Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Can Margarit: jantando com os locais

Férias de julho 2016 - Capítulo 3

Era 29 de junho, meu aniversário e estávamos em Barcelona. Combinamos um jantar especial. 

Nossa ideia era ir ao restaurante Quatre Gats.  Há mais de 15 anos estive em Barcelona e jantei nesse lugar. Por isso, cheguei até a reservar mesa. O 4Gats é badalado e super conhecido porque era o lugar frequentado por Pablo Picasso, um dos mais ilustres barceloneses de todos os tempos. Foi ele quem desenhou a capa do cardápio do restaurante em tempos de sua inspiração boêmia. 



O jantar é o que interessa



Por fim, decidimos mudar. Queríamos algo mais despojado, com um jeito catalão de verdade, isto é, menos pra turista. Sempre buscamos isso nas nossas viagens, mas é difícil encontrar sem a referência de alguém que vive ali. Por sorte, o Silas tinha lido sobre o Can Margarit num blog e quando leu o post pra mim, sentimos que era esse. 

Ponto pra intuição! 

Fomos caminhando até o lugar que, aparentemente, não nos pareceu uma rua badalada, a calle de la Concordia, embora o bairro Poble Sec tenha tido uma afeição especial do público alternativo e "in" de Barcelona. O caminho nos pareceu distante do turistal  (um jeito meio maldoso pelo qual chamamos o turista típico da CVC e seus semelhantes em viagens pelo mundo todo). Aliás, andando pra chegar lá, comentamos que as ruas pareciam com o Palermo em Buenos Aires, mas com menos pessoas. 


Em plena quarta-feira, lá pelas nove da noite (que lá ainda era de tarde porque os dias estavam longos de verão europeu) chegamos a uma taverna das mais simples e simpáticas. 

Mesa pra dois. Antes de sentar nos mandaram pegar um copo cada um que era para nos servirmos de vinho diretamente nos barris de madeira que ficam na área de espera bem na entrada do restaurante. 

Mesmo sem espera, já que ainda estava meio vazio, só com umas três mesas ocupadas, não nos tiraram o prazer de "abrir os serviços" com um copinho de vinho. Que gentil! 

De cara você se sente abraçado com essa demonstração de hospitalidade. Soa como generosidade dos donos. Aqui pelo Brasil, deixamos há tempos essas gentilezas. Tudo é cobrado, até a água da torneira. Aliás, agora há muitos restaurantes e bares em São Paulo que cobram 13 a 15% de taxa de garçom. Inflação em número percentual! Mas esse é assunto pra outra conversa.

No Can Margarit conhecemos literalmente uma taverna rústica. Sem nenhuma frescura, das cadeiras e mesas de madeira sem toalha, aos pequenos copos que mais pareciam com "cristais de geleia cica" (só que sem a borda grossa), e às louças e cerâmicas nas quais nossos pedidos vieram servidos, até a decoração nas paredes, tudo bem com cara de celeiro de sítio de antigamente. `



A iluminação, que sempre é uma preocupação para quem tem restaurante, era clara, mas tinha umas velinhas e não dava aquela sensação de branco hospital, que é desagradável demais. 

Pra ser sincera, senti como se esses elementos todos não tivessem qualquer importância. Tudo parecia tão casa da avó, que foi uma delícia passar quase três horas lá sentada na cadeirinha com assento de taboa. 

Comemos uma salada de bacalhau com batatas, pimentões e azeitonas de entrada. Que coisa gostosa! Melhor ainda porque também pedimos pão com tomate. Por sinal, comemos esse pãozinho com tomate praticamente em todas as principais refeições que fizemos na Espanha, não só na Catalunha.  




Depois veio a estrela da noite, o prato principal, o carro-chefe da casa. No cardápio está em caixa alta, digo, letras maiúsculas: conill a la Jumillana. Uma receita de coelho frito com cebola, alho, louro, hortelã, tomilho, alecrim, orégano, erva-doce. Digna, muito digna! 



Eu não gosto de alho. Se posso não comer, não como. Já o Silas, é o meu oposto. Ama! Nesse prato, que eu continuo elogiando, tinha tantos dentes de alho fritos em imersão de gordura que o Silas se esbaldou. Mais de 20, ainda com a casquinha em volta, era só tirar e degustar, como um creme, segundo ele. Eu fiquei com as cebolas caramelizadas. Boas que só vendo! E o coelho, qual é o jeito de fazer? Pela explicação do chef,  "a passarinho", só que como é coelho...  


Bebemos vinho rosado e água gasosa (ambos em copinhos como os de nutella) para acompanhar essa iguaria da cozinha do sul da Espanha, que é feita com esmero nessa taverna quase rural em plena cidade grande do nordeste do país. 





Sobremesa: creme catalão? Não, um pudim. O meu de laranja, o do Silas de coco. Nada a ser ufanado, deveras! 

Na taverna não tem café expresso, mas tem um licorzinho de vinho como digestivo... Hummm, bom! 








A conta foi bem econômica. Cerca de 40 euros para nós dois. Já o jantar foi memorável, pra dizer o mínimo. 

Ah! Se todos aprendêssemos que a graça está na simplicidade, no sorriso, na generosidade. Tudo iria bem melhor. 

Saímos de lá alegres pelo vinho, pela comida, pela comemoração, pela viagem e, mais que tudo, pela delicadeza com que fomos tratados. Pense num lugar que você não se vê como cliente, mas como um amigo distante que é bem vindo. Pensou? 

