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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Autostadt - A Disneylandia da Volkswagen

Na Alemanha, terra na qual os carros são uma grande paixão, tanto quando se pensa na indústria, já que lá estão Volkswagen,  Mercedes-Benz, Porsche, Opel, BMW, Audi, quanto em razão do virtuosismo de pilotos como Michael Schumacher (heptacampeão de Fórmula 1), Sebastian Vettel (tetra) e Nico Rosberg (líder atual do campeonato 2014 de F1), isso só para citar alguns dos nomes mais contemporaneamente conhecidos. 

Não é à toa, portanto, que lá existe um parque completamente voltado a essa declarada paixão nacional, juntamente com a cerveja e o futebol (tratemos de pular essa parte!). 

O local é incrível já que a Volkswagen não poupa esforços e recursos financeiros para garantir que a melhor tecnologia de última geração seja usada para encantar o visitante, visando que sua atenção permaneça totalmente voltada a um só assunto. 









Você deve estar se perguntando: é um parque de diversão? Sim, é também um parque de diversão! Mas, mais que isso é um grande complexo de entretenimento, cultura, gastronomia e convivência, cujo foco são os carros. Tem muitas atrações que envolvem crianças,  embora o principal encantamento se dê com os adultos. São eles que compram carros, afinal.

Alex Candeira, nosso anfitrião e jovem executivo brasileiro atuando na Volkswagen da Alemanha, define o local como o cartão de visitas da empresa.  O parque fica ao lado da grande fábrica da Volks em Wolfsburg (ou Wob), local onde mais de 49 mil pessoas trabalham produzindo mais de 3 mil unidades automobilísticas ao dia. 

Quando planejamos nossa viagem para a Alemanha, nosso roteiro previa dias de visita aos nossos amigos Euzi, Alex e Rafael, em Wob.  Eu, especialmente, não via a hora de encontrá-los. Sabíamos que iríamos à cidade da Volkswagen e pretendíamos conhecer a fábrica de carros mais famosa do mundo pra mim. Eu tinha a imagem das chaminés na minha cabeça. O que não sabíamos era que a Autostadt era tão interessante e que lá passaríamos várias horas divertidas e agradáveis.  




Além de um complexo educativo sobre desenvolvimento sustentável e um museu de automóveis, o Zeithaus Museum, com modelos marcantes de todos os tempos (esse não é o museu da VW, existe um museu pequeno em Wob só da marca - também estivemos lá), há pavilhões específicos para as marcas Porsche, Skoda, Seat, Lamborghini, Volkswagen e o Premium Club House onde está a Bugatti. 




Cada um desses prédios atrai o público com mais e mais tecnologia e bom gosto. Por si só,  são espetaculares tanto em conceito como em construção. Disputam entre si em termos de arquitetura inovadora. Neles, além dos carros-conceito representantes de cada marca e seus shows e atrações sensacionais, está também a oportunidade quase única de transformar sonho em realidade. Ou seja, dá para experimentar ao menos por alguns instantes alguns dos carros. É o imaginário concretizado.  Eu, por exemplo, caí na real totalmente: eu nasci para ter um porsche! 



E não pára por aí.  Na Autostadt também tem um centro de atendimento ao cliente onde é possível comprar carros novos. Caso você compre o seu zero km lá, poderá retirá-lo numa das duas torres de vidro e aço galvanizado de 60 metros de altura que abrigam 400 carros cada. Essas torres são ligadas à fábrica por um túnel subterrâneo de 700 metros por onde os veículos acabados são enviados diretamente da linha de produção por um sistema de correias transportadoras. Quando chegam às torres são levantados por braços mecânicos que giram  a partir de uma viga central para deixar cada carro em sua baia suspensa.  Um jeito no mínimo interessante de realmente pegar um carro com o odômetro marcando zero. 




Só de ver subir e descer os carros, já é uma diversão, mas também dá para subir por um elevador com capacidade para até dez pessoas sentadas que mais parece uma nave futurista até onde está o seu carro no alto da torre. Demais, rapaz! 

Para visitar a Autostadt é preciso comprar um ingresso que custa 15 euros. Nele está incluída também uma visita à fábrica. Essa parte do entretenimento começa com um breve passeio de barco pelo rio Aller (canalizado/retificado na área da fábrica para atendê-la e - diga-se - completamente limpo). Depois os navegantes descem da embarcação e entram num ônibus especial que percorre a linha de produção. No nosso caso, visitamos a do golf. Poderia ter sido na linha de produção do Touareg. Demos sorte de conseguir agendar essa visita guiada em inglês porque só há um horário nessa língua por dia. Todas as demais são visitas guiadas em alemão. O que para mim poderia até ser russo ou grego, tanto faz já que eu não entendo mesmo. 




Na Autostadt, há 10 restaurantes, todos voltados a atender com alta qualidade qualquer das expectativas dos clientes, sejam os que os frequentam como ambientes de negócios ou lazer. Também atendem aqueles que querem apenas uma pausa para um café e os que vão para relaxar ou só para matar a fominha entre as atividades oferecidos no lugar. Para cada restaurante valeria toda uma matéria especial.  Pena que eu só conheci um deles. Entretanto, o que sei e vi é que o nível do serviço e da comida é alto. Os chefs são premiados, a decoração e o ambiente são impecáveis, o atendimento de primeira (embora nem sempre bilíngue) e as opções de comida vão do trivial (como um latte machiatto) a sofisticadas preparações gourmet. No bojo de todo sse cuidado, há lá dentro uma escola de gastronomia para eventos especiais. Para se aprofundar nesse assunto, no site da Autostadt há uma área que traz até receitas sugeridas pelos chefs. Vale a pena dar uma navegada. 

Lá dentro tem também uma padaria,  a Autostadt Bakery: das Brot. Por sinal, eu aprendi (consumindo, graças a Deus, sem culpa!) que os pães são o melhor produto feito na Alemanha. Não há nada igual. Dos que provei, todos estavam deliciosos, desde os mais comuns aos mais sofisticados, tanto os comprados nos locais mais simples como os provados em restaurantes de hotéis de padrão internacional. 

Nessa Disneylandia da Volkswagen, tem ainda uma escola de direção para crianças, uma praça cultural que serve de ponto de encontro, teatro e anfiteatro, cinema, área para shows com concha acústica e espelhos d`água onde anualmente é promovido um show de águas e um largo espaço para passear. À beira do rio tem uma praia, dentro do parque. Também é possível fazer test drives de veículos numa pista especializada. 

O estrelado hotel Ritz-Carlton Wolfsburg fica à direita da fábrica e seu acesso se dá por uma área do parque. 

Como estivemos na Autostadt no verão, algumas atrações especiais estavam rolando. Pudemos navegar pelo rio num barco-deck muito confortável no qual o Silas foi o barqueiro e curtir um bungee jump sentado (de cadeirinha) que balançava por cima do rio. Tudo graças ao sol brilhando e o entardecer da Baixa Saxônia no verão que ocorre lá pelas 21h45. Dias longos ensolarados. Pura curtição! 



