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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Vai ter canja hoje

Há um ano e alguns dias, quando foi votado o apoio do Congresso ao impeachment da então presidenta Dilma, por causa das tais pedaladas, eu publiquei um texto sobre o poder de uma boa canja para amenizar a tristeza de alguns dias na vida da gente.

Hoje, por acaso, aqui em casa vai ter canja no jantar. O Silas, logo que chegou, se animou pra preparar uma boa canjinha pra gente ficar bem aninhado nesse friozinho que faz em São Paulo. Também por acaso o dia de hoje é triste para o país que, diante de tanta sujeira, acusação,  tanta armação e falcatrua, se vê sem saída.

Devo confessar que, no fundo, não me sinto tão triste quanto há um ano.  Talvez eu já tenha me acostumado um pouco a não ter fé ou, quem sabe, talvez esteja sentindo algo como uma sensação de revanche. Questões humanas...




Fato é que já não me assusto quando, a cada dia, surge algo ainda mais grave na política desse nosso pobre país. Esse Brasil do qual já não me orgulho nenhum pouquinho só sequer.

Então, reli o que publiquei sobre a canja há um ano. Tomara que essa sopinha feita com tanto amor possa acalentar um coração que já não acredita, mas ainda sofre pelo Brasil.


Receita de canja

Ingredientes

3 sobrecoxas de frango

1 dente de alho
1 cebola pequena
2 colheres de óleo de girassol ou milho
2 litros de água
2 batatas médias
1 cenoura grande
1/2 xícara (chá) de arroz
sal e pimenta do reino


Modo de fazer

Na panela de pressão destampada, refogue o frango no óleo com a cebola e o alho. Frite bem para soltar bem os sabores do frango. Junte a água fria e feche a panela. Quando levantar fervura, conte 15 minutos.  Abra a panela, retire o frango e corte em pequenos pedaços ou desfie. Retorne à panela.  Junte as batatas e a cenoura picadas em cubos e o arroz cru. Antes de fechar a panela novamente, tempere com sal e pimenta do reino. Feche a panela, quando começar a chiar, ou seja, quando der pressão, conte 5 minutos, desligue o fogo e deixe a pressão sair sem forçar. Isso ajudará a terminar o cozimento.
Sirva em seguida .

Sugestão: se quiser que a sua canja fique mais corada, acrescente um tomate concassé (sem pele e sem semente) quando estiver refogando o frango.  O resto é tudo igual.


Blog da Gavioli: Uma canja para os dias tristes: Não há tristeza nessa vida que uma boa canja de galinha feita pela mãe ou a avó não diminua.  Eu, na minha vida toda, quando estive trist...

sexta-feira, 10 de março de 2017

Cebola roxa com molho de nozes


Salada sofisticada que impressiona


Cá estou eu nas novas empreitadas da vida. Ora invento uma novidade, ora outra. E assim os dias não são monótonos e nem tampouco sem tempero.

Ando pesquisando ingredientes e sabores para um menu novo do Lá em casa pra jantar. 
Na terça passada, como minha cunhada viria jantar conosco e estamos com o Arthur de férias aqui pela nossa casa até o fim de março, usei ambos para um teste de degustação desta cebola caramelizada no forno e servida como salada. 


tags: comida de verdade, receita, salada, cebola caramelizada, molho de nozes

É essa experiência que divido agora com vocês, contando os ajustes que fiz, bem como a criatividade que usei na substituição de ingredientes de uma receita que, se não fosse por essas substituições, eu diria que copiei completamente.  Vamos lá.

Já que disse que minha inspiração veio de algo já existente, é melhor não contar apenas o milagre, mas também o santo. Até porque, o livro de onde saiu a receita é uma delícia de publicação, repleta de informações preciosas, fotos incríveis e que faz parte do novo selo da Companhia das Letras, que é o Companhia de Mesa.


Foto: Companhia de Mesa
De autoria de Yotam Ottolenghi, um chef conhecidíssimo que fazia um programa de comida mediterrânea na GNT um tempo atrás, a obra se chama Comida de Verdade - Ingredientes frescos e receitas vibrantes para a cozinha diária.  

Foto: Yotam Ottolenghi - The New York Times

Como um assunto puxa outro, o chef Ottolenghi vive na Inglaterra, em Londres, mas nasceu em Israel e também é cidadão italiano. Não sei se puro marketing, mas ele é desses personagens apaixonantes do mundo da gastronomia aparentemente sem segredos. Dá a impressão de que, de perto, a vida dele é super interessante. É chef de cozinha, tem programa de TV,  tem uma coluna na The New York Times Magazine,  tem vários livros publicados e é dono ou sócio de alguns restaurantes e delis na capital britânica. Dá até pra invejar, não dá? 

Fato é que no livro Comida de Verdade, cuja tradução foi feita por Isabella Pacheco, o que deve ajudar um bocado para nos dar impressão de que o autor é muito simpático, Ottolenghi mistura ingredientes meio inusitados e promove uma reflexão sobre o processo de criação dos pratos, bem como do uso de técnicas bem simples de culinária.  


