quarta-feira, 30 de março de 2016

Masterchef 2016 - Terceira temporada



Eles voltaram: Henrique Fogaça, Paola Carossella e Erick Jaccquin. Continuam jurados do Masterchef Brasil, agora já na terceira edição. Para quem curte o programa, a diversão notívaga das terças-feiras está garantida. 

E dá-lhe caras e bocas! 

Em meio a tantas grosserias e arrogâncias e outras muitas "fofurices", os três chefs, agora pra lá de conhecidos do público nacional, selecionaram 21 participantes para a edição do programa deste ano. Tarefa nem tão fácil quanto parece porque, no fundo, eles sabem o poder da mídia que mudou a vida deles e pode mudar muito a dos participantes também, transformando alguns em pop stars instantâneos. 




Assisti aos três primeiros episódios, que foram os da seleção do grupo, e, ontem, vi até o final já com alguma torcida. Vibrei e lamentei quando uns e outros tiveram que devolver seus aventais e, quanto aos que sobraram, posso dizer que me identifiquei com alguns e, simplesmente, detestei outros.  

Repercussão

Durante todo o programa ontem o Twitter bombou Masterchef... E tinha gente grande como o Arnaldo Lorençato twittando sem parar... Sinal de que a coisa vai pegar de novo este ano. 

Hoje, lendo meus blogs prediletos eis que encontro no post do A dica é  as mais deliciosas observações sobre o grupo de 21 classificados do Masterchef 2016. A Ale e a Aline mataram a pau! 
Aline e Alessandra, blog A dica é

Não concordo com 100%  só por causa da Thaiana que eu classificaria como parte da cota das "fofuras" e tem também Gleice que, pra mim, parece mandar bem pra caramba na cozinha. Só posso dizer que concordo com o que escreveram mais de 90%. Ah! e isso é só porque também quero dar pitaco. 

Assim, aproveitando a deixa, resolvi compartilhar o post delas porque  o texto é uma bela sacada. As meninas do A dica é são ótimas!!! E eu sei disso não é de hoje. 

So... enjoy it!!! 






Leia também sobre Masterchef nesse blog: 


terça-feira, 29 de março de 2016

Foccacia - um tipo de Pão


Ah! As aulas de panificação, quanta alegria nos trazem!

Fazer pão é como brincar um pouco de Deus. 
Dá uma sensação de plenitude que só quem já fez sentiu. 
Se nunca fizer, jamais saberá. 

Não importa qual seja o pão da sua escolha, o ato de transformar a matéria prima, neste caso quase sempre a farinha de trigo, em alimento (e que alimento! o pão, o pão nosso de cada dia! ) é de fato uma satisfação divina. É construir algo palpável, saudável, cheiroso, apetitoso... uma dádiva. 

Entre as coisas mais deliciosas que podemos fazer na cozinha os pães são líderes incontestáveis. Primeiro porque são irresistíveis, não há quem não goste. Há quem não coma, mas quem não goste, digamos, eu nunca vi! Depois porque acompanham bem outros alimentos, dão sustentação a uma refeição, por exemplo, feita de salada e proteína. Mais que isso, pães são alimentos sagrados. Nunca ouviu sua avó dizer que não se joga pão no lixo? Eu não jogo jamais. 

Na manhã de ontem, fizemos ciabatta, focaccia e uma variação dela, sua prima francesa fougasse. 
Escolhi compartilhar a experiência da focaccia hoje porque realmente a relação custo-benefício é excelente, uma vez que o pão é fácil de fazer, faz pouca sujeira na cozinha, rende bastante, pode ser recheado ou não, fica pronto com certa rapidez (se comparado a outros pães), é suave, macio, além de guardar uma certa elegância para ir à mesa e, por conta disso mesmo, funcionar para diversas ocasiões. Mais motivos? Faça e descubra. 

Quero aqui fazer mais uma breve reflexão sobre a generosidade de quem ensina a fazer pão. E esse post dedico a minha atual professora, Camila Caldeira. Segundo a Wikipedia,


generosos são tanto as pessoas que se sentem bem em dividir um tesouro com mais pessoas porque isso as fará bem, tanto quanto aquela pessoa que dividirá um tempo agradável para outros sem a necessidade de receber algo em troca.
Pois é isso que sinto quando tenho uma aula de panificação. Sinto aflorar a generosidade, transbordar o entendimento entre as partes e o resultado disso é pão. Uma relação simples e bonita em forma de comida. 

