domingo, 31 de agosto de 2014

Doce brasileiro que todo mundo gosta

Qual é o doce que todo brasileiro gosta, não pode faltar nas festas de aniversário, batizado e casamento e supre aquela vontadezinha que surge de doce no meio dia como nenhum outro?

Não é dificil a resposta: brigadeiro, oras!

O docinho é tão aclamado que quase todo mundo sabe fazer. Ele é o preferido das meninas-moças que, quando se juntam na casa de uma das amigas da turma quase sempre é comido de colher. Quem é que quer esperar esfriar e enrolar para comer depois afinal? Isso já ocorria quando eu era menina e aconteceu com todas as minhas sobrinhas. É líquido e certo. 

Nos últimos tempos, em que tudo é gourmet, brigadeiro também se tornou requintado.  Deixou de ser feito com nescau ou toddy e margarina e as receitas agora são com chocolate do padre e manteiga. O resultado não é o mesmo, evidente. A qualidade do ingrediente reflete diretamente no resultado do produto, quanto a isso não há dúvida. 

Tenho tanta história de brigadeiro pra contar que precisaria de um livro se me arriscasse a dizer detalhes. Então queria propor uma brincadeira, do tipo concurso. Quem tiver uma história boa sobre brigadeiro pra contar, manda e eu publico. Quem sabe a gente não consegue tantas que vira um livro? rsrs

Só de memória breve, me lembro de um aniversário da Giovana que a Cris, minha irmã e mãe dela, fez brigadeiros que ficaram tão duros, tão duros, que só puderam ser chupados como porque viraram balas daquelas mais que puxa-puxa ou quebra-dente. O sabor sempre é bom. Como diria o cunhado de uma grande amiga minha, o Carlinhos,  com todo aquele jeito interiorano e amável que ele tem, "também como é que não vai ficar bom? Tem leite condensado, tem chocolate, tem manteiga... "

É isso mesmo, como é  que não vai ficar bom? 

No sul do Brasil, o brigadeiro é chamado de negrinho. Diz a lenda, segundo pesquisa, que o nome brigadeiro surgiu nos anos 40, em tempos de campanha eleitoral, em homenagem ao então candidato o Brigadeiro Eduardo Gomes, um militar que queria ser presidente da república. Um grupo de fãs do candidato em São Paulo criou um doce feito de leite, açúcar, ovos, manteiga e chocolate, o negrinho, que era vendido a fim de ajudar a arrecadar fundos para a campanha. Dá para imaginar quantos doces teriam que ser vendidos para arrecadar dinheiro para as propagandas eleitorais atuais? As doceiras teriam trabalho em fim! 

Para concluir a história do batismo do negrinho como brigadeiro, isso aconteceu porque os demais candidatos começaram a fazer graça com o concorrente e dizer que as pessoas iam comer o "docinho do brigadeiro". Embora o militar não tenha vencido a eleição, o doce ganhou o nome de brigadeiro. Alta patente merecida na hierarquia das guloseimas, vale dizer. 

Doce bem brasileiro, o brigadeiro tem hoje uma família grande. São seus parentes os beijinhos de coco, os cajuzinhos de amendoim, um tanto fora de moda atualmente, o bicho-de-pé (que é cor de rosa, feito com gelatina) e toda sorte de sabores como café, capuccino, paçoquinha, milho, chá verde, capim santo, pistache, queijo e dá-lhe mais de 70 invenções. Como requer um preparo simples, a criatividade comanda a variedade existente e sempre tem alguém inventando uma nova combinação e conseguindo um sabor diferente. 

Além disso, o brigadeiro também tem as variações quanto à textura e ao ponto de cozimento. Há quem prefira mais macio, outros que o doce esteja enrugado, ou seja, com mais com "pelotinhos". Assim como, tem os que gostam mais molinho para comer de colher e os que preferem enrolados mesmo. O doce também é usado em cobertura de bolos e tortas ou como recheio em diversas sobremesas. Não tem muito erro. 

O modo de fazer não difere muito quando se trata de levá-lo pra panela, mas a receita já foi super bem adaptada para o microondas. 

Como qualquer preparo, o brigadeiro, embora fácil, tem lá seus segredinhos. Conforme a gente vai fazendo, repetindo a receita, ganhando experiência, descobre o ponto certinho, o tipo de panela mais adequado, quando aumenta ou diminue o fogo e se já pode interromper o cozimento ou não. Ainda tem aquelas coisas que nem dá pra ensinar, porque a gente sente e só. O cheiro do ponto, por exemplo. É algo parecido com o cheiro da comida com sal ou insossa. Há quem saiba se já foi posto sal na comida, sem olhar pra ela e sem experimentar também, só pelo odor. 

