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quarta-feira, 30 de março de 2016

Masterchef 2016 - Terceira temporada



Eles voltaram: Henrique Fogaça, Paola Carossella e Erick Jaccquin. Continuam jurados do Masterchef Brasil, agora já na terceira edição. Para quem curte o programa, a diversão notívaga das terças-feiras está garantida. 

E dá-lhe caras e bocas! 

Em meio a tantas grosserias e arrogâncias e outras muitas "fofurices", os três chefs, agora pra lá de conhecidos do público nacional, selecionaram 21 participantes para a edição do programa deste ano. Tarefa nem tão fácil quanto parece porque, no fundo, eles sabem o poder da mídia que mudou a vida deles e pode mudar muito a dos participantes também, transformando alguns em pop stars instantâneos. 




Assisti aos três primeiros episódios, que foram os da seleção do grupo, e, ontem, vi até o final já com alguma torcida. Vibrei e lamentei quando uns e outros tiveram que devolver seus aventais e, quanto aos que sobraram, posso dizer que me identifiquei com alguns e, simplesmente, detestei outros.  

Repercussão

Durante todo o programa ontem o Twitter bombou Masterchef... E tinha gente grande como o Arnaldo Lorençato twittando sem parar... Sinal de que a coisa vai pegar de novo este ano. 

Hoje, lendo meus blogs prediletos eis que encontro no post do A dica é  as mais deliciosas observações sobre o grupo de 21 classificados do Masterchef 2016. A Ale e a Aline mataram a pau! 
Aline e Alessandra, blog A dica é

Não concordo com 100%  só por causa da Thaiana que eu classificaria como parte da cota das "fofuras" e tem também Gleice que, pra mim, parece mandar bem pra caramba na cozinha. Só posso dizer que concordo com o que escreveram mais de 90%. Ah! e isso é só porque também quero dar pitaco. 

Assim, aproveitando a deixa, resolvi compartilhar o post delas porque  o texto é uma bela sacada. As meninas do A dica é são ótimas!!! E eu sei disso não é de hoje. 

So... enjoy it!!! 






Leia também sobre Masterchef nesse blog: 


terça-feira, 13 de outubro de 2015

Uma sexta paulistana, só pra constar

Na sexta, véspera de feriado, o Silas e eu resolvemos fazer algo bem paulistano.  Fomos ao teatro e depois saímos pra comer. 

A primeira escolha se deveu à formatura da minha querida Miriam Ramos, como atriz. Num desses encontros fortuitos da vida, a conheci quando trabalhava na Secretaria de Saneamento do Estado. A Miriam e eu nunca tivemos um contato diário, mas desde que nos falamos por telefone a primeira vez  eu já gostei dela.  


Voz conhecida e reconhecida da Rádio Usp, a Miriam é uma dessas pessoas que a gente simplesmente gosta porque soa simples, soa igual a gente. Apesar de ela ser bem diferente e especial!

Ela tinha me avisado que sua formatura como atriz seria na sexta no Senac lá na Lapa, com a peça do dramaturgo italiano Luigi Pirandello Assim é se lhe parece. Uma comédia refinada, com texto pra lá de reflexivo, nada raso, ao contrário, cheio de notas filosóficas. Considerando que Pirandello morreu em 1936, o texto é mais que atual. 

Ver a Miriam atuando como duas personagens, ora a garota Dina, ora Dona Frola, foi uma delícia. Ela é extremamente compenetrada na ação que executa. Não perde o ritmo. 

Eu gosto de gente que se reinventa. Por isso, quando um amigo me diz que está mudando de ares ou fazendo algo a mais, sempre acho que vai dar certo. Se posso, prestigio, especialmente, porque acho que uma forcinha, um incentivo, um aplauso, podem fazer a diferença para quem está em busca de algo novo. 

Meus parabéns à Miriam! 

Depois, fomos a uma hamburgueria, lá próxima ao Senac da rua Scipião. Chama-se Fitti Burguer, em homenagem ao eterno piloto, o campeão de Fórmula 1, Emerson Fittipaldi. 

No cardápio, os nomes de vários autódromos mundiais dão nome aos hambúrgueres. Nada extremamente criativo, mas valeu a pena ter ido àquele lugar por um motivo em especial. 

Na parede do salão onde estão as mesas da lanchonete, há uma foto enorme de Emerson Fittipaldi, acompanhado de sua então esposa Maria Helena. Do outro lado, uma foto também gigante de Airton Senna, levantando a taça da vitória no autódromo de Interlagos. Dois registros célebres de momentos memoráveis do automobilismo internacional com seus representantes campeões brasileiros.  Faz tempo que a gente não vê mais isso ao vivo. Só está na memória agora. 

Olha os nossos campeões na foto: 




As fotos fizeram o Silas que é ainda mais apaixonado por Fórmula 1 que eu, começar a me contar histórias desse esporte. Eu sempre gostei, mas nunca estudei ou corri numa pista. Não é o caso do Silas, ele sabe tudo, lembra de detalhes, não perde uma corrida. E já correu. Faz diferença. 

Foi pouco... Eu viajei nas histórias. Adorável. 

Só pra constar numa sexta paulistanas à noite, véspera de feriado,  sem trânsito pra nós, foi tudo muito bom. Apenas o hambúrguer não foi nem de longe o melhor que eu já comi. Mas também não foi o mais caro... Valeu pelo ambiente. Gostei. 

Até amanhã. 


Serviço

Fitti Burguer - Rua Coriolano, 1278 - Lapa - São Paulo - SP
Tel. 11 3205 - 4570 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Masterchef: como jogar uma marca e um produto na lama

Foi, para dizer o mínimo, vergonhosa a final do Masterchef Brasil 2015. 

Para quem acompanhou o programa e de alguma maneira se envolveu, embora sabendo que era entretenimento pago por publicidade, foi uma chute na canela daqueles mais doídos. 

Não pelos cozinheiros, nem pelos apresentadores e juízes dos pratos. De certo, eles foram dirigidos e seguiram à risca o que lhes foi imposto por contrato. 

Mas a Band, que teve nas mãos um produto com a audiência que alcançou o Masterchef nessa segunda edição, ter aprontado para o telespectador o que aprontou ontem foi vexaminoso. 

Eu dormi! E falei com várias outras pessoas que também dormiram. Também pra que ficar sendo feito de palhaço? O resultado já havia sido ventilado antes de o programa começar e o que foi apresentado ontem foi chato e  desonesto com o público. 

