sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Comida de uma panela só

#semdesperdicio


Já contei aqui que adoro comida que não suja muitas panelas? É! Aquele tipo de preparo que basta uma panela e dá pra cozinhar tudo. Ou quase tudo. 

Também tem certa fixação por não jogar alimentos fora, isto é, descartar alimentos, pra mim, é crime. Acho que a gente tem que se planejar para não desperdiçar nada, especialmente, porque há tantas pessoas que têm tão pouco e é um tremendo absurdo jogar comida no lixo. 

tags: arroz de forno, comida caseira, aproveitamento de alimento, sem desperdício

Por isso, de vez em quando eu faço aquela limpa geral na geladeira, na fruteira, na despensa e vou aproveitando os restinhos, os alimentos que estão desparceirados, os que sobraram no fim do pacote e, principalmente, os que estão por vencer. 

Essa é uma prática que aprendi com a minha mãe e a minha avó, mãe dela. Com um pouco de criatividade os alimentos que sobraram ontem podem ser transformados em boas refeições hoje. 

Nem sempre o resultado é uma maravilha a ser vangloriada, mas, acredite sabendo juntar alguns itens e usando algumas técnicas, dá certo. Por exemplo, cortar os legumes a serem cozidos conjuntamente em medidas que se assemelhem para terem cozimento por igual é uma técnica. No entanto, se for reaproveitar um ingrediente que já estava pronto num preparo que levará alguns outros ainda não cozidos, somente ao final do cozimento é que os primeiros devem ser adicionados. 

Transformar o picadinho de carne ou o feijão já cozido em caldo de sopa são práticas absolutamente corriqueiras no meu dia a dia.  E o arroz cozido em massa de pizza? Pra quem não sabe como fazer aqui tem a receita. 

Entretanto, tem texturas que não se dão bem quando misturadas, há sabores que não conversam entre si. Aí, a soma dos fatores pode resultar numa subtração de sabor ao final.  Contudo, para quem não tem grande familiaridade com as panelas, os temperos e ingredientes, é preciso se arriscar. Só assim dá pra aprender o que combina e o que não. 

Nesta semana, na segunda, chegaram aqui em casa para ficar por um tempo, o Arthur e a Bruna. Quando a casa tem mais gente, dá aquela boa sensação de família reunida e a vontade de fazer comida de casa aumenta porque a ideia é aconchegar os que estavam longe enquanto estão perto. 

Por isso, na terça-feira, fiz um arroz de forno com os ingredientes que tinha à mão. Embora tenha sido do esquema que mencionei, ou seja, fazendo a limpa da geladeira e da despensa, deu super certo. 

Por isso, compartilho a receita. 


Arroz de forno 






Ingredientes

2 colheres (sopa) de azeite 
1/2 cebola pequena picada 
1 dente de alho esmagado
250 gramas de peito de frango sem osso em cubos pequenos
2 cenouras picadas em cubinhos 
1/2 abobrinha picada em cubinhos
3 tomates médios sem pele picados em cubinhos
1 colher (sopa) de curry
1 colher (chá) de molho de aji (opcional)
Sal e pimenta do reino
2 xícaras (chá) de arroz branco cru
4 1/2 xícaras (chá) de água
2 ovos cozidos picados em pedacinhos pequenos (quase esfarelados)
50 gramas de queijo parmesão ralado


Modo de fazer

Leve ao fogo uma panela grande. Quando estiver aquecida, derrame o azeite e acrescente a cebola, o alho e o frango. Deixe refogar. Quando estiver bem corado, junte os cubos de abobrinha, cenoura e tomate, o curry e o molho de aji.  Mexa todos os ingredientes da panela, fazendo os legumes suarem, isto é, até que exalem bastante cheiro pelo ambiente. (Ah! que prazer eu sinto nessa hora do preparo!)
Então junte o arroz, refogue bem. Tempere com sal e pimenta do reino. Cubra com a água. 
Baixe o fogo e deixe cozinhar até que o arroz esteja quase pronto, ainda al dente. 
Retire do fogo, transfira tudo para uma travessa refratária, acrescente os ovos cozidos e leve ao forno pré-aquecido a 200 graus com o queijo parmesão polvilhado em cima.  Mais 10 minutos de forno e pode servir. 