Muito bem. Como hoje é domingo, a chuva deu o ar da graça lá fora, graças a Deus (espero que chova a semana inteira sem parar e na cabeceira da represa), vou parar por aqui, deixando o convite para que você me mande a sua história de brigadeiro. Pode ter foto também, se quiser.  Prometo que vou olhar tudo com carinho e publicar bem bonitinho. 

Outras muitas delicadezas para transformar o brigadeiro em um doce gourmet poderiam ser contadas aqui. Mas eu só faço isso, se receber, no mínimo 10 histórias. Combinado? 

Por enquanto, divido só a receita que faço desde criança. 







Receita básica de brigadeiro

Ingredientes
1 lata de leite condensado
1 colher de sopa de manteiga ou margarina
4 colheres de chocolate em pó ou achocolatado

Modo de fazer
Leve todos os ingredientes para o fogo, mexa sempre até desprender do fundo da panela. Despeje o conteúdo em prato untado com manteiga ou margarina. Deixe esfriar e enrole em formato de bolinhas. Passe pelo chocolate granulado e ponha em forminhas para servir. 


Que a nossa semana seja doce e alegre! 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Eu achei o MoDi

A alegre surpresa de uma visita anunciada alguns dias antes da Maria, amiga querida  carioca, em São Paulo, tornou-se ainda mais agradável porque decidimos, ela e eu, ir ao restaurante MoDi, na rua Alagoas, ao lado do Parque Buenos Aires, em Higienópolis. 

A sugestão foi minha porque já há alguns meses eu planejava ir ao restaurante, desde quando o descobri num domingo de manhã passeando pelas imediações do parque. Só que na ocasião, havíamos acabado de sair de um super breakfast em casa. A fome só viria, portanto, horas depois. Mas mesmo naquele dia, eu já achava que tinha feito um achado!

De uns tempos pra cá - não sei se foi o meu bolso que ficou mais vazio - ir a restaurantes em São Paulo ficou muito caro. Você pisa no lugar, especialmente se for uma dessas casas do tipo boteco, pede um chopp, divide uma porção das mais baratas, e deixa no lugar, brincando, R$ 40.  Fora o estacionamento ou o guardador de carros. Então, quando você descobre um lugar, que é bonito, bem localizado, que tem um astral descontraído e um cardápio enxuto e honesto, é um achado, sim! 

Dá até medo de contar pra muita gente porque assim que o lugar cai nas graças do público, a casa vai ficar lotada, a fila vai aumentar e, obviamente, os preços vão subir, subir, e aí o céu é o limite. Você, então, perdeu o que tinha achado. 

O MoDi fica no piso térreo do Edifício Paquita, o que já um charme. Nesse momento em que os prédios que são construídos estão cada vez mais dentro de altos muros fechados, mas que tem um plano diretor rolando na cidade para que essa realidade mude e haja integração entre comércio de rua e moradores, encontrar uma proposta tão simpática quanto um restaurante que fica em frente à praça e embaixo de um edifício de gente bacana, é sensacional! 




Vale fazer algumas considerações sobre o local: 

Reserva - Eu liguei à tarde para fazer reserva, mas eles não trabalham com reservas. Fui avisada que normalmente às quartas não é muito cheio, mas que no almoço daquele dia a procura tinha sido acima da média. 

Estacionamento - Não tem.

Atendimento - Minha amiga e eu nos encontramos às nove da noite porque eu demorei um pouco para conseguir estacionar (depois de duas voltas, bem em frente ao restaurante, que sorte!). Ela estava com uma mala e já havia pedido uma mesa para duas pessoas para o Leandro. Ele informou que várias mesas haviam chegado por volta de 19h30, de modo que logo vagariam lugares. Enquanto isso, tentou nos ajudar com a mala, embora o lugar não tenha uma chapelaria (nem é a proposta). 

Pedimos para ver o cardápio de drinks e decidimos deixar a mala no carro, ao voltarmos, coisa de dois minutos, a nossa mesa estava pronta. 

Fomos atendidos pelo Rafael, um garoto bom de papo, novinho e descontraído, com quem eu puxei conversa sobre gastronomia. Ele disse que já está na área há sete anos. Soube explicar bem os pratos e na sugestão de vinhos, deu umas escorregadas, mas arriscou bem. Ele, como eu, está treinando, só que um como cliente-critico e outro como pretenso futuro sommelier. 

