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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Farofa de Ovos e Bacon

Hummmm... Só de pensar em farofa, eu fico com vontade!

Sábado foi a comemoração do aniversário do André e, como eu já contei noutro post, ele me pediu uma ajudinha com as comidas que acompanhariam o churrasco.

Um dos pratos que decidimos fazer foi uma farofinha muito prática e que fica mega saborosa. Pode ser feita com farinha de mandioca ou com farinha de milho amarela ou branca. Eu prefiro, especialmente para acompanhar carne de churras, que seja feita com farinha de mandioca torrada. É fácil de encontrar, custa barato e ainda ajuda aos que não podem comer glúten, já que mandioca "pode"!

Primeiro passarei a receita, depois dicas de variações e usos.


Farofa de ovos e bacon
(rendimento: 25 porções)



Ingredientes

10 ml ou um fio de azeite extravirgem
300 gramas de bacon cortado em cubos ou retângulos pequenos (não mais de 15 mm de lado)
2 cebolas médias cortadas em brunoise*
5 ovos
500 gramas de farinha de mandioca torrada
1 xícara (chá) de cheiro verde picadinho (salsa e cebolinha)
sal e pimenta do reino o quanto baste







Modo de fazer



Leve ao fogo numa panela alta o azeite e o bacon. Frite até que o bacon solte quase toda a gordura. Tire do fogo, escorra o bacon com uma escumadeira e reserve. Na gordura quente que restar do bacon que foi retirado, coloque a cebola e leve ao forno até dourar. Solte então os ovos, um a um sobre a cebola. Quando as claras estiverem coagulando, mexa com um garfo para que o ovo se espalhe e cozinhe por inteiro. Acrescente então a farinha e o bacon. Tempere com sal e pimenta e deixe mais alguns segundos no fogo, mexendo para não grudar na panela, mas para que a farinha fique mais torradinha e pegue o sabor dos demais ingredientes. Desligue o fogo e acrescente o cheiro verde.
Deixe esfriar um pouco antes de servir.

Essa farofa acompanha muito bem carnes grelhadas e assadas. Se for servida numa composição com banana da terra cozida ou em purê, fica uma delícia.

Menus que levam farofa devem ter o cuidado de serem compostos também com algo menos seco, por exemplo: feijão (com caldo) e arroz, ensopados bem encorpados do tipo goulash, carnes de panela com molho de cebola,  purês, especialmente de abóbora,  creme de milho... enfim, há uma infinidade de possibilidades. Experimente criar a sua composição de menu. É um exercício interessante para o cérebro.

Caso entre seus convidados haja vegetarianos, essa mesma receita pode ser adaptada usando, por exemplo, abobrinha ou chuchu em lugar do bacon. Tomate sem pele e sem sementes também funciona bem, mas com ele, muita atenção, porque, se ficar muito tempo no fogo, vira molho e o que se quer aqui são os pedacinhos úmidos do tomate (que também deve estar firme, para isso, pode-se usar tomates verdes fritos).  No entanto, em qualquer dessas substituições, se deve aumentar o azeite porque o bacon é responsável por dar umidade ao preparo. Farofa muita seca não é fácil de ser comida, é prudente lembrar!

Farofa é tudo de bom. Por isso, ainda pretendo falar delas por aqui. Farofa de miúdos de peru, por exemplo, é uma das minhas preferidas. Minha mãe é expert nesse assunto. Fica pra outro dia.

Apesar de ser um prato muito saboroso, essa farofa é bem calórica porque leva gordura tanto dos ovos quanto do bacon. De modo que o consumo deve ser parcimonioso, ou seja, sem excessos! Comer, sim, envenenar-se por exagero, não!

Boa semana!

No jardim de casa em pleno outono

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Cogumelos apimentados


Ontem, prometi que hoje publicaria mais comidinhas de festa junina, mas vou pedir licença e escrever sobre um prato muito especial que estou preparando para comemorar o Dia dos Namorados: cogumelos apimentados.

Esse é um prato diferente, não parece comida do dia a dia. Além do que é afrodisíaco! rsrs Nada mais adequado para um encontro romântico para festejar uma data especial.

A palavra afrodisíaco é uma derivação de Afrodite, a deusa grega do amor. Diz-se que é afrodisíaco o que excita e dá energia sexual.

São vários os alimentos considerados afrodisíacos, entre eles, as ostras, o chocolate, o amendoim, o gengibre, o manjericão e as pimentas.

No caso da pimenta, que é um ingrediente  da receita sugerida para hoje, ela é um alimento termogênico, ou seja, acelera o metabolismo (também ajuda no emagrecimento) e dá aquela sensação de aquecimento no corpo. Talvez seja por isso a pimenta seja considerada afrodisíaca.

Pra mim, o cuidado, o carinho e o amor ao cozinhar são elementos efetivamente afrodisíacos, muito mais do que os ingredientes que vão nas comidas. Mas em caldeirão de bruxa, uma pimenta é sempre bem-vinda! Para quem cozinha, os temperos são elementos importantíssimos para dar o sabor do amor que sentimos pelas pessoas.

Não sei cozinhar sem pimenta. Inclusive, quando cozinho junto com a minha mãe ou com o Silas, pergunto sempre: mão de Cláudia na pimenta?  Aqui em casa, ela é recorrente, seja a do reino, a calabresa, a síria, a branca, a camari, a malagueta, a rosa, a preta ou a dedo de moça, a grande vedete do prato de cogumelos pensado para esta noite.

Mas é preciso equilíbrio na hora de servir. Se o uso da pimenta for exagerado, tudo desanda. Não fica agradável. Então é preciso compensar o prato. A seguir a receita do cogumelo e algumas dicas sobre como melhor servi-lo.

