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sexta-feira, 26 de maio de 2017

As regras do bom hóspede

Em todo tempo e lugar estamos sempre pensando que o cliente é rei. Também pensamos que quando viajamos e nos hospedamos numa pousada ou hotel ou mesmo na casa de alguém seja amigo próximo ou distante ou, quem sabe, amigo de um amigo, ou pode ser ainda alguém que aluga parte de sua casa, sempre podemos nos comportar de maneira relaxada e descontraída. Afinal, não é esse o nosso propósito quando viajamos por lazer? Temos em mente nosso merecido descanso e que, diante do pagamento da estadia, tudo podemos. 

Ledo engano, é o que eu lhe digo. 

Não é bem assim que funcionam as relações de hospitalidade. 

Por mais que estejamos alugando temporariamente um espaço e que, por isso mesmo, esse passa a ser um lugar nosso, no qual nós fazemos o que bem quisermos, as coisas não são assim. 

Existem regras que, mesmo não escritas, estão implícitas nas relações entre pessoas. É sinal de boa educação não usurpar da hospitalidade alheia. Quanto mais folgados os hóspedes, menos desejados eles serão.  

Não estou aqui dizendo para você lavar o banheiro e esfregar os azulejos do hotel, nem fazer sequer a cama, já que você contratou um serviço de quarto quando se hospedou. O que estou dizendo é que existem atitudes que não são próprias de bons hóspedes.  

- tags: educação, etiqueta,boas maneiras,hóspede,ser bem recebido

Por exemplo: não é de bom tom deixar roupas espalhadas pelo chão, restos de comidas de qualquer espécie abertas, em especial as que alastram cheiros pelo ambiente,  toalhas e/ou lençóis manchados (seja de tinta, sangue ou qualquer outro fluido corporal), nem o ar condicionado ligado quando você está fora.  Essas atitudes, além de demonstrar que não se tem boa educação, sugerem que lhe falta empatia, porque será uma pessoa como você,  igualmente um ser humano de carne e osso, quem vai recolher a sua bagunça, que vai limpar os seus dejetos, recolher o seu lixo.  

Não é porque você pagou que pode se esquecer disso. 

Eu acredito e professo que uma boa conduta sempre começa com dois pequenos pontos: alteridade (respeitar o outro em suas diferenças) e empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro). 

Num país de raízes escravagistas, segregacionistas e oportunistas como o nosso, que em dias como os atuais, está mais que demonstrado o execrável e condenável modus operandi dos políticos que vendem seus votos, num incessante toma lá - dá cá,  precisamos começar a repensar nossas atitudes mais corriqueiras.  Tratar as pessoas com respeito, dignidade e defender até o fim a igualdade de direitos e condições é primordial para que as mudanças possam acontecer. 

Como meus temas aqui são a gastronomia e a hospitalidade, meu exemplo vem daí, da minha atitude como hóspede. 

Chega dessa sensação de que porque somos clientes, hóspedes ou convidados devemos ser reificados, isto é, vistos como reis. Isso é uma desculpa para nossas atitudes arbitrárias, o que nos torna gente folgada e reforça valores sem noção do outro. 

Quando vamos à casa de alguém para visitar ou para passar uns dias, seja quem for que nos receba merece a nossa cordialidade, nossa deferência. Não há regras escritas sobre isso, é algo pré-existente. 

Cumprir o que foi combinado previamente como datas de chegada e previsão de partida, ser pontual ou avisar que está atrasado, ser cortês, presentar com um mimo ou algo para a casa, oferecer flores à dona da casa, por exemplo, ou ainda se oferecer para lavar a louça ou retirar os pratos da mesa, são bons modos. Isso sem nem começar uma vasta lista de atitudes que pais de crianças pequenas deveriam conhecer, mas que fazem questão de justificar com um mero "ah! é coisa de criança". Uma dica: se você tem filhos e/ou netos pequenos, dar-lhes limites, especialmente, na casa alheia é sinônimo de lhes dar boa educação. Isso não é frescura, nem castração.  Isso fará deles pessoas bem-vindas em todos os lugares.  