Para descrever todo esse complexo empreendimento que junta diversão e negócios seriam necessárias muitas páginas, mas o grande lance é perceber como pode ser construído um belíssimo cartão de visitas. A Volkswagen na Alemanha é ousada, tecnológica, divertida. Diferente da austera unidade de São Bernardo no Brasil, tão fechada, rígida. Certa vez estive lá para uma visita de negócios e fiquei confinada numa salinha de dois por dois metros, sem janelas. Fui atendida tão rapidamente que parecia estar atrapalhando a gerente de marketing que me recebeu. Antes disso, tive que mostrar documentos, passar por um longo processo para fazer o agendamento, apresentando versões detalhadas do assunto da visita, enfim, um saco! 

A austeridade da fábrica na Alemanha está representada nas quatro colossais chaminés que, em última instância, servem como cartão postal da cidade. No mais, a impressão não poderia ter sido melhor, nem mais leve, divertida e saborosa. 


Serviço: 

Autostadt

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Encontros fortuitos e encontros marcados

Ontem escrevi rapidamente sobre o encontro fortuito que tivemos durante a viagem de bicicleta de Amsterdã para Leiden com a adorável professora de gastronomia Suzanne Korevaar. De repente, graças à chuva, paramos no primeiro estabelecimento aberto que avistamos para dar um tempo aguardando que diminuísse o ritmo da pancada e que surpresa boa!

Hoje, um mês exato depois do tal episódio, peguei o cartão que a Suzan me deu e fiz uma pesquisa no site. O Kook Lokaal é o que podemos chamar de estúdio de culinária. Fica entre Kaag & Braasem, duas localidades que formam uma pequena cidade no interior da Holanda. À beira de um canal, na WB Marina, portanto parada propícia para os que têm barcos, numa privilegiada localização em relação a Amsterdã, Leiden e Haia, a escola que também é chamada por eles de taverna é um espaço para aprender a cozinhar, fazer eventos gastronômicos ou festas entre amigos, casamentos, batizados, o que seja.  Durante o ano, eles oferecem um vasto calendário de cursos e oportunidades de convivência. Tudo em torno da gastronomia. 






Acredito que esse é o sonho de consumo de muita gente que lida com comida no Brasil. Um paraíso sonhado por muitos, mas ainda bem distante. Para criar um empreendimento como esse é preciso ter, no Brasil, um belo sócio investidor. Não basta saber cozinhar bem e ter bom gosto. Não sei como é na Holanda, mas não deve ser muito diferente, embora pareça mais fácil, visto de fora, claro. 

O lugar também funciona como restaurante comum e café entre meio-dia e oito da noite. Uma parada facilitada para os barcos atracarem, com estacionamento amplo para carros e uma bela vista das águas do canal e da bucólica vida interiorana holandesa. Para quem pedala ou caminha, o local está entre dois vilarejos muito charmosos, distantes entre si de cinco a oito quilômetros. 

Tirando como base a postura cordial e delicada da Suzan parece que todo o staff é bastante feliz trabalhando no kook lokaal. 

Durante a conversa com ela soube de sua preferência pelos pratos da cozinha mediterrânea e enquanto visitei a cozinha senti o cheiro agradável de massa assando no forno e pude ver uma aluna manipulando uma massa verde que se tornaria uma torta.  Segundo minha anfitriã, na Holanda, os cursos oferecidos de gastronomia têm características semelhantes ao que faço aqui na Unip em São Paulo, são técnicos. Para ela, embora esse tipo de curso seja bem abrangente e dê uma miríade de conhecimentos técnicos aos alunos, não os ensina a ter paladar. Eu concordo com a Susan. Se a compreendi corretamente falta-nos aprender a degustar, experimentar e selecionar o que é bom ao paladar ou não, é o que em inglês se define como "tasting". Em português, as palavras são gosto, paladar, degustação, sabor, experimentar, e eu diria, experienciar.  

Quando viajamos um dos momentos mais críticos que enfrentamos sempre diz respeito à comida. A hora de decidir diante de um cardápio escrito numa lingua que não dominamos o que vamos comer é delicada, isso para dizer o mínimo. É preciso espírito aberto para enfrentar o que pode resultar da escolha feita. 

Há restaurantes que cientes dessa condição do cliente estrangeiro têm cardápios também em inglês. O que, caso você também não seja familiarizado com o menu local, não resolve muito. De modo que resta a escolha entre frequentar restaurantes que ofereçam opções internacionais, que lhe garantem que saberá o que vai comer, ou, em busca da novidade, da experimentação, atrever-se a escolher algo que você não conhece perfeitamente, mas que pode lhe trazer um indescritível novo sabor pelo qual poderá se apaixonar completamente. Uma vez iniciado o processo de se abrir para o novo testando novos paladares, dificilmente você vai querer ficar toda a sua viagem só no que já conhece. Se ficar, perde a chance de ser muito, muito, muito feliz. Tá bom, com as novidades pode ter também alguns desencantamentos. Isso faz parte. 

Lembrei-me agora de uma torta de limão que comi certa vez num café de um clube em Punta del Este. Que sabor inigualável! Nunca havia comido nada igual em toda a minha vida. Nem tampouco consegui repeti-lo depois de deixar aquele lugar em que estive somente por dois dias. Adoraria ter a receita, mas precisaria de uma certa manobra logística internacional para conseguir. Não tenho sequer o endereço do lugar onde estive, por isso acredito que até poderia conseguir a receita, mas o esforço não seria dos mais fáceis. 

Ter encontrado a Suzan, a taverna e a escola de culinária quando esperávamos a chuva passar foi mesmo um momento mágico, uma surpresa fortuita. Comparativamente, foi como a torta de limão no Uruguai, algo novo, desconhecido, mas bem agradável. 

Há também os encontros marcados nas viagens. Aqueles pelos quais aguardamos dias e dias até que cheguem. Foi o aconteceu quando chegamos à Alemanha, em Fallersleben, Wolfsburg, na casa da Euzi e lá nos esperavam ela, o Alex e o Rafael. O que estava previamente agendado, cheio de ansiedade, me deu um prazer tão grande, uma sensação tão familiar de encontrar pessoas amadas, cuja história pregressa nos une com o melhor dos afetos, o amor. 

Ver o Rafa falando uma lingua toda dele e poder entrar naquela comunicação, vê-lo rindo, correndo, brincando, escapando de nós quando menos esperávamos... Encontro marcado para ser feliz. E fomos! 




Sobre essa parte da viagem, terei capítulos específicos. 
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Ah! Devido às novas atividades do semestre, possivelmente, a periodicidade do blog deverá mudar. Estou pensando em escrever dia - sim, dia - não.  

