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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Comida de uma panela só

#semdesperdicio


Já contei aqui que adoro comida que não suja muitas panelas? É! Aquele tipo de preparo que basta uma panela e dá pra cozinhar tudo. Ou quase tudo. 

Também tem certa fixação por não jogar alimentos fora, isto é, descartar alimentos, pra mim, é crime. Acho que a gente tem que se planejar para não desperdiçar nada, especialmente, porque há tantas pessoas que têm tão pouco e é um tremendo absurdo jogar comida no lixo. 

tags: arroz de forno, comida caseira, aproveitamento de alimento, sem desperdício

Por isso, de vez em quando eu faço aquela limpa geral na geladeira, na fruteira, na despensa e vou aproveitando os restinhos, os alimentos que estão desparceirados, os que sobraram no fim do pacote e, principalmente, os que estão por vencer. 

Essa é uma prática que aprendi com a minha mãe e a minha avó, mãe dela. Com um pouco de criatividade os alimentos que sobraram ontem podem ser transformados em boas refeições hoje. 

Nem sempre o resultado é uma maravilha a ser vangloriada, mas, acredite sabendo juntar alguns itens e usando algumas técnicas, dá certo. Por exemplo, cortar os legumes a serem cozidos conjuntamente em medidas que se assemelhem para terem cozimento por igual é uma técnica. No entanto, se for reaproveitar um ingrediente que já estava pronto num preparo que levará alguns outros ainda não cozidos, somente ao final do cozimento é que os primeiros devem ser adicionados. 

Transformar o picadinho de carne ou o feijão já cozido em caldo de sopa são práticas absolutamente corriqueiras no meu dia a dia.  E o arroz cozido em massa de pizza? Pra quem não sabe como fazer aqui tem a receita. 

Entretanto, tem texturas que não se dão bem quando misturadas, há sabores que não conversam entre si. Aí, a soma dos fatores pode resultar numa subtração de sabor ao final.  Contudo, para quem não tem grande familiaridade com as panelas, os temperos e ingredientes, é preciso se arriscar. Só assim dá pra aprender o que combina e o que não. 

Nesta semana, na segunda, chegaram aqui em casa para ficar por um tempo, o Arthur e a Bruna. Quando a casa tem mais gente, dá aquela boa sensação de família reunida e a vontade de fazer comida de casa aumenta porque a ideia é aconchegar os que estavam longe enquanto estão perto. 

Por isso, na terça-feira, fiz um arroz de forno com os ingredientes que tinha à mão. Embora tenha sido do esquema que mencionei, ou seja, fazendo a limpa da geladeira e da despensa, deu super certo. 

Por isso, compartilho a receita. 


Arroz de forno 






Ingredientes

2 colheres (sopa) de azeite 
1/2 cebola pequena picada 
1 dente de alho esmagado
250 gramas de peito de frango sem osso em cubos pequenos
2 cenouras picadas em cubinhos 
1/2 abobrinha picada em cubinhos
3 tomates médios sem pele picados em cubinhos
1 colher (sopa) de curry
1 colher (chá) de molho de aji (opcional)
Sal e pimenta do reino
2 xícaras (chá) de arroz branco cru
4 1/2 xícaras (chá) de água
2 ovos cozidos picados em pedacinhos pequenos (quase esfarelados)
50 gramas de queijo parmesão ralado


Modo de fazer

Leve ao fogo uma panela grande. Quando estiver aquecida, derrame o azeite e acrescente a cebola, o alho e o frango. Deixe refogar. Quando estiver bem corado, junte os cubos de abobrinha, cenoura e tomate, o curry e o molho de aji.  Mexa todos os ingredientes da panela, fazendo os legumes suarem, isto é, até que exalem bastante cheiro pelo ambiente. (Ah! que prazer eu sinto nessa hora do preparo!)
Então junte o arroz, refogue bem. Tempere com sal e pimenta do reino. Cubra com a água. 
Baixe o fogo e deixe cozinhar até que o arroz esteja quase pronto, ainda al dente. 
Retire do fogo, transfira tudo para uma travessa refratária, acrescente os ovos cozidos e leve ao forno pré-aquecido a 200 graus com o queijo parmesão polvilhado em cima.  Mais 10 minutos de forno e pode servir. 

Dicas: 

Não cubra o arroz com papel alumínio para ir ao forno. Deixe a parte superior do prato ficar um pouquinho ressecada. Isso tem gosto de comida da avó da gente, não tem?  

Sirva após uma salada verde de entrada. 

Regue um fio de azeite e polvilhe um pouco mais de queijo. 

Se gostar, antes de levar ao forno, polvilhe com farinha de rosca misturada a um pouco de queijo parmesão e bastante cebolinha picada.


Para acompanhar: Suco de fruta, pode ser uma limonada feita com limão cravo. Além disso, a companhia dos filhos, sobrinhos, marido ou esposa, amigos queridos, da mãe, do pai... de quem quer que seja que lhe faça se sentir bem e com quem goste de compartilhar a mesa.  Afinal, esse é um ritual sagrado! 

À noite, caso sobre arroz, use-o para uma canja. Vai ficar bem amarelinha, mas, com certeza, deliciosa! 

Bom fim de semana. 

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sexta-feira, 26 de maio de 2017

As regras do bom hóspede

Em todo tempo e lugar estamos sempre pensando que o cliente é rei. Também pensamos que quando viajamos e nos hospedamos numa pousada ou hotel ou mesmo na casa de alguém seja amigo próximo ou distante ou, quem sabe, amigo de um amigo, ou pode ser ainda alguém que aluga parte de sua casa, sempre podemos nos comportar de maneira relaxada e descontraída. Afinal, não é esse o nosso propósito quando viajamos por lazer? Temos em mente nosso merecido descanso e que, diante do pagamento da estadia, tudo podemos. 

Ledo engano, é o que eu lhe digo. 

Não é bem assim que funcionam as relações de hospitalidade. 

Por mais que estejamos alugando temporariamente um espaço e que, por isso mesmo, esse passa a ser um lugar nosso, no qual nós fazemos o que bem quisermos, as coisas não são assim. 

Existem regras que, mesmo não escritas, estão implícitas nas relações entre pessoas. É sinal de boa educação não usurpar da hospitalidade alheia. Quanto mais folgados os hóspedes, menos desejados eles serão.  