Imagem: Di Vasca - uol.com.br 


Nas regras de hospitalidade, o hóspede deve respeito ao seu anfitrião, ele não usurpa do que lhe é oferecido, nem se comporta como se estivesse em sua própria casa. Sentir-se acolhido é uma das melhores sensações que podemos ter, mas isso implica que devemos merecer o acolhimento comportando-nos adequadamente. 

Por mais que eu goste da frase que diz que regras existem para serem quebradas, tenho plena convicção de que quando nos conscientizamos do nosso papel e respeitamos o próximo não teremos tanto prazer assim em jogar fora alguns valores tão essenciais para o bom convívio. 

Tomar vinho branco com carne vermelha pode ser uma quebra de regra aceitável, mas há outras que, definitivamente, não são. 

Pense. 
****

Coluna publicada sexta-feira, 26/maio/2017 em Itu.com.br - Gastronomia & Hospitalidade

segunda-feira, 7 de março de 2016

A hospitalidade de uma festa de casamento

De volta

Um mês depois...  Estou de volta. Peço desculpas aos leitores, mas rolou tanta coisa e, devo confessar, não dei conta. As palavras não vieram e os textos acabaram não sendo publicados.  Mas nada que a gente não possa tirar o atraso. 

Nesse mês de fevereiro e no início de março, foram muitos os eventos e todos bem emocionantes. Entre eles, voltei ao curso de gastronomia, fiz um curso sobre o papel dos aromas na comida, teve o Carnaval, o incrível show dos Rolling Stones, a quinta edição do Lá em casa pra jantar (ou a primeira de 2016) e um evento em especial,  o casamento da minha prima mais nova, a Mariana (com o Fernando), lá em Itu, no último sábado. 

A Mariana é minha priminha, filha do tio Miro e da Maria do Céu, que nasceu quando eu e meus irmãos já éramos quase adultos. Nós somos os primeiros netos, ela é a caçula. 

Nunca brincamos juntas quando crianças, afinal ela é da geração da Bruna. Também não tivemos um contato próximo desses feitos de longos bate-papos em família porque esse lado da minha família, o paterno,  nunca foi muito de se reunir. Os irmãos, Antonio, meu pai, Mercedes, Miro, Neide e Zé Maria, não foram os melhores companheiros da vida. Tem família que é assim e só. No entanto, nas vezes que,  entre primos, pudemos nos juntar (e as últimas vezes foram todas em casamentos: o do Marcelo, o da Cássia, o meu, o da Camila e agora o da Mariana) foi uma grande alegria para todos. Os laços fraternos e familiares existem e são sólidos.

Uma festa de casamento é quase sempre cheia de muita emoção: dos noivos, dos pais, padrinhos, da família e dos amigos que, em resumo, fazem a festa acontecer e ser memorável. Com os anos, todos serão relembrados nas fotos não só por sua participação, mas também por suas roupas caprichadas e na moda, suas maquiagens e penteados, especialmente, feitos para a ocasião. 

Embora a gente saiba que sem a presença das pessoas não há festa, mas para que seja realmente boa, tudo o que parece encantadoramente simples durante uma recepção de casamento foi pensado, planejado e, houve muito investimento para que ocorresse.  

Os noivos planejam tudo para que o dia seja perfeito. Para isso dedicam meses de suas vidas corridas fazendo degustações, separando fotos, escolhendo tecidos, flores, cardápios, músicas etc. Até a liturgia da igreja, eu soube no sábado, é escolhida pelos noivos. Não é só tempo que dedicam, também investem altos recursos financeiros para garantir que tudo que está na moda na indústria do matrimônio esteja plenamente adequado às tendências. Cada festa é uma, mas todas guardam semelhanças entre si e, claro, não há quem não queira apresentar uma surpresa ou algo diferenciado para seus convidados. 

Mesmo sem saber, quando oferecem uma recepção, seja qual for o formato, os noivos e seus pais, estão alinhados aos princípios da hospitalidade: receber, hospedar, alimentar e entreter. 

