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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Prioridade, escolha e decisão

Tem tempo que não me sento pra escrever. Muito mais tempo do que eu gostaria, aliás. 

O que me alivia é ter certeza de que o meu tempo foi bem usado. É até simples dizer: uma questão de prioridade. Como quase tudo na vida, fiz uma escolha diante de fatos incontroláveis.  Sou responsável por ela e me sinto tranquila e em paz porque escolhi. Sim, a escolha foi minha. 

Para os que sentiram a ausência de novos textos, da continuação das histórias da viagem de férias em julho passado e, para além disso, das receitas, dicas, entrevistas com convidados, colunas e o que mais haja, e, principalmente, da nossa convivência, penso mesmo que lhes devo uma explicação.

Em agosto, minha mãe sentiu-se mal repetidas vezes, procurou seu médico de anos e fez uns exames. Soube que estava com o coração combalido, precisando de uma restauração de algumas veias com certa urgência. Deve ter sido coisa de amor que naquele coração está cheio...  Poesia à parte, ela esteve (e ainda está) hospitalizada durante grande parte do tempo que estive ausente.  

Nesse período, já dá pra imaginar o que rolou; médicos, exames, clínicas, consultórios, hospitais, esperas intermináveis, erros e acertos,  dores e preocupações, unidades de terapia intensiva. Mais que isso, houve  uma grande cirurgia de revascularização com quatro pontes. Depois, outros longos e intermináveis dias de UTI, reabilitação e recuperação em casa, hospital de novo, outro procedimento cirúrgico e agora ela se recupera bem novamente. É bom dizer que nesse percurso sempre caminhamos para a cura. Tudo ocorreu com as bençãos de Deus e de Nossa Senhora da forma mais leve possível.  Tivemos ajuda e proteção, muitas orações e palavras de fé, incentivo, conforto e coragem, itens inestimáveis que nenhum dinheiro no mundo pode pagar numa trajetória como essa. 


Hoje, paro por aqui, porque a ideia era só contar o motivo do sumiço. Talvez até eu ainda fique escondida por um tempo. Falta ainda um pedaço do caminho até que minha mãe esteja em casa, com autonomia e segurança para cuidar da própria vida e fazer suas escolhas.  Quem sabe, não demore, já que agora as coisas tendem a retomar suas prateleiras, cada xícara, cada ferramenta voltando ao seu lugar ou indo morar em outro. No entanto, fato é que ninguém sai igual de uma experiência como essa.  A gente descobre logo o que é prioridade e quais são as escolhas inegociáveis da vida. Mais que isso, dá pra sacar o quanto Deus ajuda a gente depois que qualquer decisão foi tomada por mais que não dê pra entender "direito direito" na hora.   

Em breve a gente retoma o ritmo do blog com novos tons, sons, sabores, aromas e experiências. Ah! Nesse período de quase dois meses, chegou a primavera e as flores estão dando show por todos os lugares em tenho andado, até mesmo dentro de casa.  Um beijo cheio de gratidão e saudade. Façamos nossos dias, a cada dia, mais alegres! 




De volta do hospital. A primeira foto!


sexta-feira, 27 de maio de 2016

Fomos violentadas coletivamente, mas...

não é nos estuprando que vocês vão tomar os nossos corpos para si. Não é nos tirando da presidência da república e dos ministérios, que vocês
 vão retomar para sempre o que pensam que só a vocês é merecido, 
não é nos expondo na internet em 
pleno ato de violência que vocês nos assustarão. 



Há mais de duas semanas não escrevo no blog. Contratempos, prioridades, chame-se o que quiser, mas fato é que o meu grande companheiro de todas as palavras, o meu exercício de falar de amor por meio da comida e das boas coisas da vida, o meu maior orgulho dos últimos dois anos, tem estado calado. 

Há dias penso em escrever, mas hei de confessar o quanto é difícil falar de amor em ambiente tão hostil como o que temos aqui no Brasil por esses tempos. O que me consola é que ainda sou capaz de me indignar, mesmo estando chocada, perplexa, catatônica diante do que temos sido submetidos nesse país no último ano. Parece não haver saída e a cada dia algo ainda pior acontece. Enquanto conseguimos manter a indignação ainda não morremos na alma!

Embora esse espaço seja de alegria, hoje, seria quase indecência, ou melhor, quase desonestidade estar alegre já que sou mulher. Exceto pelo fato que, apesar de toda a violência a que somos expostas, tocadas, vilipendiadas, não nos será tirada a alegria, porque isso é nosso, é a nossa capacidade de renovação a cada instante. Só que hoje o dia é de dor e sofrimento para quem é mulher no Rio, no Brasil e no mundo porque uma de nós sofre na pele, na vagina, na boca, na alma, o que todas nós sentimos no coração. 

Hoje minha vontade é dizer mansamente, de um jeito muito feminino, muito educado, gentil, mas nem de longe submisso, para que todos os homens (e também para mulheres), tanto aos machistas declarados, como aos que escorregam no machismo de vez em quando, como aos que já entenderam e já sentem de outra forma (porque eles existem, graças a Deus e a nossa luta constante) que não é nos estuprando que vocês vão tomar os nossos corpos para si. Que não é nos tirando da presidência da república e dos ministérios, que vocês vão retomar para sempre o que pensam que só a vocês é merecido, que não é nos expondo na internet em pleno ato de violência que vocês nos assustarão.  

Estamos tristes, sim. Fomos violentadas coletivamente.  Por 33 e  por Rafinha Bastos (o maior de todos os preconceituosos e machistas travestidos de inteligente e engraçado que a TV já manteve no ar, uma vergonha!), e por Alexandre Frota, e por Michel Temer, e por muitos dos nossos chefes, e muitas vezes por nossos pais, muitas vezes por nossos irmãos dentro de casa, muitas vezes por nossos namorados, nossos maridos, pelo encanador que veio consertar a torneira pingando... Fomos violentadas, mas isso não será para sempre. Isso começa a acabar hoje, mais do que ontem, amanhã, mais do que hoje. 

Não há desculpa, não há justificativa. Mas o mais triste é que não há punição para esses machos indecentes, criminosos sem perdão. Eu não os perdoo. Jamais os perdoarei. Estamos de luto, mas em luta constante.

Eis o nosso aviso. Estamos mais que nunca unidas, de mãos dadas, prontas para nos defender e para ocupar o que é nosso. Porque somos "belas, recatadas e do lar", sim, se quisermos! Mas caso nossa escolha seja outra, não haverá estupro coletivo a nos deter.  A nossa resposta é não. Vocês não nos dão as regras. Nós escolhemos o que queremos e é assim que será daqui pra frente. 

Repito mentalmente e reescrevo as palavras da minha amiga e nora Julia Henriques lidas ontem à noite numa publicação no Facebook, como se fossem minhas: "Nós não aceitaremos mais isso. Vou lutar da maneira que eu puder, pelo resto da minha vida, para que coisas desse nível não aconteçam mais!!"

A seguir um texto e uma foto que me (nos) representa. Não deixe de ler, compartilhar, viralizar! 