O quê? Preta Gil, Milton Neves, Rosana Hermann e mais umas quatro personagens bizarras da Band num estúdio patrocinado pela TIM no pior estilo fim de Big Brother enrolando o público por mais de três horas... Sinceramente, Preta... desnecessário! 

Eu me senti aviltada e enganada. Lamento que gente como Paola Carosella, Henrique Fogaça, Eric Jacquin e Ana Paula Padrão tenham se submetido a tamanha presepada. Para se meter numa dessas só mesmo ganhando muito dinheiro.

Li hoje de manhã que quem ganhou foi a carioca Izabel, coisa que já me tinha sido dita anteriormente e, eu, a tolinha, não queria acreditar... Tolinha mesmo porque já trabalhei em TV e sei como é, mas a gente sempre acredita que haverá algum tipo de consideração. 

Assisti meio aos trancos e barrancos até quando os concorrentes apresentaram os pratos. Digo aos trancos porque eu precisei lutar bravamente contra o sono desde que a "prévia"começou. 

Pobre Raul... não venceu e ainda teve que passar por essa. Bom, mas agora ele será garoto propaganda também. A cara é boa, o jeito é divertido... Tem futuro na publicidade, agora do outro lado, já que ele deixou de ser publicitário para ser cozinheiro. 

Sem gastar mais vela para santo tão ruim, essa foi uma tacada de mestre. De Master! A marca Masterchef foi jogada na lama ontem com pompa e circunstância. 

Patrocinadores: suas exigências (se é que foram suas) acabaram com o programa e com a boa imagem de seus produtos. Ao menos para gente como eu.  Pegou mal mesmo! 

Talvez eu assista novamente a disputa numa próxima temporada porque eu gosto desse tipo de programa, Mas ver uma final como essa, nunca mais! 

Lamentável!!!!! Que coisa feia.

sábado, 12 de setembro de 2015

Restaurante Taioba em Camburi, do chef Eudes


Salve, simpatia! 

O chef Eudes Assis é amigo da Nicia, irmã do Silas. Por isso e por ter provado sua comida em outras ocasiões ela nos sugeriu o restaurante Taioba para o almoço no domingo passado.

Taioba é uma folha verde grande e forte, comestível, típica de áreas tropicais. Tem um gosto que lembra o do espinafre, mas mais suave. Há algum tempo, vivia no prato dos brasileiros, em especial dos mineiros. Agora anda quase esquecida, não fosse o resgate de seu uso nos preparos feitos por alguns cozinheiros mais cuidadosos com os produtos regionais.


Essa verdura dá nome ao restaurante do chef Eudes e é o ingrediente de uma iguaria interessante que ele serve por lá como entrada: o bolinho de taioba.



O domingo estava chuvoso e nosso passeio pelo litoral paulista no feriado de 7 de Setembro incluía uma visita à casa da Nícia, em Boiçucanga. Como o Sertão de Camburi é muito perto, fomos conhecer o Taioba. 

O restaurante é simples, mas bem bonitinho. Na decoração que é alegre por causa das cores usadas houve o cuidado de se usar madeira em vez de plástico e o chão lembra ladrilho hidráulico o que dá um tom de modernidade aconchegante. Mas não chega a ser sofisticado. Acho que nem é essa a proposta. 

Por sinal, o que ficou bem evidente para mim no Taioba é que ali há uma valorização do mundo caiçara: tanto na comida quanto no tratamento dado aos clientes, assim como em outros elementos. 

Só pra dar uma ideia de onde me veio essa sensação, havia na área de espera do restaurante um painel bem grande pintado por uma artista local desses que a gente coloca só o rosto por trás para fazer fotos engraçadas e levar de lembrança. Isso deve ter um nome, mas eu não sei qual é.  A paisagem ali pintada é de gente se divertindo na praia, claro. No canto direito do painel, olhando de frente, numa referência a uma foto famosa da Nícia, uma homenagem ao homem pescador que vive do mar e cuida da rede de pesca com cuidado e carinho.  

Com isso, dá para perceber que há uma comunhão de valores de quatro artistas de áreas muito distintas: o chef de cozinha, a artista plástica, a fotógrafa e o pescador. Cada um no seu ofício, mas valorizando, respeitando e dando espaço aos demais. 

Chef Eudes Assis e a fotógrafa Nicia Guerriero


Soube pela Nícia que o chef Eudes tem uma história de envolvimento com as questões sociais dessa região de São Sebastião. Ele dá aulas de gastronomia para crianças no Projeto Buscapé, uma associação sem fins lucrativos de Boiçucanga. A ideia dele é ensinar, como já aprendeu um dia e em casa com a mãe (ele tem 11 irmãos), como usar os ingredientes regionais e valorizá-los.  

Nesse mesmo projeto, é dele a curadoria do Arraial Gastronômico. Ele já levou pesos pesados da Gastronomia, como Alex Atala,  para cozinhar por lá.

Em relação à comida do Taioba, a proposta é interessante uma vez que valoriza os ingredientes caiçaras, em especial a folha já mencionada e os peixes. 

Eu comi um bobó de camarão servido com arroz e castanha do Pará. Não foi o melhor bobó da minha vida, mas eu repetiria se não fosse pura gulodice já que o tamanho do prato é adequado para matar a fome. Não se trata de uma porção arrebatadoramente grande, é o que eu chamo de suficiente. 

Provei do prato do Silas um pouco do peixe que, embora frito, estava bem sequinho e suculento. 







Boa surpresa foi a sobremesa: um sagu feito com leite de coco, com manga e castanhas. A combinação ficou perfeita, muito saboroso mesmo! 


Tivemos o privilégio do bate-papo com o chef Eudes, já que ficamos bastante tempo por lá, conversando e quando nos demos conta já nem tinha mais gente no resto do salão. Ele então teve tempo de deixar a cozinha e vir nos fazer companhia. Por isso, chegamos a comentar com ele que a espera pelo cardápio foi além do que esperávamos quando já estávamos sentados à mesa. 

Aí, juntou a simplicidade e o jeito amável com a experiência de bem receber do caiçara mais aquela adquirida em anos de gastronomia em restaurantes sofisticados. Generosamente, talvez para reparar a falha inicial ou só por carinho mesmo, o amigo Eudes nos presentou com tortinhas de palmito e camarão (que são servidas de entrada) para levarmos o bom sabor do restaurante pra casa.

