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sábado, 12 de setembro de 2015

Restaurante Taioba em Camburi, do chef Eudes


Salve, simpatia! 

O chef Eudes Assis é amigo da Nicia, irmã do Silas. Por isso e por ter provado sua comida em outras ocasiões ela nos sugeriu o restaurante Taioba para o almoço no domingo passado.

Taioba é uma folha verde grande e forte, comestível, típica de áreas tropicais. Tem um gosto que lembra o do espinafre, mas mais suave. Há algum tempo, vivia no prato dos brasileiros, em especial dos mineiros. Agora anda quase esquecida, não fosse o resgate de seu uso nos preparos feitos por alguns cozinheiros mais cuidadosos com os produtos regionais.


Essa verdura dá nome ao restaurante do chef Eudes e é o ingrediente de uma iguaria interessante que ele serve por lá como entrada: o bolinho de taioba.



O domingo estava chuvoso e nosso passeio pelo litoral paulista no feriado de 7 de Setembro incluía uma visita à casa da Nícia, em Boiçucanga. Como o Sertão de Camburi é muito perto, fomos conhecer o Taioba. 

O restaurante é simples, mas bem bonitinho. Na decoração que é alegre por causa das cores usadas houve o cuidado de se usar madeira em vez de plástico e o chão lembra ladrilho hidráulico o que dá um tom de modernidade aconchegante. Mas não chega a ser sofisticado. Acho que nem é essa a proposta. 

Por sinal, o que ficou bem evidente para mim no Taioba é que ali há uma valorização do mundo caiçara: tanto na comida quanto no tratamento dado aos clientes, assim como em outros elementos. 

Só pra dar uma ideia de onde me veio essa sensação, havia na área de espera do restaurante um painel bem grande pintado por uma artista local desses que a gente coloca só o rosto por trás para fazer fotos engraçadas e levar de lembrança. Isso deve ter um nome, mas eu não sei qual é.  A paisagem ali pintada é de gente se divertindo na praia, claro. No canto direito do painel, olhando de frente, numa referência a uma foto famosa da Nícia, uma homenagem ao homem pescador que vive do mar e cuida da rede de pesca com cuidado e carinho.  

Com isso, dá para perceber que há uma comunhão de valores de quatro artistas de áreas muito distintas: o chef de cozinha, a artista plástica, a fotógrafa e o pescador. Cada um no seu ofício, mas valorizando, respeitando e dando espaço aos demais. 

Chef Eudes Assis e a fotógrafa Nicia Guerriero


Soube pela Nícia que o chef Eudes tem uma história de envolvimento com as questões sociais dessa região de São Sebastião. Ele dá aulas de gastronomia para crianças no Projeto Buscapé, uma associação sem fins lucrativos de Boiçucanga. A ideia dele é ensinar, como já aprendeu um dia e em casa com a mãe (ele tem 11 irmãos), como usar os ingredientes regionais e valorizá-los.  

Nesse mesmo projeto, é dele a curadoria do Arraial Gastronômico. Ele já levou pesos pesados da Gastronomia, como Alex Atala,  para cozinhar por lá.

Em relação à comida do Taioba, a proposta é interessante uma vez que valoriza os ingredientes caiçaras, em especial a folha já mencionada e os peixes. 

Eu comi um bobó de camarão servido com arroz e castanha do Pará. Não foi o melhor bobó da minha vida, mas eu repetiria se não fosse pura gulodice já que o tamanho do prato é adequado para matar a fome. Não se trata de uma porção arrebatadoramente grande, é o que eu chamo de suficiente. 

Provei do prato do Silas um pouco do peixe que, embora frito, estava bem sequinho e suculento. 







Boa surpresa foi a sobremesa: um sagu feito com leite de coco, com manga e castanhas. A combinação ficou perfeita, muito saboroso mesmo! 


Tivemos o privilégio do bate-papo com o chef Eudes, já que ficamos bastante tempo por lá, conversando e quando nos demos conta já nem tinha mais gente no resto do salão. Ele então teve tempo de deixar a cozinha e vir nos fazer companhia. Por isso, chegamos a comentar com ele que a espera pelo cardápio foi além do que esperávamos quando já estávamos sentados à mesa. 

Aí, juntou a simplicidade e o jeito amável com a experiência de bem receber do caiçara mais aquela adquirida em anos de gastronomia em restaurantes sofisticados. Generosamente, talvez para reparar a falha inicial ou só por carinho mesmo, o amigo Eudes nos presentou com tortinhas de palmito e camarão (que são servidas de entrada) para levarmos o bom sabor do restaurante pra casa.

Desde sempre penso muito nas trajetórias que conduzem profissionais ao sucesso, seja isso lá o que for para cada um. Algo que me parece comum a todos é o objetivo claro, ou seja,  saber o que quer, sem deixar de ter respeito às raízes. Ao chef Eudes, isso não falta. O caminho ele vem trilhando. Parece que vem dando certo! 

Se for ao litoral Norte, acho que vale a pena conferir. 



Fotos: Nicia Guerriero


Serviço

Taioba Gastronomia -  Rua Tijucas, 55, Camburi, São Sebastião - SP
12 3865-2846 - reservas: taiobabrasil@gmail.com

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Terrine de tâmaras e amêndoas

Especial para revista Vinitude - Clube dos Vinhos


Veja o link.

