sexta-feira, 6 de junho de 2014

Quantas copas a gente já passou juntos?

- É, amor, já estamos pela segunda Copa do Mundo juntos! 

Uma pergunta que me vêm à cabeça em tempos simbólicos como o que estamos vivendo agora é essa: quantas Copas do Mundo já passamos juntos? 

As lembranças vêm na hora! 

Não acredito que algum brasileiro mediano como eu, cuja família e os amigos são pessoas relativamente normais (já que de perto ninguém é normal), não tenha a mente invadida por um turbilhão de imagens de outras Copas do Mundo. Não importa em que ordem as lembranças chegam, nem tampouco saber exatamente que ano era aquele. A conta a gente faz voltando de quatro em quatro, confunde às vezes com as Olimpíadas, mas, mesmo sem o auxílio do google, a maior parte das pessoas vai ter alguém por perto que lembra o país sede de cada um dos anos e os momentos mais marcantes para si daquele campeonato. 

- tags: pipoca doce, copa do mundo em casa, reunião de amigos

Nem é pelo campeonato, é pela vibração. 

Sem qualquer respeito às datas, eu me lembro da casa da Alê e do Fauzer e dos birinaites que a gente tomava ouvindo o Dr. Fernando gritar: "Ronaldiiiiiiiiiiiiiiinho, vai gordo!" E da Débora que foi pro México e veio com um sombrero imenso, teve até ônibus de Itu pra receber a famíia dela no aeroporto em São Paulo na volta, a gente estudava no Berreta.  Outra memória é da casa da Ana e do Zé Paulo,  jogo final, Brasil e França, e aquele vexame da seleção que entrou em campo com um time abalado deixando o país do futebol perplexo.  Chorei nesse dia.... 
Outra memória é da casa da avó da Teca, a turma do Inho reunida em frente à TV e depois a gente ia para as ruas de Itu lotadas de gente comemorando os jogos ganhos por aquela seleção inesquecível que tinha Zico, Sócrates, Falcão....  E aquele ano que a Euzi, a Fabiola e eu fomos ver um jogo entre Brasil e Inglaterra no Finnegun's e teve um gol sensacional do Ronaldinho Gaúcho batendo uma falta. Nosso amigo Andrew em Londres, ficou furioso, mas teve que por o rabinho entre as pernas porque foi lindo.  

No primeiro mundial que o Silas e eu vimos juntos, ele comprou uma televisão nova com high definition, enorme. Só que havia um delay (atraso na transmissão) de áudio e vídeo para quem assistia em HD e a gente ouvia primeiro o vizinho comemorando e só depois o gol em alta definição. Frustrante!

Como meu aniversário é em junho, a Copa sempre acaba interferindo nas minhas festas a cada quatro anos. Quando eu fiz 32, reuni os amigos no Velvet, um bar que ficava na Alameda Lorena e a temática, claro, era verde e amarela. Nem sei se foi esse lugar que deu origem ao Blue Velvet da rua Bela Cintra. Nessa época eu trabalhava na Amcham, com a Salete, a Lilian e a Solange. Elas estavam lá  e estão nas fotos!

Tem também as copas do mundo da infância. Teve um ano que o tio Divaldo comprou uma super panela de pipoqueiro para poder ter um resultado fascinante nas pipocas que comíamos durante os jogos, acho que foi naquele ano de 78, da Argentina. 




Na de 82, ainda da seleção canarinho, "dá-lhe, dá-lhe bola, meu canarinho vai deixar a gaiola, vai pra Espanha de mala e viola, vai dar olé à espanhola..." só o que me importava era a pipoca doce do tio Durvalino. De tudo o que mais me lembro daquele ano era a gente, inclusive meu pai, indo para a casa da minha avó Leonor à tarde, e o marido da tia Neide estourando o milho na panela. Que jogos eram eu não sei, até poderia pesquisar, mas da receita da pipoca caramelada, ah! essa eu lembro bem. A medida era um copinho de cada coisa: um de óleo, um de milho, um de açúcar e um de água. Demorava um pouco mais para estourar que a pipoca normal salgada e nós, as crianças, não devíamos ficar perto do fogão porque podia espirrar. 

Acho que hoje eu não arriscaria comer essa pipoca doce porque o sabor não seria o mesmo, as panelas nem são amassadas, nem tem tampas que não encaixam e a gente come pipoca de microondas que tem um cheiro in-su-por-tá-vel! argh!

E agora a Copa é no Brasil. Tem tanta gente infeliz querendo mais ser infeliz nesses dias. Que desperdício! Não me acusem de alienação porque não é nada disso. Eu também tenho muitas críticas sobre como tudo foi conduzido para gente chegar a uma semana do mundial do jeito que estamos. 