Desde sempre penso muito nas trajetórias que conduzem profissionais ao sucesso, seja isso lá o que for para cada um. Algo que me parece comum a todos é o objetivo claro, ou seja,  saber o que quer, sem deixar de ter respeito às raízes. Ao chef Eudes, isso não falta. O caminho ele vem trilhando. Parece que vem dando certo! 

Se for ao litoral Norte, acho que vale a pena conferir. 



Fotos: Nicia Guerriero


Serviço

Taioba Gastronomia -  Rua Tijucas, 55, Camburi, São Sebastião - SP
12 3865-2846 - reservas: taiobabrasil@gmail.com

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Masterchef Brasil: cadê os garotos-propaganda?


Que aconteceu com o intervalo comercial do Masterchef ontem? 



Por que os garotos-propaganda Paola Carosella, Henrique Fogaça e Eric Jacquin sumiram? Teriam eles sido abduzidos?  Por que saíram de cena? Será que pegou mal? 


Foto: portalodia.com

Como telespectadora, a mim, ontem, me pareceu mais honesta a edição do Masterchef e nisso incluo os longos, quase intermináveis, intervalos para comerciais. 

Num deles, eu não fiquei na sala, mas nos demais notei que não houve aquela vexaminosa aparição dos três jurados do programa em praticamente todos os produtos dos patrocinadores. 

Na semana passada, do detergente desengordurante, passando por pimenta, margarina, conjunto de panelas, máquina e cápsula de cafezinho, posto de gasolina e rede de conveniência, sem esquecer, é claro, do supermercado,  tudo tinha a cara de um dos três. 

Como não são atores, dependendo do produto e da direção artística do comercial,  a situação ia do risível ao deprimente. Que dizer do chef Eric Jacquin como motorista de um food truck? E do brilhante texto e da empolgante interpretação da exuberante Paola Carosella sendo chmada de "nossa dama"  ou se referindo ao chef "bad boy" como "meu tatuado"? 

No capítulo de ontem, rolou um merchandising lascado, descarado como sempre. A prova do bife à Wellington levava um corte de filé mignon e os jurados e apresentadores da prova tiveram que reverenciar o patrocinador Carrefour, elogiando o acompanhamento do processo usado para que a carne chegue até o consumidor. Nada demais, no entanto. Eles até pareciam com o que se pode chamar de "embaixadores da marca" neste caso. 

No entanto, não teve chazinho para ela e café forte para eles antes do anúncio da eliminação. Ou será que fui eu quem abstraí essa parte? 

De toda sorte, o programa vem tirando o sossego dos responsáveis nas demais emissoras de TV aberta com suas pífias atrações no mesmo horário. Ontem, a novela da Globo se estendeu um bocado para um segundo capítulo. Além disso, na Band, em breve e com muito  apetite de público vem o Masterchef Kids.  

Na semana passada, Henrique Fogaça deixou com água na boca muita gente que nunca esteve em um de seus restaurantes: o Sal e Cão véio. Ontem, foi a vez do restaurante Arturito ser elevado ao nível do Fasano. 

Eu continuo vendo. Terças à noite já são reservadas para a atração, mesmo sabendo disso tudo e mais, como todo mundo, sei também quem são os finalistas da segunda edição. Por sinal, uma falha grave e desrespeitosa da emissora ter deixado essa informação vazar.  Sem graça, né? 

Vamos ver o  que vem mais... 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Hoje é noite de Masterchef Brasil

Mais que redudante é dizer que gastronomia está na moda. Nessa onda vem blog, livro, programa de TV que não acaba mais, canal exclusivamente dedicado ao assunto e, claro, Masterchef.

Ninguém há de negar que a Bandeirantes fez um bom negócio ao conseguir a bandeira internacional do programa. Preencheu a noite da terça, faz todo mundo que gosta da tarefa ir dormir quando já é madrugada e a cada semana mais e mais patrocinadores entram e alongam o tempo do programa na grade (na semana passada foram mais de duas horas e meia).

Na edição de 2014, logo nos primeiros episódios, nem anunciante tinha. O programa era rápido, com poucas propagandas em cada intervalo. Depois elas foram aumentando, aumentando... A segunda temporada já começou com oito anunciantes de peso. Eu fico contando, um, dois, trés... daqui a pouco serão uns 25. Isso sem falar na publicidade que tem os três jurados os chefs Eric Jacquin, Paola Carosella e Henrique Fogaça, como garotos-propaganda. Eles devem estar enchendo as burras de grana. O que é merecido diante da proposta.


O foco muda da Rede Globo e a gente pode ver uma produção estelar com estrelas que não são, ao menos num primeiro momento, atores ou atrizes. Ana Paula Padrão que já era mais conhecida do grande público é um bom exemplo. Parece uma boneca marionete, daquelas bem magrinhas, com roupas coloridas, espalhafatosas, fora de contexto.  mas atriz não é. Pena ver uma jornalista de tanto cacife brincando de ser fofinha ou bravinha com os participantes do programa.  


Sempre me pergunto: será que com aquela magreza ela gosta de comer? Será que ela e a produção não se tocam que a maquiagem, as unhas, o cabelo e as roupas não ficam bem para o ambiente da cozinha? Excesso. Puro excesso. Como diria Gilberto Gil: "Desnecessário, Preta! Desnecessário."



Na seleção para 2015, foram mais de 10 mil inscrições. Sobraram 18. O critério da seleção, ao que tudo indica, é duvidoso, afinal Masterchef é entretenimento muito mais que uma competição entre cozinheiros excepcionais. Nem é preciso pensar muito para notar que o critério de seleção passa, digamos, um pouco longe da gastronomia e, até mesmo, de cozinhar bem.  

A explicação para isso é simples. No nosso modelo comercial de televisão, sempre quem paga a conta são os patrocinadores. Esses, por sua vez, contratam especialistas em mídia e marketing em suas empresas para que seus produtos sejam amplamente divulgados nos melhores veículos de comunicação, sejam programas, revistas, novelas etc.   O papel desses especialistas é escolher onde aplicar o dinheiro das empresas e de seus produtos de maneira a garantir a maior visibilidade e, consequentemente, vendas e lucros. 

Parece óbvio que o Masterchef só se torna uma boa cesta para que sejam colocados os ovos, no sentido figurado, dos patrocinadores se os participantes, ou seja, os concorrentes forem pessoas que representem o público a que os patrocinadores querem atingir. Simples!


