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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Salmão com gergelim do restaurante Athenas

Eu trabalhei nos últimos quatro anos num prédio na esquina das ruas Bela Cintra e Antonio Carlos, no Edificio Cidade III. Era lá que ficava a Secretaria de Saneamento do Estado de São Paulo, que, primeiro era também de Energia e depois deixou de ser e passou a cuidar de Recursos Hídricos. 

Para mim, essa é uma localização muito privilegiada na cidade de São Paulo porque está na região da Paulista, no quadrilátero entre a Rua Augusta e a Rua da Consolação. Fácil para chegar de metrô, de ônibus e, no meu caso, também de bicicleta ou a pé. Tem uma estação dessas do Bike Sampa, Itaú, bem perto dali. Nos últimos dias em que trabalhei já fazia uso das bicicletas, especialmente, para voltar pra casa. Confesso que acho um luxo poder contar com esse tipo de serviço agora em São Paulo. Sou fã! 

Entre os benefícios da localização, estão as lojinhas (tem de tudo por ali) e os restaurantes. Alguns não muito convidativos, do tipo engordurado ou pé-sujo, outros um tanto caros para o dia-a-dia, mas várias opções de bom padrão com preços pagáveis, ainda mais se você tem um vale-alimentação. 

Uma dessas boas opções é o Restaurante Athenas, no número 460 da rua Antonio Carlos. Existem outros dois Athenas, também na mesma rua, só que um na esquina da Augusta, mais badalado e com opções de empratados e lanches e outro ao lado da escola de idiomas Seven. Nesse último, eu nunca fui, mas deve seguir o exemplo dos demais e ter boa comida. 

Esse a que me refiro, fica num sobradinho muito charmoso de paredes em branco e azul clarinho em que os batentes das portas e as janelas são azuis também,  só que mais fortes. Se você abstrair um pouco, pode se sentir numa espécie de bistrô. Nem sempre dá para abstrair porque o restaurante vive cheio e o sistema é buffet em que o próprio cliente se serve e depois pesa o prato. 

O valor cobrado pelo quilo da comida é de R$ 49, o que não o faz um dos mais baratos da região, mas a comida é realmente boa. Além disso, você tem como prever o que vai comer porque não há grandes variações nos pratos que são servidos. 

O buffet de saladas tem sempre as mesmas opções, mas os ingredientes são sempre muito frescos, assim como são os molhos.  Os cortes são bem feitos e a comida fica bem refrigerada no local em que é servida. Eu costumo diferenciar os restaurantes por quilo entre os que têm palmito, champignon e kani, dos que não têm. Os primeiros são mais caros em geral, mas também mais cuidadosos na maioria das vezes. O Athenas está na primeira categoria. 

As poucas variações que ocorrem está na mesa de pratos quentes, mas é muito provável que você encontre lula, mussaká, cordeiro com batatas, salmão grelhado, kafta, berinjela recheada e bacalhau ao molho.  

No terceiro buffet, você pode se servir de grelhados diversos como linguiças, picanha, alcatra e logo ali ao lado de uma torta de espinafre deliciosa.  

Na hora de pesar o prato, você já escolhe o que vai beber. Tem vinho da casa e uma ou outra opção de taça de branco e tinto, quase sempre de preço baixo, mas que nem por isso é vinho doce de mesa. Há quase sempre uma opção de vinho chileno que para um almoço diário não ofende ninguém.  Nesse mesmo local, podem ser pedidos sucos, cujas variações são interessantes, mesclando por exemplo hortelã e gengibre com as frutas. 


Toda a descrição desse restaurante é apenas para que eu conte sobre uma delícia que eles servem: salmão em pedaços empanado em gergelim. Servido na mesa de saladas, esses tenros pedaços de alegria podem ser acompanhados de um molho escuro, que descobri se tratar de um molho teriaki. 

O salmão é empanado no gergelim branco e preto e em seguida grelhado. Fica macio por dentro  e crocante por fora, uma explosão de sabor. Quando acompanhado do teriaki, que é feito de aceto balsâmico, açúcar e mel, fica ainda mais gostoso. 

Houve dias em que fui ao Athenas exclusivamente por causa do salmão com gergelim. Coisa que não é rara no meu caso, porque quando gosto de uma comida, volto ao lugar sempre que posso para comer. Mas se levando em conta que os pequenos pedaços de salmão ficam numa pequena travessa junto das saladas,  ele podia nem ter sido notado. Do meu ponto de vista, deveria ter um altar de destaque, salvo o exagero, claro!




Anteontem, por ocasião do aniversário da Meire, estive no Athenas, em companhia dela e da Clarice. Fomos comemorar já que não pude ir à festa surpresa na noite anterior. Foi, como sempre, uma delícia, tanto a companhia quanto a comida. 

Que eu saiba, o tal salmão, não existe no Restaurante Athenas que fica na esquina da Rua Augusta, então, se quiser provar, vai ter que encarar um lugar por quilo. Esse, eu digo, vale a pena. 

Saiu a mega-sena acumulada? Eu não posso estar milionária, não joguei! Beijos aos queridos leitores. 

Serviço

Athenas Restaurante

Rua Antonio Carlos, 460 - São Paulo 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Eu achei o MoDi

A alegre surpresa de uma visita anunciada alguns dias antes da Maria, amiga querida  carioca, em São Paulo, tornou-se ainda mais agradável porque decidimos, ela e eu, ir ao restaurante MoDi, na rua Alagoas, ao lado do Parque Buenos Aires, em Higienópolis. 

A sugestão foi minha porque já há alguns meses eu planejava ir ao restaurante, desde quando o descobri num domingo de manhã passeando pelas imediações do parque. Só que na ocasião, havíamos acabado de sair de um super breakfast em casa. A fome só viria, portanto, horas depois. Mas mesmo naquele dia, eu já achava que tinha feito um achado!

De uns tempos pra cá - não sei se foi o meu bolso que ficou mais vazio - ir a restaurantes em São Paulo ficou muito caro. Você pisa no lugar, especialmente se for uma dessas casas do tipo boteco, pede um chopp, divide uma porção das mais baratas, e deixa no lugar, brincando, R$ 40.  Fora o estacionamento ou o guardador de carros. Então, quando você descobre um lugar, que é bonito, bem localizado, que tem um astral descontraído e um cardápio enxuto e honesto, é um achado, sim! 

Dá até medo de contar pra muita gente porque assim que o lugar cai nas graças do público, a casa vai ficar lotada, a fila vai aumentar e, obviamente, os preços vão subir, subir, e aí o céu é o limite. Você, então, perdeu o que tinha achado. 

O MoDi fica no piso térreo do Edifício Paquita, o que já um charme. Nesse momento em que os prédios que são construídos estão cada vez mais dentro de altos muros fechados, mas que tem um plano diretor rolando na cidade para que essa realidade mude e haja integração entre comércio de rua e moradores, encontrar uma proposta tão simpática quanto um restaurante que fica em frente à praça e embaixo de um edifício de gente bacana, é sensacional! 