Cogumelos com pimentas em redução de vinho branco
(para duas pessoas)

Ingredientes


foto: blog confraria dos chefs

400 gramas de cogumelos de sua preferência (shimeji, shitake, cogumelo paris, portobelo)
2 colheres (sopa) de manteiga sem sal
100 ml de vinho branco (sugestão Chardonnay)
1/2 litro de caldo de boa qualidade (frango, legumes ou carne)
4 colheres (sopa) de salsa picada
sal, pimenta do reino e pimenta calabresa a gosto
1 pimenta dedo de moça picada sem as sementes




Modo de fazer

Limpe bem os cogumelos com uma escovinha de cozinha. Não se deve lavar os cogumelos, apenas limpá-los. Corte-os em fatias. Se for usar o shimeji basta "desfolhar" os ramos.
Numa panela que possa ir ao forno, leve ao fogo na boca do fogão uma colher de manteiga.  Logo após derreter a manteiga, retire a espuma que se forma. Isso fará com que ela se torne "ghee" (pronuncia-se gui) ou manteiga clarificada.
Acrescente os cogumelos limpos e cortados e deixe-os refogar por alguns minutos. Acrescente o vinho branco, a salsinha e as pimentas. Quando sentir que o álcool do vinho já se evaporou, acrescente o caldo, abaixe o fogo e deixe reduzir por cerca de 10 minutos.
Acrescente a outra colher de manteiga e leve a panela ao forno. Deixe reduzir por completo o caldo, o que vai demorar cerca de meia hora.

Sugestão: enquanto o preparo ficar no forno, aproveite para fazer um pesto de rúcula e dois ovos pochê.

Sirva num prato fundo da seguinte maneira: cogumelos embaixo, ovo pochê e, por cima, o pesto de rúcula. Ao lado do prato, ajeite pão cortado, de preferência, rodelas largas de uma baguete com gergelim. (Amanhã eu insiro a foto do prato montado).


Para o dia dos namorados, um espumante branco pode ser servido para abrir o apetite. Junto com o prato, um vinho branco, que pode ser também um Chardonnay, com já foi sugerido para o preparo do prato, ou um tinto leve, como um Pinot noir vão harmonizar direitinho.


Não esqueça de uma arrumação delicada na mesa, com flores e velas, se gostar. Use a louça mais bonita, seja ela a divertida ou uma mais elegante Guardanapos postos com algum detalhe, do tipo um lacinho de fita dão um ar cuidadoso. Talheres bem limpos e sem marcas de dedos são um detalhe relevante, mesmo que sejam simples.

Todo casal tem uma música. Que tal por pra tocar?

Divirta-se com seu amor no Dia dos Namorados! Beije muito, demonstre o seu melhor sentimento. Tenha atenção com quem ama. Isso, sim, é afrodisíaco...

Ah! Uma dica -  Se não tiver namorado ou namorada,  nem pense em lamentações. 12 de junho é também o Dia dos Solteiros. Saia com os amigos, vá pra balada ou faça em casa a noite dos solteiros. A mais divertida que puder. Amar a si mesmo é o primeiro grande passo que se dá para poder ser amar e ser amado por alguém.

Eis o prato montado, como prometi!


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Caponata




Esse é um prato típico italiano, da região da Calábria ou da Sicília, feito com berinjela, pimentão, azeite e cebolas. Há muitas variações sobre a forma de executá-lo e também quanto aos ingredientes usados. Por exemplo, ao fazer há quem frite a berinjela em imersão de óleo antes de juntar os demais ingredientes, há os que fazem no forno, tem também quem não cozinha a berinjela, deixando que ele fique curtida em vinagre e ainda outras formas, como desidratá-la em sal refinado. 

Em relação aos ingredientes, o tomate entra em algumas receitas, alcaparras em outras, azeitonas variam entre pretas ou verdes, quanto aos pimentões, as cores são à escolha do freguês: verdes, vermelhos, amarelos, laranja e até roxos. As uvas passas, às vezes, aparecem nos preparos, o que lhes dá um toque especial. 

Os cortes também variam: cubos, fatias largas, retângulos, lascas, e até ralados os ingredientes podem ser usados. Tudo isso com berinjelas descascadas ou com casca. 

No próximo sábado, dia de Santo Antonio, o André vai comemorar seu aniversário e me pediu para fazer uma caponata para o antepasto, já que o menu do almoço será churrasco. Muita carne como gostam os brasileiros... Assim, uma opção sem carne para a entrada é muito bem-vinda. 

A caponata pode ser servida como antepasto com pão ou torrada e como guarnição  vai bem ao lado de uma farofa e de uma carne assada ou grelhada. Normalmente, é servida fria porque depois de pronta, com alguns dias de refrigeração, incorpora muito mais o sabor. Mas, se tiver pressa, pode degustá-la quente mesmo. 

Com frequência tenho esse antepasto de berinjela na geladeira. Ele me salva nos lanches da noite, nas entradas de alguns eventos inesperados aqui em casa e fica ótima para acompanhar um rápido cuscuz marroquino temperado apenas com castanhas e frutas secas. 

Não é difícil de fazer. No entanto, o sabor, neste caso, é mais do tempero de cada pessoa do que da execução do prato. 

Eu faço caponata há anos e já tentei todas as variações mencionadas acima, tudo depende da minha inspiração e, mais que isso, do meu público. Dependendo de para quem será servida, exige alguma adaptação. 


Caponata di melanzane (antepasto de berinjela)



Ingredientes

1 dente de alho
100 ml de azeite extravirgem

Obs.: os próximos cinco ingredientes devem ser cortados em julienne*

2 cebolas médias cortadas 
1/3 de pimentão vermelho  
1/3 de pimentão amarelo 
1/3 de pimentão verde
2 berinjelas

3 colheres de alcaparras
1/2 xícaras de azeitonas verdes picadas em brunoise**
30 gramas de uvas passas escuras e brancas

Temperos:  sal, pimenta do reino, pimenta calabresa, orégano, salsa e cebolinha



Modo de preparar: 

Refogue o alho e a cebola em metade do azeite. Quando a cebola já estiver caramelizada, acrescente os pimentões e refogue por cerca de três minutos. Junte as berinjelas e deixe no fogo, mexendo de vez em quando, até que fiquem al dentes. Tempere com sal, pimentas, orégano, salsa e cebolinha, Depois acrescente as alcaparras, mexa e em seguida desligue o fogo. Acrescente as azeitonas e as uvas passas. Regue com o restante do azeite e feche a panela. Deixe descansar por no mínimo cinco minutos. 
Depois de esfriar, leve à geladeira em recipiente de vidro tampado. 