Assim faz todo sentido que sejam escolhidos tipos distintos a fim de formar um grupo heterogêneo que atraia audiência de diversos pontos do país (nada mais Big Brother que isso!) e que sejam contemplados também os bonitos porque funcionam bem na TV (quem não gosta de ver uma pessoa bonita na telinha?), os que causam confusão, os que nos comovem, os que representam minorias e tornam o programa politicamente correto... e até os que cozinham bem, com técnica, pesquisa e preparo.

Nada contra. Mas, embora eu goste muito de ver e fique dando meus palpites durante todo o programa, porque gostoso mesmo é se envolver como se tudo fosse realidade,  não é possível torcer de verdade para qualquer dos participantes. As cartas parecem bem marcadas. 

Às vezes, os participantes apresentam cada gororoba que se não fosse a fórmula (o modelo) do programa como entretenimento todo mundo voltaria pra casa naquela hora. É nisso que o Masterchef Brasil peca e muito!  Os participantes são muito ruins. Eles não sabem nada. Não têm técnica e nem estrutura emocional. E os jurados ainda têm que reforçar que nessa temporada o nível aumentou em relação à passada. 

O que vejo na TV, são pessoas que cozinham em casa, tudo bem, mas que não se dignam a estudar um pouco, pesquisar, ver outros programas que ensinem técnicas de cozinha... Quem sabe se fossem algumas vezes a museus para ver exposições de quadros, de esculturas, pudessem com isso desenvolver algum senso estético para montar um prato.... 

Comparando Masterchef Brasil com Masterchef Austrália, série que também está com uma temporada no ar no canal TLC, fica muito claro o quanto somos mambembes na arte da gastronomia por aqui. Temos zilhares de chefs de cozinha se metendo a abrir suas portinhas por aí, cheios de sonhos, mas com pouca técnica, pouco tempo dedicado a estudar o que denota um total despreparo quando é preciso mais do que simplesmente talento e prazer. 

Nesse sentido, é uma pena...  Esse é um momento em que como brasileiros somos grandes vencedores nivelados por baixo, mais uma vez. Como no futebol e na Fórmula 1. Tempos ruins.

Por agora é isso. Aguardemos o episódio de hoje. Outra hora, sabe-se lá,escrevo mais umas observações sobre o nosso Masterchef Brasil. 

domingo, 12 de abril de 2015

Ça-va, não vá!

Pensei muito se deveria começar esse texto recomendando às pessoas que não frequentem um determinado lugar. Ainda mais porque só fui lá uma vez. Foi ontem e a casa estava servindo só dois menus, especialmente pensados para a São Paulo Restaurant Week. 

Só que eu não consegui encontrar outro título que não fosse: não vá! 

A experiência foi péssima. A noite só não foi ruim de verdade porque tínhamos a companhia de pessoas tão queridas e agradáveis, a Helda e o Edin, que qualquer coisa que fizéssemos juntos já valeria a pena. Mas confesso que, como fui eu quem dei a ideia do programa, num dado momento, me senti envergonhada de ter proposto uma roubada tão grande. 

É público que eu adoro ir a restaurantes e também que sou uma entusiasta de todas as formas que possam dar às pessoas a oportunidade de provar novos sabores e frequentar ambientes diferentes e hospitaleiros. A mim, sempre me pareceu, que a ideia da Restaurant Week era essa: dar chance às pessoas de conhecerem a boa gastronomia que preza, essencialmente, pela hospitalidade, já que andam juntas: boa comida servida de forma adequada. 


Fachada do Ça-Va, foto do site 


Só que na 16a. edição da Restaurant Week, e no restaurante Ça-Va ontem esse princípio se perdeu, frente à ideia de encher o estabelecimento, simplesmente visando ganhar dinheiro com um cliente temporário que não é tratado como cliente. Porque se a casa trata seus clientes desse jeito e oferece essa comida... a coisa tá feia mesmo! 

Fizemos reserva para as 22 horas. Chegamos pouco antes e em frente ao restaurante havia mais uma dez pessoas que como nós tinham feito reserva. Por desistência de um grupo, fomos conduzidos a uma mesa no horário marcado. No entanto, ficamos ali, num ambiente barulhento solenemente ignorados por mais de quinze minutos.  

Mesmo depois de chamarmos o garçom e pedir água porque estávamos com sede, demorou para que chegasse a água na mesa, em garrafas, e veio sem copos. Isso mesmo! As garrafas foram dispostas na nossa frente, aumentando a sede, sem que um copo fosse colocado na mesa.  

Pedimos o cardápio da casa e soubemos que só poderíamos escolher uma das duas opções do menu da SPRW. Lamentável desde aí. 

Fizemos o pedido da comida e pedimos para saber o que havia para beber. O garçom olhou fixamente para a Helda e disse: 

- Beber? Bebida alcoólica? 

Ela respondeu que sim e ele disse que havia vinho. E ficou parado. Então pedi que nos trouxesse a carta de vinhos. 
Ele trouxe alguns minutos depois e pedi uma sugestão. O rapaz não sabia falar a respeito, apontou nomes da carta sem saber do que se tratava, oferecendo vinho tinto na descrição de vinhos brancos e rosados. Não tinha a mais vaga ideia do que estava fazendo. Só queria eliminar a tarefa e, de preferência, dizer tchau! Cliente, você é otário!

A entrada veio depois de uns 20 minutos e, apesar da pouca novidade, estava boa. As saladas bem temperadas e a ínfima fatia da quiche lorraine estava crocante e na temperatura ideal.  Nada surpreendente, mas cheguei a comentar que estava muito gostosa. 

Entre a entrada e o prato principal demorou mais de meia hora. 

Quando os pratos chegaram, que decepção! Eu teria vergonha de servir aqueles pratos sozinha para mim mesma num almoço do tipo "mate a fome com pressa" quando a gente pega na geladeira qualquer coisa que tenha sobrado dos últimos três ou quatro dias. Comida vexaminosa! 

Um dos pratos era boeuf bourguignon, arroz de ervas e cenoura, e o outro, linguado ao molho siciliano com arroz de espinafre com tomate provençal. A carne bovina em nada se parecia com um bouef bourguignon (só pela textura não foi cozida por muito tempo em fogo baixo) e o peixe foi apresentado em duas lascas (que mais pareciam ser de filé de pescada) empanadas encharcadas de óleo, com uma pequena colher de molho sem qualquer sabor por cima. O arroz estava seco, requentado, duro e insosso. O tomate frio. 