Para quem nunca fez foccacia, trata-se de um pão rústico italiano, do tipo massa de pizza grossa, fofinha. Só agora me ocorreu que devo ter ficado tão emocionada com a foccacia porque se parece muito com a pizza que a minha avó Angelina fazia, a partir de uma receita que tia Dionísia anotou do programa da Xênia na televisão.  Não sei se é a mesma receita, preciso consultar as receitas da família, mas deve haver alguma semelhança. Não no fermento que na receita da Xênia era fresco, daqueles de padaria, mas no preparo, sim, deve haver coincidências. 


Focaccia


Ingredientes

Massa

5 gramas (1/2 pacotinho) de fermento biológico seco 
250 gramas (1 xícara de chá) de farinha de trigo
25 gramas (1 colher de chá) de açúcar refinado
2,5 gramas (1 colher de café) de sal 
20 gramas (1 colher de sopa) de manteiga sem sal
150 ml (3/4 de xícara de chá) de leite integral

Cobertura (ou recheio, como preferir) 

Alecrim seco
Sal grosso 
50 ml de azeite extravirgem
1/3 de cebola cortada em julienne* 


Modo de fazer

Misture todos os ingredientes secos para aerá-los um pouco. Leve-os à batedeira montada com o batedor de gancho e, aos poucos, acrescente a manteiga e o leite. Bata até que a massa fica completamente lisa e elástica. Retire a massa da batedeira e deixe descansar por 10 minutos. 
Unte uma assadeira alta e com fundo removível com azeite e distribua a massa descansada em toda sua extensão. Deixe-a fermentar coberta com filme plástico até que dobre de volume. 
Quando estiver crescida, afunde suavemente os dedos em toda extensão da massa para que fique ondulada. Por cima distribua a cebola picada, o alecrim, regue com azeite (sem excessos) e polvilhe sal grosso. 
Leve ao forno pré-aquecido em 190 graus  por 8 minutos. Depois reduza a temperatura para 150 graus até que doure levemente sem deixar chamuscar a cebola. 
Desenforme quando tiver esfriado um pouco. Corte em fatias (triângulos de pizza) e sirva só ou como acompanhamento de patês, manteiga (que pode ser saborizada), queijos cremosos ou azeites. 






Esse pão pode ser congelado depois de pronto. Para descongelar é só levar ao forno diretamente por cerca de 10 minutos em temperatura média (120 a 150 graus). 


Só pra constar: a pizza da minha avó Angelina era feita numa forma retangular e sempre coberta com muçarela, presunto, tomate, orégano e cebola. Sabor inigualável. Fiquei com água na boca e uma saudade imensa da cozinha da casa dela. A melhor pizza pra comer fria do mundo!


Uma reflexão compartilhada: Desde que resolvi estudar no período da manhã, como tudo na minha rotina muda muito com isso,  venho tentando me adaptar. Lamentavelmente os reflexos dessa adaptação podem ser vistos com clareza no blog. Espero que meus leitores amados me desculpem a falta dos últimos tempos. Explico, mas não justifico. Não tenho conseguido me dedicar ao blog como gosto, e como o leitor merece, mas estou me acertando e, com calma e delicadeza, tudo se ajeita. Estou certa disso. 


Esse é o meu grupo na turma de Gastronomia. As fotos dos pratos que preparamos juntos são sempre do Marcos ou da Patrícia e, às vezes, da minha xará Cláudia. 


Da esquerda para direita: Paty, Mara, Claudia, eu e Marcos


Até amanhã! Beijos renovados de Páscoa que passei em Itu com a mãe, fazendo faxina de reforma.  A casa dela ficou linda!!!! Linda como ela merece! 


* julienne - corte em tiras finas e uniformes. 


Leia também: 


quinta-feira, 17 de março de 2016

Revitalização do Mercado de Pinheiros



...legítimo esforço de transformação e revitalização 
do espaço para o qual personalidades conscientes do mundo
 gastronômico emprestaram seus nomes









Em qualquer viagem que eu faça, seja no Brasil ou no exterior, numa capital ou numa pequena cidade, um dos meus lugares favoritos para visitar é o mercado local de hortifrutigranjeiros. É onde tem comida de verdade com a cara do lugar. Pelo menos é assim que eu sinto. 

Morei mais de 16 anos no bairro e lamentavelmente poucas foram as vezes que estive no Mercado de Pinheiros. Os motivos que não levaram durante todos esses anos ao mercado são diversos, mas o  maior deles era o estado que se encontrava. Sem atrativos, muito largado, mal cheiroso, um tanto sujo, sem produtos de qualidade que me atraíssem o suficiente e, pior de tudo, cada vez que eu estive ali fiquei com uma sensação de derrota como cidadã. Um patrimônio público tão bem localizado naquele estado de degradação era a prova pra mim de que nós, cidadãos, somos muito incompetentes. 