Serviço:

Kook Lokaal - www.kooklokaal.nl - Plantage 87 - 2377AE Oude Wetering - Tel. 085-877 11 18 

domingo, 3 de agosto de 2014

Um dia de bike na Holanda, nem tão fácil como se pensa

O território holandês tem 27% , ou seja, pouco mais de um quarto de suas terras abaixo do nível do mar. Como isso é possível? 

As Holandas são duas, a do Norte e a do Sul, que, na verdade, são duas das províncias dos doze Países Baixos, embora comumente chamemos a todos os que lá nascem de holandeses sem atentar muito para o que achamos que seja um mero detalhe. Detalhes à parte, gigante é mesmo a nossa falta de informação, claro! A capital é Amsterdã e a sede do Governo fica em Haia (The Hague ou Den Haag).  Quem é natural desses lugares deveria ser chamado corretamente de neerlandês, mas para não gerar mais controvérsias continuemos a lembrar disso quando nos referirmos aos holandeses. Ok! 

Cerca de 60% da população dos Países Baixos vive numa área formada por um grande delta, o delta do Reno e Mosa, boa parte do território existe devido a um sistema sofisticado de pôlderes e diques que preserva as cidades controlando a entrada das águas, evitando que fiquem submersas. Quase todo o território está a apenas um metro acima do nível do mar. São, portanto, terras muito planas. O ponto mais alto dos Países Baixos está a apenas 321 metros de altitude em relação ao mar. 

Muitas das cidades contam com lindos canais que são usados para navegação, tanto tranportando mercadorias, como há pessoas cujas residências são barcos. Eles também são usados para levar turistas, como eu, que se maravilham com a oportunidade de poder olhar as construções de cidades tão lindas e majestosas a partir de um ângulo bem diferente.  E claro, sonhar que um dia São Paulo possa ter navegação no Tietê e no Pinheiros também!

O fato de ser uma grande área plana faz com que as bicicletas sejam o mais querido meio de transporte na região e assim o ciclista é prioridade em relação, inclusive, ao pedestre, que dizer dos motorizados ônibus, bonde e do carro. Esse último quase não tem vez. 

Por isso tudo, decidimos que, como gostamos muito de bikes, parte da nossa viagem seria feita nesse tipo de veículo. 

Alugamos duas magrelas em Amsterdã ao preço inicial de 15 euros ao dia cada, mas como ficaríamos vários dias esse valor diminui facilitando a vida do ciclista. Também é preciso fazer um seguro, que não é caro.  Somados os valores, por três dias, duas pessoas, pagamos algo em torno de 80 euros. O preço de nos sentimos muito felizes e eu diria mais: completamente livres porque a sensação de liberdade que nos dá uma bicicleta, desde que somos crianças, é inigualável. Esse prazer só é possível pedalando e ele aumenta ambiciosamente quando você coloca uma mochila nas costas na qual estão apenas poucas peças de roupa e alguns víveres e toma rumo! Nenhum outro veículo proporciona essa leveza e facilidade, é felicidade! Quem anda de bicicleta sabe do que estou falando. 




Sendo assim, terreno todo plano e as bicicletas como companheiras, deixamos Amsterdã no domingo, 6/julho, de manhã, rumo a Leiden, uma cidade cerca de 35 quilômetros distante da capital. 

Fora o fato de que não tínhamos um mapa em mãos, tínhamos um GPS novinho em folha que o Silas ainda não sabia usar direito e no qual não estava registrado o nosso trajeto. Mas isso não é significativo, afinal. Nada de preocupação porque naquele país todos os caminhos contam com ciclovia. Não há lugar para onde se vá e não exista um lugar especial para que a bicicleta deslize. Isso para o holandês é algo comum. Tão comum quanto nós de São Paulo termos trânsito na capital. Além disso, nas estradinhas, beirando lindos e bucólicos canais, a cada 300 metros no máximo, há um mapa informando onde você está e com as direções para onde ir ou voltar. 



Fácil, não?  Nem tanto. 

A direção que escolhemos tinha um aeroporto no caminho: o Schipol. Um dos mais movimentados da Europa e o 9o. mais usado do mundo. Nos últimos dias, infelizmente, ouvi-se muito falar dele devido ao voo que decolou de Amsterdã rumo a Kuala Lumpur, na Malásia, e foi derrubado na Ucrânia, matando 298 pessoas. 

A extensão do Schipol é bem longa e, como não pode deixar de ser, é um grande descampado e venta muito! O passeio bucólico por campos verdes iria, portanto, demorar um pouco mais para começar. Só depois que vencêssemos grande parte do perímetro do aeroporto. Até então com um sol bem quente nas nossas cabeças. 





Isso demorou umas três horas inevitáveis.  Depois paramos, fizemos um piquenique no caminho e seguimos viagem. Para mim, não estava sendo muito divertido, não. Tenho que confessar que ficava sempre muito atrás do Silas, que é um pedalante recorrente, diferentemente de mim. Isso me fazia ter que acelerar para alcançá-lo. E ele, por sua vez, tinha que me esperar pedalando devagar como eu e depois precisava ler os mapas. Ele ama mapas! Não houve um só em todo o caminho que ele não tenha verificado. Se eu o alcançava, tinha que parar para saber se o caminho estava correto, mesmo que naquele momento eu estivesse no embalo. 

Contra mim ainda veio o vento. Soube depois de já ter feito os 54 km, que foi a distância percorrida nesse domingo a que me refiro, que pedalar contra o vento pode ser muito pior do que pedalar na subida. É mais pesado muitas vezes. 

Minhas pernas doíam muito! Eu sentia frio todo o tempo. Quando eu achava que nada poderia piorar porque o vento não desanimava em nos empurrar para o lado contrário ao que queríamos ir, começou a chover. Ui! Dureza, gente, dureza! Amar é isso. Vamos lá! 

No meio da jornada, quando a chuva começou, paramos e encontramos um oásis. Entramos numa propriedade que parecia um restaurante e era. Lá, fomos recebidos por uma mulher muito simpática que nos viu pedalando e logo nos acolheu. Ofereceu água e conversa vai, conversa vem, ela me disse que dava aulas de culinária ali mesmo. Eu contei a ela sobre o curso de Gastronomia e minha atual paixão e ela então me levou para conhecer sua linda cozinha, toda colorida, cheia de vida, de cheiros, de sabores. 





O nome dela é Susan. Conversamos um pouco sobre o privilégio que ela admitiu ter por viver ali e ter um restaurante e uma escola de culinária mediterrânea, numa estrutura tão agradável à beira de um canal maravilhoso onde estavam atracados barcos lindíssimos e obviamente muito caros. O lugar era simplesmente sensacional. Eu adorei a Susan. Falamos também dos queijos produzidos na Holanda e quão rica é a culinária brasileira. 

Um dedo de conversa depois, precisávamos voltar à ciclovia e seguir rumo a Leiden. 