Foto: Rita Lobo - Panelinha
Palmas para a Companhia das Letras, que bem antenada no mercado crescente de títulos da área de gastronomia, lançou o selo Companhia de Mesa. Meus aplausos são porque eu acredito que, em tempos de rapidez de informação, quando a maioria das pessoas acredita que pode buscar qualquer tipo de receita em programinhas editados para o youtube, criar um selo para publicar livros tendo o cuidado de eleger autores, bem como de prezar pela qualidade editorial da publicação, é mesmo uma atitude digna de admiração.  Não que seja novidade para a editora lançar cobiçáveis títulos de culinária. Antes, a Companhia da Letras tinha uma parceria com a editora Panelinha da Rita Lobo, que agora está parceira da editora Senac.  De qualquer maneira, é inegável a qualidade que é posta nas livrarias por ambos. Melhor pra nós! 

Voltando ao assunto da salada, ou da cebola que é a grande atração desse prato, a receita original está na página 176 do livro do Ottolenghi. Procure lá. Essa é uma boa chance de folhear deliciosas receitas e encher os olhos com as fotos. A minha, uma versão bem adaptada, é assim: 



Salada de cebola roxa com molho de nozes




Molho

1/2 xícara de nozes levemente assadas e picadas em pedaços não muito miúdos
1 pimenta dedo de moça sem sementes e picada bem miudinha
1 dente de alho amassado
1 colher (sopa) de vinagre de arroz
2 colheres (sopa) de vinho tinto seco
1 colher (sopa) de azeite extravirgem

Modo de fazer: Misture todos os ingredientes e reserve. Deixe descansar por, no mínimo, 20 minutos. 



Ricota temperada 

100 gramas de ricota fresca 
1 colher (sopa) de creme de leite (pode ser UHT ou fresco)
1 colher (sopa) de alcaparras 
1 colher (sopa) de azeitonas verdes sem caroço
Sal
Pimenta do reino 

Modo de fazer: Esfarele a ricota e leve ao multiprocessador juntamente com o creme de leite. Processe para que dê liga. Acrescente os demais ingredientes e tempere sem parar de processar. Quando estiver tudo bem misturado, desligue o processador e envolva o conteúdo em filme plástico, fazendo uma espécie de rolo, isto é, dê um formato cilíndrico amarrando as pontas como se estivesse embalando uma bala, ou seja, dos dois lados. Dobre as extremidades e leve ao congelador até que fique bem firme. 

Obs: Na receita original o queijo usado era feta ou queijo de cabra cremoso.



Cebola caramelizada

4 cebolas roxas grandes 
Sal, pimenta do reino e azeite

Modo de fazer 

Descasque as cebolas e corte cada uma em 3 rodelas de mais ou menos 2 centímetros de espessura. Distribua sobre uma assadeira antiaderente ou com um Silpat. Polvilhe sal e pimenta do reino. Pincele levemente com azeite e leve ao forno em temperatura de 200 graus por cerca de 45 minutos. Ao final desse tempo, as cebolas devem estar tenras e coradas, quase chamuscadas, na aparência. Se precisar aumente o tempo no forno ou a temperatura. 


Demais da salada 

1 maço de rúcula lavada, escorrida e rasgada, sem os talinhos compridos 
1/2 maço de salsinha crespa picada grosseiramente


Montagem


Quando as cebolas caramelizadas estiverem mornas, monte uma travessa com os vegetais verdes, o queijo (ricota) cortada em fatias e as cebolas. Tome cuidado para não desmanchá-las. Regue com o molho de nozes reservado. Sirva imediatamente. 




Usos dessa receita


Sirva como entrada.  Esse é um prato para ser comer à mesa. Não dá pra servir num coquetel, por exemplo. As cebolas terão que ser cortada e o molho precisa ser bem misturado para que haja a melhor harmonização entre os ingredientes.  


Funciona bem com uma harmonização feita com vinho branco verde. Apesar do vinho tinto no tempero, a cebola prevalece e com a textura das nozes e o sabor picante da pimenta dedo de moça há um perfeito equilíbrio adocicado e ardido que combina com o frisante do vinho verde. 


Sugeri como entrada porque essa é uma comida que abre o paladar. Pode, no entanto, ser um segundo prato, desde que o primeiro não seja também picante. Por exemplo, se antes houver um canapé ou um patê cremoso, sem erro. 


Essa salada também pode servir de acompanhamento de uma carne ou preceder uma comida vegetariana.  


Entre os diversos usos, use mais que tudo a sua criatividade. Monte do seu jeito e seja feliz porque regras existem para serem quebradas, certo?  

O que posso dizer é que fica um prato lindo, colorido, apetitoso e nos dá oportunidade de sentir algo bem diferente na boca. Os ingredientes são baratos e qualquer pessoa pode fazer sem gastar muito, exceto o tempo, porque demora um pouco para executar todos esses processos. Mas isso é culinária, isso é gastronomia! 

Faça no fim de semana, depois deixe aqui um recadinho contando a experiência. 

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Grande abraço!!! 

Publicado em Clube das Comadres

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Massa negra com camarões e quiabo



Quem nunca viu uma massa negra ponha o dedo aqui!  Cada vez mais comuns as massas coloridas já não são mais novidade, o que não significa que estejam por toda parte. 