Essa terrine de chocolate é fruto de uma experiência e vários testes para conseguir uma sobremesa surpreendente para ser servida no primeira edição do Lá em casa pra jantar.

A ideia de fazer um doce usando uma forma de bolo inglês e chamá-lo de terrine se deveu, especialmente, ao seu formato e ao modo de preparo em camadas. 

Terrine é um prato comum na mesa dos franceses, em geral salgado. Tem esse nome porque vem de "terroir"  que quer dizer terra ou barro, que era o material usado para confeccionar a vasilha ou o recipiente onde se montava o preparo. Quase sempre os ingredientes de uma terrine são moídos e é muito comum (quando não é usado um único ingrediente) que sejam sobrepostos em camadas com cores diferentes umas das outras. Normalmente, são servidas como entrada ou pratos únicos acompanhadas de salada ou pão.

Deixando os purismos de lado, não estranhe se encontrar a expressão terrine para definir um patê ou uma mousse, por exemplo, de salame, fígado ou de vegetais como berinjelas e abobrinhas. Alguns bolos e tortas entremeados de camadas com textura de mousse também acabam recebendo esse nome. No entanto, só serão terrines se tiverem um formato característico.

Em lojas de comidas prontas e artesanais como as rotisseries e delicatessens ou, até mesmo, nos supermercados como Santa Luzia e Pão de Açúcar, em que há uma área dedicada a esses produtos, as terrines ficam expostas na vitrine. Isso é bastante comum nos países europeus e nos Estados Unidos (vi muito em Nova York). Quando se anda nas ruas, há vitrines dessas comidas. O fato de os preparos serem montados em camadas, quase sempre coloridas, chama atenção dos que passam. É mesmo bonito de ver e apetitoso, em especial, dependendo da hora do passeio. 

Como essa receita é doce, o acompanhamento sugerido é um coulis de frutas ou uma calda um pouco ácida. 

Ao final da receita, faço sugestões também para variação os que precisam comer com pouco açúcar ou sem lactose. 

Terrine de chocolate, tâmaras e amêndoas





Ingredientes

1ª. Camada

150 gramas de batata doce cozida
8 tâmaras secas sem o caroço
1 colher de chocolate em pó (não pode ser achocolatado)
2 colheres (sopa) de  açúcar cristal ou demerara
2 colheres (sopa) de farinha de amêndoa

2ª. Camada

150 gramas de bolo de chocolate frio e esfarelado
30 mil de licor (Baileys)

3ª. Camada

90 gramas de chocolate meio amargo (de preferência  70% cacau)
3 colheres (sopa) de creme de leite fresco

Modo de fazer

Cozinhe a batata doce na água com a casca até ficar tenra (cerca de 2 minutos na panela de pressão). Escorra e retire a pele. Leve a batata descascada e todos os demais ingredientes ao processador de alimentos até que se tornem uma massa homogênea e lisa.
Forre o fundo e as laterais de uma forma de bolo inglês alta com papel filme.
Coloque a camada de massa do fundo da forma esticando-a bem nas laterais e nos cantos. Cubra com mais uma camada de papel filme e alise completamente a massa. Se for preciso, coloque grãos de feijão cru sobre o filme e leve à geladeira por meia hora.
Enquanto isso, esfarele o bolo. Em seguida, umedeça o farelo  com o licor.
Retire os feijões e o filme plástico e faça uma segunda camada da terrine com o bolo umedecido. Aperte bem para que fique com uma superfície lisa.
Numa panela em banho-maria  derreta o chocolate e aos poucos acrescente o creme de leite para fazer uma massa de ganache.  Faça imediatamente a terceira camada esticando a ganache sobre o bolo embebido.  Deixe a superfície o mais lisa que puder.
Deixe esfriar um pouco e feche a forma com filme plástico.
Leve à geladeira por, no mínimo 3 horas.
Desenforme e corte em fatias médias para servir  em porções individuais.


Algumas dicas, variações e observações sobre esse doce:

  1. Na massa feita para primeira camada pode ser usado xerém de amendoim ou castanhas em lugar da farinha de amêndoa. O sabor muda um pouco, mas a textura seja a mesma. Vai então depender do paladar  de cada um fazer essa troca.
  2. O bolo de chocolate deve estar frio  para ser esfarelado porque, do contrário, fica mais difícil de esfarelar. Mas, se tiver pressa, nada impede de fazer com o bolo quente.
  3. Para umedecer o bolo pode ser usado um vinho fortificado ou do porto, um licor de laranja (Countreau) ou mesmo uísque.  Sempre com parcimônia para não ficar um gosto muito pronunciado.
  4. Se quiser, resfrie o bolo no freezer.  Mas não deixe por mais do que uma hora. 
  5.  Para cortar pedaços lisinhos como aqueles de revista, use uma faca afiada, sem serra e molhada a cada corte.
  6. Se preferir, sirva com um coulis de frutas cítricas como as vermelhas: morangos, amoras ou  mirtilos.  
  7. Use folhinhas de hortelã para decorar a sobremesa ao servir em pratos individuais.  
  8. Essa sobremesa não é crocante. Para obter essa textura, decore com lascas de amêndoas torradas e açúcar de confeiteiro. 
  9. Outra possibilidade é servi-la juntamente com um pão de ló de amêndoas, além da geleia ou coulis de frutas.  