Vale fazer algumas considerações sobre o local: 

Reserva - Eu liguei à tarde para fazer reserva, mas eles não trabalham com reservas. Fui avisada que normalmente às quartas não é muito cheio, mas que no almoço daquele dia a procura tinha sido acima da média. 

Estacionamento - Não tem.

Atendimento - Minha amiga e eu nos encontramos às nove da noite porque eu demorei um pouco para conseguir estacionar (depois de duas voltas, bem em frente ao restaurante, que sorte!). Ela estava com uma mala e já havia pedido uma mesa para duas pessoas para o Leandro. Ele informou que várias mesas haviam chegado por volta de 19h30, de modo que logo vagariam lugares. Enquanto isso, tentou nos ajudar com a mala, embora o lugar não tenha uma chapelaria (nem é a proposta). 

Pedimos para ver o cardápio de drinks e decidimos deixar a mala no carro, ao voltarmos, coisa de dois minutos, a nossa mesa estava pronta. 

Fomos atendidos pelo Rafael, um garoto bom de papo, novinho e descontraído, com quem eu puxei conversa sobre gastronomia. Ele disse que já está na área há sete anos. Soube explicar bem os pratos e na sugestão de vinhos, deu umas escorregadas, mas arriscou bem. Ele, como eu, está treinando, só que um como cliente-critico e outro como pretenso futuro sommelier. 

Dois pontos negativos sobre o atendimento - O rapaz era descontraído e me deixou bem à vontade, mas ele não me levou a sério quando degustei o vinho. Talvez tenha pensado que era jogo de cena sentir o aroma, rodar o copo e provar duas vezes seguidas. Porque uma casa oferece meia garrafa com um preço razoável e o cliente opta por isso, o garçom pode achar que o cliente não sabe o que está pedindo? Eu senti que ele não me levou a sério, mas tudo bem.

Outro ponto foi no momento que chegaram os pratos e um outro garçom veio trazer à mesa. Ele não sabia de quem eram os pedidos e, simplesmente os colocou de qualquer jeito. Não foi legal isso. 

Comida
Couvert - Baratinho, apenas R$ 5 por pessoa, vem com um vasinho de pãozinho caseiro e uma tigelinha de caponata difícil de ser servida naquele tipo de pão. Simpático, mas sem muito gosto. 

Pratos - Ambas pedimos informação sobre o varenique, mas eu não me animei e pedi o tortelli de cordeiro. A Maria foi pela explicação e ficou com varenique sbagliato. 

As massas vieram no ponto e os molhos sem muito detalhes não deixaram a desejar. Ela amou o prato, disse que estava perfeito, em temperatura, textura e no paladar. Eu já não fiquei tão contente. O recheio do meu tortelli era pastoso e o prato não foi servido na temperatura que eu gosto, mais pra quente que pra frio. 
A apresentação era bonita, com mini legumes decorando a massa, que estavam com uma textura muito apropriada. O molho não era nada tão especial. 
Tortelli de cordeiro


Varenique Sbagliato


Mise en place - sem toalhas nas mesas, o restaurante tem uma proposta lúdica com jogo americano em papel craft no qual está desenhado o mapa da Itália e há informações sobre as comidas de cada região. Eu até trouxe pra casa. Bem interessante.  Os guardanapos eram descartáveis de papel branco e os talheres de qualidade boa, os copos da mesma forma.  

Decoração e ambiente - Embora não seja um espaço muito grande e tenha um mesanino, portanto o pé direito é alto, o barulho não é exagerado. O salão estava animado com muita gente falando já que estava cheio, mas nada que comprometesse. 
Na entrada, um bar bem estiloso com banquetas no balcão, lembrando ambientação dos bares das novelas que víamos nos anos 70.  
Para a espera, mesinhas e cadeiras baixas num estilo art noveau, leves, bonitinhas e coloridas, misturadas com outras mais anos 70 também baixinhas. Divertidas peças garimpadas por alguém de bom gosto ousado. 
As cadeiras e mesas de madeira, algumas com opção em frente à parede com sofá. 
O pé direito alto dá muito charme ao local, assim como a grande pilastra revestida de pastilhas com brilho, um toque do passado. 
Ficamos na parte de baixo, numa mesinha com sofá. O casal ao nosso lado estava realmente bem perto, mas nada que pudesse comprometer a nossa proposta de um jantar descolado entre amigas. 


Preço - Como disse no ínicio, bem honesto. Independentemente do meu prato não ter sido incrível, o menu oferece outras opções com preços muito razoáveis. Eu diria, inclusive, baratos para tudo o que envolve um cardápio dessa envergadura. A massa empratada vai de R$ 25 a 44.  

Nosso tempo de permanência foi de 1h30, já com o café. Inclusive o descafeinado eles têm. Não comemos sobremesa porque eu tinha brigadeiros gourmet feitos por mim nos aguardando em casa. A Maria era minha hóspede naquele dia. 


Brigadeiros tradicionais, de café e beijinho


Fomos bem acolhidas, não houve espera, o preço é bom, o atendimento jovem e o local descontraído. Tudo bom. 

Soube enquanto pesquisava sobre o MoDi, que eles oferecem cestas de piquenique como o Kit Comidinhas, que eu criei. Boa ideia! 

Espero que meu achado continue e melhore nos itens que pode melhorar para que eu vá e leve muitos amigos, como fazia em tempos que morava ao lado da Vila Madalena e tinha cadeira cativa em bares da região, porque eram achados. Agora estão perdidos, como é o caso do Genésio, do Filial e do Genial. 

Bom fim de semana. O MoDi pode ser uma boa sugestão para o almoço do sábado, por exemplo. 

Serviço

MoDi 

Rua Alagoas, 475 - Higienópolis - São Paulo 
Telefone: 11 3564-7031 


Kit Comidinhas
Encomende brigadeiros  e alugue cestas de piquenique

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Carbone, muito atendimento é exagero e sufoca

Desde que abriu em maio deste ano o Silas vinha me falando que devíamos ir ao restaurante Carbone. Ele já conhecia o empreendimento porque um dos colegas dele de pedal, o Leandro (Leandro Tavares, do buffet Planet Kids), é um dos sócios no negócio.  

Fadado ao sucesso, o restaurante reúne elementos básicos que qualquer marqueteiro sugeriria facilmente a fim de garantir um resultado, no mínimo, satisfatório. 

Antes de tudo, o restaurante está diretamente vinculado ao nome do chef Carlos Bertolazzi, que entre tantas mídias que frequenta tem a graça e o mérito de pertencer aos Homens Gourmet, do canal Fox Life. O programa é uma dessas boas ideias para televisão que junta a graça de ter rapazes bonitos na cozinha, preparando comidas gostosas de um jeito prático, que qualquer um se sente apto a fazer o mesmo.  Mas Bertolazzi nem de longe é só essa figura. Ele teve várias outras sacadas que o fizeram ser um sujeito conhecido na mídia, fruto de muita criatividade, empenho e envolvimento na gastronomia. Foi ele quem resolveu vender coxinhas numa feira de comida no Brooklin, em Nova York. Nada mais brasileiro. Só que em vez de frango, ele usou um ingrediente mais sofisticados, o pato, e ganhou notoriedade. Na Virada Cultural deste ano, na feira de comida, para conseguir comer uma dessas coxinhas era preciso enfrentar um fila bem desanimadora, tamanho é o sucesso do produto Carlos Bertolazzi. Ele, por si só, nesse momento, faz vender. Não deixemos  escapar o fato de que o chef tem seu nome atrelado a dois outros restaurantes de sucesso em São Paulo: o PerPaolo e o Zena Caffé. 