Pra quem vai a Barcelona e quer fugir do burburinho, a taverna Can Margarit é uma boa recomendação. Mas é bom saber que quando nós já íamos embora, o lugar estava com as mesas todas ocupadas. Merecido sucesso de um lugar que, depois pesquisei, tem 40 anos. 


Serviço: 

Taverna Can Margarit
Calle de la Concordia, 21. Barcelona 
Tel. +34934416723

De segunda a sábado, desde 20h30. 

quarta-feira, 30 de março de 2016

Masterchef 2016 - Terceira temporada



Eles voltaram: Henrique Fogaça, Paola Carossella e Erick Jaccquin. Continuam jurados do Masterchef Brasil, agora já na terceira edição. Para quem curte o programa, a diversão notívaga das terças-feiras está garantida. 

E dá-lhe caras e bocas! 

Em meio a tantas grosserias e arrogâncias e outras muitas "fofurices", os três chefs, agora pra lá de conhecidos do público nacional, selecionaram 21 participantes para a edição do programa deste ano. Tarefa nem tão fácil quanto parece porque, no fundo, eles sabem o poder da mídia que mudou a vida deles e pode mudar muito a dos participantes também, transformando alguns em pop stars instantâneos. 




Assisti aos três primeiros episódios, que foram os da seleção do grupo, e, ontem, vi até o final já com alguma torcida. Vibrei e lamentei quando uns e outros tiveram que devolver seus aventais e, quanto aos que sobraram, posso dizer que me identifiquei com alguns e, simplesmente, detestei outros.  

Repercussão

Durante todo o programa ontem o Twitter bombou Masterchef... E tinha gente grande como o Arnaldo Lorençato twittando sem parar... Sinal de que a coisa vai pegar de novo este ano. 

Hoje, lendo meus blogs prediletos eis que encontro no post do A dica é  as mais deliciosas observações sobre o grupo de 21 classificados do Masterchef 2016. A Ale e a Aline mataram a pau! 
Aline e Alessandra, blog A dica é

Não concordo com 100%  só por causa da Thaiana que eu classificaria como parte da cota das "fofuras" e tem também Gleice que, pra mim, parece mandar bem pra caramba na cozinha. Só posso dizer que concordo com o que escreveram mais de 90%. Ah! e isso é só porque também quero dar pitaco. 

Assim, aproveitando a deixa, resolvi compartilhar o post delas porque  o texto é uma bela sacada. As meninas do A dica é são ótimas!!! E eu sei disso não é de hoje. 

So... enjoy it!!! 






Leia também sobre Masterchef nesse blog: 


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

1884, o restaurante de Francis Mallmann em Mendoza


(Texto especialmente redigido para o PortaTop Vitrine em 03/12/2015)


Há dias prometo esse post, mas precisava de um tempo para que a poeira baixasse e a reflexão me fizesse ser honesta e sensata nas minhas avaliações. Apesar de valorizar imensamente as emoções, em especial quando se referem a impressões sobre lugares e paladares, acho que o restaurante 1884 em Godoy Cruz, Mendoza, na Argentina, merece essa consideração. 

Com a viagem marcada, tratamos de tomar algumas providências como estudar as principais atrações do local e fazer reservas nos restaurantes mais famosos e indicados. 

Estando em Mendoza, eu não deixaria de conhecer o restaurante do chef Francis Mallmann, uma vez que o acho, no mínimo, sui generis a cozinha regional argentina e, mais que isso, simpatizo enormemente com os "cozinheiros-celebridades" que valorizam (às vezes até em demasia) suas raízes culinárias. 

Para quem não sabe quem é Mallmann sugiro assistir a um dos documentários da série Chef's Table que a Netflix lançou este ano. Dá para ter uma ideia apenas pelo trailer  do quão surpreendente pode ser o restaurante desse argentino, um tanto excêntrico e pra lá de ousado. 

Chegamos pouco antes da hora agendada e, para esperar nossos amigos que ainda estavam a caminho, fizemos uma visita de reconhecimento do lugar. 

O restaurante se chama 1884 porque esse foi o ano da construção da sede da vinícola Escorihuela Gascón, que sofreu um incêndio tendo ficado em ruínas. Foi então resgatada por Francis Mallmann que a transformou num charmoso e elegantérrimo restaurante mendocino, muito procurado por turistas e críticos de gastronomia.  Todo taxista de Mendoza, mesmo sem entender o que dizem os passageiros estrangeiros, saberá conduzi-los ao estabelecimento de Mallmann. 

Chamam atenção a decoração refinada e aconchegante do local, o que é plenamente favorecido pela iluminação indireta e o aroma da brasa e das cinzas que percorre o ambiente uma vez que é um atrativo do restaurante o preparo das carnes de frango e cordeiro à moda. 

Um grande braseiro redondo fica na área externa do restaurante próximo às mesas do jardim. Nele é feito o churrasco, mas o que é atraente é como ficam penduradas as carnes para que sofram a ação da temperatura e da fumaça. Isso lhes rende um sabor diferenciado de tudo o que se possa ter comido até então. 




O atendimento do 1884 é feito por jovens estudantes de hospitalidade e gastronomia. Todos muito descolados, cheios de tatuagens, com cortes de cabelos e barba bem pouco convencionais, assim como seus acessórios: piercings, óculos e brincos.  

Embora não seja recomendado o uso desses elementos chamativos pelas tradicionais e austeras escolas de gastronomia pelo mundo, nas escolas de marketing, com certeza, compõem o plano estratégico para atrair clientes para esse tipo de restaurante que vende profissionalismo aliado a ousadia. 