Mas há algum tempo venho acompanhando as tentativas de revitalizar aquele espaço e ontem fui até lá para um evento cuja divulgação por meio de release recebi super em cima da hora, na terça à noite, enviada pela assessoria de imprensa do restaurante Dalva e Dito,  do chef Alex Atala. Isso porque o projeto de revitalização do mercado de Pinheiros é uma bandeira empunhada pelo Instituto Atá, do mesmo chef. 

Devo admitir que minha desconfiança era enorme. Fui pagar para ver.  Cheia de preconceitos, estava com receio de que, como o projeto tinha envolvimento de grandes e midiáticos nomes da gastronomia no Brasil como o próprio Atala e também Rodrigo de Oliveira, do restaurante Mocotó, além de Bel Coelho, do Clandestino, e outras estrelas, o projeto fosse uma dessas "gourmetizações" do espaço público. Pensei, vou chegar lá e o mercado se terá transformado num palco para essas estrelas, com preços estratosféricos e, claro, vai atrair os hippie-chiques da Vila Madalena para vender comida do tipo food truck sob o pretexto de gastronomia de verdade. 

Me dei foi mal!!! 






O que vi foi um verdadeiro e legítimo esforço de transformação e revitalização do espaço para o qual personalidades conscientes do mundo gastronômico emprestaram seus nomes, tempo, imagem, credibilidade e, principalmente, sua boa vontade e empreendedorismo.

Não há como saber se sem esses nomes a transformação teria ocorrido, mas é pouco provável. 

Mais consciente foi como saí de lá, depois de participar do seminário em que estiveram presentes como palestrantes os representantes dos vários biomas brasileiros. Pessoas que vieram a São Paulo para encontrar mercado no sentido amplo. Estiveram aqui para demonstrar seus produtos, fruto da dedicação que têm não só em produzir alimentos diretamente da terra, como os hortifrutis, bem como os que são processados como vinho, doces, farinha etc. 

A fim de divulgar e promover esses itens visando encontrar e participar do maior mercado consumidor do país, essas pessoas que produzem, por exemplo, frutos exóticos para nós paulistas, estavam aqui por uma real questão de sustentabilidade de seus negócios.  

A revitalização do Mercado de Pinheiros ainda é incipiente. Há muitos outros passos a serem caminhados até que o espaço se reafirme e seja novamente um patrimônio com função para os moradores e frequentadores da região, mas as bases parecem sólidas desta vez. 

Ficou evidente que os entraves foram (e ainda devem ou deverão ser grandes). No entanto, o esforço dos atores envolvidos, esse elenco estelar, em conjunto com a abertura e receptividade e ação da atual Prefeitura de São Paulo, venceu a inércia e o mercado já mudou. 

Voltei alegre pra casa, apesar do noite tensa que se seguiu.  Como não tenho sangue de barata e a situação política do Brasil me incomoda profundamente, acompanhar o noticiário ontem foi dilacerante pra mim. Acho que nunca havia vivido conscientemente um momento tão dramático deste país em termos de crise política como o atual. Contudo, o evento no mercado ontem foi um alento. Meu sentimento é que tem gente a fim de fazer dar certo, que não fica só reclamando e apostando que quanto pior, melhor.  

Revitalizar um espaço como o mercado de Pinheiros com um objetivo nobre bem definido como o que me foi apresentado ontem  é um sinal de que a mudança é possível. Mudar pra melhor é uma questão de atitude e comprometimento.  

A propósito, a ideia é fazer desse mercado um local onde cheguem os ingredientes regionais brasileiros, os frutos desses biomas que quase ninguém sabe quais são,  para que passemos a conhecer, valorizar  e também consumir o que é nacional. Ou seja, um trilho para o desenvolvimento de uma cozinha que seja internacional para os que vêm de fora, ou seja, de comida brasileira. Novos tempos! Já passou da hora de fazermos isso no Brasil. 

Sinto-me envergonhada pelo meu preconceito de ontem. Mudei. Nesse momento, sinto gratidão pelo envolvimento dessas pessoas para que possamos usufruir do Mercado de Pinheiros em todas as suas potencialidades. No que puder, estarei envolvida. 

Sou ituana de nascimento, paulistana por opção e amo o bairro de Pinheiros como o meu lugar. 

