quarta-feira, 3 de junho de 2015

Pé na estrada rumo a Minas Gerais


Vista de Ouro Preto
As cidades históricas de Minas Gerais sempre foram uma paixão minha. Quando era estudante, ainda no Ensino Médio, naquela época chamava-se Colegial, eu tinha um sonho de conhecê-las, mas tinha que ser chegando de trem. 

Depois cresci, estudei um pouco mais e vi que isso não seria possível. Os trens para passageiros, do tipo Maria Fumaça, daquela visão romântica que eu tinha, só existem nas novelas e numa versão bem menos atrativa para atender milhares de turistas que fazem aquela farofada braba quando viajam, bem sinônimo de gente falando alto e comendo salgadinhos Elma Chips nos vagões. Romantismo passa longe, portanto. 
  
Maria Fumaça - Tiradentes - São João del Rei

A popularização do turismo é, em primeira mão, excelente para a economia das cidades, mas leva a esse resultado também. Apesar da balbúrdia nem sempre muito divertida para alguns, mas bem feliz para outros, é melhor que seja assim. Embora não goste de lugares cheios e barulhentos, eu sempre prefiro que todos tenham oportunidade de conhecer novos lugares e aprender com isso. Educar-se é um processo afinal e o turismo é uma boa fonte para o aprendizado. 


Fachada Igreja de Bom Jesus de Matosinhos - Congonhas
Minas Gerais é um estado cheio de história, de saberes e sabores muito genuínos. Entre as cidades mineiras que se destacam como patrimônio da humanidade está a linda Ouro Preto, com suas igrejas, casarões, museus e, claro, muita história para ser contada. Destacam-se também Mariana, Tiradentes, Sabará, Congonhas e São João del Rei. Todas têm em comum obras do período Barroco no Brasil, que teve como ícone máximo o mestre Aleijadinho, que deixou significativo acervo não só produzido por si mesmo, mas também por seus aprendizes. 

Nesse feriado de Corpus Christi, planejamos fazer de carro o circuito das cidades históricas mineiras para que minha mãe as conheça, já que ela nunca esteve lá. 

O preparo da viagem é sempre um pouco tenso porque como não temos uma agência programando tudo o que faremos ficou por minha conta criar um roteiro e iniciar os preparativos. 

Primeiro, foi a chamada para família. Gostaria que todos viajássemos juntos, mas é bem difícil conciliar as agendas e as expectativas de todos. Comecei achando que seríamos mais de dez pessoas viajando, mas fechamos em seis, quase três semanas depois da primeira ideia ter sido informada num e-mail para a família. 

Segundo, conseguir reservar pousada num valor acessível em condições que atendam o mínimo conforto que todos esperam, caso contrário, não vale muito a pena sair de casa.  

Esse foi um ponto bem difícil dessa organização porque no Brasil (e outros lugares também) há uma espécie de cartelização no atendimento turístico em feriados prolongados. Os donos dos hotéis e pousadas combinam entre si que todos somente venderão pacotes para esses dias. Claro que com preços bem mais altos do que fora de temporada. Mas a questão nem é o preço praticado porque isso é assim mesmo, quem tem uma pousada ganha nesses períodos o suficiente para se manter na época de baixa. Normal. 

A  questão é que se você pretende fazer um circuito, ou seja, andar por várias cidades, não tem como se hospedar numa cidade no primeiro dia e em outra no segundo e assim por diante. A menos que aceite pagar pelo pacote todo (de no mínimo três diárias) em cada cidade que ficar. 

No nosso caso, resolvemos pagar o pacote de três dormidas em Ouro Preto, o que fará a viagem ser mais cansativa porque esse é o destino mais distante em relação aonde estamos no estado de  São Paulo. Enfim, adaptações. Pagamentos de reservas feitos, vem a próxima etapa.

A terceira parte era decidir um roteiro adaptado à hospedagem. Verificar quantos quilômetros seriam percorridos e quais atrações poderiam ser aproveitadas diante do tempo dentro do carro, do cansaço decorrente e da expectativa de congestionamento por causa do feriado. 

Depois, vêm o planejamento do que será visto. Para isso é preciso se debruçar sobre os guias de viagens, fazer uma seleção do que parece mais interessante, ler a respeito e traçar metas com níveis diferentes de exigência. O que quero dizer é o seguinte: queremos ver tudo, mas isso não será possível, então é preciso eleger prioridades e aceitar que pode haver contratempos. As cidades permanecerão lá, caso não consigamos ver tudo. Então, um dia voltaremos, se for o caso. 


Comida mineira típica
Além desse planejamento, levantar dados sobre possíveis lugares para comer é importante. Referências não faltam na internet, com recomendações e críticas para evitar que se vá totalmente no escuro e se gaste muito para ser mal atendido. Mais que isso, com um grupo um pouco heterogêneo é preciso considerar os bolsos das pessoas e o quanto estarão dispostas a pagar para comer.  Para isso é preciso ter sugestões  e opções. 

Não vejo a hora de comer tutu, mandioca frita, torresmo, vaca atolada... hummm...

O ponto de encontro e as condições mecânicas e de abastecimento dos veículos ficou por conta dos homens. Silas e Fábio acertaram entre si onde nos encontraremos e cada um tomou conta de seu carro. Esse é um item importantíssimo porque é o que se refere à segurança dos viajantes. 