Não estou aqui dizendo para você lavar o banheiro e esfregar os azulejos do hotel, nem fazer sequer a cama, já que você contratou um serviço de quarto quando se hospedou. O que estou dizendo é que existem atitudes que não são próprias de bons hóspedes.  

- tags: educação, etiqueta,boas maneiras,hóspede,ser bem recebido

Por exemplo: não é de bom tom deixar roupas espalhadas pelo chão, restos de comidas de qualquer espécie abertas, em especial as que alastram cheiros pelo ambiente,  toalhas e/ou lençóis manchados (seja de tinta, sangue ou qualquer outro fluido corporal), nem o ar condicionado ligado quando você está fora.  Essas atitudes, além de demonstrar que não se tem boa educação, sugerem que lhe falta empatia, porque será uma pessoa como você,  igualmente um ser humano de carne e osso, quem vai recolher a sua bagunça, que vai limpar os seus dejetos, recolher o seu lixo.  

Não é porque você pagou que pode se esquecer disso. 

Eu acredito e professo que uma boa conduta sempre começa com dois pequenos pontos: alteridade (respeitar o outro em suas diferenças) e empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro). 

Num país de raízes escravagistas, segregacionistas e oportunistas como o nosso, que em dias como os atuais, está mais que demonstrado o execrável e condenável modus operandi dos políticos que vendem seus votos, num incessante toma lá - dá cá,  precisamos começar a repensar nossas atitudes mais corriqueiras.  Tratar as pessoas com respeito, dignidade e defender até o fim a igualdade de direitos e condições é primordial para que as mudanças possam acontecer. 

Como meus temas aqui são a gastronomia e a hospitalidade, meu exemplo vem daí, da minha atitude como hóspede. 

Chega dessa sensação de que porque somos clientes, hóspedes ou convidados devemos ser reificados, isto é, vistos como reis. Isso é uma desculpa para nossas atitudes arbitrárias, o que nos torna gente folgada e reforça valores sem noção do outro. 

Quando vamos à casa de alguém para visitar ou para passar uns dias, seja quem for que nos receba merece a nossa cordialidade, nossa deferência. Não há regras escritas sobre isso, é algo pré-existente. 

Cumprir o que foi combinado previamente como datas de chegada e previsão de partida, ser pontual ou avisar que está atrasado, ser cortês, presentar com um mimo ou algo para a casa, oferecer flores à dona da casa, por exemplo, ou ainda se oferecer para lavar a louça ou retirar os pratos da mesa, são bons modos. Isso sem nem começar uma vasta lista de atitudes que pais de crianças pequenas deveriam conhecer, mas que fazem questão de justificar com um mero "ah! é coisa de criança". Uma dica: se você tem filhos e/ou netos pequenos, dar-lhes limites, especialmente, na casa alheia é sinônimo de lhes dar boa educação. Isso não é frescura, nem castração.  Isso fará deles pessoas bem-vindas em todos os lugares.  


Imagem: Di Vasca - uol.com.br 


Nas regras de hospitalidade, o hóspede deve respeito ao seu anfitrião, ele não usurpa do que lhe é oferecido, nem se comporta como se estivesse em sua própria casa. Sentir-se acolhido é uma das melhores sensações que podemos ter, mas isso implica que devemos merecer o acolhimento comportando-nos adequadamente. 

Por mais que eu goste da frase que diz que regras existem para serem quebradas, tenho plena convicção de que quando nos conscientizamos do nosso papel e respeitamos o próximo não teremos tanto prazer assim em jogar fora alguns valores tão essenciais para o bom convívio. 

Tomar vinho branco com carne vermelha pode ser uma quebra de regra aceitável, mas há outras que, definitivamente, não são. 

Pense. 
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Coluna publicada sexta-feira, 26/maio/2017 em Itu.com.br - Gastronomia & Hospitalidade

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Coluna no portal Itu.com.br

É com muita honra que hoje publico pela primeira vez na minha terra natal. Com alegria inauguramos a coluna sobre Gastronomia & Hospitalidade no por portal Itu.com.br 




A ideia é tratar desses assuntos tão delicados e ao mesmo tempo gostosos que dizem respeito à Hospitalidade. Dicas, noções de etiqueta, pequenos toques sobre o que fazer diante de uma visita inesperada ou naquele momento que precisamos fazer uma visita a alguém que exige cerimônia, coisinhas assim...Sutilezas que fazem a vida ser mais gentil e, por que não dizer, mais fácil.  

- Tags: #blogdagavioli, hospitalidade, dicas para bem receber, itu.com.br, Itu

Agradeço a oportunidade e não poderia deixar de contar o quanto fui gentilmente recepcionada pela editora do portal, Jéssica Ferrari, para começar esse novo trabalho.  



A ideia é publicar quinzenalmente. Então, ituanos, agora vai ficar mais fácil me ver por aí... 

Para quem ficou curioso, acesse o link do primeiro post ou, se preferir, leia o texto na íntegra logo abaixo. 

Grande abraço! 





segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Massa negra com camarões e quiabo



Quem nunca viu uma massa negra ponha o dedo aqui!  Cada vez mais comuns as massas coloridas já não são mais novidade, o que não significa que estejam por toda parte. 





Tags: macarrão negro, talharim com tinta de lula, talharim negro com molho de camarão, camarão com quiabo, #ChapadaDiamantina 



Na semana passada, estivemos Silas e eu, mais uma vez, na Chapada Diamantina, em Lençóis, na Bahia. Fomos conhecer a Manuela, a mais nova lindeza da família, filha do Pablo e da Júlia, que nasceu em dezembro. Foi uma visita bem familiar que durou vários dias. Aproveitamos também pra visitar a Jade e a Nala no Vale do Capão.  

Para quem nunca esteve na Chapada, essa é uma boa sugestão de passeio pelo interior da Bahia.  Que terra linda, Deus do céu!  Vale um capítulo de viagem só pra contar as belezas que tem por lá. Mas fica pra outra vez que dessa o assunto é mesmo o macarrão com tinta de lula. 