Outro elemento é o outro sócio, Paulo Baroni. Experiente no ramo, ele já foi sócio de Sérgio Arno, no La Pasta Gialla. Os restaurantes Per Paolo são frutos vindos de sementes plantadas durante essa sociedade. 

Se tudo o que foi dito nos dois parágrafos anteriores pudesse ser deixado de lado, ainda valeria como diferencial do Carbone, a tecnologia que foi importada para o preparo especial das carnes. O Josper, um equipamento que combina carvão vegetal e grelha. Não entendo muito da tecnologia, mas, segundo pesquisei, é um "forno" que grelha, doura, defuma, sela, assa, enfim, faz tudo. E rapidinho. Nem bem terminamos de fazer o pedido, quando começávamos a comer o couvert, já chegaram as carnes prontas. Por sinal, antes que chegassem as bebidas. 

Não acaba aí. A localização do restaurante na Avenida Cerro Corá é muito convidativa. Fácil de chegar, a casa fica numa esquina cuja travessa é bem simpática, tem uma escola, dá pra arriscar parar o carro ali, sem que venham guardadores cercando imediatamente. 

Outro coisa interessante é o espaço do restaurante. Amplo, mas aconchegante e não muito barulhento. É uma churrascaria, mas não tem astral de churrascaria. Inclusive porque o rodízio é invertido. Não são rodiziadas as carnes e sim os acompanhamentos. Então, talvez seja melhor chamá-lo de um restaurante de carnes. 

E por falar delas, muito bem servidas. Embora os pedidos sejam individuais, é inegável  que os cortes são mais que suficientes para duas pessoas.  Estávamos em quatro pessoas, dois casais, e decidimos por pedir somente duas opções de carnes, um T-bone e um fraldinha, uma vez que eu não tinha mesmo intenção de exagerar mais do que o que era oferecido como acompanhamento e a Raquel não come muita carne. 

É a partir desse ponto que quero fazer algumas considerações sobre o restaurante como um todo. 

Reserva - É possível reservar por telefone ou fazer a reserva on-line. Havíamos feito reserva por telefone e nos foi informado que deveríamos chegar cedo para evitar perdê-la. Por isso, atrasados que estávamos, ficamos muito preocupados e ansiosos, mas para nossa surpresa, a casa tinha muitos lugares disponíveis.  

Serviço - Embora muito atencioso, o serviço do Carbone não é bom. Quando chegamos, a casa não estava cheia.  Ao contrário, eram apenas quatro ou cinco mesas ocupadas e o restante, vazio. Pudemos escolher entre uma ou outra mesa do salão de entrada, ou entre várias no segundo salão, onde se pode ver o imenso forno do lugar. 

Como se não houvesse amanhã, várias pessoas vieram nos atender ao mesmo tempo. Sem que pudéssemos sequer observar o restaurante e onde ficaríamos nos sugeriam esta e também aquela mesa, num frenesi afoito de fazer os clientes se sentarem e logo comerem e, logo irem embora.  

Era domingo, estávamos em família, o filho do Silas nos visitando em São Paulo, tínhamos acabado de nos encontrar.  Era nossa intenção fazer as coisas num ritmo mais lento, mais devagar. Mas ali, não seria possível. 

Eu apontei a mesa que preferia e me dirigi ao toalete para lavar as mãos. Quando voltei à mesa, já tinha um couvert servido e duas pessoas anotando os pedidos e falando sem parar conosco. Eu não consegui olhar o cardápio. Não deu tempo. Eu me senti tão pressionada que sequer vi o que havia para beber. Logo, pedi uma coca-cola light. E ouvi, coca zero! Não, eu não gosto de coca zero, gosto de coca light. Zero, senhora, zero. Pedimos duas cocas Zero, veio uma! Pedimos duas águas com gás, vieram duas sem gás. 

Enquanto isso, o Silas e o Ian escolhiam a carne. E o garçom pressionando! Aí, decidimos, Raquel e eu, só pelos acompanhamentos que já começaram a ser servidos. Eu não pude nem iniciar a degustação do couvert que, inclusive achei que fazia parte dos acompanhamentos, só soube depois que foi pago à parte, e as comidas estavam sendo servidas. Nem bem começaram a vir as comidas, o garçom quis retirar o couvert. Oras... 

A brigada deve ter sido planejada para casa cheia. Como estava vazia, não havia um segundo de sossego. Os meninos, muito inseguros, diga-se de passagem, por falta treinamento para servir, nos entuchavam comida sem trégua.  Assim que começou a ser servida a comida, chegou também a carne.  Antes que tivesse sido escolhida a cerveja ou o vinho.

E o momento escolha das cervejas? Meu Deus! Que confusão. Ninguém as conhecia. Não entendiam nada de cervejas; se pilsen, se stout, se clara ou se escura. Um samba. Vieram três pessoas para tentar responder sobre um assunto que todos deveriam saber de cor e salteado, como se dizia na minha terra quando eu era criança.  Com tantos rótulos no cardápio, só não perderam vendas porque os homens da mesa estavam mesmo muito a fim de tomar cerveja e eles se viraram para escolher.  Meio na vale-tudo, sabe? 

Pra resumir, a comida pode ser boa, mas o serviço é confuso e atrapalhado e isso mela o meio de campo. Fomos atendidos prioritariamente por um garçom com forte sotaque português. Ele foi muito atencioso, mais do que devia. 

Quando achávamos que teríamos um respiro, lá chegava novamente um acompanhamento.  E tudo servido junto e misturado no prato. Difícil! Bem complicado mesmo. 

Estacionamento - Não usamos, mas há serviço de manobrista pago na porta. (R$ 15)

Comida e bebida

Carnes - Não há o que dizer quanto à qualidade. Realmente muito boa. A maminha, por ser um corte bem alto, veio sangrando demais no meio. Pedimos para assar mais um pouco e fomos prontamente atendidos. 

Acompanhamentos - Saladas -  Eu esperava que viesse salada, uma vez que carne combina com salada. Só uma nos foi servida. Não era maravilhosa e o garçom tinha medo de derrubar, então foi econômico... Só veio uma vez à mesa. 

Massas e guarnições  - O risoto de camarão estava gostoso, mas foi servido imediatamente  junto com o nhoque, o que definitivamente não orna! Na sequência, veio o ravioli com amendoas. Divino! Tenro, delicado, a massa estava no ponto exato, o recheio era certeiro em quantidade e sabor. A manteiga e as amendoas em perfeita harmonia.  
Os legumes estavam passados demais, bem moles e o garçom não os conhecia. Então, você pedia que ele lhe servisse sem abobrinha e ele não sabia o que fazer. Coitado!  Para salvar a situação, dois tipos de batatas. Eu só comi uma delas, a que não era gratinada.  O corte lascado dava o nome ao prato: selvagem. Gostosa, mas servida na ordem errada.  
Ponto alto para a mandioca frita. Sequinha por fora, bem cozidinha por dentro. Repeti e tive que pedir para o garçom ser mais generoso. 