Essa terrine pode e deve ser acompanhada de um bom vinho do porto. Os contrastes de sabor e texturas são memoráveis. 

Opção sem uso de açúcar
- Massa da primeira camada: não coloque açúcar e troque o chocolate por cacau em pó.
- Segunda camada - faça uma redução de frutas com laranja para umedecer o bolo, que pode ser preparado com adoçante em vez de açúcar
- Ganache - use chocolate amargo. 

Opção sem lactose

- A massa da primeira camada permanece a mesma.
- No bolo não vai leite, somente água fervente. Use um licor que não tenha lactose.
- Ganache - use somente o chocolate derretido, para dar brilho pode usar margarina vegetal ou creme de leite de soja. 


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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Masterchef Brasil: cadê os garotos-propaganda?


Que aconteceu com o intervalo comercial do Masterchef ontem? 



Por que os garotos-propaganda Paola Carosella, Henrique Fogaça e Eric Jacquin sumiram? Teriam eles sido abduzidos?  Por que saíram de cena? Será que pegou mal? 


Foto: portalodia.com

Como telespectadora, a mim, ontem, me pareceu mais honesta a edição do Masterchef e nisso incluo os longos, quase intermináveis, intervalos para comerciais. 

Num deles, eu não fiquei na sala, mas nos demais notei que não houve aquela vexaminosa aparição dos três jurados do programa em praticamente todos os produtos dos patrocinadores. 

Na semana passada, do detergente desengordurante, passando por pimenta, margarina, conjunto de panelas, máquina e cápsula de cafezinho, posto de gasolina e rede de conveniência, sem esquecer, é claro, do supermercado,  tudo tinha a cara de um dos três. 

Como não são atores, dependendo do produto e da direção artística do comercial,  a situação ia do risível ao deprimente. Que dizer do chef Eric Jacquin como motorista de um food truck? E do brilhante texto e da empolgante interpretação da exuberante Paola Carosella sendo chmada de "nossa dama"  ou se referindo ao chef "bad boy" como "meu tatuado"? 

No capítulo de ontem, rolou um merchandising lascado, descarado como sempre. A prova do bife à Wellington levava um corte de filé mignon e os jurados e apresentadores da prova tiveram que reverenciar o patrocinador Carrefour, elogiando o acompanhamento do processo usado para que a carne chegue até o consumidor. Nada demais, no entanto. Eles até pareciam com o que se pode chamar de "embaixadores da marca" neste caso. 

No entanto, não teve chazinho para ela e café forte para eles antes do anúncio da eliminação. Ou será que fui eu quem abstraí essa parte? 

De toda sorte, o programa vem tirando o sossego dos responsáveis nas demais emissoras de TV aberta com suas pífias atrações no mesmo horário. Ontem, a novela da Globo se estendeu um bocado para um segundo capítulo. Além disso, na Band, em breve e com muito  apetite de público vem o Masterchef Kids.  

Na semana passada, Henrique Fogaça deixou com água na boca muita gente que nunca esteve em um de seus restaurantes: o Sal e Cão véio. Ontem, foi a vez do restaurante Arturito ser elevado ao nível do Fasano. 

Eu continuo vendo. Terças à noite já são reservadas para a atração, mesmo sabendo disso tudo e mais, como todo mundo, sei também quem são os finalistas da segunda edição. Por sinal, uma falha grave e desrespeitosa da emissora ter deixado essa informação vazar.  Sem graça, né? 

Vamos ver o  que vem mais... 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Franguinho com curry e gengibre (à indiana)

Receita de Frango à Indiana 


Ingredientes

120 gramas de peito de frango sem pele e desossado em cubos
1 colher (sopa) de óleo de milho
1 colher (sopa) cebola picada em brunoise*
1 dente de alho amassado
1 colher de gengibre picado em brunoise
3 colheres (sopa) de iogurte natural 
1 colher (café) de curry
sal a gosto.

Modo de fazer

Refogue o frango com o óleo, a cebola, o alho e o gengibre. Deixe dourar. Isso vai demorar uns 8 minutos, no mínimo. Misture o iogurte com o curry e despeje no frango. Salgue a gosto. Baixe o fogo e deixe reduzir por alguns minutos. Sirva em seguida. 

-- 

Para acompanhar esse franguinho uma boa combinação de grão de bico cozido temperado com hortelã e azeite e um cuscuz marroquino com castanhas e frutas secas picadas. Combina muito bem! 

Preparei essa refeição pra mim agora há pouco. Entre começar e terminar o preparo, comer e lavar a louça (contando que o grão de bico estava previamente cozido e o frango descongelado) demorei uma hora e quinze minutos. Ah! Nesse tempo eu ainda fiz as fotos.  Não é tão difícil comer bem, é? 

Ando pesquisando muita coisa sobre comida, por prazer e por dever do ofício. A cada dia, tenho mais certeza de que cozinhar é uma disposição, muito mais do que um conhecimento. É um ato experimental, empírico com o qual chegamos a resultados muitas vezes surpreendentes que mudam para sempre o nosso jeito de ver os alimentos. 

Também provo a  cada dia que comer é mesmo cultural. Na nossa cultura temos a chance de ousar com ingredientes diversos. é a nossa miscigenação natural, somos um pouco italianos, portugueses, franceses, indianos, japoneses, árabes. Essa é a grande graça.