No casamento de sábado passado não foi diferente. Tudo estava impecável. Cada detalhe planejado com rigor para que parecesse casual. Sem exageros, mas com muito bom gosto.  Dos músicos na igreja aos chinelinhos distribuídos para que as mulheres pudessem dançar sem o desconforto das sandálias ou sapatos apertados, cada item parecia estar onde deveria estar. 

Desde que recebemos os convites e confirmamos presença, já sabíamos que seria assim, mas é sempre muito bom ser bem recebido. 

Recepcionar/ bem receber/ hospedar: logo na chegada, as recepcionistas nos indicaram que deveríamos ocupar as mesas de uma determinada área em que estavam também os nossos parentes. Assim, todos ficamos próximos, um cuidado que nos permitiu curtir mais as pessoas que tanto prezamos. 

Alimentar: da mesma forma, a comida foi cuidadosamente escolhida para garantir que gregos e troianos pudessem se alimentar com prazer. Para quem não come carne, havia risoto, para quem é carnívoro, tinha um delicioso steak a poivre, perfeitamente preparado. Dos finger foods servidos à mesa, às ilhas de antepastos, entradas e saladas, ao menu quente e às sobremesas, assim como a mesa de doces e bem-casados, tudo atendia à diversidade dos paladares. Uma delícia! E olha que o menu era extenso... ah! e tinha risoto para servir mais de 300 pessoas, coisa bem difícil de acertar, o que é sabido pelos que lidam com comida em buffet. 

Ainda teve bebida da melhor qualidade: whisky, vinho, cerveja, refrigerante, água com e sem gás (eu tomei espumante a noite todinha, da hora que cheguei à hora que saí) e, inclusive, batidas de frutas feitas na hora de acordo com o gosto do cliente. Alegria garantida!

Entreter: A festa ainda teve música também para todos os gostos. Quando nada mais podia melhorar, veio uma banda que tocou ao vivo os ritmos que agradaram os jovens e também os mais velhos. Muito animado. Como antes mencionei os chinelinhos, era mesmo para dançar!

Casar está na moda. Voltou à moda. O que quero dizer (ou arriscar a dizer) é que mais gente casa com pompa e circunstância na geração da Mariana do que casava na minha. As festas são ótimas e, quase sempre, muito caras.  Mas, segundo quem casa, vale muito a  pena. É como fazer uma linda viagem. 

Para nós, os convidados, celebrar o enlace, o matrimônio, o casamento, as bodas, a festa, seja qual for o nome que se dê, é poder testemunhar a alegria das pessoas que tão generosamente nos quiseram por perto numa situação tão especial. Na igreja, as memórias florescem e voltam imagens de longa, longa data. Cresce um sentimento de harmonia, de paz que a gente leva pelos dias que seguem. Eu, pelo menos, me sinto assim: alegria, feliz mesmo. 

Lá pelo meio da festa, o Silas comentou comigo que a noiva, ao discursar, agradeceu a presença das pessoas, mas que quem prepara uma festa tão bonita para receber tanta gente é que deve ser agradecido. 

E é assim que se completa o ciclo da hospitalidade: quem é recebido deve retribuir a dádiva. 

Nós, Mariana e Fernando, agradecemos e oferecemos a nossa casa para vocês. Espero que um dia possam e queiram nos visitar para que possamos retribuir tamanha gentileza. Para que de novo a gente tenha a chance de lhes desejar só coisas boas durante toda a vida. Uma vida inteira de felicidade, de verdade! 


Eu, tio Miro e Cris
Como disse, o casório foi no sábado passado,  e nele reencontrei pessoas caríssimas da minha vida, gente que quase não vejo, mas quando estamos juntos me fazem sentir alegria. Então, me encho de amor. Isso é o que chamo de felicidade! 

As Gavis: tia Neide, minha mãe Neuza, Stefânia, Leiticia, Cássia, eu, Cecilia, bem atrás da noiva, Paula, Cris, Camila, Bruna e Giovana. 



quarta-feira, 29 de julho de 2015

Ser bem recebido

Coisa mais gostosa não existe!