Sirva no dia seguinte. 

* julienne - tiras de 4 a 5 cm de cumprimento 
** brunoise - cubos de 3 x 3 mm



Esse preparo, em geladeira, dura até dez dias. Mas, sempre observe se não há algum sinal de fungo antes de servir porque não é um preparo no qual se coloca qualquer ingrediente conservante. 

A caponata do André já está pronta para ir à geladeira. Se for preciso, até o momento de servir, pode ser feita alguma correção no sabor. Espero que tenha fica gostosa e que ele fique feliz. 

No mais, é só amor! 

Até amanhã, quando volto com mais uma receita de festa junina. 

Aquele abraço carinhoso.  

terça-feira, 2 de junho de 2015

Crumble de banana


De vez em quando rola uma coisa comigo. Eu penso que quero fazer determinada comida que nunca fiz e até que não faça não tenho sossego. Foi assim com o tal do crumble.  

Eu já tinha comido essa sobremesa e me lembrava que era algo muito crocante, mas não tinha exatamente certeza de sua natureza, se era uma torta, uma farofa ou mesmo um recheio crocante. 

Uma das traduções da  palavra crumble (pronuncia-se crâmbou) é esmilhagar. No entanto, na minha interpretação do doce acho que é uma reconstrução do que está esfarelado, mantendo a crocância. Está ficando difícil? Acho que isso já é explicação demais. 


Crumble é um prato doce de origem britânica, feito de compota de frutas picadas cobertas com uma mistura de gordura,em geral, manteiga, farinha e açúcar, assado até que a cobertura fique crocante. Muitas vezes, é servido com creme, nata ou sorvete, como uma sobremesa substanciosa após uma refeição quente.   Fonte: Wikipedia

O negócio é o seguinte: crumble é uma sobremesa, fácil de fazer, rápida e que pode ser muito saudável. Anda na moda porque pode ser feita com farinha integral, aveia e açúcar mascavo, além de frutas diversas, o que, fora a manteiga, o faria uma sobremesa perfeitamente vegana. Mas tem a manteiga! 

No domingo à noite, eu estava no carro voltando pra casa e comecei a pesquisar no celular uma receita que eu gostasse de crumble. Você também tem isso? Pois eu, quando decido fazer determinado preparo, procuro e leio inúmeras receitas. Aí, escolho a que mais se parece com o meu jeito de lidar com a cozinha. Dificilmente assumo a primeira receita que encontro. Além disso, eu ainda faço adaptações. Sempre! Não existe a menor possibilidade de que eu siga à risca uma receita. Quase sempre dá certo. Deve ser por causa do instinto cozinheiro que eu já tenho comigo desde pequena. 

Nessas variadas receitas que encontrei, a ideia era quase sempre a mesma: uma fruta como base (banana, maçã, pera, manga) e uma farofinha feita com açúcar, manteiga e farinha de trigo. Forno ou frigideira aquecidos e pronto. 

Vamos à receita e o modo de fazer  que eu adotei e deu certo.  Ficou bem gostoso. 


Crumble de banana


foto: http://www.handpickedhotels.co.uk/


Ingredientes


Quase não sobrou pra foto!
6 bananas nanicas descascadas cortadas em rodelas de mais de um centímentro
1/2 colher de canela em pó
4 castanhas do pará cortadas em pedaços
30 gramas de uvas passas brancas sem sementes
1/2 xícara (chá) de açúcar mascavo
2/3 xícara de farinha de trigo
2/3 xícara de aveia em flocos
2 colheres (sopa) de manteiga sem sal gelada



Modo de preparar

Unte com manteiga uma forma refratária ou ramequins* (caso queira fazer porções individuais). Polvilhe a canela no fundo e distribua as rodelas de banana, as castanhas e as uvas passas sem sementes.  Em outra tigela, misture o açúcar, a farinha e a aveia e acrescente pedaços da manteiga gelada. Misture com as mãos, sem deixar que os pelotinhos de manteiga se desfaçam completamente. Transforme esses ingredientes numa farofa que será polvilhada sobre as bananas, escondendo-as por completo. 
Leve ao forno pré-aquecido em 200 graus por 30 minutos. 

*ramequins


Sirva quentinho com sorvete, com iogurte ou com creme, de preferência o creme azedo (sour cream). 


***

Eu nunca tinha feito, mas fiquei fã. Agora vai ser um tal de crumble de tudo quanto é fruta aqui em casa... Já estou aqui pensando como deve ficar bom com figo... E aí pode-se substituir a castanha do pará por pinhole. Também imaginei colocar um pouco de farinha de amêndoa junto da farinha de trigo e usar parte de farinha integral... Fiz mil viagens no doce. 

O fato é que o crumble pode salvar as bananas que quase estão se estragando na fruteira, assim como salvar você numa situação em que não tem nenhuma sobremesa e chega visita, mas tem alguma fruta dando sopa por ali. É só sentir a textura da fruta e pensar na adaptação necessária quanto à quantidade de açúcar e o tempo de forno.

Entende agora porque eu nunca sigo a receita ipsis litteris? Essa sou eu! 

A propósito: acho que colocar uma pimentinha no crumble pode dar um belo realce no sabor. 

Que tal tentar? Vai que dá certo...

Até amanhã. Tem feriado chegando aí... Pé na estrada ou um bom livro novo para fazer companhia, um friozinho e umas comidinhas gostosas. Que mais a gente quer da vida, hein?! Eu, nada! Ah! Acabo de ler na internet: o Blatter renunciou! 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Sardinhas assadas, ratatouille e inhame no forno

Post número 200


No sábado, fui à feira da Rua Morato Coelho em Pinheiros. É a minha feira de São Paulo, ainda que eu não more mais por aquelas bandas. Morei naquele bairro por mais de 16 anos. Pra mim, não existe lugar melhor pra viver em São Paulo. Eu morro de saudades!