Experimente essa ousadia. Só uma vez... depois me conte. 

Um beijão, até amanhã com uma entrevista especial.  Entrevista de chef! 

*brunoise - cubos de 3x3mm

>> Conhece o Lá em casa pra jantar ?


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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Pão de ló de amêndoas

Nos bastidores do Lá em casa pra jantar  - parte 2 ou 3... 4 sei lá! 


O período que antecede um evento é sempre uma correria, por mais organizada que seja a pessoa ou a equipe que o executa. Além da expectativa e da ansiedade que precisam ser domadas, mesmo que o evento seja pequeno, há muitos detalhes a serem executados. Para quem gosta dessa arte, é uma delícia lidar com tudo isso. 

Nessas de inventar um jeito de chamar pessoas para ir Lá em casa pra jantar, muitas tarefas precisam ser cumpridas. Uma delas são os testes das preparações. 

Ontem foi o dia de testar a massa do pão de ló de amêndoas. Deu certo, embora a massa seja um pouco seca para o meu paladar. Mas, certamente, como diz a minha amiga Meire Capobianco, um bolo seco bom é um bom bolo. "Se você não gosta de bolo seco é porque não comeu o bolo que foi feito para ser seco", diz ela. E eu admito, tenho que concordar. 

O que me encantou nesse pão de ló foi o modo de fazer, que é diferente do que estou acostumada. Vamos a ele. 

Pão de ló de amêndoas


Ingredientes

3 ovos 
90 gramas de açúcar
90 gramas de farinha de trigo
30 gramas de farinha de amêndoas









Modo de fazer

Numa panela pequena, coloque os ovos e o açúcar. Leve ao fogo, mexendo sempre para misturar bem os ingredientes até que atinja uma temperatura de cerca de 35 a 40 graus (a que é suportável por o dedo sem queimar). 
Retire do fogo e despeje esse conteúdo numa tigela, que pode ser a da batedeira. Com o batedor da batedeira em rotação média para alta bata até que essa massa atinja ponto de letra (quando a mistura ficou bem clara e é praticamente possível escrever nela com o batedor sujo de massa). 
Aos poucos junte as farinhas, ambas peneiradas. Faça isso em três etapas e apenas misture a massa fazendo movimentos do fundo da vasilha para a superfície, com o objetivo de aerá-la. É importante não bater, só misturar. 
Leve ao forno pré-aquecido a 170 graus em forma de fundo ou lateral removível untada com manteiga por exatos 25 minutos. 

Esse bolo não leva fermento, O que faz a massa crescer é o processo de executá-la, isto é, ao bater o açúcar levemente aquecido com os ovos ocorre a aeração necessária para o bolo ficar fofinho. Outro ponto importante é a farinha ser peneirada, o que também a torna mais aerada. 

Aplicações do pão de ló de amêndoas

Serve como base para o preparo de bem-casados, para ser recheado com geleias, doces em compota, caldas de chocolate ou café. Pode também ser servido sozinho, apenas com açúcar de confeiteiro polvilhado. Para acompanhar um chá, um café ou um capuccino. 

Momento fotos




Venho aprendendo com o blog que quase todo mundo gosta muito de ver fotos, mais que ler, eu diria. No entanto, eu nunca fui muito boa em técnicas fotográficas e nem tive grande interesse por essa arte além de ser uma admiradora contumaz. 

Em tempos de novos projetos, novos aprendizados. Estou treinando para melhorar minha técnica ao fotografar comida. Ando estudando um pouco sobre o uso do equipamento e tenho treinado meu olhar e, principalmente, minha paciência para conseguir bons cliques. 

Na era digital, testar ficou mais fácil porque não é preciso usar filme e fazer revelação em laboratório. Mas a meticulosa atenção para conseguir a foto correta ainda é o grande diferencial de um bom fotógrafo. Eu sou só amadora, nem me atrevo a outra coisa. 





Espero que a foto do bolo dê água na boca. Se não der, só acredite em mim: ficou bom pra caramba! 

Amanhã tem mais! Beijos e até lá. 



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Roux

Série: A cozinha em pílulas de conhecimento


Roux (pronuncia-se rú) - é um dos agentes espessantes (para engrossar, encorpar) usados na culinária. Feito de uma combinação em proporções iguais de um amido e uma gordura, por exemplo, farinha de trigo e manteiga clarificada.  

A mistura do roux é feita fora do fogo. No entanto, para atingir a cor desejada a mistura é aquecida. 

O roux pode ser claro (branco e amarelo) e escuro (marrom e negro). Para conseguir as tonalidades e a variação de sabor de acordo com a cor o que muda é somente o tempo de cozimento. 





Branco - cerca de 3 minutos
Amarelo - procedimento do roux branco mais 2 minutos
Marrom - mais tempo de fogo  que o amarelo até que exale odor de amêndoas 
Negro - ainda mais tempo no fogo, quase à beira de queimar (aroma acre, não deve soltar fumaça).

Como agente espessante que é, o roux é normalmente usado numa combinação com líquidos. A técnica correta de uso é sempre baseada na temperatura: para roux frio, líquido quente. Para roux quente, líquido frio. Sempre mexendo para evitar a formação de grumos. Esse preparo deve ficar no fogo ao menos 20 minutos para que suma todo o sabor da farinha. 