Entre colinhos aqui e brincadeiras ali, tivemos, em família, as intermináveis discussões sobre o que iríamos comer. Bom é que tudo sempre acaba bem. E, às vezes, acaba até melhor que o esperado. 

Foi o que aconteceu no almoço em que um pacote de camarão surgiu ali nas minhas mãos para ser preparado de alguma forma. Olhando em volta e nas prateleiras da despensa, vi uns ninhas de massa negra, que o Pablo me explicou ser arte de uma moradora local: talharim com tinta de lula. 

Como o Silas é quem havia começado a cozinhar, eu só fiquei dando palpites. "Dê um susto no camarão para não emborrachar, corte os tomates frescos em pequenos pedaços, junte azeitonas verdes, refogue tudo..." até que a Jade foi taxativa: 

- Clau, você manda os cortes, a gente obedece, mas quem executa na panela é você!  

E aí assumi e fiz o rango. Deu no que verão a seguir. Espero que gostem. Ficou muito saboroso.


Massa negra com camarões e quiabo

 



Ingredientes

500 gramas de massa negra (talharim com tinta de lula) cozida "al dente"
500 gramas de camarões médios limpos 
2 colheres (sopa) de azeite extravirgem
1 cebola média picada em brunoise
2 dentes de alho amassados
200 gramas de quiabo cortado em pedaços médios (1,5 cm) 
1/2 xícara (chá) de azeitonas verdes picadas
300 gramas de tomates concassê* picados 
2 ramos de folhas de hortelã picadas

Temperos: sal, pimenta do reino, azeite, pimenta dedo de moça 


Modo de fazer 


Enquanto numa panela ferve a água e cozinha o macarrão, em outra, refogue a cebola e o alho. Acrescente ao refogado os camarões e o quiabo. Em seguida, acrescente as azeitonas e o tomate picadinho.  Refogue por cerca de 10 minutos para que todos os ingredientes se incorporem e formem um molho fresco e leve, cujos itens podem ser perfeitamente separados em cada garfada. 
Acerte o sal, a pimenta  e regue com mais azeite. 
Caso fique muito espesso, use um pouco da água do cozimento do macarrão no molho.
Misture a massa ao molho e sirva imediatamente. 

Se preferir, polvilhe queijo parmesão. Eu prefiro sem! Não gosto de camarão com queijo, acho que não combina muito. 


Dicas:  

  • Como o quiabo nem sempre é fácil para os cozinheiros novatos, ele pode ser colocado primeiramente no vapor para que cozinhe e garanta que não vai soltar a sua famosa baba. Então é adicionado ao preparo. 
  • A hortelã foi uma substituição fortuita, mas a ideia inicial era usar manjericão. Valeu a troca! 
  • O tomate pode ser usado com pele e semente, mas vai soltar casca conforme cozinha. Isso não deixa o prato o bonito, mas não interfere muito no sabor, não.
  • Harmonize esse prato com vinho branco ou rosado bem geladinho. Também vale um espumante ou um vinho verde. 

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segunda-feira, 7 de março de 2016

A hospitalidade de uma festa de casamento

De volta

Um mês depois...  Estou de volta. Peço desculpas aos leitores, mas rolou tanta coisa e, devo confessar, não dei conta. As palavras não vieram e os textos acabaram não sendo publicados.  Mas nada que a gente não possa tirar o atraso. 

Nesse mês de fevereiro e no início de março, foram muitos os eventos e todos bem emocionantes. Entre eles, voltei ao curso de gastronomia, fiz um curso sobre o papel dos aromas na comida, teve o Carnaval, o incrível show dos Rolling Stones, a quinta edição do Lá em casa pra jantar (ou a primeira de 2016) e um evento em especial,  o casamento da minha prima mais nova, a Mariana (com o Fernando), lá em Itu, no último sábado. 

A Mariana é minha priminha, filha do tio Miro e da Maria do Céu, que nasceu quando eu e meus irmãos já éramos quase adultos. Nós somos os primeiros netos, ela é a caçula. 

Nunca brincamos juntas quando crianças, afinal ela é da geração da Bruna. Também não tivemos um contato próximo desses feitos de longos bate-papos em família porque esse lado da minha família, o paterno,  nunca foi muito de se reunir. Os irmãos, Antonio, meu pai, Mercedes, Miro, Neide e Zé Maria, não foram os melhores companheiros da vida. Tem família que é assim e só. No entanto, nas vezes que,  entre primos, pudemos nos juntar (e as últimas vezes foram todas em casamentos: o do Marcelo, o da Cássia, o meu, o da Camila e agora o da Mariana) foi uma grande alegria para todos. Os laços fraternos e familiares existem e são sólidos.

Uma festa de casamento é quase sempre cheia de muita emoção: dos noivos, dos pais, padrinhos, da família e dos amigos que, em resumo, fazem a festa acontecer e ser memorável. Com os anos, todos serão relembrados nas fotos não só por sua participação, mas também por suas roupas caprichadas e na moda, suas maquiagens e penteados, especialmente, feitos para a ocasião. 

Embora a gente saiba que sem a presença das pessoas não há festa, mas para que seja realmente boa, tudo o que parece encantadoramente simples durante uma recepção de casamento foi pensado, planejado e, houve muito investimento para que ocorresse.  

Os noivos planejam tudo para que o dia seja perfeito. Para isso dedicam meses de suas vidas corridas fazendo degustações, separando fotos, escolhendo tecidos, flores, cardápios, músicas etc. Até a liturgia da igreja, eu soube no sábado, é escolhida pelos noivos. Não é só tempo que dedicam, também investem altos recursos financeiros para garantir que tudo que está na moda na indústria do matrimônio esteja plenamente adequado às tendências. Cada festa é uma, mas todas guardam semelhanças entre si e, claro, não há quem não queira apresentar uma surpresa ou algo diferenciado para seus convidados. 

Mesmo sem saber, quando oferecem uma recepção, seja qual for o formato, os noivos e seus pais, estão alinhados aos princípios da hospitalidade: receber, hospedar, alimentar e entreter. 

No casamento de sábado passado não foi diferente. Tudo estava impecável. Cada detalhe planejado com rigor para que parecesse casual. Sem exageros, mas com muito bom gosto.  Dos músicos na igreja aos chinelinhos distribuídos para que as mulheres pudessem dançar sem o desconforto das sandálias ou sapatos apertados, cada item parecia estar onde deveria estar. 