Então, de vez em quando, lá vou eu dar uma olhada no que está acontecendo na Vila Madalena e arredores. Uma boa desculpa para andar nas ruas durante o dia é inventar de ir à feira.

Gosto tanto da barraca do japonês que vende shimeji, shitake e cogumelos, que me nego a comprar esses itens em outro lugar. Toda vez que quero fazer uma receita que precise de um desses fungos me desabalo de Higienópolis para Pinheiros para comprar.

No entanto, no sábado, quando cheguei já não tinha mais os que gosto. Nem por isso perdi a viagem. A feira já estava no seu último quarto, mas tinha coisas ótimas para comprar, com preços muito bons. Foi o que me fez, apesar do peso que tive que carregar, comprar pimentões verdes, amarelos e vermelhos, abobrinhas, berinjelas e dois pacotes de inhame. Tudo isso por apenas R$ 5,00. Sim! Só cinco reais. E não foi só. Quando já estava quase indo embora passei pelo peixeiro e decidi comprar sardinhas. Hummmm que delícia! Adivinhe quanto paguei meio quilo de sardinhas limpas? R$ 5,00. 

Total do que gastei na feira no sábado: dez reais. 

Há muitos dias, desde antes da Páscoa,  eu estava querendo fazer sardinhas assadas. Só que nunca tinha feito anteriormente. Mas, sabe aquela intuição de que vai ficar incrível que bate de vez em quando? Pois é, eu estava com ela. E não deu outra!

Saindo da feira fui visitar um casal de amigos queridos no meu antigo prédio na Cônego. Dei só uma passada para pegar umas correspondências que ainda são enviadas pra lá e acabei entrando para ver a Pris e o Alex. Fiquei quase duas horas por lá, no maior papo. Também, fazia tanto tempo que a gente não se via que duas horas deram só para começar a conversa. Que gostoso ter amigos assim tão afáveis. Gente que está na sua vida sem cobrar nada e você na deles do mesmo jeito. É só amizade, um prazer enorme de se ver e sempre torcer para que o outro esteja bem e feliz. Prezo muito isso! Não tem muita coisa maior que isso nessa vida. Amor. Seja lá de que forma venha: família, amigos, filhos, bichos de estimação, livros...

Quando já tinha rolado papo a beça meu telefone tocou. Era o Silas que já estava voltando da pedalada (ou do "pedal" como ele diz). Aí resolvi ir pra casa para fazer uma comidinha pra gente. 

Eu já tinha todos os ingredientes na sacola. Era só chegar em casa e executar e foi o que fiz. 


Ratatouille 





Prato rústico típico da região de Provença na França, desde quando surgiu no século 18. Versátil e fácil de fazer, pode ser servido quente ou frio, como prato principal ou acompanhamento.  Na versão original leva tomate obrigatoriamente. 






Ingredientes

1 cebola cortada em folhas finas
1 pimentão amarelo grande
2 pimentões vermelhos médios
4 pimentões verdes pequenos
2 berinjelas pequenas 
2 abobrinhas médias
1/2 xícara (chá) de azeitonas verdes recheadas
1/2 xícara (chá) de azeite de oliva extravirgem ou o  quanto baste

Para temperar: sal, tomilho, orégano, salsinha, pimenta do reino e pimenta calabresa

Modo de fazer

Corte em cubos similares os pimentões, a abobrinha e a berinjela. 
Por ordem, refogue primeiro o pimentão verde com a cebola em duas colheres de azeite, depois acrescente os demais pimentões. Quando já estiverem exalando seu odor característico, acrescente as abobrinhas e as berinjelas. Refogue tudo até que fiquem com textura al dente. Tempere com os ingredientes sugeridos e ao final acrescente as azeitonas. Desligue o fogo, regue com o restante do azeite e tampe por pelo menos cinco minutos.  Fica melhor se for servido frio. 

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Sardinhas assadas


Lave as sardinhas com água, retire algum excesso de espinhas e pingue o suco de meio limão. Revista uma assadeira com papel alumínio, arrume todos os peixinhos lado a lado, por cima polvilhe sal grosso e um fio de azeite. Direto para o forno a 230 graus, Asse até que estejam crocantes ou no ponto que preferir.  
Retire-as das assadeira uma a uma, batendo levemente para que saia o excesso de sal. Sirva imediatamente. 



Sobre a sardinha - Está aqui um alimento de excelente qualidade: rica em ômega 3, tem mais cálcio que o leite e mais proteínas que a carne bovina.  É fonte de vitaminas D, que ajuda na absorção de cálcio e de fósforo, e B12 que protege o cerébro. 


Inhame no forno 




Retire a casca do inhame, lave bem e corte em pedaços do tamanho de um bocado. Leve-os ao forno temperados com sal grosso, um fio de azeite e tomilho fresco por 30 minutos contados no relógio. A cada 10 minutos, abra o forno e movimente os pedaços para que todos assem e dourem igualmente. 





Sobre o inhame - Importante para o sangue já que é rico em vitamina B6, tem potássio que equilibra a hidratação do corpo, vitaminas C e E, prevenindo doenças de garganta, estômago e até o câncer, é um anti-inflamatório natural, rico em fibras e em carboidratos complexos (ajuda no emagrecimento e na redução dos açúcares no sangue). 


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Enquanto cozinhávamos, ouvimos Edu Lobo e beliscamos umas lascas de queijo parmesão, tomando um vinho encorpado tinto, um cabernet sauvignon. 

Sentamos à mesa quando escurecia... Foi um banquete e tanto. E, como já contei antes, tudo muito barato.  Fora que a receita rendeu tanto ratatouille que, no dia seguinte, levamos para o antepasto do almoço na casa da minha sogra. Esse é um preparo que pode ficar vários dias na geladeira. O sabor vai melhorando. No dia seguinte é mais saboroso do que quando é feito e servido logo. 