Embora o caminho tenha tido vastos campos de trigo, de milho e de girassóis, além dos moinhos, marca registrada da Holanda, eu não consegui curtir. Esse foi um dia muito difícil da viagem pra mim. Quando chegamos a um hotel já em tempo de anoitecer (note-se que é verão na Europa e anoitece perto das 22 horas por lá nesse período do ano) numa cidade ao lado de Leiden, graças a uma informação incorreta que nos foi dada, eu queria tentar me secar, me esquentar, tomar um super dorflex para diminuir a dor nas pernas, comer algo e desmaiar na cama. 





No dia seguinte, haveria mais viagem de bicicleta. Deus haveria de me ajudar a conseguir vencer mais essa. E ajudou mesmo. Depois conto essa parte. A segunda-feira foi ensolarada, Leiden é uma cidade linda, linda, linda. A mais bonita que visitei na Europa nessa viagem. 

À parte, preciso contar brevemente o episódio da chegada na cidade no domingo no fim da tarde. Na Europa, especialmente em cidades pequenas, domingo não é dia de trabalho. As lojas, graças a Deus, não estão todas abertas. São respeitados o descanso e o lazer das pessoas no domingão. Então, como além disso ainda estava chovendo, não havia pessoas nas ruas para perguntarmos sobre uma hospedagem. Foi esse o motivo de entrarmos completamente molhados num café todo chique repleto de senhoras finas tomando o chá das cinco em belas xícaras cheias de design. Todas - digo, todas mesmo! - as pessoas se viraram para nós. Parecia cena de novela, mas éramos extraterrestres enxarcados entrando num recinto inapropriado. Que vexame! Agora dá até pra rir, mas na hora... vou te contar! Teve mais um episódio além desse, mas esse foi o pior. 

Enfim, conseguimos chegar num hotel Ibis, ao lado de um MacDonald's, que o Silas nem viu, tamanha era a pressa de sairmos da chuva. Ali nos instalamos. Nessa noite, eu tomei uma sopinha de tomates, muito comum na região. Foi gostoso!

Como eu estava com o Silas, valeu a pena! Para dizer a verdade, apesar de tudo, eu faria de novo! 

Por isso é que embora nem tão fácil como se pensa, um dia de bike é sempre memorável na Holanda.

sábado, 2 de agosto de 2014

A diferença entre o muro e a cerca

Viajar é uma das melhores decisões que alguém pode tomar na vida, eu não tenho dúvida alguma quanto a isso. Inclusive, como diz a Renata, criamos um mantra, o Silas e eu: "Para que precisamos de dinheiro? Para viajar!"

Mas eu que não deixo passar muita coisa sem refletir um pouco a respeito fico aqui pensando em porquê é assim tão importante para nós (e acredito que para as pessoas meio normais, como nós, rsrs) essa condição efêmera de viajantes. O que nos oferece de verdade o período em que estamos na viagem? Por que essa sensação é tão prazerosa?

Para mim, são tantos benefícios que nem consigo elencar o que não é válido num passeio por terras distantes, mesmo que elas nem sejam tantas milhas distantes assim. Entre as benesses, a oportunidade de comparar sem preconceito é a que talvez mais me encante.

Nessa longa viagem de férias que fizemos passando pela Holanda e a Alemanha, minha principal observação frente às diferenças culturais foi o que significa um muro se comparado a uma cerca.

Quando eu era criança, na casa das minhas avós, o que dividia o quintal de uma casa do de outra era uma cerca. Pra lá da cerca era a casa da dona Landa e pra cá da cerca do Seu Aldemir. Do outro lado, a Dona Maria Stuque e ao fundo, eu não me lembro, mas também tinha cerca.  Na casa da outra avó, a dona Zilda tinha um quintalzão que a gente via pelo muro baixo que depois aumentou, ficou alto porque ela tinha cachorro e minha avó galinhas. Mas púnhamos uma escada e conversávamos com o nosso amigo Alexandre pelo muro. Todo mundo sabia quem era quem e quando aparecia alguém diferente também todo mundo sabia. 

Os muros foram crescendo conforme foi aumentando a violência. Quando os ladrões de galinhas deixaram de ser meninos levados e passaram a ser assaltantes com armas em punho e a fim de fazer uma grande rapa na casa dos que não se protegem com altas grades, muros imensos com cacos de vidro que os cobrem, cercas elétricas e sistemas de segurança com câmeras por todos os lados, deixando o Big Brother parecendo uma brincadeira engraçadinha. 

Os muros cresceram porque a insegurança aumentou, o consumo demasiado gerou distâncias sociais abissais e muita revolta. Quem não tem acha que pode ter se apropriando do que é do outro. Quem tem quer cada vez mais, acumula e não divide. Acha que deve ser servido pelo que não tem e que as coisas não devem mudar. As diferenças sociais se aprofundam e para os que têm deve ser assim mesmo. "As grades do condomínio são para trazer proteção, mas também trazem a dúvida se não é você que está nessa prisão". 

Em países como a Alemanha e a Holanda, as diferenças sociais são menores. Os que têm menos, têm o suficiente, não são miseráveis. As pessoas trabalham, têm suas casas com jardins e cerquinhas que só ilustram a paisagem para que pareçam um desenho infantil feito em papel sulfite bem colorido. 

Andamos de bike por um trecho não muito longo no interior da Holanda e não vimos muros, só cercas bonitinhas ou nem isso. Foi igual quando vimos as cidades pelas janelas dos trens. Assim como nas cidades em que estivemos na área urbana. Na Alemanha, percorremos de carro, durante uma semana, boa parte do sul do país. Não há muros dividindo as propriedades, quando muito, há cercas. 





Antes de falar das incríveis belezas construídas pelos germânicos, tão organizados que são, quanto à infraestrutura de transporte, as rodovias, as ciclovias, os portos, a rede elétrica que não tem cabos aparentes nas áreas urbanas, os grandes reservatórios de água para garantir o abastecimento das cidades, queria falar da principal sensação que tive enquanto viajei pelos dois países. Eu senti que lá há segurança. De modo que as cercas não foram substituídas por muros. 

Seus olhos agradecem. A paisagem aparece imensamente porque desbundam extensas áreas verdes onde pastam lindas vacas leiteiras, campos de trigo de perder de vista. Nas casas com jardins quase sempre bem cuidados e floridos também há grandes janelas para aproveitar a luz do sol e nelas estão à mostra floreiras muito coloridas. 





Mais que seus olhos, o seu coração se sente mais tranquilo porque em lugares nos quais os muros não são necessários é quase óbvio que há segurança.

Como disse no início, comparar sem preconceito, e também sem inveja, é uma das oportunidades que as viagens nos dão.  É preciso um certo controle e muito discernimento para evitar dizer que um lugar é melhor que outro, apenas porque para comparar não é preciso julgar. 

Para mim, a diferença entre o muro e a cerca é a escolha que política e socialmente fazemos todos os dias em cada atitude que temos. 