Bebida - O restaurante conta com um cardápio de cervejas artesanais bem diversificado. Há opções claras, escuras e vermelhas. É preciso mais treinamento e menos pressa para que o cliente possa harmonizar adequadamente essa bebida com o que pretende comer.  A carta de vinhos é enxuta, mas com  opções que como disse o Ian: "as baratas não são muito boas e boas são muito caras para o que são". 

Sobremesas -  Nos foi sugerido o petit gateau de doce de leite, mas reservamos o espaço na barriga para o pudim de leite da Dona Dora e os brigadeiros que eu tinha feito para o aniversário da Raquel. Declinamos, portanto. Na insistência, também nos foi sugerido o petit gateau de chocolate. Pelo mesmo motivo, foi não. 

Café - Ainda estavam bebendo cerveja quando foi sugerido o café. Nem sei porque dissemos que precisávamos de algum tempo. Depois só pedimos a conta, pagamos e fomos embora, sem tomar café. 

Preço - Nossa conta resultou num preço médio de R$ 85. Não é caro para o padrão-São Paulo. Mas não é barato considerando que não comemos sobremesa, só duas pessoas pediram carne e somente duas beberam alcoolicos. 

Mise en place - A mesa era pequena para tudo o que foi posto em cima dela. Quando chegamos havia uma disposição básica dos elementos que compõem a mise en place básica. 

Decoração e ambiente - Embora bem aconchegante a decoração é meio confusa, assim como é confuso o ambiente. Pense: você vai a um restaurante de carnes, com antepastos mediterrâneos, tem prioritariamente massas como acompanhamento, quase não te oferecem salada, para beber você tem cervejas artesanais e não é priorizado o chopp tradicional, é servido por garçons que falam português de Portugal e nas paredes têm Elvis Presley, Marilin Monroe, no piso ladrilho hidráulico com cara de casa antiga e toque retrô, além de outros tantos elementos que fazem uma confusão danada. É muito diversificado.   

Para não ser injusta, a casa merece uma segunda visita, mas pode melhorar bastante. Especialmente se levar em conta a experiência dos que a conduzem.  

Ao combinar tantas variáveis é difícil acertar tudo imediatamente, mas o caminho é promissor. Cortar excessos, rever alguns preços, deixar o cliente a vontade, treinar a brigada e tudo vai bem. A comida é feita com o coração. 

E se você estiver se perguntando: "se eles queriam conversar por que foram num rodízio?", eu vou responder que não fomos num rodízio fomos a um restaurante de carnes nobres. Não fosse para comer carne, o Silas não teria ido lá. Entendeu o que é um diferencial competitivo? 





Serviço

Carbone Carnes Nobres 
Rua Cerro Corá, 1556 - Alto da Lapa - São Paulo
Tel. 11 2935 0266 

Obs: Não encontrei site do local. Só Restorando, Vejasp, Foursquare etc

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Vá de bike, mas tenha paciência!

Tem horas que a gente se sente um pouco tolo, como que passado pra trás e sem ter a quem recorrer. No passado, quem sabe,  eu pudesse me queixar ao bispo, mas em tempos de tecnologia, é melhor acessar o Fale Conosco e rezar para ter uma resposta. 

Ontem, domingo, fim de tarde, mais uma vez, entusiasta que sou das bikes como meio de transporte aqui e em qualquer lugar, fui tentar usar uma bicicleta no sistema Bike Sampa. A intenção era pegar uma magrela daquelas do Itaú na estação Mackenzie e ir pedalando até a Vila Madalena para lá assistir ao jogo da Argentina contra a Bósnia e curtir um pouco da muvuca festiva da Copa em São Paulo.  

Mas houve um impasse! Mais um. Digo isso, porque essa é pelo menos a quinta vez que minha tentativa de usar a estação Mackenzie não foi bem sucedida. Muito frustrante!

Quando nos mudamos para Higienópolis, há quase um ano, eu tive uma ponta de tristeza de deixar a minha antiga morada em Pinheiros, porque bem em frente ao prédio em que eu morei por 12 anos na Cônego Eugênio Leite, estava sendo instalada uma estação do projeto mobilicidade.  Dias depois, eu descobri que bem perto da minha nova casa, também estava sendo instalada uma estação. Fiquei muito contente porque era a chance de poder usar a bicicleta para ir trabalhar ou ao menos para voltar do trabalho. Uma enorme facilidade! 

Como disse, já faz quase um ano que estamos em novo endereço. Demorou mais de seis meses desde que nos mudamos para que a estação Mackenzie parecesse funcionar. Só que durante esse tempo, havia bicicletas estacionadas ali, tomando sol, chuva, sereno, ocupando a via, enfim, se deteriorando. 

Antes de continuar, eu quero dividir o meu entusiasmo quanto ao sistema de empréstimo de bicicletas que foi criado há dois anos. A ideia é ótima e se funcionar direitinho, e para isso é preciso empenho, recursos, dedicação e principalmente usuários conscientes, é um grande projeto de mobilidade. Parece pouco,  mas não é. É mais um grande passo rumo à mobilidade e ao melhor uso do espaço urbano. 

Funciona assim: você entra no site www.mobilicidade.com.br, faz um cadastro no qual você coloca o número do seu cartão de crédito e, quando eu me cadastrei era necessário pagar uma taxa de R$ 10,00, pelo que pesquisei agora é gratuito. Aí, é só baixar o aplicativo no celular e quando for pegar a bicicleta, acessa o aplicativo, preenche o número da estação, informa em seguida o número da posição da bike que quer pegar e pronto. Se não tiver o aplicativo pode ligar no número informado na própria estação e pegar a bicicleta pelo telefone. Existe ainda a opção pelo bilhete único, que também deve estar atrelado ao cadastro feito como no caso do celular e do aplicativo. 

Por uma hora é possível usar a bicicleta sem pagar nada. Se ultrapassar esse tempo, paga R$ 5 (cinco reais) por meia hora. Se quiser usar o dia todo, pode, sem pagar. Mas é preciso fazer intervalos de 15 minutos entre pegar uma vez e outra, isso depois dos 60 minutos iniciais.  É muito bacana! Vale a pena, se funcionar. 

Ontem, ao chegar à estação havia 11 bicicletas estacionadas. Nenhuma em condições de uso.  Pior que isso, não existe a possibilidade de conseguir uma informação a respeito do que ocorre através do aplicativo no celular.  Ele só serve se tudo estiver em plenas condições. Outra coisa é o atendimento telefônico que também é eletrônico. Portanto, não há uma cabeça pensante na central telefônica, só uma gravação. E o atendimento ao cliente só dava ocupado. Fácil, né? 

Você vai com aquela super empolgação, conta para os amigos, divulga a ideia e, não funciona direito.  Dá chances e chances, primeiro porque está começando, depois porque foi só essa vez. Outra vez pensa que você é que deu azar, mas não, no Brasil parece que tudo vai sendo feito mais ou menos...  Parece que o planejamento não foi bem feito, que a tecnologia é ruim, que as pessoas cuidam mal do bem que está à disposição delas... Isso desanima. 

