segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Massimo Ferrari e Domenico "Mimmopizza"

De caráter gastronômico e viajante, o Blog da Gavioli é um exercício prazeroso (sem perder a seriedade) praticamente diário de observar, pesquisar, se envolver e então escrever sobre assuntos que pipocam na vida da gente. Vamos então falar de eleições?

Não.  Dado que o voto é secreto e as mídias sociais deram espaço a todos para publicarem suas escolhas, racismos e preconceitos, hoje aproveito para mudar de assunto, já que tenho um episódio alegre e de muito aprendizado para compartilhar.

Na sexta passada, na Unip, tivemos a grata oportunidade de receber no laboratório de Alimentos e Bebidas, o alegre e sorridente Massimo Ferrari, que trouxe consigo o chef pizzaiolo Domenico, ou Mimmo, como o chamam, um profissional nota 10 diretamente de Milão.

Com o perdão da licença poética, pizza é comida internacional. Quem não conhece no mundo? Quem não gosta?  Se houver exceção é só mesmo pra confirmar a regra. No Brasil, mais ainda em São Paulo, pizza é uma paixão nacional.

Quando vim do interior para morar em São Paulo, em 1993, aprendi que paulistano tem loucura por pizza e que no domingo à noite sair para ir à pizzaria já foi um entretenimento obrigatório de muitas famílias.

A visita foi programada pelo coordenador do curso de Gastronomia, o professor Rodrigo Stolf e o modelo pretendido era o de palestra com degustação. Como palestrante, o chef Mimmo, e para traduzir da língua italiana, Massimo Ferrari. Depois, o chef com a ajuda de alguns dos nossos colegas de turmas mais avançadas nos serviu o resultado de sua longa experiência no mundo das pizzas!

Mimmo deu uma aula, ainda que breve porque todo público estava ansioso pelos preparos, sobre água, sal, fermento e farinha de trigo, os ingredientes indispensáveis para a massa da pizza. Surpreendente para muitos que uma comida que parece tão trivial em todos os bairros de São Paulo tenha tanta  sabedoria embutida para que seja realmente de boa qualidade e excelente paladar.

Domenico Mimmopizza Todisco, na Unip


Para o chef, que também participou na semana passada da 3a Semana Regional de Comida Italiana em São Paulo, de 18 a 25 de outubro (conforme eu divulguei na coluna Fast Food ainda em setembro), além dos bons ingredientes e do conhecimento necessário para combiná-los de acordo com a temperatura do ambiente, a boa pizza deve manter o equilíbrio perfeito entre massa e cobertura. Não se privilegia um ou outro jamais sob pena de estragar o produto final e o paladar.

A noite foi encantadora também porque Massimo Ferrari é um desses homens moldados para a delicadeza de bem receber. Um senhor a quem os suspensórios caem bem porque completam o estereótipo que temos do mafioso buona gente que vemos nos filmes da little italy de Nova York. Ele, pessoalmente, é dessas pessoas a quem não falta elegância,  simpatia e generosidade. Além do que é um italiano em essência, muito passional diante de uma plateia jovem a quem ele se dedicou em atender com palavras de estímulo e esperança na profissão. Uma graça!

No Brasil, quando prevemos um engodo, a gente tem o hábito de dizer que "tudo acaba em pizza". A noite de sexta é a prova de quem nem sempre isso é ruim. Neste caso, eu sou só elogios!

Nossos agradecimentos, portanto, ao Massimo Ferrari, ao chef Domenico e ao professor Rodrigo Stolf pela oportunidade.  E às queridas amigas Simone Exposito e Gabriela Kanashiro pelas fotos. As aqui publicadas são da Simone!
Massimo Ferrari, eu e chef Mimmo 

Obs: Para quem tem preguiça de pesquisar, Massimo Ferrari é o mesmo do lendário restaurante Massimo da Alameda Santos nos Jardins em São Paulo que fechou no ano passado. Ele atualmente é dono do restaurante Felice e Maria, no bairro do Itaim, ou, se preferir, aquele da Pizza do Faustão. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Economia criativa

Não é segredo que eu sou louca por comidinhas do tipo finger food. Sou adepta de receber em casa e que costumo, seja qual for o evento, inserir em parte dele o estilo coquetel informal. 