Até que tivessem sido escolhidos os pratos e o vinho, a brigada demonstrou amplo conhecimento dos pratos, desembaraço para explicar os ingredientes que compunham os preparos, sem, no entanto, sugerir nada, nem esboçar paciência ou impaciência conosco, os comensais. Mantiveram-se impávidos. A meu ver falta simpatia ou empatia com o cliente, deixando uma ponta de arrogância no ar do atendimento. Apesar do padrão internacional, a brigada falava espanhol. Ponto. 

Nem mesmo o vinho para a harmonização nos foi sugerido. É bom dizer, no entanto, que, apenas diante da minha menção de uma garrafa com determinadas características, entre as quais o preço (eu pedi que não fosse alto demais), o maitre sommelier nos indicou um blend, como eles chamam por lá, ou assemblage, como chamamos por aqui, de malbec, cabernet sauvignon, syrah, merlot e petit verdot para acompanhar os pratos.  Nada barato, mas delicioso. Tomamos um gran vin Cuvelier Los Andes, safra 2010. 

Para um cliente desavisado, o atendimento pode ser considerado um pouco hostil. A carta de vinhos é enorme, são várias páginas de muitos rótulos, safras e uvas. Ouso dizer que a maior parte dos visitantes da casa não deve ser formada por profundos conhecedores de enologia. O que me faz crer que a postura dos garçons e do maitre não os teria ajudado. O que não significa que não sejam preparados para o que fazem, nem que sejam pouco treinados para fazer boas vendas porque sabem conduzir o cliente a pagar por uma garrafa sempre um pouco além do que gostariam. 

Estávamos em cinco pessoas e diante da exigência de consumirmos pratos individualmente, sem que pudéssemos reparti-los, pedimos cinco pratos. Sobrou comida, claro! Isso não é bom. Caracteriza um descuido do restaurante com o meio ambiente porque comida que vai para o lixo é comida desperdiçada. Dá impressão que é só o lucro que importa, ou seja, se o cliente estiver disposto a pagar, não é preciso informá-lo que os pratos são grandes, mesmo que ele tenha perguntado, como foi o nosso caso. 

As entradas surpreenderam ao paladar. Pedimos empanaditas com salada  e salada com queijo de cabra. Ambas muito saborosas, com destaque para o gosto levemente queimado das empanadas. Esse fundinho queimado dos preparos é, de fato, muito aconchegante e dá uma sensação de casa quentinha e acolhedora quando degustamos. 

Quatro dos pratos pedidos foram costeletas de "corderos" feitas na brasa, em grandes espetos, algo um tanto curioso para quem não é acostumado a esse tipo de  cocção. O cordeiro assado compunha a sugestão do dia. Esse prato é considerado a principal prata da casa, tanto que todos ficamos muito entusiasmados com ele. 

O outro dos cinco pratos foi um "chivito" (cabrito), este cozido por longas horas na panela em vinho malbec. Servido com batatas, tinha um tempero incrível, realmente memorável. Para voltar e repetir ou guardar para sempre nas melhores lembranças gustativas. 

Algo interessante é o serviço de água com e sem gás. Você paga um determinado valor e seu copo será sempre reabastecido. 

Aqui faço algumas observações e ressalvas sobre como foi o nosso atendimento no 1884. A partir de uma determinada hora, logo que foi servido o prato principal, nossos copos tanto de água quanto de vinho deixaram de ser enchidos. Fomos esquecidos. Assim como também esqueceram de colocar alguma iluminação como uma velinha ou abajur na nossa mesa. Eu não gosto de comer no escuro sem ver o que como, isso não é nada confortável. 

Quando tentamos ter a atenção dos garçons, a menos que subíssemos na mesa e dançássemos kan kan, havíamos nos tornamos de uma hora para outra completamente transparentes aos olhos da brigada.  Decepcionante para o cliente num lugar como esse. 

Depois de decidirmos não pedir sobremesa, solicitamos o café e a conta.  

O lugar não aceita reais, nem dólares. Somente pesos e cartão de crédito. Também não tem maquininha que vai à mesa. Os pagadores com cartão precisam dirigir-se ao caixa para quitar suas dívidas. 

Perguntei em algum momento pelo chef Francis Mallamann. Gostaria de conhecê-lo pessoalmente. Segundo Maria, a hostess da casa, ele não aparecia por lá há cerca de um mês. Pena! 


Quando se trata de hospitalidade, a experiência de ir a um restaurante como o 1884 gera expectativa até mesmo aos mais desinformados clientes. É um estabelecimento reconhecido, afamado, com referências em guias turísticos com legendas que levam vários cifrões. E, pode acreditar, a conta faz jus aos cifrões.  Não se espera pouco, portanto. Quem vai quer ser surpreendido. Para isso, se apronta e se apruma, como nós fizemos. O esquecimento e o descuido da brigada do restaurante é imperdoável. 


O restaurante é bonito, a decoração elegante, a comida tem qualidade, a carta de vinhos extensa e valiosa. O atendimento, contudo, vai da euforia à depressão. 

Não gosto de dar nota, só opinião, e a minha é que faltou um olhar mais atento do todo no dia em que estivemos lá. E ainda completaria: menos marketing feito de carinhas jovens e descoladas e  mais atenção ao cliente de um jeito simples, humano e menos técnico, fariam a experiência inesquecível para os cinco sentidos.  

Em outra oportunidade, quem sabe seja diferente. 

Serviço:

1884  Restaurante Francis Mallmann

Aberto todos os dias a partir das 20h30.