Dicas: 

Não cubra o arroz com papel alumínio para ir ao forno. Deixe a parte superior do prato ficar um pouquinho ressecada. Isso tem gosto de comida da avó da gente, não tem?  

Sirva após uma salada verde de entrada. 

Regue um fio de azeite e polvilhe um pouco mais de queijo. 

Se gostar, antes de levar ao forno, polvilhe com farinha de rosca misturada a um pouco de queijo parmesão e bastante cebolinha picada.


Para acompanhar: Suco de fruta, pode ser uma limonada feita com limão cravo. Além disso, a companhia dos filhos, sobrinhos, marido ou esposa, amigos queridos, da mãe, do pai... de quem quer que seja que lhe faça se sentir bem e com quem goste de compartilhar a mesa.  Afinal, esse é um ritual sagrado! 

À noite, caso sobre arroz, use-o para uma canja. Vai ficar bem amarelinha, mas, com certeza, deliciosa! 

Bom fim de semana. 

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domingo, 13 de agosto de 2017

Os destaques da margem direita de Bordeaux

Parceria Viva o Vinho



Esse é o quinto e último post da nossa série sobre Bordeaux. Já contamos a história da região, falamos sobre a difícil classificação de seus vinhos, as uvas permitidas na sua composição e as regiões da margem esquerda. Hoje, para finalizar, vamos falar sobre a margem direita e a região Entre-Deux-Mers (entre dois mares), além de dar algumas dicas sobre como comprar um vinho de Bordeaux.


"Cruzar a margem do Gironde é como viajar para outra região"

Cruzar a margem do Gironde é como viajar para outra região. As comunas à direita em nada lembram as da margem esquerda, com luxuosos châteaux e vinhedos enormes. São mais modestas, menos conhecidas e, além disso, quem domina a região é a Merlot, e não a Cabernet. Na margem direita, o solo é diferente. Além do cascalho, que ali já é menor, há também argila e calcário em diferentes trechos. O clima é mais ameno.
Na região está Libourne, considerado o centro comercial da margem direita, tanto que os vinhos de Saint-Émilion, Pomerol e Fronsac, por vezes, são chamados de Libournais. Embora englobe várias sub-regiões, os holofotes voltam-se para Saint-Émilion e Pomerol.



Saint-Émilion


Saint-Émilion, Bordeaux, França

Saint-Émilion é a denominação da margem direita que mais produz vinhos, alguns deles feitos em pequenos châteaux e que atingem altíssimos preços. Quanto menor o vinhedo, menos mão de obra necessária, certo? É o que acontece em Saint-Émilion, e por essa razão os vinhos são, em sua maioria, feitos pela própria família dona da propriedade. Um dado curioso sobre a região confirma o fato: para cada três habitantes existe um château.

Diferente das outras, Saint-Émilion é distribuída em colinas de calcário, as chamadas côtes. Além disso, é a comuna mais medieval de Bordeaux, chegando a lembrar uma fortaleza.

Os vinhedos são dominados por Merlot e Cabernet Franc. O solo é calcário argiloso, determinando a longevidade dos seus tintos. Uma das características marcantes da região é a variabilidade das safras.

Os melhores vinhos da denominação saem do Château Cheval Blanc, Château Magdelaine ou Château Ausone.


Pomerol


Petrus, Pomerol
A menor das sub-regiões de Bordeaux é também uma das que mais atraem olhares de seus apreciadores. Mas até o início do século XX, ela passava despercebida. O motivo da reviravolta? Simplesmente por ser a casa de um dos mais prestigiados châteaux do mundo, o Petrus. 

É lá, portanto, que estão os vinhos mais caros de toda Bordeaux e talvez do mundo.

Mais de 70% da região é coberta por Merlot e o restante é praticamente exclusivo de Cabernet Franc. Isso porque seu solo resulta da mistura entre argila e calcáreo, perfeito para ambas.

