terça-feira, 20 de maio de 2014

Comida de blog? Blog de comida - Comida saudável

É uma inspiração ler o blog da Neide Rigo, chama-se come-se para quem não conhece. 

Há pouco eu li sobre a maria-pretinha, uma fruta que eu nunca tinha ouvido falar e que, graças às pesquisas da Neide, agora sei que não é muito bem vista quando nasce perto de plantações de café ou feijão, mas que pode ser usada para geléias, na massa da panqueca e para recheios, fora o que você tiver na imaginação. É nossa blueberry, ou melhor, black mary ou maria-pretinha. 

Eu estive no evento do Sesc Consolação em abril em que a Neide Rigo e a Marina Person foram as convidadas para falar de comida de blog ou blog de comida juntas, eu já até tinha comentado isso por aqui. 


Eu com eles.

Eu sou leitora dos cadernos Paladar (do Estadão) e Comida (Folha), e a Neide Rigo tem uma coluna, a Nhac!, no Paladar. Já há muito tempo eu lia o que ela escrevia. Só que na hora que vi o nome dela no evento do Sesc não fiz uma associação direta com a coluna do jornal. 

Admito que, embora eu seja jornalista e marqueteira e saiba bem a importância dos articulistas e suas reputações, bem como de conhecer pessoas e ter relacionamento próximo com a mídia (afinal o trabalho de assessoria de imprensa tem tudo a ver com isso), sempre me importa mais o conteúdo que o figurão. Uma vez que um assunto me interesse e eu passe a ler sobre aquilo começo relacionar autores e tal. Mas não é o meu primeiro olhar. Uma falha que devo consertar, até comecei a cuidar disso... tsc.

Já sobre a Marina Person não me faltavam informações: eu a conhecia da MTV, do Metrópolis, na TV Cultura, do Cine Drops da rádio Eldorado e do Marinando, o canal dela no youtube. 

Eu fui cheia de expectativa para esse evento que reuniu as duas e foi mediado pelo JB, do Boteco do JB (botecodojb.blogspot.com). Demorou um pouco pra engatar a conversa, mas depois o bate-papo foi ótimo, principalmente, porque se falou muito mais de comida do que de blog.  

Só pra conhecer, caso você não tenha chance de ir em nenhum dos que ainda estão programados, o modelo do evento é o seguinte: tem um palco montado onde os convidados ficam em cima, um tablado não muito grande. Tem uma projeção do blog ou do  vlog na parede do fundo da sala e uma mesa com as comidas que serão servidas ou feitas logo ao lado, à direita ou à esquerda dos convidados, depende do dia.  Ao que me parece, essas convidados ilustres são convidados também para cozinhar para o público, o que no caso da Neide e da Marina aconteceu, mas nos demais, não deu. Quem tocou mesmo a comida foram as meninas da cozinha do Sesc.  As pessoas ficam na plateia, que nas primeiras edições tinha a simpática montagem de mesinhas de bar. 

O tema da noite da quarta, 30/04, era comida de gente saudável. A  minha impressão foi que, fora o preconceito dos mais radicais, comer de um jeito saudável é o que eu já faço. Vou tentar explicar, elencando alguns itens como: 
- ingredientes saudáveis, 
- pouca gordura e fritura,
- comida saborosa,
- prazer em comer,
- comer devagar,
- aproveitar frutas, legumes e verduras da época, de preferência uns que você ganha do vizinho que tem um sítio, pega no seu vasinho de hortaliças ou no quintal da sua mãe,
- evitar excessos repetidos ou frequentes e 
- outros aí que você lembra e dá valor. 

Sempre que posso, eu cozinho. Taí uma coisa para qual difcilmente eu tenho preguiça. Também cuido de comprar o melhor que posso, escolho os alimentos mais saudáveis, bonitos, se possível compro orgânicos,  embora eu ache os preços abusivos e não tenha nada contra o que a indústria produz, acho até que ela tem um papel fundamental para melhorar a alimentação da população em geral. Além disso, como com prazer, quase sempre numa mesa arrumada com carinho e na qual tem alegria, cheiro bom e criatividade nos pratos que são servidos. 

O bate-papo do Sesc com a Marina Person e a Neide Rigo foi profícuo. Para mim, teve menos blog que eu queria (porque ando antenada nessa coisa), mas teve experiência de comida e de paladar, bom senso e delicadeza, inclusive do JB, a quem chamei carinhosamente de "ogro" outro dia. 

Ah! Ainda ganhei uma banana orgânica do sítio da Neide e todos comemos um cuscuz de farinha de milho (ou será que foi mandioca?) com banana que estava uma delícia. 


Neide Rigo, do Nhac! e do come-se

Marina Person (que também come banana, como todos nós!) e JB




sexta-feira, 16 de maio de 2014

Um paraíso para quem gosta de comer

O lugar em que eu mais gosto de comprar em São Paulo é a Zona Cerealista. Não há shopping ou supermercado que me encante mais do que lá. As feiras, às vezes, me deixam tão feliz quanto quando vou ali na Rua Santa Rosa, mas, nem sempre. Gosto mais de lá mesmo. 




Acho que é uma questão básica: eu adoro comprar comida! Especialmente aquelas saborosíssimas e que dá pra experimentar no local do tipo armazém ou empório de quando eu era criança. E, de preferência, gosto de pagar o que é justo pelo que compro. 

Então, juntando lé com cré, gosto de comprar na Zona Cerealista porque lá é bem barato em relação aos supermercados, principalmente devido a boa qualidade dos produtos, a variedade é imensa e tem de tudo! Tudo o que eu amo comer. 