Tags: macarrão negro, talharim com tinta de lula, talharim negro com molho de camarão, camarão com quiabo, #ChapadaDiamantina 



Na semana passada, estivemos Silas e eu, mais uma vez, na Chapada Diamantina, em Lençóis, na Bahia. Fomos conhecer a Manuela, a mais nova lindeza da família, filha do Pablo e da Júlia, que nasceu em dezembro. Foi uma visita bem familiar que durou vários dias. Aproveitamos também pra visitar a Jade e a Nala no Vale do Capão.  

Para quem nunca esteve na Chapada, essa é uma boa sugestão de passeio pelo interior da Bahia.  Que terra linda, Deus do céu!  Vale um capítulo de viagem só pra contar as belezas que tem por lá. Mas fica pra outra vez que dessa o assunto é mesmo o macarrão com tinta de lula. 

Entre colinhos aqui e brincadeiras ali, tivemos, em família, as intermináveis discussões sobre o que iríamos comer. Bom é que tudo sempre acaba bem. E, às vezes, acaba até melhor que o esperado. 

Foi o que aconteceu no almoço em que um pacote de camarão surgiu ali nas minhas mãos para ser preparado de alguma forma. Olhando em volta e nas prateleiras da despensa, vi uns ninhas de massa negra, que o Pablo me explicou ser arte de uma moradora local: talharim com tinta de lula. 

Como o Silas é quem havia começado a cozinhar, eu só fiquei dando palpites. "Dê um susto no camarão para não emborrachar, corte os tomates frescos em pequenos pedaços, junte azeitonas verdes, refogue tudo..." até que a Jade foi taxativa: 

- Clau, você manda os cortes, a gente obedece, mas quem executa na panela é você!  

E aí assumi e fiz o rango. Deu no que verão a seguir. Espero que gostem. Ficou muito saboroso.


Massa negra com camarões e quiabo

 



Ingredientes

500 gramas de massa negra (talharim com tinta de lula) cozida "al dente"
500 gramas de camarões médios limpos 
2 colheres (sopa) de azeite extravirgem
1 cebola média picada em brunoise
2 dentes de alho amassados
200 gramas de quiabo cortado em pedaços médios (1,5 cm) 
1/2 xícara (chá) de azeitonas verdes picadas
300 gramas de tomates concassê* picados 
2 ramos de folhas de hortelã picadas

Temperos: sal, pimenta do reino, azeite, pimenta dedo de moça 


Modo de fazer 


Enquanto numa panela ferve a água e cozinha o macarrão, em outra, refogue a cebola e o alho. Acrescente ao refogado os camarões e o quiabo. Em seguida, acrescente as azeitonas e o tomate picadinho.  Refogue por cerca de 10 minutos para que todos os ingredientes se incorporem e formem um molho fresco e leve, cujos itens podem ser perfeitamente separados em cada garfada. 
Acerte o sal, a pimenta  e regue com mais azeite. 
Caso fique muito espesso, use um pouco da água do cozimento do macarrão no molho.
Misture a massa ao molho e sirva imediatamente. 

Se preferir, polvilhe queijo parmesão. Eu prefiro sem! Não gosto de camarão com queijo, acho que não combina muito. 


Dicas:  

  • Como o quiabo nem sempre é fácil para os cozinheiros novatos, ele pode ser colocado primeiramente no vapor para que cozinhe e garanta que não vai soltar a sua famosa baba. Então é adicionado ao preparo. 
  • A hortelã foi uma substituição fortuita, mas a ideia inicial era usar manjericão. Valeu a troca! 
  • O tomate pode ser usado com pele e semente, mas vai soltar casca conforme cozinha. Isso não deixa o prato o bonito, mas não interfere muito no sabor, não.
  • Harmonize esse prato com vinho branco ou rosado bem geladinho. Também vale um espumante ou um vinho verde. 

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Pirenópolis, uma joia no centro do Brasil


Semana passada, Silas e eu estivemos em Pirenópolis, aquela cidadezinha bonitinha aos pés dos Pireneus de Goiás, em cujas cachoeiras os brasilienses se refrescam do calor do Planalto Central seja em tempos de chuva ou de seca, porque sempre é quente no Distrito Federal

Já havíamos estado lá tempos atrás e eu realmente me encantei demais com a cidade. Ela é uma joia colonial preservada bem no centro do estado de Goiás, a cerca de 150 km da capital do país. Como fomos a Brasília para ficar uns dias com a linda Helena, a neta do Silas e minha por extensão, aproveitamos o fim de semana e esticamos até Pirenópolis. 



--- tags: Pirenópolis; Cerrado; Pireneus de Goiás; moqueca de bacalhau; restaurante Bibba;

Para quem reclama que no Brasil não há preservação histórica, eis que surge uma exceção que só confirma a regra. É a bela cidade de chão de pedra e fachadas perfeitamente preservadas de casarões coloniais e também casinhas mais modestas, com uma porta e duas janelas de madeira que dão pra calçada (sem garagem, graças a Deus!),  nas quais os moradores se debruçam para ver a vida passar e saber o que acontece pela rua.  Todo o centro da cidade é assim. Não há uma só fachada em ruínas, nem parece Brasil! 