Chegar à casa da mãe, de um filho, irmão ou amigo e sentir que estava sendo esperado com carinho é a melhor sensação, talvez a mais aconchegante entre todas, que alguém pode ter.

Nessas férias de julho fomos presenteados pelas mais doces recepções nas casas em que estivemos.

Tudo começou com a Raquel, que é esposa do Ian, filho do Silas. Minha nora por extensão e acolhimento, assim como a Júlia, do Pablo, e a July, do Arthur, nos recebeu com os braços abertos, um sorriso cativante de alegria e em sua casa estava prontinha e arrumada, especialmente pra nós, uma caminha gostosa, com lençóis esticadinhos, toalhas de banho limpinhas e cheirosas, bem fofinhas. Como já era noitinha, ela pôs uma mesa com pães (entre eles um de azeitona simplesmente sensacional!), queijos, presunto cru, pistaches, folhas verdes e tomatinhos cereja, e, nem bem chegamos, um espumante espocou e foi servido bem fresco. Nem é preciso dizer que matamos a sede com ele.  Que bom início de jornada!

Assim se seguiram as chegadas. Estou aqui pensando em como fiquei feliz ao ver, na casa do Pablo e da Júlia, o mesmo cuidado quando chegamos depois de mais de seis horas viajando num ônibus congelante e, também em casa de Renata (como se diz na Bahia), de regresso nesse mesmo ônibus: aqueles travesseiros arrumadinhos com fronhas tão macias compondo as camas arrumadas prontas para dormir. Prontas para o nosso descanso de uma viagem num trecho cansativo para percorrer.

Em casa de Aloisio (olha a baianidade reinando novamente), onde não haveria pernoite, era a mesa que estava linda, os pratos dispostos, bem arrumados com seus pares de talheres e uma bela seleção de copos prenunciando que haveria muita comida harmonizada ao melhor estilo chef  Pontes, como agora eu chamo meu "padinho" baiano, que, de nascimento é mineiro. Aloísio é meu padrinho mesmo, de verdade! Dia desses conto essa história, mas não agora.

Cada episódio de chegada, passeio e tempo de permanência nos locais onde estivemos merece uma descrição pormenorizada, o que talvez pudesse render um livro a que chamaria de Férias 2015 no Brasil. Por enquanto, só a versão reduzida, com impressões. Sabe-se lá se não virão posts específicos nos próximos dias.

Camas feitas, mesas postas, coisinhas gostosas para comer, abraços calorosos, sentimento vivo, saudade sendo recriada porque dali a pouco a gente vai dizer tchau pensando que volta em breve, quem sabe, ou que logo vai  se ver em São Paulo, o que também pode ser...

Quando criança, ouvi algumas vezes do meu pai, com sua incrível habilidade de sintetizar em frases curtas algumas sabedorias inestimáveis, que "visita é uma alegria quando chega e duas quando vai embora". Jeito engraçado e, se descontextualizado, até um pouco rude de nos ensinar que abusar da hospitalidade dos que nos acolhem é prática inaceitável.

Por isso, acho que visitar pessoas tem que ter o tempo de passar uma chuva: às vezes mais longa, que demora até uma temporada, outras, só uma breve tempestade de verão, que dura uma hora e já faz estrago mais que suficiente.

Há casas de amigos nas quais nos sentimos tão bem que parecem ser nossa outra morada. Eu sempre digo que tenho um lar em São Paulo, outro em Itu, mais um em Salvador, um no Rio... e até um na Alemanha!

Chegamos de viagem com a mala cheia de roupas sujas, a máquina fotográfica lotada de fotos feitas pelo nosso olhar, eu, pessoalmente, com uma indisposição física resultante de uma infecção alimentar, mas, mais que tudo, com coração e a alma repletos do mais terno amor, do sentimento de amizade sincera e aquecidos pelo calor humano dessas pessoas tão especiais que nos fizeram sentir amados, cuidados, bem vindos, afinal!

De regresso à casa, nos esperava a Nina, nossa gata amada. Mais gordinha, até assustamos, e dois dos meus três vasos de orquídeas completamente floridos. Uma benção! 