Desejo a todos os meus amados leitores de quem eu estava muito saudosa, muitas viagens! Todas as que forem possíveis e, claro, que sempre possam voltar pra casa. Eu adoro voltar! 

domingo, 27 de julho de 2014

A viagem está acabando

Olá a todos! 

A viagem está bem no final. Amanhã deixaremos Munique para retornar a São Paulo. 
Logo que chegar escrevo contando o que rolou nesses dias todos sem notícias. 

Beijos e saudades. 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Terceiro dia contado dias depois

Ainda em Amsterdã, o terceiro dia de viagem, diferentemente dos dois primeiros amanheceu chuvoso. Numa viagem de verão, por mais que saibamos que poderá chover mesmo estando num país europeu, nem sempre as gotas insistentes são bem vindas. Ao contrário, atrapalham os planos e desanimam um pouco. Ainda mais porque com chuva, sentimos frio.

Nossa previsão para esse dia era alugar bikes e passear por toda Amsterdã já que em duas rodas e pedalando damos um ritmo mais produtivo ao passeio. A experiência que tive em Nova York no ano passado me convenceu que com uma bicicleta dá para ver e conhecer muitos mais lugares de uma mesma cidade. Além disso, para as bikes não há trânsito, só, às vezes, um breve incômodo quanto a prendê-las num poste já que não é todo lugar que conta com paraciclos ou eles existem nem sempre estão desocupados. Outra preocupação é se a bici não vai ser roubada ou avariada enquanto estiver estacionada. Para isso, em caso de aluguel, como para os carros, existem apólices de seguros. Fora isso, é uma maravilha.

Quando eu era menina ganhei uma bicicleta Caloi Ceci. Foi uma grande companheira. Onde quer que eu fosse, ia de bicicleta. Não precisava esperar que meu pai me levasse nos lugares e nem me cansava como os que andam a pé. Não entendo porque nas cidades pequenas, já que nas grandes é discutível o perigo do tráfego intenso, as pessoas não andam de bicicleta. Em Itu, por exemplo, seria muito mais fácil ir de bike do que de carro para os lugares. Mais barato e saudável também.

Como chovia na manhã de sábado e, no fim da tarde do segundo dia, a sexta-feira, havíamos feito um bucólico passeio de barco pelos canais de Amsterdã, decidimos ir ao Museu Rijks, onde só tínhamos tomado nosso café da manhã do dia anterior.
O museu foi criado para preservar a história da arte dos Países Baixos.  Mais que qualquer outra coisa, inclusive os vários quadros de Rembrandt que estão ali guardados, o prédio é belíssimo. Inaugurado em 1885, emprega 400 pessoas, entre as quais 45 restauradores. Conta com vitrais espetaculares que aproveitando a luz natural colorem o hall do segundo andar, dão brilho e encantam os visitantes, mesmo os menos sensíveis. 

Os jardins externos que havíamos visitado no dia anterior são um espetáculo à parte.  Estavam floridos com uma ampla diversidade de espécies de cores diversas que, cuidadas por jardineiros amorosos oferecem uma paisagem convidativa para namorar, descansar, ler ou ver as crianças brincando molhadas na água da fonte que tem sensores e jorram na presença delas.  Se começar a brincadeira pode contar que não acaba antes que todos estejam ensopadas. E os pais, claro, em algum momento se molham também. Além disso, nos jardins estava vasta intervenção de obras do artista  Alexander Calder, móbiles a céu aberto com formas geométricas feitas em madeira e aço, balançando ao vento emolduradas pelas plantas. Um cenário de filme do tipo comédia leve e romântica.  O melhor de tudo é que os protagonistas éramos o Silas e eu.

Choveu e nós ficamos no Rijksmuseum boa parte da tarde, até que tivemos fome e decidimos sair para almoçar.  Depois voltaríamos.




Ao sair, estava sol novamente!

Comemos num restaurante italiano chamado Cantina de Leo. Pedimos uma salada para mim e uma lasanha para o Silas, que ama esse prato. Sobre o que comemos na viagem e como fomos servidos, eu farei textos especiais, nos quais quero me ater mais e descrever alguns detalhes. Por ora, meu foco é nas atrações da viagem.

Voltamos ao museu depois do almoço que acabou às 16h40. Quando entramos na área especial do prédio, onde estão as porcelanas, os vestidos, as armas, os protótipos das embarcações, pratarias e joias, faltavam apenas 15 minutos para o encerramento das atividades. Não tem choro. Hora de fechar é hora de fechar, nenhum minuto a mais. É preciso desocupar o prédio porque as pessoas vão cuidar de suas vidas. Não são escravas do trabalho. Se você quiser, se organiza e vai mais cedo ao museu ou volta outro dia pra visitar pagando o ticket baratinho de 15 euros novamente. Mas na hora de fechar, fecha.
Ficou então a vontade de ver mais, de olhar com detalhe o que não pode ser visto rapidamente.  Ótimo motivo para voltar numa outra ocasião.

Lá fora, o sol nos esperava refletindo luz nas lindas construções de toda a cidade de Amsterdã. Não há um só lugar para onde se olhe e a arquitetura não seja agradável aos olhos. Convivem o novo e o antigo em perfeita harmonia e com amplo uso. Os lugares são habitados, neles existem empresas funcionando dotadas da mais alta tecnologia. Nada é pendurado de qualquer jeito para que um dia seja arrumado. Tudo é feito para funcionar ou adaptado da melhor forma para isso. Não sobram cabos em postes para que as pessoas tenham TV por assinatura, não há antenas gigantescas sobre os prédios devastando a paisagem.

Alugamos duas bicicletas. A do Silas de número 42 e a minha 116. Lindas e em perfeito estado, com travas de segurança e cadeados robustos, elas nos acompanharam do fim da tarde à noite adentro pelas ruas de uma cidade linda, pulsante e capital do país cujo time oranje  jogava naquela noite as quartas de final da Copa do Mundo de futebol no Brasil contra a Costa Rica. 





O time da Holanda venceu o jogo nos pênaltis e a festa laranja se deve ter estendido pela madrugada, quando já havíamos voltado para o hotel em Leidseinplein, local ao qual já chamávamos carinhosamente de “nosso bairro” em Amsterdã.



Para o dia seguinte, estava programado o primeiro dia de viagem de bike rumo a Leiden. 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Madurodam, em Netherlands os cidadãos têm orgulho de seu país

Ontem, fomos a Haia (Haag). É aquele lugar onde o Ruy Barbosa, a nossa Águia de Haia,  defendeu a igualdade entre os Estados em 1907. Quase todo mundo estudou isso na escola e já não lembra mais. 
A cidade é lindíssima e bem grande. Diferente de Amsterdã que é cheia de canais, Haia tem avenidas longas e arranha-céus. É lá que vive e trabalha o rei dos Países Baixos, que a gente costuma chamar de Holanda. Netherlands é formada de 12 províncias: Zelândia, Holanda do Norte, Frísia, Holanda do Sul, Guéldria, Limburgo, Brabante do Norte, Overissel, Drente, Groninga, Utrecht e Flevolândia. A cidade de Haia é a capital da Holanda do Sul. 
Tudo isso pra dizer que quisemos aproveitar o dia de sol para poder visitar um parque chamado Madurodam, uma grande representação dos Países Baixos em miniatura. O lugar é feito para crianças, tem várias atrações interativas muito educativas, mas que é super interessante também para os adultos. 