Aguardemos a sobremesa: outra vez, uma tristeza. A começar pela torta de maçã que veio com uma bola de sorvete sem graça e sem gosto.  As temperaturas do sorvete e da massa não chegavam a fazer contraste uma com outra porque a torta parecia velha e fria, saída da geladeira e mal aquecida antes de ser montada.  A mousse de fromage blanc com calda de cassis tem um nome pomposo, mas o sabor era de creme de leite com geleia. Nada mais. 

Sequer tive coragem de fotografar para publicar, tão ruim e pouco apetitosos foram os pratos do menu do jantar. 

O serviço foi no todo sofrível. Apesar da irreverência e simpatia de um garçom ou chefe de fila, já que tinha um uniforme diferente dos outros garçons, o atendimento foi péssimo. Esse rapaz nos disse que o "Seu Antonio" não estava na casa porque teve uma festa de família e por isso as coisas estavam tumultuadas na noite de sábado. 

Realmente, o restaurante parecia um barco à deriva. Sem timoneiro, a coisa vai mal. Bem mal! 

O vinho foi mal servido. Não se respeitou a ordem da degustação e quase o garçom bateu no nariz do Silas para servir vinho no copo do Edin. Os pratos foram servidos primeiro para os homens, retirados antes que todos tivessem acabado a refeição e, entre o prato principal e a sobremesa, não houve um segundo para que a Helda pensasse que havia terminado. O prato vazio foi retirado depois que a sobremesa já estava servida.  

Ninguém se dirigiu a nós para perguntar se queríamos um café, nem se o vinho prestava. 

Pedimos dois cafés e a conta. Vieram rapidamente. Por cada café foi cobrado R$ 6,50, talvez por isso estivesse bom. A única coisa realmente boa que foi servida, diga-se de passagem. 

Se a ideia da Restaurant Week é, por um lado, dar chance a mais pessoas que frequentem restaurantes de bom nível, neste caso, o nível ficou muito a desejar. Se, por outro lado, é que o estabelecimento tenha a oportunidade de se abrir para que um novo público passe a frequentá-lo, também não deu certo. Eu não voltaria a esse restaurante em nenhuma outra oportunidade. Por quê? Não gosto de comer mal, não gosto de ser ignorada como cliente, nem de sugerir a amigos lugares que vendem gato por lebre. 

Para essa oportunidade vale o ditado: "Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento". 

Como clientes, perdemos todos. O dono do restaurante ganhou pouco mais de R$ 330 com a nossa refeição, mas perdeu em todos os demais sentidos, especialmente, nesta breve crítica e na oportunidade de encantar o cliente. 

Ça-Va, não vá! 

Ah! Em tempo, uma recomendação ou dica aos que organizam a Restaurant Week: criem níveis mínimos de serviço e prezem pela qualidade. Do contrário, essa ideia tão bacana, divertida e criativa que já dura 16 edições em São Paulo, tende a acabar. Não ultrapassará a marca do que oferecem os sites de desconto como groupon, peixe urbano e outros. Sabem a que me refiro, não? 

Bom domingo, boa semana! 

Serviço
Ca-vá  - Rua Carlos Comenale, 277 (atrás do Masp) - São Paulo 
O São Paulo Restaurant Week, em parceria com os restaurantes, possibilita ao cliente degustar excelentes menus completos a um preço final mais baixo: R$ 37,90 no almoço e R$ 49,90 no jantar (inclui entrada, prato principal e sobremesa).
Horário de funcionamento no SPRW:
Almoço – seg à sex e dom: das 12h às 15h30
Jantar – ter a sáb: das 19h às 23h30


sábado, 28 de março de 2015

Holy Burger - uma opção no "baixo-Mackenzie"



Na crista da onda das hamburguerias em São Paulo e na mudança gradativa do point mais cobiçado da cidade da Vila Madalena para a Vila Buarque (nem Consoloção, nem Higienópolis), o Holy Burger é um espacinho charmoso, bem no estilo east-village novaiorquino. 

Bem montado, mas com muita coisa parecendo inacabada, o que dá ainda mais um astral de Nova York, o lugar é cheio de gente bonita, os descolados do tipo "sô bonito e nem tô". 

Esse parece ser o público mais interessante para quem abre uma casa como essa num reduto de botecos meio feiosos de parede de azulejo numa área que eu chamaria de "baixo -mackenzie" (já que é a rua de cima a que fica bem em frente à faculdade), porque tende a atrair mais gente com grana no médio prazo. O que pode ser o catalizador para uma mudança de perfil do território. 
Foto: glamurama




A casa tem lá suas fraquezas, mas não deixa muita dívida diante do que se pretende. Se a ideia é servir hambúrguer, ok, lá tem. 

O cardápio na pretensão de ser também descolado é meio difícil de ler, mas como não traz muitas opções, passa.  Os sabores dos sanduíches não variam muito, a coisa é enxuta, mas para quem está começando isso é uma grande vantagem, especialmente, se cair no gosto dos frequentadores. 

Eu, por exemplo, detesto ter que escolher entre 20 opções de lanches, cinco ou seis são mais que suficientes para me deixar com água na boca. Também não sou nada adepta de ter que montar meu sanduíche. Isso eu já faço em casa. Quero opções de combinações perfeitas e, de preferência, inovadoras. Sendo assim, bastam um carro chefe - que é o Holy burger - e mais umas duas opções entre os que é tradicional, um vegetario e um bem diferente. 

Em hamburgueria se espera que a carne seja boa e que se respeite o ponto exato do hambúrguer na chapa. Nisso, a casa não faz feio. 

Holy Burger - foto facebook/holyburger


Tem que ter também cerveja, refrigerante e batata frita. Tem também. 

O pão poderia ser melhor. Estava meio esfarelento, parecendo um pouco velho. Quem sabe trocar o fornecedor seja uma boa para o pessoal do Holy. 

Ponto positivo é o atendimento que, apesar de informal, é muito solícito e simpático. 
O ambiente, embora pequeno, é divertido e aconchegante. A luz não incomoda, tem música de tipo e volume razoáveis, nada ofensiva para quem vai comer e não dançar ou caçar companhia. Não é esse o propósito. 

Os preços são de hamburgueria e não de lanchonete, o que acompanha a onda também. É mais caro porque é "gourmet", mesmo sem usar essa gasta expressão. O Holy Burger custa R$ 25 e a cerveja Heineken, long neck, R$ 7. As opções de cervejas não são muitas, mas não ficam só na Skol e Brahma, como nos botecos vizinhos. No Holy há aquela preocupação em oferecer uma artesanal, uma IPA.