Belgrano 1188 - Godoy Cruz
Mendoza - Argentina
Tel: 261 424-3336
261 424-2698

http://1884restaurante.com.ar/


Leia também: 

>>> Mendoza vem aí: preparação
>>> Mendoza, vá preparado


terça-feira, 13 de outubro de 2015

Uma sexta paulistana, só pra constar

Na sexta, véspera de feriado, o Silas e eu resolvemos fazer algo bem paulistano.  Fomos ao teatro e depois saímos pra comer. 

A primeira escolha se deveu à formatura da minha querida Miriam Ramos, como atriz. Num desses encontros fortuitos da vida, a conheci quando trabalhava na Secretaria de Saneamento do Estado. A Miriam e eu nunca tivemos um contato diário, mas desde que nos falamos por telefone a primeira vez  eu já gostei dela.  


Voz conhecida e reconhecida da Rádio Usp, a Miriam é uma dessas pessoas que a gente simplesmente gosta porque soa simples, soa igual a gente. Apesar de ela ser bem diferente e especial!

Ela tinha me avisado que sua formatura como atriz seria na sexta no Senac lá na Lapa, com a peça do dramaturgo italiano Luigi Pirandello Assim é se lhe parece. Uma comédia refinada, com texto pra lá de reflexivo, nada raso, ao contrário, cheio de notas filosóficas. Considerando que Pirandello morreu em 1936, o texto é mais que atual. 

Ver a Miriam atuando como duas personagens, ora a garota Dina, ora Dona Frola, foi uma delícia. Ela é extremamente compenetrada na ação que executa. Não perde o ritmo. 

Eu gosto de gente que se reinventa. Por isso, quando um amigo me diz que está mudando de ares ou fazendo algo a mais, sempre acho que vai dar certo. Se posso, prestigio, especialmente, porque acho que uma forcinha, um incentivo, um aplauso, podem fazer a diferença para quem está em busca de algo novo. 

Meus parabéns à Miriam! 

Depois, fomos a uma hamburgueria, lá próxima ao Senac da rua Scipião. Chama-se Fitti Burguer, em homenagem ao eterno piloto, o campeão de Fórmula 1, Emerson Fittipaldi. 

No cardápio, os nomes de vários autódromos mundiais dão nome aos hambúrgueres. Nada extremamente criativo, mas valeu a pena ter ido àquele lugar por um motivo em especial. 

Na parede do salão onde estão as mesas da lanchonete, há uma foto enorme de Emerson Fittipaldi, acompanhado de sua então esposa Maria Helena. Do outro lado, uma foto também gigante de Airton Senna, levantando a taça da vitória no autódromo de Interlagos. Dois registros célebres de momentos memoráveis do automobilismo internacional com seus representantes campeões brasileiros.  Faz tempo que a gente não vê mais isso ao vivo. Só está na memória agora. 

Olha os nossos campeões na foto: 




As fotos fizeram o Silas que é ainda mais apaixonado por Fórmula 1 que eu, começar a me contar histórias desse esporte. Eu sempre gostei, mas nunca estudei ou corri numa pista. Não é o caso do Silas, ele sabe tudo, lembra de detalhes, não perde uma corrida. E já correu. Faz diferença. 

Foi pouco... Eu viajei nas histórias. Adorável. 

Só pra constar numa sexta paulistanas à noite, véspera de feriado,  sem trânsito pra nós, foi tudo muito bom. Apenas o hambúrguer não foi nem de longe o melhor que eu já comi. Mas também não foi o mais caro... Valeu pelo ambiente. Gostei. 

Até amanhã. 


Serviço

Fitti Burguer - Rua Coriolano, 1278 - Lapa - São Paulo - SP
Tel. 11 3205 - 4570 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Masterchef: como jogar uma marca e um produto na lama

Foi, para dizer o mínimo, vergonhosa a final do Masterchef Brasil 2015. 

Para quem acompanhou o programa e de alguma maneira se envolveu, embora sabendo que era entretenimento pago por publicidade, foi uma chute na canela daqueles mais doídos. 

Não pelos cozinheiros, nem pelos apresentadores e juízes dos pratos. De certo, eles foram dirigidos e seguiram à risca o que lhes foi imposto por contrato. 

Mas a Band, que teve nas mãos um produto com a audiência que alcançou o Masterchef nessa segunda edição, ter aprontado para o telespectador o que aprontou ontem foi vexaminoso. 

Eu dormi! E falei com várias outras pessoas que também dormiram. Também pra que ficar sendo feito de palhaço? O resultado já havia sido ventilado antes de o programa começar e o que foi apresentado ontem foi chato e  desonesto com o público. 

O quê? Preta Gil, Milton Neves, Rosana Hermann e mais umas quatro personagens bizarras da Band num estúdio patrocinado pela TIM no pior estilo fim de Big Brother enrolando o público por mais de três horas... Sinceramente, Preta... desnecessário! 

Eu me senti aviltada e enganada. Lamento que gente como Paola Carosella, Henrique Fogaça, Eric Jacquin e Ana Paula Padrão tenham se submetido a tamanha presepada. Para se meter numa dessas só mesmo ganhando muito dinheiro.

Li hoje de manhã que quem ganhou foi a carioca Izabel, coisa que já me tinha sido dita anteriormente e, eu, a tolinha, não queria acreditar... Tolinha mesmo porque já trabalhei em TV e sei como é, mas a gente sempre acredita que haverá algum tipo de consideração. 