Recomendo a visita ao mercado com o coração aberto. 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Nem só de restaurante vive o chef de cozinha

Blog da Gavioli e Lá em casa pra jantar na mídia



No fim do ano passado, estive na Rádio USP no programa da colega de profissão Miriam Ramos. Ela que, como eu, é jornalista, tem uma carreira linda e apresenta o programa  Abrace uma carreira, que vai ao ar todas as quintas-feiras, às 13 horas. 

Na minha modesta opinião, o programa é uma benção informativa para as pessoas de todas as idades, mas em especial para os jovens, que buscam saber quais são as diversas maneiras de se atuar numa determinada carreira. 

Tomando a Gastronomia como exemplo, há os que pensam que, ao escolher essa profissão, o único caminho a ser seguido é o de ir para a cozinha e ser tornar um chef num restaurante. Só que não!

Como em todas as demais carreiras, basta abrir-se para reconhecer que há uma infinita gama de possíveis atuações. O mercado de trabalho é vivo e pulsante. Sempre dá pra criar algo novo. Mas, vamos pensar no que já existe, só pra ter ideia de que nada é tão fechado quanto parece.


  • Que tal uma consultoria para a montagem de cozinhas para bares, restaurantes etc.? 
  • Quem sabe montar um restaurante, um buffet, doceria, ateliê, uma cozinha autoral? 
  • Especializar-se em treinamentos e serviços de sala e bar? 
  • Que dizer de trabalhar num hotel ou em projetos de turismo e hospitalidade? 
  • Quer ser um consultor especialista em montagem de cardápios ou menu?  
  • Tornar-se um professor na área? 
  • Ser um pesquisador ou um acadêmico sobre comida? 
  • Atuar como consultor de negócios de cozinha e da indústria alimentícia ou de bebidas? 
  • Ser um personal chef e ir às casas das pessoas ou empresas para cozinhar? 
  • Trabalhar em revistas, sites ou outras publicações gastronômicas? 
  • Quem sabe ser designer para montagem de mesas em eventos? 
  • Tornar-se crítico de restaurantes? 
  • Ser um especialista que escreve sobre o assunto e ter um blog influenciador do mercado? 


O programa Abrace uma carreira abre ao ouvinte essa dimensão das profissões. Em cada episódio uma área é desvendada por quem trabalha nela de um jeito ou de outro. Afinal, são tantas as possibilidades que a gente até se perde e, pior,  às vezes, não vê e se fecha numa visão restrita.  

Resolvi tratar novamente desse assunto porque o post que escrevi em dezembro foi publicado entre o Natal e o Revellion. Quase ninguém viu ou ouviu o programa. Por isso, resolvi requentar e servir novamente porque o conteúdo é muito bom. 

Para quem tem interesse na área de Gastronomia, nesse link é possível ouvir o programa na íntegra. 

O programa Abrace uma carreira - Gastronomia foi ao ar no dia 24/12 na rádio USP e no dia 27/12 na rádio UEL, da Universidade de Londrina. 

Entre os entrevistados, a chef Janaína Rueda, do Bar da Dona Onça e da Casa do Porco;  Patricia Souza, mestre em Ciência da Religião e chef de cozinha, autora do livro Religião vai à mesa;  o professor de gastronomia José Roberto Yasoshima, da USP, e eu, que fui falar sobre o Blog da Gavioli e o projeto Lá em casa pra jantar

Não deixe de ouvir. Aquele abraço! 

PROGRAMA ABRACE UMA CARREIRA - 24 e 27/12/2016 - sobre Gastronomia


Leia também: 


terça-feira, 15 de março de 2016

Como anda o seu apetite?

Quando se trata de comida, você só pensa na dieta para emagrecer? Nem importa o sabor, o que mais vale a pena é a silhueta?  Mas, no fundo, não apetece seu paladar  quando a ideia é comer uma saladinha? 

Para quem acompanha o blog, há mais de um mês prometi contar a novidade sobre a divulgação das saladas, aquelas feitas no que chamei de "festival",  mas por força de várias circunstâncias isso não ocorreu.  Hoje é o dia da novidade. Prepare-se! 





Em meados de novembro do ano passado, recebi um e-mail de uma pessoa que me encontrou pelo Linked in tratando sobre um assunto que muito me interessava. Era a Andréa, ou a Déa, que estava cuidando da estratégia de marketing de um novo aplicativo para vender comida.

Até aí, tudo normal. Mais uma aplicativo. Já existem vários. Mas a grande novidade, ou seja,  a verdadeira pegada do negócio é que o aplicativo estava sendo desenvolvido para garantir com segurança que qualquer pessoa, inicialmente em São Paulo, pudesse escolher a comida feita por um cozinheiro caseiro, mas que sabe cozinhar, tem técnica, cuidados de higiene e manipulação, tendo em conta sua geolocalização. 