30 homens tomaram o corpo de uma de nós. Tomaremos suas almas.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Uma canja para os dias tristes


Não há tristeza nessa vida que uma boa canja de galinha feita pela mãe ou a avó não diminua. 

Eu, na minha vida toda, quando estive triste, de tristeza profunda, de perda, de solidão, de traição, de injustiça e de depressão, sempre pude contar com um bom prato de sopa que me trouxe momentos de aconchego, carinho e acalanto. De mãe, principalmente. 

Lembro-me que, logo depois que minha avó Angelina morreu, meu tio Aldemir, filho dela, fazia canja de frango todas as tardes para que bem no início da noite, na hora da novela das seis, a sopinha estivesse pronta, cheirosa como ela só. 



Ele desenvolveu uma técnica própria e o caldo que fazia era espesso, não um caldinho ralo de hospital. A canja era bem amarelinha, quase laranja, grossa da cenoura e da batatinha batidas no liquidificador para espessar o caldo, tinha o arroz molinho e o frango em fiapos, além de miúdos: coração, figado e moela tenros e bem cozidos. 

Não era claro para o meu tio que ele tinha poderes mágicos, alguns podem chamar de bruxaria, e que no seu caldeirão (ou panela de pressão) ele cozia afeto, delicadeza e cuidado com as pessoas da família. Ele andava triste, disso eu sei, e a alquimia da sopa o fazia arrefecer a dor e a falta que a minha avó fazia para todos nós. 

Hoje, o Brasil parece aliviado. Apesar da noite passada em claro, como as dos velórios em cidades como Itu, o país sente o mesmo alívio das famílias quando retornam do cemitério após enterrarem seus mortos. Depois de deixar para a terra seus entes queridos que se foram depois de anos de sofrimento, doentes, moribundos, débeis e  já sem condições de continuar nessa luta insana que é viver. 

Apesar do alívio e dos fogos de artifício (desde às 6h35 a cada pouco vem uma rajada ecoando por São Paulo) que simbolizam a vitória, como numa última partida do campeonato brasileiro, há também uma dor profunda na alma de muitos cidadãos. 

Há também, hoje, os que se sentem roubados em seu sonho de democracia, vilipendiados em sua luta por igualdade de gênero, destituídos de sua cidadania, desacreditados definitivamente de uma possível justiça cega e de julgamento justo e humano. 

Apesar de essa ser uma dor profunda, ela não traz consigo a clemência que traz a morte. Por essa dor não somos acalentados. É melhor não falar dela porque ao lidar com isso em público podemos ser confundidos com petistas, esquerdistas, criminosos.  Não nos perdoam as lágrimas porque não é de bom tom que escorram nos nossos rostos lágrimas no meio do dia, como nos é permitido quando perdemos alguém que amamos. Mas nem por isso a dor não existe, ela está ali, presente! No peito. Na sua alma cidadã! 

Eu tenho chorado pelo Brasil nos últimos tempos porque vivemos um momento devastadoramente triste.  Chego a sentir inveja dos alienados porque eles, nem de longe, sabem porque eu sofro. 

Pela primeira vez, declaro que me sinto envergonhada pela arrogância demonstrada por muitos de meus conterrâneos paulistas, por sua postura nefasta, segregadora, ímpia, burra e egoísta.  Também lamento o degradante espetáculo produzido por colegas de profissão na Imprensa nos últimos meses, no mínimo, a atuação foi chocante para quem jurou honrar os princípios da justiça e da democracia.  

Como pessoa toco a vida pra frente, que não me resta outra saída, mas como cidadã, sofro de uma dor de quem vê muita erva daninha instalada numa plantação que demoramos tanto tempo cultivando para que pudesse começar a germinar. 

Vivemos um tempo em que falta cordialidade, zelo e empatia. Acusamos o outro, mas não olhamos a nossa atitude diária, nossos pequenos e grandes delitos. 

Hoje, o Brasil, como eu nos dias tristes, merece uma tigela fumegante de uma boa canja de galinha, daquelas da avó,  que alimenta o corpo, acalma e enternece o coração e dá coragem. Isso para nos ajudar a ter uma boa noite de sono depois de tanta turbulência e especulação. Amanhã, voltamos à luta por um lugar melhor, mais honesto e verdadeiro, apesar do futuro cinza que nos parece nesse momento reservado.  

Ah! Pensei em usar uma bandeira verde e amarela nessa postagem, mas ela foi tão mal empregada ultimamente que desisti. Será que conseguiremos recuperar a ideia de que a bandeira do Brasil ainda é de todos os brasileiros? A angústia está nesse grau, deu pra entender?  

É isso. 

Só pra constar: eu não apoiei o golpe! 




segunda-feira, 4 de abril de 2016

Aos amigos de toda uma vida


Nos últimos dias, as emoções têm transbordado!  Não é pra menos, afinal. 

Sábado foi dia de um reencontro com pessoas muito amadas, não importa o tempo e a distância. Gente de toda uma vida. Gente de toda uma vida na minha vida. E eu, na deles.  

A gente que não é velho ainda, ou melhor, não se sente velho em nada, ao contrário, acho que estou bem melhor agora do que há 25 anos, nem se lembra que já se passaram tantos anos desde o tempo que nos divertíamos tanto juntos. 

Fomos uma geração que ficava junto na escola, depois se via de tarde para as mais diversas atividades: fazer trabalho, preparar apresentação de sessão lítero-musical, organizar festa de alguém, ir à missa, ao Chocolito e ao Ituano Clube, ir na piscina da chácara da Teca, onde a Sandra morava com a família, andar de bicicleta rumo à casa da Lu Guitti e à cachoeira das Terras de São José e mais muitas outras coisas. Daria umas cem páginas se fosse escrever tudo o que fazíamos juntos, inclusive, nada. Tem algo melhor do que fazer nada com uma amiga querida?  Eu ainda não descobri. 


Clau e Luke
Não bastasse, a nossa geração amava falar ao telefone. Nem bem a gente chegava em casa, já ia ligar pra amiga. Na casa da Luke, que era minha parceira inseparável, a mãe dela, o pai, as irmãs e o irmão, já atendiam o telefone dizendo, oi Cláudia!, tantas eram as ligações que eu fazia pra lá. Não sei como a gente conseguia ter tanto assunto. 

Peraí, não sei, não! Sei!!! Sábado, a gente tinha tanta coisa pra conversar que a Sandra quase enfartou porque não chegava nunca a vez dela. Sabe o que é isso? Eu acho que a gente só se expõe assim para quem a gente ama de verdade.  

Quando escrevi logo no começo que essa gente tem uma vida na minha vida e eu na deles, nem me dei conta do quanto isso é profundo. Não me refiro ao passado. Esse pode ser só a memória, me refiro àquilo que somos hoje, graças ao que vivemos então. Esses amigos de infância e adolescência que algumas pessoas têm o privilégio de ter (já, já, explico porque foi um privilégio) são os responsáveis diretos pelas escolhas que fizemos dali em diante e muitas das que continuamos fazendo. Eles nos pautaram para o sim e para o não na vida que seguiu.