Acho que meu encantamento pela cidade tem a ver com minha memória de infância, porque Itu, a cidade em que eu nasci e vivi até os 17 anos, já foi assim. Exceto pelo calçamento de pedra, que em Pirenópolis foi feito com sobras da pedreira de quartzito-micáceo, e em Itu, de paralelepípedo, que em geral provém da de rochas, tudo era bem parecido nas duas cidades. 

Lamentavelmente, os destinos de ambas foram bem diferentes. Itu não teve a mesma sorte de Pirenópolis, que, de acordo com o site da cidade: 


Em 1989, a cidade foi tombada pelo IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como conjunto paisagístico e em 1997 iniciou-se um projeto de revitalização do Centro Histórico, quando a Igreja Matriz, o Cine-Pireneus, o Teatro de Pirenópolis e outros monumentos foram restaurados, reformados e reconstruídos criteriosamente.
Como paulista que sou, admito que tenho pouco conhecimento sobre a história e a preservação de locais no Brasil que não estão relacionados facilmente em livros didáticos de disciplinas como História e Geografia. 

Aqui faço um parêntese sobre a importância que reconheço nessas matérias para  a formação de um povo e na sua consciência cidadã. Não é pouco meu sofrimento frente ao descaso de nossos Governos que tanto quanto podem desvalorizam o ensino sobre o nosso passado. É como se nossa gente não precisasse, nem "devesse",  entender nada já que é dessa fonte que se bebe para a compreensão do que o futuro nos reserva. Tornar disciplinas tão fundamentais apenas meras opções secundárias na educação de uma criança ou adolescente é cortar-lhe o passado e a consciência do seu amanhã.  Pronto falei!

Voltando ao meu tema inicial, como não conheço bem a história do Brasil que não está nos didáticos livros que enaltecem São Paulo, Minas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e o Nordeste (feito só de Bahia e Pernambuco), causa-me alguma perplexidade a descoberta de lugares tão incrivelmente bem desenvolvidos em termos turísticos e históricos como a pequena Pirenópolis ou a encantadora Goiás Velha.  Essa última vale um capítulo só dela, tão doce e poética como Cora Coralina que é. 

Pirenópolis é lugar de ir e ficar uns dias ou de visitar várias vezes. Repleta de pousadas de gente hospitaleira, é charmosa e muito festiva. Ali a festa do Divino dura 20 dias, com tudo o que tem direito, preservando um folclore que já não se vê facilmente. Por lá, ainda fazem as "Cavalhadas", um tremendo espetáculo de luta entre cavaleiros de grupos rivais que envolve grande parte dos moradores. Isso é característico nas festas populares muito tradicionais do interior e atrai turistas de toda parte, curiosos dessas manifestações artísticas. 





Mas o entretenimento vai além. Tem igrejinhas históricas, comércio de souvenirs, de artesanato e de tapeçaria e roupas de casa; tem sorveterias, restaurantes e bares para diversos gostos e bolsos; tem uma riqueza histórica de dar gosto e uma exuberante natureza que a rodeia, com uma cadeia de montanhas que são os Pireneus do Brasil (nada a ver com os Pireneus na Europa, ver post) e a característica vegetação do Cerrado, que, não falta muito, se tornará apenas pastagem para o gado, já que isso é o que os donos desse país mais valorizam e eu lamento. 




No Cerrado, não raro, se encontram ilhas de vegetação características da Mata Atlântica. Ele é o bioma intermediário entre a faixa litorânea e o território da Amazônia e, bem por isso, tem importância fundamental para a preservação de um sem número de espécies animais e vegetais que só existem em função dessa área de transição.  

Há muito pra ver e comentar sobre a pequena e acolhedora Pirenópolis, mas não pretendo me deter em características históricas, que isso já houve quem tenha escrito com mais conhecimento e competência que eu. Só por curiosidade, vale dar uma navegada nesse site

Eu quero mesmo é contar que por lá tem um restaurante que é antiquário ou um antiquário que é restaurante. Melhor que isso, é que só se serve bacalhau. Sim!!! Um cardápio com seis pratos de bacalhau no qual há uma incrível moqueca com um toque bem baiano, já que leva coentro e azeite de dendê. 

Causa estranheza uma moqueca feita de bacalhau?  E um antiquário onde todos os itens à venda são usados pelos clientes do restaurante, tais como pratos, copos, talheres, mesas e cadeiras? 

Às vezes a gente se espanta com o que algumas pessoas são capazes de criar ou recriar só porque é algo pouco comum. Esse lance de antiquário/restaurante nem é tão inédito assim, mas com eu amo gente que inventa e consegue fazer acontecer, acho que vale um post só pra contar com detalhes nossa experiência no restaurante e antiquário da Bibba!. 

Quem sabe amanhã?  

De toda sorte, fica a dica sobre o turismo pelo Brasil. Que tal sair da caixa e pensar mais amplo? Praia é legal, mas toda vez? Pirenópolis vale a pena! Vá, se puder! 


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Salada de Grão de Bico


Sim, o equilíbrio na quantidade de ingredientes faz diferença!



Para começar bem o ano novo, nada como abrir bem os olhos, sorrir para os dias de calor (se você está no Brasil, pode fazer isso sem culpa e sem dor) e, claro, cumprir o planejado desde o ano passado. 