Desde que recebemos os convites e confirmamos presença, já sabíamos que seria assim, mas é sempre muito bom ser bem recebido. 

Recepcionar/ bem receber/ hospedar: logo na chegada, as recepcionistas nos indicaram que deveríamos ocupar as mesas de uma determinada área em que estavam também os nossos parentes. Assim, todos ficamos próximos, um cuidado que nos permitiu curtir mais as pessoas que tanto prezamos. 

Alimentar: da mesma forma, a comida foi cuidadosamente escolhida para garantir que gregos e troianos pudessem se alimentar com prazer. Para quem não come carne, havia risoto, para quem é carnívoro, tinha um delicioso steak a poivre, perfeitamente preparado. Dos finger foods servidos à mesa, às ilhas de antepastos, entradas e saladas, ao menu quente e às sobremesas, assim como a mesa de doces e bem-casados, tudo atendia à diversidade dos paladares. Uma delícia! E olha que o menu era extenso... ah! e tinha risoto para servir mais de 300 pessoas, coisa bem difícil de acertar, o que é sabido pelos que lidam com comida em buffet. 

Ainda teve bebida da melhor qualidade: whisky, vinho, cerveja, refrigerante, água com e sem gás (eu tomei espumante a noite todinha, da hora que cheguei à hora que saí) e, inclusive, batidas de frutas feitas na hora de acordo com o gosto do cliente. Alegria garantida!

Entreter: A festa ainda teve música também para todos os gostos. Quando nada mais podia melhorar, veio uma banda que tocou ao vivo os ritmos que agradaram os jovens e também os mais velhos. Muito animado. Como antes mencionei os chinelinhos, era mesmo para dançar!

Casar está na moda. Voltou à moda. O que quero dizer (ou arriscar a dizer) é que mais gente casa com pompa e circunstância na geração da Mariana do que casava na minha. As festas são ótimas e, quase sempre, muito caras.  Mas, segundo quem casa, vale muito a  pena. É como fazer uma linda viagem. 

Para nós, os convidados, celebrar o enlace, o matrimônio, o casamento, as bodas, a festa, seja qual for o nome que se dê, é poder testemunhar a alegria das pessoas que tão generosamente nos quiseram por perto numa situação tão especial. Na igreja, as memórias florescem e voltam imagens de longa, longa data. Cresce um sentimento de harmonia, de paz que a gente leva pelos dias que seguem. Eu, pelo menos, me sinto assim: alegria, feliz mesmo. 

Lá pelo meio da festa, o Silas comentou comigo que a noiva, ao discursar, agradeceu a presença das pessoas, mas que quem prepara uma festa tão bonita para receber tanta gente é que deve ser agradecido. 

E é assim que se completa o ciclo da hospitalidade: quem é recebido deve retribuir a dádiva. 

Nós, Mariana e Fernando, agradecemos e oferecemos a nossa casa para vocês. Espero que um dia possam e queiram nos visitar para que possamos retribuir tamanha gentileza. Para que de novo a gente tenha a chance de lhes desejar só coisas boas durante toda a vida. Uma vida inteira de felicidade, de verdade! 


Eu, tio Miro e Cris
Como disse, o casório foi no sábado passado,  e nele reencontrei pessoas caríssimas da minha vida, gente que quase não vejo, mas quando estamos juntos me fazem sentir alegria. Então, me encho de amor. Isso é o que chamo de felicidade! 

As Gavis: tia Neide, minha mãe Neuza, Stefânia, Leiticia, Cássia, eu, Cecilia, bem atrás da noiva, Paula, Cris, Camila, Bruna e Giovana. 



quarta-feira, 29 de julho de 2015

Ser bem recebido

Coisa mais gostosa não existe!

Chegar à casa da mãe, de um filho, irmão ou amigo e sentir que estava sendo esperado com carinho é a melhor sensação, talvez a mais aconchegante entre todas, que alguém pode ter.

Nessas férias de julho fomos presenteados pelas mais doces recepções nas casas em que estivemos.

Tudo começou com a Raquel, que é esposa do Ian, filho do Silas. Minha nora por extensão e acolhimento, assim como a Júlia, do Pablo, e a July, do Arthur, nos recebeu com os braços abertos, um sorriso cativante de alegria e em sua casa estava prontinha e arrumada, especialmente pra nós, uma caminha gostosa, com lençóis esticadinhos, toalhas de banho limpinhas e cheirosas, bem fofinhas. Como já era noitinha, ela pôs uma mesa com pães (entre eles um de azeitona simplesmente sensacional!), queijos, presunto cru, pistaches, folhas verdes e tomatinhos cereja, e, nem bem chegamos, um espumante espocou e foi servido bem fresco. Nem é preciso dizer que matamos a sede com ele.  Que bom início de jornada!

Assim se seguiram as chegadas. Estou aqui pensando em como fiquei feliz ao ver, na casa do Pablo e da Júlia, o mesmo cuidado quando chegamos depois de mais de seis horas viajando num ônibus congelante e, também em casa de Renata (como se diz na Bahia), de regresso nesse mesmo ônibus: aqueles travesseiros arrumadinhos com fronhas tão macias compondo as camas arrumadas prontas para dormir. Prontas para o nosso descanso de uma viagem num trecho cansativo para percorrer.

Em casa de Aloisio (olha a baianidade reinando novamente), onde não haveria pernoite, era a mesa que estava linda, os pratos dispostos, bem arrumados com seus pares de talheres e uma bela seleção de copos prenunciando que haveria muita comida harmonizada ao melhor estilo chef  Pontes, como agora eu chamo meu "padinho" baiano, que, de nascimento é mineiro. Aloísio é meu padrinho mesmo, de verdade! Dia desses conto essa história, mas não agora.

Cada episódio de chegada, passeio e tempo de permanência nos locais onde estivemos merece uma descrição pormenorizada, o que talvez pudesse render um livro a que chamaria de Férias 2015 no Brasil. Por enquanto, só a versão reduzida, com impressões. Sabe-se lá se não virão posts específicos nos próximos dias.