Não provamos as sobremesas, mesmo sabendo que tinha "um bolo de chocolate delicioso", segundo a nossa garçonete. Muito fofa para atender, bonita e com cara de menina inteligente. Padrão nova iorque! 

Não espere o melhor hambúrguer que você já comeu ou comerá em toda a sua vida nesse lugar. Mas, para uma noite com fome, no meio de semana, pode ser uma boa dica de onde comer, ser bem atendido e ver gente. Quando chegamos tinha espera, quando saímos, também! 

Serviço: 

Holy Burger - Rua Dr. Cesário Mota Jr., 527, Consolação - São Paulo

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Comida japa num padrão fast food

Aprendi a comer comida japonesa com meu amigo André. Lembro das primeiras vezes que pus um peixe cru na boca e (como boa descendente de italianos bem brasileiros que sou, filha e neta dessa gente do interior de São Paulo que cozinha  muito qualquer alimento até ficar bem molinho e papa e que põe muito açúcar em tudo que já é doce), o preconceito me impediu de engolir. 

Depois fui tomando gosto, o paladar foi mudando também e a cada vez que eu me metia a comer sushi, sashimi e todas as variações dessa culinária tão diversa e colorida mais eu gostava. 

Como minha escola foi em casa de japoneses (os mais brasileiros em termos de calor humano que eu conheço), posso dizer que aprendi direitinho. Inclusive a manusear o hashi (palitinho japonês) sem nunca ter colocado um elástico na ponta para não escapar. Gosto muito de comida de japonesa, aprecio os peixes, admiro os cortes bem feitos e a forma de servir. 
Hashi


Com o André eu estive em inúmeros restaurantes na cidade de São Paulo. Ele é criterioso com a qualidade do alimento e descobre lugares interessantes, quase sempre com a relação custo-benefício que vale a pena. 

Ontem, o André e eu combinamos de sair para conversar. Parece que essa semana foi uma atípica semana de muita saudade dos amigos e de tudo o que vêm com eles.  O colo, o carinho, as trapalhadas e as histórias insanas que só declaramos para quem a gente tem intimidade de amigo... Sorte a minha que pude encontrar o André, abraçá-lo, conversar por horas sem acabar o assunto um só instante.  Hoje acordei mais feliz, animada, embriagada de gratidão por ter gente como ele na minha vida. Sinto o mesmo quando encontro a Euzi, a Re,  a Fá, a Lu, a Maria, a Lili, a Ale, a Paula, a Carol, a Kelly, enfim, amigos preenchem um vazio da alma com a própria existência. Nem precisa mais nada. 

Divagações e sentimentos à parte, quem acabou escolhendo o restaurante fui eu. Procurei referências na internet de um lugar em Santa Cecília, que é quase a nova Vila Madalena de Sampa no momento, segundo a mídia.  Por acaso, coincidentemente, eu moro na Vila Buarque (entre Higienópolis e Santa Cecilia), e encontrei  um restaurante japonês com bons comentários. Além do que o preço parecia bem convidativo. 

O nome do restaurante é Toshiro Sushi. Fica na Rua Martin Francisco, bem próximo à alameda Barros. 

Diferente da minha expectativa ao ler os comentários na internet, esse é um restaurante japonês com cara de McDonald's. Limpo, organizado, sem espera na porta, com mesas e cadeiras não muito confortáveis, mas de qualidade razoável, nada de cadeira de plástico, que eu odeio!, e atendimento rápido, bem rápido. 

Mal chegamos, fomos para uma mesa de duas pessoas, na qual uma das duas fica sentadinha no sofá, logo já veio um garçom com um tablet em mãos para anotar o pedido. 

- Rodízio para dois? 

Confirmado o pedido, ele tinha que saber quais os itens que iríamos comer. Só que estava tão sem vontade de fazer aquilo que falava baixo, pra dentro, sem humor, sem elegância e sem ouvir, claro! 

Julgo que o sistema de atendimento seja todo automatizado, porque tão logo ele virou as costas, já colocaram sobre a nossa pequena mesa de dois lugares quadradinha: sunomono (saladinha de pepino com gergelim), guioza, rolinho primavera, salmão grelhado, temaki de salmão, shitake na chapa e, imediatamente um prato de combinados. Tudo junto, itens que pedimos e que não pedimos foram entulhados sobre a nossa mesa, inclusive em frente à nossa louça, onde comeríamos e mexeríamos o hashi e as mãos. 

Nenhuma toalhinha molhada e quentinha para limpar as mãos, nenhuma pergunta sobre se a comida estava descente e se o pedido estava correto, nem sequer um olhar ao cliente. Nem mesmo um "obrigado" ou "desculpe" quando chamamos o garçom para que levasse o prato recém-servido de salmão grelhado que não pretendíamos comer, já que não havíamos pedido, e tivemos a preocupação de avisar em ato contínuo para que não fosse desperdiçado e pudesse ser servido numa mesa próxima, visto que não fora tocado. 
Toalhinhas quentinhas e molhadas


Enquanto comemos e conversamos, o que levou cerca de duas horas, nas mesas coladas às nossas, a rotatividade foi de, no mínimo três duplas em cada uma.  

Em algum momento, o volume das vozes no salão estava beirando a gritaria. Já não dava mais pra conversar. Embora ninguém nos tenha expulsado dali verbalmente todos os movimentos do atendimento conduziam a isso. 

A comida, mesmo o peixe estando com aspecto fresco, era mal feita. Cortes mal feitos, finos demais, sushis mal montados, arroz sem gosto, variedade de itens discretamente disfarçada por três ou quatro itens dos mesmos elementos e ingredientes, nenhum gengibre cortado e uma porção pífia de wasabi (raiz forte) de qualidade duvidosa. Isso sem mencionar travessas de plástico usadas para servir os combinados, ah! e a beterraba fatiada em fio junto do nabo que normalmente ilustra a montagem dos pratos japoneses quando são servidos. 

As nossas louças e hashis foram retirados da mesa sem que manifestássemos que havíamos terminado e sem que alguém nos perguntasse se poderiam ser levados. Não nos ofereceram água, café, ban-chá, nem se queríamos repetir algum item. 
Bule usado para servir ban-chá


Ao pedirmos a conta, fomos informados de que o pagamento deveria ser feito diretamente no caixa. Foi o que fizemos, informando o número da nossa mesa. 