Ian mostra seus dotes culinários


Momento degustação...


O sorriso do chef Aloisio Pontes


Registro que subi o Morro do Pai Inácio


Brincando de casinha na praia de Inema com Renata


A casa nova do Pablo e da Juju! 
Meditação do antropólogo

Orquídeas de regresso

domingo, 5 de julho de 2015

Um piquenique de aniversário no domingo

Feliz é o domingo nublado e frio que a gente acorda e sabe que pode continuar por mais algum tempo na cama quentinha. Sem culpa! Como hoje. 

Feliz também é o domingo que o sol está radiante e você marcou um piquenique com as pessoas que mais ama e tudo dá certo. Como na semana passada. 


Jardim da Sala Cinemateca em São Paulo




Você já participou de um piquenique? É uma delícia! Eu gosto muito, acho um charme. 

No domingo passado, durante o dia todo teve sol e um friozinho bom, bem agradável.


Minha mãe!
A sombra das árvores, uma toalha xadrez, uns cuidadinhos para deixar tudo bonitinho e confortável, comidinhas gostosas e, claro, amigos muito queridos por chegar. Desta vez, até a minha mãe veio. Não é demais?    

Para um bom piquenique, alguns itens são necessários e sempre dá pra adaptar, caso esqueça alguma coisa. Por exemplo: toalha, se substitui por canga, pratos por guardanapos, faca por canivete. 





No meu caso, preparei um piquenique de aniversário, quase nada foi improvisado. Verifiquei o lugar com antecedência, assim como convoquei os amigos e tive confirmações de quem iria, preparei toalhas, pratos, copos, talheres, guardanapos e algumas comidinhas que me pareciam fáceis e agradáveis para quem chegasse. As bebidas também são muito importantes, às vezes, até mais que as comidas. Tivemos vinhos, chás, refrigerantes e água.

Apesar da minha organização que contou com a indispensável ajuda do Silas, o formato que adotamos foi bem comunitário. O combinado é que todo mundo levaria alguma coisa pra comer ou beber. O piquenique, neste caso, é uma festa bem participativa. É muito gostoso porque dá pra experimentar sabores e texturas bem diferentes numa mesma refeição, que por sinal, dura muitas horas. O nosso piquenique começou às 11 horas da manhã e terminou às seis da tarde, já com a lua bela no céu nos dando boa noite. Sucesso total! 

Uma ideia que deu muito certo no piquenique foi a de fazer chás frios em lugar de refrigerantes. Algo mais saudável, diferente e sustentável. Fiz chás de calêndula com menta, capim limão e de hibisco. Um cuidado importante é que sempre há pessoas que não consomem açúcar, o que me levou a fazer versões adoçadas também com adoçantes. 

Coloquei os chás em garrafas plásticas do tipo PET, o que facilitou em não ter que trazer tudo de volta pra casa. O descarte de material é sempre algo a ser pensado, portanto, um item indispensável nesse tipo de evento é o saco de lixo. Se for possível, fazer a separação dos resíduos antes de descartá-los é um ótima ideia. 

Uma dica pra quem vai a um encontro desses é sobre o que não levar: ovos, cremes, maionese, limão, ou seja, itens que podem estragar ou causar queimaduras, como é o caso do limão ou outras frutas muito ácidas na ação do sol. 

Bom mesmo é levar sanduíches prontos, bolos, frutas, pães, tortas. Como era meu aniversário, fiz também brigadeiros e beijinhos, preparei vidrinhos com castanhas e frutas secas, sanduichinhos naturebas, terrine de abobrinha e uma torta de coco.  








Os amigos trouxeram comidas deliciosas e ainda ganhei lindos presentes.



A semana passada foi muito atípica, aconteceu tanta coisa... 

Como só conto as boas (que é o que vale a pena saber porque a vida tem que ser boa), na segunda, 29 de junho, dia de São Pedro,  foi meu aniversário. Começando a comemoração rolou o piquenique no domingo, 28. No dia seguinte, viajamos, Silas e eu, para um lugar muito especial, que chamamos paraíso. Fica em São Francisco Xavier, a pousada Villa Vittoria. Se tiver chance um dia desses, vá. É muito especial e infinitamente romântica!