  

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Os nomes das frigideiras

Série: A cozinha em pílulas de conhecimento


No dicionário, frigideiras são panelas ou utensílios de cozinha de metal ou barro, com formato redondo, borda baixa, que têm cabo comprido, cujo uso geralmente é para frigir alimentos. 

Prático? Nem tanto. Na Gastronomia, há diferentes nomes e usos, que apesar de suas diferenças aparentemente sutis nem sempre obtêm os resultados mais satisfatórios. A arte culinária pode improvisar, a gastronomia exige mais conhecimento e técnica. Importante mesmo é aprender e, mais que isso, cozinhar!

Existem diversos tipos de frigideira: 

    Ilustração do livro 400 g - Técnicas de Cozinha
  • Pergaminho - é uma panela de bordas baixas e curvas, com duas alças laterais, comumente usada para preparos que exijam finalização no forno, como os gratinados. Inox, ferro e alumínio são os materiais mais comuns utilizados nesse tipo de frigideira. 
  • Sautese (frigideira baixa) é uma panela com as bordas baixas e inclinadas usada para saltear alimentos. Em geral, tem apenas um cabo comprido. Comumente encontrada nos materiais inox, cobre e alumínio.
  • Sautoir é uma frigideira mais alta, com bordas retas, mais usada para fritura rasa e para chapear carnes, aves e peixes, assim como para finalizar molhos. Nela se usa pouco óleo. Em geral, tem apenas um cabo, mas pode também ter, do outro lado, uma alça, que ajude a despejar o molho quando pronto. De inox, ferro e alumínio.
  • Wok é uma frigideira alta, com fundo arredondado e cabo. Muito usada na culinária oriental, distribui o calor por igual dado o seu formato. Eu tenho uma de teflon, mas isso é quase pecado! Melhor se fosse de inox ou ferro. 

Post relacionado  >>> 400 g - Técnicas de Cozinha

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A cozinha em pílulas de conhecimento



Carême - Marie-Antoine Carême foi um importantíssimo e revolucionário chef de cozinha francês que viveu entre o fim do século 18 e o primeiro terço do século 19. Foi o primeiro chef celebridade do mundo, conhecido como o chef dos reis e o rei dos chefs.  

Sua contribuição para a gastronomia foi imensa uma vez que foi ele quem primeiro separou os preparos dos pratos por categoria e os classificou. A partir disso criou métodos básicos de preparo que serviriam para as mais diversas variações da culinária. Um exemplo são os molhos. A partir dos chamados molhos mãe (bechamel, velouté, espanhol, de tomates e holandês) é que os demais se derivam quando são aromatizados, finalizados ou guarnecidos de diversas maneiras.


Saber um pouco de história é fundamental para quem se arrisca no mundo da gastronomia. Vale pesquisar sobre o chef Carême já que ele, sem dúvida, nos encurtou caminhos.  

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Molho de mostarda com mel para saladas


Essa semana toda tenho estado atenta ao que temos comido. Estou anotando os itens que compõem cada refeição e tentando comer de um jeito bem saudável. 

Como já passei duas vezes pelo processo de reeducação alimentar, visando perder peso porque havia "chutado o balde forte" e engordado mais do que acho razoável pra mim, sei bem o que posso comer e o que não. Digo "o que posso", mas, na verdade, eu e quase todas as pessoas podemos comer tudo o que quisermos. Só que o equilíbrio é sempre mais saudável. 

Nessa pegada, ontem à noite, resolvi fazer uma salada bem linda e apetitosa, como nos velhos tempos. Modéstia à parte, minhas saladas fazem sucesso. Eu adoro combinar e há combinações que são incríveis, dão muito certo. Para isso, é preciso ousar, sair do tomatinho, alfacinha e cebola nosso de cada dia. Isso também é gostoso, mas nada que salte os olhos e encha a boca de saliva. 

Mas se os ingredientes disponíveis forem só esses, o molho da salada é a grande solução. O tempero é que faz o sabor crescer. 

A seguir apresento uma sugestão de salada completa com um molho que pode fazer qualquer prato se tornar memorável. 




Salada da quinta-feira à noite



Ingredientes 
(já devidamente higienizados)

6 folhas grandes de alface crespa
6 folhas de alface americana (dá metade do repolhinho da alface americana)
2 colheres de alfafa bem fresca (dois punhados daqueles cabelinhos de alfafa)
10 azeitonas verdes com caroço
10 tomates cereja
50 gramas de peito de frango desfiado refogado ou apenas cozido na água com sal
lascas de parmesão 
15 gramas de ricota defumada apimentada ralada

Montagem:  Rasgue as folhas dos dois tipos de alface com as mãos até que fiquem fáceis de serem servidas. Distribua-as ao fundo de uma travessa rasa. Por isso espalhe os fios da alfafa. Corte os tomates cereja em metades e distribua-as por toda caminha feita com as folhas e a alfafa. Faça o mesmo com as azeitonas. Por cima, polvilhe a ricota ralada e as lascas de queijo parmesão. 

Molho de mostarda com mel

Ingredientes em proporção 

3 medidas de mostarda dijon com sementes
1 medida de mel
1 medida de aceto balsâmico
1 medida de água 
sal o quanto baste

Misture todos os ingredientes até que fiquem emulsificados.