Fora a companhia que faria qualquer noite ser agradável, o restaurante é bem ruim. Um fast food de comida japonesa bem paulista e oportunista. Essa culinária que acreditamos como típica do Japão entrou no gosto do paulistano há muito tempo. Agora está também pulverizada no interior e em outras capitais. 

Ao contrário da "gourmetização" dos sorvetes de palito, a comida japonesa sofre a decadência de ser servida nas condições que descrevi acima. 

Mas trata-se de um modelo de negócio, Claudia! Simplesmente isso. 

Bom negócio para o dono do estabelecimento que ganha bastante dinheiro porque gira muitas vezes e muitos clientes. Bom para os mocinhos mal preparados que são chamados de garçons, mas estão longe de saber o que é servir.  Bom para as pessoas que nunca teriam acesso a esse tipo de comida se não houvesse popularização. 

Ruim em todos os demais aspectos: empobrecimento de uma culinária rica, fértil, delicada e muito saborosa, se bem feita; desvalorização da arte de bem servir com elegância, cuidado e atenção, ato que dá imenso prazer e é válido em qualquer profissão, mas, especialmente na do garçom, do maitre e do restaurater; mecanização das relações humanas; perda de oportunidade de oferecer outros itens ao cliente melhorando as vendas e aumentando o potencial de o cliente voltar outras vezes... 

O pior de tudo é que o cidadão que vai a esse lugar acha que está comendo comida japonesa.

Não recomendo. A menos que sua intenção seja só encher a barriga, aí, qualquer coisa serve. Do contrário, há muitas boas opções de restaurantes japoneses em São Paulo. 

sábado, 6 de dezembro de 2014

Pastel de Feira

Paulista adora pastel de feira.  A mim, pessoalmente, representa uma  memória afetiva das mais confortáveis. Desde bem pequena meus pais compravam na feira da Vila Nova pastéis do Ditinho todas as terças-feiras para nós. Segundo a minha mãe, o pastel dele era excelente por causa da massa que ele preparava. Lembro do trailler estacionado bem no meio do quarteirão da feira da pracinha Almeida Júnior lá em Itu, onde, diante dos fregueses, a massa ia sendo aberta conforme os pedidos eram feitos. Os recheios não variavam além de carne, palmito e queijo. Assim que o pedido era feito, tudo era muito rápido. E olha que tinha muita gente comprando sempre. E o sabor?  Incrivelmente bom. 


Foto: www.cozinhabrasileira.com



Depois chegou uma concorrente na feira: a japonesa. Ela já tinha uma infraestrutura mais atualizada, com uma barraca igual às que vejo até hoje nas feiras em São Paulo. A japonesa vendia também rolinhos de massa de pastel para preparar em casa. Houve uma mudança no lugar da feira da Vila Nova em algum momento e isso fez com que a localização dessa barraca passasse a ser exatamente em frente ao sobrado que meu pai construiu pra gente morar. Portanto, eu já adolescente, quando abria a porta da sacada do meu quarto, avistava ali bem do outro lado da calçada a barraca de pastel da japonesa.  

Na casa da minha família, todos nós comíamos pasteis de feira logo de manhã. Não tinha hora certa a partir da qual era permitido comer. Tão logo eles chegavam quentinhos em casa naquele saco de pão pardo (ou ainda na feira mesmo) eram devorados imediatamente.  Diferente do que ouço o Silas falando toda vez que estamos juntos e eu quero comer pastel antes de dar meio-dia. 


Foto do Blog Tour Sptrans

Quando decidi escrever um post sobre pastel de feira, eu pesquisei um pouco sobre a origem dessa gostosura. Há quem diga que é um produto que foi adaptado da rolinho primavera chinês e também há autores que acham que eles vieram da Europa, de Portugal mais especificamente onde pesquisas históricas apontam registros de uma massa frita em óleo quente já no século XIX. Considerando a relação da minha família com os pasteis, acho que pode ter sido criado por italianos, já que nas casas das minhas avós, tanto materna quanto paterna, sempre se comeu pastel com vontade! Tenho uma recordação carinhosa do meu avô Agnelo que comprava pastel para os meus primos que ficavam na casa dele (em especial para a Cassinha, minha prima mais nova). Meu pai reproduziu isso e sempre comprou pasteis para as netas e também para o Gabriel, o único neto, caso ele estivesse por perto nalguma terça-feira. 

Quando era criança, o meu era sempre de carne e os dos meus irmãos e da minha mãe, de palmito. Confesso que até hoje não gosto muito de palmito. Eu como, mas não gosto muito. Eles amam palmito! (A Euzi também... só pra constar).

Quando fiquei mais velha comecei a apreciar o pastel de queijo. O Ditinho já não vendia mais pasteis naquela feira e a japonesa era a minha fornecedora especial e eu cliente cativa. Durante anos da minha vida, eu comi pastel todas as terças-feiras de manhã, antes de ir para a escola. Os de queijo combinam muito com café preto.  Só de lembrar me verte água na boca. 

Hoje estava tomando um café preto e pensei naquele sabor. Lembrei que aqui perto tem um pasteleiro japonês, em frente ao sacolão de Higienópolis, na rua Veridiana. Não teria café preto, mas resolvi ir até lá para comer pastel de queijo.  

Fui pesando prós e contras de botar pra dentro do meu corpo um alimento frito, normalmente em gordura saturada, mas às vezes faço concessões às calorias a mais só para ter um verdadeiro prazer gastronômico. Comer pastel de feira de carne ou  queijo de vez em quando é algo que me permito porque é bom demais. Mas hoje...

Que decepção! Um dos piores pasteis que já comi na vida. Massa sem sal, engordurada, entregue com muito mau humor pelo senhor dono da pastelaria. Além disso, sem café preto, claro. Mas isso eu já sabia. 

Às vezes a expectativa é muito grande e dá nisso, mas, o que me deixou ainda mais decepcionada (e irritada) é que além de o pasteleiro e de suas duas ajudantes venderem um pastel horrível, ele resolveu limpar o balcão em frente do qual eu estava.  Ao invés de ter cuidado para não jogar a sujeira nos fregueses, ele simplesmente passava o pano sobre o balcão jogando as migalhas e os pingos para fora, no sentido da freguesia. Bizzarro! 

Saí dali com uma sensação desagradável e acho que não valeu o crime de ingerir aquela gordura toda. Soou que fiz algo contra o meu corpo sem ter qualquer compensação prazerosa... Bobagem porque é só um pastel. Nada que eu ainda não vá comer muitas vezes, mas nunca mais nesse lugar. 