Sobre a questão de ter tido um privilégio em função desse tipo de relação é que, em cidades pequenas ( e até nas médias vai, ou mesmo nas grandes, desde que haja continuidade no convívio da infância à adolescência) como Itu, onde nós vivíamos, as relações sociais e a educação dada por nossos pais e também a dos pais dos nossos amigos para seus filhos, formam o nosso caráter.  Tem um lance de frequentar tanto a casa do amigo que abrir a geladeira é qualquer coisa. A gente entrava no quarto do pai e da mãe com uma informalidade que só vendo... Eles, portanto, também se responsabilizavam por nós e nos corrigiam, nos amavam como sobrinhos ou até filhos agregados. 

Tivemos o privilégio de nos sentirmos seguros durante uma fase fundamental da vida porque tivemos proteção dentro e fora de casa.  E posso garantir: em nada fomos super protegidos. Tivemos que encarar a vida como ela é. 

Teve o rico, o pobre, o inteligente, o burrão, a bonita, a feia, a gordinha, a dentuça, mas todo mundo era igual. A gente viveu realidade juntos, com muita diversão e manga verde com sal tirada do pé, mas também algumas dores profundas de separação, morte, famílias complicadas, pais intransigentes. Mas sobrevivemos e continuamos iguais, sem comparações, simplesmente porque a gente se amava. Imagine se a gente tem noção aos 14 anos que isso é amor, nem de longe! A gente chama de um monte de coisas, inclusive, de pessoa insuportável que a gente nunca mais quer ver na vida porque brigou ou falou isso ou aquilo... Mas no fundo o que sobra é aquele sentimento visceral, apaixonado, que tem medo do fim da oitava série porque a gente vai mudar de escola e não vai mais se  falar toda hora e nem fazer lição juntos. Não vai ter pipoca com fondor toda tarde quando a gente for pra faculdade... Aí dói de montão se separar. Só que é inevitável.  

Então a gente fica durante muitos anos sem se encontrar e um dia toma coragem. Chama todo mundo. Quem vem, vem. Quem não vem, tudo bem. Ainda não deu, não tá preparado, não quer encarar, não deu mesmo...  Não tem julgamento algum. Só tem curtição. O encontro gera um transbordamento de alegria que não cabe no coração da gente. 

Acho até que é bom que não se torne frequente demais. Quebraria o encanto porque agora a gente não saberia mais como voltar sem mágoas caso "aquela insuportável" fizesse uma malcriação qualquer.... O mundo e sua crueldade já nos contaminou demais. 

No entanto, por algumas horas, fomos novamente aquilo que éramos há muito tempo atrás. Ninguém fingiu, ninguém blefou, ninguém se exibiu. 

Tudo o que aconteceu aqui em casa no sábado à tarde foi ma-ra-vi-lho-so.  Quanta risada e que delícia sentir aquelas presenças na sala...  Como foi bom cozinhar, preparar o meu lar e o meu coração para receber essas pessoas, suas histórias, filhos, maridos e esposa (só tinha um menino na turma, o Moysés, e, até onde eu sei, ninguém se assumiu homossexual nessa turma!) Que é um pouco careta, sim, e isso não tem a menor importância. 

Comecei escrevendo hoje para contar como organizei a casa e que menu decidi fazer para meus amigos da Turma do Inho, lá de Itu. Deu nisso. Um texto todo rasgado de emoção sem fim. 

Melhor o executado que o planejado. Quem sabe uma hora conto o menu e a arrumação, só pra aproveitar o ensejo como dica para receber quem a gente ama e nem sabe quanto... 




Aos meus queridos amigos de uma vida inteira: Lus (são 3, Luke, Lu Vidoto, Lu Guitti), Kelly, Teca, Fefa, Sandra, Ana Isa e Moysés (esse era o grupo do Inho), e aos que não estão nesse texto só por acaso, como a Ale, a Claudimara, a Valquiria, a Liliana, Lu Valente, Angélica e muito mais gente (e também os que vieram depois), desejo a vocês: saúde, sorte e muita, muita, muita alegria. Quando a coisa pegar, e sempre tem um tempo que pega, a gente tá junto porque do coração não dá pra tirar. 


Sandra, Kelly, eu, Luke e Moysés



                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          
Dois príncipes de nome Lucas também vieram... o do Moysés com a Teresa e da Luke com o Piu. 






E uma rainha direto da Inglaterra: Elizabeth, a filha da Kelly


Um brinde!!! 


domingo, 8 de novembro de 2015

Primeiro assédio - Eu, como muitas outras

#agoraéquesãoelas

 #primeiro assédio


Dá uma profunda tristeza constatar que a gente não se choca com  o fato de haver tantas declarações de assédio sexual de mulheres no Brasil. Especialmente porque a gente não se choca porque sabe que isso é uma realidade horrível, mas que já aconteceu com a gente, com as nossas irmãs, amigas, mães (por mais que elas neguem e escondam), com as nossas vizinhas de perto e de longe. Pior que isso, vai acontecer com as nossas filhas, sobrinhas e com aquela menininha que de vez em quando a gente vê na rua, na TV, numa fila qualquer. 

É uma prática do machismo brasileiro. 

Quem me conhece sabe o quanto é uma bandeira minha o papel da mulher na sociedade, a busca pelo respeito, pelo salário justo e igual ao dos homens, pela não discriminação de gênero. 

Em 2008, foi uma criação minha o primeiro evento de Mulheres Líderes do Brasil. Sem grana, sem estrutura, só com a cara e a coragem, montei um evento e juntei mulheres sensacionais em suas lideranças para falar de suas vidas, suas experiências profissionais, seus papeis nas empresas brasileiras e internacionais. Com esse modelo, não havia tido nenhum até então.  

Por diversos motivos, fui para outros caminhos, mas jamais abandonei a atitude. 

Casei com quase 40 anos com um homem que não é machista. Gosto de ser mulher. Gosto de ser a companheira dele porque ele é meu companheiro. Nós nos amamos e nos divertimos muito juntos. Nosso acordo é que sempre seremos namorados um do outro. Eu não me casaria com um machista jamais.  

O Silas nunca me perguntou sobre os assédios que sofri, nem sobre a minha vida pregressa. Embora eu saiba que ele, como qualquer ser humano, deve ter curiosidade sobre isso. Mas faz parte do respeito que ele tem por mim como mulher e como pessoa não ser dono da minha história, do meu passado e do meu presente. Somos indivíduos. Somos corpos independentes, cabeças independentes, pensamentos livres. 

Eu, como muitas outras,  vivi vários assédios. Mas eu,  como muitas outras, tive vergonha e sentia culpa pela maldade que eu mesma sofria. Eu, como muitas outras, me mantive calada. 

Nessas última semanas, venho acompanhando esse movimento de mulheres se manifestando sobre suas histórias de assédio. Mais uma vez, como muitas outras mulheres, eu recuei diante das minhas próprias barreiras que são fruto de tudo isso que já sabemos: criação, repressão, desigualdade, violência, ameaça, tudo CONTRA, nós, mulheres. 

Meu primeiro assédio eu tinha 8 ou 9 anos, indo para a aula de catecismo. 