Miniaturas do Parque Madurodam, em Haia


Uma das atrações, a que mais me chamou atenção, é um espaço dedicado à paixão do cidadão nederlandês ou holandês, como preferimos, pelo futebol. É um espaço que se parece com a entrada num estádio de futebol onde há duas salas, a primeira com puffs laranja no chão e a segunda, uma sala de cinema. Na dos puffs, há TVs em vários pontos, as luzes se apagam e são mostradas as grandes vitórias e derrotas da Holanda nos principais campeonatos de futebol mundial. Tanto a Copa do Mundo da Fifa quanto os campeonatos europeus como a Eurocopa e Uefa. 

Eu na foto junto da Seleção dos Imortais - Laranja Mecânica de 1988

Só uma pausa no raciocínio para inserir um outro: no sábado passado, 05/07, à noite, estávamos em Amsterdã e vimos o jogo da Holanda contra a Costa Rica. Foi uma alegria geral quando o sufoco dos pênaltis deu a vitória para a Holanda. Os holandeses são completamente loucos por futebol. Assim como no Brasil, todo mundo fica mudo quando o jogo vai mal para o seu lado e, na situação oposta, todos vibram alucinados quando o time do seu país joga bem. Naturalmente...
Voltando à sala de cinema do parque Madurodam, a segunda sala a que me referi antes. Depois de ver a história do time holandês, no outro espaço foi exibido um filme com um resumo dos principais lances dos jogos de 1988, quando a Holanda, de virada, venceu a Eurocopa. 1988!! A Holanda tem um time fortíssimo. Foi duas vezes vice-campeã em Copas. no entanto, nunca ganhou um título mundial, ou seja, chegou bem perto, mas não venceu nunca uma Copa do Mundo. 
Madurodam é um parque que ensina crianças a terem orgulho de seu país. As grandes marcas mundiais como Philips, Shell, Heineken, Unilever, ING e outras, bem como os grandes monumentos dos Países Baixos estão lá "miniaturizados" para que as crianças aprendam a sua história desde pequenas. Para que se sintam parte de um país honrado, civilizado, batalhador. Um país que produz flores mais que todo o resto do mundo!
Os jogadores da Holanda não foram vaiados por seus conterrâneos quando perderam, ou melhor, quando foram vice. Foram honrosamente recebidos de volta ao seu país. 

Para os holandeses amar a seleção orange vai além das vitórias

Eu também estou perplexa com a derrota do Brasil no jogo da semifinal contra a Alemanha. Uma derrota histórica de 7 a 1, que só não foi pior porque, acredito eu, os alemães ficaram constrangidos em causar tamanho vexame na casa do anfitrião. Estou triste. Sem muito para argumentar, mas a torcida estarrecida permaneceu no estádio. Os jogadores estavam envergonhados e é nosso dever como pessoas olhá-los como pessoas.
Brincadeiras à parte, no meio do jogo eu, que vou amanhã para a Alemanha, comentava tentando fazer piada da situação que a partir de hoje na minha viagem sou italiana. Mas não é isso que sinto, de verdade não é isso. Fiquei mal como todo brasileiro, senti pena daqueles meninos tão jovens e inexperientes, embora cheios de dinheiro (eu já sei), que permaneceram jogando até que chegassem os 90 minutos do encerramento da partida. Eles podiam ter desistido, mas é preciso manter-se em pé frente às derrotas. Que se aprenda a lição.
Como eles vão jogar a disputa do terceiro lugar? Ninguém sabe. Nem eles. Mas que o exemplo holandês nos sirva para alguma coisa. Eu continuo tendo  orgulho de ser brasileira, com muito amor. A camisa amarela ainda me representa e assim será sempre. É ruim, mas é bom, afinal!
Dedico esse texto ao “menino” Oscar que marcou o gol da honra do Brasil aos 90 minutos do famigerado jogo de hoje. A ele que saiu desolado, numa nítida crise de nervos do gramado em Minas Gerais.
Ainda temos que dizer que essa é a Copa das Copas. Torço agora para que a Alemanha vença a Copa do Mundo de 2014. Sem teoria da conspiração, com fair play. Para a Argentina, eu não torço mesmo, sou brasileira, oras! 



sexta-feira, 4 de julho de 2014

Segundo dia - Van Gogh Museum

Existe um tal de jet lag, traduzido como descompensação horária, que ocorre quando fazemos uma viagem mudando de fuso horário. Algumas pessoas sentem mais, outras menos. Eu não sou das pessoas que tem problemas horríveis com isso, mas também não passo ilesa. 

Hoje, acordei cedo, eram 7h30 aqui em Amsterdã, mas no Brasil ainda eram duas da madrugada. Uma viradinha na cama e dormi mais quase 90 minutos. O corpo demora para acostumar com o horário novo, muda o apetite, muda o sono.  Meu ritmo biológico tem lá suas alterações também.

Vencida esta etapa, a de acordar, fomos procurar um café da manhã. Que delícia o lugar que encontramos: dentro do Rijksmuseum, o Museu Nacional dos Países Baixos. O prédio é incrível. No bar ou café, o pé direito é altíssimo e há entrada de luz natural. Decidimos pelo breakfast  pra não errar na opção logo de manhã: croissant, manteiga, geleia e suco de laranja. Eu também pedi um café maquiatto, mais leite que café. Veio perfeito! E o croissant? O que é aquilo? Só de pensar me dá vontade de comer de novo. Dois para cada um de nós. Eu comi um e o Silas os outros três.  Por que será que ninguém consegue fazer croissants tão bons no Brasil? Nem vem que não tem. Não tem em lugar algum. Deve ser o clima que não ajuda.  Só isso explica porque a receita a gente leva, mas não acerta. Nenhuma padaria das mais bacanas de São Paulo tem essa maravilha. 

De lá fizemos um passeio maravilhoso pela área de museus de Amsterdã, rumo ao Museu do Van Gogh. Eu sou aficcionada por museus, especiamente, as pinacotecas. Gosto mesmo! 

Há muito tempo eu esperava vir para cá para conhecer o museu do Van Gogh.  Não é um museu imenso como o Louvre ou o Metropolitan. De qualquer modo são três andares de um prédio construído especialmente para esse fim: preservar a memória de um dos maiores artistas holandeses de todos os tempos. 