Ontem, estive no estúdio da eduK em São Paulo, no curso Cardápio para Buffet Infantil com a chef patissier Janaína Suconic

A experiência foi ótima porque além de rever estúdios de televisão que me fizeram lembrar e até sentir saudades do tempo em que fui coordenadora de produção na antiga rede Mulher, bem no início da minha vida profissional, tive a chance de ver de perto a atuação e a criatividade da professora Janaína. 

Que não estranhem a minha colocação os que sabem que sou aluna dela no curso de Gastronomia, mas em sala de aula, digo na cozinha laboratório, são os alunos os que cozinham sob a supervisão e o acompanhamento dos professores. Lá na Eduk, a Janaína executou todos os pratos, com habilidade e destreza invejáveis. 

Foram 16 preparos feitos em quatro horas. Não é pouco! 

Composição da mesa com os preparos

Águas saborizadas e drinks sem álcool



Embora o tema tenha sido o cardápio para buffet infantil, muitas das receitas e combinações são perfeitas para adultos. A maior parte delas é simples de fazer, mas tem um toque de sofisticação, o que eu chamaria de uma delicadeza essencial para quando se vai receber em casa.  

Acho que a Janaína acerta porque consegue alinhar criativamente a simplicidade de um preparo com o charme de uma boa apresentação e isso faz muita diferença. 

Talvez por conta do meu olhar, penso que tudo o que vi ontem, pode ser plenamente adaptado para comida de boteco, coquetel, brunch, aperitivo ou entrada e até mesmo para uma cesta de piquenique (exceto os fritos). Vou por em prática logo, logo. 

Quando cheguei no estúdio fiquei perplexa com a quantidade de material e ingredientes que estavam ali pré-organizados pelas profissionais que trabalham com a chef para que tudo transcorresse como um reloginho sincronizado. E foi isso exatamente o que aconteceu durante as quatro horas em que estive acompanhando na bancada de convidados o espetáculo criado para o público online e ao vivo. Embora a diretora do programa parecesse estressada (o que é recorrente nesses profissionais, sempre aturdidos e demonstrado excesso de seriedade) em alguns momentos a atuação da chef Suconic e de suas ajudantes mais parecia um balé sincronizado em que todo o corpo de baile sabe perfeitamente a marcação e a hora de entrar em cena. Se algo deu errado, não ficou evidente. Até porque uma das coisas que mais me agrada nos cursos da eduK é que os professores, mesmo sendo profissionais renomados e reconhecidos em suas atividades, não parecem celebridades, parecem gente falando com gente. De maneira que cabem na tela e no programa os pequenos desacertos que podem ocorrer na cozinha de qualquer um. Não que isso tenha ocorrido ontem, como já disse antes. 




Hoje tem mais. Serão apresentados os preparos de massas, saladas e doces para o cardápio de um buffet infantil. Isso porque a proposta é oferecer diferenciais para quem trabalha nessa área. 

Prometo publicar uma receita de doce e uma de salgado que eu tenha testado, mas pra isso preciso de alguns dias, já que os próximos estão lotados de atividades. Fica a promessa de que serão os preparos que eu mais tiver gostado. 

Não quero encerrar sem mencionar o quanto acho criativo e importante o que a eduK oferece. Sem dúvida isso é educação para o trabalho. Tem muita gente no Brasil inteiro acessando gratuitamente conteúdos online que, se postos em prática com as devidas adaptações para a realidade de cada um, podem mudar para melhor a vida das pessoas tanto financeiramente como em termos de autoestima e realização. Isso tudo compõe o que eu chamo de economia criativa. 

Bom fim de semana!  No domingo, vote consciente.