Camas feitas, mesas postas, coisinhas gostosas para comer, abraços calorosos, sentimento vivo, saudade sendo recriada porque dali a pouco a gente vai dizer tchau pensando que volta em breve, quem sabe, ou que logo vai  se ver em São Paulo, o que também pode ser...

Quando criança, ouvi algumas vezes do meu pai, com sua incrível habilidade de sintetizar em frases curtas algumas sabedorias inestimáveis, que "visita é uma alegria quando chega e duas quando vai embora". Jeito engraçado e, se descontextualizado, até um pouco rude de nos ensinar que abusar da hospitalidade dos que nos acolhem é prática inaceitável.

Por isso, acho que visitar pessoas tem que ter o tempo de passar uma chuva: às vezes mais longa, que demora até uma temporada, outras, só uma breve tempestade de verão, que dura uma hora e já faz estrago mais que suficiente.

Há casas de amigos nas quais nos sentimos tão bem que parecem ser nossa outra morada. Eu sempre digo que tenho um lar em São Paulo, outro em Itu, mais um em Salvador, um no Rio... e até um na Alemanha!

Chegamos de viagem com a mala cheia de roupas sujas, a máquina fotográfica lotada de fotos feitas pelo nosso olhar, eu, pessoalmente, com uma indisposição física resultante de uma infecção alimentar, mas, mais que tudo, com coração e a alma repletos do mais terno amor, do sentimento de amizade sincera e aquecidos pelo calor humano dessas pessoas tão especiais que nos fizeram sentir amados, cuidados, bem vindos, afinal!

De regresso à casa, nos esperava a Nina, nossa gata amada. Mais gordinha, até assustamos, e dois dos meus três vasos de orquídeas completamente floridos. Uma benção! 



Ian mostra seus dotes culinários


Momento degustação...


O sorriso do chef Aloisio Pontes


Registro que subi o Morro do Pai Inácio


Brincando de casinha na praia de Inema com Renata


A casa nova do Pablo e da Juju! 
Meditação do antropólogo

Orquídeas de regresso

domingo, 5 de julho de 2015

Um piquenique de aniversário no domingo

Feliz é o domingo nublado e frio que a gente acorda e sabe que pode continuar por mais algum tempo na cama quentinha. Sem culpa! Como hoje. 

Feliz também é o domingo que o sol está radiante e você marcou um piquenique com as pessoas que mais ama e tudo dá certo. Como na semana passada. 


Jardim da Sala Cinemateca em São Paulo




Você já participou de um piquenique? É uma delícia! Eu gosto muito, acho um charme. 

No domingo passado, durante o dia todo teve sol e um friozinho bom, bem agradável.


Minha mãe!
A sombra das árvores, uma toalha xadrez, uns cuidadinhos para deixar tudo bonitinho e confortável, comidinhas gostosas e, claro, amigos muito queridos por chegar. Desta vez, até a minha mãe veio. Não é demais?    

Para um bom piquenique, alguns itens são necessários e sempre dá pra adaptar, caso esqueça alguma coisa. Por exemplo: toalha, se substitui por canga, pratos por guardanapos, faca por canivete. 





No meu caso, preparei um piquenique de aniversário, quase nada foi improvisado. Verifiquei o lugar com antecedência, assim como convoquei os amigos e tive confirmações de quem iria, preparei toalhas, pratos, copos, talheres, guardanapos e algumas comidinhas que me pareciam fáceis e agradáveis para quem chegasse. As bebidas também são muito importantes, às vezes, até mais que as comidas. Tivemos vinhos, chás, refrigerantes e água.

Apesar da minha organização que contou com a indispensável ajuda do Silas, o formato que adotamos foi bem comunitário. O combinado é que todo mundo levaria alguma coisa pra comer ou beber. O piquenique, neste caso, é uma festa bem participativa. É muito gostoso porque dá pra experimentar sabores e texturas bem diferentes numa mesma refeição, que por sinal, dura muitas horas. O nosso piquenique começou às 11 horas da manhã e terminou às seis da tarde, já com a lua bela no céu nos dando boa noite. Sucesso total! 

Uma ideia que deu muito certo no piquenique foi a de fazer chás frios em lugar de refrigerantes. Algo mais saudável, diferente e sustentável. Fiz chás de calêndula com menta, capim limão e de hibisco. Um cuidado importante é que sempre há pessoas que não consomem açúcar, o que me levou a fazer versões adoçadas também com adoçantes. 

Coloquei os chás em garrafas plásticas do tipo PET, o que facilitou em não ter que trazer tudo de volta pra casa. O descarte de material é sempre algo a ser pensado, portanto, um item indispensável nesse tipo de evento é o saco de lixo. Se for possível, fazer a separação dos resíduos antes de descartá-los é um ótima ideia. 

Uma dica pra quem vai a um encontro desses é sobre o que não levar: ovos, cremes, maionese, limão, ou seja, itens que podem estragar ou causar queimaduras, como é o caso do limão ou outras frutas muito ácidas na ação do sol. 

Bom mesmo é levar sanduíches prontos, bolos, frutas, pães, tortas. Como era meu aniversário, fiz também brigadeiros e beijinhos, preparei vidrinhos com castanhas e frutas secas, sanduichinhos naturebas, terrine de abobrinha e uma torta de coco.  








Os amigos trouxeram comidas deliciosas e ainda ganhei lindos presentes.



A semana passada foi muito atípica, aconteceu tanta coisa... 

Como só conto as boas (que é o que vale a pena saber porque a vida tem que ser boa), na segunda, 29 de junho, dia de São Pedro,  foi meu aniversário. Começando a comemoração rolou o piquenique no domingo, 28. No dia seguinte, viajamos, Silas e eu, para um lugar muito especial, que chamamos paraíso. Fica em São Francisco Xavier, a pousada Villa Vittoria. Se tiver chance um dia desses, vá. É muito especial e infinitamente romântica!





Essa semana aprendi ou relembrei algo muito importante: por pior que tenham agido com você, nunca se deixe contaminar. Às vezes, é só esse o propósito de quem o feriu, mesmo que inconscientemente. Mas, ninguém pode ser capaz de estragar a sua felicidade porque ela está em você! 

Desejo uma semana cheia de alegria, com amor e sem rancor, que é o que contamina a vida da gente. 

Um grande abraço! 