Eu tenho um plano mais ou menos bem definido que não pode deixar de ser executado ainda no primeiro trimestre de 2017. O meu primeiro e-book está previsto para o inicio de março. Ele terá receitas de saladas pra lá de gostosas, nutritivas e fáceis que devem abalar o seu jeito de comer e contribuir significativamente para o cumprimento das suas metas de ano novo. Sem medo de errar, tenho plena convicção de que 90% dos meus queridos leitores pretendem perder uns quilinhos e viver mais saudavelmente a partir deste mês de janeiro. Errei?  

Não é preciso ter bola de cristal nem ser vidente para saber que quase todo mundo renova os votos de viver melhor quando muda o ano no calendário. Basta virar a folhinha de dezembro, a gente pensa que vai ser outra pessoa!  Há aqueles que nem se lembram disso, mas são poucos. A verdade é que a gente está sempre planejando fazer um regime (coisa na qual eu não acredito!) para ficar mais bonito, mais sexy, mais elegante, ou, pelo menos, mais saudável. 

--- tags: salada, grão de bico, cozinhar grão de bico, molho rosé, ano novo, planos, salada Almanara


Planos sem metas quase nunca são executados, por isso, talvez um empurrãozinho seja bem vindo. 

Por conta da ideia do e-book de saladas que deverá ter umas 20 receitas excelentes, resolvi começar o ano com uma dica de salada super saborosa, colorida, feita com ingredientes fáceis, baratos e altamente nutritivos, já no primeiro post do ano. Você poderá até dizer que a dica chegou tarde porque essa salada teria sido um sucesso na mesa de Natal ou do Reveillon. Aqui em casa fez bonito no jantar da noite da virada do ano. 

Devo confessar que essa comida é uma cópia descarada de uma salada do restaurante Almanara.  Quando vim morar em São Paulo, em 1993, uma amiga com quem eu dividia apartamento conhecia muitas coisas boas da cidade que eu só tinha uma vaga ideia de que existiam. Pra mim, tudo era mais ilusão que realidade. Um dia, fomos comer no Almanara. À época eu nem era ligada em gastronomia, mas como sempre gostei de comer bem, foi uma proposta fascinante conhecer um restaurante "tão bom e tão chique" como esse era então.  Hoje, meus padrões mudaram, mas a salada continua sendo ótima, isso é inegável. Considero esse post uma homenagem, mais que um plágio. 

A combinação dos itens é excelente e o molho rosé une os ingredientes de maneira perfeita. Só fazendo e comendo pra entender. Logo, faça! Deixe a preguiça de lado. Mãos na massa, digo, na salada! 



Salada de grão de bico com molho rosé

(salada Almanara)

 Ingredientes

1 pé de alface lisa e 1 pé de alface americana picadas em chiffonade 
2 cenouras médias cruas 
1/2 beterraba grande 
150 gramas de muçarela em pedaço
200 gramas de grão de bico cozido em água com uma folha de louro

Para o molho: catchup, sal, pimenta do reino e creme de leite
Misture os ingredientes do molho até obter a consistência, a cor e o sabor desejados. Reserve. 

Modo de fazer

Para cozinhar o grão de bico: lave bem os grãos e deixe-os de molho por pelo menos uma hora em água. Após esse tempo, despreze a água que sobrou no grão de bico demolhado, ele vai inchar, então haverá pouca água no fundo da vasilha. Numa panela de pressão, cubra com dois dedos de água os grãos inchados, junte uma folha de louro e tampe a panela. Leve ao fogo. Apenas 15 minutos a partir da panela de pressão começar a chiar, desligue o fogo e deixe soltar a pressão toda sem forçar a abertura da panela. Escorra e, caso note que os grão estão já bem moles, passe-os por água fria para interromper o cozimento. 
Lave, seque e pique as folhas de alface tomando cuidado pra que fiquem finas e tenham todas a mesma espessura. (Chiffonade para quem não lembra é o corte da couve, bem fininho, quase um fio de cabelo). O corte da alface não precisa ser muito fino para manter a textura crocante. 
Rale a cenoura, a beterraba e a muçarela, cada uma de uma vez, sem misturá-las para não manchar. 

Montagem:  Numa saladeira de vidro ou em taças individuais, monte a seguinte sequência: no fundo, molho rosé, em seguida alface, depois o grão de bico cozido. Por cima, uma camada de cenoura e uma de beterraba. Em cima de tudo a muçarela ralada. 

Na versão do Almanara, a muçarela é servida em cubos. Eu prefiro ralada por isso sugeri assim. 
Se preferir repetir camadas porque a sua saladeira é muito funda, pode fazê-lo, mas em exagerar demais. A proporção dos ingredientes é que faz com que a salada fique equilibrada e o sabor e as texturas se mantenham agradáveis. 

Enquanto eu montava junto com a Bruna essa salada para o Reveillon, ela comentou comigo que deveríamos por mais muçarela que o restante dos itens. Eu discordei na hora porque acredito no equilíbrio. Isso faz diferença!

Para começar bem o ano, que tal deixar a janela e ao menos uma parte da cortina aberta para que a luz entre na sua casa? O sol faz maravilhas por nós. Melhora o nosso ânimo, faz brilhar algumas peças bonitas que temos em casa e até transforma as feias em bonitas. Experimente!  

Grande abraço!