O assédio que mais me marcou foi o que sofri no meio profissional. Eu era jovenzinha, tinha 22. Fui trabalhar como estagiária numa das TVs mais conhecidas em São Paulo. Depois de um tempo que já tinha acabado meu estágio, me chamaram para uma vaga num canal fechado dessa TV, chamava-se Canal 50. Nesse canal, tinha um chefão. Foi ele quem, no dia em que fui agradecê-lo pelos meses que trabalhei lá, foram uns oito meses, eu acho, mandou a secretária sair, fechou a porta e me agarrou. Enfiou a língua na minha boca, me cercou, me puxou sexualmente pra ele, disse que sempre se sentiu atraído por mim e riu de mim quando eu disse a ele que aquilo era assédio. Ele me ameaçou dizendo que se eu dissesse qualquer coisa, jamais arrumaria outro emprego: "você tá começando, acha que pode falar algo a meu respeito? Nunca mais vai arranjar outro trabalho em televisão". 

Depois disso, saiu com o braço nos meus ombros e foi comigo até a ilha de edição que ficava noutro prédio. Eu estava pálida, muda e tremendo. Encontrei um colega de trabalho e ele notou que havia algo errado. Algo grave. 

Tempos depois, me acusaram de alguma coisa e me tornei persona non grata por lá por um tempo. 

O mesmo tempo que passa. O crime desse sujeito já prescreveu (mas ele ainda tem um grande cargo no mesmo grupo). Seriam 20 anos para que eu reclamasse na Justiça. Mas eu não teria como provar porque ninguém viu e eu podia nunca mais arrumar um emprego na área. Soube depois que era um modus operandi dele. 

Meu pai morreu sem saber que isso aconteceu porque não sabia que reação ele poderia ter. Da minha boca, ele nunca soube. 

Foi horrível. 

Eu havia escrito o nome desse homem, mas resolvi apagar porque ainda tenho medo do que pode me acontecer. 

A situação das mulheres é tão frágil diante disso... Só quem vive sabe. Eu, como muitas outras, vivi. Eu, como muitas outras, não falei. Eu, como muitas outras, tinha um segredo. Eu, como muitas outras, fomos "cúmplices" desses canalhas que nos fizeram isso porque não falamos. 

Esse blog tem outro objetivo, quem o acompanha sabe bem.  No entanto, se muitos homens que tem voz e espaço na mídia nos deram lugar para falar, por que não abrir o Blog da Gavioli (que fala do que é bom na vida) para tratar de um assunto tão sério? 

Mulheres, temos que ter coragem! 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Sobre ser feliz ou não


Há quem diga que é ousadia, coragem, valentia, mas, às vezes, é só falta de opção mesmo. Você tem que seguir aquele caminho e pronto. É o instinto que guia seus passos para uma direção que é a de tentar ser mais feliz. 

Nos últimos dias, tenho recebido críticas elogiosas sobre o Lá em casa pra jantar, que é um projeto de gastronomia e hospitalidade que criei este ano e já está caminhando para a quarta edição. 

No sábado, uma das participantes, a Patricia, que conheci em tempos já de não-Secretaria, mas de Secretaria, sei lá, em determinada hora, à mesa, me perguntou: 

- Saudades do velho emprego, você não tem nenhuma, né?  

Ao que respondi prontamente: Do salário. 

Esse breve trecho de conversa ficou na minha cabeça e, talvez, devido também aos comentários que venho lendo sobre as postagens de fotos do Lá em casa nos últimos dois dias, eu tenha querido tocar nesse assunto: a busca da felicidade. 

Em julho deste ano, tive o prazer de conhecer um casalzinho muito descolado o Fred e a Karin, ambos jovens jornalistas em busca de um apartamento para alugar. Nosso contato foi efêmero porque acabou não dando certo eles irem morar no meu apartamento,  mas foi suficiente para que eu pesquisasse um pouco sobre aquelas duas pessoas tão interessantes que bateram à minha porta naquele dia.  

Acabei descobrindo que o Fred Di Giacomo é um cara conhecido na mídia porque ele e a Karin investigam o que é felicidade. No Glück Project, o blog do Fred, dá para entender um pouco mais sobre como eles fazem isso. Foco, desfoco, reflexões, viagens, enfim, jeitos diferentes do meu de pesquisar a tal felicidade. 

Durante muitos anos e ainda até a agora, vira e mexe, eu me vejo buscando ser feliz dentro do modelo que a sociedade da minha geração tinha e que, ao que parece, vem mudando ou já mudou por força das circunstâncias há algum tempo. 

Funciona assim, mais ou menos. Se você pôde estudar, teve essa chance e seus pais muito se esforçaram para que você tivesse formação universitária, é seu papel acordar cedo, se vestir com roupas elegantes, perfumar-se e sair para o trabalho numa firma, repartição pública, agência, redação ou escritório onde, quase sempre, ficará sentado numa cadeira em frente ao computador resolvendo problemas que não deveriam ser seus, mas que são o motor da empregabilidade no país. É sua obrigação social ter um emprego que lhe dê um salário, do contrário, você é um pária social.  

Mesmo que não o tratem assim, é assim que você se sente. Em especial porque o "culto à crise" está tão disseminado que não ter remuneração fixa é achar que você vai passar fome já no dia seguinte. Como se a crise não fosse muito mais de consumo do que de fome. Afinal, ninguém morre de fome caso não compre um celular novo a cada modelo lançado. 

Aí, você para para refletir e traçar uma linha entre o passado e o futuro, sendo que no presente você não tem mais a condição exposta acima (de ter trabalho fixo e blablablá) e nota que não foi assim com toda a geração dos seus pais, nem com a do seus avós e não está sendo com a dos seus filhos (o Fred e a Karin são a geração dos meus filhos, mesmo que eu não os tenha). 

De repente você saca que aquilo que sufoca e desanima nalguns dias é a mera comparação que você faz de si com os outros e nada tem a ver com ser feliz. Pelo simples fato de que a felicidade é de cada um e não é um emprego, um salário ou até mesmo o seu estado de saúde que te fazem feliz. Tem gente doente, muito doente, que é feliz, apesar da dor e, muitas vezes, da falta de perspectiva. 

A ideia de começar a receber pessoas para jantar na minha casa de um jeito mais profissional, preparando o ambiente, estudando cardápios e menus, harmonizando bebidas, organizando tudo com antecedência e cuidando de cada detalhe do que será feito tem a ver com o meu processo de encontrar um lugar, de encontrar felicidade no trabalho. 

Eu amo escrever, tenho orgulho, de verdade, de lidar com as palavras, conseguir me expressar com veemência, me alegro com o meu vocabulário, com o jogo das expressões, com a criação de imagens por meio de palavras. Eu gosto de descrever sentimentos, de contar causos. Só que dei muito murro em ponta de faca e lutei mais que o necessário para ter um lugar no meio dos jornalistas. Um dia descobri que podia ser diferente. E tenho tentado isso com afinco. 

De vez em quando rola uma tristeza porque não faço parte, ou penso que não faço. Mas e daí? O que isso significa afinal? 