O molho deve ficar numa molheira à parte. Como é forte e bem ácido, cada pessoa tempera a gosto no próprio prato. 

Para acompanhar essa salada, torradas temperadas ou fatias de pão com sementes. 

Esse opção de molho vai muito bem com saladas que tenham itens adocicados entre os ingredientes como cenoura e beterraba raladas ou mesmo frutas: manga, morango, quiwi, maçã, pera, figo fresco. 

Não combine com pepino, cebola, abacate, feijões e vagens. Não vai ficar bom. 

Aproveite que é inverno, mas está calor. As saladas caem bem e ajudam a hidratar o corpo. 

Bom apetite! 




terça-feira, 4 de agosto de 2015

Hoje é noite de Masterchef Brasil

Mais que redudante é dizer que gastronomia está na moda. Nessa onda vem blog, livro, programa de TV que não acaba mais, canal exclusivamente dedicado ao assunto e, claro, Masterchef.

Ninguém há de negar que a Bandeirantes fez um bom negócio ao conseguir a bandeira internacional do programa. Preencheu a noite da terça, faz todo mundo que gosta da tarefa ir dormir quando já é madrugada e a cada semana mais e mais patrocinadores entram e alongam o tempo do programa na grade (na semana passada foram mais de duas horas e meia).

Na edição de 2014, logo nos primeiros episódios, nem anunciante tinha. O programa era rápido, com poucas propagandas em cada intervalo. Depois elas foram aumentando, aumentando... A segunda temporada já começou com oito anunciantes de peso. Eu fico contando, um, dois, trés... daqui a pouco serão uns 25. Isso sem falar na publicidade que tem os três jurados os chefs Eric Jacquin, Paola Carosella e Henrique Fogaça, como garotos-propaganda. Eles devem estar enchendo as burras de grana. O que é merecido diante da proposta.


O foco muda da Rede Globo e a gente pode ver uma produção estelar com estrelas que não são, ao menos num primeiro momento, atores ou atrizes. Ana Paula Padrão que já era mais conhecida do grande público é um bom exemplo. Parece uma boneca marionete, daquelas bem magrinhas, com roupas coloridas, espalhafatosas, fora de contexto.  mas atriz não é. Pena ver uma jornalista de tanto cacife brincando de ser fofinha ou bravinha com os participantes do programa.  


Sempre me pergunto: será que com aquela magreza ela gosta de comer? Será que ela e a produção não se tocam que a maquiagem, as unhas, o cabelo e as roupas não ficam bem para o ambiente da cozinha? Excesso. Puro excesso. Como diria Gilberto Gil: "Desnecessário, Preta! Desnecessário."



Na seleção para 2015, foram mais de 10 mil inscrições. Sobraram 18. O critério da seleção, ao que tudo indica, é duvidoso, afinal Masterchef é entretenimento muito mais que uma competição entre cozinheiros excepcionais. Nem é preciso pensar muito para notar que o critério de seleção passa, digamos, um pouco longe da gastronomia e, até mesmo, de cozinhar bem.  

A explicação para isso é simples. No nosso modelo comercial de televisão, sempre quem paga a conta são os patrocinadores. Esses, por sua vez, contratam especialistas em mídia e marketing em suas empresas para que seus produtos sejam amplamente divulgados nos melhores veículos de comunicação, sejam programas, revistas, novelas etc.   O papel desses especialistas é escolher onde aplicar o dinheiro das empresas e de seus produtos de maneira a garantir a maior visibilidade e, consequentemente, vendas e lucros. 

Parece óbvio que o Masterchef só se torna uma boa cesta para que sejam colocados os ovos, no sentido figurado, dos patrocinadores se os participantes, ou seja, os concorrentes forem pessoas que representem o público a que os patrocinadores querem atingir. Simples!


Assim faz todo sentido que sejam escolhidos tipos distintos a fim de formar um grupo heterogêneo que atraia audiência de diversos pontos do país (nada mais Big Brother que isso!) e que sejam contemplados também os bonitos porque funcionam bem na TV (quem não gosta de ver uma pessoa bonita na telinha?), os que causam confusão, os que nos comovem, os que representam minorias e tornam o programa politicamente correto... e até os que cozinham bem, com técnica, pesquisa e preparo.

Nada contra. Mas, embora eu goste muito de ver e fique dando meus palpites durante todo o programa, porque gostoso mesmo é se envolver como se tudo fosse realidade,  não é possível torcer de verdade para qualquer dos participantes. As cartas parecem bem marcadas. 

Às vezes, os participantes apresentam cada gororoba que se não fosse a fórmula (o modelo) do programa como entretenimento todo mundo voltaria pra casa naquela hora. É nisso que o Masterchef Brasil peca e muito!  Os participantes são muito ruins. Eles não sabem nada. Não têm técnica e nem estrutura emocional. E os jurados ainda têm que reforçar que nessa temporada o nível aumentou em relação à passada. 

O que vejo na TV, são pessoas que cozinham em casa, tudo bem, mas que não se dignam a estudar um pouco, pesquisar, ver outros programas que ensinem técnicas de cozinha... Quem sabe se fossem algumas vezes a museus para ver exposições de quadros, de esculturas, pudessem com isso desenvolver algum senso estético para montar um prato.... 

