casa das Rosas

Em agosto e setembro, tem cinema grátis e ao ar livre na Casa das Rosas, na Avenida Paulista, 37 (aquele casarão lindo quase em frente ao Shopping Paulista). Sempre às quintas, às 19h30, começa em 04 de agosto, com o filme O Amor nos Tempos do Cólera, de Mike Newell.  Não há necessidade de reservar, é só levar uma canga para sentar no chão ou um banquinho. Ideia boa!! 
Outras informações: (11) 3285-6986




Lá em casa pra Jantar - Comida de inverno na Toscana 

Dia 13 de agosto, sábado, vai rolar a sexta edição do Lá em casa pra Jantar. 
Um projeto pra juntar gente em volta da mesa, comendo e bebendo bem, com muita alegria.  Só vai gente interessante. As vagas são limitadas a 12. Então tem que se inscrever logo. O menu promete: comida toscana com aquele jeitão de comida de casa da vó! Que delícia. Valor do jantar completo: R$ 100,00 sem vinho. 
Mais informações: Lá em casa pra jantar - 6a. edição
Reservas: laemcasaprajantar@gmail.com 



Mandioca de cabo a rabo - Comer é mais!

Neide Rigo, aquela do blog come-se dá o curso Mandioca de Cabo a Rabo: da Raiz aos Beijus e Tucupi no Sesc Belenzinho, dentro do projeto Comer é Mais! Quarta, 17/agosto, às 19h30. Tem que se inscrever a partir do dia 04 de agosto, às 14h,  no site do Sesc. 





Olimpíadas Rio 2016

Se não der para ir até o Rio de Janeiro, nem pra assistir um jogo de futebol do Itaquerão, como sempre, as Olimpíadas reservam bons momentos em frente à TV nos próximos dias. Ainda mais porque tem a emoção de tudo estar ocorrendo aqui no Brasil. Em tempos de tanta crise e desânimo, eis que um alento nos socorre com o congraçamento de 206 países reunidos em terras brasilis! 
Não precisa ver tudo na Globo, outros canais prometem uma cobertura ótima dos eventos esportivos. Eu vou dar um jeito de ir até o Rio pra curtir um pouco o clima!  No mais, pipoca e cobertor para os dias frios e varemos a madrugada vendo o maior espetáculo da esporte mundial. 



Terra Madre - Salone del Gusto 

Em setembro: em tempo de se planejar  - De 22 a 26 de setembro, em Turim, na Itália, ocorre o principal encontro mundial para tratar de pontos fundamentais sobre a alimentação do planeta. O Terra Madre é uma realização dos associados ao  movimento  slow food.  Todas as informações sobre o evento estão disponíveis no site: http://www.salonedelgusto.com/ 
É longe? Na Europa! Sim, mas não é impossível. Bora montar um grupo e voar pra lá?? Eu to dentro. 


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