Trocando em miúdos é o seguinte: Você baixa o aplicativo no seu celular. Aí, um dia, você que trabalha, por exemplo, em Pinheiros ou em Perdizes, decide que quer comer uma comida bem saborosa feita de um jeito cuidadoso e em casa, acessa o aplicativo e vê quais são os "chefs" caseiros que estão no seu entorno e o que eles oferecerem naquele dia ou para uma encomenda para levar pra casa. 

Achei a ideia ótima. Fazia tempo que eu queria criar um aplicativo para vender comida, porque esse tipo de tecnologia veio pra ficar, simplesmente porque facilita muito a vida das pessoas. Basta ver como os jovens lidam com isso,  tudo com a maior naturalidade, o que deixa claro que é um caminho sem volta. No mais, o dia-a-dia fica menos cansativo quando a gente aprende a usar determinadas facilidades que a tecnologia oferece. É preciso se abrir às novidades. Muitas vezes elas são surpreendentemente boas. 

Fora isso, como eu acredito em comida saudável e sei que inúmeras dietas vão por água abaixo porque as saladas nem sempre são feitas com sabor, textura e ingredientes que combinam entre si, bingo! resolvi entrar na parceria com o pessoal do aplicativo e oferecer salada no meu cardápio. 

A minha proposta é simples, apesar de parecer ousada. Eu crio saladas de modo que, ao comê-las, as pessoas passem a apreciá-las. Minha intenção é que  a experiência seja memorável ao paladar e que, quem prove, queira repetir ou experimentar uma diferente porque todas tem muito sabor, além de terem também o equilíbrio necessário de uma refeição completa. 

De quando a Déa me mandou e-mail até hoje, muita coisa rolou. Eu e outros chefs pensamos os menus, ela e uma equipe multidisciplinar cuidou do desenvolvimento do aplicativo. Então, nasceu o  Apptite.



Ainda em fase inicial, e como é a minha filosofia de vida, a gente vem fazendo o negócio novo funcionar, isto é, a gente "pôs a carroça pra andar e as melancias estão se ajeitando". Agora chegou a hora de contar pra todo mundo. 

Eu já vendi algumas saladas e espero vender muitas mais. Especialmente porque o negócio é bem bacana mesmo e as comidas ofertadas são de ótima qualidade, com preços justos. 

E, como não pode deixar de ser num negócio desses, o cliente tem como avaliar o serviço, dar nota para o prato e interagir com o cozinheiro da sua refeição. Além disso, paga diretamente no cartão de crédito. Na hora de pegar a comida, não tem essa de ficar mexendo em dinheiro, não. Tem coisa que não combina, né?  Uma delas é mexer em dinheiro na hora de comer. 

Por que você não baixa o aplicativo,  entra e testa? Vamos lá, se estiver aqui por Higienópolis ou Santa Cecília, digo perto da Santa Casa onde eu moro,  peça uma salada minha. Tem opções muito diferentes. Você vai sair da convencional salada de alface molhada, tomate e cebola,  sempre temperada com sal, vinagre e óleo (porque no quilo nem sempre tem azeite!). 






Digo que se estiver aqui por perto porque os chefs, ao menos nesse momento, não têm ainda infraestrutura logística para entregas, de modo que é preciso vir pegar no local. Mas, isso é fácil de resolver. Basta se programar já que os pedidos podem ser feitos com antecedência. Dependendo do pedido, vamos supor que no seu escritório tenha 5 pessoas pedindo saladas, eu tenho como programar uma entrega caso seja perto daqui. Se for um pouco mais longe, havendo programação, a gente dá um jeito. O lance é começar. Eu sei que dá certo! 

Além das saladas, tem um pão caseiro que eu faço que também está no aplicativo e para quem adora doces e quer fazer uma páscoa bem feliz cheia de brigadeiros absolutamente divinos, há caixinhas desses doces feitos por mim também divulgados lá. 

Essa é a novidade que há tempos queria contar. Espero que tenham gostado e que divulguem para os amigos. O boca-a-boca é o nosso maior desejo nesse momento, porque só comenta quem acredita que pode dar certo. 

Agora é hora de preparar saladas! Encomendas à vista. 

Grande abraço! 


Serviço:

Mais informações, acesse o site:  AppTite  e se cadastre. Baixe o aplicativo agora no seu celular. 