É maravilhosa a experiência de poder compartilhar esses momentos tão mágicos que a cozinha proporciona. Em função dela, fui à feira, fiz um passeio entre cheiros, sabores, cores, texturas. Acabei encontrando amigos queridos e meus velhos conhecidos feirantes da Morato Coelho... Depois, ficamos Silas e eu cozinhando juntos, reinando na cozinha, inventando moda, arrumando a mesa, discutindo o filme que veríamos depois, curtindo o som do Edu Lobo, contando como havia sido o dia de cada um enquanto estávamos longe... Não é bom? É ótimo!  Tente também. Se está sem companhia, vá na sua lista de contatos do facebook e encontre alguém que, como você, também está. Juntem-se e vivam a experiência. Se não achar ninguém, faça consigo mesmo! Eu cozinhei só pra mim muitos anos e sempre fui muito feliz. 

Até mais! 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Sopa de legumes e verduras, com milho verde

De vez em quando o Silas vai pra cozinha e ele tem algumas especialidades imbatíveis. Uma delas é a sopa de legumes e verduras.

Ontem dei a maior sorte. Fui ao curso da Sonia Hirsch no Sesc Consolação, Meditando na Cozinha (cheguei até a divulgar na coluna Fast Food, não sei se viram) e quando cheguei em casa, lá estava a panela de pressão sobre o fogão e aquele cheiro gostoso na cozinha. Ele tinha feito a sopa!

Aparentemente não tem segredo, mas ele faz com tanto carinho e busca ingredientes tão específicos que é a sopa do Silas. Muito saborosa e saudável.

Sopa de legumes e verduras do Silas




Ingredientes

Caldo
1/2 cebola média picada
1 dente de alho amassado
1 fio de azeite extravirgem
1 peito de frango médio
1 tomate sem pele e sem sementes
2 litros de água fervendo
sal e pimenta do reino a gosto

Legumes e verduras
1 espiga de milho verde
2 batatas picadas em cubos
1 cenoura picada em cubos
50 gramas de vagem picada
1 mandioquinha grande picada em cubos
folhas de 1/3 de maço de espinafre

Modo de fazer
Na panela de pressão, coloque o azeite  e refogue cebola, alho,  o frango e o tomate. Tempere com sal e pimenta. Deixe dourar bem. Cubra com a água fervendo, feche a panela e cozinhe após pegar pressão por 20 minutos.
Abra a panela, retire o frango, desosse e desfie a carne. Descarte os ossos. Junte o frango desfiado com o líquido da panela e acrescente todos os demais ingredientes. Feche a panela novamente e volte ao fogo baixo. Quando a panela der pressão conte 15 minutos e desligue. Deixe que a pressão saia completamente sem forçar, abra a panela e sirva imediatamente.

Para acompanhamento
Pão italiano com manteiga  e fatias de queijo branco

Variações possíveis e agradáveis: 
1. Use outro tipo de verdura que não o espinafre, como escarola ou couve fica igualmente saboroso
2. Opções interessantes são a batata doce, o inhame ou o cará picados juntamente com os legumes
3. Nunca deixe de por o milho verde, dá um toque muito especial. Mas que tal usar também ervilha?
4. Soltar ovos e cozinhá-los no caldo é um requinte nesse prato.
5. Se gostar de queijo ralado na sopa, polvilhe na hora de servir.



Por que é saudável? 
Nos ingredientes dessa sopa temos: nos legumes, vitaminas A, B e C, carboidratos, betacaroteno, potássio e cálcio; no espinafre, vitaminas e ferro; no frango, proteína animal; nos temperos e no azeite, antioxidantes e ômega 3 e no milho, vitaminas, magnésio e carotenoide.
No modo de fazer: afeto.
Tudo isso, quentinho e cozido com calma (apesar da panela de pressão) faz um bem danado pra gente. Mata a fome, regula o funcionamento dos intestinos, ajuda no combate a doenças e previne outras.

Quando temos essa sopinha para jantar em casa é uma alegria e um enorme conforto. Ela enternece e, também por isso, é muito boa para a saúde. Afinal, a gente não come só para alimentar o corpo, mas também a alma e o coração.

Nossa mesa de jantar, seja qual for o dia, não é preciso ser data especial, é sempre bem arrumadinha. Brinco com os joguinhos americanos, com as louças, os cestinhos de pão... e tudo fica tão amoroso quando nos reunimos que sempre me parece um banquete ou que estou brincando de casinha.

Essa é a ideia. Adoro quando o Silas vai pra cozinha. Ele só faz coisa boa!

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Em tempo, um esclarecimento: Quinzenalmente, às quintas, temos convidados especiais no Blog da Gavioli. Excepcionalmente hoje, devido a uma falha com o meu computador, não pude publicar o texto da minha convidada Catharina Vale, a quem chamo de "madrinha do blog". Ela tem o Blog Utensílios, a minha grande inspiração.

Quem sabe consigo publicar até o fim do dia ou amanhã. Peço desculpas aos leitores pela troca e à Cath, que mandou o texto em tempo direitinho conforme havíamos combinado.

Até mais!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Rosca ou Pão Doce de Mandioquinha

Do principal caderno de receitas da dona Neuza

(receita original da Terezinha do CAD)





1 lata de leite condensado
4 ovos 
1/2 xícara de óleo (chá)
3 tabletes de fermento Fleschmann (50 g)
1 pitada de sal
1 colher (sopa) de açúcar
300 g de mandioquinha
+ ou - 1 kg de trigo

Cozinhar a mandioquinha, esfriar
Bater no liquidificador todos os ingredientes menos o trigo
Despejar numa tigela sobre o trigo
Amassar muito bem
Fazer a trança, deixar crescer e assar
Pincelar gema ou fazer um doce de coco assim: manteiga, açúcar, sococo, leite e gema e passar por cima. Deixar secar. 




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Algumas observações

Esse não é o formato que costumo publicar as receitas no blog. Mas como escrevi ontem, a receita do pão de mandioquinha viria exatamente como está escrita no caderno culinário da minha mãe.  Os segredinhos não são contados, estão nas entrelinhas da sabedoria da cozinheira. 

Esse preparo já foi adaptado de diversas formas. Por exemplo: frutas cristalizadas, uva passa e até goiabada em pedacinhos já foram recheio desse pão. Por cima, já houve cobertura só de ovos pincelados, com chocolate, com chocolate e canela, com coco sem as gemas... É só se meter a fazer e ir adaptando. 

foto:cliqueagosto.com
Se quiser usar a mesma massa e fazer pãezinhos pequenos também dá certo. 

