quinta-feira, 15 de maio de 2014

Comida de quem não cozinha ou quase


Ontem, no Sesc Consolação, teve mais um bate-papo sobre Blog de Comida. Essa é uma série promovida pela instituição que começou no mês de abril e, quinzenalmente, sempre às quartas-feiras, conta com novos convidados, normalmente blogueiros ou vlogueiros (vlog é o vídeo blog) que falam, fazem, fotografam ou criticam comida. 

Para minha surpresa, diferentemente das outras quartas, os ingressos de ontem foram todos distribuídos porque a sala estava repleta. E o que surpreendeu mesmo foi o perfil do público: muita gente jovem, patricinhas e descolados de plantão. Essa geração que já nasceu depois da internet.  Estavam lá também alguns dos colegas que vêm acompanhando a série, como o Flávio, que gosta de bons restaurantes e de trocar ideia sobre comida. Eu estava lá e também mais umas duas outras mulheres que vi das outras vezes, mas não sei o nome. 

Tem motivo para esse perfil de audiência, os convidados do bate-papo eram PC Siqueira e Otávio Albuquerque, que faziam (eles informaram que o último vídeo da série vai para internet no próximo sábado e depois não tem mais! - quem sabe em situações especiais) o Rolê Gourmet. Um canal do youtube. 


JB, Otávio Albuquerque e PC Siqueira. 













De fato, os caras são bons no que fazem. São espontâneos, inteligentes e tem o que chamo de tirocínio afiadíssimo. Não quica bola na área que os caras não metam entre os travessões! E não sou só eu quem acho isso. Eles têm uma pegada que agrada a moçada e a inúmeros patrocinadores. Fora que são dois meninos bonitos, um deles com cara de bom moço, pouco mais comedido, outro o porra-loca tatuado, que bebe até ficar bem chapado! Ambos bebem até que ficam... bêbados! Ao menos é o que parece, porque não são atores, são bons comunicadores, conhecem o público com o qual lidam e gostam daquele ritmo non sense cheio de conteúdo que produzem. 

Esse lance de blog é da hora, assim como também é da hora essa coisa de comida. Não é só a minha atenção, mas tá na moda! De repente parece que todo mundo resolveu gostar de comida, de vinho, de cerveja artesanal. Tenho uma análise disso no contexto econômico, aquela coisa que o FHC dizia que agora o brasileiro consome frango, sabe? Então, outro nota para isso, dia desses... agora, não! 

Só pra não deixar passar, até porque vou escrever especialmente sobre os outros encontros do Sesc Consolação da série, em abril, conheci o JB, do blog Boteco do JB, que foi quem abriu as conversas falando de crítica gastronômica, aí sim se falou de lugares para comer, tipos de alimentos e preparos - tudo com um toque um pouco "ogro" do JB (rsrs). As convidadas para falar de comida sustentável foram Marina Person e Neide Rigo. Ambas super competentes no que fazem, seja lá o que estejam fazendo. A Marina, uma grande comunicadora, e a Neide, uma pesquisadora dedicada que compartilha carinhosamente o que descobre para quem quiser aprender. 

Na noite de ontem se falou menos de comida e mais de sucesso e de álcool. A bebida é uma porta de acesso para a inserção social de muitos universitários. Todo mundo que vai pra faculdade passa por isso. Uns se negam, outros entram e saem, outros, contudo, vão enfrentar problemas no futuro por conta do alcoolismo.  Mas é "in" achar engraçado quem chapa o coco. 

O programa feito pelos meninos, o PC e o Otávio, é bem mais que isso, é business pra eles. Mas tem esse apelo e a moçada adora! 

Parabéns pro Sesc pela iniciativa mais uma vez. Durante as conversas ainda é servida uma comidinha - ontem tinha queijo quente e suco de uva. 

No dia 28, tem fotografia de comida. Eu vou. Se você não for, conto o que achei, combinado? 