Gostou da receita? Gosta do blog? Então compartilhe. Divulgue. Conte para os amigos. A seguir dicas de outros posts de saladas. 


>>> Salada Mediterrânea
>>> Salada de folhas, nozes e maçã

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Virô Brasil!



Na culinária do Brasil cabe tudo!  

Somos um povo mestiço de alma e coração, de forno e fogão. 



--- tags: comida brasileiracozinha internacionalculinária do Brasil, curso de gastronomia, TCC gastronomia


Não dá pra falar de comida brasileira sem pensar na mestiçagem do sabor e na alquimia de elementos que vem de diversas partes do mundo porque o Brasil é um país plural feito, no início, mas só no início mesmo, de índios, portugueses e negros.  Prova disso é que já se vão 400 anos que os holandeses aportaram por aqui e no nosso Nordeste de Recife e Olinda deixaram não só olhos azuis, mas um pedaço do seu jeito de comer. Comida é cultura afinal. 

Só que a coisa não para por aí. A história conta, ainda que em tom de romance, que com a Corte Real vêm os costumes culinários mais refinados. Só que comer, a gente sempre comeu. Então, tudo é questão de mistura e aprendizado mesmo.  


Que seja só para dar ares de conhecedores da história, lá pelo XIX chega a família real e, mais uns anos, a independência e a libertação dos escravos. Nem por isso quem está aqui resolve ir embora, porque da América à África há um Atlântico a percorrer.  Mas a ideia é branquear o povo do Brasil e assim se abrem as fronteiras para a vinda das peles claras. Com elas vêm também a boca e o estômago de italianos, espanhóis e alemães a quem logo se juntam outras bocas e novos hábitos de japoneses, sírios e libaneses.  Isso é o início dos 1900. E foi nesse século, o de número vinte e das grandes guerras, que vieram judeus de diversas nacionalidades, vieram árabes, armênios, russos, romenos, poloneses, húngaros, chineses, coreanos... Foram vindo... E têm vindo... Já no 21, somos agora haitianos, sírios, argentinos, chilenos, bolivianos, somos muitas nacionalidades... Quem não tem um amigo de cada lugar e se diz brasileiro não tem amigos, não se abre e perde o melhor.  Essa é, pois, a nossa grande graça. 

Aqui, entre trancos e barrancos, vivemos lado a lado. Nem sempre cordatos, nem sempre cordiais, já nos avisava há tempos Gilberto Freire. Triste é que, ainda hoje dá pra separar a casa grande da senzala sem qualquer dificuldade, o que não dá pra separar é o arroz do feijão. O que aqui se põe no prato é igual com diferença.  

No Brasil, o melhor peixe é do pescador, a melhor fruta é a do quintal. O melhor doce é o daquela senhorinha mineira que mora virando a esquina e naquele “conventinho” de freiras enclausuradas tem a melhor bala de café do mundo. O queijo fresco da dona Maria custa só um real e, psiu!, não conte pra ninguém! 

E não é que, para além disso tudo, ainda por essas bandas tem cozinha internacional? 

É que ali pelos 70, quando a bossa era nova, chegam por esses lados, uns chefs de nome afrancesado. Vêm cá para nos dizer como é que se cozinha com toque refinado. Vêm de manteiga e nouvelle cuisine pra ensinar o que se come em padrão de quem anda de avião, porque país que se preza tem Hilton, Ritz e Copacabana Palace.  

Não é desfeita nem aporrinhação é que no Brasil cabe tudo. A nossa panela é um caldeirão! 

Brasileiro é conservador em tanta coisa, mas no prato, pelo menos na formação, não. A coisa é mais ou menos assim, se vem novidade e é gostoso, bota aí que a gente come com feijão. Ou põe leite condensado, que tudo sempre fica bom.  Ah! Como se come açúcar nessa terra de cana! 

Muito se fala de quem vem e fica, mas a gente viaja também.  Não nascemos passarinhos, mas foi Dumont quem inventou o avião. E ele não era brasileiro?  

Quando a gente manda o filho de intercâmbio ele não aprende só inglês ou alemão. Vai que volta com manias e predileções que por aqui não aprendeu. Quanta vez não traz além do chapéu do Mickey e do novo celular, uma garrafa de uísque ou um potinho de caviar? Um queijo da Serra da Estrela, um chocolate ao leite de vaca holandesa.

Difícil é pensar que quem se junta por mais tempo que um quilo de sal não leve e nem deixe um pouco de si, e é na comida que, apesar da resistência, vem a experiência. 

Depois de uma pincelada de história, já é hora de dizer que a gastronomia virou febre por aqui. É tanto curso, programa de televisão, tanta revista, tanto site, blog e gravação que no youtube tudo se acha, mas o comer de todo dia, o que faz o nosso ganha-pão, é na marmita ou no quilão.   

Ingredientes não nos faltam. Também não nos falta imaginação. A questão é por no prato o que alimenta, sacia e faz feliz já que comer é o prazer que nos resta e nos restaura. 