A estação Mackenzie parece ter sido feita para não funcionar. Acho que os moradores esnobes de Higienópolis, assim como não queriam o metrô por ali, devem ter posto urucubaca na estação de bicicletas. Brincadeira...

Não conseguimos pegar uma bike de primeira. Fiquei irritada, xinguei e quase soltei uma daquelas frases derrotistas de quem não acredita que tudo pode mudar para melhor. Porque no geral eu acredito que pode, mas tem hora... 

Fomos conseguir duas bicicletas, estávamos eu e o Silas, na estação da esquina da rua Piauí com a avenida Angélica, ao lado da Drogasil.  A minha bike estava um pouco avariada, sem o manete direito. O Silas ficou com ela. Descobri que a dele que ficou comigo estava sem a primeira marcha. Ainda assim cumprimos nosso trajeto rumo a Vila Madalena. 

Apenas para justificar tão grande frustração, essa não foi a única vez que tentei pegar um bicicleta e não consegui. Nem que fui até uma estação a partir do mapa e ela não existia. Tampouco desisti de usar quando não tive atendimento por telefone com informações mínimas. Eu quero que esse negócio funcione! Quero que dê certo. 



Devolvemos as bicicletas na estação da rua Mateus Grou, como de uma ou duas outras vezes já havíamos feito.  

Fomos pra Vila, vimos a movimentação nas ruas, conhecemos a arena interativa criada pela Carrera na rua Girassol (lugar ótimo para ver o jogo num super telão de cinema, mas totalmente impessoal e desagradável, o ambiente era tão aconchegante quanto um hospital vermelho, com mobiliário feito de paletes de madeira, urgh!), paramos no bom e velho Bar das Empanadas para comer uma e tomar uma). De lá, continuamos buscando um lugar para sentar e ver o segundo tempo do jogo. 

Na onda do selfie, nós, no Empanadas
Só conseguimos uma mesa com TV e cerveja gelada no Galinheiro Grill. O Messi ficou me devendo um espetáculo. Até agora, pra mim, faltou emoção e garra na performance dele. Mas ainda tem muita Copa pela frente. 

Voltamos pra casa de ônibus. Diga-se de passagem, um veículo novinho em folha, lindo e confortável. Acredita? Pode acreditar mesmo. Existe. Podiam ser todos assim. 

Vou continuar insistindo no projeto de mobilidade urbana que inclui bikes e ônibus de boa qualidade, mas confesso que, muitas vezes, me sinto mesmo tola. 

Boa semana! Hoje tem estreia da Alemanha jogando com Portugal à uma da tarde. Você vai torcer pra quem? Eu, pra Alemanha! E por falar nisso, Michael Schumacher saiu do coma e voltou pra casa hoje. Que bom. Espero que se recupere bem. Torci muito pela recuperação dele. 

Serviço


quarta-feira, 11 de junho de 2014

520 opções - O Melhor de São Paulo e um olhar meio contrariado

No domingo, quando cheguei à casa da minha sogra para buscá-la para almoçar em casa, alegremente ela me deu alguns presentes. Entre eles, a edição bilíngue de O melhor de São Paulo - Restaurantes e Bares - 2014, da Folha de São Paulo.

Ela me deu e disse que havia separado a revista pra mim porque a partir dela eu poderia "tirar bastante ideias dos restaurantes da cidade". Sem dúvida, ela tinha razão.

Mas não tardou a minha decepção com o que tinha em mãos.

Do meu ponto de vista, esse tipo de guia tem que ser fácil de ver, de ler, de folhear, de encontrar as informações e, mas que tudo, merece imparcialidade máxima, por isso, não combina muito com grandes anunciantes que estejam sendo "premiados" ou entre os eleitos, para não ser injusta.

O que se deu comigo foi mais ou menos o seguinte: peguei a publicação e abri numa página aleatória. Tentei fixar atenção em alguma informação que estivesse ali, mas não consegui tamanha era a poluição de ícones com significados confusos em cada página. Insisti mudando para outra página também qualquer e, de novo, não entendi aquele monte de informação que encontrei. Pensei que o problema fosse eu já que naquele momento eu não estava dedicada exclusivamente à leitura do guia.

Fechei a revista, pus debaixo do braço e fomos para o carro, onde me sentei no banco de trás, junto da dona Dora. Como o caminho era longo e tinha trânsito logo eu abri novamente o guia e, dei de cara com uma página em que estava a foto do Walter Mancini. Voltei-me para a minha sogra e comentei mostrando a foto: 
- Olhe, é o dono da Familia Mancini. 
Isso porque lá é um lugar que estivemos juntos há não muito tempo. 
E ela me respondeu que havia outras fotos do Mancini por todo o guia. 

São cinco páginas com fotos dele em anúncios de seus empreendimentos e uma devido a eleição pelo Datafolha da Cantina Família Mancini como o melhor restaurante italiano de São Paulo. O eleito pelo júri foi o Attimo. 

A partir daí comecei a olhar o guia com olhos um pouco mais críticos. Por que são considerados restaurantes brasileiro, italiano, árabe, japonês, português e francês? Não temos em São Paulo comida indiana, libanesa, tailandesa? 

O fato de o guia estar em português e inglês, que é muito positivo, fez com que os textos sobre os restauranes, em geral, não trouxessem informações relevantes sobre eles. Dois ou três parágrafos que quase não dizem nada, porque em uma só página é preciso ter texto em dois idiomas, título e subtítulo, foto, algumas vezes do local e do chef (não entendi o critério para os que tem e os que não), espaço em branco, estrelas, serviço e os ícones que representam as legendas. 

Para entender a legenda é preciso folhear e procurar com dedicação o que o pequeno desenho significa. Não é uma tarefa das mais fáceis. É quase hercúlea! 

Só ao começar escrever hoje é que consegui entender que estão misturadas as premiações. Falha minha, talvez eu não esteja mesmo acostumada a esse tipo de diagramação e conteúdo... 

No mais, há muito anúncio, um editorial de apenas três breves parágrafos, que parecem ter sido feitos com preguiça, uma grande poluição de dados, um indice complicado de entender e a parte dos bares é uma reprodução do guia da folha do domingo com mais itens. Nada demais, é pobre.  Isso sem falar na capa. Será ela uma versão aprimorada da chamada do Hells Kitchen?

Uma pena que a edição tenha sido feita assim já que deveria ter a função de um guia para consulta que durasse mais que uma semana. Quem sabe tudo isso não seja devido às intenção de levar o leitor para as novas tecnologias. Afinal, há uma página indicando como usar o aplicativo do Melhor de São Paulo. Eu não testei, confesso. 




A Folha de São Paulo pode mais e já fez melhor. Poderia ter nos presenteado com uma revista mais útil, menos patrocinada e mais informativa. Bastaria um pouco de criatividade,  boa vontade e visita a museus. Sempre digo que visitar museus nos ajuda a diagramar melhor as páginas das revistas, de modo que as informações fiquem harmoniosas aos olhos. 