Comparando Masterchef Brasil com Masterchef Austrália, série que também está com uma temporada no ar no canal TLC, fica muito claro o quanto somos mambembes na arte da gastronomia por aqui. Temos zilhares de chefs de cozinha se metendo a abrir suas portinhas por aí, cheios de sonhos, mas com pouca técnica, pouco tempo dedicado a estudar o que denota um total despreparo quando é preciso mais do que simplesmente talento e prazer. 

Nesse sentido, é uma pena...  Esse é um momento em que como brasileiros somos grandes vencedores nivelados por baixo, mais uma vez. Como no futebol e na Fórmula 1. Tempos ruins.

Por agora é isso. Aguardemos o episódio de hoje. Outra hora, sabe-se lá,escrevo mais umas observações sobre o nosso Masterchef Brasil. 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Ser bem recebido

Coisa mais gostosa não existe!

Chegar à casa da mãe, de um filho, irmão ou amigo e sentir que estava sendo esperado com carinho é a melhor sensação, talvez a mais aconchegante entre todas, que alguém pode ter.

Nessas férias de julho fomos presenteados pelas mais doces recepções nas casas em que estivemos.

Tudo começou com a Raquel, que é esposa do Ian, filho do Silas. Minha nora por extensão e acolhimento, assim como a Júlia, do Pablo, e a July, do Arthur, nos recebeu com os braços abertos, um sorriso cativante de alegria e em sua casa estava prontinha e arrumada, especialmente pra nós, uma caminha gostosa, com lençóis esticadinhos, toalhas de banho limpinhas e cheirosas, bem fofinhas. Como já era noitinha, ela pôs uma mesa com pães (entre eles um de azeitona simplesmente sensacional!), queijos, presunto cru, pistaches, folhas verdes e tomatinhos cereja, e, nem bem chegamos, um espumante espocou e foi servido bem fresco. Nem é preciso dizer que matamos a sede com ele.  Que bom início de jornada!

Assim se seguiram as chegadas. Estou aqui pensando em como fiquei feliz ao ver, na casa do Pablo e da Júlia, o mesmo cuidado quando chegamos depois de mais de seis horas viajando num ônibus congelante e, também em casa de Renata (como se diz na Bahia), de regresso nesse mesmo ônibus: aqueles travesseiros arrumadinhos com fronhas tão macias compondo as camas arrumadas prontas para dormir. Prontas para o nosso descanso de uma viagem num trecho cansativo para percorrer.

Em casa de Aloisio (olha a baianidade reinando novamente), onde não haveria pernoite, era a mesa que estava linda, os pratos dispostos, bem arrumados com seus pares de talheres e uma bela seleção de copos prenunciando que haveria muita comida harmonizada ao melhor estilo chef  Pontes, como agora eu chamo meu "padinho" baiano, que, de nascimento é mineiro. Aloísio é meu padrinho mesmo, de verdade! Dia desses conto essa história, mas não agora.

Cada episódio de chegada, passeio e tempo de permanência nos locais onde estivemos merece uma descrição pormenorizada, o que talvez pudesse render um livro a que chamaria de Férias 2015 no Brasil. Por enquanto, só a versão reduzida, com impressões. Sabe-se lá se não virão posts específicos nos próximos dias.

Camas feitas, mesas postas, coisinhas gostosas para comer, abraços calorosos, sentimento vivo, saudade sendo recriada porque dali a pouco a gente vai dizer tchau pensando que volta em breve, quem sabe, ou que logo vai  se ver em São Paulo, o que também pode ser...

Quando criança, ouvi algumas vezes do meu pai, com sua incrível habilidade de sintetizar em frases curtas algumas sabedorias inestimáveis, que "visita é uma alegria quando chega e duas quando vai embora". Jeito engraçado e, se descontextualizado, até um pouco rude de nos ensinar que abusar da hospitalidade dos que nos acolhem é prática inaceitável.

Por isso, acho que visitar pessoas tem que ter o tempo de passar uma chuva: às vezes mais longa, que demora até uma temporada, outras, só uma breve tempestade de verão, que dura uma hora e já faz estrago mais que suficiente.

Há casas de amigos nas quais nos sentimos tão bem que parecem ser nossa outra morada. Eu sempre digo que tenho um lar em São Paulo, outro em Itu, mais um em Salvador, um no Rio... e até um na Alemanha!

Chegamos de viagem com a mala cheia de roupas sujas, a máquina fotográfica lotada de fotos feitas pelo nosso olhar, eu, pessoalmente, com uma indisposição física resultante de uma infecção alimentar, mas, mais que tudo, com coração e a alma repletos do mais terno amor, do sentimento de amizade sincera e aquecidos pelo calor humano dessas pessoas tão especiais que nos fizeram sentir amados, cuidados, bem vindos, afinal!

De regresso à casa, nos esperava a Nina, nossa gata amada. Mais gordinha, até assustamos, e dois dos meus três vasos de orquídeas completamente floridos. Uma benção! 



Ian mostra seus dotes culinários


Momento degustação...


O sorriso do chef Aloisio Pontes


Registro que subi o Morro do Pai Inácio


Brincando de casinha na praia de Inema com Renata


A casa nova do Pablo e da Juju! 
Meditação do antropólogo

Orquídeas de regresso

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Férias no Brasil

Já sei, já sei, a gente mora, a gente vive no Brasil. 