Vincent Van Gogh viveu somente 37 anos. Ele não se casou e eu desconfio, depois de ter ido ao Museu, embora nada insinue isso por lá, que ele foi mesmo apaixonado por Paul Gauguin. Van Gogh foi um pintor pós-impressionista, embora ele tenha bebido dessa fonte. Um gênio absoluto em sua forma de expressar em telas rostos, flores e retratos da vida cotidiana, ele não foi reconhecido em vida. Morreu dois dias após dar um tiro no próprio peito e depois de ter passado mais um ano internado num hospital psiquiátrico onde produziu peças de valor inestimável. 

Eu gosto da fase em que Van Gogh já havia descoberto a cor e trabalhava com ela magistralmente. Entretanto, eu sempre adorei em suas obras a cor amarela, mas hoje soube no museu que, muitas de suas telas não foram feitas originalmente dessa cor. A exposíção à luz é que modificou as cores e isso faz com que haja predominância de amarelo em muitos de seus trabalhos. 

Nos três andares do museu, há obras não só de Van Gogh como também de alguns de seus contemporâneos. Gente talentosa que como ele estudou belas artes na Europa do fim do século 19. 

(continua... )

Agora tenho que sair para ver o jogo do Brasil contra a Colômbia. Depois publico mais fotos e conto o resto. 

Beijos e vamos torcer para ganhar mais essa! 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Primeiro dia - Sol no entardecer de Amsterdã

Amsterdã, à primeira vista, é tudo aquilo que dizem. Pulsa! 

Chegamos aqui depois de um voo longo de São Paulo para Frankfurt, com conexão para Amsterdã.  Deu tudo certo no embarque, nos aeroportos pelos quais passamos e com as informações que fomos coletando para chegar até aqui no hotel. Estamos em Leidseplein, um bairro central, num hotel Best Western.

A viagem de avião por muitas horas sempre é muito cansativa, inevitavelmente. O barulho dentro da aeronave é bem incômodo, mas o que não fazemos para poder chegar a um lugar tão bonito? O avião é só um meio necessário. 

Eu li que é uma sorte parecida com acertar na loteria se você conseguir pegar um dos cinco dias do ano em que faz sol em Amsterdã. Pois sendo assim, ganhamos na megasena acumulada, mas o prêmio estamos repartindo com milhares de outras pessoas. Aqui, tem muita gente na rua, se divertindo, tomando uma cerveja e se deliciando com umas tapas (como são chamadas as entradas ou o tira-gosto na Espanha), ou dourando a pele nos parques num piquenique com os amigos ou só curtindo a lua que está inteirinha no céu embora ainda esteja claro. Também podem estar andando ou correndo de bike.

Por falar nisso, bicicleta e Amsterdã são quase sinônimos. Como tem bike por aqui!  E é surpreendente como as pessoas correm com elas. Sem dúvida alguma é o transporte prioritário, aqui existe mesmo a cultura da bicicleta. Nas ruas, em primeiro lugar, as magrelas de duas rodas, depois as pessoas a pé, os ônibus,  o bonde (ou tran), as vespas, as motos e só depois os carros. Eu quase fui atropelada por um biker logo na minha caminhada inicial. Não fosse o Silas gritar "cuidado", já era. 

Para o primeiro dia, seguem algumas fotos que provam como o sol nos recebeu. Não vou escrever muito porque estou cansada da viagem e amanhã teremos um dia intenso que pretendemos fechar em algum bar ou lugar público assistindo ao jogo do Brasil contra a Colômbia, às 22h (são cinco horas de diferença de fuso horário nesse período).

Feliz! Eu estou muito feliz por estar aqui com o Silas! Aquele abraço, 





quarta-feira, 2 de julho de 2014

Estilo de viagem

Apesar da idade, já não somos mais crianças, nem tão jovens, o Silas e eu gostamos de viajar por conta. O que quero dizer é que comumente quando viajamos não contratamos uma agência para comprar passagens aéreas ou reservar hotéis, isso quando ficamos em hotel, porque, confesso, eu adoro os albergues! 

O estilo de viagem que mais faz a nossa cabeça é o de conforto relativo ao benefício do passeio que estamos em busca. Por isso, nossas viagens não são caras, como alguns poderiam imaginar, mas não deixamos de fazer nada que consideramos realmente bacana. 

Vou dar um exemplo. Há alguns anos, fizemos uma viagem para Foz do Iguaçu. Pra mim, o lugar mais bonito que já vi. Amei aquela viagem. Entretanto, ficamos hospedados no albergue da juventude, lá em Foz, HI - hostelling international. Nosso quarto era de casal com banheiro privativo e ar condicionado, já que fomos em pleno verão. Contudo não tinha televisão. Se quiséssemos assistir TV, tínhamos que nos juntar aos demais hóspedes numa sala comunitária. Para alguns, pode parecer falta de conforto, mas para nós, é uma chance de deixar a TV e ler um livro, entrar em outro universo.  Além disso, não tínhamos transfer pago para as atrações do local e em Foz do Iguaçu, os parques são distantes. Pegávamos um ônibus perto do hostel e fazíamos peripécias para chegar aos nossos destinos diários. Foi desse jeito que atravessamos a fronteira para o Paraguai e também para a Argentina. Não tem nada a ver com não querer gastar dinheiro, tem a ver com o espírito da aventura de fazer diferente. 

Aqui em São Paulo também costumamos ir trabalhar de transporte público, a pé ou de bicicleta. O que não é muito usual entre os colegas de trabalho que temos. Especialmente, se o carro ficou propositalmente na garagem. 

Na viagem que faremos este mês, todas as providências necessárias desde a escolha do roteiro, a compra dos bilhetes aéreos, reservas em locais turísticos, aluguel de veículos (bike, no nosso caso) e o restante também, foi feito por nós mesmos.  Com isso, já temos bem desenhados os percursos que faremos. A viagem começa bem antes de chegarmos ao destino. E ao chegarmos, queremos ser surpreendidos. Isso faz toda a diferença. Não está tudo perfeito com alguém tomando conta do que vamos comer ou que museu temos que visitar. 

Hoje, por exemplo, vamos ao aeroporto de Guarulhos de metrô e ônibus. Não aquele ônibus Airport Bus Service que custa R$ 36,50 por pessoa. Já há muitas viagens, costumamos pegar o metrô da linha vermelha até a estação Tatuapé e de lá pegamos o ônibus que leva até o aeroporto de Guarulhos que custa R$ 4,30. 
É pontual, sai a cada 20 minutos, passa por todos os terminais de embarque, tem lugar para colocar as malas e tem ar condicionado. Esse ônibus não é muito conhecido, então fica aqui uma dica para quem curte esse estilo de viagem. 

Outra coisa, é o peso da mala. Eu não gosto de carregar peso e nem posso. Além disso, meu amigo João Ricardo Pupo, no primeiro ano de faculdade em Bauru, quando costumávamos pegar carona na estrada, me ensinou que a gente só pode levar consigo o que conseguir carregar. De modos que minha mala é sempre bem enxuta. Lá pelo meio da viagem, possivelmente, terei que parar numa lavanderia, mas isso também é uma diversão se posto em perspectiva. 