Com essa medida é possível fazer duas tranças ou roscas grandes. Ou de 25 a 30 pãezinhos. 

Espero que goste. Se gostar, compartilhe a página do blog no facebook ou por e-mail. É só clicar no ícone correspondente abaixo e enviar!


Até mais, um beijão! 

domingo, 5 de abril de 2015

Cadernos de receita, tesouros de família

Minha mãe tem tantos cadernos de receitas, que já perdi a conta. Alguns deles ou quase todos, começaram organizadinhos com divisão para doces e salgados, com título em caneta vermelha e separação entre os ingredientes e o modo de preparo. Depois de algum tempo começam a se identificar com o jeito dela de escrever as receitas: letra corrida, informações um pouco desordenadas, sem separação de linhas e tudo numa só cor de caneta, se começa azul, assim também termina. 

No entanto, há informações que nunca faltam. O nome da receita no alto e de onde ou de quem ela veio, na maior parte das vezes entre parênteses. Não tem data. Se tiver, é fato raro. 




Conforme os cadernos vão sendo usados, eles ganhando alguma farinha, uns respingos de óleo, chocolate em pó e aquele amassadinho na orelha inferior onde a gente puxa a página para virar. 

Como disse, minha mãe tem muitos cadernos de receita, muitos mesmo! Mais de 10, de 15, de 20, talvez. Não são livros, são cadernos que contém manuscritos feitos por ela e, às vezes por outra pessoa que escreveu uma receita especial. Também tem recortes soltos de receitas de jornais ou revistas e outros colados. Quase não há figuras. Curioso e bonito é que esses cadernos têm tanta história que conforme a gente vira as páginas pode encontrar um rabisco feito por um dos filhos (eu, meu irmão Júnior ou minha irmã Cristina), ou netos (minha mãe tem quatro meninas e um menino) que conta mais ou menos a idade que criança tinha e, portanto, contextualiza a receita de alguma forma. 

Tem um dos cadernos que o mais usado. É um caderno pequeno, mas grosso, acho que 150 folhas, de capa dura e encapado com tecido estampadinho que já foi trocado pelo menos umas três vezes, pelo que me lembro. Recordo-me bem de quando ele foi começado, mas, na verdade, não sei se ele não era originalmente da Cris. Fato é que ela é que foi incumbida de passar a limpo as receitas de outros dois cadernos mais antigos. 

Isso me lembrou ainda uma outra história engraçada que aconteceu com os cadernos de receita da dona Neuza. Certa vez, tendo meu irmão começado o curso de datilografia na dona Emília, minha mãe mandou que ele escrevesse à máquina todas as receitas de dois cadernos. Passado algum tempo, ela notou que o menino ia ticando cada página já copiada com um risco de cima abaixo. Feliz da vida foi verificar o trabalho já concluído. Surpresa foi que ele só tinha copiado os ingredientes das receitas, não se importando com as demais informações, nem sobre o preparo, nem quanto a origem, nem nada. Ou seja, ele tinha matado totalmente a tarefa, sem entender porque precisava de mais que os itens dos ingredientes. Minha mãe ficou furiosa! Porque, além de tudo, ele tinha rabiscado os cadernos originais.  

Só mais uma prova de quanto esses cadernos fazem parte da família... 

Anteontem à noite, estava em Itu, na casa da mamãe, e fui preparar uma pizza de arroz. A receita começava com as duas xícaras de arroz. Bate-pronto peguei o ingrediente e pus no liquidificador. Dona Neuza veio brava e disse: - Não! Primeiro os ingredientes líquidos. Só que a receita começava com o arroz... Pra mim, na lógica que aprendi na gastronomia, os ingredientes são apresentados na receita na ordem em que vão sendo colocados no preparo. Do primeiro ao último.  Mas não é assim em cadernos de cozinheiras! É a prática, o jeito de cada um o que prevalece. 

No caso da minha mãe, oras, como seria diferente? Ela sabe tudo de cabeça, de cor.  Quer a receita? Pode copiar. Quer aprender a fazer, converse com ela, acompanhe a execução, fique por perto, sinta o cheiro, verifique o modo como mexe a panela ou amassa o pão... Não se ensina, mas se aprende.

Soube pela Cristina Damélia, que os cadernos de receita da mãe dela foram postos no lixo durante uma mudança. Doeu meu coração quando soube. Fiquei triste, de uma tristeza saudosa da Amélia. Algumas das receitas, eu já tenho e ofereci pra Cristina copiar. O jeito de fazer, ela deve saber bem melhor que eu. Porque os cadernos de culinária são tesouros de família! 

Comecei esse texto pelo título. Era pra ser: Pão doce de mandioquinha - Feliz Páscoa. 

Coisa boa de escrever conforme a criatividade vem, é isso. Você pode derivar, viajar pelas lembranças e falar de outros assuntos. O pão de mandioquinha, prometo que publico amanhã. Igualzinha a sequencia do caderno  O restante do título pretendido, desejo já: Feliz Páscoa! Essa é a festa religiosa que eu mais gosto.  


Boa semana! 

domingo, 29 de março de 2015

Batatas rústicas


PRATO CORINGA: esse é um típico coringa da culinária. Sempre dá jogo! 

É difícil encontrar quem não goste de batatas. Acho que nunca conheci alguém. Além do que elas são comumente encontradas nos supermercados, quitandas, mercearias e feiras, não só no Brasil como nos mais diversos países. 

A batata é um carboidrato. Ela é um tubérculo (caule arrendondado de uma planta verde) comestível, rico em amido. 

Para muitos países, a batata é a base da alimentação, assim como para nós, brasileiros, são o arroz e o feijão. Mais de 1 bilhão de pessoas consomem batata no mundo, por isso, 125 países em escala, o que faz dela a quarta principal cultura agrícola em ordem de importância. 

experimentosnacozinha.blogspot
Existem mais de 5 mil tipos diferentes de batatas. Só na América Latina são cerca de 3 mil, dos quais 400 tipos são de uso culinário. Entre as mais conhecidas: batata bintje, inglesa, holandesa, doce, roxa, monalisa, baraka e asterix. 