Arrumar as malas, sacar dinheiro, pegar a máquina fotográfica, escolher um livro,  preparar umas guloseimas e umas frutas lavadinhas para comer no caminho, providenciar água e também as  músicas para tocar na estrada são outras das providências. 

O espírito viajante é  próprio de algumas pessoas, outras são mais locais. Muitas vezes, falta experiência e algum jogo de cintura que é algo fundamental em viagens. Compartilhar essa experiência dessa vez com gente que amo tanto vai ser bem divertido. Assim espero. Espero que na volta tenha lindas fotos, muitas risadas e mais uma grande experiência para compartilhar por aqui. 

Que Nossa Senhora da Boa Viagem nos acompanhe. Conto o que for mais legal depois! 

Bom feriado!!!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Crumble de banana


De vez em quando rola uma coisa comigo. Eu penso que quero fazer determinada comida que nunca fiz e até que não faça não tenho sossego. Foi assim com o tal do crumble.  

Eu já tinha comido essa sobremesa e me lembrava que era algo muito crocante, mas não tinha exatamente certeza de sua natureza, se era uma torta, uma farofa ou mesmo um recheio crocante. 

Uma das traduções da  palavra crumble (pronuncia-se crâmbou) é esmilhagar. No entanto, na minha interpretação do doce acho que é uma reconstrução do que está esfarelado, mantendo a crocância. Está ficando difícil? Acho que isso já é explicação demais. 


Crumble é um prato doce de origem britânica, feito de compota de frutas picadas cobertas com uma mistura de gordura,em geral, manteiga, farinha e açúcar, assado até que a cobertura fique crocante. Muitas vezes, é servido com creme, nata ou sorvete, como uma sobremesa substanciosa após uma refeição quente.   Fonte: Wikipedia

O negócio é o seguinte: crumble é uma sobremesa, fácil de fazer, rápida e que pode ser muito saudável. Anda na moda porque pode ser feita com farinha integral, aveia e açúcar mascavo, além de frutas diversas, o que, fora a manteiga, o faria uma sobremesa perfeitamente vegana. Mas tem a manteiga! 

No domingo à noite, eu estava no carro voltando pra casa e comecei a pesquisar no celular uma receita que eu gostasse de crumble. Você também tem isso? Pois eu, quando decido fazer determinado preparo, procuro e leio inúmeras receitas. Aí, escolho a que mais se parece com o meu jeito de lidar com a cozinha. Dificilmente assumo a primeira receita que encontro. Além disso, eu ainda faço adaptações. Sempre! Não existe a menor possibilidade de que eu siga à risca uma receita. Quase sempre dá certo. Deve ser por causa do instinto cozinheiro que eu já tenho comigo desde pequena. 

Nessas variadas receitas que encontrei, a ideia era quase sempre a mesma: uma fruta como base (banana, maçã, pera, manga) e uma farofinha feita com açúcar, manteiga e farinha de trigo. Forno ou frigideira aquecidos e pronto. 

Vamos à receita e o modo de fazer  que eu adotei e deu certo.  Ficou bem gostoso. 


Crumble de banana


foto: http://www.handpickedhotels.co.uk/


Ingredientes


Quase não sobrou pra foto!
6 bananas nanicas descascadas cortadas em rodelas de mais de um centímentro
1/2 colher de canela em pó
4 castanhas do pará cortadas em pedaços
30 gramas de uvas passas brancas sem sementes
1/2 xícara (chá) de açúcar mascavo
2/3 xícara de farinha de trigo
2/3 xícara de aveia em flocos
2 colheres (sopa) de manteiga sem sal gelada



Modo de preparar

Unte com manteiga uma forma refratária ou ramequins* (caso queira fazer porções individuais). Polvilhe a canela no fundo e distribua as rodelas de banana, as castanhas e as uvas passas sem sementes.  Em outra tigela, misture o açúcar, a farinha e a aveia e acrescente pedaços da manteiga gelada. Misture com as mãos, sem deixar que os pelotinhos de manteiga se desfaçam completamente. Transforme esses ingredientes numa farofa que será polvilhada sobre as bananas, escondendo-as por completo. 
Leve ao forno pré-aquecido em 200 graus por 30 minutos. 

*ramequins


Sirva quentinho com sorvete, com iogurte ou com creme, de preferência o creme azedo (sour cream). 


***

Eu nunca tinha feito, mas fiquei fã. Agora vai ser um tal de crumble de tudo quanto é fruta aqui em casa... Já estou aqui pensando como deve ficar bom com figo... E aí pode-se substituir a castanha do pará por pinhole. Também imaginei colocar um pouco de farinha de amêndoa junto da farinha de trigo e usar parte de farinha integral... Fiz mil viagens no doce. 

O fato é que o crumble pode salvar as bananas que quase estão se estragando na fruteira, assim como salvar você numa situação em que não tem nenhuma sobremesa e chega visita, mas tem alguma fruta dando sopa por ali. É só sentir a textura da fruta e pensar na adaptação necessária quanto à quantidade de açúcar e o tempo de forno.

Entende agora porque eu nunca sigo a receita ipsis litteris? Essa sou eu! 

A propósito: acho que colocar uma pimentinha no crumble pode dar um belo realce no sabor. 

Que tal tentar? Vai que dá certo...

Até amanhã. Tem feriado chegando aí... Pé na estrada ou um bom livro novo para fazer companhia, um friozinho e umas comidinhas gostosas. Que mais a gente quer da vida, hein?! Eu, nada! Ah! Acabo de ler na internet: o Blatter renunciou!