Sobre as saladas, leia os posts relacionados: 



quinta-feira, 10 de março de 2016

Penne com tapenade de azeitona

Receita fácil e rápida

Tecnicamente, 
o aliche deve ser desmanchado no azeite quente para potencializar 
seu sabor . Essa é a forma correta de usar esse ingrediente.


A moda é minha, não copiei, nem segui receita alguma. Só pensei que a união de dois ingredientes que eu adoro, porque são mesmo deliciosos, que são macarrão e azeitona, funcionariam bem. Bem demais! 

Diante do pouco tempo que tinha hoje ao chegar em casa depois da aula e sem qualquer vontade de ir comer no self service por peso daqui de perto, já vim pela rua pensando em qual seria a minha arte do dia para que pudesse comer com sabor e também agradar ao paladar do Silas. 

Minha ideia era aproveitar os ingredientes que tinha na geladeira, na fruteira e na despensa  (que eu sabia que já não estavam assim, digamos, repletas de opções) e fazer algo bom, saboroso, apetitoso. Talvez um risoto, já que sempre tenho arroz arbóreo e funghi em casa, ou uma massinha rápida e gostosa.  

Costumo dizer que sei que não dá mais para adiar a ida ao supermercado quando faltam em minha casa duas coisas: papel higiênico e azeitona. Sim! Azeitonas nunca faltam na minha geladeira.  Parece estranho? 

Eu simplesmente não vivo sem azeitona.  Gosto tanto que, só pra contar uma curiosidade, no final do ano passado, fui à Zona Cerealista e, sabendo que ficaria mais de 10 dias em Atibaia para as festas, comprei mais de três quilos de azeitonas. Por fim, isso virou piada. Como éramos muitas pessoas, as geladeiras estavam sendo disputadas por todo tipo de ingrediente: legumes, frutas, verduras, queijos, conservas e também peru, carnes, enfim, tudo o que abundantemente (e exageradamente) providenciamos para as festas de fim de ano. E as azeitonas, claro, ocupavam muito mais espaço do que podiam.  Minha sogra não se conformava com aquilo, tanto que falou das azeitonas inúmeras vezes. Ah! e quando faltava algum motivo para rir, alguém se lembrava das azeitonas e era só gargalhada.  Eu exagerei, confesso, mas foi por uma boa causa: a minha garantia de poder por azeitona em tudo ou quase tudo! 

Hoje usei azeitonas verdes para fazer uma bela massa e degustá-la com muito prazer como a gente sempre merece, todos os dias. Afinal, cozinhar é a mágica que nos permite isso. 

Por definição, tapenade é uma preparação tipicamente provençal que leva azeitonas, alcaparras, aliche e azeite, tudo macerado. 

Eu me lembro claramente a primeira vez que vi uma tapenade de azeitonas escuras. Ela foi servida com bacalhau. Aroma e textura impressionantes. Posso dizer que essa comida me aguçou tanto o paladar que eu fugiria de qualquer dieta restritiva para prová-la. 

Vamos à receita. 

Penne com tapenade de azeitonas à minha moda

Rendimento: 2 porções 




Ingredientes



250 gramas de massa grano duro do tipo pena miudinha
2, 5 litros de água
1 colher (sopa) de sal
1 colher de azeite extravirgem
1 filezinho de anchova (aliche curtido em salmoura)
100 gramas de azeitonas verdes sem caroço picada
1 colher (chá) de alcaparras maceradas
2 tomates italianos pelados (sem pele e sem sementes)
sal e pimenta do reino
30 gramas de queijo parmesão ralado na hora

Modo de preparo

Para cozinhar a massa: Ferva a água com uma colher de sal e cozinhe a massa até que esteja al dente, isso ocorrerá em cerca de 7 minutos. 

Molho: Aqueça uma colher de azeite na frigideira. Desligue o fogo, acrescente o aliche e delicadamente amasse-o com um garfo para que solte todo o sabor. Volte a panela ao fogo e imediatamente acrescente as azeitonas picadas e as alcaparras maceradas. Deixe cozinhar por cerca de 4 minutos e acrescente os tomates picados em cubos pequenos. Abaixe o fogo e deixe cozinhar, aproveitando para sentir o aroma que soltam. Acerte o sal e tempere com um pouco de pimenta do reino. 

Quando o macarrão estiver cozido, escorra sem lavar a massa e junte-a ao molho. Finalize no prato com o parmesão ralado por cima. Sirva em seguida. 