Tomara que a próxima edição, a 5a., seja melhor. Que as 520 indicações sejam mais cuidadas para o bem do leitor. 

De qualquer forma, eu "tirei mesmo umas ideias", como disse a minha sogra. 

Aquele abraço! Amanhã tem Copa do Mundo no Brasil. Chegou a hora! 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Caverna Bugre, impressões

Há anos eu sei da existência da Caverna Bugre, apesar de não prestar atenção nesse lugar quando passava em frente, porque não existe nada que chame atenção na fachada. 
Morei em Pinheiros mais de 16 anos. Inevitavelmente, meu caminho para subir em direção a Avenida Paulista, quase sempre, era pela rua Teodoro Sampaio, fosse de carro, ônibus ou a pé. Do mesmo jeito a volta caminhando do trabalho pra casa. 

Só que há menos de três anos estive lá pela primeira vez. Fomos jantar, Silas e eu, para comemorar alguma coisa.  Eu gostei de ter ido naquela ocasião. 


--- tags: crítica gastronômica, visita técnica, restaurante Caverna Bugre


Agora, por conta de um trabalho de avaliação de restaurantes no curso de Gastronomia, sugeri aos meus colegas de grupo que elegêssemos o Bugre para analisar suas qualidades. Embora o grupo seja formado por meia dúzia de pessoas, resolvemos que nossa visita não seria feita em conjunto. Cada um visitaria o espaço num horário e dia da semana. O objetivo era ter impressões sobre o serviço em diversos momentos, para, inclusive, discutirmos a regularidade do atendimento e se há mudanças no tipo de serviço oferecido em horários e dias distintos. 

Localização - Já falei que fica na Teodoro Sampaio, a uma quadra e meia da entrada do metrô Clínicas. De dia é uma loucura o fluxo de pessoas na rua e à noite é um lugar que transparece o que foi de dia. Tem sujeira na rua, movimento de carro e barulho de trânsito. 

Sistema de reserva - Eu estive no restaurante na sexta-feira, 23/05, para jantar. Fui com o Silas. Chegamos perto das nove da noite, sem ter feito reserva. 

Estacionamento/segurança - Não há serviço de manobrista no local, nem lugar para parar o carro na rua até às 20 horas, porque é proibido estacionar na rua Teodoro Sampaio durante o horário comercial.  Como chegamos depois desse horário, deixamos o carro a alguns metros do restaurante, na rua mesmo. 

Ambiente, decoração e serviço - Minha primeira impressão ao entrar pela segunda vez no local foi de que faz tempo que ali ninguém vê qualquer inovação, treinamento, novidade... Três garçons estavam parados em pé próximos à entrada e, ao nosso movimento de pedir uma mesa já que parte do salão estava ocupado, não se moveram. Vendo que havia lugar, nos sentamos numa mesa embaixo da janela da rua. 

Nas paredes, nenhum quadro ou enfeite. Só uma TV de plasma bem grande posicionada num canto superior perto da porta transmitia o fim do Jornal Nacional. O som da TV quase não era ouvido.

Rapidamente, vieram os cardápios de capa de couro com uma cara meio usada, com várias páginas. O Silas estava a fim de tomar uma cerveja diferente e como o restaurante serve comida alemã (apesar de ter sido fundado por um austríaco), pediu referências para o garçom. Ele não sabia informar nada a respeito. Também não se preocupou em pedir auxílio a alguém que soubesse. 

O barulho vindo de fora era tão desagradável, com aceleração dos ônibus que sobem pela rua, que mencionamos ao garçom. Ele não nos ofereceu uma troca de mesa, nem tampouco para fechar a janela. Nós é que nos levantamos e, antes que alguém pegasse a mesa do fundo, na parede oposta a que estávamos, fomos nos mudando. Assim, outro garçom passou a nos atender.  Ali devia ser outra praça, embora o restaurante seja bem pequeno. O salão tem cerca de 14 mesas apenas. 

Enxoval - Louça branca básica, toalhas brancas com cobre-manchas bege. Mise en place também básico. Tudo limpo e asseado. 




Bebida/comida Por conta própria, sem ajuda do garçom, escolhi uma água tônica e meu marido uma cerveja Eisenbahn, pilsen, porque não havia uma pale ale que a preferida dele. 

Quanto à comida, escolhemos pratos diferentes.  Eu fui no mais tradicional da casa, o filé Alpino, que segundo o site da casa, ganhou o prêmio Prato de Ouro da revista Istoé, em 1995, e o prêmio Paladar, do Estadão, em 2008. O prato do Silas foi uma filé coberto com cebolas. Para ambos foram acompanhava arroz branco e mais nada. 

Pedimos como guarnição uma porção de aspargos. Decepcionantes aspargos em conserva passados na manteiga nos foram servidos. 

Os pratos vieram em exatos 20 minutos após o pedido. Estavam quentes e saborosos. O filé alpino tem uma grande quantidade de queijo catupiry por cima de uma fatia de copa e um molho inglês onde o filé fica nadando. Os sabores se complementam até a terceira garfada. Depois, é preciso acompanhamento porque se torna um prato bem enjoativo. 

A mesma base de molho inglês veio no outro filé, que estava tão suculento e tinha o mesmo também do alpino, só que era coberto por cebolas. 

Comemos direitinho, mas eu não premiaria nenhum desses pratos, embora o serviço à mesa tenha sido feito dentro do padrão tradicional, como manda o restaurante. Fomos servidos à inglesa indireto, inclusive na reposição dos itens. Não foi usado gueridon* porque a mesa era para quatro e estávamos em dois, de modo que havia espaço sobrando para manter a comida sobre a mesa, mas não à nossa frente. 




Preço - Dado que só comemos o prato e os aspargos, não teve entrada, sobremesa, nem café e bebemos uma única cerveja e um refrigerante, a conta deu R$ 107, com a taxa de serviço, que, vamos combinar, não foi muito bom para o  dono do restaurante. O empregado pouco treinado não ofereceu bebida a contento, não sugeriu entrada, couvert ou sobremesa. Atendeu ao que foi pedido, só.  

Visite nossa cozinha - Tinha uma plaquinha, mas apesar dela, senti um paredão que constrangeu pedir para dar uma passeada no ambiente. Não dava pra pedir, seria invasivo, dá pra entender? 

Fico aqui pensando o que faz um restaurante que tem uma história, a Caverna Bugre foi fundada em 1950, portanto 64 anos, se deixar desse jeito. Talvez os donos estejam cansados, a grana curta e não haja mais uma motivação para reconstruir no dia-a-dia esse passado de sucesso. 

Foi uma experiência um pouco frustrante pra mim, porque eu queria que meus colegas tivessem uma boa impressão do lugar que eu sugeri, mas que também, desta vez, não me causou a melhor lembrança. 

A dica então é para o dono. Algumas poucas ações pontuais poderiam elevar o padrão novamente (não sei se já foi um restaurante cuidadoso antes) e seria de bom tom dar alguma graça ao lugar. Uma reforminha, uns quadros, alguma decoração fariam bem.  A localização é ruim por um lado, mas é muito boa como ponto. Deve ter muito médico das Clínicas que frequenta o lugar.  O barulho poderia ser resolvido com pouco esforço e algum investimento, nada absurdo. O cardápio revitalizado seria uma outra solução que tenderia a um bom resultado. Ah! E o site está desatualizado, pode melhorar bastante. 