Como daqui a poucas horas embarcaremos, não posso me estender mais por hoje. Espero ter muita coisa boa para dividir nos próximos dias e, até quem sabe, alguns perrengues. Nada que não nos faça usufruir com carinho dessa oportunidade. 

Como falei de Foz do Iguaçu, escolhida entre as que já fiz a minha melhor viagem (um dia vou tentar elencar porquê), segue uma foto que fizemos por lá. 

Beijos e asta la vista





Parque do Iguaçu

Usina Hidrelétrica de Itaipu

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Malas prontas

Na semana que vem, quarta-feira, embarcamos de férias para a Holanda e Alemanha. 

Toda e qualquer viagem exigem planejamento, mesmo que seja uma preparação mental, interna. De você para você. É preciso abrir o coração para o que virá de novo, porque não há viagem sem novidade, sem situações diferentes às do dia-a-dia.  

O Silas e eu somos completamente viciados em viajar, mas nem assim deixamos de nos surpreender em cada nova empreitada que inventamos, seja num bate e volta para uma cidade próxima a São Paulo, uma aventura de fim de semana ou durante férias longas, como as que teremos agora em julho. 

Minha colega Lilian Liang, quando trabalhávamos juntas na revista Update da Amcham, lá no início do século, em 2001 e 2012, dizia que esse vício é o vírus inoculado por um bichinho chamado travel bug, ou o inseto da viagem. Se ele picar, bye, bye, você estará infectado para sempre! 

Até hoje na minha vida, conheci poucas pessoas que não gostam de viajar. Preferem o conforto do que é conhecido e amam a rotina. Meu pai era uma dessas pessoas. No entanto, numa certa ocasião, meu tio precisava buscar uma camionete que ele havia mandado colocar cabine dupla no sul do Brasil e chamou meu pai para acompanhá-lo. Eles ficaram viajando cerca de cinco dias, eu acho. Foi suficiente para meu pai nunca mais deixar de falar daquele acontecimento da vida dele. E os olhos brilhavam quando lembrava das estradas, das lindas gaúchas que ele viu num hotel em que ficaram e estavam hospedadas candidatas do concurso de miss Rio Grande do Sul. O travel bug não o picou. Meu pai não se tornou um viajante, mas ele foi definitivamente modificado por aquela experiência. Era como um sonho real ao qual ele podia recorrer sempre que queria se sentir feliz. 

Quando trabalhei na Sabesp em 2009, conheci um amigo queridíssimo, o Rodolfo. Ele é muito especial, uma das pessoas mais inteligentes que conheço, devo a ele muito do que sei sobre saneamento, sistemas de produção de água e tal. O Rodolfo odeia viajar.  Como o conheço e o amo, é um amigo e tanto, entendo e aceito os argumentos dele, mas, sinceramente, pra mim, é surpreendente que alguém não goste de ver e experimentar in loco culturas diferentes. É o jeito de cada um. Respeito. 

Como o assunto hoje é a preparação, especialmente para uma viagem de férias em outro país, há muito em que pensar e providenciar. Alguns dias atrás, falei do passaporte. Neste caso, um item indispensável. Mas longe de ser o único, como ele  muitas outras providências devem ser tomadas para que a viagem seja melhor aproveitada. A seguir, listo algumas providências que, caso você não tome, vai, no mínimo, ter prejuízos, pagar multas e se sentir  culpado em algum momento. 




- Documentos: vistos e  passaportes válidos
- Dinheiro: providencie o câmbio de moeda e cartões de crédito ou saques internacionais
- Passagens
- Seguro viagem
- Malas ou mochilas - devem ser adequadas ao tipo de viagem e à sua capacidade de carregar, bem como ao peso permitido pela companhia aérea
- Roupas adequadas aos programas que fará e ao clima do local
- Sapatos, idem às roupas
- Protetor solar!!!
- Necessárie (sabonete, shampoo, cremes, escova e creme dental)
- Primeiros socorros -  inclua comprimidos para dor de cabeça e para enjoo, nem sempre é possível comprar remédios como no Brasil, depende do seu país de destino
- Guias e informações sobre os lugares que vai visitar. Caso esteja numa excursão, você estará assistido nesse quesito. Do contrário, estudar o que fazer com antecedência poupa um tempo precioso da viagem 
- Roteiro - é bom para quem viaja e pode ser deixado com alguém da sua confiança, caso imprevistos ocorram e você precise ser acessado
- Máquina fotográfica
- Telefone celular - roaming internacional, ligue na operadora e pergunte tintim por tintim o que você tem que fazer, quanto vai pagar e aprenda como proceder antes de embarcar
- Operadora do cartão de crédito - informe a viagem para evitar que a operadora não libere alguma compra devido a mudança do perfil de compra. O seu cartão de crédito, muitas vezes, sabe mais do seu comportamento de compra do que você imagina!
- Reservas de hospedagens (ao menos no dia da chegada, se não fizer, vá preparado para ter algum stress)
- Se você tem  um bicho de estimação,  com quem ele vai ficar? Ou você vai levar? Que regras devem ser seguidas para que o animal possa ser transportado? 
- Suas contas mensais estão todas em débito automático? Caso não, como fará para pagar?
- Se é mulher, marcou depilação, manicure, cabeleireiro ou vai viajar de qualquer jeito e cuidar de fazer isso onde estiver? Os dias correm e as unhas e pelos crescem.
- Durante os dias da viagem, a sua casa vai ficar fechada? Quem vai cuidar das plantas? 
- Vai a casa de amigos? É delicado pensar em levar regalos para os seus anfitriões. 
- Pretende alugar carro ou bicicleta? É bom dar uma olhada na internet para conhecer as opções existentes e quanto custam
- Transporte para o aeroporto: taxi, carro (providencie estacionamento para o veículo, caso não tenha motorista), metrô e ônibus

Já tem muito o que providenciar só com esses itens, não?  Outras providências dependem, claro, de cada um. De qual é o seu trabalho e quantos dias tem de férias, por exemplo. 

Ah! Esqueci de sugerir: leve um livro para ler durante a viagem. Depois me conte o que aconteceu. 

Uma coisa que parece meio absurda e que ninguém gosta de pensar é que viagens têm risco, inclusive de morte. Deixar cópias de documentos, números e senhas em local que possam ser encontrados por alguém de confiança em casos extremos é uma decisão consciente. 

Enquanto escrevo o fim desse texto, já voltei várias vezes para acrescentar mais itens na lista. É melhor parar por aqui. 




A partir da semana que vem, devo escrever o blog com assuntos da viagem. Pode ser que em alguns dias não seja possível escrever. Mas vou me esforçar, já que, pra mim, isso aqui é mesmo uma grande viagem!!!

Um beijo, mande um cartão postal quando viajar! ihhhh que fora de moda! rsrs