Nas melhores regiões de Pomerol nascem vinhos aveludados e ricos em notas de ameixa, cacau e violetas. Vinhos que combinam intensidade e elegância. É por essas características que é mais fácil encontrar Bordeaux de Pomerol num restaurante a um vinho de outras sub-regiões. Eles são fáceis de beber e não precisam de tantos anos de guarda para chegarem ao auge.

Além do Château Petrus, o Pomerol também produz o Le Pin, um “ vin de garage” de produção minúscula e alto preço.


Fronsac



Chateau La Riviere, Fronsac, Bordeaux


Menos conhecidas, Fronsac e Canon-Fronsac também estão na margem direita de Bordeaux e usualmente produziam vinhos cheios de vigor e notas de especiarias. Porém isso vem mudando em favor de tintos mais corpulentos, macios e untuosos, buscando um estilo mais similar aos encontrados nos seus vizinhos mais famosos.

Alguns produtores de destaque nessas regiões são Château de Carles, Château Fontenil, Château Moulin Pey-Labrie, Château le Trois Croix e Château Villars.


Outras denominações na margem direita


Também na margem direita, Côtes de Castillon e Côtes de Francs receberam sua própria AC em 1989 e os vinhos da região, quando bem elaborados, lembram os de Saint-Émilion, menos encorpados.

Côtes de Bourg está situada ao norte do rio Dordogne e produz tanto vinho quanto Bas-Médoc, assim como sua vizinha imediata Côtes de Blaye, que possui os vinhedos mais ao norte, situados na margem direita. Os melhores vinhos costumam ser redondos, encorpados e mais acessíveis quando jovens. As uvas Merlot e Cabernet Franc predominam na mescla de seus tintos, que lembram, no estilo, aqueles de Fronsac e Saint-Émillion.


Entre-Deux-Mers


Entre-Deux-Mers, Bordeaux, França

 Como o próprio nome diz, a região encontra-se entre os rios Dordogne e Garonne. Apesar de ser a maior zona produtora de Bordeaux e também a maior da França, dentre as regiões AOC, é marginalizada, quando comparada às demais denominações de Bordeaux. Nunca seus vinhos foram classificados e a maioria dos tintos, inclusive, não segue as regras da denominação Entre-Deux-Mers, enquadrando-se apenas como Bordeaux ou Bordeaux Superiéur.

Ali predominam os vinhos brancos secos à base de Sauvignon Blanc e Sémillon, os únicos autorizados a ostentar em seus rótulos a denominação AOC Entre-deux-Mers. São vinhos bons, frescos, florais com um toque picante, para serem bebidos jovens. E por não estagiarem em barrica, ganham leveza e frescor como nenhum outro.


Como escolher seu vinho



São tantas as denominações, características e cortes que dá para ficar confuso, não é? Mas agora que você já leu todos os nossos posts sobre Bordeaux, sabe como comprar um vinho da região?

Ainda é difícil, mesmo para nós, pode ter certeza. Bordeaux é grande e complexo. Mas dá para seguirmos algumas dicas práticas, de acordo com o tipo de vinhos que desejamos. Vamos a elas?


La Rose de Labérgoce Margaux 2008
Prefere os encorpados?

Vá direto para a margem esquerda, onde o solo quente favorece o cultivo da Cabernet Sauvignon. É em Médoc que se concentram os vinhos mais encorpados de Bordeaux, principalmente nas sub-regiões de Saint-Estèphe, Saint-Julien e Pauillac. Os famosos Margaux também são de lá e seguem a mesma linha.

Quer algo refrescante e fácil de beber (e que não pese no bolso)?

Quando o que se procura é acidez e frescor, a aposta certa são os vinhos minerais, que descem redondo, como água. Os melhores são os brancos de Pessac-Léognan, cheios de aromas que lembram pedras e o mar. Se prefere um tinto, opte por cortes com Petit Verdot.


Falando de brancos…

Algo que não se encontra com facilidade em Bordeaux são bons vinhos brancos. Mas eles existem, e seu lugar é Entre-Deux-Mers. Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadet deixam seus vinhos frescos, vivos e frutados, com bom corpo. Beba-os jovens pois, como a maioria dos vinhos brancos, devem ser consumidos até três anos após o engarrafamento.