>>> Conhece o projeto Lá em casa pra jantar

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Uma roda de mulheres - papo e cozinha

Coisa mais delicada e confusa não existe. Todas se entendem mesmo falando ao mesmo tempo e sem parar. Não há momento de ouvir e de falar. A urgência de viver é uma constante, então os sentidos funcionam simultaneamente. Mulheres falam muito e ponto. Têm tanta informação pra trocar que uma vida inteira e longa não deve bastar.  Se estão em volta de uma mesa e o assunto é comida não há quem segure.

Ontem, segunda-feira, 10/novembro, no Sesc Consolação, no período da tarde, acompanhei a oficina Memórias e Sabores da Cozinha Árabe, ministrada pela atriz Valéria Arbex, que está em cartaz no mesmo local com a peça Salamaleque, para senhoras, ou melhor, para "meninas da terceira idade". 

Entre cartas e grãos-de-bico é um projeto, do qual faz parte a peça de teatro, oficinas e encontros que propõem integração, valorização das relações humanas e o resgate das lembranças e da cultura por meio da conversa, da afetividade, do convívio e da comida. 

"A culinária árabe e a oralidade são os pilares da pesquisa que deu origem ao espetáculo", é o que diz o folder de divulgação do evento. E é exatamente a partir disso que tudo acontece ali, na vida real, em tempo corrido, quando estão reunidas duas dezenas de senhoras. 

As receitas, embora sem nenhuma sofisticação, soam como uma grande descoberta. Não há nada de muito inovador em cobrir o pão com ervinhas maceradas com azeite e sal e levá-lo ao forno para torrar levemente. Minha mãe já fazia essas torradinhas saborosas para acompanhar um aperitivo alcoolico ou não desde que eu era bem criança. Mas a graça está na disposição que Valéria tem de propor que a atividade seja desenvolvida por mãos tão experientes como as daquelas senhoras, oferecendo a elas uma oportunidade de reaprender, revalidar, e até ressucitar conhecimentos antigos, com um olhar novo. 

É nesse momento que acontece a mágica. Tudo se transforma em aprendizado e todas ali se tornam aprendizes, são novamente colegiais. É, no mínimo, encantador. 




Na prática, foram apresentadas algumas ervas já conhecidas como o manjericão, a salsa japonesa, o tomilho, o orégano (que veio fresco e é uma novidade para muita gente) e outras não tão populares no Brasil, como o dill,  e o zatar. Este último uma folhinha de origem árabe que, segundo a Valéria, é muito boa para a memória, "por isso as mães sírias e árabes costumavam por juntamente com o pão na lancheira das crianças quando iam pra escola". Causou frisson, porque se há uma preocupação na terceira idade é o esquecimento, a falta de memória. 

No Brasil, o zatar é comumente vendido já processado e como um condimento misturado a sumac ou sumagre e gergelim. 

Além das ervas, o pão sanabel e o babaganuche, feito de berinjela, tahine e temperado com alho e limão. 

Teve também uma água saborizada com essências que podem ser compradas no empório árabe, na região da rua 25 de março, reduto da cultura árabe em São Paulo. Para dar um gostinho especial à água: essência de água de rosas ou de flor de laranjeira, xarope de romã doce, folhinhas de hortelã, duas rodelas de limão siciliano ou limão cravo e um pouco de gelo. Cinco minutos descansando e ah! que gostoso matar a sede com algo tão especial. 

Manifestação de afeto

Valéria Arbex tem um forno de 1956 ou 57, elétrico, que ainda funciona perfeitamente. Ela lida com ele como um parente próximo, de quem gosta muito e cujos atributos são dignos de serem apresentados publicamente. 

Para Valéria Arbex, "a comida tem uma relação direta com o afeto", é um elemento muito forte da cultura que permanece mesmo em situação de mudança de país. "Tem gente que se muda e nunca mais volta para a terra natal, mas a comida, o jeito de preparar, as receitas, mesmo sendo adaptadas aos ingredientes locais, essas vêm com as pessoas e ficam, se perpetuam". 

A tarde passou rapidamente. Teve conversa, comida e degustação, poesia, memórias e aplausos para as meninas que executaram perfeitamente a lição da professora Valéria. Tudo com graça, com doçura. 

Pra mim, estar ali, foi uma honra. Ainda não cheguei na terceira idade e portanto sou forasteira. É assim que as meninas tratam as mais jovens, como se tivessem o privilégio da mocidade, dos movimentos e do raciocínio rápidos. Esquecem talvez, não por falta de memória, que seus anos a mais, lhes dão um brilho admirável, uma aura de conhecimento e experiência que lhes confere o nosso respeito e o desejo de também um dia chegarmos lá.  

Parabéns ao Sesc mais uma vez e a Valéria Arbex, uma beleza de criatura. 

Serviço: 

Espetáculo Salamaleque - Com Valéria Arbex - Dia 11 de novembro de 2014, às 15h e às 20 horas, espaço Beta, 3o. andar. Duração: 100 minutos 

Sesc Consolação - Rua Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque

Para saber das atividades da atriz, acesse www.facebook.com/ciateatraldamasco 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Para receber os amigos

Nada pode ser mais alegre do que reunir amigos numa data especial. Para isso eu penso que é preciso preparar comidinhas e arrumar a casa, deixar tudo bem bonitinho. A regra é a seguinte: se os seus convidados se encantarem com o ambiente mas acharem que tudo está ali meio que por acaso, ainda que você tenha tido muito trabalho pra fazer, valeu a pena. Nunca deixe a casa arrumada de um jeito que as pessoas tenham medo de tocar. Isso é o oposto do aconchego.

Ontem, foi o aniversário do Silas (e por consequência do Eneas, já que eles são gêmeos) e ficou por minha conta organizar uma happy hour para receber os amigos.

Foi uma delicia! Mas como o Silas só decidiu que queria comemorar desse jeito na quinta-feira, eu comecei os preparativos na sexta.

Primeiro discutimos o que seria servido e como eu ando encasquetada com comida mediterrânea, sugeri que fizéssemos antepastos mediterrâneos. Pesquisei um tanto e vi que não seriam itens muito diferentes dos que já estou acostumada a servir: pães, azeites, queijos, tomates, berinjelas, homus, azeitonas enfim, comidas que são típicas dos países que circundam o mar Mediterrâneo.