Assisti meio aos trancos e barrancos até quando os concorrentes apresentaram os pratos. Digo aos trancos porque eu precisei lutar bravamente contra o sono desde que a "prévia"começou. 

Pobre Raul... não venceu e ainda teve que passar por essa. Bom, mas agora ele será garoto propaganda também. A cara é boa, o jeito é divertido... Tem futuro na publicidade, agora do outro lado, já que ele deixou de ser publicitário para ser cozinheiro. 

Sem gastar mais vela para santo tão ruim, essa foi uma tacada de mestre. De Master! A marca Masterchef foi jogada na lama ontem com pompa e circunstância. 

Patrocinadores: suas exigências (se é que foram suas) acabaram com o programa e com a boa imagem de seus produtos. Ao menos para gente como eu.  Pegou mal mesmo! 

Talvez eu assista novamente a disputa numa próxima temporada porque eu gosto desse tipo de programa, Mas ver uma final como essa, nunca mais! 

Lamentável!!!!! Que coisa feia.

sábado, 12 de setembro de 2015

Restaurante Taioba em Camburi, do chef Eudes


Salve, simpatia! 

O chef Eudes Assis é amigo da Nicia, irmã do Silas. Por isso e por ter provado sua comida em outras ocasiões ela nos sugeriu o restaurante Taioba para o almoço no domingo passado.

Taioba é uma folha verde grande e forte, comestível, típica de áreas tropicais. Tem um gosto que lembra o do espinafre, mas mais suave. Há algum tempo, vivia no prato dos brasileiros, em especial dos mineiros. Agora anda quase esquecida, não fosse o resgate de seu uso nos preparos feitos por alguns cozinheiros mais cuidadosos com os produtos regionais.


Essa verdura dá nome ao restaurante do chef Eudes e é o ingrediente de uma iguaria interessante que ele serve por lá como entrada: o bolinho de taioba.



O domingo estava chuvoso e nosso passeio pelo litoral paulista no feriado de 7 de Setembro incluía uma visita à casa da Nícia, em Boiçucanga. Como o Sertão de Camburi é muito perto, fomos conhecer o Taioba. 

O restaurante é simples, mas bem bonitinho. Na decoração que é alegre por causa das cores usadas houve o cuidado de se usar madeira em vez de plástico e o chão lembra ladrilho hidráulico o que dá um tom de modernidade aconchegante. Mas não chega a ser sofisticado. Acho que nem é essa a proposta. 

Por sinal, o que ficou bem evidente para mim no Taioba é que ali há uma valorização do mundo caiçara: tanto na comida quanto no tratamento dado aos clientes, assim como em outros elementos. 

Só pra dar uma ideia de onde me veio essa sensação, havia na área de espera do restaurante um painel bem grande pintado por uma artista local desses que a gente coloca só o rosto por trás para fazer fotos engraçadas e levar de lembrança. Isso deve ter um nome, mas eu não sei qual é.  A paisagem ali pintada é de gente se divertindo na praia, claro. No canto direito do painel, olhando de frente, numa referência a uma foto famosa da Nícia, uma homenagem ao homem pescador que vive do mar e cuida da rede de pesca com cuidado e carinho.  

Com isso, dá para perceber que há uma comunhão de valores de quatro artistas de áreas muito distintas: o chef de cozinha, a artista plástica, a fotógrafa e o pescador. Cada um no seu ofício, mas valorizando, respeitando e dando espaço aos demais. 

Chef Eudes Assis e a fotógrafa Nicia Guerriero


Soube pela Nícia que o chef Eudes tem uma história de envolvimento com as questões sociais dessa região de São Sebastião. Ele dá aulas de gastronomia para crianças no Projeto Buscapé, uma associação sem fins lucrativos de Boiçucanga. A ideia dele é ensinar, como já aprendeu um dia e em casa com a mãe (ele tem 11 irmãos), como usar os ingredientes regionais e valorizá-los.  

Nesse mesmo projeto, é dele a curadoria do Arraial Gastronômico. Ele já levou pesos pesados da Gastronomia, como Alex Atala,  para cozinhar por lá.

Em relação à comida do Taioba, a proposta é interessante uma vez que valoriza os ingredientes caiçaras, em especial a folha já mencionada e os peixes. 

Eu comi um bobó de camarão servido com arroz e castanha do Pará. Não foi o melhor bobó da minha vida, mas eu repetiria se não fosse pura gulodice já que o tamanho do prato é adequado para matar a fome. Não se trata de uma porção arrebatadoramente grande, é o que eu chamo de suficiente. 

Provei do prato do Silas um pouco do peixe que, embora frito, estava bem sequinho e suculento. 







Boa surpresa foi a sobremesa: um sagu feito com leite de coco, com manga e castanhas. A combinação ficou perfeita, muito saboroso mesmo! 


Tivemos o privilégio do bate-papo com o chef Eudes, já que ficamos bastante tempo por lá, conversando e quando nos demos conta já nem tinha mais gente no resto do salão. Ele então teve tempo de deixar a cozinha e vir nos fazer companhia. Por isso, chegamos a comentar com ele que a espera pelo cardápio foi além do que esperávamos quando já estávamos sentados à mesa. 

Aí, juntou a simplicidade e o jeito amável com a experiência de bem receber do caiçara mais aquela adquirida em anos de gastronomia em restaurantes sofisticados. Generosamente, talvez para reparar a falha inicial ou só por carinho mesmo, o amigo Eudes nos presentou com tortinhas de palmito e camarão (que são servidas de entrada) para levarmos o bom sabor do restaurante pra casa.