Estudar num só período cozinha regional brasileira e cozinha internacional é ter a oportunidade de enxergar nuances antes improcedentes. Não havia dúvidas, só a certeza ignorante de que tudo sempre tinha sido assim, de um certo jeito, e estava ali desde quando nem se pensava. Então o que parecia sempre ter sido passa a ter origem, motivo, razão, lugar, influência, sabe-se lá o que mais. Tudo passa a ser reflexão. E o ato de comer nunca mais será o mesmo. O de cozinhar também não.  

Entre semelhanças e diferenças, um novo mundo de oportunidades se tece numa rede inesgotável de paladares, texturas, aromas, cores e, principalmente, histórias, influências e tendências que fazem da culinária e da gastronomia uma coisa só, tão rica e generosa que só um Brasil inteiro pra caber não é o bastante. 

Não é preciso vasculhar baús, nem remexer toda a história para perceber o que está na cara. A gente come tudo junto e misturado, mas o nosso paladar está ainda em formação porque somos um povo que ainda não está pronto, graças a Deus! Brasileiro é assim e é assim que tem que ser, mas como é que é mesmo? A gente é mulato, branco, preto, japonês mesmo que coreano ou chinês. A gente é índio mesmo sendo boliviano e é gringo e pronto se vier com sotaque. 

Brasileiro come feijão, arroz, mandioca, abóbora, amendoim, milho, banana, manga e goiaba e tem um monte de fruta de nome esquisito que a gente também apreciaria se encontrasse por aí, tanto nacional quanto importada. Come peixe, carne até morrer e quase todo dia, come macarrão mais que na Itália, come sushi até de morango e pizza de brigadeiro. A gente ainda come esfirra, quibe e coxinha e todos parecem da mesma família, só que não! 

A mixórdia daqui é só pura confusão, nada tem de comida malfeita como quer o dicionário, ali por sua terceira ou quarta interpretação. O que tem de Brasil nesses brasis que o prato difere enquanto iguala, é o que comemos nós que somos preto, índio, branco e quem mais veio depois, numa farta e pra lá de promíscua miscigenação.  Mas, se acaba a ideia para a próxima refeição, a gente faz um virado com o que tem na mão.  Bota farinha, um temperinho e tudo fica bom. 


Esse texto  é uma adaptação (com outro final) do que escrevi para o Projeto Integrado Multidisciplinar - PIM que encerrou as atividades do quarto e último semestre do curso de Gastronomia da Unip - Universidade Paulista, na última segunda-feira, 5/dez/2016.  Depois de todo esse palavrório, vinha um menu com harmonização, fichas técnicas e justificativas para o trabalho, que aqui não cabem ser publicados. 

Dedico essa publicação, em especial, aos meus colegas de grupo Cauê, Nathália, Santília e Elaine, aos demais colegas da classe atual e das demais classes que participei na UNIP (foram 3 diferentes, pelo menos);  aos nossos professores e a todos os profissionais que vivem de fazer comida no Brasil. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Tabule adaptado

Comer bem não depende do mundo, 
mas da vontade da gente

Depois de alguns meses, como eu mesma digo, que dei uma degringolada total na minha alimentação, essa semana recomecei do zero. Estou a fim de ficar mais saudável, ter mais disposição e viver melhor e, mais que qualquer coisa, sei que a comida do dia a dia faz toda diferença na vida da gente. 

Os exercícios físicos regulares também são fundamentais, mas, confesso que não sou muito fã de fazer ginástica e ainda muito menos de academia. Há anos faço ioga, o que me ajuda muito em ter alongamento e flexibilidade, mas meu condicionamento cardiovascular não é dos melhores. Se eu tiver que correr um quarteirão, logo estou ofegante. Mas isso também vai mudar. Aliás, já está mudando! 

Voltando ao assunto que é comer bem, voltei às saladas. Ah! Os vegetais combinados com algumas proteínas e oleaginosas, temperados com molhos prazerosos feitos com azeites, cítricos, iogurtes e ervas, mas um toque de sementes, são um deleite. 

tags: comer bem, comida saudável, salada, tabule, comida mediterrânea

Curioso é que quando estamos em situação de "ladeira a baixo", seja lá por que for, se por tristeza, solidão, correria, doença ou até mesmo naqueles períodos românticos que a gente "só se quer amar, se quer amar", não são as saladas que abrem o nosso apetite. Pra mim pelo menos, quando busco aconchego para comer, ou seja, se quero algo bem confortável, penso num arroz grudadinho no fundo da panela com aquela gordurinha do cozimento do frango. Logo me vem também a imagem de um doce bem calórico à cabeça como um bolo de aniversário recheado com doce leite, coco e abacaxi ou ameixa.  Mas, eu sinto imenso prazer quando me alimento de saladas, sucos, carnes sem gordura e, principalmente, quando diminuo a quantidade de pães e massas. 

Constatado isso, não sei dizer ao certo porque a comida mediterrânea faz tanto a minha cabeça. Eu simplesmente a-do-ro! Quando se trata de pratos com características árabes, turcas ou libanesas, então, nossa!, me entrego totalmente. 

Ontem, portanto, foi dia de fazer uma salada com elementos dessa culinária. Fiz tabule, uma típica salada libanesa. Só que um pouco adaptado. Deu super certo! 