Dicas: 


  • Sobre a pasta: Em geral, o tempo de cozimento da massa seca está na embalagem e leva em consideração o ponto de cozimento do macarrão para que fique al dente. Isso significa que o macarrão estará um pouco durinho, nunca mole demais. Esse é o ponto correto do cozimento, especialmente porque as massas continuam sob efeito do calor absorvendo água do molho. Por isso é que o macarrão tem que ser servido imediatamente, sob pena de ficar todo grudado, o que não é nada agradável ao paladar. 
  • Aliche ou anchova - Essa dúvida sempre ocorre com todo mundo. Aliche é o peixe que conservado em salmoura se tornará a anchova. Diz-se que o aliche se torna anchovado quando é preparado nesse tipo de conserva. 
  • Preparo do aliche - Tecnicamente trabalhar o aliche "desmanchando-o" no azeite quente (nunca use azeite fervendo) potencializa seu sabor e é a forma correta de usar esse ingrediente. Usá-lo diretamente no preparo fará com tudo fique muito salgado, já que a conserva é uma salmoura. Aprendi isso há pouco tempo com meu professor de garde manger*. Um salto qualitativo no meu jeito de cozinhar e usar anchova.  

Já ia me esquecendo de comentar sobre o uso do tomate nesse preparo. Como disse antes, essa receita é minha e não é uma adaptação. O tomate refogado com os demais ingredientes solta água e cor, além de um sabor e aroma bem italianos, que me é muito familiar. Por isso, optei por usá-lo, mas numa tapenade não vai tomate, é bom dizer. 



Para quem não tinha grandes variedades à mão, a comida ficou boa para caramba! Uma delícia. Depois fui procurar uma receita na internet que tivesse algo parecido, não é que encontrei? Tá cheio, mas o meu é especial! Vai Lá em casa pra jantar que eu faço um dia desses... 

Só mais uma coisinha: sabe com que esse penne ao molho de tapenade cai bem? Com um vinho rosado ou um sauvignon blanc que é leve e orna divinamente com o salgadinho da receita. 


Tão bom...
...que acabou! 




Um brinde! Beijos a todos. Até mais. 

Leia também: 


>>>  Trio de sabor para presentear
>>>  Uma receita com aliche 

segunda-feira, 7 de março de 2016

A hospitalidade de uma festa de casamento

De volta

Um mês depois...  Estou de volta. Peço desculpas aos leitores, mas rolou tanta coisa e, devo confessar, não dei conta. As palavras não vieram e os textos acabaram não sendo publicados.  Mas nada que a gente não possa tirar o atraso. 

Nesse mês de fevereiro e no início de março, foram muitos os eventos e todos bem emocionantes. Entre eles, voltei ao curso de gastronomia, fiz um curso sobre o papel dos aromas na comida, teve o Carnaval, o incrível show dos Rolling Stones, a quinta edição do Lá em casa pra jantar (ou a primeira de 2016) e um evento em especial,  o casamento da minha prima mais nova, a Mariana (com o Fernando), lá em Itu, no último sábado. 

A Mariana é minha priminha, filha do tio Miro e da Maria do Céu, que nasceu quando eu e meus irmãos já éramos quase adultos. Nós somos os primeiros netos, ela é a caçula. 

Nunca brincamos juntas quando crianças, afinal ela é da geração da Bruna. Também não tivemos um contato próximo desses feitos de longos bate-papos em família porque esse lado da minha família, o paterno,  nunca foi muito de se reunir. Os irmãos, Antonio, meu pai, Mercedes, Miro, Neide e Zé Maria, não foram os melhores companheiros da vida. Tem família que é assim e só. No entanto, nas vezes que,  entre primos, pudemos nos juntar (e as últimas vezes foram todas em casamentos: o do Marcelo, o da Cássia, o meu, o da Camila e agora o da Mariana) foi uma grande alegria para todos. Os laços fraternos e familiares existem e são sólidos.

Uma festa de casamento é quase sempre cheia de muita emoção: dos noivos, dos pais, padrinhos, da família e dos amigos que, em resumo, fazem a festa acontecer e ser memorável. Com os anos, todos serão relembrados nas fotos não só por sua participação, mas também por suas roupas caprichadas e na moda, suas maquiagens e penteados, especialmente, feitos para a ocasião. 

Embora a gente saiba que sem a presença das pessoas não há festa, mas para que seja realmente boa, tudo o que parece encantadoramente simples durante uma recepção de casamento foi pensado, planejado e, houve muito investimento para que ocorresse.  