Curioso é que elas são originárias da região da Cordilheira dos Andes e as primeiras foram levadas à Europa no século XVI. Hoje são amplamente consumidas pelos europeus, sem exceção. E nos Estados Unidos estão entre os grandes consumidores mundiais, embora a maior produção esteja concentrada nos países asiáticos. 



As variações desse ingrediente podem ser tantas e as mais inusitadas: batatas fritas, cozidas, assadas, com casca ou sem, recheadas, como base para massas e pães, frias, quentes, com molhos, em ensopados e tantos outros usos que renderiam listas intermináveis.  

foto: enirvana
Como acompanhamento ou guarnição é excelente, funciona muito bem com carnes, aves e peixes. É uma boa opção para os que não podem comer glúten.

Com tantos pontos positivos, o preparo desse prato é só mais um para engordar a lista. Fácil, rápido, barato e gostoso. Aproveite. 



Batatas rústicas



Ingredientes

·         600 gramas de batatas médias (do tipo holandesa)
·         Sal grosso
·         3 ramos de alecrim
·         2 colheres  (chá) de azeite de oliva extravirgem

Modo de fazer

Lave bem as batatas com uma escovinha de cozinha e retire imperfeições evidentes na casca com a faca de legumes. Corte-as ao meio e, depois, cada parte em três  partes, o que  fará com que cada batata renda seis pedaços. 



        



Leve ao forno em forma untada ou sobre um silpat (tapetinho de silicone culinário) não são antes polvilhar sal grosso e o alecrim retirado dos ramos e um fio de azeite. 

O tempo de forno será de 30 minutos. A cada 10 minutos, abra o forno e mova as batatas para que assem por igual. 

Dica: Se cortar em gomos ou se descascar já terá duas variações interessantes para o mesmo prato. 

Sirva como aperitivo ou como guarnição. Sucesso garantido! 

terça-feira, 10 de março de 2015

Canjica (munguzá) - comida carinhosa

Canjica também é comida confortável, digo, de acalanto, aconchego, com cara de comida de mãe ou de vó. No Nordeste, tem o nome de munguzá, mas aqui por São Paulo é canjica mesmo. 

Na sabedoria popular, esse alimento é muito lembrado quando as mulheres ganham nenê. Dizem que aumenta o leite materno. Não sei o quanto é verdade, mas me lembro de várias vezes em que havia canjica em casa ter alguém perguntando se tinha uma mulher amamentando. E também de ter canjica na casa da Euzi logo que o Rafa nasceu.

Tem gente que só come no frio, em época de festas juninas. Eu gosto o ano inteiro. Só não como mais porque a cada vez que faço, rende tanto, que chego a ficar enjoada de tanto comer.  Posso até gostar o ano inteiro, mas canjica não é arroz e feijão, tem hora que chega! 

Semana passada, me deu vontade de comer sagu. Só que fui olhar no armário e não tinha sagu em casa. Foi quando encontrei o milho de canjica. Ele olhou pra mim, eu olhei pra ele... e foi assim. Decidi fazer. 

Como é preciso deixar o milho de molho na água de um dia para o outro, quase que a minha vontade de comer passou. Mas quando ficou pronta... Aí não tem jeito, é comer e se deliciar. 

A canjica, como tradicionalmente a gente vê (aquela que era servida na merenda escolar) pode ser feita somente com água ou leite e açúcar. A minha foi mais incrementada e ficou muito boa, com leite condensado, canela em pau, leite de coco e uvas passas. 

Vou levar um pouco para minha sogra. Ela gosta muito dessas comidas carinhosas. 

Aqui em casa, o Silas até experimenta, mas não é lá do agrado dele esse doce brasileiro. Como ele, muitas pessoas não ligam para canjica. Tenho cá uma teoria para o fato. É que o milho cozido na água ainda sem os temperos, o açúcar e as especiarias,  tem um pouco de gosto de nada. Só quando está bem curtida no leite adoçado, muitas vezes temperada com paçoquinha de amendoim, com coco, com frutas secas, é que fica mesmo muito gostosa. Leite condensado é um aliado sem igual para a canjica. Hummmm... 

Vamos à receita. 


Canjica à minha moda


Ingredientes

500 gramas de milho de canjica demolhado de um dia para o outro em 3 litros d'água
1 lata de leite condensado
1 vidro de leite de coco
1 pau de canela
1/2 xícara de leite 
1/2 xícara de uvas passas pretas

Modo de preparo

Na panela de pressão, cozinhe a canjica na água em que foi demolhada por cerca de 45 minutos. Solte a pressão da panela, abra e verifique se está no ponto. Caso não esteja, cozinhe até o milho ficar mole, mas não derretendo. 
Despeje a canjica ainda quente numa tigela, acrescente o leite condensado, o leite de coco, a canela e o leite de vaca.  Por último, acrescente as uvas passas. Misture bem. Deixe esfriar e leve à geladeira por três horas. Sirva em taças individuais polvilhada com canela em pó. 




Se preferir servir quente, é só aquecer um pouco no microondas ou mesmo na panela, como um mingau. Só que tenha cuidado para não grudar na panela. 

Observação: Quando for temperar a canjica, use apenas metade do que foi cozido. Já vai render muito. A outra metade coloque em saquinho de congelamento e leve ao freezer para congelar. Quando quiser, já vai ter canjica cozida só para temperar ao seu gosto, sem ter que aguardar um dia para que o milho amoleça. 





Variações: 
O munguzá (ou canjica) também é feito salgado. Há inúmeras preparações que levam o milho de canjica que têm o mesmo princípio da feijoada, ou seja, levam carnes, frango e temperos diversos. Não é muito comum comer canjica salgada em São Paulo, mas tudo é uma questão de se abrir para novas possibilidades. 


Um grande abraço e até mais! 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Puxando a sardinha .. (parte 3 - final)

Reflexões sobre o mundo digital e a Gastronomia



Nossa sardinha já está quase totalmente assada...  