Essa semana aprendi ou relembrei algo muito importante: por pior que tenham agido com você, nunca se deixe contaminar. Às vezes, é só esse o propósito de quem o feriu, mesmo que inconscientemente. Mas, ninguém pode ser capaz de estragar a sua felicidade porque ela está em você! 

Desejo uma semana cheia de alegria, com amor e sem rancor, que é o que contamina a vida da gente. 

Um grande abraço! 



>>> Conhece o projeto Lá em casa pra jantar

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Uma roda de mulheres - papo e cozinha

Coisa mais delicada e confusa não existe. Todas se entendem mesmo falando ao mesmo tempo e sem parar. Não há momento de ouvir e de falar. A urgência de viver é uma constante, então os sentidos funcionam simultaneamente. Mulheres falam muito e ponto. Têm tanta informação pra trocar que uma vida inteira e longa não deve bastar.  Se estão em volta de uma mesa e o assunto é comida não há quem segure.

Ontem, segunda-feira, 10/novembro, no Sesc Consolação, no período da tarde, acompanhei a oficina Memórias e Sabores da Cozinha Árabe, ministrada pela atriz Valéria Arbex, que está em cartaz no mesmo local com a peça Salamaleque, para senhoras, ou melhor, para "meninas da terceira idade". 

Entre cartas e grãos-de-bico é um projeto, do qual faz parte a peça de teatro, oficinas e encontros que propõem integração, valorização das relações humanas e o resgate das lembranças e da cultura por meio da conversa, da afetividade, do convívio e da comida. 

"A culinária árabe e a oralidade são os pilares da pesquisa que deu origem ao espetáculo", é o que diz o folder de divulgação do evento. E é exatamente a partir disso que tudo acontece ali, na vida real, em tempo corrido, quando estão reunidas duas dezenas de senhoras. 

As receitas, embora sem nenhuma sofisticação, soam como uma grande descoberta. Não há nada de muito inovador em cobrir o pão com ervinhas maceradas com azeite e sal e levá-lo ao forno para torrar levemente. Minha mãe já fazia essas torradinhas saborosas para acompanhar um aperitivo alcoolico ou não desde que eu era bem criança. Mas a graça está na disposição que Valéria tem de propor que a atividade seja desenvolvida por mãos tão experientes como as daquelas senhoras, oferecendo a elas uma oportunidade de reaprender, revalidar, e até ressucitar conhecimentos antigos, com um olhar novo. 

É nesse momento que acontece a mágica. Tudo se transforma em aprendizado e todas ali se tornam aprendizes, são novamente colegiais. É, no mínimo, encantador. 




Na prática, foram apresentadas algumas ervas já conhecidas como o manjericão, a salsa japonesa, o tomilho, o orégano (que veio fresco e é uma novidade para muita gente) e outras não tão populares no Brasil, como o dill,  e o zatar. Este último uma folhinha de origem árabe que, segundo a Valéria, é muito boa para a memória, "por isso as mães sírias e árabes costumavam por juntamente com o pão na lancheira das crianças quando iam pra escola". Causou frisson, porque se há uma preocupação na terceira idade é o esquecimento, a falta de memória. 

No Brasil, o zatar é comumente vendido já processado e como um condimento misturado a sumac ou sumagre e gergelim. 

Além das ervas, o pão sanabel e o babaganuche, feito de berinjela, tahine e temperado com alho e limão. 

Teve também uma água saborizada com essências que podem ser compradas no empório árabe, na região da rua 25 de março, reduto da cultura árabe em São Paulo. Para dar um gostinho especial à água: essência de água de rosas ou de flor de laranjeira, xarope de romã doce, folhinhas de hortelã, duas rodelas de limão siciliano ou limão cravo e um pouco de gelo. Cinco minutos descansando e ah! que gostoso matar a sede com algo tão especial. 