Quando descobri esse lugar (a Alessandra e o Fauzer, meus amigos queridos é que me disseram que existia esse paraíso), eu não sabia ainda que gostava tanto de comprar esses tais ingredientes: são delícias para comer imediatamente como amendoins, damascos, figos secos, uvas passas, azeitonas, tremoços,  alcaparras, picles...  São alimentos lindos, cheirosos, apetitosos, suculentos ... ai!  Quando penso só me vem à cabeça plagiar a letra do rei Roberto Carlos:  "tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda..." rsrs

Só que a minha relação com esse lugar foi acontecendo aos poucos, até a dependência quase total que tenho agora. Eu não me tornei imediatamente viciada, digo, frequentadora da região, embora quisesse muito. 

A história foi mais ou menos assim: primeiro, fomos conhecer o lugar. O Silas e eu, claro! Foi meio difícil de achar da primeira vez, entramos pela rua da Cantareira, pedimos informação para um e outro e ninguém sabia muito bem como fazia para chegar na tal rua, mas, chegando lá, me senti num verdadeiro parque de diversões (outra coisa que simplesmente adoro!). 

A segunda vez estivemos lá porque era fim de ano e teríamos festas de família em Itu e em Atibaia e queríamos agradar levando os petiscos e as entradas.  Depois veio o nosso casamento: uau! Comprei tudo o que podia e mais um pouco! Fiz uma grande farra nos queijos, nas azeitonas, nossa!  Aí eu já era fã. Não dava mais para viver sem esse vício delicioso e permitido. 

Na festa de 70 anos da minha mãe, providenciei quase tudo o que eu precisa para as entradas nas lojas Camanducaia e Comercial Louro. Nesse segundo estabelecimento, tem uns meninos que cortam os queijos pra gente enquanto algumas lascas nos são servidas. Eles entendem o que a gente busca, se é algo mais caro, beleza, mas se você quer algo mais em conta, a solicitude é a mesma. Eles são prestativos e atenciosos da mesma forma. 

Na emenda do feriado do 1o. de Maio, dia do trabalhador, minha mãe, que também não resiste à tentação de comprar comidas, e mais que isso, de fazer estoque de coisas gostosas na casa dela, veio pra São Paulo e lá fomos nós duas para a mais pura diversão. 

E ela sempre sai com as sacolas repletas de guloseimas e com a seguinte frase se justifica: 
- Eu não comprei muito, só o necessário! 

Ou quando ela está escolhendo para comprar diz: 

- Ai, meu neto Gabriel adora queijo gorgonzola! 

Ou ainda: 

- Sabe, moço, esse tipo de queijo aqui, a Bruna e o Rafael, quando vão lá em casa, sempre procuram para comer. Então eu não posso deixar de ter na geladeira. 

Compreensível, coisas de avó. 

Nesta última ida à região, me surpreendi com as mudanças no local. Há mais sinalização, em alguns lugares as calçadas foram reformadas, há mais estacionamentos e, por causa da zona azul, os flanelinhas estão mais organizados, embora eu não tenha sido aviltada por um. Antes era tudo mais precário. 

Confesso que tenho até um pouco de medo que melhore muito porque isso vai estragar. Começam a frequentar pessoas que não curtem as comidas, os cheiros, os sabores, as texturas e as carinhosas relações humanas que existem quando o vendedor lhe oferece a concha cheia de azeitonas para você experimentar uma. E pode ser uma de cada galão de azeitonas.  

Meu receio é que passe a ser um shopping center (com padrões de shopping center) a céu aberto, em que quem venha a frequentar sejam pessoas que gostam muito do padrão de shopping center de praça de alimentação, sabe? Aí, estraga porque descaracteriza. O medo é do progresso no moldes que a gente já cansou de ver. 

Agora, pasmem! Só hoje quando comecei a escrever é que descobri que existe Zona Cerealista online. Pois é. Dê só uma olhada: www.zonacerealista.com.br Não é tudo de bom (porque não tem cheiro, nem conversa), mas é tudo de bom! 

Só pra não perder a oportunidade, segue uma receitinha que fiz ontem com produtos que comprei na ZC: 

Cuzcuz marroquino com uvas passas e castanhas

Ingredientes
2 e 1/2 xícaras de cuscuz marroquino
2 xícaras de água fervente 
1 colher de manteiga
20 gramas de castanhas de caju picadinhas 
20 gramas de nozes picadas
20 gramas de lascas de castanhas do pará
2 colheres de uvas passas brancas sem sementes
2 colheres de uvas passas pretas sem sementes
Sal e pimenta do reino a gosto

Modo de preparo

Hidrate o cuscuz marroquino com a água quente e misture a manteiga. Deixe descansar por alguns minutos numa vasilha tampada. Solte os possíveis grumos formados no cuscuz com um garfo e misture os demais ingredientes pela ordem. 

Sugestão: sirva como acompanhamento de carne de panela tipo goulash, peixe assado, de frango com curry ou como eu fiz ontem, com ratatouille de berinjela, abobrinhas, pimentões, azeitonas e alcaparras. Eu ainda servi cebolinhas caramelizadas. Meu convidado de ontem era vegano! 


Quem é o Silas e quem é o Enéas, meu convidado vegano? 
E já que o fim de semana tá começando, que tal uns petiscos (comprados na rua Santa Rosa ou no Empório Santa Maria), um bom vinho branco ou uma cervejinha especial e um pouco de relax? Todo mundo merece! Por que não você? 

Beijos, bom findi. Amanhã tem Virada Cultural em Sampa. 

Serviço: Zona Cerealista - Rua Santa Rosa, no Brás (pertinho do Museu Catavento)