Chateau Lalaurie

Vinhos complexos para bons conhecedores

Já experimentou de tudo e não se contenta com pouco. É normal: quanto mais aprendemos sobre vinho, mais queremos aprender. Uma boa aposta é a região da Saint-Émilion. Os melhores vinhos de lá são feitos pelas mãos das próprias famílias em produções pequenas.

Os vinhos de Saint-Émilion são tão elegantes que o rei Luis XIV os descreveu como “néctar dos deuses”. São vinhos de guarda, que aguentam anos envelhecendo e evoluindo – eles vão perdendo a cor e ganhando aquilo que chamamos de buquê, uma enxurrada de aromas complexos.


Château du Barry AOC 2012

Vinhos exóticos? Desconhecidos?

Para você, vinho bom é aquele que rende boas histórias para contar? Então procure por um autêntico Saint-Macaire, cuja uva homônima está quase em extinção, mas ainda é resguardada por alguns produtores locais. Saint-Foy-Bordeaux também vale a pena conhecer, é uma região pouquíssimo falada de Entre-Deux-Mers (pode ser tinto seco ou de sobremesa).

E vinho doce, tem?

Muito! É nas regiões de Sauternes e Barsac que estão os mais apaixonados (e apaixonantes) vinhos de Bordeaux. Sauternes é considerada a melhor região do mundo para vinhos de sobremesa, igualada apenas pelos Tokajis, da Hungria. São vinhos dourados e doces, mas elegantes, bem estruturados e complexos. Vale muito a pena provar.

Além disso, Entre-Deux-Mers possui boas denominações para vinhos de sobremesa: Loupiac, Saint-Croix-du-Mont e Cadillac. Guarde esses nomes – apesar de mais simples e menos populares, são encantadores e mais em conta (muito mais!).

Bordeaux para o churrasco?

Carnes que saem amaciadas pela brasa pedem vinhos mais encorpados. A Cabernet Sauvignon e a margem esquerda são ideais. Mas busque também os vinhos que levam Merlot, cujos toques terrosos combinam muito bem com o assado na brasa. As regiões são as mesmas que mencionamos, vá pela ordem: Saint-Estèphe, Pauillac e Médoc.


E naquele jantar especial?

Das duas uma: ou escolhe um vinho jovem, mas no ponto para beber, ou tira aquele que está há anos na adega. Caso não tenha um vinho de guarda, vá para Pomerol. É a terra do Château Petrus (o mais caro e famoso da França), mas também de onde saem Merlots que já nascem prontos para beber – fáceis, aveludados e não precisam de décadas para evoluir. São também mais fáceis de encontrar em restaurantes. Mas lembre-se, é um jantar especial, e se a ideia é brindá-lo com Bordeaux, não será barato!


Château Charmail Cru Bourgeois Haut-Médoc 2007

Presentear também é impressionar

Quer dar um presente para alguém que realmente vai apreciar um incrível vinho de qualidade? O nome Margaux é famoso, não só pelo mundialmente conhecido Château Margaux, mas também pelos outros vinhos da região. Elegância, refinamento, frutas, tostado, café e, às vezes até trufas! Procure por vinhos de 2000, 2002, 2005 e 2009 e veja você mesmo.

Quer impressionar, mas não pode investir tanto assim? Graves é uma bela opção para tintos e brancos. Os vinhos que levam a denominação Bordeaux Superiéur costumam ser mais baratos, pois suas uvas podem ter sido cultivadas em qualquer sub-região. São mais simples, mas ainda assim uma excelente aposta.


Robin Saint Denis 2010

Para esquecer na adega por décadas

Bordeaux é um dos referenciais no mundo dos vinhos quando o assunto é guarda. Os vinhos das melhores safras podem durar 10, 20, 30… 50 anos! É até difícil de acreditar, mas é verdade. Nesse caso, não dá para apostar em qualquer vinho.

Aliás, longe disso. Estes vinhos não estão à venda em mercados comuns. Os mais famosos – Châteaux Petrus, Margaux, Lafite-Rothschild, Latour – são encontrados apenas leilões, e custam oito mil, 12 mil, 20 mil reais.