Mas, sinceramente, eu acho que vai ser demais! Eu quero muito que seja um espetáculo inesquecível. Que a gente se junte, pinte a cara de verde e amarelo, vista a camisa da seleção, toque vuvuzela até ensurdecer o chato que não gosta de futebol. Agora, eu quero ver a bola rolar, a rede balançar e o abraço pra torcida.  Quero ver a gente ser chamado de novo de Brasil, o país do futebol. Do resto a gente fala depois.  

Receita da pipoca caramelada

Ingredientes

1 medida de milho de pipoca
1 medida de açúcar
1 medida de água
1 medida de óleo (pode ser uma colher de manteiga)

Modo de fazer

Leve ao fogo alto com a panela tampada. Espere estourar e sirva com alegria. As pipocas vão ficar bem grudadas umas nas outras, por isso é que legal. Tem que compartilhar, dividir. 

Em tempo: sejam bem-vindos os jogadores de todas as seleções ao Brasil! 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Chavões sobre o Manual de Boas Práticas

Existe (ou deveria existir) na cozinha de todo restaurante que se preza um Manual de Boas Práticas de Higiene e Manipulação.  Trata-se de uma compilação de informações sobre como tudo deve ser feito naquele ambiente. 

O manual é composto de procedimentos operacionais padrão, mais conhecidos como POPs. Cada POP trata de uma ação específica. Por exemplo a ficha técnica de um determinado preparo é um POP, assim como o passo a passo para a higienização do piso, paredes, janelas e cortinas. Do mesmo jeito, é preciso ter um procedimento padrão para o recebimento de mercadorias ou o armazenamento de alimentos. 




Ainda cabem dentro desse manual, que mais parece uma bíblia criada com dados específicos da cozinha, os documentos de controle da saúde ocupacional dos funcionários, as informações sobre fornecedores de mercadorias e serviços, bem como os regras a serem seguidas para reciclagem de materiais e o cuidado com o lixo. 

Erra quem pensa que o manual é um instrumento meramente burocrático. Ao contrário, ele é muito mais operacional, o que eu também poderia chamar de prático, do que um jeito de se livrar de uma autuação sanitária. 

Suponha que, em determinado dia como hoje em que o metrô e a CET entraram em greve, o seu pequeno bistrô de apenas quatro empregados (incluindo você) dependa da dona Maria, a cozinheira, para executar o prato de melhor aceitação entre seus clientes. Só ela sabe como cortar as batatas, como temperá-las e como assá-las numa temperatura que só a dona Maria conhece. Ela também tem um segredo quanto ao jeito de montar o prato. Mas.... a dona Maria não tem um vizinho com carro  para pegar carona e chegar ao trabalho. Ela mora muito longe e os quatro ônibus  que ela terá que pegar vão fazer, com sorte, que ela chegue ao meio-dia no trabalho.  O seu bistrô diariamente abre às 11h30 já com fregueses de caderneta, como se dizia no interior, aguardando para comer. 

Com o manual de boas práticas e os procedimentos padrão, alguém pode salvar a reputação do seu restaurante de um arranhão. Isso porque no POP do preparo do prato prata da casa estarão descritos todos os passinhos a serem dados desde o descascar das batatas que foram recebidas de um fornecedor específico, até como elas devem ser cortadas, assadas e servidas. 

Não é fácil. Assim como viver também não é fácil. 

Só pra ter ideia de como o assunto é sério, todas as esferas de governo têm regras para boas práticas. A CVS 5, de 9 de abril de 2013, é uma portaria do Estado de São Paulo sobre Boas Práticas e Procedimentos Operacionais Padronizados para estabelecimentos comerciais.  A RDC 216, de 15 de setembro de 2004, da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, dispõe sobre Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação, e é válida em âmbito federal e a Portaria 2619, de  de dezembro de 2011, da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de São Paulo, também trata do mesmo assunto. 

O Manual de Boas Práticas é um instrumento que facilita o  trabalho cotidiano. Há períodos em que fazemos tantas vezes e de forma repetida uma tal coisa, que parece que tudo é óbvio. Mas, não é tão obvio assim para outra pessoa que não faz aquilo todos os dias.  

Para criar o manual de um restaurante é preciso ter o auxilio de um profissional técnico, que pode ser um nutricionista ou um veterinário. 

Apesar de todos os chavões: o manual é aquilo que parece (desnecessário e burocrático), mas não é. Assim como a dona Maria, ninguém é insubstituível e o show tem que continuar.  Prevenir é melhor que remediar