Mas São Paulo (a capital), pra mim, não é lugar de passar férias. Parece que os dias se vão na sequência do que passa na televisão, ou seja, a rotina permanece. É bom sair do movimento repetitivo de verdade de vez em quando, de preferência por um tempo razoável para sentir que o ciclo se rompeu. Voltar depois, é também um bom prazer. 

Para isso, nada melhor do que férias no Brasil. Eu digo Brasil porque este ano, o Silas e eu, decidimos botar, cada um,  uma mochila nas costas (mais pesada do que deveria) e começar e concluir nosso merecido descanso do mês de julho em lugares que não podem ser mais brasileiros: Brasília - DF, que é a capital do País, passando em seguida pela Chapada dos Veadeiros em Goiás, e depois, Bahia, também com direito à capital e a Chapada Diamantina. 

Desculpem os leitores meu sumiço repentino, devia ter avisado que por alguns dias poderia não haver frequência nos posts. Quem comumente lê o blog, pode ter imaginado muita coisa. Confesso que fiquei feliz e lisonjeada com o contato de alguns seguidores assíduos que me escreveram dizendo que estavam sentindo falta das publicações. O motivo do desaparecimento momentâneo não foi nem de longe algo ruim, ao contrário, uma vez que eu sai para viajar de férias. 


Não fosse pelo idioma, que é "quase" o mesmo que falamos no restante de todo território nacional, esses lugares que visitamos podiam ser mesmo outro país porque são tão diferentes, distantes de intermináveis distâncias, que a gente se dá espaço para perceber que o Brasil é grande, bem grande! 

Adoro férias que me dão vontade de ver, saber e conhecer mais. 

Fora a Chapada dos Veadeiros, eu já tinha estado nos demais lugares escolhidos para compor o nosso roteiro de viagem. Mas, então, por que escolher de novo esses mesmos destinos? É simples, férias de aconchego, de encontro, de família. 

Costumo dizer que o Silas e eu sempre temos "grandes boiadas" quando viajamos porque temos filhos, irmãos (os dele) e irmãos que não são de sangue morando em lugares diversos, quase sempre destinos deliciosos de visitar. E se não forem assim tão gostosos, encontrar as pessoas que amamos nos completa de tal forma que não seria preciso por o nariz pra fora das casas dessas pessoas. Só que como as paisagens ajudam (e muito!) a gente aproveita e junta o agradável ao muito agradável. A questão da "grande boiada" é que a gente acaba conhecendo coisas quase como os locais, ou seja, não ficamos apenas com o que as agências de viagem oferecem aos turistas. 

O roteiro planejado e até agora cumprido com louvor incluiu a casa dos filhos e noras (Ian e Raquel, Brasilia, e Pablo e Julia, Lençois, na Bahia), a da Renata e a do Aloísio, ambos em Salvador, mais Morro de São Paulo e os caminhos, vistas e cachoeiras nas belíssimas chapadas brasileiras, a Diamantina, que é a maior do Brasil, e a dos Veadeiros, estupendo porto atracador do povo bicho-grilo desde que me conheço por gente. 

Entardecer em São Jorge, Alto Paraíso, em Goiás

Cânions, Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Raquel e eu, na ciclovia no Setor Sul de Brasília - DF

Igreja de Morro de São Paulo - não tem imagem do Santo na Capela  
Pablo em pleno voo no Morro do Pai Inácio, Lençois, Bahia

Lá pelo meio da viagem, conversávamos sobre a noção que poderiam ou não ter as pessoas sobre as distâncias que estávamos percorrendo. Nossa conclusão é que tudo pode parecer próximo quando se olha no mapa, mas o fato é que nosso roteiro incluiu três dos seis distintos biomas brasileiros: Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Só pensando nisso, essa foi uma verdadeira oportunidade para expedicionar pela vasta biologia desse continente que é tão grande, rico e diverso. 

Viagens como essa nos dão a dimensão de que o espírito viajante é que faz com que as pessoas se desloquem tanto para simplesmente se emocionar na descoberta e não, necessariamente, dinheiro e infraestrutura perfeita.  Exemplo disso é que em São Jorge, um pequeno vilarejo de Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros em Goiás, a grande maioria dos viajantes vai de ônibus e lá se desloca só de carona. 

O mais interessante disso não é não pagar pelo transporte. É ter a chance de conhecer gente, falar de assuntos não esperados, compartilhar expectativas, despertar ou ser despertado para outras tão diferentes da sua como viajante ou turista, que é o que vale a pena pra valer, tanto para quem dá como para quem pega a carona. 

Como na época da faculdade eu pedi muita carona na estrada e depois que pude comprar um carro nunca tinha conseguido retribuir e dar continuidade ao ciclo do caroneio, me realizei ao poder oferecer um pouco do meu conforto para quem estava ali ao sol, acenando para os carros que iam na direção que pretendiam ir. Foi um sonho realizado e quero repetir muitas vezes. 

Já estou sentada escrevendo há mais de um hora e nem comecei a contar as peripécias, mas já me chamam para mais uma descoberta. Tenho que ir. Só garanto que o blog continua e que em breve, com as várias coisas novas que aprendi e os sabores que provei tenho muita vontade de compartilhar. Logo!

Abraço imenso, do tamanho do Brasil!!!