Manifestação de afeto

Valéria Arbex tem um forno de 1956 ou 57, elétrico, que ainda funciona perfeitamente. Ela lida com ele como um parente próximo, de quem gosta muito e cujos atributos são dignos de serem apresentados publicamente. 

Para Valéria Arbex, "a comida tem uma relação direta com o afeto", é um elemento muito forte da cultura que permanece mesmo em situação de mudança de país. "Tem gente que se muda e nunca mais volta para a terra natal, mas a comida, o jeito de preparar, as receitas, mesmo sendo adaptadas aos ingredientes locais, essas vêm com as pessoas e ficam, se perpetuam". 

A tarde passou rapidamente. Teve conversa, comida e degustação, poesia, memórias e aplausos para as meninas que executaram perfeitamente a lição da professora Valéria. Tudo com graça, com doçura. 

Pra mim, estar ali, foi uma honra. Ainda não cheguei na terceira idade e portanto sou forasteira. É assim que as meninas tratam as mais jovens, como se tivessem o privilégio da mocidade, dos movimentos e do raciocínio rápidos. Esquecem talvez, não por falta de memória, que seus anos a mais, lhes dão um brilho admirável, uma aura de conhecimento e experiência que lhes confere o nosso respeito e o desejo de também um dia chegarmos lá.  

Parabéns ao Sesc mais uma vez e a Valéria Arbex, uma beleza de criatura. 

Serviço: 

Espetáculo Salamaleque - Com Valéria Arbex - Dia 11 de novembro de 2014, às 15h e às 20 horas, espaço Beta, 3o. andar. Duração: 100 minutos 

Sesc Consolação - Rua Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque

Para saber das atividades da atriz, acesse www.facebook.com/ciateatraldamasco 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Para receber os amigos

Nada pode ser mais alegre do que reunir amigos numa data especial. Para isso eu penso que é preciso preparar comidinhas e arrumar a casa, deixar tudo bem bonitinho. A regra é a seguinte: se os seus convidados se encantarem com o ambiente mas acharem que tudo está ali meio que por acaso, ainda que você tenha tido muito trabalho pra fazer, valeu a pena. Nunca deixe a casa arrumada de um jeito que as pessoas tenham medo de tocar. Isso é o oposto do aconchego.

Ontem, foi o aniversário do Silas (e por consequência do Eneas, já que eles são gêmeos) e ficou por minha conta organizar uma happy hour para receber os amigos.

Foi uma delicia! Mas como o Silas só decidiu que queria comemorar desse jeito na quinta-feira, eu comecei os preparativos na sexta.

Primeiro discutimos o que seria servido e como eu ando encasquetada com comida mediterrânea, sugeri que fizéssemos antepastos mediterrâneos. Pesquisei um tanto e vi que não seriam itens muito diferentes dos que já estou acostumada a servir: pães, azeites, queijos, tomates, berinjelas, homus, azeitonas enfim, comidas que são típicas dos países que circundam o mar Mediterrâneo.

Só um parêntese. Nessa minha busca por informações encontrei um blog super interessante da Rosely Archela, chamado Agenda da Casa. Uma sugestão interessante para quem, como eu, quer saber mais sobre Cozinha Mediterrânea.

Fiz uma organização mental sobre o que teria que preparar e pus a mão na massa.

Na sexta de manhã, comecei os brigadeiros: fiz quatro receitas, o tradicional, beijinho, de café (que é o preferido de quem já provou) e de chocolate branco com damasco.  Ficou para o sábado, fazer o bolo de chocolate com recheio de beijinho e cobertura de prestígio. Tradicionalmente, aniversário precisa de bolo para cantar parabéns!

À tarde na sexta, fui para a Zona Cerealista com a lista na mão: azeitonas, alcaparras, queijos, chancliche, farinhas de trigo branca e integral, aliche, alguns vinhos (caso encontrasse bons rótulos),  pão sueco, castanhas e amendoins, damascos, ameixas, e por aí vai...