Ainda não sei do que gosto

O que fazer? Experimentar! Claro, precisa ir aos poucos. Comece pelos frutados (tintos ou brancos) de Graves, pois são mais leves, e seus sabores agradam a qualquer um. Depois disso, passe para os que levam a uva Merlot, a mais macia de todas, fácil de beber. Depois, parta para os cortes com Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, os clássicos dos clássicos de Bordeaux.


Texto escrito por Renata Pacheco Tavares -  Publicado no site vivaovinho.com.br em 06/10/2016.


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Parceria Blog da Gavioli e Viva o Vinho 



Em 2016, no segundo semestre, quando fazia aulas de Estudos de Bebidas com o professor Gerson Bonilha, pesquisando sobre vinhos na internet, encontrei um texto excelente redigido pela Renata Pacheco Tavares sobre vinhos de Bourdeaux. Fiquei encantada. 

Como é comum, uma publicação puxou outra e cheguei ao blog Viva o Vinho, uma produção conjunta da Renata e do Emanuel Alexandre Tavares, marido dela. Desde então, de tempos em tempos, me comunico com a Renata e nunca mais deixei de acompanhar o trabalho deles sobre vinhos.

Então fizemos uma parceria para publicar aqui no Blog da Gavioli o material que eles produzem. Tenho certeza de que todos os leitores do blog só têm a ganhar devido ao maravilhoso conteúdo que o Viva o vinho publica. 

Aproveitem!!! 




quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Portal Plena Mulher: Festa de Casamento



Para casar: Hospitalidade e Gastronomia


Artigo publicado no portal Plena Mulher, coluna Gastronomia & Hospitalidade, por Clau Gavioli em 09/agosto/2017. 


Se preferir, acesse o mesmo conteúdo aqui no blog


Bolo Salgado - Comfort Food



Hummmm... que cheirinho bom...

Quem não se lembra daquela festinha da escola em que cada pessoa tinha que levar um prato?  

Se veio alguma imagem à sua memória, deve se lembrar também que o bolo salgado aparecia em várias versões. 




Havia um bem molhadinho, outro nem tanto, tinha os de massa mais lisa, outros mais fofos. Alguns vinham com excesso de recheios, outros com menos, quase só massa. Podiam ser frios ou mais quentinhos, com queijo derretido, com presunto, atum, sardinha, milho verde, azeitonas, cebola, tomate, infinitas variações e combinações super esdrúxulas muitas vezes. Mas, que lembrança boa, não? 


tags: receita, bolo salgado, comida de casa, comfort food, comida de mãe


Bolo salgado é comfort food, isto é, comida que traz conforto.  Eu me lembro de várias vezes que minha mãe fazia um bolo salgado e enchia a casa com aquele cheiro delicioso da massa assando. Quando ficava pronto era uma delícia fosse qual fosse o recheio. A gente comia os pedaços ainda quentes, mas, caso sobrasse alguma parte na assadeira, horas depois, aquela mesma comida ganhava outra textura, parecia outro sabor, e, ainda assim, era muito bom!

Admito que uma das coisas que eu, pessoalmente, não curto é a textura de alguns ingredientes quando o bolo salgado esfria. Entre eles, especificamente, a cenoura, o tomate e a cebola, quando estão no bolo que é servido frio, não me agradam. Em compensação, os recheios que levam abobrinha, cogumelos e palmito quando esfriam ficam ótimos para o meu paladar. Mas isso é só uma questão de gosto. Há quem aprecie muito os mesmos ingredientes com temperaturas diferentes. O que interessa é experimentar, às vezes, a gente se surpreende. 

(Se preferir, acesse esse conteúdo completo no site do Clube da Comadres, aproveite para conhecer. Clique aqui.)