Tenho tido grandes prazeres cozinhando, escrevendo, organizando e recebendo gente. Dá um trabalho dos diabos, pode acreditar. Mas é de Deus a recompensa.  Sou capaz de ficar horas e horas pesquisando um vinho, por exemplo, e nem ver o tempo passar, mesmo que eu não vá comprá-lo porque não tenho mais aquele salário...  

Comecei o texto de hoje com a intenção de contar como foi no sábado Lá em casa pra jantar. Derivei. Que bom! Posso fugir da pauta se eu quiser. Posso publicar também, sem crise existencial. Nem sempre foi assim, acho que nem preciso explicar porquê. 

Hoje li o seguinte comentário escrito pela Elaine Pimenta, uma colega queridíssima dos tempos de Amcham: "Claudia, que delícia (as comidas..rs...) e estes momentos de realização que você tem vivido. Cozinhar com alegria, receber as pessoas com sabores e boas energias e empreender. Que você colha muitos frutos (saborosos)."

Que passem os anjos e digam "Amém", Elaine. 


Cris e eu no balanço em Atibaia. 

Bom dia a todos!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

No mês da criança, nossas melhores lembranças

Nós éramos crianças felizes. Na rua da casa da minha avó Angelina moravam a Heloísa, o Celso, irmão dela, o Luíz, a Fernanda e tinha uma enorme população flutuante, de netos de gente muito querida, que vivia de portas e janelas abertas com quintais grandes cheios de árvores com frutas ou canteiros de flores, galinheiros e outras tralhas que viravam casinhas, oficinas, mundos mágicos para pequenos grandes cidadãos como nos pretendíamos um dia. 

População flutuante era o caso dos netos da dona Mariquinha Vieira, filhos da Deolinda e do Espirro: Walace, Fernanda, Adriane e Gisele e os primos deles, filhos da Maria, os gêmeos Júnior (Walter) e Dimas.

Havia também nós: meus irmãos e eu. Tínhamos uma diferença de idade de 3 anos de um para o outro. O Júnior, mais velho, depois a Cristina e eu, a caçula. Embora a diferença de idade não seja enorme, eu era menor e, quase sempre, café com leite nas brincadeiras que eles criavam.  Temos também uma prima, a Rose, filha do meu tio Divaldo, que de vez em quando também brincava conosco lá pelas bandas da casa da minha avó. 

Outros com netos, eram a Dona Carmela e Seu Osvaldo, avó e avô da Ana Isa, do Luiz Fernando e da Ana Lúcia

Na rua, tinha também a casa da dona Gina, que tinha uma neta, a Áurea, filha do Juvenal e da Esmeralda. Fui muitas vezes brincar com ela no balanço, mas a mãe dela a superprotegia e ela não se misturava com as outras crianças na rua. 

Nesse quarteirão da rua do Patrocínio em Itu, a casa da Helô e do Celso era um polo atrativo para as crianças. Como moravam ao lado da casa da avó deles e tinham muitos primos, em dias de festa como Natal,  Páscoa, dia das mães e dos pais, ou aniversário de casamento do seu Bepe e da dona Madalena (que fizeram mais de 60 anos de casados), era lá na casa deles que todas as crianças se juntavam. Os adultos ficavam cozinhando, conversando, jogando dominó, contando piadas e as crianças livres numa casa grande com um quintal que tinha um rancho próprio para todo mundo se divertir.

Eram muitos primos e hoje já não sei todos os nomes. Só consigo lembrar dos que tinham idades próximas das nossas : Isal nasceu no mesmo ano que o Júnior, tinha o Vinicius em seguida, a Renata da idade do Celso e da minha irmã e o Ricardo, um ano mais novo que eu. Eram filhos de um tio. Elza, Estela e Eliana, de outro. Elas também tinham uma diferença entre si de 3 anos, mais ou menos. Mas tinha outros mais velhos, alguns até já  com filhos, esses mais novos que nós, mas que em algum momento também brincamos juntos.

Na casa da minha avó também, de vez em quando, juntava muita gente, muita criança. Apesar de sermos somente quatro netos, tínhamos muitos primos, os netos da tia Matilde, irmã da minha avó eram o Alan, a Raquel e o Renato, filhos do Roberto e da Arlene; a Fernanda, a Paula e a Maria Alice, filhas da Regina e do Zé, e tinha ainda os filhos da Zezé e do Bastião, mas esses eram mais velhos e eu já os achava adultos. A tia Alzira que era irmã do meu avô e mulher do tio Eglio, irmão da minha avó, tinha também duas netas Patrícia e Andreia. E a Alaíde, que é prima da minha mãe tinha uma filha postiça, a Rosana. 

Essa gente toda também ia na casa da Helô e do Celso. Não sempre, como eu, mas chegaram a ir alguma vez. 

Na casa deles também iam a Débora e a Raquel, amigas de escola da Heloísa; o Marcelinho e a Cláudia Bolognesi que moravam na esquina de baixo, mas quase não se misturavam com a gente e o Luiz Antonio, filho da tia Noemi, irmã da dona Géssia, bem como os que eram filhos dos amigos da reunião de equipe dela e do Seu Gildo, como o Mário Lucídio e a Maria Alice, filhos do Sr. José Navarro e da dona Terezinha. 

Basta parar um instante e vem mais alguém na memória. O Marcelo Valente, que era primo dos primos do Celso também baixava por lá pra brincar. Mais tarde, já quase na adolescência, a Luciana, que também morava na rua, mas no quarteirão adiante, também frequentou aquela casa.  

Foi ali que descobrimos inúmeras coisas da vida. Plantamos sonhos, construímos nossas personalidades, disputando e dividindo atenção e espaço. Criamos laços eternos de fraternidade que são indissolúveis porque estão dentro da gente e nada pode mudar. Aprendemos a respeitar os adultos, a comer o que nos fosse oferecido com educação, a não falar de boca cheia, a não brigar sem fazer as pazes, a cair, se machucar, mas levantar logo porque senão a gente perdia a brincadeira seguinte. 

Eu vivi isso tudo intensamente. Confesso que me lembro mais da casa da Heloísa do que da minha quando o assunto é a minha infância. Na minha casa não se escalava a parede do corredor, nem se construía uma farmacinha com os vidrinhos de remédio vazios que tínhamos tomado. Não brincávamos sobre as camas, nem de "O gato mia" no escuro num quarto fechado. Meu cachorro era bravo, mas não fugia pra rua. O Lulu era manso e, de vez em quando, sumia! 

Nesses tempos de criança, a gente inventava muita moda. Só de pincelada na lembrança, sem muito esforço, teve a dança do Zé Pretinho com batucada na lata de óleo Primor; teve festa junina que a gente planejou, montou e os adultos deram a maior força e foi um sucesso total. Teve torneio de ping-pong no qual tinha adulto jogando, disputando, de verdade, com a gente. Teve acampamento no porão em que menina não entrava. Disputamos por lá muito jogo de vai-vém. Tivemos uma fábrica de bonequinhos de gesso. Assistimos muitas aventuras do Sitio de Pica-pau amarelo. Tentamos montar uma peça baseada no texto de "A gorjeta" de uma revista em quadrinhos e eu tinha que ser o tio Patinhas porque ele tinha menos falas e eu ainda não sabia ler.  Teve muita brincadeira de cabra cega que virou nariz sangrando porque eu tinha esse problema, era só encostar que jorrava sangue, ninguém nem se assustava mais. Fizemos vários campeonatos de 21 na tabela de basquete que o seu Gildo fez pro Celso e o Luiz brincarem. Teve festa dos anos 60 com muita Cely Campelo tocando na vitrola emprestada.