Essa foi uma visita noturna. Talvez no almoço seja diferente, quem sabe melhor ou pior. 

Por enquanto, vale a comida, de vez em quando, e nada além. 

Boa semana. 


Serviço:

Caverna Bugre - Rua Teodoro Sampaio, 334 - tel. 11 3085-6984

*gueridon (fala-se guerridom) - mesa auxiliar sobre a qual o garçom prepara o prato para servir ao cliente

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Uma casa portuguesa com certeza, em São Paulo

Nada mais charmoso e aconchegante para um almoço na sexta-feira, ainda mais um dia como hoje, um pouco nublado, outonal, com o sol tentando dar as caras atrás das nuvens, do que um bom bacalhau e um copo de vinho. 

É o que oferece a Casa Portuguesa, numa casinha de esquina na Rua Cunha Gago, aqui em São Paulo.  

Conheço o lugar há muito tempo. Ele me foi apresentado pela queridíssima amiga Paula Baez, que sabe encontrar lugares gracinha e de boa comida. Mas de quando conheci para agora, houve muita mudança. O lugar cresceu, assim como as opções do cardápio e da carta de vinhos. 

Apesar das mudanças, não acho que "enfrescurou" (rsrs). 

Ambiente e decoração - O ambiente continua muito agradável com cara de casinha em Portugal, porque o salão não é um ambiente único, você pode conseguir uma mesa na sala da frente com janela pra rua ou no corredor de passagem ou ainda no "puxadinho" ou melhor na ampliação que foi feita no fundo. Além disso tem também os quartos, que ficam na parte de cima da casa. 

A decoração não é nada pesada. As paredes onde não há prateleiras de vinhos são brancas com quadros de gravuras de tras dos montes e alto douro em Portugal. Outros elementos como o galinho de Barcelos ou pratos decorados remetem em função das cores à bandeira da terrinha e dos nossos colonizadores. 




Enxoval e tipo de serviço -  As mesas são cobertas por toalhas tradicionalmente brancas e há uma espécie de papel vegetal como cobre-manchas. Talheres de inox simples, mas de boa qualidade. Louça branca. Copos de vidro. A montagem é de mise en place básica, já que o serviço à inglesa indireto é o usado para quem pede um só prato para dois ou para a família, e, caso você peça um prato individual é empratado ou prato pronto. 

Cardápio/ Vinho - Aliás, eu considero isso uma vantagem da Casa Portuguesa O cardápio traz opções para quem quer comer sozinho ou para quem quer dividir. Em qualquer dos casos, são bem servidos. Não sobra e não falta. A quantidade é bem calculada e o garçom não mente para você, só para vender mais. 

Da mesma forma, existe a opção do vinho em taça que pode ser branco, tinto ou verde. Na última vez que estive lá, tomei um velho conhecido que frequentou muito a minha casa desde que o Silas e eu nos casamos, o vinho Gatão. Vinho verde muito delicado, que não fala mal de ninguém, custa o razoável e atende bem para acompanhar postas de bacalhau, um bacalhau ao Brás, ao forno  ou até mesmo com natas.  

Preços - Os preços na Casa são honestos. Chego a dizer que são baratos, uma vez que o que se come lá é bacalhau e não peixe tipo bacalhau. O valor de um prato individual está na faixa de R$ 26. Some-se aí a tacinha de vinho português (R$ 9,50), o bolinho de bacalhau de entrada (R$ 3 por unidade), uma água e um docinho de gemas ou pastel de Belém (R$ 5,50), sua conta vai ficar perto de R$ 50 para almoçar bem! 

Quando minha mãe esteve em São Paulo no ínicio deste mês, fomos comer nesse simpático restaurante. Nossa opção foi por postas de bacalhau com grão de bico. Estava perfeito na cocção e na apresentação. Entretanto, havia espinhas demais em uma das postas, uma falha que perdoo por todas as outras vezes que não houve esse problema. 

Esse é um lugar que me traz boas memórias. Estive lá com a Euzi e a Fabíola certa vez e nós tomamos em três, três garrafas de vinho num sábado à tarde. Se me lembro bem, foi um rosé Casal Garcia, talvez. Não, foi um verde Calamares. Ou ambos. Sei lá, o teor etílico causa amnésia. 

Também estive lá com colegas da Sabesp várias vezes, já que o fica bem perto da Sabesp da Costa Carvalho onde prestei serviço por um tempo. Fui lá com a Cláudia Fernandes e sua linda família. Saudades de todos, do Ademir, dela e do João. 

Mais que uma crítica, eu recomendo o lugar. Como disse o Silas agora há pouco, "eu gosto de lá". 

Como comecei falando de dia com cara de que vem chuva...  graças a Deus e a São Pedro, tem tido alguma chuva nessa cidade. Espero que chova um pouco também na cabeceira da represa e que isso ajude o sistema Cantareira nesse momento em que míngua... 

Hoje é sexta. Bom fim de semana com uma dica do chef que encontrei no site do restaurante: 

Receitas - Bacalhau a Brás

Ingredientes

750 g de bacalhau demolhado, 1 kg de batata, 3 cebolas, 1 dente de alho, 100 ml de azeite, 8 ovos, 1 ramo de salsa. azeitonas, óleo, sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
1 Desfie o bacalhau e elimine as peles e as espinhas
Corte as batatas em palha e frite em óleo
corte as cebolas em rodelas
pique o alho e refogue no azeite
2 Junte o bacalhau e cozinhe, em fogo baixo, mexendo sempre. Acrescente as batatas, reservando algumas para a decoração, e o ovos batidos. Mexa, até os ovos cozinharem bem. Tempere com sal e pimenta
3 Coloque numa travessa e polvilhe com salsa picada. Decore com as azeitonas e as batatas reservadas.



Serviço
Casa Portuguesa
Rua Cunha Gago, 656 - Pinheiros
Tel. 11 3819 1987 www.casaportuguesa.com.br


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Vinheria Percussi


Na quarta-feira, 19/março, Silas e eu, enfim, fomos jantar na Vinheria Percussi. 
Desde que começamos a namorar planejávamos isso, mas por uma coisa aqui, outra ali, a gente, muitas vezes, acaba postergando demais algo que queremos muito e que nem é tão difícil de fazer. 

A Vinheria Percussi fica na Rua Cônego Eugênio Leite, pertinho de onde morei por mais de 12 anos, parte desse tempo já casada. Mesmo assim, só depois de nos mudarmos para Higienópolis é que tivemos a chance de ir. 

Para o bem das nossas finanças, uma vez que já tínhamos viajado para comemorar, a semana de aniversário de nosso casamento era o período do Restaurant Week São Paulo  - RWSP.  Aproveito então para dar minhas impressões da Vinheria e também da 14a. edição do evento na metrópole paulista. 