Desde sempre penso muito nas trajetórias que conduzem profissionais ao sucesso, seja isso lá o que for para cada um. Algo que me parece comum a todos é o objetivo claro, ou seja,  saber o que quer, sem deixar de ter respeito às raízes. Ao chef Eudes, isso não falta. O caminho ele vem trilhando. Parece que vem dando certo! 

Se for ao litoral Norte, acho que vale a pena conferir. 



Fotos: Nicia Guerriero


Serviço

Taioba Gastronomia -  Rua Tijucas, 55, Camburi, São Sebastião - SP
12 3865-2846 - reservas: taiobabrasil@gmail.com

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Masterchef Brasil: cadê os garotos-propaganda?


Que aconteceu com o intervalo comercial do Masterchef ontem? 



Por que os garotos-propaganda Paola Carosella, Henrique Fogaça e Eric Jacquin sumiram? Teriam eles sido abduzidos?  Por que saíram de cena? Será que pegou mal? 


Foto: portalodia.com

Como telespectadora, a mim, ontem, me pareceu mais honesta a edição do Masterchef e nisso incluo os longos, quase intermináveis, intervalos para comerciais. 

Num deles, eu não fiquei na sala, mas nos demais notei que não houve aquela vexaminosa aparição dos três jurados do programa em praticamente todos os produtos dos patrocinadores. 

Na semana passada, do detergente desengordurante, passando por pimenta, margarina, conjunto de panelas, máquina e cápsula de cafezinho, posto de gasolina e rede de conveniência, sem esquecer, é claro, do supermercado,  tudo tinha a cara de um dos três. 

Como não são atores, dependendo do produto e da direção artística do comercial,  a situação ia do risível ao deprimente. Que dizer do chef Eric Jacquin como motorista de um food truck? E do brilhante texto e da empolgante interpretação da exuberante Paola Carosella sendo chmada de "nossa dama"  ou se referindo ao chef "bad boy" como "meu tatuado"? 

No capítulo de ontem, rolou um merchandising lascado, descarado como sempre. A prova do bife à Wellington levava um corte de filé mignon e os jurados e apresentadores da prova tiveram que reverenciar o patrocinador Carrefour, elogiando o acompanhamento do processo usado para que a carne chegue até o consumidor. Nada demais, no entanto. Eles até pareciam com o que se pode chamar de "embaixadores da marca" neste caso. 

No entanto, não teve chazinho para ela e café forte para eles antes do anúncio da eliminação. Ou será que fui eu quem abstraí essa parte? 

De toda sorte, o programa vem tirando o sossego dos responsáveis nas demais emissoras de TV aberta com suas pífias atrações no mesmo horário. Ontem, a novela da Globo se estendeu um bocado para um segundo capítulo. Além disso, na Band, em breve e com muito  apetite de público vem o Masterchef Kids.  

Na semana passada, Henrique Fogaça deixou com água na boca muita gente que nunca esteve em um de seus restaurantes: o Sal e Cão véio. Ontem, foi a vez do restaurante Arturito ser elevado ao nível do Fasano. 

Eu continuo vendo. Terças à noite já são reservadas para a atração, mesmo sabendo disso tudo e mais, como todo mundo, sei também quem são os finalistas da segunda edição. Por sinal, uma falha grave e desrespeitosa da emissora ter deixado essa informação vazar.  Sem graça, né? 

Vamos ver o  que vem mais... 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Hoje é noite de Masterchef Brasil

Mais que redudante é dizer que gastronomia está na moda. Nessa onda vem blog, livro, programa de TV que não acaba mais, canal exclusivamente dedicado ao assunto e, claro, Masterchef.

Ninguém há de negar que a Bandeirantes fez um bom negócio ao conseguir a bandeira internacional do programa. Preencheu a noite da terça, faz todo mundo que gosta da tarefa ir dormir quando já é madrugada e a cada semana mais e mais patrocinadores entram e alongam o tempo do programa na grade (na semana passada foram mais de duas horas e meia).

Na edição de 2014, logo nos primeiros episódios, nem anunciante tinha. O programa era rápido, com poucas propagandas em cada intervalo. Depois elas foram aumentando, aumentando... A segunda temporada já começou com oito anunciantes de peso. Eu fico contando, um, dois, trés... daqui a pouco serão uns 25. Isso sem falar na publicidade que tem os três jurados os chefs Eric Jacquin, Paola Carosella e Henrique Fogaça, como garotos-propaganda. Eles devem estar enchendo as burras de grana. O que é merecido diante da proposta.


O foco muda da Rede Globo e a gente pode ver uma produção estelar com estrelas que não são, ao menos num primeiro momento, atores ou atrizes. Ana Paula Padrão que já era mais conhecida do grande público é um bom exemplo. Parece uma boneca marionete, daquelas bem magrinhas, com roupas coloridas, espalhafatosas, fora de contexto.  mas atriz não é. Pena ver uma jornalista de tanto cacife brincando de ser fofinha ou bravinha com os participantes do programa.  


Sempre me pergunto: será que com aquela magreza ela gosta de comer? Será que ela e a produção não se tocam que a maquiagem, as unhas, o cabelo e as roupas não ficam bem para o ambiente da cozinha? Excesso. Puro excesso. Como diria Gilberto Gil: "Desnecessário, Preta! Desnecessário."