Há momentos históricos desses anos como a minha briga com a Helô, quando ela quis me matar com o rodo e o Celso saiu correndo pra chamar a minha avó a fim de me salvar. Houve um episódio que a Cris quebrou a cama da dona Géssia e do seu Gildo, num mergulho monumental. Uma vez também quase fui atropelada de bicicleta, mas entrei na casa da minha avó pálida e silenciosa para ninguém se dar conta. Noutra, a Fernanda quase matou a vizinha de susto abrindo uma caixinha com um dedo todo lambuzado de merthiolate no meio do algodão que escondia o furo interno por onde subia o dedo dela mesma. A mulher não enfartou porque não era hora! 

Nós brincamos de boneca, de médico, de cabeleireira, de costureira, de comadre. Fomos à reza do menino Jesus e nos esbaldamos nas balas e doces que nos davam nessa ocasião. Fizemos muita pipoca juntos, demos risada até doer o estômago e, um dia, quase sem perceber, crescemos. 

Hoje os caminhos são outros. Alguns dos nossos amigos já se foram, por acidente ou doença nos deixaram antes do planejado. Perdemos outros de vista porque a vida é assim, descuidada. Há os que casaram e tiveram filhos. Outros não se casaram, outros não tiveram filhos. Há quem já ficou viúva, há quem já é avó. Sei que uns vivem em Itu mesmo, outros, como eu, saíram da cidade para estudar e, agora só vão pra lá para visitar os pais, embora também alguns já se tenham ido. Da geração dos nossos avós, não restou ninguém, nenhum sobreviveu para se tornar centenário. Agora são vizinhos na rua do Patrocínio no céu. 

Nós, a criançada, é bem raro nos encontrarmos. Algumas vezes nos vemos de longe em ocasiões fortuitas como numa missa de Natal, ou nos despedindo de alguém, batemos um papo breve nalgum velório. 

Certo é que temos um passado em comum, com lembranças distintas reconstruídas de acordo com a saudade e o tempo de cada um. Quando acho alguém no Facebook, por exemplo, fico contente porque abro uma porta para essas boas lembranças. Hoje, vi uma foto de quando éramos pequenos que a Helô publicou. A saudade foi tanta que escrevi esse texto. 

Quem sabe um dia crio coragem e escrevo um romance sobre a sorte. Só pode ser sobre a sorte porque crianças que tiveram o que tivemos são pessoas de sorte. Disso, eu tenho plena certeza. 



Aos meus amigos: Heloísa, Celso, Luiz, Fernanda e à minha irmã Cris, com todo o meu amor. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

As relações de trabalho num país de escravos


Há tempos penso muito sobre como são as relações de trabalho no Brasil. Quem tem emprego segura a cadeira com garras fincadas, como se não houvesse amanhã. Até que um dia, a cadeira leva um pontapé bem dado, as unhas se quebram e a cadeira é chacoalhada para que, em breve, outro empregado, mais barato e mais sujeito a aceitar uma relação de escravidão se sente. Ainda que a cadeira esteja quebrada, é bom dizer, aquele que se sentar nela deve se sentir agradecido, apesar de humilhado, desde que lhe seja pago um salário ao final do mês. 
Com todo respeito aos profissionais que trabalham nas áreas de RH, o que se vive nas empresas e organizações é bem diferente do que se prega ou do que esses profissionais tão bem intencionados almejam. 
Nesse sentido, a cultura da crise constante e do "diálogo" em que um só fala e outro obedece são pontos a favor de quem contrata. Achatar os salários e vilipendiar os direitos do futuro contratado é garantido pelo status quo que lhe será oferecido de estar empregado. Ele deve ficar muito feliz por isso,  claro, porque o país está em crise. 
Já dizia Gonzaguinha quando eu ainda era criança há mais de 30 anos: "um homem se humilha, se matam seus sonhos. Seu sonho é sua vida e vida é trabalho. E sem o seu trabalho um homem não tem honra e sem a sua honra se morre, se mata".  
Só que num país de relações escravocratas como o nosso, trabalho é confundido com emprego e emprego com escravidão, dependência, falta de opção. Por isso, as pessoas se sujeitam às maiores violações como horários e períodos absurdos de trabalho sem horas-extras (sob pretextos de cargos de confiança e de chefia, como gerências ou contratações de livre provimento), humilhações de toda ordem e o tal do assédio moral é muito maior do que o que se alardeia por aí. 
Ultimamente virou moda achar que as pessoas têm que trabalhar de graça ou não ter vida própria, tudo em função do trabalho. São inúmeros os exemplos disso. Trabalhar é bom, mas será que o mundo precisa mesmo de tanta gente empregada desse jeito, digo, nesse molde? 
Tomemos a questão do telefone celular. Ele já foi a um "prêmio" para que o empregado estivesse a disposição. De prêmio em prêmio, a gente ganha mais trabalho por trabalhar bem. Dispensa-se um outro e quem fez um bom trabalho fará o que antes cabia a duas pessoas, três ou mais. Mas, voltando ao exemplo do celular da empresa. Hoje, a empresa ou o órgão para o qual se trabalha (dependendo do lugar pode ser diferente, claro) acaba induzindo o empregado a colocar o seu telefone celular pessoal à disposição. Eu vivi isso, ninguém me contou. Quem pagava a conta? Eu, é lógico! 
Cheguei a comprar uma cadeira e mandei entregar onde eu trabalhava para me sentar num dos empregos que tive porque foram tantas as vezes que pedi para que a minha quebrada fosse trocada  que desisti. Resolvi ser feliz e cuidar da minha coluna, já que eu permanecia sentada a maior parte do tempo para realizar o meu serviço.  
Num bom mundo, eu pensava, quando nos dirigíssemos a uma entrevista de emprego, especialmente quando com quem fôssemos conversar era um presidente ou diretor de empresa, deveríamos ter a expectativa de que ambos estivéssemos nos conhecendo. Os dois lados tenderiam a encontrar os pontos positivos de cada parte envolvida para que o relacionamento se tornasse duradouro e eficaz. Uma relação ganha-ganha.  Mas não é assim que acontece. O mundo não é bom.
O comportamento esperado pelo empregador é que o pretendente à vaga ofereça todos os seus melhores préstimos, apresente as suas mais altas patentes, comporte-se dentro do padrão estipulado (que ele deve adivinhar qual é ou ler nos manuais de RH), nunca pergunte nada, nem qual é o cargo, nem o salário (porque parece que isso não se discute). Ao contrário, aceite o que lhe foi informado e, mais que isso, se sinta agradecido por ter sido recebido.  Dificilmente, muito dificilmente mesmo, ele receberá algum tipo de retorno, caso não seja a pessoa escolhida pela empresa. 
Oras, isso não é o século 21, é? Sim. é. 
Eu trabalho muito, todos os dias. Desde que deixei de ter um emprego formal recebi várias propostas de emprego, algumas para desempenhar a mesma função no mesmo lugar em que eu já trabalhava para ganhar menos da metade do que ganhava. Em outros, e foram pelo menos três, para trabalhar completamente de graça. Sem receber um só centavo. Parece absurdo? Mas, veja quanta vantagem eu teria: eu estaria pondo o meu nome à vista e dizendo ao mercado que trabalhava naquela organização. "Afinal, você não está fazendo nada mesmo..." Quem fez, sabe que fez, nunca vou precisar dar nome aos bois. E quando fez, acreditava e sentia que me estava fazendo um favor.  Isso é que é realmente triste: as pessoas acreditam que devem agir assim e pronto.  
Nunca alguém que me entrevistou me perguntou se eu achava que ia gostar de atuar ali, se me via feliz naquele ambiente ou se estava confortável naquela "roupa de firma" que vestia para fazer entrevista.  E olha, eu já tive um guarda-roupa repleto de ternos e roupas sociais de trabalho. 
Tudo é um jogo de grandes mentiras bem contadas. O jogo não permite cabelos sem tintura, unhas por fazer, roupas meio baratas. Risada de verdade, nem pensar. Algum tipo de afetuosidade, muito menos. A sinergia é uma grande encenação. Que pena! Podíamos todos ser mais felizes.  Por que não mudamos? 
Eu penso num mundo mais justo. Minha atitude pessoal está de acordo com os meus valores e é voltada para isso. Eu gosto muito de trabalhar. Gosto de gente, de conversar, de me doar ao que faço de corpo e alma. Sou totalmente hands on, seja qual for o trabalho a ser feito. Só que gosto também da minha casa, de ficar com o meu marido, um pouco de ópera, de cinema,  de cozinhar, de planejar férias e de fazer nada. No meu tempo, mando eu. Isso porque, uma vez assumidas as minhas responsabilidades, ninguém precisará cobrar nada de mim. Eu as cumprirei com rigor e disciplina e muita humildade. 
Um dia eu estava no trabalho, esforçando-me muito para atender da melhor forma o meu interlocutor que insistia em gritar comigo. E ele, que tinha costas muito quentes,  se saiu com aquela conhecida e rude ameaça do outro lado da linha:
- A senhora sabe com quem está falando?
Ao que respondi prontamente.
- Acho que você (era uma pessoa da minha idade) está em vantagem porque eu não faço a menor ideia de quem você é, embora você pareça saber bem quem eu sou.
Nem preciso contar que essa pessoa me perseguiu por muito tempo.  Fez da minha vida um inferno. Mas em vez de culpá-lo eu penso que, de fato, eu é que deixei que ele fizesse porque queria ter um emprego. Mas um dia a gente muda, cria coragem e muda. 
Como há muito tempo já cantava o Lulu Santos: "eu vejo um novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera com habilidade para dizer mais sim do que não". Para isso é preciso um pouco mais de amor e consciência, é preciso mais respeito e consideração com o outro. É preciso empatia, ou seja, se por no lugar do outro. Abrir o coração.  É preciso sinceridade e honestidade (de verdade) nas relações de trabalho.  
As relações de trabalho num país de escravos é a que cultivamos todos os dias em ambientes bem doentes de empresas e organizações tão doentes quanto. Quem faz isso com a gente? A gente mesmo. 
O ser humano é um bicho que precisa mudar pra melhor, mas ainda há de dar tempo. 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Pós-evento