Sistema de reservas: Nossa reserva de mesa foi feita no dia 19/03 pela manhã por telefone, momento em que informei que se tratava de um atendimento no esquema da Restaurant Week.

Recepção: Chegamos ao local pouco antes do horário reservado (20h30). Fomos recebidos por uma recepcionista que logo verificou a situação da reserva. Aguardamos por apenas alguns segundos no hall de entrada e um garçom nos levou até uma simpática mesa para duas pessoas, ao fundo do salão, próxima à parede. 

Ambiente: A Vinheria Percussi, como eu já esperava, é um lugar elegante. A iluminação é agradável, as cadeiras confortáveis, não havia corrente de ar onde nos sentamos e a decoração é de bom gosto. Na parede na qual a nossa mesa estava encostada havia um quadro com características modernas que eu gostaria muito de ter na minha sala, embora sua dimensão talvez fosse um impeditivo ainda que eu tenha uma sala bem grande.  Dada a semana em que estivemos no restaurante, dias de casa muito cheia, havia mais barulho que o limite do agradável. Fato que atribuo ao comportamento humano e não propriamente à indumentária ou acústica do local. O enxoval branco composto de toalha e cobre-manchas estava limpo e bem passado, cobrindo mesas de madeira, ora quadradas, ora redondas, dependo de sua posição no salão. 
Se fosse dar uma nota ao ambiente, pelo conforto e a leveza, apesar da classe e da elegância, eu daria 8 ou 8,5, o que poderia ser mais se não fosse o barulho. 

Utensílios: louça branca, copos de água coloridos, talheres de boa qualidade (garfos e facas grandes e ergonômicos para o comensal), copos de vinho lisos sem cores. 

Cardápio: 
Uma extensa lista de massas e molhos chamam a atenção, mas vou me ater ao Cardápio especial para 14a. RWSP : (ao preço de R$ 49,90)

Opções de entrada:
Quiche de palmitos com salada verde
torta de palmitos acompanhada de uma fresca salada de folhas

Salada de três cereais com bacalhau desfiado
mix de grãos e lascas de bacalhau temperados

Opções de prato principal:
Galeto com laranjas e purê de cará
galeto ao molho de laranja, com purê cremoso de cará

Ravióli de abóbora com barreado paranaense
massa fresca artesanal exclusiva, recheada de abóbora japonesa, com molho de carnes tenras

Opções de sobremesa:
Espuma de manga com fita de coco
refrescante espuma de mangas frescas e tiras de coco

Milfolhas de doce de leite
lâminas crocantes de massa folhada recheadas com doce de leite

Exceto na sobremesa, meu marido e eu, escolhemos opções alternadas de modo que pudemos provar tudo o que a casa oferecia nesses pratos especialmente feitos para essa edição do evento. 

De entrada, eu fiquei com a salada de bacalhau e cereais, que me pareceu muito mais um risotinho frio, dada a quantidade de arroz preponderante para uma salada equilibrada.
A quiche do Silas estava mais caprichada e chegava a derreter na boca. 



Quanto aos pratos principais, o dele foi a massa com o barreado e o meu o purê de cará com frango. Digo frango porque a carne vem desfiada e não foi possível reconhecer a diferença para um galeto.  A massa com o barreado estava impecáveis.  A carne bem cozida e apurada no molho bem temperado e os raviolis tenros e no ponto. O sabor do barreado não chegava a ser forte e acentuado no tempero como o que é servido em Morretes no Paraná (o que nos agradou, devo confessar). 
Ambos os pratos foram muito bem apresentados. Ao chegarem nossos sentidos foram estimulados, porque além de bonitos e bem distribuídos na louça branca, exalavam aromas agradáveis, dada a temperatura em que foram servidos. 

Quanto à sobremesa, nada muito além de um nome bonito e chamativo para uma sobremesa sem grandes atrativos. Nós dois escolhemos a "refrescante espuma de mangas frescas", que não nos surpreendeu nem pelo sabor, nem pela apresentação, nem pelo frescor. A combinação de sabores também deixou a desejar. Eu não repetiria o pedido.  

Uma observação importante: Os pratos do RWSP não necessariamente estão presentes nos cardápios dos restaurantes que participam do evento como uma opção entre as demais. Eles são opções de produções pensadas para atender a demanda de pessoas que nem sempre poderiam pagar os preços exorbitantes cobrados em restaurantes renomados. 
Apesar de não ser uma regra, a impressão que fica para quem frequenta restaurantes, mas quer aproveitar a chance do evento para conhecer algumas casas de valores não muito acessíveis, é de que os pratos planejados para esse menu especial são feitos com produtos mais baratos. O que não significa que não tenham sido cuidados com carinho pelos chefs que os criaram, mas, possivelmente foram pensados a partir de itens mais em conta, como carne de músculo e frango, e não filé mignon ou codorna. 

Tudo isso para dizer que é um fato que para quem vai a esse tipo de evento não terá a mesma impressão da comida e do atendimento do determinado restaurante que teria em dias normais, digo, fora da Restaurant Week.  

O mesmo ocorre com a bebida. Embora o restaurante disponibilize a carta de vinhos, oferece, quase que via de regra, uma opção de vinho que possa ser consumido por clientes menos endinheirados. 

Bebida: Num restaurante como a Vinheria Percussi que oferece uma carta de vinhos sofisticados com preços bastante altos, a sugestão do vinho italiano harmonizado com o prato do menu foi bem feita. Uma oferta delicada que não deixou devendo. Certamente, a casa não teve prejuízo, especialmente porque diante dessa oportunidade, o sommelier ofereceu um rótulo para quem não entende do assunto e não tem um paladar muito sofisticado.  O que pareceu uma grande sugestão, claro. 

Atendimento:  O atendimento foi cortês, garçons e comins cumpriram devidamente suas tarefas, apesar da casa cheia. Lá pela 21h15, todas as mesas do salão estavam tomadas (e os pratos eram quase sempre os mesmos, o que corrobora o que eu escrevi antes sobre se tratar de um período especial nos restaurantes que fazem parte do evento).  


Visita à cozinha: O chefe de fila ou maitre, não consegui reconhecer, foi gentil quando pedi para visitar a cozinha, mas não permitiu imediatamente. Quando a conta já havia sido paga, ele me levou,  por alguns apenas alguns segundos, para dar uma breve olhada no pessoal da brigada.  Minha impressão foi de um lugar pequeno e, como não podia de deixar de ser, abafado. Mas o que mais me causou estranheza foi a iluminação da cozinha, com menos claridade do que me faria enxergar para cozinhar. Todos estavam perfeitamente uniformizados. 

Tempo de permanência: Ficamos no restaurante durante cerca de uma hora e 45 minutos. 

Estacionamento: Não usamos, mas é disponível com serviço de manobrista.

Foi uma noite agradável, sem surpresas indesejáveis. O serviço foi satisfatório e voltamos bem alimentados para casa. 

Para uma análise mais detalhada, voltaremos um dia fora da Restaurant Week. Se você for, conte-me a sua experiência. Esse espaço está aberto para isso! 

Um beijo com carinho. Vou inventar logo, logo, um novo aniversário de alguma coisa para comemorar em outro restaurante bacana. Tchau!