Tabule 

Ingredientes

1 xícara (chá) de farinha de quibe ou triguilho 
1 cebola pequena picada em brunoise
1 pepino médio com parte da casca 
1 tomate grande bem vermelho e firme 
alface americana picada
10 tomates cereja 
5 folhas de espinafre
1 fatia de queijo feta 
1 fatia de queijo minas curado picado

Para temperar: 

- azeite extravirgem, sal, pimenta do reino, limão siciliano e tahine

Modo de fazer

Demolhe a farinha de quibe por pelo menos uma hora, escorra a àgua e aperte bem para tirar todo o líquido. Corte o pepino, o tomate e os queijos em cubos regulares e similares. O tomate cereja pode ser partido ao meio. Pique a alface e o espinafre em chifonade (o corte da couve, bem fininho). Misture todos os ingredientes e tempere com os itens sugeridos. 

Ficou uma salada sensacional. Não tinha vontade de parar de comer. Leve, suculenta, com ingredientes bem combinados entre si, tudo de bom! 

O que faltou para ser um tabule convencional?  Hortelã, salsa e cebolinha. Eu fiz à noite, não tinha esses ingredientes em casa e não queria esperar até o dia seguinte pra comprar. A adaptação ficou ótima. 

Essa salada combina muito bem com homus, babaganuche, coalhada fresca, pão sírio, kafta. quibe. Hummm, isso já seria um banquete. 




foto: Tudo Gostoso
E é assim que a vida vai voltando ao normal. Ando fazendo muitas saladas, testando texturas e combinações e uma hora qualquer consigo publicar tudo por aqui, Em especial, as que acho que mais valem a pena. 

Comer bem é uma escolha. Assim como viver bem. Não depende do mundo, depende da vontade da gente. Pense. 



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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Berga - Na Catalunha, rumo aos Pireneus

Férias de julho 2016 - Capítulo 4

Depois de Barcelona, olhando no mapa, subimos pela Catalunha em direção aos Pireneus.  Aquela cadeia de montanhas belíssimas que separam a Espanha da França tem esse nome e, pelo que aprendi na viagem, sempre foi uma região bastante disputada já que é uma cordilheira que separa a Península Ibérica (Espanha e Portugal) do restante da Europa. 


A razão é até simples de entender. Pense numa extensa barreira natural com cerca de 430 quilômetros de comprimento. Se de um lado há interessados em conquistar o outro lados, por questões religiosas e políticas, ela terá que ser atravessada independentemente do quão difícil seja o trajeto. Isso ocorreu inúmeras vezes na história. 

Nessa região, brincamos que em cada topo de morro há uma igreja românica, restaurada, preservada ou em ruínas. Essa é a prova de que por ali já houve domínio mouro muçulmano e que, a partir do século X ou XI, houve uma retomada cristã católica.  


Atualmente, há algumas rotas do Caminho de Santiago de Compostela que passam por ali. Por isso, a gente vê muitos peregrinos pelas estradinhas, especialmente naquelas em que, graças a beleza estonteante,  paramos para um piquenique durante nossa trajetória feita de carro. 


Antes de chegar aos Pireneus, já no caminho, paramos numa cidade muito acolhedora: Berga (se diz Bergá). Lá se fala catalão e espanhol, as pessoas são muito gentis, há passeios de subida de morro super interessantes de serem feitos, esportes como esqui e asa delta, e, o que mais me interessa, comida boa, muito boa! 

Num domingo, nosso passeio foi ao Santuário de Queralt, onde, após termos subido um trecho alto de carro, tomamos um funicular e depois continuamos subindo a pé mais cerca de 15 minutos, tivemos uma vista esplêndida da grandiosidade do que seriam os Pireneus.  






Ao descer, percorremos as ruas do centro histórico, uma vilinha bem medieval, e depois paramos num restaurante na praça. 

Um pouco reticentes devido ao nome Frankfurt, logo fomos convencidos por uma das donas do lugar que ali poderíamos comer bem. Ela se dedicou a nos explicar de ponta a ponta todos os itens do cardápio, parando em alguns pontos para nos sugerir o que melhor se encaixaria na nossa fome, bolso e necessidade de experiência. Isso é hospitalidade, o resto é conversa. 

Foi ali que pedimos, pão com tomate e uma salada com foie gras, para o Silas, tortilla de bacalao. Para acompanhar, sangria, a típica bebida que os espanhóis fazem deliciosamente, bebem deliciosamente, dão para os filhos ainda pequenos e para os turistas se alegrarem. Depois disso, só nos restava voltar ao nosso albergue para descansar já que foi um esbaldar de sabores o que nos foi oferecido. 








Não há muito mais a dizer, só uma recomendação básica. Esqueça a ideia de que a Espanha é feita apenas de Madri, Barcelona, Córdoba, Sevilha e Granada. Essa região que é pouco falada nos guias aqui no Brasil é linda, romântica e muito saborosa. 

Em Berga fomos super bem tratados e, além disso, nessa cidade, numa noite enluarada de sábado, as pessoas dançaram (e deu a impressão de que dançam com frequência) uma espécie de ciranda na praça. Ali, há um senso de comunidade e de pertencimento invejáveis para qualquer cidadão do mundo, em especial, para quem deixou uma cidade pequena para viver numa grande em que mal os vizinhos se cumprimentam. É o meu caso. 


As fotos falam o resto. 


Boa viagem aos Pireneus da Espanha

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