Receita de Bolo Salgado

Massa

Ingredientes

2 ovos inteiros
250 ml de leite
100 ml de óleo de girassol ou milho
1 xícara (chá) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 pitada de sal

Sugestão de recheio

1/2 maço de cheiro verde (salsa e cebolinha)
1 cebola pequena
6 azeitonas verdes sem caroço
6 anchovas 
100 gramas de muçarela
1 tomate concassê*


Modo de fazer

Massa:  Bata todos os ingredientes no liquidificador. 
Recheio: Pique todos os ingredientes em cubos do mesmo tamanho e misture-os. 

Montagem: Numa assadeira untada e polvilhada, intercale uma camada de massa com uma de recheio e outra de massa. Polvilhe com queijo parmesão ralado e farinha de rosca. Leve para assar em forno previamente aquecido a 180 graus por 40 minutos.

Espere amornar para cortar em pedaços e servir.  





Bons usos  


  • Combina bem para acompanhar sopas cremosas ou caldos no inverno
  • Fica ótimo para ser servido ao lado de uma salada à base de folhas verdes com molho cítrico ou vinagrete 
  • Pode ser uma excelente ideia para o lanche das crianças, em especial, quando estão brincando e têm que interromper a brincadeira para comer. Recheios como salsicha ou presunto e queijo ou mesmo legumes bem variados e coloridos agradam ao paladar infantil
  • Numa festa com amigos, como um coquetel, pode ser servido em pequenos pedaços como finger food  . Dá também para fazer cortes em losangos ou cortar com forminhas como estrelas ou pequenas circunferências 
  • Dá pra manter pedaços na geladeira para matar a fome a qualquer hora sem ter que pensar em fazer outra comida. Dura uns três dias na geladeira facilmente.
  • Para levar como lanche no trabalho também funciona super bem e, claro, na festinha da escola não pode faltar! 


Esse é um preparo caseiro. Mesmo que a gente coma bolo salgado na rua ou em alguma lanchonete e até mesmo num buffet, essa é uma comida caseira. 

Hoje, minha ideia de publicar essa receita tem muito a ver com uma sensação de saudade na alma. Comida ajuda a gente a se transportar no tempo, a afastar o medo, a se sentir um pouco mais seguro porque acalenta o coração. 

Procurando os motivos, deve ser porque na infância, o que nos é oferecido para comer quase sempre vem assoprado pelo carinho da mãe ou do pai, às vezes, da avó, da madrinha, ou de alguém que gosta da gente.  Por isso, acredito que associamos algumas comidas com segurança, com amor. 

Quando preciso de raiz, de chão, e também quando quero dar amor vou pra cozinha. Faço muito isso. 
Gosto de cozinhar para os meus, sempre busco alimentar minhas crianças (tenho várias, o Rafael, a Nala, a Helena, a Manuela)  e encho de amor qualquer preparo que faço para elas.  

Que tal o bolo salgado esta noite? É bem fácil e familiar. Vale a pena. Fica a dica! 


*concassê = tomates sem pele e sem semente 


Sobre o Clube das Comadres - O Clube das Comadres é um site de amplo conteúdo direcionado às mulheres que querem se manter atualizadas no universo feminino. O portal apresenta lançamentos de produtos e serviços que visam facilitar o dia a dia e oferecer mais beleza, conforto e facilidades à mulher. Mais que isso, o Clube das Comadres traz colunistas para temperar um conteúdo jornalístico de notícias, entrevistas e análises exclusivo produzido por uma equipe de jornalistas de alta categoria. Tudo sem deixar de lado a cobertura do mundo dos famosos da TV e orientações de especialistas de áreas como saúde, beleza, moda, família, culinária e muito mais. O Clube das Comadres espera por você.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Hóspedes em casa

Gastronomia e Hospitalidade - Lá em casa!



Chegou a última edição!! A capa não podia ser mais atraente...




Revista Regional do mês de agosto, como sempre, chega com novidades ótimas. 

Pra você que, como eu, costuma ter hóspedes para dormir, a minha coluna Lá em casa sobre Gastronomia e Hospitalidade traz algumas dicas fáceis de seguir e que facilitam a sua vida e a dos seus convidados.

Ao ler a coluna, aproveite a chance para a conhecer a revista . Neste mês, Cauã Raimond é o homem da capa, já que é o mês dos pais. 