Os noivos planejam tudo para que o dia seja perfeito. Para isso dedicam meses de suas vidas corridas fazendo degustações, separando fotos, escolhendo tecidos, flores, cardápios, músicas etc. Até a liturgia da igreja, eu soube no sábado, é escolhida pelos noivos. Não é só tempo que dedicam, também investem altos recursos financeiros para garantir que tudo que está na moda na indústria do matrimônio esteja plenamente adequado às tendências. Cada festa é uma, mas todas guardam semelhanças entre si e, claro, não há quem não queira apresentar uma surpresa ou algo diferenciado para seus convidados. 

Mesmo sem saber, quando oferecem uma recepção, seja qual for o formato, os noivos e seus pais, estão alinhados aos princípios da hospitalidade: receber, hospedar, alimentar e entreter. 

No casamento de sábado passado não foi diferente. Tudo estava impecável. Cada detalhe planejado com rigor para que parecesse casual. Sem exageros, mas com muito bom gosto.  Dos músicos na igreja aos chinelinhos distribuídos para que as mulheres pudessem dançar sem o desconforto das sandálias ou sapatos apertados, cada item parecia estar onde deveria estar. 

Desde que recebemos os convites e confirmamos presença, já sabíamos que seria assim, mas é sempre muito bom ser bem recebido. 

Recepcionar/ bem receber/ hospedar: logo na chegada, as recepcionistas nos indicaram que deveríamos ocupar as mesas de uma determinada área em que estavam também os nossos parentes. Assim, todos ficamos próximos, um cuidado que nos permitiu curtir mais as pessoas que tanto prezamos. 

Alimentar: da mesma forma, a comida foi cuidadosamente escolhida para garantir que gregos e troianos pudessem se alimentar com prazer. Para quem não come carne, havia risoto, para quem é carnívoro, tinha um delicioso steak a poivre, perfeitamente preparado. Dos finger foods servidos à mesa, às ilhas de antepastos, entradas e saladas, ao menu quente e às sobremesas, assim como a mesa de doces e bem-casados, tudo atendia à diversidade dos paladares. Uma delícia! E olha que o menu era extenso... ah! e tinha risoto para servir mais de 300 pessoas, coisa bem difícil de acertar, o que é sabido pelos que lidam com comida em buffet. 

Ainda teve bebida da melhor qualidade: whisky, vinho, cerveja, refrigerante, água com e sem gás (eu tomei espumante a noite todinha, da hora que cheguei à hora que saí) e, inclusive, batidas de frutas feitas na hora de acordo com o gosto do cliente. Alegria garantida!

Entreter: A festa ainda teve música também para todos os gostos. Quando nada mais podia melhorar, veio uma banda que tocou ao vivo os ritmos que agradaram os jovens e também os mais velhos. Muito animado. Como antes mencionei os chinelinhos, era mesmo para dançar!

Casar está na moda. Voltou à moda. O que quero dizer (ou arriscar a dizer) é que mais gente casa com pompa e circunstância na geração da Mariana do que casava na minha. As festas são ótimas e, quase sempre, muito caras.  Mas, segundo quem casa, vale muito a  pena. É como fazer uma linda viagem. 

Para nós, os convidados, celebrar o enlace, o matrimônio, o casamento, as bodas, a festa, seja qual for o nome que se dê, é poder testemunhar a alegria das pessoas que tão generosamente nos quiseram por perto numa situação tão especial. Na igreja, as memórias florescem e voltam imagens de longa, longa data. Cresce um sentimento de harmonia, de paz que a gente leva pelos dias que seguem. Eu, pelo menos, me sinto assim: alegria, feliz mesmo. 

Lá pelo meio da festa, o Silas comentou comigo que a noiva, ao discursar, agradeceu a presença das pessoas, mas que quem prepara uma festa tão bonita para receber tanta gente é que deve ser agradecido. 

E é assim que se completa o ciclo da hospitalidade: quem é recebido deve retribuir a dádiva. 

Nós, Mariana e Fernando, agradecemos e oferecemos a nossa casa para vocês. Espero que um dia possam e queiram nos visitar para que possamos retribuir tamanha gentileza. Para que de novo a gente tenha a chance de lhes desejar só coisas boas durante toda a vida. Uma vida inteira de felicidade, de verdade! 


Eu, tio Miro e Cris
Como disse, o casório foi no sábado passado,  e nele reencontrei pessoas caríssimas da minha vida, gente que quase não vejo, mas quando estamos juntos me fazem sentir alegria. Então, me encho de amor. Isso é o que chamo de felicidade! 

As Gavis: tia Neide, minha mãe Neuza, Stefânia, Leiticia, Cássia, eu, Cecilia, bem atrás da noiva, Paula, Cris, Camila, Bruna e Giovana. 



terça-feira, 1 de março de 2016