Foi rápido e prático. Nem parecia sexta-feira. O Silas foi comigo. Entre chegar, estacionar, comprar e voltar, gastamos uma hora e meia. É bom ver que a qualidade do atendimento daquela região vem melhorando muito. Vi novas lojas, mais limpas e bem cuidadas e, como já comentei em outro post melhorou a qualidade das calçadas (embora agora seja zona azul) e os estabelecimentos estão mais preocupados com o conforto dos consumidores. Só espero que isso não torne o lugar super caro perdendo toda a graça e aspecto pitoresco que teve até agora.

Como aproveitamos para compra muitas mais coisas além das que seriam usadas para a happy hour, a higienização e o armazenamento de tudo o que compramos é que demorou mais. Mas sempre vale a pena ficar com a dispensa cheia. Eu adoro. Sinto como se estivesse protegida, sei lá porquê.

No sábado, dentro da minha organização, eu precisaria fazer os pães, o homus e as mousses de azeitona e gorgonzola. Foram três pães diferentes: de ervas, de azeitona e de tomate seco.

Enquanto o Silas saiu para pedalar e depois foi para a casa dos pais dele, eu toquei esses itens todos. Tive lá meus erros e adaptações, mas, no fim, deu tudo certo.

Para o domingo, logo que acordei, dei aquela super limpeza na casa. Varri, passei pano, tirei o pó, limpei os banheiros, pus o vaso de orquídeas na sala para enfeitar, mudamos os móveis de lugar para ajeitar a melhor o ambiente e fazê-lo aconchegante. Depois, supermercado.  Planejava comprar as berinjelas,  abobrinhas, limões e tomates na feira para serem mais frescos, mas não deu tempo. Assim, fomos ao Futurama da Avenida Angélica e compramos tudo o que faltava, o que significa que as cervejas, águas e refrigerantes também vieram junto com os hortifruti.

Fiz babaganush com as berinjelas e um antepasto de abobrinhas que leva alcaparras, azeitonas e aliche. Minha mãe é especialista nessa abobrinha, mas a minha não ficou lá essas coisas, tenho que confessar.

Tem hora que bate um cansaço, mas fazer tudo isso é tão legal, tão prazeroso que eu fico ligada no 220. Não paro até que tudo esteja do jeito (ou bem próximo do jeito) que planejei.



Forrar a mesa com uma bela toalha, dispor as comidinhas preparadas com tanto amor nos recipientes mais bonitos que temos em casa, arrumar as cestas com pães e os queijos nas tábuas, distribuir os doces nas bandejas, separar os copos, as bebidas, providenciar saca-rolhas, guardanapos, porta-copos, pratinhos para servir, garfinhos ou palitos para os petiscos, tudo isso faz parte. Na minha cabeça, há uma sequência de ações que às vezes são feitas simultaneamente. Quem me vê trabalhando pensa que estou brava, mas não. Eu ficou muito concentrada. É um tal de sobe e desce escadinha pegando coisas nos armários e ajeitando tudo nos devidos lugares que só para quando a festa começa.

O som fica sempre por conta do Silas. Ele é muito melhor que eu nisso.

Receber os amigos em casa é uma satisfação, ainda mais para comemorar o aniversário do meu companheiro de todos os dias.  Eu queria ver o Silas feliz com a festa, ainda que pequena e totalmente feita em casa. A ele dedico todo o meu amor e aos nossos amigos, o melhor da nossa casa. Venham sempre!

Com tantas comidinhas mencionadas, vou dar a receita do bolo de chocolate mais fácil do mundo de fazer. Cada um recheia como quiser, já que a massa é sensacional!


Bolo Nega Maluca 

Ingredientes

3 ovos inteiros
1 1/2 xícaras (chá) de açúcar
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de óleo
1 xícara (chá) de chocolate em pó (não pode ser achocolatado!)
1 xícara (chá) de água fervendo
1 colher (sopa) de fermento em pó

Modo de fazer: 
Numa tigela, misture com o fouet (batedor de claras) todos os ingredientes, exceto o fermento. Só mistura, não é preciso bater. Faça isso na mão, não na batedeira ou no liquidificador. Depois de bem misturado, acrescente o fermento e leve para assar em forma untada e polvilhada. Temperatura do forno, 180 graus. Ficará pronto em 45 minutos.