Se preferir, leia o texto na íntegra aqui no blog mesmo.

Gostando dos conteúdos, acompanhe os posts do blog, cadastre-se! Conte para os amigos, comente! Um blog é feito de comentários, eles são sempre bem-vindos! 


Leia aqui o texto na íntegra: 



segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Goulash - Comida Húngara




Como contei tempos atrás, ainda antes de viajar,  nas últimas férias de julho estive no Leste Europeu. Fomos para Praga, Viena e Budapeste, sendo que parte desse trajeto, entre as duas últimas cidades, fizemos de bicicleta. Sim! Foi um trajeto de 370 quilômetros pedalando.  

Para o Silas, que é um ciclista, um verdadeiro passeio, pra mim, houve, devo confessar, certo esforço que compensei com o uso de uma e-bike.  Foram seis dias de sol, campos de trigo e girassóis floridos, cidadezinhas bonitas e históricas. Na memória os melhores registros dos cheiros, cores, conversas e, claro, dos sabores que experimentamos. 

tags: comida húngara, goulash, gulash

Entre eles uma comida húngara deliciosa que é até bem conhecida aqui no Brasil: goulash. Para mim, parece mesmo comida caseira. Na minha casa, com alguma variação, com frequência havia esse tipo de cozido, só que sem a páprica, marca registrada da comida na Hungria. 

Semana passada, tive convidados aqui em casa para comer. Então testei algumas receitas de goulash e acho que cheguei a uma adaptação satisfatória. Por isso, decidi dividir aqui com os leitores. 

Goulash

Ingredientes

1 quilo de acém picado em cubos de 1,5 centímetros
300 gramas de copa lombo picado em cubos de 1,5 centímetros
2 cebolas médias cortadas em brunoise*
2 dentes de alho amassados
100 gramas de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de azeite de oliva 
1 quilo de tomates sem pele cortado em cubos (não precisa tirar as sementes)
2 colheres (sopa) de páprica picante
1/2 colher (sopa) de cominho em pó
4 batatas médias cortadas em cubos de 1,5 cm
2 cenouras médias cortadas em rodelas de 1,5 cm de espessura
1 litro de caldo de carne
Sal e pimenta do reino
20 gramas de salsa picada 
Opcional:  300 gramas de cogumelos (paris ou shitake) cortados ou separados como pétalas e 1 colher (sopa) de manteiga

Modo de fazer 

Tempere com sal e pimenta e polvilhe a farinha de trigo nas carnes de vaca e porco picadas. 
Aqueça o óleo de oliva numa panela alta, acrescente as carnes e deixe fritas até grudar levemente no fundo da panela. Solte-as com cuidado e reserve. 
Acrescente mais um fio de azeite à panela quente e refogue a cebola e o alho, em seguida, inclua a páprica e o cominho para, logo depois, incluir também os tomates picados.  Deixe refogar bem. 
Volte as carnes à panela, baixe o fogo, acrescente cerca de 750 ml do caldo. Mexa bem para desprender do fundo da panela e deixe cozinhar por cerca de 2 horas e meia com a panela semi-tampada. O molho estará espesso nesse ponto. 
Então, acrescente as batatas e cenouras, além do restante do caldo. Tampe a panela e deixe que os legumes. 
À parte, refogue os cogumelos na manteiga. 
Ao fim do cozimento, corrija o sal e acrescente os cogumelos. Sirva bem quente. 

Como servir: 

Sirva no pão redondo como se fosse uma panelinha. Se gostar, acrescente uma colher de sour cream (receita neste post) e polvilhe salsinha picada. 

Pode ser servido também com arroz branco ou com espinafre. 

Uma boa opção e que é muito comum na Hungria é servir com uma massa caseira que parece um nhoque pequenino feito de farinha de trigo. 

Para harmonizar, sugiro vinho tinto, de preferência um cabernet sauvignon que não vai brigar com a acidez do molho de tomate com páprica. 

Prometi que escreveria sobre a viagem e vou fazer isso. A viagem de bicicleta vale vários posts. Posso garantir.  Aguardem!  



*brunoise - corte em cubos de 3 mm