Na seleção para 2015, foram mais de 10 mil inscrições. Sobraram 18. O critério da seleção, ao que tudo indica, é duvidoso, afinal Masterchef é entretenimento muito mais que uma competição entre cozinheiros excepcionais. Nem é preciso pensar muito para notar que o critério de seleção passa, digamos, um pouco longe da gastronomia e, até mesmo, de cozinhar bem.  

A explicação para isso é simples. No nosso modelo comercial de televisão, sempre quem paga a conta são os patrocinadores. Esses, por sua vez, contratam especialistas em mídia e marketing em suas empresas para que seus produtos sejam amplamente divulgados nos melhores veículos de comunicação, sejam programas, revistas, novelas etc.   O papel desses especialistas é escolher onde aplicar o dinheiro das empresas e de seus produtos de maneira a garantir a maior visibilidade e, consequentemente, vendas e lucros. 

Parece óbvio que o Masterchef só se torna uma boa cesta para que sejam colocados os ovos, no sentido figurado, dos patrocinadores se os participantes, ou seja, os concorrentes forem pessoas que representem o público a que os patrocinadores querem atingir. Simples!


Assim faz todo sentido que sejam escolhidos tipos distintos a fim de formar um grupo heterogêneo que atraia audiência de diversos pontos do país (nada mais Big Brother que isso!) e que sejam contemplados também os bonitos porque funcionam bem na TV (quem não gosta de ver uma pessoa bonita na telinha?), os que causam confusão, os que nos comovem, os que representam minorias e tornam o programa politicamente correto... e até os que cozinham bem, com técnica, pesquisa e preparo.

Nada contra. Mas, embora eu goste muito de ver e fique dando meus palpites durante todo o programa, porque gostoso mesmo é se envolver como se tudo fosse realidade,  não é possível torcer de verdade para qualquer dos participantes. As cartas parecem bem marcadas. 

Às vezes, os participantes apresentam cada gororoba que se não fosse a fórmula (o modelo) do programa como entretenimento todo mundo voltaria pra casa naquela hora. É nisso que o Masterchef Brasil peca e muito!  Os participantes são muito ruins. Eles não sabem nada. Não têm técnica e nem estrutura emocional. E os jurados ainda têm que reforçar que nessa temporada o nível aumentou em relação à passada. 

O que vejo na TV, são pessoas que cozinham em casa, tudo bem, mas que não se dignam a estudar um pouco, pesquisar, ver outros programas que ensinem técnicas de cozinha... Quem sabe se fossem algumas vezes a museus para ver exposições de quadros, de esculturas, pudessem com isso desenvolver algum senso estético para montar um prato.... 

Comparando Masterchef Brasil com Masterchef Austrália, série que também está com uma temporada no ar no canal TLC, fica muito claro o quanto somos mambembes na arte da gastronomia por aqui. Temos zilhares de chefs de cozinha se metendo a abrir suas portinhas por aí, cheios de sonhos, mas com pouca técnica, pouco tempo dedicado a estudar o que denota um total despreparo quando é preciso mais do que simplesmente talento e prazer. 

Nesse sentido, é uma pena...  Esse é um momento em que como brasileiros somos grandes vencedores nivelados por baixo, mais uma vez. Como no futebol e na Fórmula 1. Tempos ruins.

Por agora é isso. Aguardemos o episódio de hoje. Outra hora, sabe-se lá,escrevo mais umas observações sobre o nosso Masterchef Brasil. 

domingo, 12 de abril de 2015

Ça-va, não vá!

Pensei muito se deveria começar esse texto recomendando às pessoas que não frequentem um determinado lugar. Ainda mais porque só fui lá uma vez. Foi ontem e a casa estava servindo só dois menus, especialmente pensados para a São Paulo Restaurant Week. 

Só que eu não consegui encontrar outro título que não fosse: não vá! 

A experiência foi péssima. A noite só não foi ruim de verdade porque tínhamos a companhia de pessoas tão queridas e agradáveis, a Helda e o Edin, que qualquer coisa que fizéssemos juntos já valeria a pena. Mas confesso que, como fui eu quem dei a ideia do programa, num dado momento, me senti envergonhada de ter proposto uma roubada tão grande. 

É público que eu adoro ir a restaurantes e também que sou uma entusiasta de todas as formas que possam dar às pessoas a oportunidade de provar novos sabores e frequentar ambientes diferentes e hospitaleiros. A mim, sempre me pareceu, que a ideia da Restaurant Week era essa: dar chance às pessoas de conhecerem a boa gastronomia que preza, essencialmente, pela hospitalidade, já que andam juntas: boa comida servida de forma adequada. 


Fachada do Ça-Va, foto do site 


Só que na 16a. edição da Restaurant Week, e no restaurante Ça-Va ontem esse princípio se perdeu, frente à ideia de encher o estabelecimento, simplesmente visando ganhar dinheiro com um cliente temporário que não é tratado como cliente. Porque se a casa trata seus clientes desse jeito e oferece essa comida... a coisa tá feia mesmo! 

Fizemos reserva para as 22 horas. Chegamos pouco antes e em frente ao restaurante havia mais uma dez pessoas que como nós tinham feito reserva. Por desistência de um grupo, fomos conduzidos a uma mesa no horário marcado. No entanto, ficamos ali, num ambiente barulhento solenemente ignorados por mais de quinze minutos.  

Mesmo depois de chamarmos o garçom e pedir água porque estávamos com sede, demorou para que chegasse a água na mesa, em garrafas, e veio sem copos. Isso mesmo! As garrafas foram dispostas na nossa frente, aumentando a sede, sem que um copo fosse colocado na mesa.  