Só um parêntese. Nessa minha busca por informações encontrei um blog super interessante da Rosely Archela, chamado Agenda da Casa. Uma sugestão interessante para quem, como eu, quer saber mais sobre Cozinha Mediterrânea.

Fiz uma organização mental sobre o que teria que preparar e pus a mão na massa.

Na sexta de manhã, comecei os brigadeiros: fiz quatro receitas, o tradicional, beijinho, de café (que é o preferido de quem já provou) e de chocolate branco com damasco.  Ficou para o sábado, fazer o bolo de chocolate com recheio de beijinho e cobertura de prestígio. Tradicionalmente, aniversário precisa de bolo para cantar parabéns!

À tarde na sexta, fui para a Zona Cerealista com a lista na mão: azeitonas, alcaparras, queijos, chancliche, farinhas de trigo branca e integral, aliche, alguns vinhos (caso encontrasse bons rótulos),  pão sueco, castanhas e amendoins, damascos, ameixas, e por aí vai...

Foi rápido e prático. Nem parecia sexta-feira. O Silas foi comigo. Entre chegar, estacionar, comprar e voltar, gastamos uma hora e meia. É bom ver que a qualidade do atendimento daquela região vem melhorando muito. Vi novas lojas, mais limpas e bem cuidadas e, como já comentei em outro post melhorou a qualidade das calçadas (embora agora seja zona azul) e os estabelecimentos estão mais preocupados com o conforto dos consumidores. Só espero que isso não torne o lugar super caro perdendo toda a graça e aspecto pitoresco que teve até agora.

Como aproveitamos para compra muitas mais coisas além das que seriam usadas para a happy hour, a higienização e o armazenamento de tudo o que compramos é que demorou mais. Mas sempre vale a pena ficar com a dispensa cheia. Eu adoro. Sinto como se estivesse protegida, sei lá porquê.

No sábado, dentro da minha organização, eu precisaria fazer os pães, o homus e as mousses de azeitona e gorgonzola. Foram três pães diferentes: de ervas, de azeitona e de tomate seco.

Enquanto o Silas saiu para pedalar e depois foi para a casa dos pais dele, eu toquei esses itens todos. Tive lá meus erros e adaptações, mas, no fim, deu tudo certo.

Para o domingo, logo que acordei, dei aquela super limpeza na casa. Varri, passei pano, tirei o pó, limpei os banheiros, pus o vaso de orquídeas na sala para enfeitar, mudamos os móveis de lugar para ajeitar a melhor o ambiente e fazê-lo aconchegante. Depois, supermercado.  Planejava comprar as berinjelas,  abobrinhas, limões e tomates na feira para serem mais frescos, mas não deu tempo. Assim, fomos ao Futurama da Avenida Angélica e compramos tudo o que faltava, o que significa que as cervejas, águas e refrigerantes também vieram junto com os hortifruti.

Fiz babaganush com as berinjelas e um antepasto de abobrinhas que leva alcaparras, azeitonas e aliche. Minha mãe é especialista nessa abobrinha, mas a minha não ficou lá essas coisas, tenho que confessar.

Tem hora que bate um cansaço, mas fazer tudo isso é tão legal, tão prazeroso que eu fico ligada no 220. Não paro até que tudo esteja do jeito (ou bem próximo do jeito) que planejei.



Forrar a mesa com uma bela toalha, dispor as comidinhas preparadas com tanto amor nos recipientes mais bonitos que temos em casa, arrumar as cestas com pães e os queijos nas tábuas, distribuir os doces nas bandejas, separar os copos, as bebidas, providenciar saca-rolhas, guardanapos, porta-copos, pratinhos para servir, garfinhos ou palitos para os petiscos, tudo isso faz parte. Na minha cabeça, há uma sequência de ações que às vezes são feitas simultaneamente. Quem me vê trabalhando pensa que estou brava, mas não. Eu ficou muito concentrada. É um tal de sobe e desce escadinha pegando coisas nos armários e ajeitando tudo nos devidos lugares que só para quando a festa começa.

O som fica sempre por conta do Silas. Ele é muito melhor que eu nisso.

Receber os amigos em casa é uma satisfação, ainda mais para comemorar o aniversário do meu companheiro de todos os dias.  Eu queria ver o Silas feliz com a festa, ainda que pequena e totalmente feita em casa. A ele dedico todo o meu amor e aos nossos amigos, o melhor da nossa casa. Venham sempre!

Com tantas comidinhas mencionadas, vou dar a receita do bolo de chocolate mais fácil do mundo de fazer. Cada um recheia como quiser, já que a massa é sensacional!


Bolo Nega Maluca 

Ingredientes

3 ovos inteiros
1 1/2 xícaras (chá) de açúcar
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de óleo
1 xícara (chá) de chocolate em pó (não pode ser achocolatado!)
1 xícara (chá) de água fervendo
1 colher (sopa) de fermento em pó

Modo de fazer: 
Numa tigela, misture com o fouet (batedor de claras) todos os ingredientes, exceto o fermento. Só mistura, não é preciso bater. Faça isso na mão, não na batedeira ou no liquidificador. Depois de bem misturado, acrescente o fermento e leve para assar em forma untada e polvilhada. Temperatura do forno, 180 graus. Ficará pronto em 45 minutos.



quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Uma questão de hospitalidade

Todos os meus amigos sabem que eu adoro receber pessoas em casa. Minha amiga e faxineira há mais 15 anos, a Maria, ri comigo e de mim sempre que eu digo que vou parar com isso, vou diminuir o ritmo, porque ela já sabe que dois ou três dias depois já tem visita de novo ou eu inventei alguma festa, jantar ou evento na minha casa. 

Minha mãe vive me dizendo: "Vai dando um basta nisso, Cláudia, isso não dá certo". Quando eu comecei a namorar o Silas, ela tinha certeza que eu mudaria quanto a isso, mas foi ele, graças a Deus, que é uma pessoa flexível e aberta, que entendeu que eu sou desse jeito mesmo. É assim que é e tá acabado, não consigo mudar. Já tentei, mas gosto de gente, de festa e de casa cheia, especialmente, para comemorar episódios da vida.  Talvez por isso tenha sido responsável por tantos eventos no decorrer da minha trajetória profissional. 