O pós-evento - Nos bastidores do Lá em casa pra jantar


Como prometido, hoje vou direto ao pós-evento porque essa é uma etapa que, normalmente, os participantes e, muitas vezes até, os organizadores esquecem que existe, mas que é super importante. Para quem quer saber sobre como foi evento, ontem, contei um pouco e até publiquei a receita da salada. 

Para quem acha que depois de servido o cafezinho num evento é só dar tchau e tudo acabou, não é bem assim que a coisa rola, não. Aos da organização, ainda há muito o que fazer, em especial se a sua intenção é ter continuidade no mesmo tipo de ação dali a um tempo. 

Fora a louça a ser guardada, toalhas a serem lavadas e as mesas desmontadas, numa atividade como um jantar do Lá em casa, a observação atenta de cada item que compôs a trajetória do evento é relevante. 


A memória da organização de um evento é importante porque por meio dela é possível prever o que será necessário numa próxima vez. Me lembro com carinho das meninas da área de logística de eventos da Amcham que, tão logo o evento terminava para o público, faziam uma pasta para arquivo contendo desde o briefing, modelo do crachá, notas fiscais, ordens de serviço até a avaliação do evento já fechada. Com isso, cada vez que um novo briefing chegava, caso houvesse similaridade, aquela pasta serviria para auxiliar e encurtar caminhos com fornecedores, modelos etc. 



No Lá em casa pra jantar, eu não tenho tanta organização assim, nem é preciso. Mas, sabe aquela cena de novela, que no dia seguinte de uma estreia ou de uma festa de alguma socialite, logo de manhã, as personagens tomam café lendo o jornal e comentando o que repercutiu? Pois é, em tempos de mídias digitais é isso que ocorre também num evento pequeno e intimista como o de sábado. Só que é preciso trabalhar para haver divulgação porque não é novela! 

Durante o evento, a Fabíola postou fotos no Facebook que já deram uma ideia para as pessoas que não estavam presentes de como foi. No entanto, no domingo, eu fiz uma seleção de fotos e postei no site, no blog, no Instagram, no Face...  

Outros pontos importantes são os agradecimentos e os depoimentos de quem participou, o fechamento das contas e, claro, a rapa das sobras... o que é uma delícia: terrine de castanhas, bolo de amêndoa, queijos, ai... é tudo! 

Tem também uma coisa que ninguém fala, mas é a ressaca do evento. Não a ressaca da bebedeira, mas a da intensa preparação de tantos dias que, tão logo o jogo ocorre, acaba! O que fazer com o vazio?  

Quando se tem alguma experiência no assunto, já se sabe que tudo logo começa de novo. Além disso, ainda tem textos pra escrever, fotos para melhorar, ideias de parcerias para implementar, receitas desenvolvidas para registrar, e, principalmente,  anotações de melhorias para fazer, guardar e usar da próxima vez. 

Quem me conhece sabe que eu, apesar de jornalista blogueira metida a cozinheira, sou "eventeira". Escrevo sobre o assunto porque acho apaixonante e para não perder a mão e organizar as ideias. Dia desses hei de publicar tudo isso de um jeito bem organizado, com direito a orelha, nota de rodapé e prefácio. Então é por isso que aproveito para ir treinando tudo isso por aqui. 

Beijos carinhosos aos meus amados leitores, gostaria de vê-los um dia Lá em casa pra jantar. 

Até mais!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Balanço de um mês

Lá se foi janeiro de 2015.

Cheio de novidades antigas, decisões retomadas, emoções de toda natureza. Já rolou tanta coisa que parece que foi um ano e não um mês.