Dois pontos negativos sobre o atendimento - O rapaz era descontraído e me deixou bem à vontade, mas ele não me levou a sério quando degustei o vinho. Talvez tenha pensado que era jogo de cena sentir o aroma, rodar o copo e provar duas vezes seguidas. Porque uma casa oferece meia garrafa com um preço razoável e o cliente opta por isso, o garçom pode achar que o cliente não sabe o que está pedindo? Eu senti que ele não me levou a sério, mas tudo bem.

Outro ponto foi no momento que chegaram os pratos e um outro garçom veio trazer à mesa. Ele não sabia de quem eram os pedidos e, simplesmente os colocou de qualquer jeito. Não foi legal isso. 

Comida
Couvert - Baratinho, apenas R$ 5 por pessoa, vem com um vasinho de pãozinho caseiro e uma tigelinha de caponata difícil de ser servida naquele tipo de pão. Simpático, mas sem muito gosto. 

Pratos - Ambas pedimos informação sobre o varenique, mas eu não me animei e pedi o tortelli de cordeiro. A Maria foi pela explicação e ficou com varenique sbagliato. 

As massas vieram no ponto e os molhos sem muito detalhes não deixaram a desejar. Ela amou o prato, disse que estava perfeito, em temperatura, textura e no paladar. Eu já não fiquei tão contente. O recheio do meu tortelli era pastoso e o prato não foi servido na temperatura que eu gosto, mais pra quente que pra frio. 
A apresentação era bonita, com mini legumes decorando a massa, que estavam com uma textura muito apropriada. O molho não era nada tão especial. 
Tortelli de cordeiro


Varenique Sbagliato


Mise en place - sem toalhas nas mesas, o restaurante tem uma proposta lúdica com jogo americano em papel craft no qual está desenhado o mapa da Itália e há informações sobre as comidas de cada região. Eu até trouxe pra casa. Bem interessante.  Os guardanapos eram descartáveis de papel branco e os talheres de qualidade boa, os copos da mesma forma.  

Decoração e ambiente - Embora não seja um espaço muito grande e tenha um mesanino, portanto o pé direito é alto, o barulho não é exagerado. O salão estava animado com muita gente falando já que estava cheio, mas nada que comprometesse. 
Na entrada, um bar bem estiloso com banquetas no balcão, lembrando ambientação dos bares das novelas que víamos nos anos 70.  
Para a espera, mesinhas e cadeiras baixas num estilo art noveau, leves, bonitinhas e coloridas, misturadas com outras mais anos 70 também baixinhas. Divertidas peças garimpadas por alguém de bom gosto ousado. 
As cadeiras e mesas de madeira, algumas com opção em frente à parede com sofá. 
O pé direito alto dá muito charme ao local, assim como a grande pilastra revestida de pastilhas com brilho, um toque do passado. 
Ficamos na parte de baixo, numa mesinha com sofá. O casal ao nosso lado estava realmente bem perto, mas nada que pudesse comprometer a nossa proposta de um jantar descolado entre amigas. 


Preço - Como disse no ínicio, bem honesto. Independentemente do meu prato não ter sido incrível, o menu oferece outras opções com preços muito razoáveis. Eu diria, inclusive, baratos para tudo o que envolve um cardápio dessa envergadura. A massa empratada vai de R$ 25 a 44.  

Nosso tempo de permanência foi de 1h30, já com o café. Inclusive o descafeinado eles têm. Não comemos sobremesa porque eu tinha brigadeiros gourmet feitos por mim nos aguardando em casa. A Maria era minha hóspede naquele dia. 


Brigadeiros tradicionais, de café e beijinho


Fomos bem acolhidas, não houve espera, o preço é bom, o atendimento jovem e o local descontraído. Tudo bom. 

Soube enquanto pesquisava sobre o MoDi, que eles oferecem cestas de piquenique como o Kit Comidinhas, que eu criei. Boa ideia! 

Espero que meu achado continue e melhore nos itens que pode melhorar para que eu vá e leve muitos amigos, como fazia em tempos que morava ao lado da Vila Madalena e tinha cadeira cativa em bares da região, porque eram achados. Agora estão perdidos, como é o caso do Genésio, do Filial e do Genial. 

Bom fim de semana. O MoDi pode ser uma boa sugestão para o almoço do sábado, por exemplo. 

Serviço

MoDi 

Rua Alagoas, 475 - Higienópolis - São Paulo 
Telefone: 11 3564-7031 


Kit Comidinhas
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