Aquele abraço!!! 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Vinheria Percussi


Na quarta-feira, 19/março, Silas e eu, enfim, fomos jantar na Vinheria Percussi. 
Desde que começamos a namorar planejávamos isso, mas por uma coisa aqui, outra ali, a gente, muitas vezes, acaba postergando demais algo que queremos muito e que nem é tão difícil de fazer. 

A Vinheria Percussi fica na Rua Cônego Eugênio Leite, pertinho de onde morei por mais de 12 anos, parte desse tempo já casada. Mesmo assim, só depois de nos mudarmos para Higienópolis é que tivemos a chance de ir. 

Para o bem das nossas finanças, uma vez que já tínhamos viajado para comemorar, a semana de aniversário de nosso casamento era o período do Restaurant Week São Paulo  - RWSP.  Aproveito então para dar minhas impressões da Vinheria e também da 14a. edição do evento na metrópole paulista. 

Sistema de reservas: Nossa reserva de mesa foi feita no dia 19/03 pela manhã por telefone, momento em que informei que se tratava de um atendimento no esquema da Restaurant Week.

Recepção: Chegamos ao local pouco antes do horário reservado (20h30). Fomos recebidos por uma recepcionista que logo verificou a situação da reserva. Aguardamos por apenas alguns segundos no hall de entrada e um garçom nos levou até uma simpática mesa para duas pessoas, ao fundo do salão, próxima à parede. 

Ambiente: A Vinheria Percussi, como eu já esperava, é um lugar elegante. A iluminação é agradável, as cadeiras confortáveis, não havia corrente de ar onde nos sentamos e a decoração é de bom gosto. Na parede na qual a nossa mesa estava encostada havia um quadro com características modernas que eu gostaria muito de ter na minha sala, embora sua dimensão talvez fosse um impeditivo ainda que eu tenha uma sala bem grande.  Dada a semana em que estivemos no restaurante, dias de casa muito cheia, havia mais barulho que o limite do agradável. Fato que atribuo ao comportamento humano e não propriamente à indumentária ou acústica do local. O enxoval branco composto de toalha e cobre-manchas estava limpo e bem passado, cobrindo mesas de madeira, ora quadradas, ora redondas, dependo de sua posição no salão. 
Se fosse dar uma nota ao ambiente, pelo conforto e a leveza, apesar da classe e da elegância, eu daria 8 ou 8,5, o que poderia ser mais se não fosse o barulho. 

Utensílios: louça branca, copos de água coloridos, talheres de boa qualidade (garfos e facas grandes e ergonômicos para o comensal), copos de vinho lisos sem cores. 

Cardápio: 
Uma extensa lista de massas e molhos chamam a atenção, mas vou me ater ao Cardápio especial para 14a. RWSP : (ao preço de R$ 49,90)

Opções de entrada:
Quiche de palmitos com salada verde
torta de palmitos acompanhada de uma fresca salada de folhas

Salada de três cereais com bacalhau desfiado
mix de grãos e lascas de bacalhau temperados

Opções de prato principal:
Galeto com laranjas e purê de cará
galeto ao molho de laranja, com purê cremoso de cará

Ravióli de abóbora com barreado paranaense
massa fresca artesanal exclusiva, recheada de abóbora japonesa, com molho de carnes tenras

Opções de sobremesa:
Espuma de manga com fita de coco
refrescante espuma de mangas frescas e tiras de coco

Milfolhas de doce de leite
lâminas crocantes de massa folhada recheadas com doce de leite

Exceto na sobremesa, meu marido e eu, escolhemos opções alternadas de modo que pudemos provar tudo o que a casa oferecia nesses pratos especialmente feitos para essa edição do evento. 

De entrada, eu fiquei com a salada de bacalhau e cereais, que me pareceu muito mais um risotinho frio, dada a quantidade de arroz preponderante para uma salada equilibrada.
A quiche do Silas estava mais caprichada e chegava a derreter na boca. 