São Paulo é uma cidade que preza o pastel de feira. Aqui há muitos descendentes de japoneses que vendem pasteis deliciosos. Na feira da Chácara Santo Antonio, eu comi excelentes pasteis especiais. Jarbas, Alessandra e eu, quando dava a louca em alguma quinta-feira, lá íamos na hora do almoço. Eram super pasteis,  sensacionais. 

Na feira da Vila Madalena aos sábados também tem bom pastel, mas esse do Sacolão da rua Veridiana, é péssimo. 

Amanhã é domingo e se por acaso você for à feira e se der o direito de comer um pastelzinho bem gostoso, conte pra gente aqui no blog. Quem sabe sua sorte é melhor que a minha nessa gulodice. 

Bom fim de semana! 



sábado, 29 de novembro de 2014

A Graça da Vila das Meninas

Sempre achando motivos para comemorar, ontem, sexta-feira, 28/novembro, o Silas me convidou para jantar no restaurante Vila das Meninas já que o Blog da Gavioli atingiu 10 mil visualizações! Além disso, a semana foi exaustiva, pesada de afazeres, todos cumpridos, mas depois dos quais tínhamos mesmo que relaxar um pouco. 

A ideia do Vila das Meninas rolou porque a Graça, sommelier da casa, é aluna do Silas, no curso de Direito da Unip. Naquelas de conversa vai, conversa vem, ela comentou com ele sobre o restaurante e a função que tem na estrutura. Na curiosidade e também para prestigiar a aluna, combinamos de nos encontrar lá para jantar, sem fazer reservas (tolinhos e desavisados) às 22 horas, já que antes eu fiz as duas últimas provas do semestre na faculdade. 

- tags: crítica gastronômica, restaurantes

Imagine o seguinte: você chega de carro numa rua cuja esquina abriga o Pirajá, um dos bares mais barulhentos da cidade, não porque tenha som alto, mas porque as pessoas bebem muito, falam alto demais, gargalham e devido à forte alegria alcoolica invadem a calçada e até mesmo a rua. Não há um só lugar para estacionar. Você tem que dar duas, três voltas e, com sorte, vai parar a uns 150 metros do seu destino. Aí, desce do carro, caminha meio quarteirão procurando pelo número 139 e encontra um corredorzinho. Passou da entrada, deu dois ou três passos, e toda balbúrdia e confusão ficam lá de fora. É quase como adentrar o portão do paraíso ou avistar um oásis urbano logo adiante.

Da entrada estreita por um corredor coberto de flores, passando pelo jardim-quintal requintado com direito a delicadas mesinhas de madeira e ferro debaixo da mangueira, mais um tanquinho de pedras e a meia iluminação cheia de charme e elegância, até a porta de entrada de madeira e vidro é tudo bem cuidado e harmonioso. 

Assim que passamos a porta  fomos vistos pela Graça. Ato contínuo ela veio imediatamente ao nosso encontro. Nunca fui tão bem recebida num restaurante. A recepção não era bem pra mim, era para o Silas, mas recebi por extensão todo o carinho dela. 

O espaço é todo bem pensado porque não parece que foi pensado, é natural se sentir bem ali. A decoração mistura elementos rústicos e modernos com perfeita adequação. Você se senta numa confortável poltrona art deco recoberta com tecido colorido, olha para uma parede descascada de propósito para por à mostra os tijolos da construção antiga, avista um balcão de madeira de demolição, um lustre antigo repaginado com cores, mas tudo é moderno, clean, elegante. Pé direito alto, portas e janelas de madeira e vidro, iluminação indireta saída da distante tinta vermelha do teto ou da parede negra,  e um quadro que só consigo classificar como arte novaiorquina (não sei porquê)... É fácil querer morar ali. 

O vinho ficou por conta da escolha da Graça, que é uma graça. A Graça da Vila das Meninas. Ela é da Paraíba e pra lá pretende voltar em breve. Já tem até data marcada. Dia 21 de dezembro é o dia de partir, voltar para o lar. Foi bom ter estado em São Paulo, para ela e para nós. Para mim, por esse breve encontro, tão delicado, cheio de sabores e sutilezas, declarações de admiração e afeto pelo professor Silas. 

Comemos bem. Primeiro uma entradinha de pasteis de angu servidos com geleia de pimenta. Depois, de 14 pratos do cardapio, optamos por camarão servido no coco e peixe (um robalo) com mollho de banana. Ótimas escolhas. 

Os pratos, talheres e toda indumentária usada no serviço de mesa tinha a sofisticação do que é simples quando bem combinado e com qualidade. 

O cardápio é um livro lúdico, entremeado de informações sobre comidas e pratos com valores que no fim da sua estada por ali você vai pagar. Mas o que importa e agrada nele são mesmo os dizeres, impressões, as liberdades poéticas. Um jeito de comunicar afeição numa peça inesperada que poderia ser fria e meramente informativa. 

Tivemos a honra de visitar a cozinha e ser apresentados ao chef Paulo. Mas diz o bom senso que a visita deve ser breve para que não se atrapalhem os que estão na labuta, suando ao lidar com as panelas. Foi breve, mas sensorial o suficiente essa ida à área da cozinha. 

Perdoe-me a Graça não render linhas de elogios merecidos ao seu conhecimento na arte da enologia.  Poderia também fazer aqui uma avaliação crítica de uma visita técnica, mas é que estou muito encantada para criticar tecnicamente qualquer pouca coisa como um ar condicionado muito frio para minha sinusite. 
Foto do site da Vila das Meninas


Quando entra num lugar como esse a gente fica pensando o que faz dele um empreendimento de sucesso...

Estou convencida que muito trabalho, investimento, tempo, dedicação, tudo que contribui imensamente na fórmula do dar certo. Mas o que pega de verdade é o encantamento que causa. Arrisco dizer num trocadilho planejado que tem a ver com as graças da Vila das Meninas: as que podemos ver na decoração, no ambiente, na comida e na bebida e, mais que isso, também aquelas que, só às vezes, afortunadamente, encontramos pela vida, como a Graça, aluna do Silas. 



Vá conhecer! Se puder, antes de dia 21 de dezembro. Ou vá depois, acho que vai gostar de qualquer maneira.

Bom sábado. 


Serviço

Vila das Meninas
Tel. 11 2364 2122
Rua Padre Carvalho, 139 - Pinheiros - São Paulo - SP