Fiquei contente ao saber que o meu modus operandi está descrito nos livros de Hospitalidade.  Segundo a literatura do assunto, os espaços da hospitalidade considerados são: doméstico, público, comercial e virtual, e as ações que envolvem essa prática são: receber, hospedar, alimentar e entreter. Bingo! Mesmo sem saber que isso tudo está devidamente estudado e relatado no âmbito da hospitalidade, eu já fazia isso há muito tempo. Em casa, ou seja, no espaço doméstico, recebo pessoas, com frequência as  hospedo, cuido para que se alimentem bem e, vira e mexe, invento uma festa, um encontro entre amigos, um jantar ou almoço...

Ontem, durante a aula em que estudávamos as leis da hospitalidade, uma frase me chamou muito a atenção. Ela diz mais ou menos o seguinte: "o ritual da hospitalidade já é em si um antídoto contra a hostilidade, o que se pode traduzir num sorriso de acolhimento com o qual desarmamos alguém". Não é brilhante? 

Ao tentar se aprimorar na arte do bem receber, algumas dicas são sempre bem-vindas. 

Quando for receber um amigo em casa, deixe tanto quanto é possível o ambiente arrumado e limpo. Procure evitar muita louça na pia, roupas espalhadas, banheiro molhado. Isso demonstra que houve uma preparação para que aquela pessoa fosse bem recebida. 

Além da casa, cuide para que você esteja bem, se possível, alinhado e confortável, além do que é quase imprescindível que esteja disponível para o seu hóspede ou convidado. Não há nada mais chato do que chegar na casa de alguém e ser trocado por um telefonema ou por afazeres domésticos. 

Muitas vezes, recebemos amigos em dias nos quais estamos trabalhando muito. Quando isso ocorrer, tente conseguir uma brecha, pelo menos alguns minutos, mesmo que tenha que acordar mais cedo ou dormir mais tarde, para dar atenção a quem está na sua casa. Uma conversa franca e carinhosa fará com que seu hóspede se sinta acolhido, mesmo que você não esteja todo o tempo disponível.  

Preparar um lanchinho, deixar uma chaleira preparada e um saquinho de infusão com uma xícara de chá sobre uma mesa arrumadinha com toalha ou jogo americano, bem como uns petiscos é de bom tom e demonstra carinho. 

Ninguém é obrigado a cozinhar divinamente para bem receber, mas é atencioso providenciar itens que os seus convidados gostem. Frutas, sucos, leite e pão com algum tipo de queijo dificilmente dá errado. Quase todo mundo come. Se você conhece bem o gosto de seus convidados, pode comprar ou preparar algo que saiba que vai agradar. 

Se o seu convidado vai ficar hospedado, deixe a cama arrumada ou os lençois, travesseiros e cobertores à disposição, bem como  toalhas limpas, de banho e de rosto, e um sabonete novo para que ele escolha se quer usar ou não. Há pessoas que não trazem esses itens na mala, especialmente, se vão à casa de amigos próximos. Não custa muito mimar um pouco seu convidado. 

Uma garrafa e um copo com água no quarto também é uma delicadeza. Assim como enfeitar o ambiente com uma foto que traga boas lembranças para o hóspede. Nesse quesito, um livro que possa agradar pode ser deixado perto da cama, que, se possível, deve ter algum tipo de iluminação - pode ser um abajur, luminária ou mesmo uma vela. Isso dá aconchego. Tanto quanto um tapete para que ao acordar a pessoa não ponha diretamente o pé no chão frio. Se der, deixe um chinelinho emprestado. 

Num momento de festa, o anfitrião é responsável pelo bem estar dos convidados. Deixá-los à vontade não implica que tudo pode ser feito por eles. Por exemplo, reabastecer a geladeira e encontrar coisas dentro dos armários. É importante tentar prever tudo o que será usado durante o evento, deixando à mão para o uso dos convidados, no caso de uma festa informal. 

Permitir que as pessoas contribuam com lavar a louça depois do jantar não é um erro, ainda mais se você preparou tudo com carinho e, principalmente, se não deixou 300 panelas engorduradas para serem lavadas após a refeição. Deixar que o convidado limpe tudo o que você sujou e deixou desorganizado é quase sacanagem e, de uma vez por todas, não faz parte da conduta de um bom anfitrião. 

Quem recebe, precisa estar preparado. Ainda que as pessoas se responsabilizem por trazer bebidas e comidas, é preciso ter o minimo em casa para o caso dos esquecidinhos ou folgados não cumprirem com o combinado. Imprevistos acontecem. No mínimo, esteja preparado para chamar uma pizza. 

Se o motivo do encontro é uma conversa entre amigos, o entretenimento está definido. Caso o assunto acabe, um bom filme pode abrir nova conversa e fazer com que todos relaxem. Da mesma forma, um jogo de tabuleiro, como Imagem e Ação, Quest, Master, Banco Imobiliário ou Desafino. Passei tardes e noites adoráveis jogando com amigos e com amigos de amigos. Ao jogar baralho, não esqueça: "a beleza do jogo é a rapidez" (quem já jogou conosco sabe de onde vem a frase!).

Eu seria capaz de ficar muitas páginas escrevendo sobre itens que considero delicados ao receber em casa, mas por hoje, acho que esses toques podem ser interessantes. 

Não é difícil ser anfitrião, mas é preciso atentar para alguns detalhes, principalmente aqueles que parecem desnecessários. São eles os responsáveis pelas melhores impressões, aquelas que ficam no coração e na alma de quem as recebe. Para isso é preciso que não fique evidente e que pareça que não houve grande esforço para aquilo estar ali, só gentileza. 

Um olhar, um abraço sincero, uma carona, uma palavra delicada, um elogio. Isso muda a vida das pessoas e muitas vezes isso é só uma questão de hospitalidade resumida em "dar, receber e retribuir". Tente! Ninguém é tão pobre que nada tenha pra dar, só se for miserável, aí é outra coisa!

Só para ilustrar tudo isso, uma foto de flores que recebi da Renata numa das vezes em que esteve em casa. Ela, que é de casa, sabe instintivamente tudo isso que eu escrevi. 




Beijos a todos!