Quanto aos pratos principais, o dele foi a massa com o barreado e o meu o purê de cará com frango. Digo frango porque a carne vem desfiada e não foi possível reconhecer a diferença para um galeto.  A massa com o barreado estava impecáveis.  A carne bem cozida e apurada no molho bem temperado e os raviolis tenros e no ponto. O sabor do barreado não chegava a ser forte e acentuado no tempero como o que é servido em Morretes no Paraná (o que nos agradou, devo confessar). 
Ambos os pratos foram muito bem apresentados. Ao chegarem nossos sentidos foram estimulados, porque além de bonitos e bem distribuídos na louça branca, exalavam aromas agradáveis, dada a temperatura em que foram servidos. 

Quanto à sobremesa, nada muito além de um nome bonito e chamativo para uma sobremesa sem grandes atrativos. Nós dois escolhemos a "refrescante espuma de mangas frescas", que não nos surpreendeu nem pelo sabor, nem pela apresentação, nem pelo frescor. A combinação de sabores também deixou a desejar. Eu não repetiria o pedido.  

Uma observação importante: Os pratos do RWSP não necessariamente estão presentes nos cardápios dos restaurantes que participam do evento como uma opção entre as demais. Eles são opções de produções pensadas para atender a demanda de pessoas que nem sempre poderiam pagar os preços exorbitantes cobrados em restaurantes renomados. 
Apesar de não ser uma regra, a impressão que fica para quem frequenta restaurantes, mas quer aproveitar a chance do evento para conhecer algumas casas de valores não muito acessíveis, é de que os pratos planejados para esse menu especial são feitos com produtos mais baratos. O que não significa que não tenham sido cuidados com carinho pelos chefs que os criaram, mas, possivelmente foram pensados a partir de itens mais em conta, como carne de músculo e frango, e não filé mignon ou codorna. 

Tudo isso para dizer que é um fato que para quem vai a esse tipo de evento não terá a mesma impressão da comida e do atendimento do determinado restaurante que teria em dias normais, digo, fora da Restaurant Week.  

O mesmo ocorre com a bebida. Embora o restaurante disponibilize a carta de vinhos, oferece, quase que via de regra, uma opção de vinho que possa ser consumido por clientes menos endinheirados. 

Bebida: Num restaurante como a Vinheria Percussi que oferece uma carta de vinhos sofisticados com preços bastante altos, a sugestão do vinho italiano harmonizado com o prato do menu foi bem feita. Uma oferta delicada que não deixou devendo. Certamente, a casa não teve prejuízo, especialmente porque diante dessa oportunidade, o sommelier ofereceu um rótulo para quem não entende do assunto e não tem um paladar muito sofisticado.  O que pareceu uma grande sugestão, claro. 

Atendimento:  O atendimento foi cortês, garçons e comins cumpriram devidamente suas tarefas, apesar da casa cheia. Lá pela 21h15, todas as mesas do salão estavam tomadas (e os pratos eram quase sempre os mesmos, o que corrobora o que eu escrevi antes sobre se tratar de um período especial nos restaurantes que fazem parte do evento).  


Visita à cozinha: O chefe de fila ou maitre, não consegui reconhecer, foi gentil quando pedi para visitar a cozinha, mas não permitiu imediatamente. Quando a conta já havia sido paga, ele me levou,  por alguns apenas alguns segundos, para dar uma breve olhada no pessoal da brigada.  Minha impressão foi de um lugar pequeno e, como não podia de deixar de ser, abafado. Mas o que mais me causou estranheza foi a iluminação da cozinha, com menos claridade do que me faria enxergar para cozinhar. Todos estavam perfeitamente uniformizados. 

Tempo de permanência: Ficamos no restaurante durante cerca de uma hora e 45 minutos. 

Estacionamento: Não usamos, mas é disponível com serviço de manobrista.

Foi uma noite agradável, sem surpresas indesejáveis. O serviço foi satisfatório e voltamos bem alimentados para casa. 

Para uma análise mais detalhada, voltaremos um dia fora da Restaurant Week. Se você for, conte-me a sua experiência. Esse espaço está aberto para isso! 

Um beijo com carinho. Vou inventar logo, logo, um novo aniversário de alguma coisa para comemorar em outro restaurante bacana. Tchau!