Amigos se foram em despedidas breves de "logo nos encontraremos de novo".  Em outras,  não tão breves, que nos fazem acreditar que a vida é uma grande roda viva, cheia de encontros efêmeros, mesmo que eles tenham durado anos.

Janeiro de preparação para o ano todo, de dias quentes e com pouca chuva nesse "mais um" ano de estiagem preocupante aqui na região. Mês de propostas de trabalho não concretizadas, de contratos não assinados, de esbarrões em voltas ao passado, de uma pintura nova na lousa da minha cozinha, de pequenos consertos que levam anos para serem decididos e horas para serem realizados.

Teve um "grande dia", o de levar a Paula para o aeroporto, abrir a portinha da gaiola e deixá-la passarinho voar...

Testei novos preparos culinários. Mudei a cara do blog. Escrevi trechos ainda não publicados.  Encontrei amigos queridos e outros, desencontrei. Namorei bastante o Silas, vimos filmes bons e ruins no cinema e na TV, cozinhamos e comemos juntos, festejamos cinco anos juntos, mais que unidos, apaixonados.


Nos últimos três dias do mês, rolou uma super faxina no barracão do quintal da casa da minha avó Leonor e meu avó Agnelo, que hoje é da minha mãe. Há anos, qualquer que fosse a necessidade, depositávamos ali tudo o que não queríamos mais, mas tínhamos dó de jogar fora. Saldo de reformas feitas em diversas casas, minha, da Cris, do Júnior, da mudança dos meus pais do sobrado para casa da rosa no jardim, por lá ficaram louças de banheiros, pias de cozinha, armários, estantes, mesas, livros em caixas, pisos e azulejos em estoque para o caso de precisar de um conserto.

Mexer naquilo tudo, tão cheio de pó, de memórias e histórias, umas lembranças vivas, claras, brilhantes, outras meio embaçadas, até construídas, quem sabe, além de um trabalho braçal árduo, foi uma lição de como nos iludimos acreditando que ao guardar objetos podemos preservar o passado. São, sem dúvida, ícones que nos ajudam a acessar o que temos na gente, o que sentimos em relação à vida que tivemos. Mas é só isso! Se não tem carinho na gente, é só mais uma coisa para jogar fora.

Quando decidi fazer a limpeza, pedi para a Bruna me ajudar. Não poderia pensar em alguém mais apropriado para executar essa tarefa comigo. Foi ela quem, por fim, mais trabalhou para deixar tudo organizado.

Teve ainda a ajuda indispensável do Rafael e do Sr. Wilson. A água que a Giovana nos levou e a comidinha pronta da minha mãe nos intervalos.

Dispensamos uma caçamba inteira de lixo, móveis estragados, badulaques meio quebrados e em desuso há mais de vários anos. Preservamos o que entendemos que devia ser preservado: cadernos de recordação de quando entramos na escola, diários que registraram o cotidiano de vidas tão especiais para nós, ferramentas que nunca se estragam porque têm qualidade (já não se fazem ferramentas assim, agora são descartáveis). Reutilizamos coisas, categorizamos, limpamos e arrumamos o quanto foi possível.  Vamos ver quanto tempo dura a organização... rsrsrs Se for pouco é porque haverá gente usando o espaço e assim ele será novamente vivo, como foi quando o vô Nelo fazia vinho ali, quando a tia Neide morou ali por uns dias ou quando meu pai fez a arrumação dele junto com a minha mãe anos atrás.

Missão cumprida.

Voltei para São Paulo porque a Nina estava aqui sozinha, presa no apartamento, esperando companhia. Ter um gato é assim. Os bichanos não nos pedem nada, mas sabemos o que temos que fazer por eles.  Eles nos ensinam a amar de verdade.


E assim fevereiro começou. Não vejo a hora que o Silas chegue de viagem porque estou cheia de saudades.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O primeiro desafio de 2015

O primeiro post de 2015 é um desafio interessante que recebi e me fez por alguns dias pensar no blog. Embora eu sempre pense no blog e nos leitores.  

Antes de qualquer coisa, vocês repararam que nesse período de férias o Blog da Gavioli mudou de cara? Que mudei a minha foto por uma nova e que o fundo original (com estantes de livros) deu espaço para um cozinheiro pedalando uma bike toda linda e bebendo vinho? Astral de férias... Que delícia! 

Agora estou de volta aos afazeres e sinto que estamos começando bem. Com muita alegria!


O desafio


Fui convidada pelo amigo-irmão, José Paulo Pitombo, do blog Falando e Andando, que foi desafiado por outra pessoa, numa corrente blogada legal, a falar um pouco sobre o meu blog, por meio duma enquete. 
Ao final, desafiarei outra blogueira, e assim será, até o infinito.



Zé Paulo Pitombo, brindando comigo, no dia do meu casamento com Silas

















O que te fez criar o blog e escolher este nome?

Escrevo há anos, mas não publicava, deixava guardado. Em 2014, devido a mudanças na vida, decidi publicar textos que de alguma maneira pudessem acrescentar algo à vida das pessoas que os lessem, tanto por trazerem uma informação nova, uma receita de bolo, sugestão de livro, filme ou espetáculo ou simplesmente pelo fato de que quando escrevo deixo fluir emoções que me são muito caras e verdadeiras pra mim. 
O nome se deve ao meu sobrenome que é Gavioli. 

Em que te inspiras para escrever os posts?

Em sentimentos que transbordam ou em atividades cotidianas, novidades que aprendo... Considero o ato de escrever um treino para melhorar minha capacidade de comunicação. Conforme escrevo vejo que há muitas maneiras de expressar um pensamento. Quanto mais delicada é a forma que encontro para dizer algo, mais feliz eu fico. Por isso, tenho particular dedicação em escrever palavras amáveis, dicas leves, impressões positivas, tentando sempre evitar comentários inúteis, frios e grosseiros, sem ser tola. 

Você tem algum sonho grande para seu blog?

Sim. Gostaria que fosse lido por muita, muita gente. Gostaria de ser uma agente das boas palavras tentando melhorar o mundo que anda meio assim-assim-não muito bom.

O que diria o blog acerca de ti se pudesse falar?

Diria que sou pretensiosa, mas consistente. 

Já teve algum stress por causa do blog (privacidade, comentários negativos-ofensivos, fofoca etc.)? Se sim, como reagiu?

Não tive stress negativo. 
Tive estímulo e ajuda de algumas pessoas, como a Tati Bueno, que me ajudou desde o primeiro dia do blog, e da Cris, minha irmã, que todos os dias compartilha o que eu escrevo, mesmo que ela mesma não tenha lido! Algumas reações emocionadas de pessoas em virtude de textos também muito emocionais pra mim...  No mais, recebo muitos comentários delicados e alegres, outros cheios de humor, bem como consultas sobre esse ou aquele assunto sobre o qual escrevi. Ah! e alguns palpites que não foram pedidos, mas são bem-vindos. 

Agora, convido a dar continuidade nesse desafio-corrente-pró-blog a  Cath, do Blog Utensílios, de quem sou leitora assídua e admiradora. O blog dela me inspira e as dicas também. 

Obrigada! 

Que 2015 venha cheio de desafios e novidades!