Na semana passada, falávamos de marketing de conteúdo e a proposta de hoje é colocá-lo em prática! Ao final desse texto, uma breve conclusão sobre: 



Mídias digitais, marketing de conteúdo e Gastrô...



Pensando bem, que itens podem favorecer a nossa empresa de catering em relação à sua acirrada concorrência a partir do conceito de marketing de conteúdo? 
A resposta é que a nossa empresa lide e esteja mais presente em ambientes confiáveis como blogs, artigos em revistas, programas de TV, recomendações de críticos e, principalmente de usuários, do que as suas concorrentes.
Assim, não será preciso oferecer o produto ao cliente caso ele tenha sido mencionado de forma positiva por um blogueiro influente num post que atinge em cheio o seu público alvo. O produto ou serviço citado será procurado no médio prazo. É quase uma consequência natural obter resultado positivo e aumentar a clientela.


  • Marketing de conteúdo digital
Uma vez que existem ferramentas disponíveis como as já mencionadas anteriormente, criar um blog de gastronomia também não é uma tarefa difícil.  Concebê-lo para se tornar uma ferramenta influenciadora de decisões de determinado público, isso sim, é bem mais complicado.
Os blogs surgiram como diários virtuais de uma geração de pessoas que têm com os computadores uma relação semelhante a que tinham as pessoas da gerações passadas com os livros e cadernos feitos de celulose e papel. No entanto, como os blogs são ambientes dinâmicos, que podem ser alterados e acessados por muitas pessoas, dependendo de sua abrangência, logo se tornaram vitrines para personalidades (pessoas e também empresas) na divulgação de conteúdos de interesse público. 
Com essa evolução, a versão daquele diário do passado, antes trancado a sete-chaves, para o qual não existiam exigências de diagramação, linguagem, constância de publicação e nem  apelos visuais , tornou-se uma importante ferramenta para divulgação de conteúdos relevantes para empresas e negócios. Em se tratando da área de gastronomia não foi diferente.
Para escrever sobre comida não é preciso muito, basta ter opinião sobre ela. Além do que quase todo mundo sabe e pode reproduzir receitas de bolo. A coisa fica mais séria quando se trata de angariar a confiança de leitores cativos e influenciadores de outros leitores para garantir relevância suficiente como blogueiro. Esse não é um trabalho tão simples como poderia parecer.
Vale mencionar que os blogs não são, contudo, a única maneira de se fazer marketing digital. Talvez sejam apenas exemplos mais palpáveis porque muitas pessoas hoje em dia publicam suas façanhas em blogs.  Muitas empresas, associações e instituições, especialmente as mais “antenadas”, também têm dado significativa atenção para essa ferramenta, tanto criando seus próprios blogs como buscando divulgação em citações de  conteúdos publicados por blogueiros influentes junto a seus leitores.

  • Redes Sociais
Como já foi escrito acima, o Facebook é hoje uma importante mídia digital para qualquer negócio. Mas não é a única rede e, não é difícil prever que, como o Orkut (que se viralizou de forma instantânea e vertiginosa há alguns anos, atingindo todas as classes sociais e os mais distintos públicos) deixe espaço em breve para outra rede que se torne mais relevante e atraente.
Existem outras redes como o Facebook, mas com características peculiares. Há o Instagram para fotos, o Linkedin que é mais voltado aos conteúdos formais e executivos, o Google plus, o Youtube para videopublicações, o Twitter para comunicação suscinta e ainda outros novos conceitos como o do Pinterest, abrangente e focado ao mesmo tempo.  Um profissional de comunicação tem obrigação de conhecer todas para que possa desenvolver um bom plano de mídia para uma empresa de gastronomia ou um chef.
A adequação da linguagem e dos formatos é indispensável e, se feita de forma leviana, pode destruir uma carreira promissora ou a imagem institucional de uma boa empresa. 


 Recomendações para uma boa campanha digital
A Gastronomia traz consigo elementos que se bem usados facilitam muito o uso das mídias digitais. Imagens de comidas são em geral coloridas e atrativas, chefs de cozinha são profissionais glamourizados  no imaginário coletivo, o paladar é um dos sentidos mais facilmente estimulados no ser humano porque em algum momento todas pessoas sentem fome (mesmo as que não ligam muito para comida), falar de comida é um passatempo agradável, muito mais do que falar mal da vida alheia. 
Enfim, são muitos pontos favoráveis para que tenha havido tanto crescimento do assunto nas redes sociais e nas mídias em geral.
Entretanto, algumas recomendações podem favorecer e até perenizar na preferência do público alguns serviços, empresas, personalidades e celebridades gastronômicas a partir do ambiente virtual. São elas:
  • website atualizado, dinâmico e com medição de audiência;
  • ferramentas de disparo de emails para envio de newsletters, eventos e fatos relevantes; 
  • presença em mídias digitais com conteúdos bem cuidados, atualizados e contextualizados;
  • conteúdos em blogs confiáveis;
  • diversificação de canais (youtube, instagram, twitter etc.) com adequação de linguagem;
  • estratégias para webinar e SEO, a fim de ter boa classificação em sites de busca
E outras que podem favorecer o negócio como um todo.
Conclusão
Como nesse trabalho a proposta é analisar a comunicação empresarial para a gastronomia tendo como foco os ambientes digitais, não houve a preocupação de se estender o texto com os demais conceitos citados para um plano de comunicação.
O equilíbrio entre o virtual e o real é que pode garantir o desenvolvimento pleno e crescente de qualquer negócio, seja para a Gastronomia ou qualquer outro ramo de atividade. 
É crucial, portanto, reconhecer a importância da comunicação empresarial para a formação do profissional da Gastronomia. Se faltar esse elemento, esse conhecimento quase básico, um chef de cozinha pode ser o responsável pelo mais brilhante, inovador e saboroso preparo entre todos os já produzidos, mesmo assim, ele nunca terá o reconhecimento que lhe é devido em termos pessoais, emocionais e financeiros.
Comunicar é essencial. 
 É isso aí! 


Se quiser ler os três textos da série Puxando a Sardinha  (partes 1 e 2), acesse: