quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Peixe para a Quarta de Cinzas


Hoje é quarta-feira de cinzas. 

Para os foliões, o dia que marca o fim oficial do Carnaval, que só volta no ano que vem.  Para os empresários brasileiros, o dia que o país volta a funcionar de verdade, embora haja controvérsias. Para os cristãos, o dia que começa o período da quaresma, o tempo de preparação para a Páscoa, de penitência e do jejum, em especial de carnes. 

Sou de família católica e sei que, há tempos, a igreja já não impõe uma dieta restritiva ao consumo de carnes na quaresma.  Contudo, as tradições ficam e muitas pessoas acabam preferindo comer peixe em lugar de carne em especial na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa. 

- tags: peixe, filhote, tradição da quaresma

Por isso, hoje preparei um peixe aqui em casa para o almoço: um filhote

Filhote de piraíba, piratinga ou piranambu (do tupi:  pira = peixe / aíba = ruim / tinga = branco / nambu = inhambu ou ave) é um peixe de couro (não de escamas), de cabeça grande e olhos pequenos. Tem a carne branca e muito tenra. Trata-se de um peixe de água doce muito comum na Bacia Amazônica e no Araguaia-Tocantins. Ele é um carnívoro (se alimenta de outros peixes) de grande porte. O filhote pesa entre 10 e 60 quilos, enquanto o adulto chega a ter 300 quilos e 2,5 metros de comprimento.  

Escolhi preparar esse peixe porque eu tinha uma boa peça dando sopa no meu freezer. 

Esse é o peixe preferido do Silas, que, sempre que pode, escolhe o filhote diante de qualquer outro peixe. Foi ele quem  trouxe do Pará na última viagem que fez. Fui buscá-lo no aeroporto e o encontrei com uma geladeira de isopor cheia de peixes do norte do Brasil. Amei! Como não amar?

O filhote é um peixe de carne bem branquinha e muito saborosa.  Para preparar, não usei nenhuma receita em especial somente assei, mas vou contar como fiz direitinho. 

Minha receita de filhote assado

Primeiro, descongelei o peixe. Tinha cerca de 650 gramas o pedaço que usei. Lavei bem e passei limão por todo o peixe. Em seguida, sequei o peixe com papel toalha. Temperei com sal e pimenta do reino.  Enquanto fazia isso tudo, deixei a churrasqueira elétrica esquentando. Embrulhei o peixe em papel alumínio e o levei pra grelha da churrasqueira por cerca de sete minutos de cada lado. 
Com isso, ele cozinhou e soltou água. Abri o papel e desprezei o líquido. 
Aqueci uma frigideira antiaderente de fundo triplo e selei de todos os lados (não são só dois porque o peixe é bem alto) com um fio de azeite. 







Nosso almoço de hoje foi maravilhoso: arroz integral, feijão, abóbora assada no forno, filhote assado e dois tipos de salada, uma de tomate e outra com folhas verdes, tomate e cenoura ralada. 

Ultimamente, tenho me preocupado em comer direitinho, cuidar do corpo e prestar atenção no que é saudável. Nessa minha decisão, tenho comido muitas saladas, feito delas refeições completas. Mas para além delas, decidi que, ao menos um dia por semana, comeria minha comida de raiz, a que aprendi comer em casa, com minha mãe e meu pai.  

A escolha dessa refeição tão rica é porque comer comida de verdade é uma decisão que temos que fazer todos os dias. Nós, brasileiros, não podemos perder a riqueza do arroz com feijão no nosso prato. Eu acredito nisso. E você? 

Até breve! 


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