Pedimos o cardápio da casa e soubemos que só poderíamos escolher uma das duas opções do menu da SPRW. Lamentável desde aí. 

Fizemos o pedido da comida e pedimos para saber o que havia para beber. O garçom olhou fixamente para a Helda e disse: 

- Beber? Bebida alcoólica? 

Ela respondeu que sim e ele disse que havia vinho. E ficou parado. Então pedi que nos trouxesse a carta de vinhos. 
Ele trouxe alguns minutos depois e pedi uma sugestão. O rapaz não sabia falar a respeito, apontou nomes da carta sem saber do que se tratava, oferecendo vinho tinto na descrição de vinhos brancos e rosados. Não tinha a mais vaga ideia do que estava fazendo. Só queria eliminar a tarefa e, de preferência, dizer tchau! Cliente, você é otário!

A entrada veio depois de uns 20 minutos e, apesar da pouca novidade, estava boa. As saladas bem temperadas e a ínfima fatia da quiche lorraine estava crocante e na temperatura ideal.  Nada surpreendente, mas cheguei a comentar que estava muito gostosa. 

Entre a entrada e o prato principal demorou mais de meia hora. 

Quando os pratos chegaram, que decepção! Eu teria vergonha de servir aqueles pratos sozinha para mim mesma num almoço do tipo "mate a fome com pressa" quando a gente pega na geladeira qualquer coisa que tenha sobrado dos últimos três ou quatro dias. Comida vexaminosa! 

Um dos pratos era boeuf bourguignon, arroz de ervas e cenoura, e o outro, linguado ao molho siciliano com arroz de espinafre com tomate provençal. A carne bovina em nada se parecia com um bouef bourguignon (só pela textura não foi cozida por muito tempo em fogo baixo) e o peixe foi apresentado em duas lascas (que mais pareciam ser de filé de pescada) empanadas encharcadas de óleo, com uma pequena colher de molho sem qualquer sabor por cima. O arroz estava seco, requentado, duro e insosso. O tomate frio. 

Aguardemos a sobremesa: outra vez, uma tristeza. A começar pela torta de maçã que veio com uma bola de sorvete sem graça e sem gosto.  As temperaturas do sorvete e da massa não chegavam a fazer contraste uma com outra porque a torta parecia velha e fria, saída da geladeira e mal aquecida antes de ser montada.  A mousse de fromage blanc com calda de cassis tem um nome pomposo, mas o sabor era de creme de leite com geleia. Nada mais. 

Sequer tive coragem de fotografar para publicar, tão ruim e pouco apetitosos foram os pratos do menu do jantar. 

O serviço foi no todo sofrível. Apesar da irreverência e simpatia de um garçom ou chefe de fila, já que tinha um uniforme diferente dos outros garçons, o atendimento foi péssimo. Esse rapaz nos disse que o "Seu Antonio" não estava na casa porque teve uma festa de família e por isso as coisas estavam tumultuadas na noite de sábado. 

Realmente, o restaurante parecia um barco à deriva. Sem timoneiro, a coisa vai mal. Bem mal! 

O vinho foi mal servido. Não se respeitou a ordem da degustação e quase o garçom bateu no nariz do Silas para servir vinho no copo do Edin. Os pratos foram servidos primeiro para os homens, retirados antes que todos tivessem acabado a refeição e, entre o prato principal e a sobremesa, não houve um segundo para que a Helda pensasse que havia terminado. O prato vazio foi retirado depois que a sobremesa já estava servida.  

Ninguém se dirigiu a nós para perguntar se queríamos um café, nem se o vinho prestava. 

Pedimos dois cafés e a conta. Vieram rapidamente. Por cada café foi cobrado R$ 6,50, talvez por isso estivesse bom. A única coisa realmente boa que foi servida, diga-se de passagem. 

Se a ideia da Restaurant Week é, por um lado, dar chance a mais pessoas que frequentem restaurantes de bom nível, neste caso, o nível ficou muito a desejar. Se, por outro lado, é que o estabelecimento tenha a oportunidade de se abrir para que um novo público passe a frequentá-lo, também não deu certo. Eu não voltaria a esse restaurante em nenhuma outra oportunidade. Por quê? Não gosto de comer mal, não gosto de ser ignorada como cliente, nem de sugerir a amigos lugares que vendem gato por lebre. 

Para essa oportunidade vale o ditado: "Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento". 

Como clientes, perdemos todos. O dono do restaurante ganhou pouco mais de R$ 330 com a nossa refeição, mas perdeu em todos os demais sentidos, especialmente, nesta breve crítica e na oportunidade de encantar o cliente. 

Ça-Va, não vá! 

Ah! Em tempo, uma recomendação ou dica aos que organizam a Restaurant Week: criem níveis mínimos de serviço e prezem pela qualidade. Do contrário, essa ideia tão bacana, divertida e criativa que já dura 16 edições em São Paulo, tende a acabar. Não ultrapassará a marca do que oferecem os sites de desconto como groupon, peixe urbano e outros. Sabem a que me refiro, não? 

Bom domingo, boa semana! 

Serviço
Ca-vá  - Rua Carlos Comenale, 277 (atrás do Masp) - São Paulo 
O São Paulo Restaurant Week, em parceria com os restaurantes, possibilita ao cliente degustar excelentes menus completos a um preço final mais baixo: R$ 37,90 no almoço e R$ 49,90 no jantar (inclui entrada, prato principal e sobremesa).
Horário de funcionamento no SPRW:
Almoço – seg à sex e dom: das 12h às 15h30
Jantar – ter a sáb: das 19h às 23h30